quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Pais responsáveis e crianças piedosas*


*Obviamente esse título é uma ironia!

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Até me envergonho de colocar esse vídeo aqui, mas é necessário. Que o mundo olhe os frutos da decadência moral e espiritual da Civilização Ocidental.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Não aguento mais!


Na última reunião da ONU, havia o limite de 15 minutos para cada chefe de Estado discursar. Mas o "Cháves" da Líbia, no melhor estilo de Fidel Castro, Muammar Kadafi (foto ao lado), demorou nada menos que 1 hora e 35 minutos para falar suas abobrinhas.

Depois de 75 minutos, o intérprete encarregado pela tradução simultânea exclamou aquilo que estava na garganta de muitos: "Não aguento mais!".

Lula na ONU




Anti-intervencionismo de Lula

Em seu discurso na abertura da Assembléia-Geral da ONU, no dia 23, em Nova York, Lula criticou o embargo econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba, que ele considera “anacrônico”.1

Sobre Honduras, Lula defendeu a restituição imediata do cargo ao presidente deposto, Manuel Zelaya, e ainda conseguiu afirmar que o Brasil é neutro no conflito.2

Como não podia faltar, rogou pela existência do Estado palestino.2

Ingenuidade ou cumplicidade?

Ainda no dia 23, Lula recebeu a visita do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. Confirmou a visita deste ao Brasil em novembro e acrescentou que irá ao Irã no fim de 2010. Sobre o programa nuclear do Irã, Lula defendeu que o país tenha direito de usar a energia apenas para fins pacíficos.3

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Fontes:
1. O Estado de S. Paulo, 18 de setembro de 2009.
2. O Estado de S. Paulo, 24 de setembro de 2009.
3. O Estado de S. Paulo, 23 de setembro de 2009; O Estado de S. Paulo, 24 de setembro de 2009.

domingo, 27 de setembro de 2009

O folheto "O Domingo" e suas heresias

Eu acho que os editores do folheto "O Domingo" pensam em como se superar a cada Missa, e conseguem. As semanas passam e as heresias pioram. Vou até iniciar uma campanha visando encontrar uma melhor utilidade para o semanário, porque sem sombra de dúvidas aquilo ali é qualquer coisa menos um folheto litúrgico.

No comentário aos ritos inicias se encontra:
"O Espírito de Deus sopra onde quer e não está preso a nenhuma instituição. Deus age livremente e pode se servir dos instrumentos que menos se esperam"
Obviamente, o que fundamenta essa afirmação é o mais genuíno relativismo religioso. Existe a clara pretensão de ensinar que a Igreja Católica, a instituição referida, não é, em concreto, a Esposa de Cristo, edificada pelo Senhor e governada pelo Espírito Santo. Que Deus pode agir onde quer, isso é fato, mas que Ele erigiu uma instituição visível e invisível responsável por guardar a fé, também é fato. Como Deus não se contradiz, seria absurdo pensar que Ele promove, revela e agracia crenças opostas e contrárias. Mas as coisas pioram, o comentário continua:
"A páscoa de Jesus se realiza nos grupos e pessoas que, independentemente de credos, se doam em favor dos pequenos e procuram realizar o bem em meio à sociedade."
Cristo foi o fundador de uma ONG e eu não sabia. Quer dizer que a páscoa de Jesus se faz num mero assistencialismo materialista? Ora, onde entra a conversão, a busca pela experiência em Deus, a necessidade de oração e vida espiritual? Não entra. O importante é enxergar a religião como ferramenta libertadora, isso justifica a visão rasa e herética da "páscoa de Jesus", como se a morte e ressurreição de Cristo se "realizassem" numa perspectiva material e mundana. Então a Encarnação e Crucificação do Senhor não visavam a salvação plena do homem, a abertura das portas do Céu, mas sim a transmissão de um simples projeto de cunho social? Isso que é redução do sobrenatural. Toda essa baboseira herética ainda é confirmada no comentário à Liturgia da Palavra:
"Pode haver profetismo ligado a uma instituição, mas existem outro não menos verdadeiros, reconhecidos por Moisés e por Jesus. A defesa dos pequenos e a vivência da justiça transcendem instituições e crenças"
Acha que acabou? Não, tem mais! Pe. Nilo Luza, SSP, coroou sua coluna com relativismo sangue puro. O Sacerdote diz:
"Ninguém tem o monopólio do bem, nem mesmo uma instituição religiosa. Fazê-lo está ao alcance de qualquer um, seja cristão ou não, seguidor de Jesus ou não. Onde houver alguém promovendo o bem, aí se encontra a mão de Deus agindo. "
Até podemos fazer uma leitura ortodoxa desse trecho, mas conhecendo bem a forte presença da Teologia da Libertação na Sociedade São Paulo seria inocência acreditar nas boas intenções. De fato, tal afirmação parte de uma compreensão relativista que ataca todo a eclesiologia tradicional e correta. Claro que o bem pode ser praticado tanto por crentes como infiéis, mas isso não desabona a certeza de que a Igreja "monopoliza" a Verdade por ter sido instituída pela própria Verdade. Em seguida o Pe. Nilo faz uma citação:
"A perene tentação dos que creem é a de sequestrar a Deus, monopolizá-lo para si, para seu uso e consumo, enquadrá-lo em suas certezas teológicas, exauri-lo em suas instituições eclesiásticas, esquecendo-se de que sua ação salvífica não se exaure entre as funções visíveis de sua Igreja e que sua graça transborda e chega até nós por muitos outros canais além dos sinais sacramentais tradicionais"
Isso poderia ter sido retirado de qualquer documento e texto protestante, afinal reproduz a típica mentalidade relativista dos adeptos da "Reforma" na forma de enxergar a estrutura da Igreja e sua existência concreta. Entretanto, esse trecho é original dos comentários ao Missal dominical, editado pela Paulus.

O relativismo se encontra firme e forte na Sociedade São Paulo e em todas as suas publicações.

Beato Tiago Alberione, rogai por nós!

O que motiva o apoio de Lula a Zelaya?

Algum desavisado pode ficar sem entender a defesa tão apaixonada que o governo Lula faz de Zelaya. De fato, Lula sempre se mostrou morno e apático frente aos conflitos e crises mundiais. Tamanha inércia era justificada como defesa da soberania dos povos. A Venezuela de Chavez destruir a democracia e instaurar uma verdadeira ditadura, soberania dos povos, o Irã de Ahmadnejad incentivando a discussão anti-Holocausto e respondendo com violência aos protestos civis, soberania dos povos, a Suprema Corte e o Congresso de Honduras convocando as Forças Armadas para depor constitucionalmente o Presidente, opressão reacionária contrária aos anseios democráticos!

Lula nunca foi tão radical no posicionamento diplomático. Sequer dialoga com o governo interino de Michelleti - como segundo da hierarquia republicana hondurenha, presidente do Congresso, foi empossado depois da deposição de Zelaya. Presidente interino e Presidente deposto são do mesmo partido, Partido Liberal de Honduras.

Para entender o posicionamento do governo Lula é muito simples, só ler a Declaração Final do XV Encontro do Foro de São Paulo, realizado de 20 a 23 de agosto na Cidade do México.
"Décimo quinto. El XV Encuentro del Foro de Sao Paulo aprobó un plan de trabajo para el próximo año que se propone:

1. Acompañar los gobiernos progresistas y de izquierda, organizando un debate e intercambio permanente de información entre los dirigentes de los partidos del FSP sobre la evolución de la situación en América Latina y de los gobiernos de la región creando para ello un Observatorio de Gobiernos de Izquierda y Progresistas.

2. Apoyar decididamente a la izquierda hondureña en los términos de la resolución particular aprobada por este XV Encuentro.

3. Contribuir a fortalecer los movimientos sociales, así como la plena articulación de éstos con los pueblos indígenas y originarios en América Latina y el Caribe.

4. Forjar y consolidar, en cada uno de nuestros países, la unidad de las fuerzas políticas y sociales que están por el cambio por el progreso, la justicia y la democracia participativa

5. Fortalecer los partidos y movimientos sociales y políticos con mecanismos de efectiva democracia interna, formación de generaciones de recambio y firmes vínculos con los movimientos y dirigentes populares, desarrollando con éstos un trato horizontal e integrador. Promover la unidad de las fuerzas políticas y sociales que están por el cambio como base para la victoria, impulsando la lucha de ideas contra el capitalismo y espacios de unidad de acción que favorezcan la unidad.

6. Apoyar los procesos electorales de 2009 y 2010, con dos objetivos: no ceder ningún gobierno a la derecha y ampliar los espacios de la izquierda. Para ello, se ha resuelto enviar observadores electorales.

7. Poner especial atención a la situación de México, Colombia y Perú realizando a lo largo de 2010 una reunión del Grupo de Trabajo en cada uno de estos países, con el objetivo de debatir las respectivas situaciones nacionales y lo que puede hacer el Foro de São Paulo en términos de apoyo efectivo;

8. Convocar a un gran Encuentro Continental de los Movimientos Sociales y Partidos Políticos populares, progresistas y de Izquierda, integrantes del Foro y de las organizaciones de la sociedad civil, por la paz y contra la presencia militar imperialista en la región, especialmente la instalación de las bases militares de los Estados Unidos en Colombia y la IV Flota.

9. Celebrar un evento cumbre, de carácter continental, donde el tema central y único sea el problema del colonialismo en Nuestra América.

10. Articular la acción del Foro de São Paulo con la lucha de los inmigrantes latinoamericanos y caribeños en los Estados Unidos;

11. Reformar la Secretaría Ejecutiva del Foro de São Paulo, para que en adelante se componga de una Secretaría Ejecutiva indicada por el GT, y por tres secretarías adjuntas indicadas por las secretarías regionales (Cono Sur, Andino Amazónica, Mesoamericana y Caribeña), de acuerdo al resolutivo específico. "
Para ler na íntegra toda a declaração:

http://www.pt.org.br/portalpt/index.php?option=com_content&task=view&id=81039&Itemid=195

sábado, 26 de setembro de 2009

Santos não roubam, assassinam e seqüestram

Link - http://veja.abril.com.br/300909/conversa-com-dom-luiz-flavio-cappio-p-058.shtml

Conversa com Dom Luiz Flávio Cappio

Essa Deus não perdoa

Em 2005, o bispo da diocese de Barra, na Bahia, dom Luiz Flávio Cappio, ganhou os holofotes ao fazer uma greve de fome em protesto contra a transposição do Rio São Francisco. Em 2007, repetiu a dose com o apoio de esquerdistas e artistas de TV. Agora, o bispo volta à cena: quer construir um santuário no local onde o terrorista Carlos Lamarca foi morto, no sertão baiano

Leonardo Coutinho
Marco Aurélio Martins/A Tarde/AE

Dom Cappio em defesa
de um terrorista assassi

O senhor vai erguer um templo para Lamarca?

Farei um santuário para todos os mártires da diocese. Considero mártir quem morre em defesa de uma causa justa e derrama seu sangue por valores evangélicos. O Lamarca é um mártir.

Lamarca optou pelo caminho da violência e matou gente. Isso é evangélico?

Não quero canonizar ninguém. Sei que o Lamarca teve culpas, e não podemos eximi-las, mas quero valorizar o que ele fez de bom.

O que ele fez de bom?

Lutou contra a ditadura. Estou na região há 35 anos e já ouvi histórias terríveis sobre ele. Diziam que comia gente e estrangulava crianças. Eram coisas que a ditadura colocava na cabeça do povo.

Como o senhor vai bancar a obra?

Com recursos de dois prêmios internacionais que recebi por defender o Rio São Francisco.

Quanto o senhor ganhou?

Um valor simbólico.

Mas quanto?

Só posso dizer que dá para começar.

O senhor não tinha nenhuma obra social com que gastar esse dinheiro?

Já fazemos isso. O santuário será um lugar onde gente que foi maltratada pela história poderá ter seus restos mortais depositados e descansar em paz.

Quem serão os outros mártires?

Trabalhadores rurais mortos em conflitos.

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Que Dom Cappio queira criar o martirológio da Teologia da Libertação com assassinos, revolucionários, suicidas e similares, é problema dele, mas que faça isso em alguma denominação cismática. O esforço na desonestidade é gritante e surreal; ao mesmo tempo em que esses hereges ideologizados renegam a Igreja em diversos de seus ensinamentos, precisam dela para confirmar todo o resto que é crido. É uma relação de amor e ódio. Dom Cappio só é Bispo por causa da Igreja que ele desobedece, só é respeitado, reverenciado e coroado com premiações porque é a Igreja que com o peso e autoridade legitima o seu episcopado. Ademais, toda a doutrina, desde a Eucaristia até a divindade de Cristo, se consolida dentro da Igreja. É esta a instituição responsável pela perpetuação do cristianismo, até que chegasse no interior do Brasil, em Guaratinguetá, onde nasceu Sua Excelência Reverendíssima, sendo batizado e educado dentro da fé.

Valores evangélicos? Trair o juramento feito ao país e às Forças Armadas, articular uma revolução armada para submeter a nação a Moscou, sonhar com uma ditadura do proletariado que historicamente foi responsável pelos maiores genocídios da humanidade, assassinar, roubar, seqüestrar, tudo isso é valor evangélico? Mesmo na mais ideologizada das suposições, mesmo que os ideais de Lamarca fossem evangélicos, os meios utilizados passaram bem longe de qualquer mensagem bíblica. Isso é de puro maquiavelismo; os fins justificam os meios. A teologia moral ensina que atos negativos não podem ser praticados visando frutos positivos. Ademais, nem mesmo na perspectiva da "ação de duplo feito" - quando uma ação boa pode gerar efeitos bons, indiferentes e maus independentes dos anseios pessoais - as atrozes atitudes de Lamarca se encaixam, já que havia a clara intenção de promover o caos e o terror.

Dom Cappio reflete a mentalidade infantil e incoerente daqueles que crêem devotamente que os jovens da década de 70 que lutavam contra regime militar eram apenas libertários idealistas, promotores do espírito de liberdade, soldados na luta em favor da paz. Um engano tão estúpido só pode ser fruto ou da desonestidade congênita ou de uma comunhão ideológica. Na prática, sabemos muito bem que todas as células terroristas participavam de um grande projeto revolucionário internacional, dispendioso e financiado pelas mais monstruosas ditaduras da história; China, Cuba, Albânia, URSS etc.

Lamarca e os membros da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) foram responsáveis pelo assassinato do tenente Paulo Alberto Mendes, morto a coronhadas, que havia voluntariamente se rendido e se colocado na condição de refém. Vejamos esse breve relato;
"No dia 10 de maio de 1970, em meio à mata do vale da Ribeira, onde outro grupo de criminosos pretendia montar uma "zona liberada de guerrilha", um outro "tribunal" reuniu-se. O tenente da Polícia Militar de São Paulo, Alberto Mendes Júnior que se oferecera como refém em troca da vida de seus homens, tornara-se um estorvo para os bandidos em sua tentativa de furar o cerco policial-militar. Resolveram matá-lo e como o barulho de um tiro poderia denunciá-los, o fizeram a coronhadas que esfacelaram a cabeça do condenado. O presidente do "tribunal", também promotor, juiz e comandante do pelotão de execução, chamava-se Carlos Lamarca."
Claro que poderia citar diversos assassinatos e seqüestros, mas nada disso importa para aqueles que estão submersos na mentalidade revolucionária. Gente desse tipo já sofre com uma inversão completa de valores e moral. Vejam só, o assassinato, o roubo, o seqüestro, viraram "valores evangélicos"!!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Atriz defende personagem

"As pessoas estão desatualizadas. Sexo está na boca de todo mundo, como bala na boca de criança" (*)

 Assim afirmou Lúcia Berta, atriz que fez a personagem da avó-hippie-moderna que incentivou sua neta a fazer sexo quanto esta falou em casamento. (vide post: Propaganda dos chinelos Havaianas incentiva promiscuidade)

Um dos problemas dessa defesa é que "crianças com bala na boca" estavam vendo televisão quando a avó-hippie deu aquele conselho imoral. Nada mais constrangedor para qualquer pai de família.

Creio que não, mas apenas para tentar me exprimir, se no lar da atriz ou nos estudios de marketing  isso é dito com frequência perto de menores de idade, pelo menos não levem isso para os lares alheios.


(*) Censuraram a vovó do comercial de TV

***

Propaganda dos chinelos Havaianas incentiva promiscuidade


Observação: a análise abaixo diz respeito aos personagens da propaganda e não aos atores que desempenharam os papéis.

Recentemente ocorreu uma polêmica sobre a nova propaganda dos chinelos Havaianas onde uma avó incentiva sua jovem neta a ter uma vida promiscua.

Na cena, sob protesto da avó que vê sua neta usando chinelos dentro do restaurante, a jovem defende o uso da indumentária como um sinal de modernidade: “Deixa de ser atrasada, né, vó!”.

Até aí nada de extraordinário. Cena comum e típica. Abstraindo-se do chinelo, o argumento é conhecido. Ele foi utilizado em quase todo século XX e os maiores disparates ganharam direito de cidadania assim: acusando seus opositores de “anti-modernos”, “atrasados”, “caretas”, etc. A propaganda revolucionária não dispensava essa tática para fazer caminhar a sociedade no sentido da utopia marxista. Tudo quanto era obstáculos a eles logo ficava taxado como anti-moderno. E a mídia a isso tanto ajudou – e ajuda!

A Igreja, a moral, a ética, o papado, as monarquias, os reis, os nobres, os proprietários, as tradições, as elites, a aristocracia, até os sapatos, tudo entrou para o Index Anti-Modernorum Prohibitorum. Quem a isso defendesse estava excomungado pelas leis da modernidade que encaminha a sociedade para uma igualdade cada vez mais radical, uma liberdade total, mas numa fraternidade onde a liberdade não postule desigualdade. Ideal esse tão caro ao antigo morador da casa localizada na Brückenstrasse, nº 664, atualmente nº 10, em Trier, Alemanha.

Os jovens da década de 60, para satisfazer seus caprichos libertários, assim também taxavam seus pais e avós que se calavam envergonhados, como se estivessem diante de um forte argumento. Argumento vazio de idéia, mas cheio de ameaças.

Explico.

Aristóteles ensinou que o Homem é um ser sociável por natureza. A modernidade com suas doutrinas filosóficas loucas e gagás combate esse velho pensador, mas usa uma de suas máximas sociológicas como arma para fazer a sociedade aceitar suas bandeiras. Quando alguém é taxado de “atrasado” fica dito indiretamente algo assim: “Olha, tome cuidado, o mundo não é mais assim, você vai ficar isolado!”.

É a chantagem do isolamento social. E diante da ameaça de ter que cumprir essa pena dolorosa, aplicada a todos que comentem o crime hediondo de contrariar os ventos modernos, a reação do instinto de conservação sugere aos réus da modernidade o famoso “ceder para não perder”. Exemplo disso é o elogio que a velha faz ao chinelo depois que a neta a chama de atrasada. A avó muda até de aparência, desfaz a cara de carrancuda e passa para um sorriso amigável.

A novidade da propaganda vem agora.

Entra em cena um “menino da televisão”. Um jovem que aparenta ter a mesma idade da moça. A avó então diz que a neta “tinha que arrumar um rapaz assim”. Mas a neta contra-argumenta dizendo que devia ser muito ruim casar com alguém famoso. A velha avó que deve ter vivido sua terceira década de vida nos anos 60, pegando em cheio toda aquela revolta sexual, diz com uma voz desolada: “Mas quem falou em casamento, tô falando em sexo!”.

Ao contrário da reação que teria um hippie baderneiro da Woodstock, cujos cantores a avó-hippie deve ter vinis guardados, a neta sorriu desconcertada como quem não esperava tal atitude de uma senhora de idade. Então a velha-avó-hippie conclui o comercial: “Depois eu que sou atrasada?”

Não sei se foi intenção dos marqueteiros, mas ao menos o vídeo demonstra, salvo melhor juízo, certa realidade ao frisar que as gerações mais novas não acompanharam em certo sentido o ardor do prazer suíno da Revolução de 68, a qual a personagem avó-hippie pegou em cheio.

Aquela velha ameaça que um jovem libertário falaria para seus maiores tempos atrás, agora uma velha libertária fala para seus menores. O mundo gira mesmo! O pêndulo do velho relógio da História está voltando para o outro lado.

Em todo caso, o comercial passava durante o dia e inúmeras crianças assistiram ao convite da avó-hippie. Novamente a mídia acolitando a Revolução cultural.

Veja o comercial:



A propaganda, a contragosto dos produtores, não é mais transmitida pela TV por causa dos inúmeros protestos que recebeu. A prova do desgosto deles é a mensagem televisiva que eles colocaram no lugar:


¿Por qué no te callas, Casaldáliga?

http://www.cnbb.org.br/ns/modules/news/article.php?storyid=1828 - Leiam como mortificação de Sexta-feira!

Chega a ser piada; "Bispos brasileiros expressaram solidariedade ao povo hondurenho"

Mas o povo hondurenho, em sua esmagadora maioria, não defende o novo governo e apóia a deposição constitucional de Zelaya? Esse é o velho papo de querer ensinar o povo a ser povo. Como os Bispos do Brasil são "povocêntricos" - tudo para o povo, do povo e com o povo - respaldam sua opinião ideológica numa fictícia solidariedade aos hondurenhos. De fato, não estão interessados na manutenção da ordem, do Estado de direito e do império da lei, apenas tomam uma posição a partir de uma análise política-partidária da crise. Pouco importa o Parlamento e a Suprema Corte de Honduras, os dois poderes republicanos que convocaram as Forças Armadas. Defender Zelaya e recolocá-lo no poder seria a concretização dos anseios chavistas, afinal triunfaria o poder Executivo à custa do menosprezo à Carta Magna do país e aos dois outros poderes da República.

Para que plebiscito "bolivariano" quando toda a comunidade internacional se coloca contra o sistema republicano hondurenho, sua Constituição e sua Suprema Corte?













quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Alguém se importa com a Constituição de Honduras?

Por Pedro Ravazzano

Todo o esforço gasto no combate ao novo regime republicano hondurenho – chamado de “golpista” pela primorosa mídia brasileira – é sintoma da febre democrática que de tão acentuado gerou delírio. Que a democracia é um regime de governo louvável, todos nós sabemos, mas que não é por si só medida suprema da justiça e verdade, nem todos sabem. O poder democrático não é absoluto por natureza. Ou será que tudo o que se respalda na maioria popular é sensato? Seriam, então, as atrozes atitudes hitleristas menos atrozes apenas por gozarem do
placet da sociedade alemã? Seria Chavez menos ditatorial apenas por ter um ilusório apoio popular?


Honduras vive um momento muito importante de amadurecimento democrático. A deposição de Zelaya foi reflexo do fortalecimento das instituições republicanas. De fato, o presidente derrubado foi eleito em eleições válidas e democráticas. Depois de aliciado pela força chavista, Zelaya adotou toda a mentalidade populista e revolucionária do ditador venezuelano. Assim, como pede a moda latino-americana atual, orquestrou uma reforma constitucional a fim de permitir eleições ininterruptas. Como bem sabemos, a permanência no poder é parte integral de um projeto de desconstrução da própria democracia, a coroação do totalitarismo de cunho socializante.

O então Presidente de Honduras, Zelaya, se chocou, então, com uma Constituição clara na condenação das suas pretendidas reformas e com forças republicanas – Congresso e Suprema Corte – radicalmente contrários aos projetos ditatoriais. A Constituição hondurenha atesta:
"ARTIGO 4 - A forma de governo é republicana, democrática e representativa. É exercida por três poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário, complementares e independentes e sem relações de subordinação.

A alternância no exercício da Presidência da República é obrigatória. A infração desta norma constitui delito de traição à Pátria.

ARTIGO 42 - A qualidade de cidadão se perde:

(...)

5. Por incitar, promover ou apoiar o continuísmo ou a reeleição do Presidente da República”
O Congresso e a Suprema Corte, com o poder constitucional que gozavam, convocaram as Forças Armadas para proteger a ordem e o Estado de Direito. Com a Carta Magna hondurenha em mãos o exército depôs Zelaya através de uma ação democraticamente válida e constitucionalmente correta. Entretanto, alguém se importa com a Constituição de Honduras? Lula, Obama, Hilary Clinton, OEA, ONU etc, alguém? Se Honduras é um país soberano, a sua Constituição é também soberana na definição da política nacional. Entretanto, a imposição do nome de Zelaya na presidência é feita na contramão da Carta Magna, opondo-se ao império da lei. (O mesmo Lula, Obama, Hillary Clinton, OEA, ONU etc que não despendem tanto esforço na condenação aos paredões, prisões políticas e falta de liberdade em Cuba)

Em concreto, não há um apreço à democracia por parte dessa casta latino-americana. Como foi dito, a democracia e o seu delírio surgem como um belo pano de fundo na fundamentação dos mais totalitários regimes. A democracia não é essencialmente verdadeira, do contrário haveria sentido em destruir a própria democracia apenas com o respaldo nos anseios populares. Seria a democracia, então, antidemocrática? Na América Latina “democracia” se tornou a palavra padrão dos regimes totalitários e socializantes. É em seu nome que Chavez, Morales, Correa e até Lula defendem o presidente deposto por combater a Constituição nacional? Os paradigmas bolivarianos de democracia se encontram acima da soberania dos países e das suas Cartas Magnas?

Honduras não tem mais liberdade na defesa da ordem e do Estado de Direito. Os seus poderes republicanos não gozam mais de autonomia na interpretação e prática das normas constitucionais. A própria Constituição não tem mais independência na definição da vida política e social da nação. Pobre Honduras! Em nome da democracia querem destruir a liberdade democrática que reina nas suas terras.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Padre Pio e as estratégias de Deus

Fonte: Tradición y Acción
Tradução Livre: Vladimir Lachance

Hoje a Igreja celebra o dia de São Pio de Pietrelcina, um grandioso santo do século XX. Em homenagem, traduzimos um texto do site Tradicíon y Acción que relata um grande milagre deste maravilhoso santo. Segue o texto:
***
Uma das múltiplas formas de intervenção divina nos acontecimentos humanos, para atrair as almas para o bem e apartá-las do mal, são os milagres.

Uma resposta de Deus à impiedade revolucionária

Em nossa época de impiedade e amoralidade avassaladoras, poderia supor-se que os feitos milagrosos fossem raros ou quase inexistentes. Mas, é justamente o contrário: desde que a Revolução Francesa fez do agnosticismo e do ateísmo uma verdadeira “religião do Estado”, vêm ocorrendo, a maneira de réplica divina à irreligiosidade revolucionária, os maiores milagres da história da Igreja. Vejamo-los:

1. As mais de 7.000 curas inexplicáveis em Lourdes, iniciadas em 1858 e que continuam até hoje, constituem, como dizia o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, um milagre “por assim dizer, em série e a título permanente”;

2. As imagens em negativo do Santo Sudário de Turim, captadas pelo fotógrafo turinês Secondo Pia em 1898, apontaram provas concludentes da veracidade da Paixão e morte de Jesus Cristo e do “milagre dos milagres”, sua Ressurreição. E desde então o precioso Sudário não deixa de surpreender com provas adicionais de sua autenticidade, obtidas através de novas especialidades da ciência;

3. Já no século XX o chamado “milagre do Sol”, ocorrido em Fátima aos 13 de outubro de 1917 para certificar a veracidade das aparições da Santíssima Virgem, foi visto por mais de 100 mil espectadores, o maior número de testemunhas diretas de um milagre em toda a História da Igreja. Foi, ademais, o único milagre da História anunciado com dia e hora;

4. Quando caiu a primeira bomba atômica sobre Hiroshima, aos 6 de agosto de 1945, vários sacerdotes jesuítas que se encontravam a menos de 1000 metros do centro da explosão, particularmente devotos à Virgem de Fátima, sobreviveram à hecatombe de maneira absolutamente milagrosa, sem ter sofrido o menor dano físico. Sua residência foi o único edifício que permaneceu em pé, numa área de 12 km2. [1]

Março de 2008: a grande surpresa do Padre Pio

Estes e outros memoráveis prodígios ocorreram nos séculos XIX e XX. Mas, poderão ocorrer feitos assim no nosso século XXI?

Respondemos: sim, definitivamente. Tanto as curas de Lourdes, como as obtidas por intercessão de santos ou fiéis defuntos em processo de beatificação ou canonização, prosseguem sem interrupção neste terceiro milênio.

Um exemplo estupendo desta ação sobrenatural ofereceu o Padre Pio de Pietrelcina, religioso capuchinho falecido em 1968 depois de uma vida sulcada de feitos prodigiosos, entre os quais ter recebido em seu corpo os estigmas da Paixão de Cristo. Canonizado pelo Papa João Paulo II em 2002, ao cumprir-se o 3 de março de 2008 (40 anos de sua morte) seu cadáver foi exumado, e, ante o assombro da multidão presente – entre eles o Arcebispo de São João Rotondo, Mons. Domenico D’Ambrosio e vários médicos forenses -, seu rosto e mãos apareceram maravilhosamente incorruptos, como os de um homem que acaba-se de adormecer poucos momentos antes.

O extraordinário feito se soma à larga lista de prodígios obrados pelo Padre Pio no século atual, um dos quais sobressai por seu especial significado.

Quando tudo parecia perdido...

Pesceana é um remoto povoado da Romênia, nos confins da Europa oriental. Seus habitantes são em sua maioria da religião greco-cismática, chamada “ortodoxa”. O sacerdote cismático local, Victor Tudor, ali residia com sua mãe setuagenária, Lucrecia, que no ano de 2002, sentindo-se mal de saúde, se submeteu a exames médicos. Foi-lhe diagnosticado um tumor canceroso no pulmão esquerdo, e anunciaram-lhe que teria poucos meses de vida.

O padre Victor comunicou o triste feito a seu irmão Mariano, pintor e restaurador de obras de arte residente em Roma, e este acudiu a um dos cirurgiões mais famosos do mundo (que operou - entre outras celebridades - Bill Gates). O médico lhe disse: “Manda vir a sua mãe a Roma e farei tudo para salvá-la”. Mas, ao examiná-la, considerou que seu mal não tinha cura. Desistiu de operá-la, e só pode indicar-lhe alguns remédios para mitigar as dores que a esperavam.

Mariano decidiu então reter em Roma a sua mãe pelo tempo que lhe restasse de vida. Ele trabalhava na restauração de mosaicos de uma igreja romana. Começou a levar Lucrecia a seu trabalho, para não deixá-la só em uma cidade que lhe era completamente estranha.

Na igreja há uma grande imagem do Padre Pio. A senhora se sentia misteriosamente atraída por aquele personagem do qual nada sabia, e Mariano foi lhe contando a história do franciscano, seus estigmas, seus milagres. Ela, impressionada, passava os dias sentada largas horas diante daquela imagem. Além disso, absorta, lhe falava a meia voz, como a uma pessoa real e concreta. Assim transcorreram várias semanas, até que Mariano a levou a um hospital para seus controles. E então veio a surpresa: para assombro dos médicos, o tumor havia desaparecido completamente. Lucrecia estava curada! Emocionada, não duvidou um instante em atribuir sua cura àquele frade barbado de olhar penetrante, a quem havia confiado suas penas.

Fruto do milagre: conversão coletiva dos cismáticos

Ao inteirar-se da súbita cura, o padre Victor não cabia em si de admiração e gratidão. “Comecei a ler a vida do santo italiano. Contei aos meus paroquianos o que havia sucedido”. Todos quiseram então saber mais deste santo católico tão poderoso. “Líamos tudo que encontrávamos sobre ele. Sua santidade nos conquistava”, diz o sacerdote. “Outros enfermos de minha paróquia receberam graças extraordinárias do Padre Pio... Entre minha gente se espalhou um grande entusiasmo, e pouco a pouco, decidimos fazer-nos católicos”. O passo da religião cismática à Igreja Católica não foi sem tropeços; mas o Pe. Victor e seus paroquianos estavam decididos, e foram até o fim. Agora estão empenhados em construir um templo católico no povoado, dedicado ao Padre Pio. No 27 de novembro passado (de 2008) o Arcebispo de Alba Julia, Mons. Lucian Muresan, presidente da Conferência Episcopal da Romênia, assistiu à colocação da primeira pedra, junto com a agradecida Lucrecia, completamente curada.

Que lições nos deixa este milagre? – Primeiro, se seu principal efeito tem sido a conversão à fé católica de uma paróquia cismática inteira com seu pároco encabeçando, com essa cura o Padre Pio nos da uma lição de verdadeiro ecumenismo. O qual não consiste em acercar-se dos membros de outras religiões buscando somente semelhanças com eles e ignorando – por sentimentalismo, respeito humano ou falsa prudência – os erros que os separam da verdadeira Fé, mas sim em fazer resplandecer com convicção, ufania e tato a divina superioridade da Igreja Católica, única Igreja verdadeira do único Deus verdadeiro; ou seja, em mostrar que só dela pode vir o sopro de vida que regenerará a Terra.

Mas também, o desenlace do maravilhoso feito deve-nos induzir a confiar em que, por maiores que sejam os perigos que ameaçam em nosso século à Barca de Pedro, Jesus Cristo não deixa de assistir a sua Igreja, conforme a promessa que Ele mesmo fez de protegê-la até o fim dos tempos (Mt. 28, 19-20); e, se necessário, cumprirá essa promessa de maneira milagrosa, até levá-la ao esplendoroso triunfo anunciado em Fátima.

[1] www.corazones.org/articulos/testimonios/rosario_bombaatomica.htm

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O Dep. Bassuma e a Cultura de Morte

Por Pedro Ravazzano

O Dep. Bassuma (PT-BA) desponta como um dos maiores políticos pró-vida da história da República. Podemos afirmar que a sua luta é contra aquilo que S.S João Paulo II chamava de “cultura de morte.” Se, por um lado, ficamos contentes em saber que o Parlamento tem um consciente soldado da vida, por outro lado nos entristecemos ao constatar, com pesar, que representantes católicos não encarnam com tanto afinco o apostolado contra o aborto. Ademais, muitos são os religiosos e fiéis que partindo do relativismo religioso e moral camuflam a defesa da interrupção da gravidez num discurso embebido em clichês de cunho socializante. A própria Conferência dos Bispos do Brasil fez uma defesa fraca da vida na Campanha da Fraternidade de 2008; “Fraternidade e Defesa da Vida”, com o lema “Escolhe, pois, a vida.”


Algumas pessoas enxergaram contradição no PT; relevou os casos de corrupção enquanto puniu com todo o rigor um parlamentar que apenas lutava em defesa da vida. Eu, sinceramente, não vejo nenhuma antítese, ao contrário, tais atitudes fazem total sentido e estão em plena consonância. O projeto de poder construído pelo Partido dos Trabalhadores perpassava pela obrigatoriedade de tomar as estruturas e instituições republicanas. A corrupção, dentro da mentalidade ideológica, não desponta como um artifício imoral – vamos partir da premissa de que há senso moral objetivo dentro das fileiras petistas -, mas sim como uma ferramenta lícita para a concretização de um alvorecer. De fato, é o mesmo raciocínio revolucionário do séc. XX.

O relativismo moral é peça chave no projeto de poder, afinal ele desconstrói tudo aquilo que a sociedade entende como natural. A promoção do liberalismo social é parte integrante de toda a revolução. Quando a idéia do direito natural é retirada da comunidade, os indivíduos ficam à mercê de um Estado todo-poderoso que define os padrões morais e comportamentais. A luta contra o aborto enfatiza a defesa de valores fundamentais, se origina da premissa basilar de que existe, em concreto, um norte moral. Sem dúvida alguma é uma batalha que impede o fortalecimento do relativismo. Ademais, vale frisar que a destruição do arcabouço moral da sociedade é um objetivo antigo e já coroado no desenrolar da história revolucionária. Antônio Gramsci, um destacado intelectual do comunismo europeu, havia pontuado que a hegemonia política da “burguesia” era reflexo da direção intelectual e moral. Portanto, o sucesso revolucionário surgiria da reforma cultural e moral. O mais importante pilar de sustentação da Civilização Ocidental, o pilar cristão, deveria ser derrubado e, com isso, as duas outras pilastras – filosofia grega e direito romano – cairiam em sequência.

Ora, não é de estranhar que um partido dentro de especto ideológico da esquerda alimente tão enfaticamente o aborto. Além da sua descriminalização fortalecer o poder do próprio Estado, ainda há o fato de que a causa feminista é plenamente instrumentalizada e transformada em massa de manobra dentro do jogo político. O PT e o governo Lula não estão interessados na quantidade de mulheres mortas nas clínicas de aborto clandestino – clínicas abertas com verba repassada por grandes Fundações e ONGs que promovem o aborto em todo o mundo. A real motivação dessa bandeira é a entronização do relativismo moral na sociedade brasileira, uma grande vitória da ideologia; a coroação do Estado Absoluto que com a força do braço legaliza o que o povo brasileiro, em sua maioria, condena. Entretanto, para o sucesso da incursão vale tudo, até mesmo falsear estatísticas, como fez o Ministro da Saúde que transformou menos de quinhentos óbitos maternos em “milhares de mortes.” De fato, é um dado preocupante, mas não é caso de saúde pública como pretende pintar a política atual governista.

A luta pessoal do Dep. Bassuma é muito grandiosa e importante para se encontrar submetida a um partido que não apenas não a entende como a combate. O Partido dos Trabalhadores não é digno o suficiente para ter nas suas fileiras um soldado da vida tão consciente da batalha. O parlamentar baiano – que é espírita – é exemplo para todos os cristãos, em destaque os católicos. Quantos são os fiéis que vivem apaticamente a religião, com uma crença submersa no genuíno relativismo? Como é penoso perceber que muitos são os religiosos e teólogos que, descaradamente, defendem o aborto de forma mitigada, envolvendo o discurso nos clichês de cunho social. Estes são católicos que preterem a moral e os ensinamentos da Igreja pela fidelidade ideológica, agentes conscientes do projeto revolucionário. Por isso que são promotores do politicamente correto da fé, onde viver honestamente a sua crença, sendo fiel aos preceitos fundamentais da religião, passa a ser visto como radicalismo. Obviamente, uma religião açucarada, humilhada por teologias liberais, transformada em ferramenta de “libertação” - sinônimo da visão rasa, simplória e socializante de “justiça social” – é interessante para o fortalecimento do sentimento relativista junto ao povo.

Que vergonha Bettos, Boffs e Gebaras! Enquanto se calam frente ao poder triunfante de uma ideologia e de um partido, o Dep. Bassuma, que diferentemente de vocês não professou votos perpétuos em fidelidade a Cristo e à Sua Igreja, vai bravamente a julgamento por não macular e deformar a luta contra a interrupção da gravidez! Que irônica inversão! O parlamentar formado dentro do PT encarna com mais coragem o apostolado em defesa da vida do que certos religiosos católicos muito ocupados na promoção do relativismo religioso e moral.

domingo, 20 de setembro de 2009

Lady GaGa e Dostoievski

Lady GaGa - conhecida pelas suas excentricidades - ganhou o prêmio de "artista revelação" no Video Music Awards, a premiação dada pela MTV aos músicos do ano. A MTV é o ápice do politicamente correto liberal, reproduz os típicos clichês defendidos por uma casta ideológica essencialmente revolucionária. Assim, é comum encontrar as simplórias e rasas críticas ao conservadorismo e à religião. Do mesmo modo, reina absoluta a obamania e o relativismo moral. Lady GaGa, ícone atual da cultura pop - leia-se cultura gay -, ao ganhar o prêmio de "artista revelação" o dedicou a Deus - provavelmente a típica crença nova era de uma "energia superior" estática - e aos gays. De fato, o que essa "cantora" representa é o genuíno padrão cultural saído dos guetos homossexuais. Os gays a muito deixaram de lutar por "diretos iguais", existe, concretamente, um projeto de imposição da mentalidade "homoafetiva" - para usar um termo dentro da cartilha do politicamente correto. Além de fazer triunfar os seus gostos em todos os cantos do Ocidente - reflexo da abertura dada pela mídia, tomada por um pensamento de sabor liberal - , a ditadura gay pretende descontruir a própria base familiar e entronizar o relativismo moral nas estruturas sociais. Nada impede, então, que a pedofilia e o pansexualismo sejam vistos como estilos sexuais normais num futuro não muito distante. A abertura dada ao homossexualismo já incapacita todo o arcabouço moral e invalida qualquer oposição que parte de um raciocínio natural das relações humanas. Se o homossexualismo é socialmente aceito e louvável, por que não a zoofilia?

Se Lady GaGa se encontrasse com Dostoievski e este a questionasse; "
Se não há Deus, tudo é permitido?", o fenomenal autor russo ouviria um sonoro "SIM"

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Dep. Bassuma, o Aborto e o PT

PT suspende deputados por militarem contra aborto

O Diretório Nacional do PT decidiu ontem, por unanimidade, suspender os deputados Luiz Bassuma (BA) e Henrique Afonso (AC), que se manifestam contra a legalização do aborto. Os integrantes do diretório entenderam que os deputados infringiram a ética partidária ao "militarem" contra resolução do 3º Congresso Nacional do PT, a favor da descriminalização do aborto. Bassuma teve seus direitos suspensos por 1 ano e Henrique Afonso por 90 dias.

A notícia é do jornal O Estado de S. Paulo, 18-09-2009.

O relatório da Comissão de Ética petista, segundo antecipou o Estado anteontem, recomendava punição mais severa a Bassuma, sob o argumento de que o parlamentar demonstrara intolerância em relação a quem se posiciona a favor do aborto. Já Afonso, pastor da Igreja Presbiteriana Brasileira, é visto pelos petistas como "mais equilibrado" na questão.

Na véspera da punição, Bassuma dizia que não aceitaria "punição intermediária". "O PT vai ter de escolher se me absolve ou se me expulsa. Eu sou reincidente e vou continuar reincidente", declarou o deputado, que é espírita, preside a Frente Parlamentar pela Defesa da Vida e apoiou a Terceira Marcha Nacional da Cidadania pela Vida, em Brasília, no mês passado, contra o aborto. "Eles dizem que sou radical. Mas não tem meia vida, meio aborto. Então, não aceito a meia punição."

Afonso também criticou o PT. "Num assunto como este, que está relacionado à vida, o PT não pode simplesmente determinar que se trata de uma questão fechada. O PT virou um grande partido justamente por dar espaço à pluralidade."

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Amigos e amigas Pró-Vida do Brasil,

Aconteceu hoje, dia 17 de setembro de 2009, a histórica reunião do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores cujo principal ponto da pauta foi o JULGAMENTO dos Deputados Federais Luiz Bassuma-PT/BA e Henrique Afonso-PT/AC em razão de suas posições públicas contra o aborto e a sua legalização.

A Comissão Nacional de Ética propôs punições deferenciadas para um para outro. No caso Bassuma a proposta da Comissão de Ética foi pela expulsão,
mas essa proposta não obteve os 38 votos necessários para ser aprovada. O que então foi acabou sendo aprovado foi a SUSPENSÃO POR UM ANO dos direitos
políticos partidários acrescido de uma emenda da deputada Cida Diogo do Rio de Janeiro também aprovada de que Bassuma e também Henrique Afonso terão que retirar de tramitação todas as proposições que tramitam na Câmara dos Deputados que tratam da questão da defesa da vida.

A punição para o deputado Henrique Afonso foi a SUSPENSÃO por 90 dias. Tanto para um como para outro a suspensão dos direitos políticos partidários inclui que não podem ser votados ou votar nas instâncias partidárias (bancada, diretórios, etc) e não poderão participar de nenhuma comissão na Câmara dos Deputados.

O clima da reunião era extremamente tenso e logo, no início, eu, Jaime Ferreira Lopes, fui literalmente expulso do recinto pelo Presidente do Partido, Deputado Federal Ricardo Berzoini, que, aos gritos, pedia que eu me retirasse do auditório. Motivo: eu estava portando uma filmadora portátil cuja autorização de uso me foi dada por quem cuidava do credenciamento da reunião. Para não tornar mais tenso ainda a reunião, me retirei, em silêncio do ambiente. Ao final do dia, protocolei, na secretaria da presidência, na sede nacional do Partido, uma carta dirigida ao Senhor Berzoini, em que manifesto minha indignação pela atitude destemperada e arrogante do Presidente Nacional do PT.

Minha análise é de que o PT hipocritamente não quis enfrentar a opinião pública expulsando o Deputado Federal Luiz Bassuma por uma única razão: as eleições de 2010. Mas o deputado Luiz Bassuma e Henrique Afonso deixaram claro, em suas intervenções, que não aceitam uma meia punição. Mas, mesmo assim o diretório decidiu por não expulsá-los por temor da repercussão política dessa decisão. E as decisões tomadas significam uma verdadeira AMORÇADA ao direito de pensamento dos dois deputados, além de imobilizá-los politicamente no exercício de seus mandatos.

Anexa, a carta que dirigi ao Presidente Nacional do PT.

Jaime Ferreira Lopes
Chefe de Gabinete do
Deputado Federal Luiz Bassuma-PT/BA

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Como falta essa atitude em católicos do PT que continuam em silêncio enquanto o partido defende a cultura de morte e levanta a bandeira do assassinato de crianças!

Continue firme e forte, Dep. Bassuma. Se ser um radical é defender a vida e ser coerente com aquilo que se acredita, que todos sejam radicais, que todos defendam seus posicionamentos com nexo, honestidade e total integridade!

Espero, realmente, que Dep. Bassuma seja expulso do PT - ao menos ele fica com o mandato. Um Partido que, oficialmente defende o aborto, não pode ter dentro das suas fileiras um honrado soldado da vida!! Que o Partido dos Trabalhadores, que faz valer a cor vermelha da sua bandeira - o vermelho do sangue das crianças mortas, oferecido ao deus dos totalitários -, continue com a sua DECRÉPITA bandeira! Que Bettos, Boffs, Gebaras, defensores do aborto - mesmo de forma implícita e mitigada - continuem dançando a música da Dona Morte...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Entrevista do Acarajé Conservador à Revista Lupa - Facom - Ufba

Segue a entrevista que o Grupo de Estudos do Pensamento Conservador deu à Revista Eletrônica Lupa, mantida pela Faculdade de Comunicação da Ufba, e que se encontra no link. A entrevista foi dada no dia 04 de setembro de 2009, no próprio campus da Universidade.

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Por Rodrigo Aguiar em setembro 14th, 2009

A Lupa Digital entrevistou a quase totalidade dos integrantes do Grupo de Estudos do Pensamento Conservador. Há cerca de um ano, eles mantêm o blog Acarajé Conservador. Confira abaixo os trechos mais importantes do bate papo com Pedro Ravazzano, Ricardo Almeida, Fabrício Soares, Edson de Oliveira, Vinícius Mascarenhas e Vladimir Lachance.

LUPA -Afinal de contas, o que é ser um conservador?

Ricardo Almeida – Conservadorismo é, basicamente, uma vertente política que toma a existência da tradição como um dado positivo. Agora, você tem uma variabilidade muito grande: há conservadores de vertente monarquista, outros são conservadores “liberais”. Todas as vertentes partem da idéia de que se deve reportar a essa tradição, porque ela possui um conhecimento, uma sabedoria que transcende os indivíduos e pode ser acolhida como um cabedal de informações importantes.

L - No texto “Os Dez Princípios Conservadores”, do Russel Kirk, ele defende que o conservadorismo não é propriamente uma ideologia e sim uma tendência, uma disposição, um caráter. Faz sentido falar em uma ideologia conservadora?

Ricardo Almeida – O termo ideologia sugere idéias que são alheias ao conservadorismo. Quando Marx emprega o termo ideologia, ele o faz para designar um conjunto de proposições teóricas que encobrem um determinado interesse de classe, que está ligado a essas proposições. Os conservadores não partem dessa idéia, porque acreditam que, em primeiro lugar, uma teoria pode ser julgada apenas pelo seu próprio valor, independente de qualquer associação política, econômica ou social. Em segundo lugar, nem sempre, aliás muito frequentemente, um indivíduo que defende o conservadorismo não pertence às classes dominantes nem tem nenhum interesse econômico.

L - Frequentemente, os conservadores são acusados de serem intolerantes. Ainda nos “Dez Princípios”, o Russel Kirk fala no princípio da diversidade. Queria que algum de vocês comentasse sobre isso.

Vinícius Mascarenhas – Eu penso que as pessoas confundem muitas vezes o termo “conservador” com palavras que são utilizadas no senso comum. Por exemplo, as pessoas costumam dizer que é conservador qualquer coisa que seja intolerante. Então, o raciocínio é “se é intolerante, é conservador” e não “os conservadores são intolerantes”. Tudo que eles acham ruim chamam de “conservador” ou “de direita”, de maneira pejorativa. Agora, do ponto de vista que o Russel Kirk usa o termo “conservador”, é muito natural falar em diversidade, sobretudo partindo da tradição norte-americana, a qual ele é ligado. Pode-se falar também em pluralismo, que é uma abordagem do filósofo Michael Novak. Então, o conservadorismo não está fechado e o nosso grupo é uma prova disso. Temos pessoas da TFP [Tradição, Família e Propriedade], como é o caso do Sr. Edson. Temos pessoas que não são de religião alguma, tem outros que…
Pedro Ravazzano – São de todas. (risos)

*O grupo faz referência ao fato de Ricardo ser adepto da Filosofia Perene.

Edson de Oliveira – Muitas vezes, as pessoas criticam, por exemplo, que o Papa condene o preservativo e o chamam, num tom pejorativo, de “conservador”. Isso vai na linha de tentar tachar o Papa como um ditador, mas a meu ver o ditador é essa pessoa, porque ela não considera que alguém possa ter uma opinião diferente dela. Ela não quer que o Papa tenha a liberdade de expressar um pensamento da doutrina católica. No fundo, ela quer que o Papa fale o que ela quer ouvir.

L - A defesa de certos valores morais supremos está necessariamente ligada à religião?

Edson de Oliveira – Não, por causa do Direito natural. Através dele, qualquer pessoa (como Aristóteles, que não era católico nem nada) pode defender certos valores como supremos.
Fabrício Soares – Atualmente, isso é pouco comum, mas tradicionalmente muitos filósofos acreditavam na existência do universal, que é algo que transpõe o cultural. Platão, por exemplo, quando pensava em ética, não pensava a ação humana apenas para os gregos. Em diferentes sociedades humanas, é possível constatar comportamentos semelhantes como, por exemplo, a rejeição ao incesto. A existência desses pontos em comum mostra que certas coisas não são apenas convenções de uma dada cultura, mas sim coisas que precisam acompanhar o ser humano em qualquer lugar. Isso é uma prova da existência do Direito Natural, que precede a constituição mesma da sociedade.

L - Muitos críticos do conservadorismo apontam como seu “calcanhar de Aquiles” o fato dele não se constituir como uma ideologia.

Pedro Ravazzano – Eu não acho. Pelo contrário, acho que isso é um ponto positivo do conservadorismo. Existe uma base estrutural essencial pra qualquer pessoa que se considere conservadora, mas sobre ela cada um tem liberdade de pensamento. Veja o nosso grupo, por exemplo. Tem ateus, tem católicos, tinha protestantes…

L - Ateus no grupo?

Pedro Ravazzano – Fabrício é ateu. Tem Ricardo… (risos)
Ricardo Almeida – Deixa eu explicar. Em termos de religião, eu sigo uma vertente muito estranha pra maior parte das pessoas, que é o tradicionalismo, chefiado por René Guénon, Frithjof Schuon… Basicamente, o tradicionalismo é uma teoria de explicação das religiões que parte da ideia de que o que unifica todas as tradições é a base metafísica comum. Cada uma tem as suas particularidades dogmáticas, culturais e simbólicas, mas todas elas se referem a uma mesma estrutura metafísica da realidade e é esta estrutura que permite dizer que todas as religiões, se ortodoxas, conduzem ao mesmo lugar.

L - E dentro daquele espectro direita-esquerda, todo direitista é um conservador?

Ricardo Almeida – Não. A direita abriga pessoas das mais variadas formações. Liberais, anarco-capitalistas… Nem todo direitista é conservador, embora a direita abrigue o conservadorismo. Mas há um problema em definir alguém como de direita ou esquerda, porque esses termos não têm uma definição muito clara, são palavras usadas a esmo…

L - Mas vocês usam no blog. Esquerdismo, esquerdista….

Ricardo Almeida – O meu uso ainda é um pouco vago. Eu já li bons textos que tratam dessa dicotomia direita-esquerda, mas não cheguei a ter uma definição clara.
Fabrício Soares – O termo “esquerdismo” é muito mais definido do que “direitismo”. “Esquerda” é uma expressão cuja conotação foi atribuída principalmente pelos que se colocam dentro dessa denominação.

L - E a esquerda “inventou” a direita pra colocar tudo que era contrário a ela?

Fabrício Soares – De certa forma, sim.
Pedro Ravazzano – Como eu estava comentando com Ricardo, hoje a esmagadora maioria das pessoas que se auto-intitulam “de direita”, como se isso fosse um caráter de distinção, são defensores de um conservadorismo ou de um liberalismo infantil, que acha que votar no PSDB é ser de direita. É aquele direitismo que não tem nenhuma base. Além disso, esse esvaziamento do que é ser conservador ou ser de direita aqui no Brasil foi basicamente uma conseqüência do regime militar. Como a esquerda se auto-intitulava defensora da liberdade e do povo e o regime militar era visto como algo conservador, então o conservadorismo foi visto como esse monstro autoritário. Só que isso não existe, porque nós sabemos muito bem que os movimentos terroristas do regime militar não queriam derrubar a ditadura, queriam trocar uma ditadura por outra, muito mais cruel.

L - Existe partido de direita no Brasil?

Pedro Ravazzano – É uma pergunta complicada, porque no Brasil não existe uma fidelidade ideológica partidária. Os partidos de esquerda são muito mais ideologizados do que os partidos de “direita”, como o PSDB e o DEM. O PSDB é visto como o baluarte da direita conservadora no Brasil, mas, pelo amor de Deus, quem em sã consciência crê nisso? O próprio presidente Lula, em visita a Argentina, declarou que estava feliz porque todos os possíveis candidatos à presidência eram de esquerda. O único partido que talvez tenha uma sintonia a mais é o DEM, não o atual, mas o antigo PFL. Se você lesse a carta de apresentação do PFL, havia um viés liberal. Não um liberalismo convicto, mas mitigado. Depois que o PFL virou DEM e praticamente se tornou uma sucursal do PSDB, as coisas mudaram. O partido saiu da centro-direita e virou um partido de centro; centro que vai pela maré, de acordo com a situação.
Edson de Oliveira – No Brasil, existe político de direita, mas não partido. Por exemplo, o Lael Varella, do DEM. E tem também aquele da Polícia Militar de São Paulo, o Coronel Paes de Lira.
Pedro Ravazzano – Que entrou no lugar de Clodovil. E Clodovil, por incrível que pareça – pra você ver como o Brasil é uma caricatura – despontava como um conservador. (Risos). Foi vaiado pelo movimento gay. Era criticado pelo movimento negro.

L - Uma crítica muito comum da esquerda é a de que os meios de comunicação são dominados pela direita. Qual a visão que vocês têm do jornalismo, em particular o brasileiro?

Ricardo Almeida – Sobre essa questão, eu acho que deveria ser feito o que uma vez sugeriu o professor Olavo de Carvalho [filósofo brasileiro], faz uma centimetragem. Pega os arquivos dos principais jornais e mede o conteúdo escrito. Faça isso de maneira casual e você vai ver que a imensa maioria das matérias tem viés claramente esquerdista. Todo mundo diz que a mídia é de direita, mas eu peço que listem os jornalistas de direita.

L - Num balaio de gato, costumam citar Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi…

Pedro Ravazzano – Daqui a pouco, William Bonner é de direita.
Ricardo Almeida – Tudo bem, ainda vai. Mas Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi representam a imensa maioria?
Pedro RavazzanoJoão Pereira Coutinho.
Ricardo Almeida – Mas esses se destacam justamente porque fogem da regra. O foco incide sobre eles porque tem alguma coisa ali saindo do normal. Ora, se sai do normal, é porque o normal é o esquerdismo. Essa visão de que a mídia, o jornalismo é de direita se baseia no fato de que a esquerda parte da idéia de que existe uma classe que comanda os jornais e que esses donos dos jornais são de direita. Acontece o seguinte: embora você tenha essas famílias que comandam o jornalismo, como os Mesquita [Estadão], os Frias [Folha de S. Paulo], os Marinho [Globo], o que se escreve nos jornais não está de acordo com uma ideologia que porventura os donos desses jornais tivessem.

L - Que autores vocês lêem, discutem?

Vladimir Lachance – Edmund Burke, que é considerado o pai do conservadorismo moderno. Curiosamente, ele não era considerado um conservador porque fazia parte do Partido Liberal inglês. Mas o princípio das idéias dele é o que deu origem a teoria do conservadorismo moderno, retomada por Russel Kirk. Tem T.S.Elliot. No Brasil, Olavo de Carvalho. Chesterton é outro que lemos bastante. Hilaire Belloc, um católico que se dizia de esquerda, mas que tinha idéias que iam de encontro ao que a gente considera de esquerda hoje.
Pedro Ravazzano – Michael Oakeshott. O Roger Scruton, eu leio o blog dele. E tem algumas leituras complementares, que não são autores propriamente conservadores. Em economia, tem os economistas da Escola Austríaca: Hayek [Friedrich Hayek], von Mises [Ludwig von Mises]…
Vladimir Lachance – Mais ligado à tradição católica tem o Dr. Plínio [Plínio Corrêa de Oliveira, fundador da organização católica Tradição, Família e Propriedade (TFP)].
Fabrício Soares – Olavo de Carvalho, além da contribuição pessoal importante, nos apresenta vários autores que não ouvimos falar em sala de aula.

L - Por quê o nome do blog é Acarajé Conservador?

Edson de Oliveira – Na época em que estávamos discutindo o nome, surgiram várias sugestões, inclusive “Zero à direita”. Daí alguém sugeriu que fosse “Café Conservador”, mas café é coisa do Sul. Tinja que ser alguma coisa da terra, daí veio a idéia do acarajé.
Pedro Ravazzano – Tá vendo? Defendemos a tradição baiana. (risos).
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Segue o link da apresentação da entrevista:

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Viva a decadência!

O Ministro Carlos Minc encarna, com louvor, o espírito do brasileiro moderno. A decadência atual é gritante e aberrante. A desconstrução da identidade nacional se encontra intimamente ligada à crise moral e civilizacional. Não por menos, o grande motor dessa caricatura de país é o pensamento de cunho socializante; consciência ecológica, legalização da maconha, militantes petistas, festas homossexuais, descriminalização do aborto, discurso racial, luta de classes, relativismo moral, MST, clichês sociais, tudo vem do mesmo buraco podre!

domingo, 13 de setembro de 2009

A Igreja nos EUA e a Liberdade

Trecho da Pastoral Coletiva de 1890, do Episcopado Brasileiro:

Transcrito por Pedro Ravazzano

Temos, enfim, os Estados Unidos, a criação gigantesca do gênio de Washington que marcha hoje na vanguarda dos grandes povos prósperos, apontada por todos os nossos políticos como o perfeito modelo de uma república democrática.

Seja assim, - bem que não partilhemos o entusiasmo dos que só querem ver nas margens do Missouri e do Hudson um Éden todo de flores, antes conheçamos bem as desordens profundas e os graves perigos que ameaçam a sociedade americana – seja assim! Mas a separação da Igreja do Estado na grande república da América do Norte terá sido inspirada pelo espírito do ateísmo, do positivismo, do materialismo? Terá sido obra do ódio, do desprezo da Religião e do Cristianismo?

Muito arredio da verdade andaria quem assim o cuidasse.

Sem dúvida dá-se naquele país separação entre a Igreja e o Estado, mas este fato não é ali a expressão de ódio ou desprezo do princípio religioso. Muito ao contrário foi o meio único de garantir com eficácia o livre exercício do culto às diversas e multiplicadíssimas confissões religiosas em que se achava desde seu começo, e se acha ainda retalhado aquele país. Não tendo nenhuma dessas numerosíssimas confissões preeminência sobre as outras, fora um ato soberanamente impolítico, origem de graves perturbações, dar o governo preferência oficial a algumas delas.

Não há ali, pois, religião de Estado, nem poderia havê-la, estando a nação dividida em tantas seitas antagônicas. Mas erro fora capacitar-se alguém de que o governo americano, por não reconhecer um culto determinado, se desinteressa da Religião e a nenhuma respeita.

A constituição federal dos Estados Unidos tão fora está de ser indiferente em matéria religiosa, que está toda baseada no princípio que existe uma Religião verdadeira incumbida de dirigir todas as ações dos homens, e que essa Religião deve ser respeitada e mantida, como o primeiro elemento da ordem social. Washington, despedindo-se de seus concidadãos em 1796, disse essas memoráveis palavras:

Religião e moralidade, eis aqui os esteios indispensáveis de qualquer Estado. Deixem de gabar-se de patriotas aqueles que querem abalar estas colunas fundamentais do edifício social. O verdadeiro patriota deve honrá-las e amá-las. Um livro volumoso não bastaria para mostrar quanto elas promovem a felicidade do povo e de cada indivíduo.”

Ora vede agora se a legislação dos Estados Unidos, inspiração do gênio potente de Washington, podia exalar o mau e pestilento espírito do ateísmo, do desprezo da Religião! De nenhum modo.

A triste máxima de que a lei é atéia e não pode deixar de sê-lo, diz Claudio Janet, máxima que desde 1789 inspirou quase constantemente a legislação francesa, não se poderia articular na América do Norte sem suscitar unânime reprovação. O Cristianismo é ali verdadeiramente a religião nacional. Longe de ficar encantoado pela lei ou pelos preconceitos no domínio da consciência privada e do lar doméstico, tem permanecido, ao menos até nossos dias, como a primeira das instituições públicas.”

Ajuntemos aqui o grave testemunho de Story, sábio professor de direito da universidade de Harvard, em seu Comentário sobre a constituição federa dos Estados Unidos.

O direito de uma sociedade ou de um governo de interferir em matérias que interessam à Religião, diz ele, não pode ser contestado por todos os que pensam que a piedade, a moral, a Religião estão intimamente ligadas ao bem do Estado. A propagação das grandes doutrinas da Religião, a existência, os atributos de um Deus onipotente, nossa responsabilidade para com Ele em todas as nossas ações, o estímulo das virtudes pessoais e sociais, todas essas coisas não podem ser objeto de indiferença para uma sociedade bem ordenada.

Todo o homem que crê na origem divina do Cristianismo, considerará como um dever do governo mantê-lo e animá-lo entre os homens. É coisa inteiramente distinta da liberdade de juízo em assuntos religiosos e da liberdade de cultos segundo as inspirações da consciência... Provavelmente na época da adição da Constituição e das emendas pensava-se geralmente na América que o Cristianismo devia ser animado pelo Estado, tanto quanto se podia fazer sem ferir a liberdade de consciência e dos cultos.

Toda tentativa para nivelar as religiões, ou para erigir em princípio de governo a mais completa indiferença a tal respeito teria levantado uma reprovação, talvez uma indignação geral:... O dever de animar a religião, maiormente a Religião Cristã, é todo diferente do dever de constranger a consciência dos homens, ou de os punir, porque adoram Deus de outra maneira.

Até aqui o douto escritor americano.

A lei dos Estados Unidos não só não professa o ateísmo, como nem permite a propagação desta infame doutrina. Citemos um exemplo bem frisante. Formara-se, não há muitos anos, uma sociedade de ateus no estado da Pensilvânia, e um membro desta associação legou-lhe, ao falecer, todos os seus haveres, que eram avultados, com a obrigação de estabelecer ela uma escola pública de incredulidade. Houve quem impugnasse este legado, e foi levada a questão dos tribunais. Ora bem! Ouvi como dirimiu tal demanda a Corte Suprema, proferindo a seguinte luminosa sentença:

A lei da Pensilvânia não reconhece sociedade de ateus: permite somente a formação de sociedades literárias, religiosas e de beneficência, mas não permite que se escarneça publicamente e se insulte a religião revelada da Bíblia. Uma escola, onde se ensine o ateísmo, serve para tal fim e põe os meninos no caminho das galés e as meninas no da prostituição.”

Mas não basta dizer que a Confederação da América do Norte não é um Estado ateu e repele com horror o ateísmo. Vai além e faz profissão pública do Cristianismo.

Analisando e resumindo uma interessante conferência do Sr. Claudio Janet acerca da separação da Igreja do Estado nos Estados Unidos do Norte, eis como se exprime um egrégio escritor:

Longe de ser ateu (o Estado norte-americano ), é religioso, cristão até, porque toma por base as crenças e prescrições fundamentais do Cristianismo no que toca à ordem social. As legislações proclamam o respeito que se deve a Jesus Cristo como divino fundador do Cristianismo e os tribunais punem a blasfêmia pública. Nos dias de crise e de perigo, prescreve o Presidente um dia de jejum e de humilhações; cada ano um dia solene é consagrado a dar graças à Providência pelos seus benefícios. A lei do domingo é rigorosamente respeitada; a unidade do matrimônio rigorosamente mantida, e, se é permitido o divórcio, é isto antes obra do protestantismo do que da legislação civil, que se preocupa de torná-la mais dificultoso. O casamento conservou o seu caráter exclusivamente religioso: lá não existe ato civil. Não assalaria o Estado culto algum, mas respeita os legados feitos em favor das Igrejas. Os membros do clero, em razão das suas funções estão isentos da milícia. O poder repressivo de cada Igreja é reconhecido pelos tribunais, que recusam aos excomungados toda ação em justiça contra aqueles que os fulminaram de censura, pela razão de que nenhum tribunal sobre a terra pode fiscalizar a jurisdição eclesiástica (Relação do Kentucky, 1873; Relação de Nova York).”

Mas nos atos soleníssimos da vida nacional intervém oficialmente o Cristianismo. Os congressos, tanto federais como particulares, não abrem vez alguma as suas sessões sem preces públicas presididas por ministros, ora de um, ora de outro culto, não sendo raro chamarem-se para esse ministério até Sacerdotes Católicos. Conhecida é a severidade da lei que manda guardar o dia do Senhor em todo o território da república: suspendem-se os trabalhos, calam-se as oficinas, fecham-se as lojas, permitindo-se apenas as obras de necessidade e caridade. E tal é o rigor da observância dominical que coincidindo o domingo com o aniversário natalício de Washington, ou o da declaração da independência, dias de grande solenidade para os povos da União, cede o Estado à Igreja, e se transfere para o dia seguinte a festa civil.

Em relação especialmente ao Catolicismo cumpre notar que o Estado reconhece a Igreja Católica para a defesa dos interesses dela, o direito de representação legal, o qual é exercido pelo Bispo, Vigário geral, Pároco e dois leigos. Reconhece-lhe o pleno direito de propriedade, mesmo sobre fundos estáveis, e o direito de instrução pública, não só em escolas primárias, senão também em colégios superiores, onde podem os católicos educar a mocidade segundo os princípios de nossa Religião. Ainda há pouco fundou-se com a autoridade da Santa Sé uma grande Universidade católica em Washington, e o Presidente da república federal não julgou afrontar as crenças das outras comunidades religiosas, comparecendo oficialmente e com pompa às festas solenes da inauguração. Do mesmo modo, não se dedigna o Presidente de manifestar, com caráter público, o seu respeito pelo Chefe supremo do Catolicismo, como se viu por ocasião do recente jubileu sacerdotal de Leão XIII.

No exército, na armada, nas prisões achareis capelães católicos exercendo o seu sagrado ministério com a máxima liberdade, sem que ninguém veja nisto lesão ao princípio da separação dos dois poderes. Os missionários católicos, ocupados na civilizadora obra da catequese dos índios, recebem diretamente do Estado subsídios pecuniários para a sua subsistência pessoal e custeio de suas respectivas missões. Além disto, as ordens religiosas e demais estabelecimentos católicos gozam da mais ampla liberdade, e são até positivamente favorecidos por legislações particulares que de muito bom grado lhes concedem a personalidade jurídica. Enfim, o Natal nos Estados Unidos é uma festa nacional!

Ah! Quem nos dera ver os estadistas nossos, muitos dos quais se desvanecem de católicos, tratar o Catolicismo com o mesmo respeito, acatamento e deferência como é tratado pelos estadistas protestantes da União norte-americana!

Portanto, já que todos convém que não podemos escolher melhor, nem mais acabado, nem mais conveniente modelo do que a grande Confederação norte-americana, aprendamos ao menos dela como se assentam as bases de uma nação sobre os sólidos fundamentos da mais ampla e respeitosa liberdade. Aprendamos ao menos dela a fazer caminhar sempre a ação social do Estado de acordo com os princípios fundamentais do Cristianismo. Aprendamos ao menos dela a não considerar como o ideal do progresso e da civilização o subtrair-se sistematicamente a parte dirigente de um Estado a todo influxo da idéia religiosa.

Deixando de lado o que lá dá-se de mau, imitemos o bom, imitemos o modo largo de encarar as coisas, a confiança no progresso do país pela Religião, pela Justiça, pela liberdade, pelo respeito da lei, pela fecunda iniciativa de cada cidadão na grande obra do progresso social. Lá vivem hoje dez milhões de católicos, de cem mil apenas que eram há um século, com 62 Bispos, 13 Arcebispos, entre eles um Cardeal, e com Clero numerosíssimo mas com o governo americano – e basta ser americano para assim proceder – não se arreceia de tão espantoso progresso. Ele sabe que os Bispos, os Padres, os Católicos, são os melhores cidadãos, os melhores amigos da república.

Deixemos os acanhamentos miseráveis da nossa raça, os mesquinhos ciúmes e desconfianças, a atrofiante mania de querer o governo regular tudo, até a Religião, e deixemo-la livre e facilitemo-lhe os aumentos, que com isso só terá que lucrar o Estado.

Imitemos o respeito ao Cristianismo, de que aquele estupendo povo tem oferecido nobilíssimo exemplo à admiração dos outros povos.

Imitemo-lo neste ponto, que não é a menor de suas glórias e grandezas.

(...)

Há porém, uma forma de que quiséramos ver-nos revestir hoje mais particularmente o vosso amor para com a Igreja; quiséramos ver-vos todos empenhados na difusão da imprensa católica, como um meio de atalhar quanto possível os estragos da imprensa ímpia.

Ouçamos a este respeito o episcopado dos Estados Unidos. – Reunidos em Concílio plenário na cidade de Baltimore, tendo à sua frente o eminente e doutíssimo Cardeal Gibbon, Arcebispo daquela cidade e Primaz de toda União norte-americana, dirigiram há pouco aqueles venerandos Prelados a todo o clero e fiéis da grande República uma Carta coletivo resumindo as deliberações do Concílio, e por ocasião do assunto de que falamos se exprimiram por estas memoráveis palavras, que fazemos nossas:

Pais católicos, escrevem eles, deixai-nos chamar a vossa atenção para esta importante verdade, que de vós única e individualmente deve depender na prática a solução do importante argumento, se deve, sim ou não, realizar a imprensa católica a grande obra que dela esperam a Providência e a Igreja nos presentes tempos.

A missão providencial da imprensa foi tão frequente e altamente tratada pelos Papas, Bispos e escritores católicos de distinção; as suas palavras foram tão assiduamente citadas por toda a aparte, que de certo ninguém mais precisa de argumentos para ficar convencido desta verdade.

Tudo isto, porém, não passará de vozes no ar, enquanto os pais de família não assentarem bem naquele princípio e não o possuem em prática em suas casas. Se o chefe de cada família católica quer reconhecer como privilégio seu, e também como seu dever contribuir para sustentar a imprensa católica, assinando uma folha católica ou mais, e pondo-se à par com as informações que ela publica, então a imprensa católica atingirá seguramente o seu legítimo desenvolvimento e exercerá a missão a que é destinada.

Mas escolhei uma folha que seja inteiramente católica, instrutiva e edificante; e não uma folha que, com nome e pretensões a católica, não o seria nem pelo seu tom nem pelo seu espírito, irreverente à autoridade constituída, ou mordaz e sem caridade para com seus irmãos católicos.”

(...)

Mas para refutar plenamente a imputação que nos fazem os inimigos da Igreja, aqui vamos trasladar um passo na notável Pastoral Coletiva já citada, em que aqueles insignes Prelados exprimem francamente o que pensam de sua pátria, e o que a sua pátria pensa deles.

Oh! Dignos Cooperadores e Filhos muito amados, e vós todos, homens políticos que não quereis de propósito fechar os olhos à evidência dos fatos, ouvi o testemunho solene que dá o respeitável corpo Episcopal dos Estados Unidos à verdade que aqui estamos enunciando.

Em nosso próprio país, dizem os respeitáveis Prelados, escritores e oradores, que só conhecem a Igreja sob disfarces dos preconceitos, têm, de tempos em tempos, feito eco às mesmas acusações. Mas apesar de excitações locais e passageiras, o bom senso do povo americano prevaleceu sempre contra a calúnia.

Parece-nos poder falar de cadeira das leis, das instituições e do espírito da Igreja Católica, bem como das leis, instituições e espírito de nossa pátria, ora, nós declaramos solenemente que não há entre eles antagonismo algum. Um católico está como em sua casa nos Estados Unidos porque a influência de sua Igreja sempre se exerceu em proveito dos direitos individuais e das liberdades populares. E o Americano de espírito reto em nenhuma parte se acha tanto em sua casa como na Igreja Católica, pois em nenhuma outra parte pode respirar essa atmosfera de verdade divina, que, só, nos pode fazer livre.

Nós repudiamos com igual força o afiançar-se que devemos sacrificar alguma coisa do amor à nossa pátria para sermos católicos fiéis. Dizer que a Igreja católica é hostil à nossa grande república, porque ensina que todo o poder vem de Deus, porque, em consequência, atrás das leis vê a autoridade de Deus, como sanção delas, é acusação a tal ponto ilógica e contraditória, que ficamos assombrados de vê-la sustentada por pessoas de uma inteligência ordinária...

Não seria menos ilógico sustentar que há no livre espírito de nossas instituições americanas alguma coisa de incompatível com uma docilidade perfeita para com a Igreja de Jesus Cristo. O espírito da liberdade americana não é um espírito de anarquia ou de licença. Inclui essencialmente o amor da ordem, o respeito da autoridade legítima e a obediência às justas leis.

Não há no caráter americano mais amoroso da liberdade que possa vexar sua submissão respeitosa à autoridade divina do Nosso Senhor, ou à autoridade por ele delegada aos seus Apóstolos e à sua Igreja. Não há no mundo mais delicados aderentes à Igreja Católica, a Sé de Pedro e ao Vigário de Cristo, do que os católicos dos Estados Unidos.

Idéias, ciúmes acanhados, insulares ou nacionais, contra a autoridade eclesiástica e a organização da Igreja puderam outrora irromper naturalmente na política egoísta de certos chefes de nações. Mas essas idéias e esses ciúmes não encontram simpatia alguma na educação religiosa, impedi-lo-iam de submeter-se, em matéria de fé, às pretensões do Estado ou de outra autoridade humana. Aceita a Religião e a Igreja que vem de Deus, e que ele bem sabe são universais – não nacionais ou locais – para todos os filhos dos homens, não para uma tribo ou raça particular.

Não nos gloriamos de ser – e mercê de Deus de ser para sempre – não a Igreja americana, ou a Igreja dos Estados Unidos, ou toda outra Igreja, em sentido limitado ou exclusivo, mas uma parte integrante da Igreja, Uma, Santa, Católica e Apostólica de Jesus Cristo, na qual não há distinção de classes ou de nacionalidade, na qual todos são um em Jesus Cristo!

Ouvis, dignos Cooperadores e Filhos diletíssimos?

Estas vozes, estes protestos do ínclito Episcopado e de todo o povo católico da poderosa república da América do Norte ressoam alto e vem achar um eco fiel cá na América do Sul, no nosso caro Brasil, por entre as balizas dos dois Oceanos. Estes protestos exprimem os nossos sentimentos.