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domingo, 18 de abril de 2010

Mudanças em Los Angeles

O sucessor de Cardeal Mahony, Arcebispo de Los Angeles, nos Estados Unidos, já foi definido; o então Arcebispo de San Antonio, no Texas, José Horacio Gómez. Ironicamente, mesmo depois de um episcopado turbulento, com queda esmagadora no número de vocações, proliferação de escândalos sexuais envolvendo Sacerdotes, o Cardeal se engajou para fazer triunfar um nome tão progressista quanto ele na sucessão. Ora, seria para colocar a última pá de terra na Igreja de Los Angeles terrivelmente doente?

José Horacio Gómez é um Bispo conhecido pela suas posições claras e coesas; combate o lobby homossexual no país, não permite que vozes rebeldes ganhem espaço junto ao povo de Deus - como na vez que proibiu uma freira de discursar em favor da ordenação feminina na St. Mary's University - e de extrema fidelidade ao Papa recebendo, por exemplo, com grande estima o Summorum Pontificum, afirmando que preserva uma "rica herança e legado da Igreja". Ademais, é ligado ao Opus Dei.

Cardeal Mahony se preocupa com o quê? A Igreja de Los Angeles vive uma verdadeira crise, com escândalos no clero, números irrisórios de vida sacramental, índices baixos de vocações, mas ainda defende o modelo que destinou a sua diocese ao fracasso espiritual?

A Catedral de Los Angeles, com um custo de 250 milhões de doláres, sintetiza esse espírito! Ao lado dela a Catedral de Brasília é uma igreja gótica.

A reação de Cardeal Mahony quando soube da sucessão:

http://www.youtube.com/watch?v=fCJPmvfU4Ow

quarta-feira, 10 de março de 2010

Aqui não é Hollywood - Guerra ao Terror

O jornal italiano Il Foglio publicou nove fotos da guerra do Iraque sob o título "Qui non è Hollywood". As imagens fazem relação com o tema tratado no filme "Guerra ao Terror" (The Hurt Locker) que venceu o famigerado Avatar no Oscar 2010 na categoria de melhor filme.

Segue as fotos (não são do filme, são reais):

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Cismáticos do mundo todo, uni-vos!

Foto extremamente interessante!

Tikhon de Moscou e João Kochurov - santos da Igreja Ortodoxa -, e um outro sacerdote ortodoxo russo, foram convidados para uma sagração da Igreja Episciopal, em Fond du Lac, Wisconsin, em 1900. Além dos Bispos ortodoxos e episcopais estavam pastores da Igreja Católica Nacional Polonesa, um cisma católico nos EUA. Esse evento causou muita polêmica na comunidade protestante episcopal. Os membros da baixa igreja acusaram os bispos da alta igreja de papismo, por conta dos paramentos e da pompa litúrgica. O acontecimento passou a ser chamado, ironicamente, de o "Circo de Fond du Lac".

A foto foi tirada em 18 de novembro de 1900, na Catedral Episcopal de São Pedro, em Fond du Lac, na sagração de Reginald Weller como Bispo Coadjutor da Diocese de Fond du Lac.

Sentados: Isaac Lea Nicholson, Bispo Episcopal de Milwaukee; Charles Chapman Grafton, Bispo Episcopal de Fond du Lac; e Charles P. Anderson, Bispo Episcopal Auxiliar de Chicago.

Em pé: Anthony Kozlowski, da Igreja Católica Nacional Polonesa; G. M. Williams, Bispo Episcopal de Marquette; Bispo Weller, Joseph M. Francis, Bispo Episcopal de Indianapolis, William E. McLaren, Bispo Episcopal de Chicago; Arthur L. Williams, Bispo Episcopal Auxiliar de Nebraska; São João Kochurov, Bispo ortodoxo de Chicago e hieromártir da Revolução Bolchevique; Pe. Sebastian Dabitovich, capelão dos Bispos russos; São Tikhon, Bispo ortodoxo do Alasca e das Ilhas Aleutas.

O que os unia? O cisma, a heresia, mas além disso, a aversão à Igreja Católica!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A CNBB precisa estagiar com a USCCB

A Igreja dos EUA, mesmo tendo problemas internos, busca, com seriedade, a vivência da fé. Não por menos a USCCB (United States Conference of Catholic Bishops) encabeçou uma reforma da tradução do missal em língua inglesa. Como ocorreu no Brasil, a tradução em inglês não expressava com perfeição o sentido sacrificial da Missa, muitas vezes com erros grotescos.

Em português "- Dominus Vobiscum - Et cum spiritu tuo" virou "- O Senhor esteja convosco - Ele está no meio de nós (O correto seria "E com o teu Espírito")" Em inglês foi traduzido como "- The Lord be with you. - And also with you." E, depois da correção da tradução, ficou; "- The Lord be with you. - And with your spirit."

Para mais informações sobre a reforma da tradução do missal nos EUA: http://www.usccb.org/romanmissal/examples.shtml

Ademais, é muito gritante a diferença de postura, através da reverência aos símbolos e às normas, entre uma Assembléia da CNBB e uma da USCCB. Vejam e descubram quais as fotos são no Brasil e quais as fotos são nos EUA.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Juízes da Suprema Corte vão à Missa...nos EUA!

Todo ano ocorre em Washington D.C a "Red Mass" (Missa dos juristas). Esse anos seis juízes da Suprema Corte dos Estados Unidos da América estavam presentes (Cinco católicos - de seis ao todo - e um judeu). A Igreja Católica é a maior denominação cristã do país, mas a maioria da população é protestante - dividida em diversas confissões e seitas. O alto número de católicos no mais alto tribunal americano reflete a prestigiosa rede de ensino edificada pela Igreja desde que o primeiro Sacerdote aportou nas Treze Colônias.

A Missa Vermelha representa o início dos trabalhos da Suprema Corte. Sua finalidade é invocar a bênção de Deus sobre os tribunais e todos os funcionários públicos. Ela é chamada de "Red Mass" porque os padres usam paramentos vermelhos, em alusão ao Espírito Santo, simbolismo que também pode ser levado até os trajes escarlates usados pelos juízes. A primeira Missa Vermelha, em Washington, foi em 1953.

O Cardeal Daniel DiNardo, arcebispo de Galveston-Houston, foi o Celebrante. A Missa foi assistida pelo Chefe de Justiça (como o nosso Presidente do STF) John Roberts, Juiz Scalia, Juiz Kennedy, Juiz Breyer (judeu), Juiz Alito e, pela primeira vez, Juíza Sonia Sotomayor - dos juízes católicos apenas Clarence Thomas se ausentou. A Missa não é apenas frequentada pelos nomes da justiça americana. Também estavam presentes Ken Salazar, Secretário do Interior, Ray LaHood, Secretário dos Transportes, Michael Steele, Chairman do Comitê Nacional Republicano entre outros.

(No Brasil, os Ministros do Supremo não iriam à Missa alegando que seria um ultraje ao laicismo do Estado)
Pedro Ravazzano

domingo, 13 de setembro de 2009

A Igreja nos EUA e a Liberdade

Trecho da Pastoral Coletiva de 1890, do Episcopado Brasileiro:

Transcrito por Pedro Ravazzano

Temos, enfim, os Estados Unidos, a criação gigantesca do gênio de Washington que marcha hoje na vanguarda dos grandes povos prósperos, apontada por todos os nossos políticos como o perfeito modelo de uma república democrática.

Seja assim, - bem que não partilhemos o entusiasmo dos que só querem ver nas margens do Missouri e do Hudson um Éden todo de flores, antes conheçamos bem as desordens profundas e os graves perigos que ameaçam a sociedade americana – seja assim! Mas a separação da Igreja do Estado na grande república da América do Norte terá sido inspirada pelo espírito do ateísmo, do positivismo, do materialismo? Terá sido obra do ódio, do desprezo da Religião e do Cristianismo?

Muito arredio da verdade andaria quem assim o cuidasse.

Sem dúvida dá-se naquele país separação entre a Igreja e o Estado, mas este fato não é ali a expressão de ódio ou desprezo do princípio religioso. Muito ao contrário foi o meio único de garantir com eficácia o livre exercício do culto às diversas e multiplicadíssimas confissões religiosas em que se achava desde seu começo, e se acha ainda retalhado aquele país. Não tendo nenhuma dessas numerosíssimas confissões preeminência sobre as outras, fora um ato soberanamente impolítico, origem de graves perturbações, dar o governo preferência oficial a algumas delas.

Não há ali, pois, religião de Estado, nem poderia havê-la, estando a nação dividida em tantas seitas antagônicas. Mas erro fora capacitar-se alguém de que o governo americano, por não reconhecer um culto determinado, se desinteressa da Religião e a nenhuma respeita.

A constituição federal dos Estados Unidos tão fora está de ser indiferente em matéria religiosa, que está toda baseada no princípio que existe uma Religião verdadeira incumbida de dirigir todas as ações dos homens, e que essa Religião deve ser respeitada e mantida, como o primeiro elemento da ordem social. Washington, despedindo-se de seus concidadãos em 1796, disse essas memoráveis palavras:

Religião e moralidade, eis aqui os esteios indispensáveis de qualquer Estado. Deixem de gabar-se de patriotas aqueles que querem abalar estas colunas fundamentais do edifício social. O verdadeiro patriota deve honrá-las e amá-las. Um livro volumoso não bastaria para mostrar quanto elas promovem a felicidade do povo e de cada indivíduo.”

Ora vede agora se a legislação dos Estados Unidos, inspiração do gênio potente de Washington, podia exalar o mau e pestilento espírito do ateísmo, do desprezo da Religião! De nenhum modo.

A triste máxima de que a lei é atéia e não pode deixar de sê-lo, diz Claudio Janet, máxima que desde 1789 inspirou quase constantemente a legislação francesa, não se poderia articular na América do Norte sem suscitar unânime reprovação. O Cristianismo é ali verdadeiramente a religião nacional. Longe de ficar encantoado pela lei ou pelos preconceitos no domínio da consciência privada e do lar doméstico, tem permanecido, ao menos até nossos dias, como a primeira das instituições públicas.”

Ajuntemos aqui o grave testemunho de Story, sábio professor de direito da universidade de Harvard, em seu Comentário sobre a constituição federa dos Estados Unidos.

O direito de uma sociedade ou de um governo de interferir em matérias que interessam à Religião, diz ele, não pode ser contestado por todos os que pensam que a piedade, a moral, a Religião estão intimamente ligadas ao bem do Estado. A propagação das grandes doutrinas da Religião, a existência, os atributos de um Deus onipotente, nossa responsabilidade para com Ele em todas as nossas ações, o estímulo das virtudes pessoais e sociais, todas essas coisas não podem ser objeto de indiferença para uma sociedade bem ordenada.

Todo o homem que crê na origem divina do Cristianismo, considerará como um dever do governo mantê-lo e animá-lo entre os homens. É coisa inteiramente distinta da liberdade de juízo em assuntos religiosos e da liberdade de cultos segundo as inspirações da consciência... Provavelmente na época da adição da Constituição e das emendas pensava-se geralmente na América que o Cristianismo devia ser animado pelo Estado, tanto quanto se podia fazer sem ferir a liberdade de consciência e dos cultos.

Toda tentativa para nivelar as religiões, ou para erigir em princípio de governo a mais completa indiferença a tal respeito teria levantado uma reprovação, talvez uma indignação geral:... O dever de animar a religião, maiormente a Religião Cristã, é todo diferente do dever de constranger a consciência dos homens, ou de os punir, porque adoram Deus de outra maneira.

Até aqui o douto escritor americano.

A lei dos Estados Unidos não só não professa o ateísmo, como nem permite a propagação desta infame doutrina. Citemos um exemplo bem frisante. Formara-se, não há muitos anos, uma sociedade de ateus no estado da Pensilvânia, e um membro desta associação legou-lhe, ao falecer, todos os seus haveres, que eram avultados, com a obrigação de estabelecer ela uma escola pública de incredulidade. Houve quem impugnasse este legado, e foi levada a questão dos tribunais. Ora bem! Ouvi como dirimiu tal demanda a Corte Suprema, proferindo a seguinte luminosa sentença:

A lei da Pensilvânia não reconhece sociedade de ateus: permite somente a formação de sociedades literárias, religiosas e de beneficência, mas não permite que se escarneça publicamente e se insulte a religião revelada da Bíblia. Uma escola, onde se ensine o ateísmo, serve para tal fim e põe os meninos no caminho das galés e as meninas no da prostituição.”

Mas não basta dizer que a Confederação da América do Norte não é um Estado ateu e repele com horror o ateísmo. Vai além e faz profissão pública do Cristianismo.

Analisando e resumindo uma interessante conferência do Sr. Claudio Janet acerca da separação da Igreja do Estado nos Estados Unidos do Norte, eis como se exprime um egrégio escritor:

Longe de ser ateu (o Estado norte-americano ), é religioso, cristão até, porque toma por base as crenças e prescrições fundamentais do Cristianismo no que toca à ordem social. As legislações proclamam o respeito que se deve a Jesus Cristo como divino fundador do Cristianismo e os tribunais punem a blasfêmia pública. Nos dias de crise e de perigo, prescreve o Presidente um dia de jejum e de humilhações; cada ano um dia solene é consagrado a dar graças à Providência pelos seus benefícios. A lei do domingo é rigorosamente respeitada; a unidade do matrimônio rigorosamente mantida, e, se é permitido o divórcio, é isto antes obra do protestantismo do que da legislação civil, que se preocupa de torná-la mais dificultoso. O casamento conservou o seu caráter exclusivamente religioso: lá não existe ato civil. Não assalaria o Estado culto algum, mas respeita os legados feitos em favor das Igrejas. Os membros do clero, em razão das suas funções estão isentos da milícia. O poder repressivo de cada Igreja é reconhecido pelos tribunais, que recusam aos excomungados toda ação em justiça contra aqueles que os fulminaram de censura, pela razão de que nenhum tribunal sobre a terra pode fiscalizar a jurisdição eclesiástica (Relação do Kentucky, 1873; Relação de Nova York).”

Mas nos atos soleníssimos da vida nacional intervém oficialmente o Cristianismo. Os congressos, tanto federais como particulares, não abrem vez alguma as suas sessões sem preces públicas presididas por ministros, ora de um, ora de outro culto, não sendo raro chamarem-se para esse ministério até Sacerdotes Católicos. Conhecida é a severidade da lei que manda guardar o dia do Senhor em todo o território da república: suspendem-se os trabalhos, calam-se as oficinas, fecham-se as lojas, permitindo-se apenas as obras de necessidade e caridade. E tal é o rigor da observância dominical que coincidindo o domingo com o aniversário natalício de Washington, ou o da declaração da independência, dias de grande solenidade para os povos da União, cede o Estado à Igreja, e se transfere para o dia seguinte a festa civil.

Em relação especialmente ao Catolicismo cumpre notar que o Estado reconhece a Igreja Católica para a defesa dos interesses dela, o direito de representação legal, o qual é exercido pelo Bispo, Vigário geral, Pároco e dois leigos. Reconhece-lhe o pleno direito de propriedade, mesmo sobre fundos estáveis, e o direito de instrução pública, não só em escolas primárias, senão também em colégios superiores, onde podem os católicos educar a mocidade segundo os princípios de nossa Religião. Ainda há pouco fundou-se com a autoridade da Santa Sé uma grande Universidade católica em Washington, e o Presidente da república federal não julgou afrontar as crenças das outras comunidades religiosas, comparecendo oficialmente e com pompa às festas solenes da inauguração. Do mesmo modo, não se dedigna o Presidente de manifestar, com caráter público, o seu respeito pelo Chefe supremo do Catolicismo, como se viu por ocasião do recente jubileu sacerdotal de Leão XIII.

No exército, na armada, nas prisões achareis capelães católicos exercendo o seu sagrado ministério com a máxima liberdade, sem que ninguém veja nisto lesão ao princípio da separação dos dois poderes. Os missionários católicos, ocupados na civilizadora obra da catequese dos índios, recebem diretamente do Estado subsídios pecuniários para a sua subsistência pessoal e custeio de suas respectivas missões. Além disto, as ordens religiosas e demais estabelecimentos católicos gozam da mais ampla liberdade, e são até positivamente favorecidos por legislações particulares que de muito bom grado lhes concedem a personalidade jurídica. Enfim, o Natal nos Estados Unidos é uma festa nacional!

Ah! Quem nos dera ver os estadistas nossos, muitos dos quais se desvanecem de católicos, tratar o Catolicismo com o mesmo respeito, acatamento e deferência como é tratado pelos estadistas protestantes da União norte-americana!

Portanto, já que todos convém que não podemos escolher melhor, nem mais acabado, nem mais conveniente modelo do que a grande Confederação norte-americana, aprendamos ao menos dela como se assentam as bases de uma nação sobre os sólidos fundamentos da mais ampla e respeitosa liberdade. Aprendamos ao menos dela a fazer caminhar sempre a ação social do Estado de acordo com os princípios fundamentais do Cristianismo. Aprendamos ao menos dela a não considerar como o ideal do progresso e da civilização o subtrair-se sistematicamente a parte dirigente de um Estado a todo influxo da idéia religiosa.

Deixando de lado o que lá dá-se de mau, imitemos o bom, imitemos o modo largo de encarar as coisas, a confiança no progresso do país pela Religião, pela Justiça, pela liberdade, pelo respeito da lei, pela fecunda iniciativa de cada cidadão na grande obra do progresso social. Lá vivem hoje dez milhões de católicos, de cem mil apenas que eram há um século, com 62 Bispos, 13 Arcebispos, entre eles um Cardeal, e com Clero numerosíssimo mas com o governo americano – e basta ser americano para assim proceder – não se arreceia de tão espantoso progresso. Ele sabe que os Bispos, os Padres, os Católicos, são os melhores cidadãos, os melhores amigos da república.

Deixemos os acanhamentos miseráveis da nossa raça, os mesquinhos ciúmes e desconfianças, a atrofiante mania de querer o governo regular tudo, até a Religião, e deixemo-la livre e facilitemo-lhe os aumentos, que com isso só terá que lucrar o Estado.

Imitemos o respeito ao Cristianismo, de que aquele estupendo povo tem oferecido nobilíssimo exemplo à admiração dos outros povos.

Imitemo-lo neste ponto, que não é a menor de suas glórias e grandezas.

(...)

Há porém, uma forma de que quiséramos ver-nos revestir hoje mais particularmente o vosso amor para com a Igreja; quiséramos ver-vos todos empenhados na difusão da imprensa católica, como um meio de atalhar quanto possível os estragos da imprensa ímpia.

Ouçamos a este respeito o episcopado dos Estados Unidos. – Reunidos em Concílio plenário na cidade de Baltimore, tendo à sua frente o eminente e doutíssimo Cardeal Gibbon, Arcebispo daquela cidade e Primaz de toda União norte-americana, dirigiram há pouco aqueles venerandos Prelados a todo o clero e fiéis da grande República uma Carta coletivo resumindo as deliberações do Concílio, e por ocasião do assunto de que falamos se exprimiram por estas memoráveis palavras, que fazemos nossas:

Pais católicos, escrevem eles, deixai-nos chamar a vossa atenção para esta importante verdade, que de vós única e individualmente deve depender na prática a solução do importante argumento, se deve, sim ou não, realizar a imprensa católica a grande obra que dela esperam a Providência e a Igreja nos presentes tempos.

A missão providencial da imprensa foi tão frequente e altamente tratada pelos Papas, Bispos e escritores católicos de distinção; as suas palavras foram tão assiduamente citadas por toda a aparte, que de certo ninguém mais precisa de argumentos para ficar convencido desta verdade.

Tudo isto, porém, não passará de vozes no ar, enquanto os pais de família não assentarem bem naquele princípio e não o possuem em prática em suas casas. Se o chefe de cada família católica quer reconhecer como privilégio seu, e também como seu dever contribuir para sustentar a imprensa católica, assinando uma folha católica ou mais, e pondo-se à par com as informações que ela publica, então a imprensa católica atingirá seguramente o seu legítimo desenvolvimento e exercerá a missão a que é destinada.

Mas escolhei uma folha que seja inteiramente católica, instrutiva e edificante; e não uma folha que, com nome e pretensões a católica, não o seria nem pelo seu tom nem pelo seu espírito, irreverente à autoridade constituída, ou mordaz e sem caridade para com seus irmãos católicos.”

(...)

Mas para refutar plenamente a imputação que nos fazem os inimigos da Igreja, aqui vamos trasladar um passo na notável Pastoral Coletiva já citada, em que aqueles insignes Prelados exprimem francamente o que pensam de sua pátria, e o que a sua pátria pensa deles.

Oh! Dignos Cooperadores e Filhos muito amados, e vós todos, homens políticos que não quereis de propósito fechar os olhos à evidência dos fatos, ouvi o testemunho solene que dá o respeitável corpo Episcopal dos Estados Unidos à verdade que aqui estamos enunciando.

Em nosso próprio país, dizem os respeitáveis Prelados, escritores e oradores, que só conhecem a Igreja sob disfarces dos preconceitos, têm, de tempos em tempos, feito eco às mesmas acusações. Mas apesar de excitações locais e passageiras, o bom senso do povo americano prevaleceu sempre contra a calúnia.

Parece-nos poder falar de cadeira das leis, das instituições e do espírito da Igreja Católica, bem como das leis, instituições e espírito de nossa pátria, ora, nós declaramos solenemente que não há entre eles antagonismo algum. Um católico está como em sua casa nos Estados Unidos porque a influência de sua Igreja sempre se exerceu em proveito dos direitos individuais e das liberdades populares. E o Americano de espírito reto em nenhuma parte se acha tanto em sua casa como na Igreja Católica, pois em nenhuma outra parte pode respirar essa atmosfera de verdade divina, que, só, nos pode fazer livre.

Nós repudiamos com igual força o afiançar-se que devemos sacrificar alguma coisa do amor à nossa pátria para sermos católicos fiéis. Dizer que a Igreja católica é hostil à nossa grande república, porque ensina que todo o poder vem de Deus, porque, em consequência, atrás das leis vê a autoridade de Deus, como sanção delas, é acusação a tal ponto ilógica e contraditória, que ficamos assombrados de vê-la sustentada por pessoas de uma inteligência ordinária...

Não seria menos ilógico sustentar que há no livre espírito de nossas instituições americanas alguma coisa de incompatível com uma docilidade perfeita para com a Igreja de Jesus Cristo. O espírito da liberdade americana não é um espírito de anarquia ou de licença. Inclui essencialmente o amor da ordem, o respeito da autoridade legítima e a obediência às justas leis.

Não há no caráter americano mais amoroso da liberdade que possa vexar sua submissão respeitosa à autoridade divina do Nosso Senhor, ou à autoridade por ele delegada aos seus Apóstolos e à sua Igreja. Não há no mundo mais delicados aderentes à Igreja Católica, a Sé de Pedro e ao Vigário de Cristo, do que os católicos dos Estados Unidos.

Idéias, ciúmes acanhados, insulares ou nacionais, contra a autoridade eclesiástica e a organização da Igreja puderam outrora irromper naturalmente na política egoísta de certos chefes de nações. Mas essas idéias e esses ciúmes não encontram simpatia alguma na educação religiosa, impedi-lo-iam de submeter-se, em matéria de fé, às pretensões do Estado ou de outra autoridade humana. Aceita a Religião e a Igreja que vem de Deus, e que ele bem sabe são universais – não nacionais ou locais – para todos os filhos dos homens, não para uma tribo ou raça particular.

Não nos gloriamos de ser – e mercê de Deus de ser para sempre – não a Igreja americana, ou a Igreja dos Estados Unidos, ou toda outra Igreja, em sentido limitado ou exclusivo, mas uma parte integrante da Igreja, Uma, Santa, Católica e Apostólica de Jesus Cristo, na qual não há distinção de classes ou de nacionalidade, na qual todos são um em Jesus Cristo!

Ouvis, dignos Cooperadores e Filhos diletíssimos?

Estas vozes, estes protestos do ínclito Episcopado e de todo o povo católico da poderosa república da América do Norte ressoam alto e vem achar um eco fiel cá na América do Sul, no nosso caro Brasil, por entre as balizas dos dois Oceanos. Estes protestos exprimem os nossos sentimentos.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Perguntas que permanecem

"Eu descobri que mesmo entre aqueles que não vão para a Catedral de Notre Dame, mesmo entre aqueles que não partilham a fé católica, existe uma expectativa, uma esperança, do que Notre Dame pode realizar no mundo. (Reverendo John Jenkins, C.S.C., 17 de maio de 2009)"

Por D. Charles Chaput, Arcebispo de Denver

Tradução de Pedro Ravazzano

A maioria dos discursos de formatura são uma mistura de piedade e de otimismo concebidos para facilitar os problemas dos alunos na vida real. Os melhores têm humor, alguns são genuinamente inspiradores, mas só uns poucos conseguem ser piedosos, otimistas, evasivos, tristes e atingindo a todos ao mesmo tempo. Padre John Jenkins, CSC, o presidente (reitor) de Notre Dame, é um homem de grande inteligência e habilidade. Isto torna o seu comentário introdutório ao discurso do Presidente Obama, no dia 17 de maio, mais embaraçoso.

Vamos lembrar que o debate sobre a visita do presidente Obama à Notre Dame não foi sobre se ele era um homem bom ou mau. O presidente é claramente um homem sincero e capaz. Em suas próprias palavras, a religião tem tido uma influência importante na sua vida. Devemos a ele o respeito que a Escritura nos pede a ter a todas as autoridades. Temos o dever de rezar para que ele tenha sabedoria e para o sucesso do seu serviço para o bem comum – na medida em que isso é guiado pelo correto raciocínio moral.

Temos também o dever de nos opor quando a autoridade se encontra errada sobre questões fundamentais como o aborto, pesquisas com células-tronco embrionárias e assuntos similares. Do mesmo modo, também temos o dever de evitar a prostituição da nossa identidade católica por conta dos apelos ao falso diálogo que mascara uma abdicação do nosso testemunho moral. A Universidade Notre Dame não apenas convidou o presidente para proferir um discurso, mas também conferiu um desnecessário e imerecido grau honorífico a um homem comprometido na defesa de uma das piores decisões da Suprema Corte na história da nossa nação: Roe v. Wade.

Ao convidar o presidente, a Universidade Notre Dame ignorou a orientação da Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos na declaração Os Católicos na Vida Política, de 2004. Ainda ignorou as preocupações da embaixadora Mary Ann Glendon – indicada para a medalha Laetare da Universidade de Notre Dame em 2009 –, que, diferentemente do presidente, certamente merecia o prêmio, mas o recusou por conta da frustração pela ação da Universidade. A instituição ignorou os apelos do bispo local, do presidente da Conferência Episcopal, de mais de 70 outros bispos e de muitos milhares de alunos de Notre Dame e de centenas de milhares de outros americanos católicos. Mesmo aqui, no Colorado, tenho ouvido tantos apelos que nem posso contar.

Não havia nenhuma desculpa – nenhuma, excepto vaidade intelectual – para a universidade persistir em seu curso. Padre Jenkins agravou uma má decisão inicial com evasivas e dissimuladas explicações para justificá-la posteriormente.

Estas são palavras duras, mas são merecidas, precisamente por causa dos próprios comentários do Padre Jenkins em 17 de maio: até agora, os americanos tinham, realmente, “uma especial expectativa, uma especial esperança sobre o que a Notre Dame pode realizar no mundo.” Para muitos fiéis católicos – e não apenas um “pequeno, mas barulhento grupo”, descrito com tal indesculpável desdém e ignorância em revistas como Time – que mudaram domingo.

Os eventos de 17 de maio têm uma certa ironia, apesar de tudo. Quase exatamente 25 anos atrás, Notre Dame ofereceu o fórum para o governador Mario Cuomo delinear o “católico” caso de serviço público “pró-escolha”. Na época, o discurso de Cuomo foi aclamado na mídia como uma obra-prima do raciocínio católico legal e moral. Do mesmo modo é, claramente, um ilógico e intelectualmente miserável exercício da fabricação de desculpas. As explicações de padre Jenkins e a homenagem ao Presidente são um adequado encerramento em cadeia nacional para um quarto de século do amolecimento do testemunho católico no ensino superior católico. Juntos, eles deram à próxima geração de líderes católicos todas as desculpas de que eles precisam para “batizar” suas conveniências pessoais e ignorar o que é realmente necessário para ser católico na vida pública.

O cardeal-arcebispo de Chicago, Francis George, tem sugerido que Notre Dame “não entendia” o que significava ser católica antes destes acontecimentos começarem. Ele está correto, e Notre Dame se encontra praticamente sozinha nessa sua confusão institucional. Esse é o cerne da questão. A liderança de Notre Dame tem feito um verdadeiro desserviço à Igreja, e agora tenta superar as críticas, tratando-a como uma expressão de raiva. Mas o dano permanece, e os críticos de Notre Dame têm razão. A coisa mais importante que os fiéis católicos podem fazer agora é insistir – com as suas palavras, ações e apoio financeiro – para que as instituições que afirmam ser “católicas” realmente vivam a fé com coragem e coerência. Se isso acontecer, a falha de Notre Dame pode causar alguns involuntários bens.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Obama em Notre Dame?

Pedro Ravazzano
***
Barack Hussein Obama já disse para que veio. Não é surpresa para ninguém que o novo presidente americano representa o mais decadente espírito liberal - aquele formado sobre o relativismo moderno e a crise civilizacional do Ocidente. Desse modo, naturalmente, Obama aparece como o expoente da modernização social dos EUA, afinal, querendo ou não, os Estados Unidos surgem como um dos poucos países onde existe uma cultura cristã e conservadora arraigada e bem estruturada, mesmo que esse conservadorismo esteja sendo tomado por visões simplistas e, cada vez mais, pobres na sua fundamentação.

Obama foi convidado pela Universidade “Católica” Notre Dame, de Indiana, para ser paraninfo e honrado com o título de doutor honoris causa. O assustador é que estamos falando de uma das mais prestigiosas instituições educacionais cristãs do país e, por outro lado, do presidente que com mais afinco defendeu – e defende – o aborto na história dos EUA. O que é obviamente incompatível e excludente não foi percebido pela reitoria da Universidade. Um dos grandes erros do catolicismo é entregar a sua fabulosa rede de ensino aos inimigos da Religião; nas nossas escolas e faculdades muitos são os professores que semeiam o anti-clericalismo, o ateísmo e o relativismo. Tamanha incongruência não foi vista pelo reitor Pe. John Jenkins que afirmou que “uma universidade católica é o local perfeito para um diálogo frutífero entre os ensinamentos da bíblia e a cultura de um povo.” Claro que uma Universidade é um templo do saber, deve reproduzir com fidelidade o mesmo espírito da Academia de Atenas, não obstante, o que houve em Notre Dame não foi um “diálogo frutífero” mas o triunfo do discurso abortista em sua plenitude; Obama teve todos os holofotes enquanto discursava e, para piorar, foi coroado com aplausos e elogios rasgados por parte dos professores e funcionários.

Pe. Richard McBrien, professor de Teologia de Notre Dame, disse, em entrevista à Fox News, que "Se pedíssemos 100% de acordo com as doutrinas oficiais da Igreja a cada pessoa que fala ou que recebe um título honorífico de uma universidade católica, não poderíamos contar com políticos de nenhum partido". Isso não passa de uma falácia. Primeiramente, é claro que uma instituição católica deve procurar prestigiar os homens e mulheres que comungam da mesma fé, entretanto, do mesmo modo – e aí entra a relevância do ecumenismo na defesa da moral – tem que buscar honrar, em seguida, os cidadãos de bem que se engajam na defesa dos princípios comuns aos cristãos, o arcabouço moral e ético da sociedade. Obama não apenas não é católico como sequer se aproxima da Igreja quando o assunto é moralidade. O fato de uma Universidade ser católica, protestante, liberal, comunista etc, quer dizer que é uma instituição erguida sobre uma base filosófica sólida. Exemplificando, vamos supor que no auge do regime soviético Friedrich Hayek tenha sido convidado para abrir o ano letivo da Universidade de Moscou. Isso quer dizer que, das duas uma; ou o teórico austríaco não era tão liberal como dizia ser ou, então, a Universidade moscovita não passava de uma falsa instituição educacional marxista. Trazendo esse exemplo para a realidade podemos fazer uma reflexão; Obama não estava ali defendendo a vida e a moralidade, ao contrário, fez um discurso ratificando o assassinato de crianças e, indiretamente, ainda chamou os anti-abortistas de fundamentalistas ao pedir “corações abertos, mentes abertas, palavras sem preconceitos”, e sendo aplaudido pelos que, aparentemente, combatem a cultura de morte.

Para tornar essa cerimônia mais absurda – sim, tem como ficar pior - alguns estudantes – esses sim corajosos – se levantaram em defesa da vida; vaiaram o presidente e gritaram palavras contra o aborto - “pare de matar bebés” e “aborto é assassino”. Rapidamente foram levados pela polícia, mas nem isso motivou os sacerdotes que ali estavam, continuaram na sua letargia, hipnotizados pela obamania, dançando a música tocada pela Dona Morte.

Do lado de fora da Universidade um grupo de pessoas protestava contra a visita do presidente abortista. Alguns jovens também boicotaram a festa, não tiveram o desprazer de ouvir os alunos compondo o coro que gritava “Yes, We Can” depois da expulsão dos estudantes pró-vida pela polícia. Essa cena é a síntese da Nova Ordem Mundial; garotos embriagados com a mística populista de um presidente “progressista”. Ademais, um digno herói apareceu nessa história, padre Norman Weslin, 78 anos. Ele foi preso porque protestava pacificamente, segurando um cruz, cantando hinos religiosos e distribuindo panfletos contra o aborto. Obama já deixou o que ele considera democracia; combater o aborto é democrático, lutar contra o aborto é anti-democrático, e tais eventos devem ser perseguidos e controlados coercitivamente pelo Estado. A tal liberdade de expressão é enviesada e usada como trunfo para o patrulhamento ideológico; suprimir um protesto católico contra o aborto é necessário para a manutenção do espírito democrático, agora, se por acaso fosse um protesto anti-clerical contra uma Universidade cristã o seu controle pela força policial seria mais uma forma de fundamentalismo religioso e impedimento da livre opinião dos cidadãos.

A coisa boa desses acontecimentos é que eles mostram Obama em sua essência; o que quer e o que pretende. A união dos americanos ao redor de Barack Hussein foi muito coesa para uma população tão dividida em questões morais e éticas. Através desses eventos, que revelam os planos presidenciais e as atitudes do seu governo frente à oposição, o povo dos EUA pode entender com mais segurança como funciona a mente de um presidente que em nome da democracia foi eleito, mas que em nome da mesma democracia suprime violentamente protestos contra seus projetos de governo.

Enquanto isso, na sala de injustiça de uma certa Universidade americana, Sacerdotes e religiosos ainda aplaudem o presidente abortista...
Notre Dame, priez pour nous!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Yes, We Can... We can? But what we can?

Agora entendo o que significa em concreto o famoso slogan publicitário da campanha de Obama: "Yes, We Can!". Sem esforço, vê-se que nessa expressão falta malandramente um complemento para indicar o que realmente we can. Pois quem can, can alguma coisa.

Então, We can o quê, Sr. Hussein Obama?

E para responder a pergunta acima, os acontecimentos desse final de semana, nos EUA, começam a indicar o que can o novo presidente.

O padre Norman Weslin, 78, foi preso na sexta-feira passada por entrar no campus da Universidade "Católica" de Notre Dame carregando uma cruz nas costas em protesto ao título Honoris Causa que Hussein Obama, o presidente mais pró-aborto da história dos Estados Unidos, receberia daquele centro acadêmico.

Além do padre foram presos Alan Keyes, ex-candidato à Presidência e outras 19 pessoas por tentar protestar dentro do campus universitário. Ao total compareceram 3.000 pessoas para mostrar ao Obama que No! We can't.

Vejam o vídeo abaixo:

terça-feira, 5 de maio de 2009

Melhor filme curta-metragem de direita



A direita americana é representada no campo político pelo Partido Republicano, enquanto que a esquerda é, por sua vez, pelo Democrata. Assim sendo, adoto neste texto os termos republicano e democrata para expressar uma e outra posição.

***

Esses dias, fiquei empolgado ao ver um filme curta-metragem com um teor muito republicano. Trata-se de Os Pingüins de Madagascar – Missão de Natal.

Nele, os pingüins (Capitão, Kowalski e Rico) têm que resgatar um outro, chamado simplesmente de recruta, que se embrenhou por Nova Iorque para comprar um presente de Natal e acabou por ser confundido com um. Uma velhinha, claramente uma caricatura de senhora idosa eleitora dos democratas, o levou como presente para sua cadelinha poodle, chamada “Mordida”. A guerra começa!

No filme, os pingüins demonstram ter espírito de heroísmo, gostam da hierarquia que há entre eles e a respeitam com naturalidade, não são nada pacifistas e nem um pouco politicamente corretos.

Já a velinha é rabugenta, não gosta do Natal e tem ódio por essa festa existir, dá atenção mais ao que se passa na TV do que naquilo que acontece ao seu redor, parece não ter tido filhos e, por isso, dispensa seu amor maternal – arhg! – a poodlouzinha.

Tenho a impressão de que a atitude dela com a TV é um símbolo de uma pessoa que mais dá valor ao que a mídia diz – Guerra do Iraque, Aquecimento Global, Pandemias, crise econômica, etc. – do que em argumentos reais, e ficam surpresos quando a realidade vem à tona (o apartamento dela que explodiu) e não era aquilo que a TV passava.

Um exemplo disso eu tive hoje. Ouvi na Band News, uma estação de rádio, um representante deles nos EUA comentando um acontecimento “absurdo”, “coisa de maluco” que “contraria o senso comum” - essas são expressões do repórter que fez um suspense enorme antes de ir ao assunto. O fato que “contrariava o senso comum” era sobre uma pesquisa científica que demonstra que o nosso planeta não está aquecendo, mas que esfriou 0,5°C. O tal aquecimento global é coisa que nos EUA só os democratas e a mídia defendem. Inclusive o jornalista da Band News disse claramente que esse argumento vai favorecer os conservadores.

Apenas para encerrar, digo que foi impossível para mim imaginar os pingüins votando em Obama, bem como a velinha votando em Bush.

Apenas não gostei do estilo Rock da música de natal que inicia o filme. Achei isso execrável.

Quem quiser, pegue um saco de pipoca e assista o filme:

quinta-feira, 9 de abril de 2009

A Segregação Racial Americana e o Estado

Pedro Ravazzano
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A questão racial, nos Estados Unidos da América, é sempre motivo de muita reflexão e discussão, até porque, com razão, a discriminação foi parte freqüente da história americana até meados do século XX. Não obstante, o que muitas pessoas não sabem é a profundidade, assim como a complexidade, dessa problemática. Devemos nos distanciar da ótica dialética, influenciada pelos liberais esquerdistas, que reduz o debate por meio da transformação do branco em opressor e do negro em oprimido. No mundo atual, onde cada vez mais toma força o discurso politicamente correto e onde as mentiras depois de tão repetidas viram verdades, nada melhor do que fazer uma análise sincera e presa aos fatos.

Todas as pessoas tendem a gravitar ao redor de outros indivíduos que tenham níveis de compreensão semelhantes aos seus – isso não era uma particularidade dos brancos americanos. Nos EUA tal postura era – e é - muito visível; diversas etnias construíram um mundo próprio e se desenvolveram integradas com os irmãos. Isso, a priori, não é uma atitude racista nem carrega consigo um espírito discriminatório, não há a intenção de desmerecer o outro, existe simplesmente uma natural empatia entre os indivíduos crescidos na mesma cultura e defensores de mesmos princípios. Em todo o mundo, em toda a história, grupos se formaram através da identificação de pessoas congregadas quer pela raça, renda, religião ou educação. Em terras americanas diversas etnias edificaram estruturas particulares. Isso é algo que se encontra desde sempre nos Estados Unidos – país erguido por peregrinos -, mas que foi intensificado com a chegada de imigrantes. Por exemplo, quando poloneses aportaram em Detroit, vindos para o Novo Mundo a procura de oportunidades, muitos foram os negros que saíram dos bairros populares tomados pelos polacos. A mesma coisa ocorreu quando da chegada de judeus da Europa Oriental na cidade de Chicago; os judeus alemães deixaram o bairro após a ocupação pelos seus irmãos vindos da Rússia. O sociólogo negro, E. Franklin Frazier, disse que dentro das próprias comunidades negras, que também eram formadas através da identificação dos seus membros e da auto-exclusão da sociedade, existiam divisões internas, conseqüências das diferentes rendas, educação e padrões de comportamento, com grupos vivendo em zonas distintas.

As políticas de integração forçada, adotadas pelo Estado americano para obrigar as relações culturais entre brancos e negros, apenas ajudaram no incremento discriminatório. Essas iniciativas governamentais optaram por desconhecer uma característica bem peculiar da sociedade americana; as etnias viviam integradas, elas edificaram um verdadeiro mundo próprio dentro das grandes cidades do país. Isso era perceptível não só entre os brancos, mas entre negros, orientais, latinos, judeus. No caso dos caucasianos ainda havia distinções entre os irlandeses, italianos, poloneses, ingleses etc. Constatamos o autoritarismo do Estado americano; obviamente a derrubada das leis segregacionistas era essencial para a construção de um país fundamentado no espírito de Liberdade pensado pelos Pais Fundadores, entretanto, em oposição a essa identidade americana, obrigar a integração racial – através da ação estatal – foi uma atitude arbitrária que acarretou no agravamento das discussões raciais. A segregação não impedia apenas os negros de freqüentarem bairros brancos, mas brancos de freqüentarem bairros negros. Depois da derrubada dessas leis – que, é claro, acabavam que favoreciam a estrutura branca da sociedade – não houve uma imediata mudança de postura, ao contrário, whites e blacks continuaram mantendo e estimulando o segregacionismo.

O pensador americano, Thomas Sowell, acredita que os programas governamentais, como o busing – que levava crianças negras para escolas brancas e vice-versa – assim como as ações afirmativas e programas sociais em geral, fizeram com os negros americanos confiassem demasiadamente no Estado, na manutenção de uma rede de segurança que impedia a própria motivação individual. O ilustre economista afro-americano ainda vai além, reconhece que essas iniciativas estatais – busing, cotas e leis especiais – apenas ajudaram a alimentar os sentimentos racistas de brancos. Sowell afirma que antes do Civil Rights Act de 1964 a condição do negro na sociedade era cada vez mais revista, com maior aceitação e uma natural integração – e aqui friso a ação sempre zelosa das Igrejas nesse projeto.

O Estado americano, com razão, derrubou as leis segregacionistas escolares em 1954, com isso havia plena liberdade de circulação entre todos os povos que formavam a América, entretanto, ao forçar uma integração racial, em 1972, transportando alunos brancos para escolas negras – que ficavam fora de seus bairros e longe geograficamente – e levando negros para escolas brancas, produziu uma bipolarização étnica e muita má vontade. Além disso, através de políticas sociais, como os subsídios, estimulou artificialmente o trânsito racial, não só retardando a natural e sadia integração como, de maneia obtusa, desconhecendo uma característica corrente dos diversos povos que compõem a América; a formação de bairros e escolas próprias – aqui vale um comentário, se engana quem acha que as escolas negras eram inferiores as brancas, como até pretendeu o tom usado pela Suprema Corte no caso Brown v. Board of Education ("separate educational facilities are inherently unequal.") – que abriu o caminho para a integração racial. Por ironia havia em Washington, perto da Suprema Corte, uma escola all-black que a oitenta anos já produzia uma educação de alta qualidade, inclusive em 1899 já superava duas das três escolas secundárias brancas do distrito, em testes padronizados. Em 1940, no Harlem, o bairro negro de Nova Iorque, tinham escolas que faziam pontuações semelhantes – as vezes maiores/menores - aos dos colégios da classe trabalhadora branca de Lower East Side. No sul do país, onde se concentrava grande parte da população negra e que tinha um sistema educacional inferior – tanto para brancos como para negros – as escolas all-blacks viviam em estado realmente crítico, o que apenas se agravava com a ação organizada de grupos racistas, como o Ku Klux Klan, o braço armado do Partido Democrata na região. De todo o modo, existem hoje escolas só para negros que tem grande sucesso e outras que falham no projeto educativo, assim como existem escolas heterogêneas que falham e outras que tem grande sucesso; a questão racial, o problema da segregação, não conseguiriam explicar.

Aqui ainda vale uma breve recordação. Rosa Parks ficou conhecida por se recusar a ceder seu lugar a uma pessoa branca no ônibus, no Alabama. O que as pessoas não sabem é que essas políticas discriminatórias só se instalaram por conta da ação estatal. Ironicamente, foi o governo que foi chamado para solucionar o problema segregacionista, mas foi o mesmo governo que o estimulou e incitou. Os interesses econômicos são diferentes dos interesses políticos; os proprietários das empresas de ônibus, trens e bondes até poderiam ser racistas, mas nenhum queria perder uma massa de clientes consumidores como os negros. Após o disenfranchisement – a revogação do direito ao voto dos eleitores negros no final do séc. XIX e início do séc. XX - ficou fácil a aprovação de leis de segregação racial, como as leis de Jim Crow. Não obstante, os empresários dos transportes enfrentaram a Justiça durante a elaboração, aprovação e aplicação dessas leis racistas. Tal tática atrasou em anos a execução das leis de Jim Crow em diversos lugares, mas depois de ratificadas muitos foram os homens brancos dos negócios presos e ameaçados por descumprir a ordem; o dinheiro do homem negro era tão bom como o dinheiro do homem branco.

O Estado se encontra no centro do problema; se por um lado foi o governo o responsável pelo estímulo ao segregacionismo, através da aprovação de leis que tolhiam a liberdade do homem negro – leis essas que sofreram com a repulsa de empresários que, ao defender a Livre-Iniciativa, defendiam a legitimidade do cidadão afro-americano. E aqui recordamos da memorável frase de Adam Smith; "não é da benevolência do padeiro, do açougueiro ou do cervejeiro que eu espero que saia o meu jantar, mas sim do empenho deles em promover seu "auto-interesse", que pode muito bem ser entendida dentro do contexto abordado – por outro lado, foi o mesmo governo que, querendo derrubar a estrutura discriminatória que havia construído, adotou ações enérgicas e até truculentas ao obrigar a integração por meio do trânsito racial imposto, que não só maculava a liberdade do indivíduo branco e negro de escolher onde morar, onde estudar, como estimulava e incrementava os conflitos raciais – com certeza não era nada agradável ser um jovem branco obrigado a estudar numa escola negra ou ser um jovem negro obrigado a estudar numa escola branca, e tudo por conta dos gracejos do Estado. Peg Smith, uma senhora líder do movimento anti-busing em Charlestown, quando questionada sobre a sua resistência, afirmou: “Eu quero minha liberdade de volta. Eles levaram minha liberdade. Eles me dizem onde meus filhos devem estudar, isso é como viver na Rússia. Depois disso eles vão nos dizer onde devemos fazer compras”. Obviamente, as feministas americanas em nada apoiaram o clamor das mães que se viam impedidas de decidir sobre a educação dos filhos. As mesmas pessoas que comemoravam a decisão do Supremo Tribunal quanto ao “direito de escolha” da mulher em relação ao aborto eram as mesmas que se calavam quando o mesmo Estado revogava o direito da mãe de decidir sobre a educação do filho; de todo o modo, em ambos os casos há o mesmo princípio anti-natural, contrariando o direito intrínseco do homem; o direito a vida e o direito da autoridade familiar. Num encontro de discussão sobre a Equal Rights Amendment (Emenda da Igualdade de Direitos), que contava com a participação de mães anti-busing, uma brava matriarca se levantou e questionou se a ERA garantiria a uma mulher o direito de decidir sobre a educação dos filhos; ela foi convidada a se retirar. Os movimentos anti-busing seguiam o estilo libertário de desobediência civil, em nada se aproximavam de um espírito anti-americano, ao contrário, o discurso estava embebido no princípio tradicional de Liberdade que construiu o país. Infelizmente, como bem frisou Thomas Sowell, a ação violenta do Estado ao obrigar a integração racial apenas favoreceu o racismo na própria sociedade; muitos foram os grupos anti-busing que combinaram perversamente o patriotismo com o estúpido racismo. A cidade de Boston, por exemplo, se transformara num verdadeiro campo de guerra; havia força policial em todos os cantos da cidade, policiais escoltavam ônibus em todas as escolas, detectores de metais eram instalados e soldados patrulhavam até lanchonetes, inclusive cotas foram estipuladas para os policias, incitando a hostilidade racial dentro do sistema. Tudo isso por conta dos caprichos estatais ao obrigar os brancos a freqüentarem escolas e bairros negros e negros a freqüentarem escolas e bairros brancos. Assim disse Kevin White, prefeito de Boston: “As vezes, quando eu olho pela janela, eu vejo Belfast lá fora” – em alusão a capital da Irlanda do Norte que vivia tomada pelo exército por conta dos conflitos civis instaurados; de um lado a maioria protestante que detinha o controle do governo e impedia a ascensão de católicos, e do outro a ação organizada católica que tinha o apoio da República da Irlanda.

A política de integração forçada, busing, destruiu completamente o forte espírito comunitário que havia nos bairros. Antes da adoção dessas ações, pais, professores e estudantes geralmente viviam na mesma comunidade, participavam da mesma igreja e faziam compras no mesmo lugar. Havia mais modelos positivos para as crianças nesses dias. Quando a infra-estrutura da comunidade foi derrubada, quando as crianças foram obrigadas a estudar e viver em escolas e bairros que desconheciam a sua realidade e onde, para piorar, eram tratados como, no mínimo, excentricidades, se perdeu todos esses exemplos que faziam parte do cotidiano do jovem. Wellington Webb, que foi prefeito de Denver, viu o fim do busing como a oportunidade perfeita de reconstruir a vida comunitária; “Tendo de volta as escolas de bairro nós poderemos ajudar a reconstruir as comunidades” Infelizmente a esmagadora maioria das escolas de bairro, essas fechadas com as políticas de anti-segregação forçada, se encontrava em bairros negros, com isso o resgate e retomada de tão benéfica estrutura educacional ficou extremamente prejudicada.

Aqueles que, inebriados com o simplismo dialético, tentam transformar a complexa questão racial numa mera dicotomia entre brancos opressores e negros oprimidos desconhecem a realidade dos fatos. O grande artífice da crise racial nos EUA foi o Estado, tanto num primeiro momento, quando legitimou leis racistas, como posteriormente, ao obrigar a integração forçada. Sem dúvida alguma esse é um período muito triste da história americana, mas que deve ser recordado; a melancolia e o pesar desses tempos devem ser entendidos como reflexos da falta de adesão ao espírito libertário em sua sadia e positiva radicalidade. Quando um país é privado da Liberdade, quando o indivíduo se encontra tolhido e diminuído por conta da força Estatal, abre-se uma lacuna que é ocupada pela ação coercitiva do governo que impõe leis racistas e, em seguida, determina onde deve morar e onde seus filhos devem estudar.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Obama; Yes, We (Americans) Can!

Alguém por aqui não está enebriado com a obamania? Eu estou impressionado como as pessoas no mundo andam se iludindo, acreditando que Obama será um novo messias, um grande líder mundial, o homem que irá resgatar a paz e a esperança! Gente, acorda! Obama foi eleito Presidente dos Estados Unidos, ele irá governar para os Estados Unidos, ele irá priorizar os Estados Unidos. E se preparem, os democratas são protecionistas e interventores. Obama irá burocratizar a entrada de produtos estrangeiros nos EUA, em defesa do emprego do trabalhador americano e da economia nacional, irá revolucionar o sistema educacional, endossando a doutrinação, além de adotar políticas severamente distributivistas que irão alavancar os gastos do Estado, o que refletirá no aumento dos tributos, continuará a fortalecer os subsídios que tanto incomodam o Brasil, dará uma banana a OMC e as ações contra seu país devido aos programas que favorecem o produtor americano, destruindo a competição internacional e, diferentemente do que falam, poderá fortalecer a presença militar americana na Ásia e na África.

Outra coisa interessante é que os EUA, vistos por muitos como o antro do arqueologismo, antiquarismo, retrocesso etc, elegeu um presidente negro. Vale frisar que quase 90% da população preta e 70% da latina votaram em Obama, enquanto apenas 50% dos brancos votaram em McCain, ou seja, quem de fato valoriza a raça? Quem acha que a cor da pele é determinante na formação do caráter humano? No Brasil, onde reina o politicamente correto, que tem um movimento negro totalmente ideologizado, não se elege nem Governador da Bahia negro, enquanto os EUA tem um futuro presidente negro, de família muçulmana e etnicamente um genuíno africano. Cadê o racismo? Não existe no país da Liberdade (não a "liberdade" neoconservadora, mas a essencialmente americana, a mesma que incitou a revolução e a independência das Colônias)


Obama foi eleito, só pôde ser eleito, porque se lançou candidato em um país onde a Liberdade é defendida radicalmente. Em qualquer outra nação possivelmente, inclusive no Brasil, Barack Hussein Obama seria apenas mais um nome, uma estrela apagada. A sua explosão, o seu sucesso, só foi possível porque ele estava protegido, estava sob o manto dos Pais Fundadores, gozava da sua independência porque os Republicanos lutaram no passado pela abolição da escravatura (diferentemente dos Democratas que defendiam a escravidão e até pouco tempo eram racistas, como o Democrata Ku Klux Klan).


Não obstante, esse espírito obamista foi deveras passional, pouco racional e politicamente fundamentado. Obama carregava na sua cútis uma novidade, afinal era o primeiro negro com possibilidades concretas de vitória. Barack Hussein, em seus discursos, exalava carisma e paixão, além do mais transformava o politicamente correto do dia-a-dia em norte de suas críticas e projetos. Para se ter uma noção, Obama ganhou com larga vantagem na Califórnia, que tem um número cavalar de delegados, entretanto, no referendo feito sobre o casamento homossexual, a proposta perdeu. Ou seja, os mesmos californianos que elegeram um candidato defensor da união entre os gays foram os mesmos que rechaçaram a proposta no estado. Isso mostra a não-fundamentação do voto que, por sua vez, se baseou apenas no espírito inovador e esperançoso trazido por Obama, trabalhado pela mídia, estimulado por líderes mundiais; desde a União Européia até Ahmadinejad, Osama bin Laden e Hugo Chávez.


A obamania é passional e, como Obama, não é nada mais que vento, não existe nenhuma certeza da sua eficiência, é apenas discurso, retórica, e uma dita esperança que se sustenta no nada, no máximo na cor de pele do presidente eleito (argumento que nem ele usou), no seu sorriso e na sua capacidade de conquistar as massas.

Pedro Ravazzano

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Breve reflexão: O Silogismo e a Crise Americana

Eu ainda me impressiono com a estupidez de algumas pessoas. Quanto mais eu leio a respeito da crise econômica mais eu fico perplexo com a falta de noções básicas de lógica. É o reino do mais ignorante silogismo. Já virou “consenso” que essa crise é a crise do “neoliberalismo”, é o fim do Livre-Mercado, é a constatação da necessidade do intervencionismo estatal.

Aí eu pergunto; quem foi que disse que o Governo Americano é liberal? Quem foi que disse que os banqueiros americanos são reais defensores do Livre-Mercado? Ninguém pode fazer essas constatações porque são mentirosas. Primeiro que, como já disse, essa é a crise da incompetência estatal. A economia americana é regulamentada, a presença do governo é total e completa;

Federal Reserve – O Banco Central, tem a incumbência de regular a taxa de juros, a oferta monetária, supervisionar e fiscalizar os Federal Reserve Banks (Bancos de Reserva Nacional,) manter a estabilidade do mercado financeiro, responder a necessidade de liquidez etc.

United States Department of the Treasury (Treasurer of the United States, United States Mint, Bureau of Engraving and Printing, Under Secretary for Domestic Finance, Assistant Secretary for Financial Institutions, Assistant Secretary for Financial Markets, Assistant Secretary for of Fiscal Service, Financial Management Service, Bureau of Public Debt, Under Secretary for International Affairs, Assistant Secretary for International Affairs, Under Secretary for Terrorism and Financial Intelligence, Assistant Secretary for Terrorist Financing, Assistant Secretary for Intelligence and Analysis, Financial Crimes Enforcement Network, Assistant Secretary for Economic Policy, Assistant Secretary for Legislative Affairs, Assistant Secretary for Management/Chief Financial Officer, Assistant Secretary for Public Affairs/Director of Policy Planning, Assistant Secretary for Tax Policy, Internal Revenue Service, Alcohol and Tobacco Tax and Trade Bureau, Inspector General for Tax Administration, General Counsel, Office of Thrift Supervision) – É o responsável por implementar a política econômica, fiscal e monetária, regular as exportações e importações, vigiar todas as instituições financeiras dos Estados Unidos.

Office of the Comptroller of the Currency – Assegura o sistema bancário nacional regulando todos os bancos dos EUA.

Securities and Exchange Commission – Regula todas as matérias referentes ao mercado de valores mobiliários.

Federal Deposit Insurance Corporation – É quem garante o seguro do depósito, assegura os depósitos feitos em bancos comerciais.

Federal Home Loan Bank Board – Agência que acompanha todos os empréstimos hipotecários dos EUA.

Ora, há liberalismo? Por acaso dizer que a política econômica americana é regulamentada é algum exagero? Em hipótese alguma!

Agora entra o silogismo. A esquerda foi muito eficiente ao criar no imaginário popular a idéia de que os EUA representam a encarnação do liberalismo mais selvagem e desumano possível. Na verdade bem sabemos que essa construção é típica de políticas populistas, aquelas que necessitam justificar seus métodos em cima de um clima de terror. Seria como um Bode Expiatório Girardiano às avessas, afinal a própria tensão que teria fim com o sacrifício é instaurada com a auto-vitimização, tendo o Estado o papel de provedor paternalista, acalmando os corações dos incautos.

Desse modo "Governo Americano" passa a ser sinônimo de liberalismo, banqueiros se tornam mais liberais que Hayek, von Mises, Kirzner etc. Como dizer a alguém com essa mentalidade que não vivenciamos a crise do “neoliberalismo” se para ele os EUA, suas instituições, seus empresários, vivem em plena sintonia com os princípios libertários?

Banqueiros são burgueses, burgueses são liberais, logo Banqueiros são liberais. Se o Governo é americano, e os EUA são liberais, logo o Governo americano é liberal!

Durma com um barulho desse?

Pouco me importa se banqueiros são burgueses ou não, o fato é que eles querem lucro com ou sem Estado. O Governo americano não é liberal, além dos argumentos expostos tanto aqui como no outro artigo, vale lembrar que os Institutos e políticos realmente libertários faziam e fazem críticas vorazes ao andamento da política econômica do país.

Ron Paul, Congressista Republicano pelo Texas, assessorado por Lew Rockwell, presidente do Instituto Von Mises, disse, em 2002, num grande artigo por ele publicado que: “O capitalismo não deve ser condenado simplesmente porque ainda não tivemos capitalismo [Falando dos EUA]. Um sistema capitalista pressupõe uma moeda forte, não um papel-moeda fiduciário e de curso forçado, manipulado por um banco central (instituição listada por Marx como indispensável para se criar um regime comunista). O capitalismo aprecia contratos voluntários e taxas de juros determinadas pela poupança, e não pela criação aleatória de moeda por um banco central. Não se trata de capitalismo quando temos um sistema que é flagelado por regras incompreensíveis sobre fusões, aquisições e vendas de ações, bem como controles salariais, controle de preços, protecionismo, controles burocráticos sobre o comércio internacional, subsídios corporativos, impostos corporativos complexos e punitivos (sim, o governo subsidia e ao mesmo tempo taxa as corporações), contratos governamentais privilegiados para o complexo industrial-militar, e uma política externa controlada pelos interesses das grandes corporações e dos grandes investidores internacionais. Adicione a tudo isso o (des)controle federal centralizado sobre a agricultura, a educação, a medicina, os seguros, o sistema bancário e todo o sistema assistencialista. Isso não é capitalismo!”

E comprovando a veracidade dos Ciclos Econômicos de von Mises, descreveu o que acontecia no seu tempo, que, não por menos, se encaixa com perfeição na atual crise “Quando a bolha está inflando, não há qualquer reclamação. Quando ela estoura, o jogo de culpas começa. Isso é especialmente válido nessa época de vitimização -- em que ninguém quer assumir responsabilidades --, e tudo é feito em grande escala. Rapidamente, tudo se transforma em uma questão filosófica, partidária, social, geracional e, até mesmo, racial. Além de não se atacar a verdadeira causa, toda essa delação e "jogo de empurra" torna mais difícil a resolução da crise e enfraquece ainda mais os princípios sobre os quais se sustentam a liberdade e a prosperidade.

(...)

Bolhas especulativas e tudo o que temos visto são a conseqüência de enormes quantias de crédito fácil, que é criado do nada pelo Federal Reserve. Praticamente não criamos poupança, mecanismo este que é uma das mais significativas forças motoras do capitalismo. A ilusão criada pelas baixas taxas de juros perpetua a bolha e tudo de ruim que lhe é inerente. E isso não é culpa do capitalismo. O problema é que estamos lidando com um sistema de inflacionismo e intervencionismo que sempre produz uma bolha econômica que necessariamente sempre acaba mal.”

Vejam como as coisas são, num dos artigos publicados no site Vermelho.Org se diz, entre outras coisas, que “O governo norte-americano estimulou empresas e consumidores a se endividar e a consumir para estimular, por sua vez, uma economia declinante. E o fez como se não houvesse risco algum." Essa é uma verdade, mas mesmo percebendo a intromissão do governo na economia e sua destrutiva conseqüência, eles “constatam” que vivenciamos a crise do liberalismo. Como há verdadeiro liberalismo com intervencionismo eu não sei!

Esse é o reinado do falso silogismo, "tempo do nosso bom e velho conhecido sofisma". Que argumentação que nada! O que vale é uma conclusão apaixonada e inflamada, recheada de marxismo, mesmo que inconscientemente, onde até mesmo as políticas estatólatras são vistas como liberais e, por sua vez, os lucros dos banqueiros graças ao intervencionismo como a constatação do capitalismo selvagem da burguesia norte-americana!

Pedro Ravazzano

sábado, 4 de outubro de 2008

Founding Fathers, Liberdade Religiosa e meu Anti-Americanismo II

Como expus no outro artigo, a Igreja Católica, ao gozar da liberdade conquistada através da Revolução Americana, por meio dos Pais Fundadores, conheceu um período de grande crescimento, tanto pelo aumento do número de fiéis como pela estruturação, com escolas, universidades, hospitais, que surgiram com o alvorecer dos Estados Unidos da América. Vale lembrar que os Padres católicos também foram beneficiados com o comprometimento do Estado em promover a catequização dos índios, levando a fé cristã, a tradição e a língua inglesa, proposta essa oriunda de Thomas Jefferson, que mesmo não sendo fiel praticante defendia a manutenção de uma sociedade tradicionalmente cristã.

Bento XVI, na sua homília no “Yankee Stadium” de Nova Iorque, lembrou que “Nesta terra de liberdade religiosa, os católicos encontraram não só a liberdade para praticar sua fé, mas também para participar plenamente na vida civil, levando consigo suas convicções morais para a esfera pública, cooperando com seus vizinhos a forjar uma vibrante sociedade democrática.” De fato, na recém fundada federação americana, se instituiu uma realidade muito particular, podemos dizer que foi na terra estadunidense onde a Igreja Católica vivenciou maior liberdade sob um país majoritariamente protestante. Dessa forma, o clero americano pôde acolher com maior zelo os imigrantes de fé romana, principalmente vindos da Irlanda, num primeiro momento, e depois da Itália, Polônia e Alemanha, assim como sedimentar uma forte presença no país, seja através de instituições ou por meio do crescente número de vocações.

Essa liberdade propiciou não só a difusão do catolicismo e seu fortalecimento, tornando-se a maior denominação cristã dos EUA, mas também a criação de uma sociedade onde o cristianismo passou a ser fator determinante nas decisões e no espírito. Falando ao Presidente dos EUA o Papa cementou que “Desde o amanhecer da República, a busca da América pela liberdade foi guiada pela convicção de que os princípios que governam a vida política e social estão intimamente ligados à ordem moral baseada no domínio de Deus, o Criador. As marcas dos documentos de fundação desta nação foram feitas sobre esta convicção, quando proclamaram o «self-evident truth», segundo o qual todo homem é criado de forma igual e com direitos inalienáveis, fundamentados nas leis da natureza e do Deus da natureza.” A liberdade, tão ardorosamente defendida pelos Pais Fundadores, não foi a ratificadora do relativismo, do subjetivismo moral. Vale frisar que esse princípio não entra no mérito teológico, apenas estimula um sadio ambiente no qual se insere uma diversidade de crenças que goza de toda a autonomia para defender aquilo que considere verdade. A liberdade, como defendida pelos Founding Fathers, não renega o legado tradicional dos povos e os ensinamentos cristãos oriundos dos primeiros habitantes da América Anglo-Saxônica. Tanto é que Thomas Jefferson, quando foi Ministro norte-americano na corte parisiense, contemporâneo da Revolução Francesa, criticava o radicalismo adotado pelos revolucionários. Quando em conversas com os Patriotas (Reformadores) franceses, incluindo o seu amigo Marques de Lafayette, o mesmo que lutara nos EUA, defendia que deveriam apenas limitar a monarquia, conseguindo uma revolução nos moldes da inglesa. Jefferson não via na França uma república exitosa. Dizia: “Sêde moderados; conseguí o que puderdes sem violência; estimulai o Rei a caminhar serenamente pela estrada que conduz a um governo toleravel e razoavel”. Quando o Monarca iniciou o processo de reforma, ele, Thomas Jefferson, viu a consolidação do verdadeiro ideal revolucionário, entretanto, infelizmente, isso não parou o radicalismo; “aqui se perdeu outra ocasião preciosa de poupar à França os crimes e as crueldades que ela sofreria dalí em diante, bem como à Europa e finalmente à América os males que se precipitariam sobre elas dessa fonte mortal”.

O então Cardeal Ratzinger nunca escondeu suas expectativas a respeito do alto grau de importância que a comunidade americana passaria a ter dentro do catolicismo. O ex-Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé via na nação americana uma das bases fundamentais da Igreja Católica. Hoje já é perceptível o acentuado comprometimento dos leigos católicos, assim como a constante reforma da mentalidade do clero estadunidense que, desde a década de 70, se viu invadido por uma onda de relativismo. O resgate da Tradição fomentou o reflorescimento dos seminários, das Congregações, das Ordens, até da vida paroquial. Da própria espontaneidade da comunidade surgem iniciativas grandiosas e pertinentes, como novas Universidades, Escolas e Hospitais, fundados por católicos conscientes e submissos.

Essa incondicional entrega dos católicos leigos, que foram peças chaves na manutenção da ortodoxia no momento mais crítico da Igreja americana, é reflexo do espírito cristão arraigado na formação mais primitiva do homem americano. O Presidente George W. Bush, em saudação a Bento XVI, disse que “Quando (...) nossos Fundadores declararam a independência de nossa nação, eles lançaram sua causa no apelo às “leis da natureza, e do Deus da natureza”. Acreditamos na liberdade religiosa. Acreditamos também que um amor pela liberdade e uma lei moral comum são escritas em cada coração humano, e que estes constituem a firme fundação na qual cada sociedade livre bem sucedida deve ser construída.” Se faz pertinente lembrar que esse ethos cristão nasceu de um comprometimento pessoal de cada americano, ou como nas palavras de Ratzinger “O reconhecimento desta orientação religiosa e moral básica, que foi além das denominações singulares e definiu a sociedade a partir de dentro, reforçou o corpo da lei. Ele definiu os limites da paz individual a partir de dentro, criando, desta forma, as condições para uma paz comum compartilhada”.

O catolicismo floresce nos EUA; Legionários de Cristo, Opus Dei, Fraternidade de São Pedro, Cônegos Regulares de São João Câncio, TFP. Inclusive para o falecido fundador dos Legionários de Cristo, o mexicano Pe. Marcial Maciel, LC, o futuro da Igreja no mundo se encontra, com muita força, no profundo desenvolvimento de elites intelectuais nos Estados Unidos. Surge então o “New Catholicism” encravado no “Bible Belt”, nos estados tradicionalmente protestantes e/ou nas regiões WASP (White, Anglo-Saxon, Protestant), principalmente devido ao resgate das Tradições, da piedade e fidelidade. Ente os vários exemplos é importante citar a “Ave Maria University”, fundada por Thomas Stephen, o dono da Domino’s Pizza, uma Universidade tradicionalmente católica. Outro bom exemplo é a EWTN, a maior rede católica de notícias do mundo, fundada por uma freira clarissa do estado do Alabama. Esse alvorecer católico é movimentado por sinceras conversões ou pela redescoberta do legado da Igreja de 2000 anos, engraçado que boa parte dos responsáveis são jovens que não se alinham ao relativismo e a onda modernista que assolou os ambientes religiosos, acadêmicos, políticos, nas décadas passadas.

Esses jovens, esses novos movimentos, estão em perfeita sintonia com as heranças dos primeiros católicos e com o legado cristão do Pais Fundadores. Ademais, vale frisar que, como disse Bento XVI aos Bispos americanos, “nos Estados Unidos, ao contrário de muitos países europeus, a mentalidade secular não foi colocada como intrinsecamente oposta à religião. Dentro do contexto da separação entre Igreja e Estado, a sociedade estadunidense sempre foi marcada por um respeito fundamental pela religião e de seu papel público e, se quisermos acreditar nas sondagens, o povo estadunidense é profundamente religioso. Mas não é suficiente contar com essa religiosidade tradicional e comportar-se como se tudo fosse normal, enquanto suas bases estão lentamente se corroendo. Um sério compromisso no campo da evangelização não pode prescindir de um diagnóstico profundo dos desafios reais que o Evangelho encontradiante da cultura contemporânea.” De fato, esse é o maior objetivo da comunidade católica americana. Ela precisa reacender a chama que ainda existe nas pilastras fundamentais da nação. Diferentemente da Europa, onde o seu legado cristão é corroído e destruído, os EUA ainda atestam a sua origem histórica sobre a fé, se essa relação ainda é vivida de forma sincera e incondicional, é algo a ser discutido, entretanto, o simples fato de se veincular todo um país ao espírito cristão, mesmo com as fortes investidas do relativismo anti-cristão, é louvável e digno de admiração, além disso, essa origem deve ser reforçada através do resgate da constante adesão, muito mais que uma formalidade cultural e tradicional a essa herença tão arraigada. O Papa, enquanto Cardeal Ratzinger, disse que “há um sentimento mais claro e mais implícito na América do que na Europa, de modo que a fundamentação religiosa e moral, legada pelo cristianismo, é maior do que qualquer denominação particular. A Europa, diversamente da América, está num ciclo de colisão com sua própria história. Com freqüência ela proclama uma negação quase visceral de qualquer possível dimensão pública para valores cristãos”

Nas palavras do Papa, em discurso aos Bispos americanos; “A América é também terra de grande fé. Seu povo é bem conhecido pelo fervor religioso e é orgulhoso de pertencer a uma comunidade fiel. Tem confiança em Deus e não hesita em introduzir nos temas públicos razões morais enraizadas na fé bíblica.” Sem dúvida alguma esse espírito é conseqüência imediata da influência cristã presente na formação da nação americana. Muitas vezes pretendem fazer uma dicotomia entre esse pretenso cristianismo estadunidense e a liberdade religiosa, como se fossem realidades opostas e distintas. É claro que o cristianismo em sua mais pura tradição não comporta o relativismo religioso e moral assim como o subjetivismo teológico. Não obstante, a liberdade religiosa como exposta pelos Pais Fundadores, e também pelo Magistério católico, em nada se distancia da afirmação radical da Verdade, apenas atesta a legalidade de se cultuar a Deus de maneira livre e independente, uma defesa muito sincera da consciência e da real adesão de fé, que deve ser reflexo imediato da mais pura entrega e conversão do coração. Como disse Bento XVI; “A “ditadura do relativismo”, em poucas palavras, è simplesmente uma ameaça à liberdade humana, que amadurece somente na generosidade e na fidelidade à verdade.”

Talvez a síntese dos EUA se encontre na fusão dessas duas memoráveis frases, uma de Tocqueville, autor muito admirado por Bento XVI, e outra de Patrick Henry, um dos revolucionários americanos;

Tocqueville: “Le despotisme peut gouverner sans la foi , mais pas la liberté.”

Patrick Henry: "Give me Liberty, or give me Death!"

Pedro Ravazzano