segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Crise Americana: Viva Ron Paul!



Como bem sabemos, a crise se iniciou por causa da intervenção do Estado que, através do controle financeiro, promoveu a redução das taxas de juros com o propósito de criar crédito, estimulando a economia, dando vida ao mercado imobiliário. Ora, a conseqüência imediata foi que todo tipo de americano passou a ter acesso a empréstimos, hipotecas (viva o subprime!), o que aqueceu o mercado imobiliário, leia-se Freddie¹ e Fannie.² É importante frisar que taxas de juros baixas estimulam o consumo em oposição a poupança, que é uma das mais importantes "forças motoras do capitalismo." O aumento dos juros foi só questão de tempo; a alta demanda impulsionada por juros baratos, o perigo do aumento da inflação, a crescente inadimplência (qualquer pessoa tinha acesso a hipotecas, até mesmo com um triste histórico de crédito) entre outros fatores, obrigaram o FED a tirar a taxa de juros quase do zero. Pronto! Aqueles mesmos cidadãos que tinham feito empréstimos aos bancos, agora não mais sabiam como pagar. As dívidas, os títulos podres, foram repassados ao Governo que logo tratou de "comprar", leia-se cobriu o rombo. Na verdade essas instituições financeiras nunca tomaram cautela porque sabiam que as transações que envolviam a Freddie e a Fannie (Empresas que aumentaram o crédito na época de Bill Clinton a mando do próprio Presidente), apadrinhadas pelo governo, eram "seguras", como de fato se mostrou quando o Estado americano saiu em socorro das suas filhas pródigas.

¹: Federal National Mortgage Association, criada em 1938 por Roosevelt no ápice do New Deal. Se tornou corporação privada em 1968 (isso mesmo, passou 30 anos como monopolista do setor hipotecário) como forma de reduzir o agigantamento do Estado que precisava conter os déficits. Tinha como propósito fornecer liquidez ao mercado imobiliário.

²: Federal Home Loan Mortgage Company, criada em 1970 pelo escandaloso Nixon. Seu propósito era expandir o mercado de hipotecas e servir como mais uma instituição de fornecimento de empréstimos, assim como a Freddie.

Pedro Ravazzano

sábado, 27 de setembro de 2008

O Marxismo e a Teologia da Libertação

O marxismo conquistou um grande número de seguidores dentro da Igreja. Esse posicionamento ideológico, além de contrariar os ensinamentos do Magistério, gerou um forte braço da esquerda, principalmente na América Latina. A Teologia da Libertação, nascida do encontro de heresias teológicas européias com a metodologia comunista no Novo Mundo, frutificou, tornando-se uma grande arma do socialismo mundial.

A Igreja já havia dito que "Socialismo religioso, socialismo cristão, são termos contraditórios: ninguém pode ao mesmo tempo ser bom católico e socialista verdadeiro" [1], mas isso não impediu que religiosos em rebeldia plena ao Magistério afirmassem que "o Reino de Deus é concretamente o socialismo" [2]. Genésio Boff disse, ao Jornal do Brasil, que o proposto pelos seus "não é Teologia dentro do marxismo, mas marxismo (materialismo histórico) dentro da Teologia".

Essa falta de caridade e fidelidade ao ensinado pela Igreja, que não condenou o socialismo por motivos pequenos e mesquinhos, mas pela sua incongruência com a Revelação cristã, atingiu seu ápice quando em 1968, religiosos, que já traziam de outrora suas heresias ideológicas, comungaram e ratificaram atitudes terroristas e revolucionárias. FreiBetto, e seus comparsas, aliados a Carlos Marighela, levantaram pontos ao longo da Rodovia Belém-Brasília para implementar uma guerrilha rural, usando o Convento do Araguaia como o centro logístico. Nesse momento os dominicanos se transformaram, Frei Ivo, virou Pedro, Frei Osvaldo, Sérgio ou Gaspar I, Frei Magno, Leonardo ou Gaspar, Frei Beto, Vítor ou Ronaldo, tudo isso para que pudessem contactar Marighela e Joaquim Câmara Ferreira, os cérebros do Agrupamento Comunista de São Paulo (AC/SP), que depois virou Ação Libertadora Nacional (ALN).

Esse grupo terrorista tinha como financiador o governo totalitário cubano. O presidente, Carlos Marighela, fundou o AC/SP depois que foi expulso do PCB. Interessante que sua obra, Minimanual do Guerrilheiro Urbano, transformou-se em norte de vários grupos fanáticos de esquerda, como Brigadas Vermelhas, da Itália, e Baader-Meinhoff, da Alemanha. A ALN assaltou trens-pagadores (o roubo de Santos-Jundiaí rendeu NCr$ 108 milhões), realizou seqüestros, como o do embaixador americano, em conjunto com o MR-8 (do hoje ministro da Comunicação Social Franklin Martins e do deputado Fernando Gabeira). Depois da morte de Marighela, em 1969 (por delação do Frei Fernando), a ALN passou a ser liderada por Joaquim Câmara Ferreira, que viajou para Cuba com o fim de receber ordens de Fidel Castro. Além desse extenso currículo, a ALN se envolveu em centenas de assassinatos, tanto em ação solo, como em parceria com outros grupos terroristas; VAR-Palmares (da ministra Dilma Rousseff), PCBR, MOLIPO, Tendência Leninista (esses dois últimos vindos da própria ALN). Tudo isso com a participação, ou no mínimo conhecimento, de religiosos dominicanos.

Os terroristas não lutavam por liberdade, mas sim pelo triunfo da revolução comunista no Brasil, que bem sabemos é o inverso. No regime militar, ditatorial e podador de liberdade, o número de mortos chegou a aproximadamente quatrocentos (lembrando que os guerrilheiros de esquerda cometeram cerca de duzentos assassinatos), enquanto o histórico do marxismo mundial beirava os 100 milhões de mortos. Alguns casos são bastante significativos; na China, 65 milhões morreram depois que Mao Tse Tung iniciou o "Grande Salto para Frente", um desastroso projeto. Na URSS, só de 1917 a 1953, o regime bolchevique havia matado 20 milhões de pessoas, muitos deles religiosos da igreja ortodoxa russa que cometiam o crime de professar o cristianismo. Na Coréia do Norte, que até hoje vive sob o jugo do regime comunista, o número chegou a dois milhões de mortos. No Camboja, o Khmer Vermelho matou em três anos 1/3 da população. Na América Latina, países como Cuba, Nicarágua e Peru, que estavam intimamente ligados às arquitetações comunistas, carregam cerca de 150 mil mortos. A ilha de Fidel ainda tem cerca de 2,2 milhões de pessoas, 20% da população de Cuba, de refugiados, principalmente nos EUA. Outros números; África, 1,7 milhão, entre Etiópia, Angola e Moçambique, Afeganistão 1,5 milhão, Vietnã um milhão. Seriam, então, esses 100 milhões de mortos pelo comunismo menos “importantes” do que os 500 assassinados pelo regime militar?

Aqui vale uma pequena recordação. Hoje, muitos comunistas se esforçam para desvencilhar o marxismo do que eles chamam de "socialismo real". Lutam contra a história para justificar a eterna defesa de uma ideologia genocida. Primeiramente, na década de 70 - 80, nenhum dos "companheiros"," camaradas" se incomodava em receber financiamento e treinamento da China, URSS, Cuba, Albânia etc. Essa repentina aversão ao regime comunista só se sucedeu depois da queda do Muro de Berlim, quando o mundo finalmente pode ver as desgraças cometidas pelas nações marxistas, mascaradas de um projeto de igualdade material. Quando os partidos esquerdistas do Brasil recebiam verba de Havana, Moscou ou Pequim, os três regimes já traziam nas costas centenas e milhares de mortos, e que mesmo com as restrições das mais necessárias liberdades civis, eram de conhecimento do público ocidental. Ademais, mesmo que Marx não idealizasse uma ditadura do proletariado genocida, o que alguns chamam de "socialismo real" é nada mais do que a única via prática de se instaurar um sistema naturalmente fadado ao fracasso. Hayek, um grande economista da Escola Austríaca, mostrou em sua obra, “O Caminho da Servidão”, o caráter totalitário intrínseco à concepção socialista, entre outras coisas afirma, de forma brilhante, que o “socialismo democrático (...) não só é irrealizável, mas o próprio esforço necessário para concretiza-lo gera algo tão inteiramente diverso que poucos dos que agora o desejam estariam dispostos a aceitas suas conseqüências”. [5]

A Espanha, que não sofreu com um regime comunista, chorou seus mortos na guerra civil, quando marxistas, financiados pela URSS, lutaram pela revolução em terras ibéricas. O historiador Hugh Thomas disse que "Em tempo algum no curso da história da Europa, talvez mesmo de todo o mundo, viu-se um ódio tão apaixonado à religião e suas obras." [6] Tanto na Espanha quanto no Brasil os marxistas tinham apoio direto dos soviéticos, entretanto, na península, os religiosos eram martirizados e perseguidos, enquanto aqui se convertiam à barbárie comunista. Só nos meses precedentes a guerra 160 Igrejas foram depredadas e 270 religiosos mortos. É célebre a foto onde o Cristo Redentor é "fuzilado" por atiradores comunistas. Ademais, outros monumentos católicos foram profanados, como a histórica imagem de Nossa Senhora de Granada, que tinha que ser chutada para o alistamento na Frente Popular. Os processos de canonização são sempre grandiosos; 61 mártires de Cartagena, 47 Irmãos Maristas, 226 de Valença, 500 foram beatificados a pouco tempo por S.S Bento XVI.

Enquanto Frei Betto e seus camaradas religiosos se levantavam contra os abusos cometidos pelo regime militar, em Cuba 15 mil e 17 mil pessoas eram fuziladas. A consciência era limpa (ou hipócrita?), não se incomodavam em receber dinheiro e treinamento de militantes castritas. A falta de percepção era tão acentuada que se lançavam numa luta contra um inimigo que, mesmo sendo totalitário, era mais brando do que aqueles que financiavam a luta armada contra o regime. URSS, China e Cuba eram os custeadores dos guerrilheiros que diziam lutar por liberdade mais que eram sustentados por ditaduras genocidas. Tinham mais condescendência com assassinos e blasfemadores do que com famílias cristãs de classe média. Estrebuchavam-se com marcha de católicos rezando o terço, mas aplaudiam as frases de seus ídolos, não mais bezerros de ouro, mas porcos de sangue; "Fuzilamentos, sim, temos fuzilado, fuzilamos e continuaremos fuzilando enquanto seja necessário. Nossa luta é uma luta de morte". [7], "Não sou Cristo nem filantropo; sou todo o contrário de Cristo" [8].

A Teologia da Libertação tem a sua presença no meio religioso reduzida, mesmo com seu esforço atual de se reinventar, a maneira que encontrou para tentar manter a sua influência como outrora, como na década de 80, quando era pujante. Ademais, ainda é ativa na política da América Latina. O próprio PT surgiu nas sacristias das igrejas TL, e ainda hoje, Frei Betto, Boff, e companhia, são articuladores da esquerda nacional e internacional. O frade dominicano tem relações amistosas com Fidel Castro, seu mentor político, as FARC, tendo inclusive o comandante da narcoguerrilha, Raul Reyes (o que morreu a pouco tempo), informado que um dos seus maiores contatos junto ao governo do PT era o religioso católico, e com diversos partidos marxistas do continente, sendo um dos membros principais do Foro de São Paulo, dirigindo sua revista quadrimestral, "America Libre". O dominicano, sem nenhuma timidez, barbarizou ao dizer em pleno II Fórum Social Mundial, que "a sociedade do futuro mais livre, mais igualitária e mais solidária se define em uma só palavra: socialismo. Pediu uma salva de palmas para Karl Marx e disse que o homem novo deve ser filho do casamento de Ernesto Che Guevara e Santa Teresa de Jesus", como pontuou Carlos I. S. Azambuja.

A heresia do modernismo deu um grande impulso aos religiosos que já traziam o germe heterodoxo. A massificação foi tão profunda que conseguiram corromper toda a Ação Católica, passando essa a ser um braço dos partidos marxistas. Nessa época, os grandes Bispos de destaque do país estavam em consonância com tais abusos e profanações, fornecendo uma densa e forte proteção aos religiosos que se comportavam diametralmente opostos ao ensinado pelo Magistério. Nesse contexto, é bastante pertinente a figura do ex-frade Leonardo Boff, que diferente de Frei Betto, tinha uma bagagem cultural e teológica de peso. Ele conseguiu estruturar a Teologia da Libertação, dando a ela um fundamento sólido. Sua figura caiu para segundo plano quando ainda religioso se envolveu com uma mulher casada, o que além de acarretar sua saída da vida franciscana, por vontade própria, lançou para um patamar abaixo a sua importância na teologia americana. Mesmo com essa queda, suas sementes já haviam sido plantadas em muitos setores da Igreja.

A Teologia da Libertação foi posteriormente condenada através do documento Libertatis Nuntius, que afirmou, entre outras coisas, que ela causava "uma interpretação inovadora do conteúdo da fé e da existência cristã, interpretação que se afasta gravemente da fé da Igreja, mais ainda, constitui uma negação prática dessa fé”. Isso se somou às condenações ao marxismo feitas por Pio IX, Leão XIII, São Pio X, Pio XI, Pio XII, João XXIII, Paulo VI e João Paulo II. Em Puebla, o documento do CELAM frisou que "(...) A libertação cristã usa 'meios evangélicos', com a sua eficácia peculiar e não recorre a nenhum tipo de violência, nem à dialética da luta de classes (...)" (nº 486) "ou à praxis ou análise marxista" (nº 8).

O Magistério, em toda a sua riqueza, é claro quanto a condenação ao socialismo, e a própria Teologia da Libertação. Esta, além da metodologia marxista, cai em outras heresias, como o modernismo, gnosticismo (ambas intrínsecas), mas também milenarismo, se analisarmos a perspectiva socialista de redenção, montanismo, com a sua percepção eclesiológica deturpada, e outras heterodoxias. Essas heresias podem gerar diversas outras, como por exemplo, o berenguarianismo. Além dessas heresias, a Teologia da Libertação descamba para a defesa do aborto, homossexualismo etc. Nas palavras de Frei Betto; "O Estado é laico e deve ter o direito de defender a vida das mulheres pobres não incriminando mais o aborto, o que não significa ser a seu favor." e "Embora eu seja contra o aborto, admito a sua descriminalização em certos casos (...) Se os homens parissem, o aborto seria um sacramento." [9]. O religioso só esquece do ensinamento canônico da Igreja; "Cânone 1398 Quem procurar o aborto seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae (automática)", condenação que também recai aos defensores do infanticídio.

A Teologia da Libertação conseguiu entrar nos seminários e noviciados e, com isso, se estabeleceu justamente na fonte de formação. Aqui é válido um breve comentário. A chegada da TL nas escolas católicas foi avassaladora. Talvez não haja uma correta atenção a esse problema, o que, de maneira decisiva, impede a restauração de uma vivência católica genuína. O mais irônico é que a Teologia da Libertação percebeu antes de nós a relevância das escolas e, por isso, se esforçou ao máximo para entrar e se fixar nesses centros estudantis. Hoje, boa parte dos colégios católicos está entregue a ensinamentos liberais e incongruentes com a doutrina da Igreja. O problema é tão complexo que é até difícil dizer se foram os religiosos que corromperam as famílias,ou as famílias que levaram para os colégios a corrupção. Eu, particularmente, acredito na primeira opção. Os colégios católicos, literalmente, de um dia para o outro, viram seus símbolos sendo guardados em depósitos, aulas de religião reduzidas a um simplismo empobrecedor, Padres com currículos extensíssimos sendo retirados das salas de aula unicamente por serem Padres. Isso sem contar com uma das maiores antíteses com que já me deparei; colégios nominalmente e tradicionalmente confessionais restringindo ensinamentos e vivências religiosas por defenderam o pensamento laico. Esses religiosos tíbios geraram fiéis ímpios, e esses fiéis ímpios formaram famílias liberais-agnósticas-atéias. É a bola de neve.

O apoio de grandes Bispos, no passado, também foi essencial para o fortalecimento dessa linha herética. Essa condescendência episcopal, somada a maciça presença da TL nos seminários, deram a ela uma estrutura sólida e grandiosa. A sua presença na Igreja brasileira foi tão enfática que conseguiam abafar todas as condenações que vinham de Roma, continuando intocados e atuantes. Com o surgimento do movimento carismático e associações fiéis e ortodoxas (Legionários de Cristo, Opus Dei, Comunhão e Libertação, Arautos do Evangelho etc), a Teologia da Libertação passou a presenciar a sua degradação. Apenas forneciam aos seus seguidores um discurso político e centrado na dialética marxista, tudo convergia para a "justiça social" e luta de classes; Maria a mulher da caminhada, Jesus o revolucionário etc. Com isso o empobrecimento espiritual dos homens,se tornou inevitável. Esses novos movimentos resgataram o mais puro cristocentrismo.

A TL foi sendo assim minada, sua influência reduzida, entretanto, ainda se faz presente, se esforçando para sobreviver em meio ao renascimento católico. Interessante é que essa sua tentativa de manutenção a levou a se aproximar de setores da RCC, que no passado era alvo constante de críticas e acusações por parte da alta cúpula da TL. Ela cavou a própria cova quando afastou a piedade e religiosidade dos fiéis, com isso as suas fontes de vocações secaram. Em contrapartida, os novos movimentos, aversos a essa metodologia dialética e herética, passaram a ter seus seminários e noviciados apinhados de jovens, derrubando de imediato a falaciosa crise de vocações, tão divulgada pela mídia catolicofóbica. Dessa forma, uma nova geração de religiosos foi sendo formada, com fidelidade ao Magistério e ortodoxa no seguimento da doutrina. Serão os futuros padres, freis, monges, Bispos, aqueles que irão execrar por um todo a Teologia da Libertação da Igreja, e coloca-la no seu devido lugar, nos livros de história, como uma heresia ao lado de tantas outras.

Notas

[1] Quadragesimo Anno, nº 117 a 120

[2] BOFF, L. e BOFF, Cl. Da Libertação, p. 96

[4] HAYEK, F. A. O Caminho da Servidão, 1994, p. 53

[6] THOMAS, Hugh. A Guerra Civil Espanhola Vol. 2, 1964.

[7] Che Guevara, na Assembléia Geral da ONU em 11 de dezembro de 1964

[8] Che Guevara em carta familiar

[9] Frei Betto, A Questão do Aborto


Pedro Ravazzano

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Viva os Clichês!

Eu não sei vocês, mas eu já perdi a paciência com esse pessoal dito politizado que só faz repetir chavões politicamente corretos. Nessas horas eu bato palma para a esquerda e o globalismo. De fato, a manipulação das massas, a ideologização de movimentos sociais, a maciça infiltração nas “superestruturas”, criaram uma sólida base na qual se ergueu o idiota útil. É chato e muito repetitivo esse discurso, o mais assustador é que faz sucesso. Tente você mesmo, faça um sermão que tenha as palavras; “opressor”, “oprimido”, “burguesia”, “elite”, “capitalismo selvagem”, “capital”, “alienação” etc, pronto, você vai passar a ser admirado e possivelmente visto como exemplo de “consciência social”. Foi com esse bela articulação que eu tirei uma excelente nota na redação do vestibular. Ah, não podemos nos esquecer da também forte presença do clichê anti-religioso. É cômico ouvir alguém dizer que religiosos são ignorantes, os inteligentes são ateus, aqueles que se livraram das “amarras” da crença. Realmente. Tomás de Aquino, Agostinho de Hipona, Leonel Franca, Jacob Boehme etc, todos exemplos de uma humanidade subdesenvolvida, longe do esplendor da liberdade, liberdade esse fincada no ateísmo e agnosticismo. Enfim, o clichê politicamente correto bebe no triunfo do pensamento socializante, do lobby feminista, ecochato, politicamente correto, se fundamenta na aparente vitória do relativismo frente a defesa da Verdade.

Pedro Ravazzano

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Uma tosca "parábola" sobre a Sagrada Tradição

A receita

Mariazinha se deliciava com o bolo de sua mãe. Quando havia visitas ela sempre comia um grande pedaço e esperava ansiosamente para repetir. Mas, Mariazinha também acompanhava sua mãe na cozinha e desde a infância aprendeu o modo como fazer o bolo delicioso; uma receita antiga de sua avó.

Mariazinha cresceu, casou-se e teve filhos. Uma de suas filhas, Joana, também a acompanhava algumas vezes na cozinha e aprendeu a fazer o famoso bolo. Sabia todos os ingredientes. Às vezes faziam o bolo só para a família, outras vezes para as festas com os amigos. Às vezes se fazia uma massa para duas fôrmas e outras para três....

Joana não gostava muito de cozinhar. A receita do bolo, no entanto, ela aprendeu por conta do costume e convivência com sua mãe. Uma amiga lhe pediu que lhe passasse a receita. Joana escreveu todos os ingredientes no caderninho e entregou-a.

Joana teve duas filhas: Madalena e Eva. Eram pessoas muito diferentes e não se davam bem. Madalena era uns bons anos mais velha que Eva e quando esta nasceu sua mãe já sofria com fortes dores; sua saúde estava comprometida.

Eva saiu de casa aos 16 anos e não conviveu muito com Joana. Madalena, ao contrário, viu Joana jovem, dando festas aos amigos e parentes. Todos se deliciavam com o bolo, aquela famosa receita de família, mas que Joana dava a todos que lhe pediam.

Quando Joana faleceu Eva tinha 20 anos. Foi comunicada do fato e ficou muito abalada. No mesmo dia viajou para sua terra natal, porém não encontrou sua irmã Madalena que tinha viajado para muito longe.


Por telefone as duas se falaram:

- Madá, você não virá para o velório?

- Não sei! Há muitos problemas aqui, o país está em guerra! – dizia angustiada – está tudo fechado, ninguém pode sair.

- E eu, o que faço? Toda família deve chegar em breve?

- Faz o bolo que a mamãe gostava de fazer!

- Mas nunca fiz esse bolo?

- É fácil! A receita está numa das gavetas do armário marrom.

Eva correu para cozinha com a receita na mão. Os garranchos de sua mãe ela reconhecia mesmo estando tanto tempo fora.

Preparou tudo com dedicação e afinco. Toda família chegava emocionada; estavam abalados com aquela grande perda. Eva foi até a cozinha e trouxe o bolo. Tinha esperança de que aquilo trouxesse boas recordações de sua mãe.

O bolo, contudo, estava solado. E qual não foi a surpresa do seu tio Nelson ao prová-lo e ter uma sensação estranha: esse não é aquele bolo da sua mãe? Eva respondia que sim, mas que alguma coisa havia dado errado.

Todos perguntavam sabendo já a resposta: Mas você não tem receita?


Vinícius Mascarenhas

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Bandeira Revolucionária


Quando as Trezes Colônias se levantaram contra o Império Britânico, um dos símbolos mais populares foi a Bandeira de Gadsden, uma serpente sobre um fundo amarelo. Foi Benjamim Franklin que melhor explicou a analogia entre o animal e os ideais daquela jovem nação: jamais é a primeira a atacar [Meu Deus do Céu, os neoconservadores esqueceram essa lição], quando faz avisa primeiro, e quando começa jamais se rende. Sobre a serpente, na Bandeira de Gadsden reluz o lema: Don’t Tread On Me! (não pise em mim!). Uma das formas mais claras e diretas de expressar o que se entende por liberdade: Verdade que não me meto contigo? Então, deixe-me em paz!

Pedro Ravazzano

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Elogio da ilusão

Nas conversas de bar, de elevador, nos “debates” das “universidades”, nas reuniões de igrejas, etc, sempre há aquela conversa na qual se expõe a “condição brasileira”, mazelas que geralmente são finalizadas por um discurso pretensamente desmistificador no qual se apresentam vantagens, qualidades, dotes de pessoas e ou instituições brasileiras.

O desmistificador - do tipo “eu sou brasileiro e não desisto nunca”- apresenta fatos, casos, ou seja lá o que for, com o objetivo de demonstrar a capacidade, a potência da majestosa, mas republicana nação brasileira.

O que para mim é curioso é que na maioria das vezes, não digo sempre, tais alocuções não passam de elogios à ilusão.

No ano passado o Brasil inteiro viu pela televisão a publicidade em torno do petróleo. Trata-se do “petróleo auto sustentável”. Muitos estatolatras vibraram com a empresa pública que garantiu a independência brasileira em relação ao petróleo estrangeiro.

O que a maioria deles não sabe é que o Brasil alcançou tal “triunfo” pelo simples fato de que a economia brasileira não cresceu. Na verdade não cresceu o quanto poderia, e como conseqüência consumiu menos energia. Enfim, estavam a comemorar a falta de crescimento da economia brasileira

Outro exemplo clássico é o dos acadêmicos: cientistas, sociólogos entre outros que estudaram ou estudam em grandes universidades: Oxford, Harvard, Sorbonne e etc. Para eles deve ser ótimo, mas o fato é que não se pode considerar tais exemplos como símbolos da arrancada tupiniquim rumo ao primeiro mundo.

Em primeiro lugar o fato de alguns acadêmicos estudarem nas maiores universidades do mundo revela que as “melhores” universidades do mundo, como é óbvio, não situam-se no Brasil. Em segundo lugar: a presença destes no mundo acadêmico da elite internacional é prova de que nos EUA, na Europa Ocidental, no Japão se estuda o Brasil, a América Latina; se estuda o Terceiro Mundo e seus problemas, por isso aquelas pessoas são peças indispensáveis. Enquanto no Brasil nós estudamos o que?

Não quero dizer que só temos problemas, mas quando elogiarmos algo, que elogiemos uma coisa que mereça sê-lo. Não devemos criar odes às ilusões.

Vinícius Mascarenhas

domingo, 21 de setembro de 2008

"Mas em pleno século XXI"

Hoje é comum ouvir alguém dizer perante uma declaração alheia: “Mas em pleno século XXI!”. Pois é, no século XXI algumas coisas se tornaram intoleráveis.

Não se pode ouvir uma moça – um homem muito menos – dizer que pretende casar virgem; ninguém pode expressar contrariedade ou desconforto com o casamento de homossexuais ou com a adoção de crianças pelos mesmos. Não se pode ter horror de algo hediondo como o aborto sem ouvir: “Mas em pleno século XXI!”.

Já ouvi dizer que as idéias e valores morais devem ser julgados não pela sua pertença epocal, e sim pelo valor que eles têm para a humanidade. As pessoas, no entanto, insistem em usar como critério a época na qual os valores tiveram vigência, ou surgiram.

Mas se para as mentes menos sofisticadas e com maiores dificuldades de entender explicações teóricas dizer assim fica difícil, digo de outro modo:

1) Meses atrás recebi um cheque de um banco, fui até uma agência pretendendo sacar o dinheiro. A bancária me disse que para fazê-lo seria preciso levar o cheque até a agência do titular da conta. Pensei imediatamente: “Mas em pleno século XXI!”

2) Para adquirir meu diploma, me dirigi até a Secretaria Geral de Cursos. Peguei um papel para preencher, recebi um boleto GRU – Guia de Roubo da União – para fazer o pagamento. Depois disso terei que entregar o papelzinho preenchido, o comprovante de pagamento do boleto e as cópias do RG e CPF; com o detalhe que a secretaria só funciona de 8:30 até 12:00 horas. Que coisa prática! Penso comigo mesmo: “Mas em pleno o século XXI”.

3) Fiz uma compra pela internet. O tempo de entrega da encomenda varia de 5 a 10 dias úteis. O produto, um livro, foi enviado no dia 04 de junho. Depois de acompanhar pela internet o serviço de entrega dos Correios e não descobrir nada, liguei para a agência mais próxima. Soube que o carteiro havia passado no dia 26 do mesmo mês para fazer a entrega e foi embora; supostamente por não encontrar ninguém na residência. O que pensei eu? “Mas em pleno século XXI!”

4) Na minha cidade para ir de um canto a outro não se gasta menos de 40 minutos. O trânsito é um inferno. Sem falar que os ônibus são lotados. Nos finais de semana não há trânsito, porém não há ônibus. Nos tempos do progresso se desloca como se andasse de carroça: “Mas em pleno o século XXI”

Onde está a era da praticidade, da tecnologia, da velocidade? Os arautos do progresso e das revoluções sociais e culturais prometeram e prometem muitas coisas. Há de fato progressos materiais, ninguém poderia negá-los. Até que ponto, contudo, estes estão ajudando o homem? Há de fato revolução moral – que estou convencido, não traz bem algum – e as mudanças provenientes desta é que, quando chocadas com visões contrárias - geralmente milenares –, suscitam a fórmula: “Mas em pleno século XXI!”.

Isso quer dizer, por um lado, que algumas pessoas realmente não estão em sintonia com tais transformações. Por outro, significa que algumas pessoas, não poucas, identificam as mesmas com o progresso e se escandalizam diante da “caretice” alheia: “Mas em pleno século XXI”.

Por que não se escandalizam com a ineficiência dos transportes, dos serviços de atendimento ao consumidor, com a morosidade da justiça ou dos Correios ou mesmo dos serviços bancários? Não deveria a tecnologia estar a serviço da humanidade?

Isso sim merece um grande grito de insatisfação. E pode ser aquele mesmo: “Mas em pleno século XXI!”

Vinícius Mascarenhas

sábado, 20 de setembro de 2008

Estado mínimo?

Depois não sabem o porquê da crise!

Pedro Ravazzano

A UNE não nos representa

"Uma caravana de estudantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) adentrou o campus da UFSC, embarcada num novíssimo ônibus do Ministério da Saúde (do ministro Temporão, aquele do plebiscito do aborto). Invadiram o prédio do Centro Tecnológico para interromper as aulas e fazer baderna. Foram expulsos pelos estudantes e professores, não sem violência física. Travestidos de palhaços e outras fantasias alegóricas estranhas à universidade e portando a bandeira nacional, migraram para outras dependências do campus, continuando a baderna. O absurdo é que enquanto o Ministério da Saúde provê um luxuoso meio de transporte a esses estudantes profissionais, subsidiados com verbas públicas de R$ 700 mil por ano, não há transporte para os segurados do SUS, não apenas para transportá-los aos hospitais, mas até para dar assistência aos familiares, na amarga situação de resgatar os cadáveres dos que morrem às portas dos hospitais."

Sergio Colle
Professor na UFSC - Florianópolis

Pedro Ravazzano

Jovens Católicos e Feministas Revoltadas

No vídeo que vocês irão ver a seguir constatarão até que ponto chega a intolerância. É engraçado quando chamam os cristãos (aqui incluo os católicos, ortodoxos e protestantes históricos) de fanáticos intolerantes. Ora, é fato que existe uma total desavença entre os crentes e as novas percepções sobre a moral e o sexo. Podemos remontar essa ótica até a Escola de Frankfurt, principalmente a Marcuse, que dizia que a moral era mais uma forma de opressão burguesa. De qualquer forma, a tentativa de criminalizar a moral religiosa é absurda. Óbvio que nenhum cristão pode ultrajar e agredir um homossexual ou uma feminista lésbica, até porque aprendemos que o ódio deve ser direcionado ao pecado, nunca ao pecador, não obstante, as reivindicações desses movimentos, totalmente ideologizados, passam por um processo de restrição das liberdades individuais.

Nesse vídeo um grupo de católicos se reúne na porta da Catedral de Neunquén, onde passaria uma passeata composta por membros do
"Encuentro Nacional de Mujeres". Eles temiam que a Igreja fosse alvo de ataques e profanações. O resto vocês vão ver com os próprios olhos. Só aviso que xingam a Virgem Maria, queimam bandeira da Argentina, cospem na cara dos jovens etc, daí podem concluir o tom...

Pedro Ravazzano

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Ortega e as Circunstâncias

por Nivaldo Cordeiro

22/07/2008

A mais famosa frase cunhada por Ortega y Gasset, ele que era um escritor que construía frases memoráveis a cada página escrita, é: “Eu sou eu e a minha circunstância e se não a salvo, não salvo a mim mesmo”, posta no intróito ao livro Meditaciones del Quixote”. Depois da expressão “Penso, logo existo”, cunhada por Descartes, é a mais sensacional síntese filosófica que um pensador tenha conseguido. Ela diz muita coisa em filosofia, é a própria representação da razão vital orteguiana, que veio para superar o unilateralismo idealista e sepultar de vez um eventual resgate do realismo filosófico.

Não tenho o propósito aqui de expor, nas poucas palavras que escreverei, esse verdadeiro duelo da história do pensamento ocidental, que tem em Ortega y Gasset um apogeu. Teria eu que ser um filósofo também, o que não sou, e ter um espaço para, pelo menos, escrever um ensaio. Eu quero apenas fazer um pequeno comentário à expressão, muito a propósito para pensarmos o momento histórico que estamos vivendo.

O que podemos perceber é que a maior parte dos autores gosta de citar a primeira parte da sentença “Eu sou eu e a minha circunstância”, deixando em segundo plano a segunda parte, “e se não a salvo, não salvo a mim mesmo”, tão importante. Certo, a primeira parte é, digamos, a mais contemplativa. Ela demonstra que o Eu é tão fundamental quanto as coisas são, aquelas que encontramos, cada um de nós, na longa jornada que é a vida individual. As pequenas e as grandes coisas por igual. A verdade é resultado desse encontro do olhar humano com as coisas em derredor. “Pensar é olhar”, ensinou Ortega certa vez. E nessa abordagem perspectivista vemos o filósofo espanhol ombrear-se com os grandes filósofos de todos os tempos, de Sócrates a Kant e Hegel e todos os outros. A ingenuidade realista dos antigos e a soberba autonomizada do Eu na modernidade são deixadas para trás enquanto unilateralidades incapazes que darem conta de explicar o real.

O interessante aqui é a segunda parte da sentença. É um olhar do homem de ação, depois da contemplação. Há uma forte ressonância cristã – o apelo à salvação – embora não pretenda ter um elo teológico. É que “salvar-se” tem sempre uma conotação metafísica e a pressuposição de que a transitoriedade da vida humana é aparente. A jornada continua por toda a Eternidade. A responsabilidade diante de Deus está posta ao vivente, mesmo que eventualmente ele a recuse e nem a reconheça. Mas o que estava à vista do filósofo era a coisa mais terrena, mais imediata, mais histórica. Era o contexto social, sua sociologia. Ortega estava vendo, àquela altura dos idos de 1916, a dramática emergência do homem-massa na Espanha e na Europa em geral, que triste memória deixou para a humanidade. Pensando sociologicamente, a expressão remete ao vivente a responsabilidade de salvar as circunstâncias. E as circunstâncias de um indivíduo são dadas precisamente pelo que ocorre na política. E a política não é alheia à ação individual de cada um.

É preciso, portanto, salvar a política das mãos do homem-massa para que possamos salvar a todos e a cada um. Mais precisamente, é preciso enquadrar o homem-massa, restabelecer a hierarquia. Salvar aqui, em minha opinião, tem o primeiro de seus sentidos dicionarizados: “Tirar ou livrar a si mesmo de perigo, dificuldades, ruína ou morte”. Há um grande perigo em nosso momento, muito semelhante àquele que Ortega viu a seu tempo. O ponto é que não temos escolha que não agir para salvar-nos a nós mesmos. Ninguém fará isso por nós, que somos os agentes históricos. A omissão não salvará ninguém, muito ao contrário, ela apenas entregará os destinos coletivos nas mãos dos que têm a alma moralmente deformada. Daqueles que não se importarão em causar morte e destruição.

Agir para salvar as nossas circunstâncias é, antes de tudo, tornar-se um líder. É ter o sentido da civilização, é conhecer o legado espiritual do Ocidente. É assumir a responsabilidade. A horda dos decadentes só toma o comando do Estado quando os homens egrégios se apequenam. O momento é de se fazer o movimento inverso, de pôr o homem-massa no seu lugar. A vida convida todos nós à responsabilidade existencial. Salvar-se requer, antes de tudo, ter uma atitude moral consigo mesmo, que fatalmente influenciará o meio. As massas, deixadas por si mesmas, serão enganadas pelos demagogos malignos, no rumo do desastre.

A questão é: como fazer isso? Ora, mudando cada um de nós mesmos e formando o caráter daqueles que nos são próximos. Sem esse pequeno tijolo inicial não se fará construção alguma. A ordem social depende da ordem na alma individual. Tornar-se alguém maduro, recusar as falsas facilidades do populismo, resgatar os valores da tradição, santificar a vida cotidiana... Parece fácil enumerar, mas se tivéssemos feito isso a tempo não teríamos de chegar, ainda uma vez, ao mesmo estágio em que Ortega y Gasset encontrou a Espanha para cunhar a sua frase imorredoura.

Chris Rock - Politicamente Incorreto

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Peyrefitte e Sísifo: a dialética do sentido (I)

Sob a regência de Peyrefitte tudo é luz e harmonia na História. É como se o sentido da História no fundo estivesse se desvelando da forma mais improvável possível: sem uma orientação determinada, sem leis férreas a reger seu desenvolvimento, este sentido ainda assim, ou talvez por isso mesmo, subjaz a cada uma das decisões individuais que compõe sua tessitura e concorre, no desenlace fatal, para o equilíbrio das sociedades humanas. É com esta impressão que eu leio a Sociedade de Confiança.

Livro instigador e complexo, nele seu autor, onze vezes ministro e viajante incansável pelos quatro cantos do mundo, analisa o fenômeno do deselvolvimento capitalista. Desenvolvimento a um só tempo inpirador e problemático: quantos não foram os que previram seu fim, quantos não foram os que anunciaram sua glória perpétua. Profetas, profetas... e é privilégio dos profetas da História, dos profetas sem deus, serem desmentidos pelos fatos.

Peyrefitte não é profeta. Esquiva-se de traçar um destino às sociedades humanas. Seu ceticismo de observador arguto dos costumes humanos - esteve em diversos países cumprindo funções oficiais - talvez lhe sugira a sobriedade que lhe é própria e transparece em suas análises. Sobriedade, porém, matizada por otimismo realista. Não se surpreendam com o paradoxo aparente. Como nos diz Olavo de Carvalho, no admirável posfácio que ele consagrou a edição brasileira da Societé de Confiance, o otimismo de Peyreffite decorre da constatação de um fato: a liberdade de agir.

(continua dos próximos capítulos)

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

A Grande Farsa do Aquecimento Global (Parte II)


"A esquerda ficou levemente desorientada depois do fracasso evidente do socialismo e, naturalmente, do comunismo-marxismo como foi testado, e ainda permanecem tão anticapitalistas quanto eram, mas eles têm de encontrar novos sujeitos para esse anticapitalismo."

Lord Nigel Lawson
Ex-Ministro de Finanças e da Energia da Inglaterra

Pedro Ravazzano

sábado, 13 de setembro de 2008

Lula-Morales-Chávez no lugar de Marx-Engels-Lenine

Agência Boa Imprensa - Na Bolívia, o encontro entre os presidentes Lula, Evo Morales e Hugo Chávez em Riveralta, na opinião do jornal “Zero Hora” de Porto Alegre, evocou o “culto à personalidade” típico do império soviético.

Tropas desfilaram com bandeiras estampando fotos dos três presidentes. As imagens dos três enchiam um enorme cartaz (foto ao lado), semelhante às enormes pinturas de Marx, Engels e Lenine — sinistros artífices do comunismo — como as que presidiam os desfiles do exército soviético na Praça Vermelha de Moscou (foto abaixo).

Trocando-se Lula, Morales e Chávez por Marx, Engels e Lenine — e substituindo-se o calor amazônico pelo outono russo —, a solenidade de Riveralta e o Dia do Trabalho moscovita guardam semelhanças”, concluiu “Zero Hora”.

(Fonte: Agência Boa Imprensa)

Liberdade e Responsabilidade

Quando Alexis de Tocqueville percorreu durante oito meses a nascente democracia americana percebeu o fenômeno particular que ocorreu naquele país e naqueles anos. A recém-nascida classe média americana experimentava as primeiras benesses do progresso material e do acúmulo de riquezas. Utensílios que proporcionavam conforto e poupavam as pessoas de trabalho eram uma novidade crescente. Tocqueville percebeu que a conseqüencia imediata desse fenômeno seria as pessoas se tornarem muito egoistas, isolando-se em suas casas já que o imperativo de ajuda mútua para satisfazer as nescessiadades tinha ficado no passado. Mas isso não aconteceu. A maneira pela qual foi organizada a distribuição de poder equacionou esse problema. O Estado federativo quando delegou autonomia administrativa para cada região, cidade, condado, deu em alguma medida poder a cada cidadão de resolver seus problemas. Deste modo, quando alguma coisa precisava ser resolvida numa cidade, condado ou vilarejo não era ao Estado que as pessoas recorriam, mas umas as outras. Elas eram impelidas a sair de suas casas e se juntarem para resolver seus problemas. Um raciocínio muito simples estimulava esse comportamento. "Tenho que ajudar meu vizinho agora porque mais tarde pode ser eu que venha a precisar dele". Nasciam assim as famosas associações americanas estabelecendo naquelas terras uma liberdade de consumo, uma busca pelo progresso material que era amparada por um contra-peso de responsabilidade com a comunidade, com os vizinhos, com as pessoas. Latitude abaixo as coisas se deram de forma um tanto diferente. No Brasil da mesma época, o Rei D.João VI simplesmente proibiu as pessoas de se associarem. Três individuos juntos era crime, dava cadeia. Não posso afirmar com certeza, mas parece haver ai um forte indicio da famosa dependência do brasileiro do Estado, do governo, seja ele de direita ou de esquerda. Por aqui as pessoas não sabem sequer como se associar, não fazem ideia de que seja possível resolver um problema usando tal dispositivo e, quando algum grupo tenta fazer algo parecido, a primeira coisa que idealizam é fundar um partido politico. É em razão disso que o acumulo de riquezas e progresso material encontram no espirito brasileiro o completo vazio de responsabilidade, tornando as pessoas egoistas, isolando-as em suas casas e tornando-as incapazes de se preocupar com os problemas alheios, afinal "eles que resolvam seus problemas, que eu já tenho muitos que cuidar". Quando se postula que essas conseqüencias ocorridas no Brasil são conseqüencias naturais do modo de produção capitalista, está se fazendo uma analise raza do fenômeno, não levando em consideração as disposições estruturais do país, e generalizando um fenômeno local para um sistema amplo que obteve conseqüências totalmente diversas em outros locais. A previsão inicial de Tocqueville para os EUA se realizou no Brasil.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Hüsker Dü?


"A inveja, o rancor, a covardia, o oportunismo que tudo sacrifica em prol da destruição dos adversários – eis hoje as bases da nossa tão apregoada “ética”. Mas em nenhum momento a baixeza chegou tão fundo quanto nas reações de milhares de intelectuais, de jornalistas, de estudantes brasileiros, diante dos atentados de 11 de setembro. Nunca, na história humana, um genocídio, abertamente reconhecido como tal, foi aplaudido e festejado de maneira tão ostensiva e despudorada."

Olavo de Carvalho

[Hüsker Dü significa "Você se lembra?" em dinamarquês]

Hoje é 11 de Setembro


Há exatos 7 anos o mundo mudou e eu também. Me lembro da euforia com que meus amigos colegiais comemoravam o duro golpe sofrido no coração financeiro da América. Posso dizer que faço parte da geração 11 de setembro. Alguns psicologos sociais identificaram que as experiências que se adiquirem durante a adolescência e no ínicio da vida adulta são em parte formadoras da personalidade porque causam impressões profundas e duradouras. É a fase da vida em que estamos mais vulneraveis a persuação. Não é a toa que a maioria das grandes religiões instituem algum tipo de rito de passagem nessa fase da vida, trazendo os adolescentes e jovens adultos para o seio da sua boa influência, para que não sejam tragados pelas impressões mundanas. Posso dizer que o 11 de setembro me causou grande impressão. Acredito que não tenha sido a mesma causada na grande maioria dos jovens da minha idade. Aquele dia ficou marcado pra mim pela capacidade cinematografica que um ato terrorista teve de causar regojizo nos meus amigos colegiais. Como poderiam eles comemorar tal coisa? Ver a felicidade com que se identificavam com os talibãs, seus novos herois, era algo que me causava uma certa perplexidade, mesmo que de forma ainda embrionária. A impressão que aquele evento ocorrido no inicio da minha vida adulta causou é que algo de errado se passava comigo e com meus colegas. Porque?

Escrita na Areia


"A verdade hoje em dia é como palavra escrita na areia: por mais forte que seja a escrita, a menor onda a apaga..."

Eu diria que até na areia está difícil de escreve-la. Quem ousa falar em verdade em tempos de relativismo? É quase uma proibição, se tornou um tabu.

Quais as consequências de um mundo sem verdade, ou mundo onde cada um tem a sua "verdade"?

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Assim caminha a humanidade...

Partij voor Naastenliefde, Vrijheid en Diversiteit (Partido da Caridade, Liberdade, e Diversidade) é o partido holandês que defende a pedofilia e a licicitude do uso de drogas por crianças, a nudez e o sexo em público, a pornografia infantil e a pornografia em horários não-nortunos na televisão, ah, ainda defendem o fortalecimento do Direito dos Animais.

http://www.pnvd.nl/

NAMBLA North American Man/Boy Love Association (Associação Americana pelo Amor entre Homens e Meninos) é uma Associação de ativismo gayzista pedófilo nos EUA com sedes em Nova Iorque e São Francisco (não é de se estranhar!). Lutam pela derrubada das leis que impedem o "amor livre" entre homens e garotos. Para eles é "direito" da juventude se relacionar sexualmente com quem quiser. Os membros da NAMBLA estão envolvidos em redes de pederastia e são investigados pelo FBI, como já era de se esperar.

http://www.nambla.org/

Como sempe digo, quando se abre a porteira não passa só um boi, mas toda a boiada. Hoje é comum ser bissexual, a pedofilia já é discutida, o pansexualismo é rechaçado imediatamente. Daqui a alguns anos todos serão bissexuais, a pedofilia será normal e o pansexualismo estará sendo debatido.

Um articulista homossexual, ao escrever defendendo a pedofilia, disse que hoje ela é tratada como o homossexualismo era tratado a anos atrás. Não percebia ele que escrevia uma bela verdade. Isso mostra como a nossa civilização caminha para a total decadência. O abismo é o limite...

Pedro Ravazzano

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Católicos no seu quadrado, Muçulmanos no seu quadrado!

Vaticano estuda declarar "não católica" a editora SM (marianistas)

Madrid - O Grupo Editorial SM, propriedade dos marianistas, poderá enfrentar uma "auditoria doutrinal" que levaria inclusive a Conferência Episcopal Espanhola (CEE) a declarar "que a editora não pode ser considerada católica". Assim expõe o documento interno aprovado pela Comissão para a Doutrina da Fé da CEE que teve acesso LA RAZÓN. Tanto os Bispos como o Vaticano analisam com preocupação a mudança doutrinal adotada pela editora faz tempo, dirigida pelo religioso Javier Cortés, e asseguram que "a gravidade do que está ocorrendo no Grupo Editorial SM é de tal magnitude que não se resolve com a censura de alguma obra. A solução passa por uma reorientação da linha editorial". A CEE considera que muitos livros se chocam com o Magistério eclesial.

Os Bispos espanhóis lamentam o "dissenso consciente e ativo" que promovem os numerosos títulos da editora.

Álex Navajas

A raiz do livro sobre o islã

O próprio Vaticano, através do Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o Cardeal William Levada, solicitou a CEE "um informe que responda ao juízo que merere a publicação por parte da editora SM sobre os manuais de ensino do islã na escola", que apresentou SM em outubro de 2006. A resposta que a Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé expõe no documento é contundente: "Que uma editora católica tenha publicado um manual destinado a formação de muçulmanos constitui um feito insólito na história da Igreja".

Porém não é o único caso. "Nos últimos anos tem chegado a Comissão para a Doutrina da Fé da CEE consultas sobre publicações do grupo editorial SM. Em todos os casos surgem dúvidas produzidas nos pais de famílias ou professores", revela o texto. Entre elas se destacam vários livros escolares da SM que "oferecem uma explicação de métodos contraceptivos nos quais cada um possa realizar seu planejamento familiar", onde também se afirma que "não tem nada de mal ser homossexual ou bissexual".

No plano doutrinal, o informe se refere a "conhecida revista "Vida Nueva", que pertence ao mesmo grupo editorial, cujas expressões de dissenso são tão numerosas quanto conhecidas". Ademais, frisa que a coleção "Cátedra Chaminade" "fornece sustentenção aos erros teológicos".

O documento propõe "pedir a colaboração da Congregação vaticana" para levar a cabo "uma revisão a fundo das publicações da SM". "No caso dor Grupo Editorial SM não aceita a "audiotoria", a CEE se veria obrigada a declarar que a editora enquanto tal não pode ser considerada católica e que, em consequência, suas publicações não oferecem garantias a transmissão da fé", conclui o texto.

Fuente: La Razón, España

Tradução: Pedro Ravazzano

Pedro Ravazzano

Exemplo de elites revolucionárias

Ao contrário do que nos ensinam nas escolas, o principal motor da Revolução Francesa não foi a massa "oprimida" pelo regime vigente, mas sim elites revolucionárias.
"Um estudo exato da História nos mostra, com efeito, que não foram as massas que fizeram a Revolução. Elas se moveram num sentido revolucionário porque tiveram atrás de si elites revolucionárias. Se tivessem tido atrás de si elites de orientação oposta, provavelmente se teriam movido num sentido contrário." (Cfr. RCR, Parte II, Capítulo II).
Eis algumas das figuras que fizeram a Revolução Francesa:

Maximilien François Marie Isidore de Robespierre (1758-1794)
Advogado e político. Neto de um rico homem de negócios. Completou seus estudos no Colégio Luís, o Grande, da Universidade de Paris.
Georges Jacques Danton (1759-1794)
Advogado e político. Formou-se em Direito na Faculdade de Reims.


Jacques-René Hébert (1757-1794)
Jornalista e político. Filho de joalheiro.

Jean-Paul Marat (1743-1793)
Doutor em medicina e cientista. Médico da guarda pessoal do conde d'Artois.


Marquês de La Fayette (1757-1834)
Aristocrata.



François Noël Babeuf (1760-1797)
Jornalista, filho de militar.


Honoré Gabriel Riqueti, conde de Mirabeau (1749-1791)
jornalista, escritor, político e grande orador parlamentar francês. Filho do Marques de Mirabeau.

Como o plano de Mao conduz a China

Extraído do blog Pesadelo Chinês:
http://pesadelochines.blogspot.com/

Fonte: Jung Chang e Jon Halliday, “Mao”, Gallimard, Paris, 2005, 843 p.

- O plano da China “superpotência”

“Mao esteve em condições de lançar, em 15 de junho [de 1953] seu plano de industrialização (...). O que Mao cuidava bem de não esclarecer era a natureza essencialmente militar desse plano, a qual iria ficar escondida, e ainda é muito pouco conhecida na China de hoje. A prioridade era dada à indústria das armas, e todos os recursos do país deviam ser consagrados para essa realização. O objetivo de Mao era que a China se tornasse uma superpotência para que quando ele falasse o mundo inteiro ouvisse”. (p. 414)

- Mao: China centro tecnológico e militar da revolução mundial

Mao:“Nós não devemos nos contentar com sermos o centro da revolução mundial, nós devemos nos transformar também no centro militar e tecnológico. Nós devemos armar os outros com armas chinesas, onde estará gravado nosso nome (...). Nós devemos nos tornar o arsenal da revolução mundial”. (p. 610-611)

- Mao e os empresários “úteis” para a Revolução Mundial

“A coletivização da agricultura tornou o regime ainda mais totalitário. Na mesma época, Mao ordenou a nacionalização da indústria e do comércio nas zonas urbanas, a fim de concentrar a integralidade dos recursos para a realização de seu programa. Entretanto, os homens de negócios e os chefes de empresa não foram perseguidos como foram os proprietários agrícolas (...) ‘A burguesia, explicou Mao, é muito mais útil de que os proprietários de terras. Os burgueses possuem savoir-faire e qualidades de administradores’.” (p. 431)

- Plano: China substituindo Rússia na revolução mundial

“Mao previa uma situação na qual, dizia ele, ‘os Partidos Comunistas do mundo inteiro não acreditarão mais na Rússia, mas acreditarão em nós’. A China então poderia se apresentar como ‘centro da revolução mundial’. (...)

A idéia de erigir a experiência chinesa como modelo, enquanto milhões de chineses morriam de fome, poderia parecer uma gagueira.

Mao, entretanto não tinha preocupação alguma, pois confiava nos filtros através dos quais os estrangeiros estavam autorizados a ver e ouvir a China. (...) Quando Mao, em plena fome, se espraiava em mentiras desavergonhadas diante de François Mitterrand ‒ “eu repito, para ser ouvido: não há fome na China” ‒ este engoliu tudo e chegou a escrever a que Mao “não era um ditador”, mas um “humanista”.” (p. 500-501).

- Ambição suprema: dominar o mundo e unificá-lo sob sua bota

“A ambição suprema de Mao era dominar o mundo. Em novembro de 1968, ele confidenciava a Edward Hill, chefe do partido maoísta australiano:

“’No meu ponto de vista, seria preciso unificar o mundo (...). No passado, muitas pessoas, especialmente, os mongóis, os romanos, (...) Alexandre Magno, Napoleão e o império britânico tentaram fazê-lo. Nos nossos dias, os Estados Unidos e a União Soviética quereriam os dois consegui-lo. Hitler queria unificar o mundo (...). Mas, todos fracassaram. Entretanto, me parece que há uma possibilidade que não desapareceu (...). No meu ponto de vista, podemos ainda unificar o mundo’. (...)

“Os argumentos que ele apresentava repousavam unicamente no tamanho da população chinesa (...)”.

“Para açular esta ambição planetária, Mao lançou-se em 1953 no seu programa de industrialização e de armamento, queimando etapas e assumindo riscos consideráveis no domínio nuclear. Neste sentido, o episodio mais assombroso aconteceu quando, o 27 de outubro de 1966, um míssil balístico munido de uma ogiva nuclear foi disparado por cima do noroeste da China e percorreu oito centos quilômetros sobrevoando várias cidades bastante importantes. Era a primeira vez que um país ousava uma experiência desta natureza, com o acréscimo de que o foguete era conhecido pela falta de fiabilidade, o que pôs em perigo de morte todas as populações que se encontravam na sua trajetória. Três dias antes, Mao em pessoa disse ao responsável de proceder ao lançamento, e que em caso de fracasso ele assumiria a responsabilidade.

“Quase todas as pessoas engajadas no projeto esperavam uma catástrofe, e o pessoal da sala de controle achou que tinha chegado sua última hora. (...) Nesse caso, o ensaio foi um sucesso, e apressou-se em atribuí-lo ao ‘pensamento’ de Mao (...). Na realidade, foi um puro golpe de sorte. Todos os ensaios posteriores fracassaram pois o míssil se pôs a girar furiosamente sobre si próprio logo após ter decolado. (p. 609-610)”

- Mao: prazer com a bomba atômica

“Mao foi o único chefe de Estado do mundo que saudou com festividades a nascença desta arma de destruição massiva. Em privado, ele compôs dois versos de má qualidade: Bomba atômica explode quando lhe é dito de explodir. Ah, que alegria inefável! (p. 526)

- Genocídio para forçar a industrialização e o triunfo da revolução mundial

“Perto de trinta e oito milhões de pessoas morreram de fome ou de exaustão no curso dos quatro anos que durou o ‘Grande Salto avante’. Esta cifra, Liu Shao-Chi ele próprio, número dois de Mao, a confirmou (...)

“Esta fome foi a pior do século XX ‒ e até de toda a História. Mao causou conscientemente a morte de essas dezenas de milhões de pessoas esfomeando-as e as esgotando pelo trabalho. (...)

“Para dizer tudo, Mao previra um número de vítimas mais considerável ainda. Ainda que o 'Grande Salto' não tivesse por outro objetivo que eliminar chineses, Mao estava pronto para que houvesse hecatombes e fez entender aos dirigentes que eles não deveriam se mostrar chocados se aconteciam.

“No Congresso de 1958, no qual foi dada a partida do ‘Grande Salto’, ele explicou a seu auditório que se pessoas morriam em conseqüência da política do Partido, não seria preciso se assustar, mas de se regozijar. (...)

“A morte é verdadeiramente uma causa de regozijo (...). Dado que nos acreditamos na dialética, nos não podemos não ver nela senão um benefício”.
“Esta filosofia, ao mesmo tempo despachada e macabra foi transmitida de degrau em degrau até os dirigentes de base. (...)

“Nós estamos dispostos a sacrificar 300 milhões de chineses pela vitória da revolução mundial” declarou em Moscou em 1957, ou seja, a metade da população de então. Ele o confirmou diante do Congresso do Partido, o 17 de maio de 1958: “Não façam, pois, tantas histórias a propósito de uma guerra mundial. Na pior das hipóteses, ela causará mortes (...) a metade da população desapareceria (...) a melhor das hipóteses é que uma metade da população fique com vida, se não pelo menos um terço...”

“Mao não pensava somente na guerra. Em 21 de novembro de 1958, evocando diante de seus conselheiros mais próximos, os projetos que exigiriam mão de obra enorme, como as campanhas de irrigação e o fabrico de aço, ele declarou, reconhecendo de modo implícito e quase boçal que os camponeses que não tinham o quê comer deviam se matar no trabalho: “Trabalhando desse modo, em todos esses projetos, a metade dos chineses deverão tal vez morrer. Se não é a metade, será tal vez um terço, ou um décimo ‒ digamos 50 milhões de pessoas”. (p. 478-479)

- A Revolução Cultural e a extinção da milenar cultura chinesa

“No fim de maio de 1966, Mao montou um novo organismo, o “Grupo restrito da Revolução cultural”, encarregado de organizar a purga. (...)

“Em junho, Mao estendeu o terror ao conjunto da sociedade, fazendo dos jovens que freqüentavam escolas e universidades seus instrumentos primeiros.

“Os estudantes foram encorajados a atacarem os professores e a todas as pessoas encarregadas de sua educação, com o pretexto de que uns e outros lhes tinham deformado o espírito com suas “idéias burguesas” (...) as primeiras vítimas foram os mestres e o pessoal administrativo dos estabelecimentos escolares porque eram eles que instilavam a cultura...

“Em 2 de junho, colegiais de Pequim afixaram um cartaz assinado por um nome impactante: “os guardas vermelhos” ...

“A prosa estava salpicada de fórmulas agressivas “A baixo os ‘bons sentimentos’!”, “Nós seremos brutais!”, “Nós vos derrubaremos e vos esmagaremos aos nossos pés!”. Mao tinha semeado o ódio e ia recolher os frutos desencadeando os piores instintos dos adolescentes que constituíam o elemento mais maleável e mais violento da sociedade”. (p. 556-557)

- Desprezo da vida de milhões para lograr seus objetivos

“A fome que grassou em toda a China de 1958 até 1961 [N.R.: “Grande Salto avante”] atingiu seu ponto culminante em 1960. Naquele ano, as próprias estatísticas do regime indicam que o consumo médio de calorias por dia caíra a 1.534,8.

“Segundo um dos grandes apologistas do regime comunista, Han Suyin, as donas de casa nas aldeias tinham direito, no máximo, a 1.200 calorias por dia em 1960.

“A título de comparação: em Auschwitz, os deportados condenados a trabalhos forçados recebiam diariamente entre 1.300 e 1.700 calorias; eles trabalhavam por volta de onze horas por dia, e a maioria dos que não conseguiam achar um pouco mais de alimento morriam no espaço de alguns meses.

“Durante a fome, o canibalismo fez sua aparição. (...) Durante esse tempo, havia de sobra para comer nos armazéns do Estado, sob custodia do Exército. Deixava-se mesmo apodrecer certos produtos. (...) Uma ordem vinda do alto dizia: “Proibição de abrir a porta do armazém, ainda que a população esteja morrendo de fome” (p. 477)

- Extinguir a cultura e preparar a futura geração de líderes da China

“Depois das escolas, Mao ordenou aos guardas vermelhos espalhar o terror na própria sociedade (...). Em 18 de agosto, Lin Biao, do alto da porta Tienanmen, com Mao a seu lado, exortou os guardas vermelhos de todo o país a “acalcarem as quatro velharias ... o velho pensamento, a velha cultura, as velhas vestimentas e os velhos costumes”. Os jovens atacaram antes de tudo as lojas ... Tudo isso não era ainda suficiente para Mao. ‘Pequim não afundou suficientemente no caos (...) Pequim é civilizado de mais’, declarou ele o 23 de agosto. ...

“A fim de espalhar o medo no mais fundo do país, Mao encorajou os jovens predadores a lançar operações punitivas contra pessoas cujo nome e endereço eram fornecidos pelas autoridades (p. 561)

“Durante o verão de 1966, os guardas vermelhos devastaram todas as cidades sem exceção, grandes e pequenas, e algumas zonas rurais. Possuir livros ou o que quer que fosse que pudesse ser associado com a cultura era perigoso (...)

“Mao conseguiu assim limpar os lares de todo sinal de civilização. Quanto ao aspecto das cidades, ele atingiu seu objetivo de longa data, que era tirar da vista de seus súbditos os vestígios do passado. Um grande número de monumentos históricos que tinham sobrevivido até lá à aversão geral, foram destruídos. Em Pequim, dos 6.843 que ainda estavam em pé em 1958, 4.922 foram reduzidos a pó.” (p. 563).

- O crime de massa ensinado às bandas de facínoras exaltados

“As autoridades organizaram “demonstrações de chacinas modelo”, a fim de explicar às pessoas como dar a morte com um máximo de crueldade e, por vezes, a polícia supervisionava a carnificina. Nesse clima de horror, uma forma política de canibalismo fez aparição em numerosas partes do interior, particularmente no condado de Wuxuan, onde um inquérito oficial, diligenciado após a morte de Mao, contou 76 vítimas.

“Tudo começava geralmente numa manifestação de denúncias, esse grande clássico da era maoísta. A seguir, as vítimas eram massacradas e os pedaços seletos de sua anatomia ‒ coração, fígado, e às vezes, o órgão sexual ‒ lhes eram tirados, por vezes, antes mesmo de os infelizes entregarem a alma, e cozidos no local para serem comidos no curso de ágapes batizados ‘banquetes de carne humana’” (p. 587).

domingo, 7 de setembro de 2008

A aberração dos outros

Às pessoas que ainda não leram sobre a falsificação de estatísticas dos pró-aborto, segue os links:

Depoimento do Dr. Bernard Nathanson, antigamente conhecido como “doutor-aborto”, que ajudou a implementar o aborto legal nos Eua e conta as mentiras e estratégias utilizadas pelos pró-abortistas:
http://www.providafamilia.org.br/site/secoes_detalhes.php?sc=52&id=308

Sobre os dados oficiais do DATASUS para morte materna no Brasil e a discrepância com os dados fornecidos pelos abortistas:
http://www.portaldafamilia.org/artigos/artigo583.shtml

Nesse Blog, veja alguns métodos de aborto:
http://acarajeconservador.blogspot.com/2008/08/querem-que-o-brasil-tenha-pena-de-morte.html

A ABERRAÇÃO DOS OUTROS

por Luciana Lachance

Ruth de Aquino, redatora-chefe da revista Época, é mais uma mulher interessada em propalar os absurdos números de abortos imaginários realizados no Brasil: exatos 1 milhão e 54 mil, segundo fonte nunca revelada, pois isso não passa de estatística fraudulenta, número sorteado à deriva com o intuito de impressionar as pessoas e induzi-las a acreditar que o país atravessa uma epidemia. Em artigo comentando o filme “O aborto dos outros” (Carla Gallo, 2007), Aquino lamenta que tantas mulheres sejam presas pela prática - e que estas, as detidas, “são todas pobres” (sic). A redatora coloca no texto que “cerca de 250 mil sofrem complicações em abortos clandestinos”(dados para o Brasil) e que, segundo ginecologista entrevistado no filme, “70 mil mulheres morrem por ano no mundo em decorrência de abortos inseguros”, o que totalizaria, ainda segundo ela, 1 mulher a cada 7 minutos. Todos os números de seu curto artigo entram em contradição – o interessante é vê-la fazendo um apelo em favor das “sobreviventes” que são injustamente detidas por terem infringido a lei e não mencionar os não-sobreviventes, ou seja, os fetos abortados. O ministro da saúde, José Gomes Temporão, divulga que cerca de 50 mil mulheres morrem por ano apenas no Brasil – e esse mesmo número é também usado pelas mesmas pessoas que defendem e atestam a estatística usada no documentário supracitado, o que, obviamente entra em conflito, do que decorre:

1) Se há 70 mil mortes por aborto no mundo e há 50 mil no Brasil, nós somos os responsáveis por cerca de 70% dessas mortes.

2) Se há 70 mil mortes por aborto no mundo, e exclui-se os dados do ministro José Temporão, levando-se em conta que o planeta tem aproximadamente 200 países, a média puramente matemática, sem levar em conta o número de habitantes de cada local, é de 350 mortes maternas por país.

O documentário pretende “denunciar” a situação do aborto no Brasil, unicamente com o objetivo de legalizar essa prática por meio do sensacionalismo barato e de apelo sentimentalóide, mostrando o sofrimento das mulheres “no momento delicado em que elas decidem não ter o filho”. No mais apelativo deles, uma garota de 13 anos, grávida após sofrer um estupro, abre o filme entrecortado por depoimentos de juízes e médicos a favor da descriminalização do aborto – em caso de estupro, aliás, a legislação brasileira permite a interrupção, o que torna desnecessária a presença de um caso onde a mulher é violentada, num filme que pretende discutir “a hipocrisia” do aborto ser visto como um crime. A diretora do documentário afirma ser esta uma decisão feminina, uma vez que os homens são ausentes e não aparecem acompanhando as mulheres no momento do aborto. Os documentários em geral que mostram casos de mulheres que resolvem abortar sempre as mostram sozinhas – a extensa maioria delas não é casada e a gravidez foi fruto de um relacionamento que fracassou, de curta duração, extraconjugal, ou elas tiveram vários parceiros ao mesmo tempo, de modo que nem mesmo são capazes de afirmar a paternidade da criança. São mulheres que em sua maioria iniciaram a vida sexual muito cedo, e que, mesmo conscientes dos métodos anticoncepcionais, se descuidaram e terminaram com a gravidez indesejada. São garotas que, a exemplo de outro documentário, “Meninas”(Sandra Werneck, 2005), têm um comportamento anacrônico para a idade (a maioria entre 13 e 15 anos) e todas são exemplos de gravidez precoce, se relacionam com traficantes - duas delas grávidas do mesmo adolescente. Não é de se estranhar, se tratando de uma sociedade que incentiva cada vez mais o sexo, onde os valores são deturpados e a permissividade predomina no consciente coletivo.

Confesso que me interessei ao ver o título do documentário, “O aborto dos outros”. Achei que finalmente teríamos um documentário em que a realidade do Brasil - tão deturpada pelos pró-abortistas – fosse contrastada com a realidade do aborto no mundo, a exemplo da violência imposta às mulheres que vivem em países comunistas como a China e a Coréia do Norte, onde elas são obrigadas a abortar em massa; ou que o mesmo denunciasse a questão dos abortos feitos em crianças com síndrome de down no EUA, onde a prática é legalizada e quase não nascem mais crianças com esta deficiência; que também escancarasse o que ocorre na Índia, onde o número de bebês do sexo feminino nascidos é cada vez menor, assim como na China, pois são abortados. E que, ao final de tudo isso, proporcionasse uma reflexão sobre o que realmente significa a descriminalização do aborto, o que isto significou em outros países e fizesse, no mínimo, um breve histórico sobre essa prática execrável, sua investida de legalização relacionada com o comunismo da URSS e o nazismo, e principalmente desmascarasse a propaganda exacerbada do nosso governo interessado em passar por cima da opinião majoritária do país – contrária a legalização. A aberração dos outros não foi contada; a aberração é nossa.

Link para o artigo de Ruth de Aquino:
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG83020-9554-517,00-O+ABORTO+DOS+OUTROS.html

O povo que não aprende a ser povo

Exatamente como fiz nos últimos 23 anos, fui assistir ao desfile militar do 7 de Setembro. Como moro no interior, aqui a parada não tem a pujância de unidades militares e viaturas que vemos em Salvador, mas o Tiro-de-Guerra e o Batalhão da Polícia Militar dão para o gasto.

Me lembrei de todas as aulas de Sociologia e Criminologia. As forças armadas e policiais são aparelhos do Estado para oprimir o povo; a violência urbana era um aspecto da luta de classes, com a polícia firmemente sustentando o lado dos ricos, dos opressores.

Esse ano, entretanto, observei mais a público que assistia ao desfile que aqueles que desfilavam. Homens, mulheres, velhos, novos, crianças. A vasta maioria vinda das camadas mais humildes da população, que vieram dos bairros distantes com bicicletas, a pé, de ônibus.

Aquelas pessoas não foram forçadas estar ali. Sequer convidadas, pois a atual administração municipal (uma porcaria) nada fez para convidar o povo para o desfile (na certa o prefeito teme as vaias cada vez mais constantes).

Mas estavam ali. E, incrível, aplaudiam os militares. Com entusiasmo! Vestiam as criancinhas de camuflado, agitavam bandeirinhas do brasil e cataventos verde-amarelos. Mas como podiam aplaudir? Meu professor, meus colegas, os autores que estudávamos não diziam que a polícia só serve para evitar que o povo mude o status quo? Elas não existem contra o povo? A polícia, pelos ricos, não estaria, contrariu sensu, contra o povo? O povo não deveria estar na rabeira do desfile, no grito dos excluídos, junto a turma da foice e martelo e da CNB do B?

Sorri, com meu saquinho de pipocas. Aquele povo não sabia nada sobre ser povo. Me lembrei de Bertoldt Brecht, sobre o levante de Berlim de 1953. "O povo traiu o governo". Por isso nossos gramscistas se esforçam em ensinar o povo a ser povo. E o povo que não trate de aprender, pois a história mostra que os revolucionários nunca se acanharam em tentar dissolver o povo e formar outro.

Viva o 7 de setembro!

Por Edgard Freitas
Itabuna - BA

"A Desgraça Vinda de Nejd": O Fundamentalismo Islâmico

Pedro Ravazzano

O mundo ocidental caminha para uma aproximação com a comunidade islâmica como nunca antes se viu. No auge da influência maometana na Europa, esta se concentrava em regiões arabizadas, ou turcotomanizadas. Hoje a influência é muito mais difusa e interna, um movimento pulsante e cada vez mais forte. Ademais, como tudo que ocorre no Ocidente, especificamente na Europa, a causa foi aliciada pelo discurso humanista-esquerdista. Os muçulmanos, e as lutas dos imigrantes em geral, viraram bandeiras de movimentos marxistas e panfletários, do outro lado, o extremismo conservador adota um discurso discriminatório, não tanto pela convivência cultural, porém mais pela transformação dessas causas em bandeiras políticas. O foco desse artigo é mostrar como o fundamentalismo islâmico se originou. Num próximo texto irei abordar a relação da laicização e relativização do islamismo no Ocidente, e em países islâmicos ocidentalizados, com o endurecimento do discurso radical, consequência imediata do esvaecimento tradicional da religião.


O atual fundamentalismo islâmico se originou de uma reforma ocorrida no séc. XIX. Como qualquer movimento reformista anti-tradicional, e aqui, como tradicional, também se entende a evolução natural da religião, pautada no aprofundamento dos mistérios e dos conhecimentos doutrinários, tinha como pretensão resgatar a fé da dita decadência. Muhammad ibn Abd al Wahhab, o agente dessa radical transformação, plantou as sementes do fanatismo, reducionismo e alienação islâmica.

Uma breve explicação. No islã existem duas grandes vertentes, o sunismo e o xiismo. A primeira se divide em quatro escolas de jurisprudência (formas de interpretar a lei islâmica); Shafi, Hambali, Maliki e Hanafi, todas intimamente ligadas, não existindo divergências doutrinárias. O xiismo tem sua própria jurisprudência, e o sufismo (que na verdade se chama tasawwuf, sufismo é um termo ocidental que tem ligação com esoterismo nova era) é sunita, é a mística sunni.

Antes do surgimento do wahhabismo a relação entre sunitas e xiitas era próxima, muita estreita. O sexto Imam do xiismo, Jaafar As-Sadiq, foi o mestre de Malik e Hanafi, os fundadores das respectivas escolas sunitas. Foi entre os xiitas que surgiu a estruturação das universidades, gerando produção intelectual e aproximação cultural entre os muçulmanos.

Wahhaba era um típico muçulmano da península arábica. Nasceu na região de Nejd, e tinha contato com islâmicos de diversas escolas, inclusive xiitas. Ele desenvolveu sua doutrina baseando-se no pressuposto de que o islã se encontrava em franca decadência. Iniciou então um processo de “purificação”, nessa caminhada toda e qualquer atitude que considerasse fora da ortodoxia muçulmana era violentamente limada. Interessante que para isso passou a lançar mão de uma interpretação corânica pessoal. Como movimento de reforma foi muito similar ao protestantismo. Dessa mentalidade surgiu a aversão ao Ocidente, assim como a muçulmanos não-wahhabitas, cristãos, judeus, o conhecimento, a filosofia etc. Ademais, ódio a tradicional arte islâmica, repugnando túmulos e mesquitas adornadas, grandiosas e bem trabalhadas, assim como a utilização artística do nome de Maomé e a comemoração do seu nascimento. Tudo era idolatria, caindo no legalismo paranóico. Com o triunfo do wahhabismo, mesquitas na Arábia Saudita com uma estética simbólica significativa foram ao chão por serem taxadas de profanas e indignas. A mística, a filosofia, a teologia e a arte, comuns e caras ao islã, foram execradas e banidas do mundo muçulmano wahhabita.

Uma retrospectiva histórica é muito pertinente. Os ingleses tinham a pretensão de entrar em três grandes regiões com uma extensa comunidade islâmica; a Índia, o Irã e a península arábica. O problema era que mesmo com desunião interna, os muçulmanos se reuniam quando havia o perigo da invasão dos kuffar (incrédulos). Os britânicos passaram então a minar os muçulmanos pela fé, para isso incitaram e financiaram três grandes movimentos e reformas; a fé Bahai, os Ahmadiyya e o wahabismo. Os dois primeiros pregavam um relativismo religioso e a possibilidade de relações pacíficas com a Inglaterra, não obtiveram muito sucesso para a Rainha porque não ganharam espaço na sociedade. Mirza Ghulam Ahmad e Mirza Husayn Ali foram ineficientes para os ingleses. A eficácia que não conquistaram, a doutrina de Muhammad ibn Abd al Wahhab conquistou. A Inglaterra passou então a endossar a divisão. O pensamento wahhabita, que quando surgiu foi imediatamente condenado e repudiado pelos muçulmanos, não tinha nenhum apoio das escolas sunitas. O próprio Muhammad foi taxado de herege pelos seus parentes, acusado de ser neo-kharijita (os primeiros cismáticos do islã). Na sua doutrina era lícito fazer takfir da fé alheia (julgar a credulidade), o que era bastante interessante para o Reino Unido, já que na mentalidade wahhabita os turcos, senhores do Oriente Médio, eram incrédulos.

Como de um louco repudiado pelos sheikhs, Wahhab se transformou no dono da península? Os ingleses deram todo o apoio logístico, ainda juntaram o wahhabismo com a família Saud, que na época não passava de uma salteadora de caravanas. Dessa união, com as bênçãos da Rainha, nasceu a Arábia Saudita e o fanatismo islâmico.

O wahhabismo sempre andou lado a lado com as potências Ocidentais, num primeiro momento a Inglaterra, depois os EUA. A hipocrisia, na verdade, nunca foi um empecilho para os sheikhs wahhabitas, emitiam fatwas defendendo a coca-cola ao mesmo tempo em que a Arábia Saudita era um dos poucos países do mundo que aceitava o governo do Talibã no Afeganistão, país esse que recebia grandes donativos dos muçulmanos sauditas depois que ouviam nas mesquitas a importância de apoiar os irmãos deobandis.

Dentro do sunismo diversos movimentos surgiram, além dos wahhabis posso citar os deobandis e os berailvi, os dois últimos vindos diretamente da doutrina reformista de Wahhaba, e os jadids, que nasceram de um movimento islâmico no Império Russo, pregando um "novo método" e modernização do islã, tinham um caráter essencialmente intelectual, focado no pensamento social. (Essa mentalidade progressista incomodou os comunistas, que combateram o jadidismo).

O intelectual Stephen Schwartz, o ex-trotskista agora neoconservador (?), foi feliz na publicação do livro “The Two Faces of Islam: The House of Sa'ud from Tradition to Terror”, onde comentou a respeito do wahhabismo e sua ligação íntima com o fundamentalismo. Em um dos seus artigos ele diz que “os wahhabis têm duas fraquezas que são, em grande parte, desconhecidas do Ocidente; um calcanhar de Aquiles em cada pé, por assim dizer. A primeira é que a grande maioria dos muçulmanos no mundo são gente pacífica que preferiam a instalação da democracia ocidental nos seus países. Detestam o wahhabismo pela mesma razão que qualquer cultura patriarcal rejeita uma quebra violenta com a tradição. E esse é o ponto que deve ser compreendido: Ben Laden e outros wahhabis não defendem a tradição islâmica; eles representam uma ruptura ultra-radical na direção da utopia sectária. Assim, são melhor descritos como islâmico-fascistas, apesar do muito em comum que têm com os bolcheviques.”

Pedro Ravazzano