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sábado, 24 de setembro de 2011

Batalha de Iwo Jima e o heroísmo católico, detalhes desconhecidos sobre a famosa foto



Escrevi este artigo depois de pesquisar em fontes norte-americanas, pois não encontrei dados - mesmo irrelevantes - em nenhum site ou blog de língua portuguesa. Talvez até – pode ser uma pura pretensão minha - seja a primeira vez que ela é contada, ao menos na internet, em nosso idioma. Submeto-a para apreciação de nossos leitores.


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A foto famosa ao lado, intitulada Raising the flag on Iwo Jima, registrou o momento em que os marines conquistaram, no dia 23 de fevereiro de 1945, o cume do vulcão Suribachi (foto acima), ponto mais alto da ilha de Iwo Jima. Esta foto foi tirada por Joe Rosenthal na segunda vez em que a bandeira norte-americana foi levantada.

Mas o que não é muito conhecido é lado da bravura profundamente católica que envolveu o primeiro hasteamento da bandeira.

O livro do padre jesuíta Donald Crosby, Battlefield Chaplains: Catholic Priests in World War II, narra os feitos dos padres católicos que participaram da segunda Guerra Mundial. Entre eles, Pe. Crosby conta a história do sacerdote jesuíta Charles F. Suver, com então 38 anos de idade, pertencente ao 5ª Divisão de Fuzileiros Navais. Ele era um dos 19 capelães que ministravam os sacramentos para as três divisões marines que participaram da mais sangrenta batalha no Pacífico.

Localização da ilha vulcânica de Iwo Jima.
Pe. Suver nasceu em Ellensburg, Washington, no ano de 1907. Formou-se na faculdade de Seattle, em 1924, e foi ordenado padre em 1937. Pouco depois do ataque japonês em Pearl Harbor, ele entrou para a marinha como capelão e foi designado para acompanhar os soldados na batalha de Iwo Jima.

Um dia antes do desembarque na ilha, a tensão aumentava entre os soldados que sentiam a morte se aproximar na medida em que o navio ficava mais perto de seu destino. Eles sabiam que teriam que enfrentar, em breve, mais de 23.000 japoneses liderados por um dos mais capazes generais do Japão. A coragem dos marines seria testada ao máximo.

Alguns fuzileiros foram, então, após o jantar, até a cabine do Pe. Charles Suver para conversar sobre a invasão que ocorreria ao amanhecer. Em certo momento, um jovem oficial disse que se ele tivesse uma bandeira americana, a levaria até o alto do monte e talvez alguém a hasteasse lá em cima.

O tenente Haynes, desafiando o oficial, imediatamente respondeu: "Certo, você leva a bandeira que eu a coloco lá em cima". Com uma santa ousadia, Pe. Suver acrescentou: "Vocês colocam ela lá em cima e eu celebro uma missa embaixo dela!"

Às 5:30 da manhã do dia seguinte, 19 de fevereiro, ainda a bordo do navio (LST 684), o Pe. Suver celebrou uma missa para os fuzileiros navais. Logo após, alguns marines fizeram várias perguntas a ele, especialmente sobre coragem. Então, o sacerdote jesuíta respondeu: "Um homem corajoso cumpre o seu dever, apesar do medo atroz. Muitos homens têm medo, por muitas razões diferentes, mas poucos são corajosos".

Padre Suver desembarcou naquele dia às 9:40 da manhã, na mais perigosa de todas as praias, a Green Beach. Sob o fogo de metralhadoras que começaram de repente a disparar, ele foi forçando a se atirar no chão. Mais tarde soube que tinha estado atrás das linhas japonesas e no território controlado por cinco metralhadoras.

Ele se arrastou imediatamente para o próximo trincheira. Apesar destas situações enervantes, padre Suver não abandonou a ideia de rezar uma missa no Monte Suribachi assim que a bandeira americana fosse hasteada lá. Sua vida esteve em risco diversas vezes durante a batalha, mas ele conseguiu sempre manter o domínio de si mesmo e continuou a exercer sua função.

Cinco dias de combates sangrentos se passaram. Pe. Suver estava trabalhando em um posto de socorro com seu ajudante Jim Fisk (durante a batalha foram designados assistentes para transportar os equipamentos dos capelães) quando percebeu que os marines cautelosamente escalavam o Monte Suribachi. Embora a situação fosse extremamente perigosa, ele decidiu que este era o momento. Convocou seu ajudante, pegou sua mala com o material necessário para celebrar a Missa e correu em direção do vulcão.

Enquanto subiam, viu a bandeira tremulando no cume do monte. Uma onda de entusiasmo tomou conta de todos os marines, alguns até choraram de alegria quando viram a bandeira americana balançando ao sabor do vento. "Todos nós experimentamos uma emoção que nenhum de nós nunca vai ser capaz de descrever", disse o padre Suver.

Infelizmente, o tenente Haynes, que tinha se prontificado a hastear a bandeira no alto do monte, foi baleado nas costas momentos antes e ficou paralisado até o fim de sua vida

Foto: Primeira missa em Iwo Jima, celebrada pelo padre jesuíta Charles Suver no
cume do monte Suribachi. Autor: Louis Burmeister.
Pe. Suver chegou ao topo e, com a aprovação do comandante, preparou-se para celebrar o Santo Sacrifício da Missa. Dois tambores de gás vazio com uma placa colocada em cima eram tudo o que podiam encontrar para servir de altar. Mais ou menos vinte soldados vieram assistir à Missa com suas armas em riste, pois a resistência japonesa ainda estava muito acirrada.

Para proteger o sacerdote e os utensílios sagrados, dois marines segurava um manto contra o vento feroz. Os fuzileiros navais protegiam o sacerdote não só do vento, mas também de um possível ataque que poderia ser eminente.

As cavernas próximas ainda abrigavam soldados japoneses e estavam tão perto que o padre Suver podia ouvir os japoneses falando sobre aquela desconhecida cerimônia religiosa. Providencialmente, os japoneses não atacaram e Pe. Suver conseguiu realizar a histórica primeira missa da ilha de Iwo Jima. 

Joe Rosenthal, judeu convertido ao
catolicismo.
Jim Fisk, o ajudante do Pe. Suver, publicou posteriormente um artigo afirmando que a missa foi celebrada durante o hasteamento da primeira bandeira, cerca das 10:30 da manhã. O segundo levantamento da bandeira - fotografada por Joe Rosenthal, vide foto no início deste artigo - ocorreu entre 12:00 e 12:30.

Sobre o momento em que a missa foi celebrada, há uma versão do padre jesuíta Jerry Chapdelaine, que foi amigo do Pe. Suver e que conviveu com ele na escola jesuíta Bellarmine, em Tacoma, Washington. Segundo ele, o padre Suver lhe disse pessoalmente que a missa foi rezada antes do hasteamento da bandeira e não depois. Pe. Chapdelaine conta que o padre Suver disse aos seus homens: "Eu vou rezar missa para vocês e, em seguida, vocês levantam a bandeira".

"Ele era um cara durão", comenta o Pe Chapdelaine sobre o Pe. Suver, "era fisicamente forte e tinha muita coragem. Mas ele era um homem muito gentil, também". Pe. Suver morreu de câncer em 1993 aos 86 anos. Era domingo de Páscoa. "Ele queria morrer na Sexta-Feira Santa - segundo ele próprio me disse", contou o padre Chapdelaine, que celebrou seu funeral na Igreja St. Joseph, em Seattle.

Sobre o papel dos capelães jesuítas, o fotógrafo Joe Rosenthal - a quem, antes de desembarcar, o tenente Haynes se gabou de que ia levantar uma bandeira no cume do Suribachi e que o padre Suver prometeu celebrar uma missa debaixo dela - comenta que  que tinha boas recordações dos sacerdotes corajosos que serviram como capelão durante a Segunda Guerra Mundial. "A maioria dos capelães foram bons (...). Os jesuítas foram admirados por todos os Marines. (...) Se eles encontravam um fuzileiro naval morrendo, eles iam até lá [correndo o risco de serem atingidos], como uma coisa natural. Eles eram tão heroicos quanto os marines".

Pe. Suver e os seus homens tinham cumprido a sua promessa, apesar do grande perigo que encontraram. Muita batalha ainda havia pela frente em Iwo Jima, mas o levantamento da bandeira e a missa encorajaram os marines para manter a luta em uma combinação sublime de bravura patriótica e fervor religioso.

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Fontes consultadas:

Something Else Sublime Happened on Mount Suribachi, Blog The America Needs Fatima, http://americaneedsfatima.blogspot.com/2008/11/something-else-sublime-happened-on.html, acessado em 22/9/2011.

Fr. Charles F. Suver, S.J. "The Jesuit of Iwo Jima", Blog Good Jesuit, Bad Jesuit, http://goodjesuitbadjesuit.blogspot.com/2011/01/fr-charles-f-suver-sj-jesuit-of-iwo.html, acessado em 22/9/2011.

The Forgotten Mass on Iwo Jima, site The Remnant Newspaper, http://www.remnantnewspaper.com/Archives/archive-2006-0831-iwo-jima.htm, acessado em 22/9/2011.

The Mass on Mount Suribachi, site The American Catholic, http://the-american-catholic.com/2009/03/30/the-mass-on-mount-suribachi/, acessado em 22/9/2011.

domingo, 5 de junho de 2011

O Magistério e a missão

Pedro Ravazzano

O Magistério da Igreja, como é de sua responsabilidade, refletiu a respeito da temática da salvação fora das fronteiras visíveis do cristianismo. Ademais, sabendo da relevância da missão na próprio coerência da fé em relação ao mandato deixado por Cristo, frisara a necessidade de priorizar o anúncio da Boa Nova entre os povos.

O documento do Servo de Deus Pio XII, Mystici Corporis Christi, afirma que os que não pertencem à Igreja são chamados a ela através de um desejo inconsciente. A carta de 8 de agosto de 1949, do Santo Ofício ao Bispo de Boston, apresenta dois conceitos: necessitas praecepitis e intrinseca necessitas, ou seja, a união da salvação à Igreja – instrumento de salvação – e a necessidade dos meios indispensáveis para a salvação. Destarte, a salvação pode ser conquistada pelo desejo implícito de permanecer na ignorância invencível que coloca o homem fora dos limites visíveis de Cristo.

O documento Evangelii Praecones, do mesmo Pio XII, avança nos processos de missão e evangelização, assim como busca institucionalizar as igrejas locais. O Evangelho, como colocado, não deve sufocar o que há de bom, honesto e belo nas tradições próprias dos povos evangelizados. A transformação, outrossim, ocorre internamente. Coloca, então, a Anima Naturaliter Christiana, iluminados pela luz Divina e pela graça, adequando a alma com Cristo. O cristianismo não suprime as facetas culturais não-cristãs, mas as consagra e as purifica. A fé cristã não deve ser vista como a transplantação da Civilização Européia.

Outro documento magisterial de considerável importância nessa temática é a declaração conciliar Nostra Aetate. Em Lumen Gentium 22 já há uma exposição do que seria mais aprofundado à frente. Diz que Cristo morreu por todos e só uma é a vocação – divina – do homem, assim, o Espírito Santo, por caminhos que só Deus conhece, concede a graça de inserir o homem no mistério salvífico.

A NE não é uma reflexão completa a respeito das relações do cristianismo com as religiões, aponta aquilo que nos une, mas não busca engendrar uma análise minuciosa e sistemática da problemática. A origem e o fim do homem do homem é entrar na unidade com Cristo, buscando os enigmas da condição humana que agitam e dinamizam a própria existência. O senso religioso, como compreendido, é a percepção da força divina, de onde surge a religião. A força da NE parte da percepção de que a fé cristã, para os cristãos, não é uma prerrogativa, mas um dom que deve ser anunciado e comunicado.

O Beato João Paulo II, na Redemptoris Missio, deu continuidade a essa linha de documentos magisteriais. O Papa aborda o impulso missionário – coração da Igreja e saúde da comunidade cristã – como parte da essência mesma da fé. Constatando a crise do ardor missionário no tempo pós-conciliar, viu-se a necessidade de renovação da vida cristã. Inaugura-se, assim, as missões Ad Intra e Ad Extra. Tendo em vista que ninguém tem a certeza da salvação e de estar na graça de Deus, como ensinou o Concílio de Trento, percebeu-se a importância de iniciar uma nova evangelização que fosse além do Ad Gentes, que também estivesse direcionada aos homens já cristãos mas que perderam o sentido do Sagrado.

O documento tem alguns pontos fundamentais: Jesus Cristo é o único Salvador, a fé em Cristo é a proposta à liberdade do homem, a Igreja é sinal e instrumento de salvação, a salvação é oferecida para todos os homens, necessidade intrínseca à fé: missão, significado do Reino de Deus, o Espírito Santo, protagonista da missão.

O Papa tem o cuidado de refutar todas as cristologias imprecisas e heréticas que pululavam desde a década de 70. Coloca que as outras mediações – que não são paralelas, nem complementares – apenas cobram valor na mediação de Cristo. Ademais, afirma que é impossível fazer uma separação entre Cristo e o Verbo Encarnado. Destarte, Jesus Cristo é o centro e fim da história e o seu anúncio não atenta à liberdade. Desse modo, propor a fé é um direito de todos os povos e obrigação da Igreja, Mãe e Mestra, e não uma instituição de cunho sociológico.

A RM reafirma a fé tradicional da Igreja ao colocá-la como sacramento universal de salvação. A missão, então, é o cumprimento da vontade salvífica universal de Deus, anunciando a verdadeira libertação, a abertura ao amor de Cristo. Ademais, ao propor o “subsiste” ao invés do simples “é” a Igreja responde à reflexão teológica a respeito dos elementos de santificação contidos fora dela. Obviamente não relativiza, mas concede um valor mais objetivo.

Além disso, João Paulo II pontua o perigo da desconstrução do verdadeiro ideal do Reino numa mensagem difusa e confusa, sem qualquer referência à dimensão cristológica. A natureza do Reino é, verdadeiramente, a comunhão de todos os seres humanos entre si e com Deus. Considerar a o Reino numa perspectiva puramente antropocêntrica foi o erro, por exemplo, de Paul Knitter. Essas teologias reinocêntricas ofuscam a figura de Cristo, quando o Reino é inseparável de Cristo e da Igreja e tem uma relação intrínseca com esta.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Sem a Igreja não há salvação

Pedro Ravazzano

A Igreja é o signo da mais clara salvação, edificada por Cristo não apenas como sinal de unidade mas como real e verdadeiro meio para se alcançar a plenitude da fé. Para os não-cristãos a Igreja tem a missão de ser intercessora, não apenas rezando, mas buscando o anúncio do Evangelho para que todos conheçam e reconheçam a Jesus como Salvador.

A visão pluralista nega a verdade da expressão ou anula o seu valor ao buscar analisar o contexto histórico no qual surgiu, desconstruindo a sua validade e justificando a sua permanência na Tradição da Igreja. Já a teologia cristocêntrica advoga uma reinterpretação do axioma fundamental, mantendo seu cerne a respeito da importância crucial da Igreja para a salvação.

Essa interpretação, partindo de uma ótica ortodoxa, destaca a necessidade da Igreja para a salvação. Cristo quis unir o seu mistério à Igreja. Todos os que crêem em Jesus necessariamente precisam pertencer ao Seu Corpo Místico, Sacramento Universal de Salvação.

Os teólogos dessa linha, buscando, inclusive, desviar-se dos ranços modernistas dos adeptos de pluralismo, propõem, então, “Sine ecclesia nula salus” – Sem a Igreja não há salvação. Deus quer que todos os homens se salvem, mas muitos estão impossibilitados de adentrar na Igreja com o anúncio evangélico. Ora, toda salvação passa por Cristo, ainda que de modo invisível.

Destarte, é o amor que move o anúncio dos missionários e não o temor da danação. Para os que não negam que a Igreja é instituída por Cristo, devem perseverar nela para conquistar a salvação. Para os que nunca tiveram contato com a Igreja, a salvação se dá por meios misteriosos que os encaminham para Cristo. Não obstante, não são vias paralelas à Igreja, mas parte integrantes desta. São Cipriano de Cartago já havia dito que não pode ter a Deus por Pai quem não tem a Igreja por mãe. O contexto não se refere aos não-cristãos, mas aos hereges e cismáticos que, conhecendo-a, a rejeitaram.

A graça salvífica, até para os não-cristãos, depende de uma adesão que está orientada para Cristo e Sua Igreja. Essa adesão à Igreja, como Corpo Místico de Cristo, aos que não receberam o anúncio do Evangelho, é ignorada. Ainda que as religiões possam exercer um impulso positivo, a ação essencial e salvífica vêm do Espírito Santo e encaminha para Cristo. Obviamente, ao considerar as facetas de verdade que estão contidas em outras crenças o Magistério, como coloca o documento Dominus Iesus, afirma que tudo provém do próprio Cristo e, portanto, é parte da Sua Igreja. Ademais, se faz mister destacar as questões ligadas à consciência e ao seguimento da lei natural como pontos crucias ao refletir a respeito da salvação entre os desconhecedores involuntários da Boa Nova. Assim, a Igreja é indispensável por estar ao serviço de Cristo e, desse modo, exerce um peso implícito na salvação dos não-cristãos.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O Beato João Paulo II que poucos querem conhecer...

Com a beatificação de João Paulo II muitos foram os críticos que usaram como argumento o dito desleixo e descaso do Papa com a sã doutrina da Igreja. Seria ele, dizem, mais interessado no trabalho ad extra do que ad intra. Ademais, não satisfeitos em fazer tal afirmação, consideram que a falta de comprometimento seria fruto da proximidade do Santo Padre com as teologias imprecisas e com percepções da fé tipicamente progressistas.

Esse apanhado de fatos comprovam que o Papa não apenas estava engajado no anúncio externo do Evangelho como na proteção do Depósito da Fé. Não obstante, com discrição, cautela e caridade.

O que a imprensa nunca difundiu acerca do pontificado de João Paulo II - O trabalho de João Paulo II para a guarda do depósito da fé e a preservação da disciplina eclesiástica

Autor: Lucrecia Rego de Planas/ Fonte: Vatican.va/Vários

Tradução: Wagner Marchiori

Durante o pontificado de João Paulo II a imprensa fez uma grande difusão de suas viagens apostólicas e diplomáticas e de suas formosas fotografias com crianças, anciões. enfermos, governantes e pessoas com trajes folclóricos.

Mas, houve uma parte muito importante do pontificado de João Paulo II que os meios de divulgação deixaram na mais completa obscuridade. Não houve a mais mínima divulgação, não sei se por ignorância ou omissão voluntária. É o "lado obscuro" do pontificado de João Paulo II, não por ser tenebros, mas porque permaneceu apenas na escuridão dos arquivos vaticanos.

Por esta razão e porque há muitas pessoas convencidas que João Paulo II se dedicou a viajar e se descuidou do 'interior' da Igreja, quis fazer uma lista ( certamente não exaustiva) de algumas coisas que, ano após ano, foram feitas durante o pontificado de João Paulo II para defender a fé e a disciplina dentro da Igreja.

1979

- Janeiro - Puebla. João Paulo II (JPII) condena a "Teologia da Libertação", heresia de teor marxista que confunde a libertação política econômica e social com a salvação de Jesus Cristo.

- Fevereiro. A Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) admoesta o Pe. Bernard Haring, sacerdote redentorista, por sua aberta oposição aos ensinamentos da Humanae Vitae.

- A CDF admoesta o dominicano francês Jacques Pohier e proíbe-lhe presidir assembléias litúrgicas e ensinar publicamente por causa de sua visão ambígua e enganosa acerca de Deus e da Eucaristia.

- Nos EUA reitera à representante das religiosas americanas o ensinamento da Igreja o ensinamento da Igreja em relação ao sacerdócio feminino.

- Outubro. Lembra às religiosas a importância de manifestar sua consagração também externamente mediante o uso de um hábito religioso simples e adequado.

- Dezembro. A CDF admoesta o teólogo holandês Edward Schillebeekx por suas proposições ambíguas em matéria cristológica que ele se nega a ratificar.

- Em 15 de dezembro a CDF declara que "o professor Hans Kung (suíço-alemão) prejudicou em seus escritos a integridade da verdade da fé católica e, portanto, já não pode ser considerado um teólogo católico e não pode, como tal, levar a cabo a tarefa de ensinar".

1980

- Janeiro. O Papa corrige, na Holanda, algumas ambiguidades e exageros do chamado "Conselho Pastoral dos Países-Baixos" no tangente à Eucaristia, a confissão, o sacerdócio, a catequese e o ecumenismo.

- Outubro, 14. A CDF restabelece, e, uma Carta-Circular, as normas para a dispensa do celibato sacerdotal e a redução ao estado laical de sacerdotes que deixaram o Ministério.

- Novembro, 20. A CDF volta a admoestar o Pe. Edward Schillebeekx mostrando-lhe que não retificou suas ambiguidades cristológicas.

1981

- Fevereiro, 17. A CDF corrige os erros difundidos na "Declaração da Conferência dos Bispos da Alemanha" no que diz respeito à filiação de católicos em organizações maçônicas e ratificando a pena de excomunhão aos mesmos.

-Outubro, 6. O Cardeal Casaroli (Secretário de Estado) entrega uma carta do Papa ao Pe. Pedro Arrupe, Geral dos Jesuítas, que não foi aceita a nomeação do Pe.O'Keefe e que, em seu lugar, nomeia um delegado de sua confiança, o Pe. Paolo Dezza, S.J., para governar a Companhia de Jesus e socorrê-la no discernimento para que, deixando os desvios, regresse ao seguimento de seu carisma original. Os jesuítas franceses aceitaram bem a intervenção do Papa, mas, no resto do mundo, muitos jesuítas se rebelaram, ocasionando uma diminuição de 25% dos membros da Ordem.

- Novembro. Na exortação apostólica "Familiaris Consortio" confirma os ensinamentos da "Humanae Vitae" em relação à imoralidade da contracepção e ratifica que os divorciados que voltaram a se casar não podem ter acesso à Eucaristia, a menos que decidam viver como irmãos.

1982

- Março, 27. A CDF corrige ambiguidades e lacunas em matéria de ecumenismo que estavam no "Informe Final da Conferência Internacional Anglicana-Católica Romana".

- Junho, 29. O Papa escreve aos bispos da Nicarágua para condenar a chamada 'Igreja Popular', ligada às comunidades de base e fortemente impregnada pela Teologia da Libertação.

- Agosto, 23. É erigida a Prelazia Pessoal da Santa Cruz e Opus Dei.

1983

- Janeiro, 25. Promulga o novo Código de Direito Canônico impregnado de uma renovada misericórdia disciplinar.

- Março - Manágua. Reprova publicamente o Pe. Ernesto Cardenal que havia se filiado ao governo sandinista (feroz regime socialista). Resiste impávido aos gritos da "Mães da Revolução" durante a Missa e, valentemente, reitera sua firme condenação à 'Igreja Popular' e o falso ecumenismo dos cristãos que se compromenteram no processo revolucionário.

- A CDF consegue que a Sor Agnes Mary Mansour abandone a congregação das Irmãs da Misericórdia devido seu ativismo favorável ao aborto. Será o primeiro de uma longa série de abandonos da vida religiosa de freiras comprometidas com o espírito modernista.

- Envia ao Arcebispo de Washington, como seu representante, a fazer uma visita apostólica a Mons. Raymond Hunthausen, Arcebispo de Seattle, para verificar sua errônea posição ante o desarmamento e a evasão fiscal.

- Novembro, 26. A CDF , devido a algumas interpretações mal intencionadas do novo Código de Direito Canônico, que já não contém a palavra 'maçonaria', responde confirmando que a fé católica e a maçonaria são incompatíveis e que os cristãos que pertençam às Lojas maçônicas estão em pecado grave e excomungados.

1984

- A CDF revisa a aobra do teólog da libertação peruano Gustavo Gutierrez por estar fortemente influenciada pelo marxismo.

- Junho, 13. A CDF pede, uma vez mais, a Edward Shillebeekx sua adesão à doutrina católica do sacerdócio.

- Agosto, 6. Com a Instrução Pastoral "Libertatis Nuntius", a CDF condena uma vez mais a Teologia da Libertação de teor marxista.

- Setembro, 7. A CDF convoca o teólogo da libertação brasileiro, Leonardo Boff, para chamar-lhe a atenção por sua adesão à ideologia marxista.

- Os bispos peruanos são chamados a Roma para advertir-lhes dos danos da Teologia da Libertação.

- Dezembro. O Geral dos Jesuítas, Pe Peter Hans Kolvenbach, expulsa da Ordem o Pe. Fernando Cardenal (irmão de Ernesto Cardenal) por participar do governo socialista nicaraguense como ministro da educação.

- Dezembro, 2. Com a exortação apostólica "Reconciliatio et Paenitentia" o Papa recorda a práxis correta do sacramento da penitência e condena absolutamente o abuso da confissão comunitária como meio ordinário da confissão.

1985

- A CDF chama o Pe. Gyorgy Bulany, sacerdote hungáro, membro das comunidades de base, para repreender-lo por sua postura favorável à objeção de consciência ante o serviço militar, que ele considera mau em si. Os escritos do Pe. Bulany já haviam sido vetados pela CDF.

- Março, 11. A CDF publica uma notificação para afirmar que as opções do Pe. Leonardo Boff em seu livro "Igreja, Carisma e Poder" estão tão errados que podem por em perigo a sã doutrina da fé.

- Alguma congregações católicas, fiéis à ortodoxia cristã, reportam à CDF alguns desvios dos Carmelitas Descalços.

- O polêmico bispo brasileiro, D. Hélder Câmara, é substituido por Mons. Cardoso Sobrinho, que teve de fazer uma profunda reestruturação da diocese enfrentando rebeliões por parte de professores, sacerdotes e religiosas fortemente influenciados pela teologia da libertação.

- Abril, 9 a 13 - Congresso de Loreto da Igreja Italiana. A intervenção do Papa marca o início de um caminho de renovação profunda da Igreja da Itália para adequá-la às necessidades de uma nova evangelização.

(Continua...)

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A silenciosa atração ao cristianismo - A história de uma conversão

A silenciosa atração ao cristianismo

A minha história de conversão inicia-se, paradoxalmente, com a minha descrença. Ainda sendo formado numa família católica, educado em colégios confessionais, a figura de Cristo sempre fora a mera simbolização de uma estrutura meramente moral e social. De fato, o cristianismo, por mais fundamental que fosse na minha edificação enquanto homem, jamais havia conseguido romper a apatia diante da abertura a Deus.

O grande estopim para a busca incansável pelo conhecimento de Deus começou quando da minha adesão às mais estapafúrdias perspectivas agnósticas da realidade. Entretanto, se faz mister pontuar que essa não-crença só foi desperta a partir do momento em que, espantado diante do mudo, estruturei um mínimo de reflexão a respeito das coisas. Antes, era apenas mais um jovem que, embebido nos grandes axiomas da modernidade, vivia a sua vida ignorando qualquer capacidade do espírito. Esse acordar me levou a constatar a situação antitética na qual me colocava; professava – teoricamente – uma fé, na prática, não acreditava.

Entretanto, ao abraçar o agnosticismo imediatamente iniciei uma busca pessoal por esse Deus desconhecido. Diferentemente do que poderiam esperar, a minha oposição à Igreja Católica não deu, fundamentalmente, por causa dos velhos chavões anticlericais repetidos à exaustão nas escolas e universidades. Constatava isto sim, uma crise espiritual grave no catolicismo que não só obstruía a relação estreita com Deus como desconstruía a credibilidade da fé. Assim, em busca da religião verdadeira, debrucei-me ao estudo. Inicialmente, até como reflexo do fascínio visual, aproximei-me do hinduísmo e das religiões orientais. Não obstante, foi no islamismo, num primeiro momento, e em segunda na ortodoxia, onde mais me aprofundei.

A fé islâmica que conheci, primeiramente, por meio de uma reflexão histórica, abriu-me um vasto campo de potenciais filosóficos, teológicos, estéticos, tradicionais. Parecia, então, que aquilo que eu buscava encontrava na religião de Maomé. Assim, iniciei um estudo minucioso e rigoroso que me encaminhasse objetivamente à constatação a respeito da veracidade do islamismo.

A abertura ao transcendente, com um viés místico, fascinou-me. A espiritualidade oriental fora para mim impactante e decisiva, até mesmo, no meu retorno ao cristianismo. Ao deparar-me com esse forte estudo espiritual fui confrontado com as minhas próprias origens e identidade como homem formado sobre a égide da fé cristã. Analisando, então, as razões da decadência espiritual no Ocidente eu tinha como fim refletir acerca dos pressupostos dessa Civilização então em crise. Assim, com o propósito de endossar e confirmar a minha busca e proximidade com o islamismo, aproximei-me da fé cristã como objeto de estudo.

Nesse patamar da caminhada eu me encontrei com uma gama de autores que foram fundamentais no meu regresso: Santo Tomás de Aquino, Olavo de Carvalho, René Guénon, René Girard, Santos Padres, Ortega y Gasset, Eric Voegelin, Chesterton, Mircea Eliade, São Paulo, Mário Ferreira dos Santos etc. Com alguns tive rápidos e decisivos contatos, já outros marcaram fortemente o trilhar. O interessante que, partindo da premissa de que o Ocidente não só se encontrava em crise como deficitário de uma verdadeira tradição espiritual, eu me vi confrontado com um prédio gloriosamente colossal dessa incrível cultura ocidental.

Por mais que o islamismo e a tradição oriental me fascinassem eu não encontrava o Deus então desconhecido. O meu agnosticismo havia deixado de ser propriamente uma posição. Acreditava em Deus, mas enquanto não O achava o agnosticismo continuava sendo o lugar comum do meu conforto (ir)religioso.

A Igreja Católica, como havia marcado a minha juventude, aparentava ser uma caricatura do que, no passado, fora. Os parâmetros que usara para me não mais me considerar católico anos antes eram totalmente distintos dos parâmetros que hoje usava para continuar na mesma posição. Se outrora os fundamentos eram concepções superficiais, ainda que com certo ar pontifical, o argumento, depois dessa caminhada, saíra do raso e ganhara em coesão. Os pontos essenciais eram mais robustos e o meu olhar direcionado à Igreja, ainda que a visse de forma negativa, buscava encontrar aquela herança espiritual que eu sabia que existia, mas que parecia oculta.

A fascinação com a mística oriental e, ao mesmo tempo, a mirada crítica diante do catolicismo me fizeram, então, tender para uma proximidade com a Igreja Ortodoxa. Basicamente esse passo foi dado depois de não apenas refletir a respeito das incoerências internas do islamismo – por mais bela que fosse a mística islâmica – como do conhecimento do grande legado dos Santos Padres, totalmente desconhecidos para mim. Ainda que a fé cristã católica permeasse a realidade na qual me inseria, o anticatolicismo havia brotado quase como uma raiz ideológica. Se o cristianismo era verdadeiro, com certeza não encontrava a sua plenitude na Igreja Católica, pensava. Desse modo, o meu olhar foi lançado sobre a Ortodoxia. Sem dúvida alguma essa fase foi de um grande crescimento espiritual e intelectual. Não só pude conhecer mais estreitamente a beleza da fé cristã como deparar-me com uma realidade que, ainda que fosse vivida no seio familiar e social, não era objeto da minha contemplação pessoal: a caridade.

A proximidade com as riquezas espirituais do Oriente cristão me levou, naturalmente, ao meu mundo ocidental e latino. Envolvido, então, em debates apologéticos com católicos, vi-me moralmente obrigado a iniciar uma cruzada pela desconstrução dos mitos “papistas” dos “romanos”. No fundo esse anseio era reflexo da busca de auto-afirmar a minha identidade enquanto anticatólico e voltado para a Ortodoxia. Entretanto, nessa saga pessoal, com leituras, traduções, artigos, fui me deparando com afirmações muito fortes que não só endossavam as posições contrárias como desfaziam categoricamente as minhas – tênues – crenças.

Analisando, outrossim, a minha aversão ao catolicismo descobri-me diante não daquilo que era, em concreto, a Igreja Católica, mas o que eu, em minha experiência, havia conhecido. Comparar, então, a tradição oriental com as corrupções progressistas da fé passou a me parecer o sintoma de um arraigado sentimento passional e pouquíssimo fiel à Verdade, que sempre foi o fim último da minha corrida.

Digo, com muita humildade, que, nesse instante, conhecer o catolicismo foi não apenas a melhor experiência da minha vida como o meio mais eficaz de compreender-me enquanto homem e crente. Descobrir o Cristo na Sua Santa Igreja foi um processo longo, de muita angústia, sofrimento, mas de crescimento não apenas intelectual, mas espiritual. Talvez as minhas imperfeitas preces direcionadas ao então Deus desconhecido tenham chegado até Ele, Compassivo e Misericordioso, e que, assim, guiou-me não apenas até a Casa da qual nunca deveria ter saído como, num convite muito corajoso, chamou-me para o precioso e santo Sacerdócio do qual todos são indignos.

Analisando os caminhos pelos quais eu passei me vejo diante de uma dupla constatação; a tristeza do homem distante de Deus e, ao mesmo tempo, a Misericórdia divina que o guia pelas veredas desconhecidas. Ainda quando eu não acreditava nEle, Ele acreditava em mim. Eu já havia desistido de Cristo, mas Cristo jamais desistira de mim. O chamado ao Sacerdócio foi a conseqüência dessa busca que se formava no mais profundo das entranhas. Talvez, tenho a audácia de dizer, que o meu agnosticismo fora um sinal da minha vocação. A busca pela Verdade era a grande motivação da corrida e, acreditava, dos anseios pessoais. Procurava, simplesmente, onde repousar o meu coração. Não obstante, Deus me impulsionara a subir todo o monte e, com a mesma inquietação que me levou a virar o mundo ao avesso, eu busquei o meu lugar dentro da vontade Cristo depois de plenamente e conscientemente católico.

A vocação sacerdotal, na minha experiência, é indissociável da minha vida de convertido. O fôlego que dinamizava a minha busca por Deus foi o fôlego que, quando membro da Igreja, usei para ouvir o chamado de Deus e para viver de forma plena a Sua vontade.

Sou católico, graças a Deus!

terça-feira, 5 de abril de 2011

“Deus abençoe os húngaros!”

Eis a frase que inicia o preâmbulo da nova constituição hungara planejada pelo governo do primeiro-ministro Victor Orban, que visa professar claramente a identidade cristã da Hungria: “Deus abençoe os húngaros!”

Segundo o site alemão Kath.net (30/3/2011), a apresentação do projeto de reforma constitucional deixou a oposição esquerdista preocupada – o que em geral é bom sinal -, pois o novo texto dará proteção à vida desde sua concepção e definirá o matrimônio como uma instituição composta entre um homem e uma mulher.

As intenções do governo húngaro não agradaram também a União Europeia, cuja agenda laicista e imoral visa impor o oposto em todos os países integrantes.

“Somos orgulhosos pelo fato de nosso rei Santo Estevão ter criado o Estado húngaro e colocado nossa pátria como parte da Europa Cristã”, lê-se na redação do preâmbulo.

Além de professar diversas vezes sua adesão à Cristandade, a Constituição se refere à “Santa Coroa” (foto acima), que pertenceu a Santo Estevão e com a qual cerca de outros 55 reis foram coroados, como símbolo da nacionalidade.

Com uma maioria de dois terços no Parlamento, o governo pretende implementar a nova constituição a partir da próxima Páscoa.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Enquete: É correto usar imagens católicas nos desfiles das escolas de samba?

A escola de samba Nilópolis, com autorização da Arquidiocese do Rio de Janeiro, levará para o meio da imoralidade do sambódromo uma imagem de Cristo Redentor (foto ao lado), de dez metros de altura, tendo ao fundo uma outra de Nossa Senhora.

Segundo O Globo do dia 26 deste mês, a advogada da Arquidiocese do Rio, Claudine Dutra, afirmou que não se trata de Jesus Cristo, mas de um “ser de luz” e que os direitos autorais da imagem pertencem à cúria arquidiocesana.

Além disso, nesse ambiente de imoralidade carnavalesca, 300 crianças rodearão a imagem de Cristo Redentor no desfile.

E qual é a sua opinião, leitor, sobre isso? Você acha correto utilizar imagens católicas pelas escolas de samba? Responda na enquete abaixo.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Moral católica e combate à Aids


Nas últimas semanas, a mídia deu grande destaque a repercussões das palavras de Bento XVI, em seu livro-entrevista Luz do Mundo, sobre o uso de preservativos em determinadas circunstâncias.

A interpretação geral da mídia foi de que a Igreja mudou sua posição e agora permite o uso desses pseudo-profiláticos, em certos casos. Alguns teólogos e dignitários eclesiásticos de alto nível adotaram a mesma posição, causando confusão entre os católicos.

Obviamente, tais posições são injustificáveis do ponto de vista da Moral natural e da doutrina católica.

Baseado nos princípios tradicionais da Moral católica e da Lei natural, o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira (IPCO) formulou algumas considerações a respeito das implicações morais do uso do preservativo, levando previamente em conta o que dizem a ciência e a experiência quanto aos resultados de tal uso.

Clique aqui e leia o texto no site do IPCO

domingo, 12 de dezembro de 2010

Aslam: Cordeiro e Leão

Pedro Ravazzano

Com spoilers!

The Voyage of the Dawn Treader, o quinto livro da saga de C.S Lewis e o terceiro filme da série, endossa com mais vigor a forte referência cristã que permeia toda a obra. Além da defesa clara das virtudes e dos valores humanos, o enredo e a construção das personagens aprofundam nas relações dos homens e na perspectiva de transcendência diante do sagrado.

A obra é muito bem construída e nela cabem tanto leituras alegóricas e morais como anagógicas. Para um espectador desavisado "As Crónicas de Nárnia" serão apenas filmes com memoráveis cenas de ação e uma temática que é digna da atenção de toda a família. Claro que essa percepção, ainda que superficial, é válida e frutífera. Não obstante, é na compreensão do sentido mais profundo que os escritos de C.S Lewis se fazem plenos. Esse supra-sentido, como diz Dante Alighieri, “ocorre quando se expõe espiritualmente um escrito, o qual, pelas coisas significadas, significa as sublimes coisas da glória eterna.” (Convívio, II, 1) .

No terceiro filme destaca-se três grandes momentos; toda a incursão dos homens na luta contra o Mal - e aqui se sobressai a maldade em sua essência mais bruta que relaciona-se diretamente com a ausência do amor, de Deus - a forte transformação e redenção de Eustáquio e, por fim, a apoteótica despedida de Aslam a Lúcia e Edmundo.

A obra se forma centrada na saga dos homens que iniciam uma empreitada pela salvação dos narnianos oprimidos e perseguidos pelo Mal. Vale frisar, primeiramente, que os viajantes são aconselhados por um virtuoso mago a enxergarem não apenas as trevas que assolam Nárnia mas principalmente a escuridão que habita neles. Isso se confirma diante das tentações e provações que pelas quais passam. Assim como eles poderiam escolher o mal optam, livremente, pelo caminho do bem. Ademais, essa temática se afasta com firmeza de qualquer princípio calvinista; ainda que sem Deus o homem nada possa, é na sua abertura à graça que o Senhor age.

Outra cena bem particular é a transformação de Eustáquio. O que era um garoto pobre em virtudes e valores, desprovido de qualquer percepção do Sagrado - vide a sua relutância em compreender a "fantasia" de Nárnia - redimi-se após a forte experiência da mutação em dragão. O momento do seu retorno à forma humana inicia-se com a tentativa de com as suas garras cortar o grosso coro draconiano - isso após uma atuação extraordinária contra a diabólica serpente marinha. Ou seja, já há o fundamental desejo e a essencial vontade de livrar-se da condição de miserabilidade. Não obstante, sem Deus, sem Aslam, não poderia fazer. Surge então o Leão que com as suas patas cortando a areia e o seu majestoso rugido rompe a carapaça que cobria o Eustáquio velho, dando-lhe um banho - o batismo. Assim nasce um novo homem redimido pela ação do Senhor. O próprio atesta em seguida; "A princípio ardeu muito, mas em seguida foi uma delícia"
Por fim a cena mais impactante dessa obra; a despedida final. Lúcia e Edmundo, assim como Susana e Pedro, foram avisados que não mais poderão retornar. Aslam, então transfigurado em Cordeiro - clara alusão ao Cordeiro de Deus, Jesus Cristo - os apresenta ao seu país, protegido por uma densa parede aquática e que só poderia ser desbravado pelos homens que não mais intentassem voltar; a ida será definitiva. A jovem Lúcia, comovida com a partida, questiona o Leão. Vejamos o trecho completo:
Continuaram e viram que era um cordeiro.
Venham almoçar – disse o Cordeiro na sua voz doce e meiga. [banquete do Cordeiro?]
Notaram que ardia sobre a relva uma fogueira, na qual se fritava peixe. Sentaram-se comeram, sentindo fome pela primeira vez desde muitos dias. E aquela comida era a melhor de todas as que haviam provado.
– Por favor, Cordeiro – disse Lúcia –, é este o caminho para o país de Aslam?
– Para vocês, não – respondeu o Cordeiro. – Para vocês, o caminho de Aslam está no seu próprio mundo.
– No nosso mundo também há uma entrada para o país de Aslam? – perguntou Edmundo.
– Em todos os mundos há um caminho para o
meu país – falou o Cordeiro. E, enquanto ele falava, sua brancura de neve transformou-se em ouro quente, modificando-se também sua forma.
E ali estava o próprio Aslam, erguendo-se acima deles e irradiando luz de sua juba.
– Aslam! – exclamou Lúcia. – Ensine para nós como poderemos entrar no seu país partindo do nosso mundo.
– Irei ensinando pouco a pouco. Não direi se é longe ou perto. Só direi que fica do lado de lá de um rio. Mas nada temam, pois sou eu o grande Construtor da Ponte.
[Cristo, Pontífice e Sumo Sacerdote da humanidade diante de Deus] Venham. Vou abrir uma porta no céu para enviá-los ao mundo de vocês.
– Por favor, Aslam – disse Lúcia –, antes de
partirmos, pode dizer-nos quando voltaremos a Nárnia? Por favor, gostaria que não demorasse...
– Minha querida – respondeu Aslam muito d
ocemente –, você e seu irmão não voltarão mais a Nárnia.
– Aslam! – exclamaram ambos, entristecidos.
– Já são muito crescidos. Têm de chegar mais perto do próprio mundo em que vivem.
– Nosso mundo é Nárnia – soluçou Lúcia. – Como poderemos viver sem vê-lo?
– Você há de encontrar-me, querida – disse Aslam.
– Está também em nosso mundo? – perguntou Edmundo.
Estou. Mas tenho outro nome. Têm de
aprender a conhecer-me por esse nome. Foi por isso que os levei a Nárnia, para que, conhecendo-me um pouco, venham a conhecer-me melhor.
Aslam, o Cordeiro de Deus e o Leão da Tribo de Judá, é Nosso Senhor Jesus Cristo!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O mito da crise de vocações

Por Pedro Ravazzano

Na atualidade tornou-se deveras comum o discurso que se fundamenta na análise da pobreza e das estruturas de opressão. Com uma clara motivação ideológica, tais estudos são quase sempre superficiais e essencialmente desti
nados ao fracasso devido aos próprios intentos desejados. Dentro da Igreja, infelizmente, existem alas fortíssimas onde essa leitura não só se faz presente como ocupa importantes espaços em diversos campos eclesiásticos.
Cônegos Premonstratenses da Abadia de São Miguel, nos EUA. Fundada na década de 60 já conta com quase 50 Sacerdotes e 20 seminaristas.
Desde o fim do Concílio Vaticano II, certas Congregações, embebidas numa visão segmentada e imperfeita dos documentos conciliares, abriram mão das próprias tradições internas – hábito, devoções, ritos – e, inclusive, da correta visão do carisma e da espiritualidade. O amor aos pobres, aos idosos, às crianças, aos enfermos etc, transformou-se num assistencialismo ideologizado muito distante da correta compreensão da mensagem evangélica. Enquanto outrora irmãos iam pelas ruas à procura dos excluídos, dando a eles o amor de Cristo, os Sacramentos e, em seguida, o auxílio ao corpo, se em outros tempos frades andavam pelo corredor dos colégios educando os jovens, dando a eles formação cristã e humana, hoje encontramos portentosas obras “sociais” administradas pelas Congregações, mas comandadas por um enorme séquito de leigos e com religiosos muito ocupados fazendo análises econômicas e sociológicas sobre a pobreza e a concentração de renda no país.

Claro que o estudo intelectual dos problem
as que assolam o mundo moderno é importante e pertinente. Entretanto, existe uma total diferença entre adentrar no campo do estudo e preterir a vida espiritual e a própria doutrina tendo em vista uma compreensão totalmente ideologizada do que seja a pobreza e o pobre. Não ironicamente muitas dessas Congregações vivem uma triste realidade de poucas vocações. De fato, o que motiva a identificação do chamado com o carisma é a vivência plena – numa sadia radicalidade – do espírito inaugurado pelo Fundador inspirado por Deus. Não obstante, na atualidade encontramos não só o esvaziamento dessa riqueza espiritual como, influenciado pela ideologia marxista-libertadora, o rebaixamento e equiparação dos carismas. Por exemplo, viver a Paixão de Cristo tornou-se cuidar dos “crucificados” pelo capitalismo, amar os pobres e a pobreza transformou-se em engajamento de cunho político e motivação revolucionária, educar a juventude reduziu-se a infantilizar a fé e livrar-se de qualquer “arcaísmo” etc.
Arautos do Evangelho: não existe a idéia de crise vocacional nas suas fileiras
O que difere o camiliano que funda o hospital, o capuchinho que está nas ruas, o lassalista que abre instituições de ensino, da ONG e grupos de apoio aos mais necessitados é a motivação real e concreta; o amor a Jesus Cristo. Entretanto, essa experiência pessoal com Nosso Senhor, o motor que impulsiona os corações apaixonados, realiza-se através da vida espiritual e sacramental. Sem o equilíbrio necessário entre a relação vertical – Deus e homem – e horizontal – homem e homem – o ardor apostólico transforma-se em mero assistencialismo ordinário. O amor aos pobres inicia-se de joelhos diante do Sacrário!

A falta de percepção a respeito dessa r
ealidade tão natural na vida religiosa foi causada pela má compreensão do Concílio Vaticano II. Entretanto, foi através da crescente influência da mentalidade marxista dentro das casas de formação que a ótica materialista galgou degraus nas comunidades religiosas. A Teologia da Libertação minou o espaço da oração, da vida sacramental, da ortodoxia doutrinária, e destacou a importância da “pastoral” e da práxis. Não obstante, o apostolado só é frutífero quando brota antecipadamente do espírito de piedade e contemplação. Ora, se não há vida interior a ação apostólica vai esvaziar-se de sentido e passará a se fundamentar na iniciativa meramente material de buscar a transformação social, a famigerada “libertação”.
Beneditinas, em Kansas City: nove monjas fazendo profissão de votos solene e com número crescente de vocações
As Congregações mais envoltas na perspectiva da Teologia da Libertação sofrem com uma grave crise de vocações. Ou não conseguem atrair os jovens ou só encontram espaço junto aos rapazes que procuram a vida religiosa como forma de ascensão e/ou esconderijo. Entretanto, falar de “crise vocacional” é uma afirmação temerária. Devemos, outrossim, analisar o quadro em sua amplitude. Diversas Congregações, Ordens e Institutos vivem um grande alvorecer de chamados; Monjas Carmelitas, Legionários de Cristo, Arautos do Evangelho, Toca de Assis, Arca de Maria, alguns conventos de Clarissas, Dominicanas, mosteiros Beneditinos, Cistercienses etc. O que há em comum entre todos eles? Podem ser considerados como religiosos que levam com radicalidade o carisma ao qual Deus os chamou, são coerentes com a vocação e trilham plenamente o chamado feito pelo Senhor. Logicamente, no testemunho da própria espiritualidade, o religioso é o chamariz da beleza do carisma por ele abraçado.

As Dominicanas de Nashville, as Carmelitas de Cotia, os Beneditinos de Núrsia, os Premonstratense de Oragen Country etc, não têm a mínima idéia do que seja “crise vocacional”; grande número de postulantes, noviços e simplesmente interessados. Para eles crise vocacional é, no máximo, falta de espaço. Cenário muito distinto de certas Congregações onde não há devoção eucarística, testemunho do carisma, oração, piedade e coerência com a espiritualidade e a vida do Fundador. A Conferência dos Bispos dos Estados Unidos realizou uma profunda pesquisa a respeito das vocações à vida religiosa, efetuada pelo Center for Applied Research on the Apostolate da Georgetown University. A análise disse, entre outras coisas, que “As instituições de maior sucesso em termos de atrair e reter novos membros são, no momento, aquelas que seguem um estilo mais tradicional de vida religiosa, em que os membros vivem juntos em comunidade, participam da Comunhão diária, recitam o Ofício Divino, fazem práticas devocionais, usam hábito religioso, trabalham juntos no apostolado comum e mostram ostensivamente a sua fidelidade à Igreja e aos ensinamentos do Magistério. Todas estas características são particularmente atraentes para os jovens que ingressam hoje na vida religiosa.”
Franciscanos da Imaculada: 9 frades ordenados diáconos numa mesma cerimônia e com cada vez mais casas espalhas pelo mundo
Em sintonia com esse crescente aumento de vocações, a Inglaterra e o País de Gales têm visto o constante incremento do número de jovens que buscam concretizar o chamado de Deus no Sacerdócio. Obviamente, os frutos que hoje são colhidos refletem um trabalho muito bem articulado pelas dioceses da região. Em 2005, por exemplo, a Conferência da Inglaterra iniciou uma campanha ostensiva, com presença nas ruas e nos metrôs, com o slogan “Get Collared for the Challenge of a Lifetime”

O jovem que procura a vocação, inspirado por Deus, está sedento da identidade a qual o Senhor o chama. Assim, as Congregações que buscam apresentar um carisma distorcido, algo distante da cruz e do próprio testemunho estão fadadas a presenciar o próprio fim. Quão triste é olhar para a vida do Fundador e ao contemplar a sua fundação na atualidade não enxergar a continuidade e a vivência integral da novidade por ele trazida.
Dominicanas em Nashville, EUA: já são mais de 100 Irmãs e a média de idade não passa dos 26 anos
A crise de vocações é uma falácia e desconhecida para muitas Ordens, conventos e mosteiros. Os que mais divulgam a sua existência são os religiosos que abraçam - com a devoção que não têm à Igreja - as suas percepções distorcidas do que seja a fé e a experiência com Cristo. Afastam as vocações enquanto gritam que estão no caminho certo. É como o barco que afunda em alto mar enquanto o timoneiro grita “terra à vista”!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Um Bispo incomoda muita gente, dois Bispos incomodam muito mais...

Por Pedro Ravazzano

O brasileiro tem total liberdade para exercer a cidadania na forma que mais convém, entretanto, essas eleições têm mostrado o maniqueísmo caricatural da política nacional e se faz necessária uma breve reflexão. As polêmicas acerca do aborto e das posições religiosas da Sra. Dilma foram formadas no âmago da Igreja, preocupada, isto sim, com a crescente ascensão do espírito da cultura de morte no nosso país. Essa observação é crucial para o correto entendimento de todo o cenário. Entretanto, é fato que o forte discurso ideológico, polarizado das eleições quer acusar a Igreja de ser um simples instrumento de manipulação que, no caso, estaria ligado às lideranças tucanas.


Por muitas décadas a Igreja Católica no Brasil esteve amordaçada pelas alas progressistas da Teologia da Libertação que, numa perspectiva totalmente horizontal da fé, embebida na concepção materialista do marxismo, boicotavam qualquer ação que não fosse as diretrizes “sociais”. Infelizmente, a comprovação da ineficiência de tal modelo é perceptível na incapacidade dessa visão de movimentar a juventude rumo à vocação religiosa. Com a inversão das prioridades da fé e a adesão a uma ótica extremamente distante da experiência pessoal e interior com Cristo obstrui-se a via do sagrado.

A preocupação da Igreja é no tocante à ascensão da cultura de morte claramente presente nos programas do PT. A omissão também configura uma ofensa grave, portanto os católicos têm a obrigação de anunciar os ensinamentos do Evangelho, ainda que seja motivo de revolta e contenda. Ademais, a leitura de que exista alguma relação partidária da ação clerical é muito impertinente e temerária. Durante anos Bispos defenderam o Partido dos Trabalhadores e respaldaram as ações intransigentes de células esquerdistas. Agora que o progressismo "libertador" vive o seu crepúsculo querem taxar de “politicagem” a movimentação da Igreja em defesa não do partido A ou B, mas da vida e da moralidade. Muito irônico! A Igreja, como Mãe e Mestra, tem o dever de se levantar quando a verdade é alvo de ataques pelos arautos da cultura de morte. Vale frisar que "cultura de morte" é um termo cunhado por S.S João Paulo II – muito citado, mas pouco seguido - representando todos os anti-valores da modernidade encarnados no aborto, eutanásia, "casamento" homossexual etc. Sem dúvida alguma o aborto é o tema fundamental, pois a sua defesa representa uma deformação em toda a consciência e quem o defende já coloca a premissa que sanciona, indiretamente, todas as aberrações morais.

Não podemos incidir numa visão maniqueísta da política. Serra não representa o bem e nem Dilma o mal em si. Ademais, é leviano afirmar e acreditar que ao se posicionar contra as objetivas relações do PT com a cultura de morte a Igreja esteja aliando-se aos tucanos. Recomendar aos católicos a não votarem em partidos contra a vida faz parte da missão de educadora da Igreja. Se faz mister pontuar que tal posicionamento se baseia na realidade concreta e factual de que o PT legitima em seu programa oficial posições abertamente opostas aos princípios e valores cristãos. Resumidamente, a Igreja Católica, diferente de certas seitas protestantes, não declara apoio a políticos - ainda que outrora, não tão outrora assim, as alas libertadoras defendessem publicamente o PT sem qualquer receio e agora acusam, temerariamente, irmãos no episcopado de uma aliança com o PSDB - mas tem o dever de combater as ideologias que carregam um projeto na clara oposição aos valores e virtudes.

Enquanto os petistas pedem “Por um Brasil de mulheres e homens livres e iguais”, que inclui a “defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público", como definido pelo último Congresso do PT, a Igreja ensina que "§ 2270 A vida humana deve ser respeitada e protegida de maneira absoluta a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento de sua existência, o ser humano deve ver reconhecidos os seus direitos de pessoa, entre os quais o direito inviolável de todo ser inocente à vida." e que " "Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae" "pelo próprio fato de cometer o delito" e nas condições previstas pelo Direito. Com isso, a Igreja não quer restringir o campo da misericórdia. Manifesta, sim, a gravidade do crime cometido, o prejuízo irreparável causado ao 'inocente morto, a seus pais e a toda a sociedade."

Os católicos não negociam a vida! Como acreditar em políticos que ostentam bandeiras de programas sociais enquanto buscam sorrateiramente legitimar leis que autorizam o aborto? Quais os princípios que norteiam uma consciência tão relaxada? Quem luta pela vida luta em todas as esferas e em todos os campos, tendo apenas em vista a construção de uma sociedade onde o ser humano é respeitado desde a sua concepção até a morte natural. A vida no sertão da Bahia que o programa social “do PT” salva é a vida no útero da mãe que o mesmo PT quer assassinar. Ademais, por mais que a Sra. Dilma se esforce para não parecer aliada da cultura de morte – e de forma totalmente caricatural – o fato é que o seu partido não apenas se engaja nessa bandeira como nutre uma concepção totalmente totalitária no que se refere a tais temas. Além disso, o PT não criou a corrupção, de fato, mas vivendo plenamente as diretrizes definidas por Antonio Gramsci, utilizou-a como instrumento para a consolidação do seu projeto de poder, vide o mensalão. Vale frisar, outrossim, que em Dilma nada é original; seu discurso, sua defesa da “vida” e da “família”, nem sua aparência é original.

Acusam a Igreja de estar aliada ao PSDB, de que a gráfica na qual a Diocese de Garulhos encomendou os polêmicos panfletos seja de um tucano – ainda que o mesmo estabelecimento tenha imprimido material de campanha de candidatos petistas e de revistas de organizações trabalhistas pró-PT -, de que o posicionamento do Regional Sul 1 da CNBB foi intransigente – apenas os sindicatos podem fazer apologia à candidatura da Sra. Dilma, usando verba do Estado, sem qualquer crítica por parte dos petistas – e de que o nosso país é uma nação laica – todos podem se pronunciar; do MST até a CUT, menos a Igreja, por mais que a religião seja fator determinante em um dos sistemas que sustenta a sociedade; ético-moral-cultural – e por isso a moralidade deveria estar fora da agenda das eleições.

De fato, a Boa Nova sempre será motivo de escândalo! A Igreja não mudou seu posicionamento em 2000 anos e não mudará. É preferível morrer sendo taxado de alienado e discriminatório do que abdicar de uma vírgula dos ensinamentos do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo como anunciado pela Sua Esposa. Vivemos o que o Papa Bento XVI anunciou em sua visita à Inglaterra: "Em nosso tempo, o preço a ser pago pela fidelidade ao Evangelho pode não ser o enforcamento, afogamento ou esquartejamento, mas muitas vezes implica ser considerado irrelevante, ridículo ou ridicularizado. No entanto, a Igreja não pode se esquivar do dever de proclamar Cristo e o seu Evangelho como a verdade salvífica, fonte de nossa felicidade definitiva como indivíduos e base para uma sociedade justa e humana".

A caridade jamais deve tolher a verdade! O contrário, deformar a verdade tendo em vista a caridade, é contra-testemunhar a Misericórdia!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Quando defender a Canção Nova é conveniente

Os acontecimentos relacionados com a Canção Nova e sua atuação nas eleições têm dado forma a um cenário, no mínimo, peculiar. Os que antes se levantavam em total aposição ao apostolado da CN hoje transformam Pe. José Augusto no grande herói da nação brasileira e Mons. Jonas no santo sacerdote boicotado pela atual administração da Associação.

De fato, Pe. José Augusto foi de destacada coragem e bravura ao proferir uma homilia tão contundente e impactante, tratando com realismo e objetividade o perigo do crepúsculo da cultura da vida no Brasil. Entretanto, a árvore má pode dar bons frutos? De onde Pe. José Augusto saiu? Da própria Canção Nova! É o mesmo Sacerdote que sempre pregou nos encontros do PHN, nas Missas “animadas” e que louvava os carismas. Concordo, partindo de uma leitura equilibrada, que reflexões sensatas - brotadas não do anseio diabólico de destruir - em relação a algumas particularidades excessivas perpetradas por certos grupos carismáticos sejam até bem vindas. Entretanto, é de se refletir; os que antes consideravam a Canção Nova um “câncer” na Igreja do Brasil hoje se colocam como preocupados telespectadores dos problemas internos desta Associação de Direito Pontifício.

As atitudes do Sr. Wellington Jardim, Cofundador/Administrador, são, objetivamente, estranhas e até contraditórias; desautoriza o Pe. José Augusto e afirma que este não fala pela instituição sendo que o próprio mandara cartas pedindo votos para seus candidatos supostamente escolhidos, como afirma, pela Igreja. Não há como negar que tal contexto é penoso e triste, perceber que uma obra de Deus tão pujante, ainda que por força das circunstâncias, fora colocada no centro de uma discussão política terrivelmente mundana. Considero agravante, sem dúvida alguma, o fato de haver certa tendência de apoio ao Partido dos Trabalhadores por parte de alguns nomes da CN, como o Sr. Wellington e o Sr. Gabriel Chalita, que pode ser percebida seja nos pronunciamentos explícitos do apresentador-deputado como nas cartas emitidas pelo atual Administrador. A desautorização do Pe. José Augusto fortalece ainda mais esse entendimento.

Entretanto, dentro desse cenário, os que outrora acusavam a Canção Nova de heresia e modernismo hoje se levantam como os defensores do Sacerdote boicotado e do Monsenhor silenciado. Até onde encontramos uma verdadeira preocupação com o destino desta Associação? Ou será que não passa de oportunismo a usurpação de tão lamentável acontecimento para expor as mazelas humanas que se fazem presentes em todos os lugares onde estão os pecadores?

Não quero, de forma alguma, criticar um extremo caindo na outra ponta. Se por um lado não devemos “jogar o bebê com a água da bacia”, ou pior, lançar mão da falsa comoção hipócrita, não é sensato pender para uma leitura extremamente açucarada e passional que não enxerga problemas, dificuldades ou divisões; tudo está perfeito e nada pode ser criticado.

Considero esse momento muito oportuno não só para o crescimento da Canção Nova como para o entendimento da sua importância na Igreja do Brasil!

Rezemos e atuemos para que a Canção Nova cresça na fé e seja um instrumento cada vez mais ardoroso em defesa da cultura da vida!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A Canção Nova no centro das eleições

A Canção Nova está no centro de uma discussão política extremamente lastimosa. De fato, é lamentável perceber que uma Associação tão importante para a Igreja no Brasil embriagou-se com as polêmicas partidárias tipicamente mundanas. Ademais, penosamente constatamos que alguns membros da emissora, inclusive o seu atual presidente, endossam as falácias que buscam justificar e respaldar a defesa caricatural do Partido dos Trabalhadores e da sua proposta revolucionária.

O Cofundador e Administrador da Canção Nova, Wellington Silva Jardim,
enviou uma carta pedindo a ajuda dos católicos na eleição de dois candidatos supostamente escolhidos pela Igreja - sim, com "I" maiúsculo - "depois de muita oração e discernimento"; uma senhora do PSDB e um senhor do PT. É de se lamentar saber que o responsável pela CN usou o nome da Santa Igreja para assegurar o sucesso eleitoral dos seus candidatos. Que vergonha! Agrava ainda mais a situação saber que um deles, por mais cristão que seja, é filiado a um partido notoriamente aliado da cultura de morte.

Complicando ainda mais a situação da Canção Nova encontramos o recém eleito Dep. Gabriel Chalita. O garoto propaganda da fé na campanha da Sra. Dilma Roussef. Disse ele em recente entrevista, comentando sobre as acusações das políticas abortistas do PT, que "a tentativa de desconstruir pessoas com boatos é muito ruim. Dilma nunca disse ser a favor do aborto. Ela se posicionou, abordando o tema como uma questão de saúde pública. Eu particularmente sou contra. Mas a questão central nesse caso é a boataria. Isso aconteceu com o Lula, em 2002. Diziam que ele ia mudar as cores da bandeira e fechar igrejas." E que a Igreja contribui para o debate político "mas quando não usa a instituição para influenciar o voto." Ora, e que o fez o Sr. Wellington ao usar o nome da Santa Igreja para endossar a candidatura dos seus aliados?


Ademais, o Dep. Chalita usa ou de uma inocência pueril ou de uma falácia farisaica. Entretanto, o que esperar de alguém filiado ao PSB - Partido Socialista Brasileiro - e que chamou Erundina, a mesma que criou o aborto legal em São Paulo, de grande humanista? Agora se tornou o advogado das mentiras petistas na camuflagem dos verdadeiros princípios - ou falta de - que norteiam a bandeira vermelha.

Alguns fatos que o kamarada Chalita esquece ou pretende esquecer:


1 - O PT tem um claro projeto revolucionário e subversivo, com a participação no Foro de São Paulo e no financiamento de grupos socialistas por toda a América Latina, reconhece a importância da promulgação da permissividade imoral como forma de instaurar a desconstrução da ordem cultural.

2 - Em 1989, por exemplo, a Prefeita petista Luiza Erudina, então no PT, na cidade de São Paulo, instalou no município o primeiro “serviço” de aborto financiado com dinheiro público do país.

3- Em 2002, dos oito projetos de lei que tramitavam no Congresso que objetivavam ou a legalização do aborto ou o favorecimento de sua prática, seis eram de autoria de petistas.

4 - Com a eleição de Luís Inácio Lula da Silva a ação dos adeptos da cultura de morte tomou maiores proporções; além da publicação de cartilhas abortistas pelo Ministério da Saúde, foi entregue, em 2005, pela secretária especial de Políticas para Mulheres, Nilcéa Freire, um anteprojeto que reivindicava a “total liberação” do aborto por ser este “um direito inalienável de toda mulher”, e que mais tarde virou projeto de lei.

5 - Outro dado interessante é o número dos deputados que assinaram o recurso pela deliberação da PL 1.135/91 (descriminalização do aborto) em 2008; 49,20% dos parlamentares eram do PT, enquanto os outros 50% estavam divididos entre doze partidos, sendo que o segundo lugar, o PCdoB, encontrava-se muito distante dos petistas com apenas 11,11%.

6 - Já em 2006, no 13º Encontro Nacional, o Partido dos Trabalhadores outorgou as “Diretrizes para a Elaboração do Programa de Governo do Partido dos Trabalhadores” que incluía a descriminalização do aborto e a criminalização da homofobia” (item 35). O Presidente Lula, então, acrescentou ao seu programa de governo a seguinte proposta; “criar mecanismos nos serviços de saúde que favoreçam a autonomia das mulheres sobre o seu corpo e sua sexualidade e contribuir na revisão da legislação” (Programa Setorial de Mulheres, p. 19). Com a eficaz ação dos deputados pró-vida e das ONGs contrárias à cultura de morte, o governo petista iniciou a repetição do mantra de que a legalização do aborto trata-se apenas de questão de saúde pública.


7 - No 3º Congresso do Partido dos Trabalhadores - instância máxima do PT -, em 2007, foi legitimada como parte integral do programa a seguinte definição; “defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público”. Interessante pontuar que esta resolução teve 70% de votos favoráveis. A minoria que se opunha, que alegava a liberdade de consciência, foi vaiada. Com razão a Dep. Fed. Iriny Lopes, do Espírito Santo, que juntamente com a ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, liderava a investida abortista, afirmou; "somos um partido socialista e laico”. Tão válida era esta definição que em 2008, no 10º Encontro Nacional das Mulheres do PT, foi aprovada a instalação da Comissão de Ética para investigar os parlamentares antiabortistas, tendo em vista a “orientação para expulsão daqueles que não acatarem e não respeitarem as resoluções partidárias relativas aos direitos e à autonomia das mulheres”. Os deputados Luís Bassuma, da Bahia, e Henrique Afonso, do Acre, foram punidos por infringirem “a ética-partidária ao ‘militarem’ contra resolução do 3º Congresso Nacional do PT a respeito da descriminalização do aborto.”


E agora José? Como fica a Canção Nova e o seu mais novo deputado-apresentador?

Fica com o valente Pe. José Augusto? Que ele não seja boicotado dentro da própria casa, entretanto, é muito triste perceber claramente a sua melancolia em relação a CN, com uma crítica direta, objetiva e factual! Abordando de forma brava e corajosa toda a problemática atual, disse o que muitos católicos ansiavam por ouvir; cristãos não devem se filiar a partidos comunistas, o aborto incorre em excomunhão automática, mais importante do que o mundo é o Reino de Deus, o sacerdote não responde aos homens mas ao Senhor, a sua fidelidade está acima das glórias terrenas e se os cristãos se calarem as pedras clamarão!


O administrador da Canção Nova, Wellington Silva Jardim, já tratou de emitir uma nota desautorizando o pronunciamento majestoso do Padre José Augusto. Ora essa, não foi o mesmo senhor responsável pela carta, assinada de próprio punho, que defende a candidatura de dois deputados, indo além ao afirmar que foram escolhidos pela Igreja, como reais representantes da DSI, depois de muita oração e discernimento? E agora quer deslegitimar a homilia do Padre que verdadeiramente se fundamentou nos ensinamentos do Magistério? Grandes "princípios democráticos" feridos quando o Presbítero critica validamente o Partido dos Trabalhadores, mas que em nada são ultrajados quando o mesmo Sr. Wellington manda cartas para os sócios da CN pedindo voto para os seus candidatos, incluindo Gabriel Chalita.

O Sr. Wellington alega que a posição do Pe. José Augusto "representa tão somente seu pensamento, não sendo em hipótese alguma o pensamento da instituição." Pois bem, qual o respaldo canônico que o Administrador da Canção Nova tem para falar em nome da Igreja? Disse ele, em carta endereçada aos sócios da CN, que a "nossa Igreja, aliada a diversos movimentos leigos rezou, pensou e escolheu dois irmãos cristãos, católicos praticantes para defender a DSI" Um Sacerdote, assegurado no Magistério, não tem autorização para ensinar, mas o Sr. Wellington não só pontifica em nome da Igreja como define o que pode ser considerado como ensinamentos válidos ou não.

"Se souberem que eu desapareci foi porque eu falei tudo isso aqui. Mas eu prefiro morrer com a verdade do que viver na mentira e depois ir para o inferno"
Pe. José Augusto (Canção Nova)