Vladimir Lachance
“A revolução ecológica formará a ossatura das revoluções — ideológica, religiosa, ética e cultural — veiculadas pela ditadura pedagógica”. [Pascal Bernardin]
Não sei se damos a devida atenção às questões ambientais, referentes à chamada ética ecológica e ao ativismo animal. Assistimos a uma intensa manifestação desses supostos valores, integrantes do discurso politicamente correto, a uma defesa exacerbada e aparentemente inocente de protetores dos bichos indefesos. O veganismo é um problema central nesse debate – e eu voltarei a ele em outros artigos onde isto será colocado em evidência –, eu mesmo tendo feito parte dele. Basta pontuarmos que enquanto ativismo político é uma ideologia a serviço de um socialismo absoluto e universal.
Para melhor compreensão da relação entre ecologia/ideologia/religião/política, recomendo a leitura:
A Face Oculta do Mundialismo Verde: http://www.olavodecarvalho.org/convidados/bernardin2.htm
O Império Ecológico e o Totalitarismo Planetário: http://www.olavodecarvalho.org/convidados/empeco.htm
O relato abaixo é apenas um comentário acerca do evento ocorrido na Ufba (entre os dias 8 e 10 de outubro de 2008), I Congresso Mundial de Bioética e Direito Animal. Como era de se esperar, esteve presente o costumeiro amadorismo que permeia as pesquisas acadêmicas relacionadas aos temas da Escola do Ressentimento. Trata-se da política do “feriu o meu bucho”: questionamentos encarados como ofensas pessoais e, principalmente, intimidação dos palestrantes devido à própria falta de conteúdo – resultando numa má vontade ad infinitum.
Não era minha pretensão participar deste evento. Mas, na quinta-feira, após a reunião do Grupo de Estudos Conservadores, na Biblioteca da Ufba, resolvi dar uma olhada rápida no que estava sendo debatido no congresso.
Parte I: Incentivo ao Terrorismo.
Assim que entrei no auditório em que estava ocorrendo as palestras, me deparei com uma diversidade enorme de slogans estampados em camisas e tatuagens. A maioria das pessoas parecia já participar de algum grupo ativista ou coisa parecida, com algumas raríssimas exceções.
Sentei na última cadeira e tentei me concentrar no que o primeiro palestrante dizia. Do que pude decifrar de suas falas consegui concluir que este fazia parte da Animal Liberation Front, um grupo de “ativismo animal” – leia-se terrorismo –, e sua fala ia nesse sentido: incentivando aos defensores dos animais a praticar “ecoterrorismo”.
Isso mesmo, terrorismo. Uma das falas mais distinguíveis foi: “se você puder colocar um bilhete na mochila do filho do vivissector*, dizendo que se ele não mudar de emprego vai seqüestrar a criança, será maravilhoso”. Outra: “Não podemos praticar ações que causem danos a animais humanos e não-humanos. Por exemplo, destruir os laboratórios durante a noite, quando não houver ninguém no local é uma boa opção, afinal a propriedade não sente dor”. Esquece-se que os seguranças destes locais trabalham durante a noite, e num provável incêndio que venham a praticar seriam estes as possíveis vítimas. Esquece-se também que ainda é crime no Brasil violar a propriedade alheia – falando disso de forma tão banal que parece que já vivemos numa espécie de coletivismo onde violar a propriedade não constitui nenhum tipo de dano. Ainda comentou uma ação terrorista em que os ativistas envenenaram grandes quantidades de um remédio para impotência, fazendo a ressalva de que a ação tinha sido amplamente divulgada e ninguém corria risco. Vocês acreditam mesmo que não havia risco nenhum?
Comentou também, indignado, sobre algumas ações terroristas “mal-feitas” em que bombas foram colocadas em áreas residenciais. Mas, quando se tratou destas ações o palestrante disse defender a tese de que foram “plantadas pela própria indústria para nos incriminar”. Um fato curioso foi o argumento que o palestrante usou para defender a libertação de animais que vivem em cativeiro. Foi o seguinte: “É melhor que esses animais tenham a oportunidade de viver a liberdade, mesmo que eles possam, por acaso, ser atropelados e morrer”. Digo curioso porque no mesmo congresso havia quase que consenso em favor da legalização do aborto, e o argumento usado pelo palestrante foi muito parecido com o das pessoas contrarias a legalização. A apresentação deste palestrante fechou com “chave de ouro”, mostrando um vídeo de uma ação terrorista em que não se dava para enxergar nada. A única coisa perceptível era que alguém estava tremendo muito com uma câmera na mão e num local muito escuro. Assim, encerrou-se o primeiro ato.
A segunda palestra foi dada por uma integrante do grupo Gato Negro**, de Minas Gerais. Esta conseguia ser mais radical que o nosso primeiro companheiro. A garota passou boa parte da apresentação mostrando slides com frases de efeito do tipo: “Você gostaria que fosse com você?” ou “Todos são contra a escravidão humana. E quanto a escravidão animal?”. Quando não era isso, as frases eram polêmicas, mas a palestrante fazia questão de passar rapidamente dizendo que não entraria em discussão (um simples botão “delete” enquanto organizava a própria apresentação teria nos poupado). No tema “animais domésticos”, a palestrante deu um show nos dizendo que era preciso castrar todos eles o quanto antes, pois eram fruto de um “erro histórico” [sic]. Ao contrário do nosso primeiro palestrante, ela não defendia que era melhor que esses animais tivessem oportunidade de viver, mas sim de morrer, o quanto antes, pois haviam sidos criados para fins humanos, e por isso nem deveriam existir. Foi realmente um espetáculo!
Ademais as palestras foram pura propaganda do veganismo. “Seja vegan você também” e coisas do gênero.
Parte II: Mudança de Hábito.
Depois das duas apresentações abriu-se espaço para “debate” e “questionamentos”. Interessante que os palestrantes possuíam posições antagônicas em relação aos animais domésticos e de cativeiro, mas nenhum dos dois fez questão de defender seu posicionamento. Depois de alguns segundos de silêncio, um rapaz, fardado com uma roupa camuflada, aparentando ser agente do Ibama - junto com muitos outros vestidos da mesma forma - levantou a mão para fazer uma pergunta. Dirigiu-se à integrante do Gato Negro: “Você realmente está dizendo que devemos extinguir os animais domésticos?”. A resposta monossilábica foi: “Sim”. O rapaz prosseguiu: “Existem animais em nossa fauna, atualmente, que não faziam parte da fauna nativa, mas que foram inseridos aqui por humanos, o que podemos caracterizar também como erro histórico, pois deveriam estar num habitat mais apropriado à sua espécie. Sendo assim, você acha que devemos matar esses animais também?”. A garota ficou desconcertada, dizendo que essa medida seria um “mal necessário”, pois a situação não poderia se perpetuar eternamente. O rapaz ficou bastante espantado com o tipo de argumentação que a palestrante usava, achando, ingenuamente, que ele é que estava ouvindo errado ou que tinha feito a pergunta de maneira incorreta, e a repetia. E de novo a resposta hedionda. O rapaz se cansou, mas então um senhor próximo a ele disparou uma metralhadora de palavras contra os palestrantes, chamando-os de radicais, dizendo que tudo aquilo era absurdo, que não fazia sentido, e pedia maiores esclarecimentos da parte deles. Ao que o primeiro palestrante, disse, não percebendo que estava se contradizendo: “É necessário que esses animais deixem de existir”. O senhor perguntou novamente: “E não existe outro jeito?”. Réplica: “Não, não existe”. E de repente, o palestrante diz que as perguntas estão encerradas e coloca um vídeo para passar sem que o debate se conclua. E foi assim que, em menos de meia hora, mais um ativista “pró-animais” resolveu que era certo matá-los.
Mas no campus, eles bem sabiam com o que estavam lidando; eles, os comerciantes, que encheram as barracas com camisas de Lula, de grandes ícones da Revolução Sexual dos anos 60 e bottons do PT; produtos alimentícios caros destinados aos rebentos da classe média alta que insistem em posar de oprimidos (os herdeiros legítimos do proletariado); e tudo o que puder ser confeccionado com a imagem de Che Guevara – e olha que o cara nem de hispânicos gostava, que dirá de animais!
*Vivissector - No jargão vegan significa: indivíduo que trabalha nos laboratórios que testam diversos produtos em animais.
**Gato Negro – Grupo pró-vegan de Minas Gerais.