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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Havana: O fantasma de Honecker e os ressuscitadores

Das ruínas da revolução, sectores eclesiásticos, uma vez mais, tratam de ressuscitar as supostas conquistas do sistema comunista cubano, como se de uma arvore intrínseca e satanicamente má, pudesse brotar frutos bons.

Por Armando F. Valladares, 14 de fevereiro de 2011 - Tradução: Edson Carlos de Oliveira

Raúl Castro cumprimentando D. Dionísio García, arcebispo de Santiago de Cuba e o cardeal Jaime Ortega (dir.), arcebispo de Havana, o "Pastor-carcereiro" que, ao invés de dar a vida por suas ovelhas, faz todo o possível para ajudar aos Lobos e asfixiar ao rebanho.

Em Havana, um fantasma de mal agouro rodeia os centros nevrálgicos do poder e causa preocupação ao ditador. Uns dizem que é o fantasma do egípcio ditador Mubarak, recentemente deposto; outros suspeitam que seja o do romeno ditador comunista Ceaucescu, derrubado e condenado a morte em 1989. Mas fontes de minha absoluta confiança, que viram o fantasma com seus próprios olhos, me disseram que mais se parece com Eric Honecker, o último ditador comunista da Alemanha Oriental, que caiu também em 1989, junto com o infame Muro de Berlim.

Parece que o ditador de Cuba está realmente preocupado, seus aparelhos de segurança possuem uma maquiavélica experiência de meio século em reprimir e esmagar pessoas de carne e osso, mas se mostram impotentes para lidar com fantasmas.

Reunido com seus sequazes, nos antros mais tenebrosos, o ditador cubano decidiu pedir ajuda a seus mais eficazes aliados de décadas, especialistas na repressão espiritual e no controle das almas que se opõe ao comunismo. Quem sabe se eles teriam alguma ideia para reprimir e afugentar da ilha o fantasma de Honecker.

O Pastor-Carcereiro, como invariavelmente tem feito, se dispôs a prestar a solicitada ajuda junto com seus colaboradores. Mas lhe pareceu mais prudente canalizar sua colaboração com mão de gato, fazendo publicar o artigo "La urgencia de un nuevo pacto social" na revista "Espacio laical", do Conselho Arquidiocesano de Leigos de Havana. A agência católica Zenit, de Roma, reproduziu e difundiu o texto do artigo.

Sem citar diretamente ao fantasma que ronda Havana, o artigo constata um perigoso "processo de fratura" na sociedade comunista que poderia levar, "em pouco tempo", segundo se encarrega de advertir, a uma "perda de governabilidade" e a um "estágio muito difícil" para o atual regime. O seja, em outras palavras, se prevê um colapso do regime se este não fizer algo com urgência. O artigo, de maneira servil em relação ao regime, acusa como primeiros responsáveis da atual situação de Cuba não ao Partido Comunista, que está na raiz dos males cubanos, mas aos "setores" que discrepam do regime, aos quais o arcebispo reprova a "incapacidade enorme" para reconhecer a "legitimidade" do regime e que se negam a "dialogar" com o ditador. Finalmente, o artigo lança como solução um "novo pacto social" que atue como galvanizador e ressuscitador do regime agonizante.

Fontes de minha confiança também me informaram que na sexta-feira de 11 de fevereiro estava em Havana, participando em reuniões sigilosas com eclesiásticos da ilha, o arcebispo de Miami, monsenhor Thomas Wenski, membro do comitê de política internacional da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, conhecido defensor do "diálogo" com o regime comunista.

Das ruínas da revolução, sectores eclesiásticos, uma vez mais, tratam de ressuscitar as supostas conquistas do sistema comunista cubano, como se de uma arvore intrínseca e satanicamente má, pudesse brotar frutos bons.

Que a Providência ilumine aos cubanos da ilha e do desterro para resistir com a força das ideias e da fé às manobras do ditador, dos "pastores-carcereiros" e dos ressuscitadores de plantão.

Armando Valladares, escritor, pintor e poeta. Passou 22 anos nas prisões políticas de Cuba. É autor do best-seller "Contra toda esperanza", onde narra o horror das prisões castristas. Foi embaixador dos Estados Unidos ante a Comissão de Direitos Humanos da ONU sob as administrações Reagan e Bush. Recebeu a Medalha Presidencial de Cidadão e o Superior Award do Departamento de Estado.

No começo de fevereiro, Valladares escreveu o artigo "Cuba, el preso político y el Pastor-carcelero".

sexta-feira, 26 de março de 2010

Outdoor na Polônia relaciona aborto com Hitler


O PNDH 3 do governo Lula apoia a legalização total do aborto no Brasil como se isso fosse "moderno", sinal de "progresso", mas assim não pensam os poloneses, cuja temática é bem velha e lembra sistemas autoritários e antinaturais.

A associação Fundacja Pro publicou, no início deste mês, na cidade de Poznan, um outdoor com a foto de Hitler ao lado de fetos abortados

Cumpre lembrar que depois da Rússia, em 1924, subjugada pelo regime comunista, a Alemanha, sob o nazismo, em 1935, foi o segundo país do mundo a legalizar o aborto. Tal prática foi imposta na Polônia em 1943 a mando de Hitler.

Os militantes pró-aborto não gostaram nada da campanha, pois os movimentos feministas – como inclusive eu ouvi em nosso [será mesmo nosso?] Congresso Nacional em uma audiência pública sobre o aborto – usavam o termo “nazista” para caracterizar quem fosse contrário ao assassinato de inocentes.

Agora que o argumento mudou de lado, Dr. Pawel Lukow, por exemplo, segundo informa Gazeta Wyborcza (8/3/2010), acha que essa campanha “é uma provocação”, “não é um argumento que faz os outros pensarem”, “um insulto contra o inimigo ideológico ou a pessoas que têm opinião diferente”.

O jornal polonês menciona ainda que o Procurador Distrital não recebeu nenhuma reclamação e que os organizadores pensam em continuar com a manifestação.

sábado, 20 de março de 2010

Bancoop - "Uma organização criminosa", diz Promotor

Obs: O texto abaixo foi traduzido para esquerdioguês com auxílio do Dicionário Etimológico da Esquerda. Ao ler Carta Capital, Paulo Henrique Amorim, Caros Amigos, Portal Vermelho e congêneres, não deixe de ter seu exemplar sempre em mãos.

PNDH 3 Neles!!!

Camaradas, companheiros de luta. Vejam nos vídeos abaixo a nova tentativa da mídia golpista para prejudicar o ParTidão, sempre interpretando os fatos com seu viés burguês.

No auxílio dela, o Promotor de Justiça José Carlos Blat, um instrumento de opressão da estrutura imperialista, ainda diz que a Bancoop é "uma organização criminosa".

Os inimigos do povo querem julgar nossas atitudes com os parâmetros da moral burguesa que eles usaram para dominar a classe trabalhadora.

Ricardo Berzoini, na época fundador da Bancoop e atual presidente do PT, seguindo o método defensivo de Lula, afirma que nada sabe. Mas é isso mesmo, companheiro, não temos que dizer nada para esses marionetes dos EUA.

Precisamos apoiar o novo PNDH 3 para por fim a essa liberdade da imprensa burguesa:



A Ação Revolucionária e a Igreja

Por Sem. Pedro Ravazzano
O marxismo tem como uma das características mais marcantes a sua práxis. De fato, dentro dos paradigmas propostos por Karl Marx, a prática revolucionária é o fundamento basilar da sociedade comunista. Os princípios econômicos desta doutrina refletem a perspectiva materialista da história e da existência. Assim, para o pensador alemão, toda a evolução social parte do desenvolvimento de forças produtivas, causadoras, portanto, da opressão e da alienação. Em concreto, a religião é, observando esses princípios, mais um instrumento de dominação do proletariado e, como consequência, o combate ao sagrado é parte integral do processo revolucionário.

A religião, segundo o materialismo histórico, se relaciona com a opressão; do mesmo modo que o bem produzido pelo trabalhador torna-se estranho a ele, graças à exploração do trabalho e da mais-valia, gozando de vida própria independente do seu criador, Deus, uma criação também humana, se volta contra o indivíduo de forma hostil. A religião transforma-se, então, num fator de esvaziamento do homem, o distanciando da sua essência. Assim como a alienação econômica, a religiosa cria um produto com identidade estabelecida; Deus, que sacrifica o próprio homem. A fé, enquanto tal, é mais uma peça fundamental do que Marx denomina “superestrutura” que, por sua vez, é responsável pela manutenção e perpetuação do sistema opressivo e dialético. A alienação religiosa é originada na classe burguesa que, na perpetuação de crenças, legitima o seu poder, justifica a dominação e impede o despertar revolucionário entre o proletariado.

Obviamente, a perspectiva materialista do marxismo se afasta radicalmente de qualquer princípio cristão, a começar pelo fato de submeter toda a existência a um dado econômico. O marxismo, concebe a revolução como uma verdadeira redenção, não só desconsiderando a única e real Redenção, a de Cristo, como alimentando a crença de que o resultado desta seria um novo homem, com uma nova filosofia e um novo paradigma existencial. Karl Marx acreditava, factualmente, no poder redentor do comunismo revolucionário, entretanto, desconsiderava um dado crucial e essencial no entendimento da complexa natureza humana; o pecado original.

Explicando o marxismo, na Quadragesimo Anno, S.S Pio XI diz que “a sociedade humana” para os comunistas “não é mais do que forma ou aparência da matéria, em evolução segundo as suas leis; por uma necessidade fatal, tende, por meio de um perpétuo conflito de forças, para a síntese final: uma sociedade sem classes (...) Insistindo no aspecto dialético do seu materialismo, pretendem os comunistas que o conflito, destinado a levar o mundo para a síntese final, pode ser precipitado, devido aos esforços humanos. Por isso procuram tornar mais agudos os antagonismos ressurgentes entre as diversas classes da sociedade. A luta de classes, com os seus ódios a as suas destruições, reveste o aspecto de uma cruzada do progresso da humanidade. Pelo contrário, todas as forças se opõem a estas violências sistemáticas, sejam de que natureza forem, devem ser aniquiladas, como inimigas do genêro humano.”

Nesse processo dialético, de luta de classes, a revolução toma forma como o fim dos anseios humanos por uma sociedade fundamentada na justiça e na concórdia. Entretanto, os princípios marxistas partem, em suas origens, de concepções relativistas que se chocam com a utopia imaginada pelos arautos do comunismo. O próprio Lênin, justificando a prática bolchevique, que em sua época já havia matado sete milhões de ucranianos de fome, dissera, no discurso ao Comitê Central do Partido Comunista, em Julho de 1928, que “É sofisma usar da palavra violência, quando referida à ação revolucionária. Isto não impede os socialistas de serem partidários duma guerra revolucionária” O que o revolucionário russo pretendera defender é que “qualquer guerra é justa, desde que sirva a Revolução Soviética (...) a violência é justificada, quando favorece a ação revolucionária. A violência é condenável quando contrária à revolução comunista”, como comentou o fabuloso Arcebispo de Nova Iorque Fulton Sheen.

Desde a queda do muro de Berlim o marxismo ortodoxo, de cunho tipicamente soviético, foi perdendo forças para ações baseadas em Gramsci, Lukács, frankfurtianos etc. Gramsci já era lido e debatido nas rodas revolucionárias, em especial com os crescentes problemas internos da URSS e a percepção de outros teóricos a respeito do papel crucial da cultura no processo da revolução. Entretanto, só com a derrocada da ortodoxia marxista, encarnada em Moscou, que se deu a devida relevância à sua cartilha. Antes disso, com o poder bolchevique exportando guerras, ainda se acreditava na redenção revolucionária através das armas. Dito isso, o processo revolucionário vivencia, atualmente, um novo paradigma de atuação. Aqueles que ainda crêem no poder místico de uma AK-47 perdem espaço para jovens que adotam como bandeira a ação cultural da revolução, com maior eficácia no mundo moderno. Dentro dessa linha, sem dúvida alguma, Gramsci se destaca. O comunista da “filosofia dela prassi” se opunha ao caráter dogmático do marxismo soviético; atrofiava a prática revolucionária e fechava a teoria. A cultura, para ele, tem uma função essencial, já que dentro da perspectiva gramsciana a união entre o pensamento e a ação se faz nas circunstâncias concretas, através de um processo interno que abarca a intelectualidade e tendo como fim a revolução. A “filosofia da práxis” se transforma numa verdadeira reforma revolucionária, levando em conta a liberdade cultural da sociedade e as variantes que não podem ser forçadas por meio de uma prática marxista pré-fabricada, como quiseram os russos.

O pensamento de Antonio Gramsci se revitaliza nos tempos atuais juntamente com a necessidade do marxismo de revisar os modelos falidos da URSS. O absolutismo da democracia desfavorece a “práxis” que não adota a roupagem democrática, mesmo que seja de forma nominal. O contexto atual lança ao ostracismo político aqueles que defendem, numa honestidade interna louvável, o processo revolucionário como ruptura violenta - vide, por exemplo, a imagem de partidos como PCO, PSTU e PCB. A relevância do teórico comunista italiano se faz, justamente, no novo modelo proposto; não mais uma revolução entendida como luta armada e motins sociais, mas sim que parte da cultura e da classe intelectual.

A “função orgânica” dos intelectuais, como diz Gramsci, torna-os peças relevantes em todas as etapas de reprodução social, refletindo, obviamente, o poder de liderança que têm junto ao homem comum. Nesse tocante, o comunista italiano afirma que a intelectualidade deve ser transformada em artífice de uma nova moral e uma nova cultura, combatendo a “hegemonia” e a opressão das classes capitalistas, gerindo a reflexão social que abarcaria toda e cultura e teria como fim, no devido momento histórico, o socialismo; “Admiro os revolucionários que se dão a tanto trabalho para explodir muralhas com dinamite, enquanto o molho de chaves das pessoas bem-pensantes lhes teria permitido entrar tranquilamente pela porte, sem acordar ninguém”, assim disse o magistral pároco do “Diário de um pároco de aldeia”, de Georges Bernanos.

A escola, “aparelho privado de hegemonia”, era, para Gramsci, do mesmo modo, peça relevante na edificação de um novo paradigma social. A juventude, formada nos colégios, absorve modos de raciocínio que bebem da cultura dominante, da ideologia da opressão. Logo, se faz mister romper com a subordinação intelectual, erigindo a nova sociedade, a começar pela desconstrução do discurso moralista, religioso.

Destarte, Antonio Gramsci destacava o papel relevante da Igreja na contra-revolução, por ser esta uma força essencialmente “reacionária”. Assim como as escolas deveriam ser tomadas por agentes da ideologia partidária, a destruição da Igreja, Mãe e Mestra da Verdade, se tornava parte determinante de qualquer projeto socialista de governo. O socialismo, para Gramsci, era a “a religião que” mataria “o cristianismo”. Ademais, dentro da ótica gramsciana, o Partido Comunista adota uma mística religiosa, sendo uma reprodução “vermelha” do Príncipe maquiavélico. A subordinação sem limites do militante à sigla reflete, em essência, a ânsia do ser humano por Deus. A dura disciplina interna, somada ao forte estudo intelectual-doutrinário, com uma destacada centralização, transforma o Partido sonhado por Gramsci quase como uma instituição religiosa de fundo transcendental, destinado ao misticismo revolucionário.

A ação comunista contra a Igreja Católica compreende, hoje em dia, uma diversidade de práticas, desde o ataque frontal, até às sórdidas arquitetações da grande mídia. O Cristianismo enfrenta uma violência interna e muito bem articulada. O relativismo moral e religioso da sociedade moderna, fruto, de certo modo, da decadência alimentada pela perspectiva coletivista, cria o habitat apropriado para o fortalecimento dos “chavões sociais” comumente repetidos nas sacristias e passeatas.

De todo o modo, nem mesmo o mais organizado dos ataques conseguirá derrubar aquela que é a Esposa de Cristo, a única instituição Divinamente pensada e sobrenaturalmente guardada. Como bem disse Fulton Sheen – oxalá seja uma profecia; “O martelo que tantas habitações e tantos lares destruíra, tantos santuários profanara, há-de um dia, em virtude de tantas preces e de tantos sacrifícios feitos por milhões de homens e mulheres, transformar-se numa cruz; a foice que os comunistas usaram para ceifar tanto caule verde, tanta vida incipiente, deixará o seu simbolismo e transformar-se-á numa lua de pureza sob os pés da Virgem Nossa Senhora.”

sexta-feira, 12 de março de 2010

Excesso de democracia na Venezuela

Calma, o título não foi uma ironia - minha pelo menos -, afirmação é de Lula (Cfr: Folha Online, 29/9/2005).

Tão democrático é o ditador presidente venezuelano que, como prova de sua democraticidade, dirigiu um trator (não, eu não esqueci de colocar um risco em cima dessa palavra porque foi num trator mesmo!) desde sua residência oficial, o Palácio de Miraflores, até a praça "El Calvário" para comemorar, com seus camponeses democratas, os 151 anos do início da Guerra Federal (1859-1863).

Vejam as fotos abaixo.

Chegada alegre do presidente:

Agora, vejamos as fotos do povo alegre soltando balões coloridos com a chegada de Chávez, o democrata em excesso:

Pausa para uma breve explicação


Antes de continuarmos a ver as outras imagens desse feliz encontro de um presidente com seu povo, faço uma breve explanação sobre a foto acima.

O personagem na bandeira é Ezequiel Zamora, principal figura da Guerra Federal. Por ocasião do 192º aniversário de nascimento desse revolucionário democrata, foi realizado, mês passado, na Venezuela, o Fórum Internacional "Hombres a Caballo".

Elías Jaua , vice-presidente venezuelano, enfatizou bastante o caráter democrático de Zamorra:
"Un hombre que fue criminalizado, que fue satanizado y que por el contrario fue el líder de una gran revolución popular, campesina”. (Fonte: Ministerio del Poder Popular para la Agricultura y Tierras, 4/2/2010).
Esse econtro teve como finalidade homenagear outros líderes democráticos como o nosso Luiz Carlos Prestes, amante da democracia soviética.

Agora, direto de El Calvario, voltamos para as fotos do povo que vive sob a excessividade democrática.

Abaixo, bandeiras de duas nações democráticas:


Olhem para esta foto e vejam a alegria de um ancião no auge da liberdade democrática, ele segura em suas mãos o símbolo do diálogo com a oposição:

Felizmente não houve problemas durante o clamor popular, tal foi a calma que esse cidadão sentiu sono depois das enérgicas saudações:

Reparem novamente no clima de alegria e festividade, no colorido dos balões e nas faixas em honra ao presidente democrata:

Nada mais belo que um país sob o domínio da democracia em excesso.

Moral da história: democracia, democracia, quantos crimes cometidos em teu nome!

Para ver outras fotos, acesse:
http://www.noticias24.com/actualidad/noticia/144419/en-imagenes-las-milicias-campesinas-con-fusiles-al-hombro-en-el-calvario/

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Anarquistas e comunistas: a autogestão integral

Anarquista (an, em grego privado de, e arché, governo) é um indivíduo que luta pelo fim de toda autoridade, mesmo quanto legítima, e para isso alguns se utilizam dos crimes praticados pelas ditaduras comunistas para suprimir toda e qualquer superioridade. Exemplo:

O erro desses anarquistas é supor que o marxismo não seja também tão tolo quanto eles anarquista.

Sim, é verdade, houve açougues humanos ditaduras comunistas onde a autoridade foi utilizada de forma completamente errada (Nuremberg para os comunistas, já!), mas os próprios marxistas consideravam esse período ditatorial como uma transição necessária para impor a igualdade. Quando a liberdade não mais gerasse desigualdades, então eles acabariam com uma das últimas desigualdades, o próprio Estado, pois a simples existência dele supõe que uns mandam e outros obedecem. Aí teríamos, dizem os comunistas, uma sociedade autogestionária.

Essa tal sociedade autogestionária "transportará toda a máquina do Estado para onde, desde então, o corresponde ter seu posto: o museu de antiguidades".(Cfr. Frederich ENGELS, Origem da Família - A propriedade e o Estado, pp. 217)

Um porta-voz dos grupos anarquista congregados na CNT - Confederação Nacional do Trabalho, fundado na Espanha por anarco-sindicalistas -, diz : "Por qual tipo de sociedade lutamos? Por uma sociedade sem classes, igualitária, onde necessáriamente os meios de produção estarão socializados (não estatizados), autogestionados pelos próprios trabalhadores (...). A isto é o que chamamos comunismo libertário: uma sociedade autogestionada federal e igualitária".

Na mesma declaração, acrescenta mais adiante: "Não pensamos que haja muitas diferenças entre a concepção da sociedade final a que aspiramos socialistas, comunistas e libertários. Haveriam diferenças nos meios e nas etapas precedentes" (Cfr. Sergio FANJUL, Modelos de transición ao socialismo, pp. 131-132 e 136).
 

Gorbachev, em seu livro “Perestroika – Novas idéias para o meu país e o mundo” (Ed. Best Seller, São Paulo, 1987, p. 35), escreve: “A finalidade desta reforma é garantir .... a transição de um sistema de direção excessivamente centralizado e dependente de ordens superiores para um sistema democrático baseado na combinação de centralismo democrático e autogestão”.

A autogestão era “o objetivo supremo do Estado soviético”, segundo estabelecia a própria Constituição da ex-URSS em seu Preâmbulo.

A diferença entre um mundo anarquista e um autogestionário é apenas o rótulo. Suas rivalidades dizem respeito somente aos métodos para atingir o mesmo fim.

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sábado, 26 de setembro de 2009

Santos não roubam, assassinam e seqüestram

Link - http://veja.abril.com.br/300909/conversa-com-dom-luiz-flavio-cappio-p-058.shtml

Conversa com Dom Luiz Flávio Cappio

Essa Deus não perdoa

Em 2005, o bispo da diocese de Barra, na Bahia, dom Luiz Flávio Cappio, ganhou os holofotes ao fazer uma greve de fome em protesto contra a transposição do Rio São Francisco. Em 2007, repetiu a dose com o apoio de esquerdistas e artistas de TV. Agora, o bispo volta à cena: quer construir um santuário no local onde o terrorista Carlos Lamarca foi morto, no sertão baiano

Leonardo Coutinho
Marco Aurélio Martins/A Tarde/AE

Dom Cappio em defesa
de um terrorista assassi

O senhor vai erguer um templo para Lamarca?

Farei um santuário para todos os mártires da diocese. Considero mártir quem morre em defesa de uma causa justa e derrama seu sangue por valores evangélicos. O Lamarca é um mártir.

Lamarca optou pelo caminho da violência e matou gente. Isso é evangélico?

Não quero canonizar ninguém. Sei que o Lamarca teve culpas, e não podemos eximi-las, mas quero valorizar o que ele fez de bom.

O que ele fez de bom?

Lutou contra a ditadura. Estou na região há 35 anos e já ouvi histórias terríveis sobre ele. Diziam que comia gente e estrangulava crianças. Eram coisas que a ditadura colocava na cabeça do povo.

Como o senhor vai bancar a obra?

Com recursos de dois prêmios internacionais que recebi por defender o Rio São Francisco.

Quanto o senhor ganhou?

Um valor simbólico.

Mas quanto?

Só posso dizer que dá para começar.

O senhor não tinha nenhuma obra social com que gastar esse dinheiro?

Já fazemos isso. O santuário será um lugar onde gente que foi maltratada pela história poderá ter seus restos mortais depositados e descansar em paz.

Quem serão os outros mártires?

Trabalhadores rurais mortos em conflitos.

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Que Dom Cappio queira criar o martirológio da Teologia da Libertação com assassinos, revolucionários, suicidas e similares, é problema dele, mas que faça isso em alguma denominação cismática. O esforço na desonestidade é gritante e surreal; ao mesmo tempo em que esses hereges ideologizados renegam a Igreja em diversos de seus ensinamentos, precisam dela para confirmar todo o resto que é crido. É uma relação de amor e ódio. Dom Cappio só é Bispo por causa da Igreja que ele desobedece, só é respeitado, reverenciado e coroado com premiações porque é a Igreja que com o peso e autoridade legitima o seu episcopado. Ademais, toda a doutrina, desde a Eucaristia até a divindade de Cristo, se consolida dentro da Igreja. É esta a instituição responsável pela perpetuação do cristianismo, até que chegasse no interior do Brasil, em Guaratinguetá, onde nasceu Sua Excelência Reverendíssima, sendo batizado e educado dentro da fé.

Valores evangélicos? Trair o juramento feito ao país e às Forças Armadas, articular uma revolução armada para submeter a nação a Moscou, sonhar com uma ditadura do proletariado que historicamente foi responsável pelos maiores genocídios da humanidade, assassinar, roubar, seqüestrar, tudo isso é valor evangélico? Mesmo na mais ideologizada das suposições, mesmo que os ideais de Lamarca fossem evangélicos, os meios utilizados passaram bem longe de qualquer mensagem bíblica. Isso é de puro maquiavelismo; os fins justificam os meios. A teologia moral ensina que atos negativos não podem ser praticados visando frutos positivos. Ademais, nem mesmo na perspectiva da "ação de duplo feito" - quando uma ação boa pode gerar efeitos bons, indiferentes e maus independentes dos anseios pessoais - as atrozes atitudes de Lamarca se encaixam, já que havia a clara intenção de promover o caos e o terror.

Dom Cappio reflete a mentalidade infantil e incoerente daqueles que crêem devotamente que os jovens da década de 70 que lutavam contra regime militar eram apenas libertários idealistas, promotores do espírito de liberdade, soldados na luta em favor da paz. Um engano tão estúpido só pode ser fruto ou da desonestidade congênita ou de uma comunhão ideológica. Na prática, sabemos muito bem que todas as células terroristas participavam de um grande projeto revolucionário internacional, dispendioso e financiado pelas mais monstruosas ditaduras da história; China, Cuba, Albânia, URSS etc.

Lamarca e os membros da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) foram responsáveis pelo assassinato do tenente Paulo Alberto Mendes, morto a coronhadas, que havia voluntariamente se rendido e se colocado na condição de refém. Vejamos esse breve relato;
"No dia 10 de maio de 1970, em meio à mata do vale da Ribeira, onde outro grupo de criminosos pretendia montar uma "zona liberada de guerrilha", um outro "tribunal" reuniu-se. O tenente da Polícia Militar de São Paulo, Alberto Mendes Júnior que se oferecera como refém em troca da vida de seus homens, tornara-se um estorvo para os bandidos em sua tentativa de furar o cerco policial-militar. Resolveram matá-lo e como o barulho de um tiro poderia denunciá-los, o fizeram a coronhadas que esfacelaram a cabeça do condenado. O presidente do "tribunal", também promotor, juiz e comandante do pelotão de execução, chamava-se Carlos Lamarca."
Claro que poderia citar diversos assassinatos e seqüestros, mas nada disso importa para aqueles que estão submersos na mentalidade revolucionária. Gente desse tipo já sofre com uma inversão completa de valores e moral. Vejam só, o assassinato, o roubo, o seqüestro, viraram "valores evangélicos"!!

quinta-feira, 26 de março de 2009

O Anticomunismo e Olavo de Carvalho

Pedro Ravazzano
***
Olavo de Carvalho, no seu último artigo, dirigiu uma resposta ao meu breve comentário, feito numa lista que faço parte. Até então nada demais, o grande problema foi que, num de seus rompantes de falta de educação e barbarismo, me xingou. Claro que, para quem o conhece, palavrões e boca suja são normais, até engraçados, principalmente para as seus seguidores- se tal ofensa fosse feita por inimigos ideológicos seria motivo de muita reflexão e oposição. O que me entristece, na verdade, não é resposta do Olavo, mas o fato de me julgar e achar que sou um rapaz muito soberbo que fica na internet a procura de atenção. Ora, eu fiz um simples comentário numa lista fechada e o reproduzi na comunidade “Católicos”, onde sou da moderação. Fazia muito tempo que sequer comentava na “Olavo de Carvalho”, inclusive nem mais ouvia o Trueoutspeak. Quando entrei no msn messenger e soube do xingamento fiquei sem entender, demorei para processar, afinal me pareceu bastante improvável que em meio a uma discussão tão profunda o meu raso comentário – não tinha a pretensão de fazer nenhuma grande análise – fosse usado como a ponta da lança da sua argumentação, sendo que nunca passou pela minha cabeça debater com o Olavo. Simplesmente escrevi uma pequena nota a um tema que estava sendo debatido entre nós.

Eu nunca quis holofotes, muito menos sou afeiçoado à “arte genuinamente brasileira de simular autoridade intelectual”. Sou membro do Apostolado Veritatis Splendor, faço parte do Grupo de Estudos do Pensamento Conservador – BA – que mantém o blog Acarajé Conservador – e, há pouco tempo, criei, juntamente com colegas da Faculdade de Economia da UFBA, o blog Hominis Libertas – A Liberdade do Homem – voltado para a discussão liberal. Olavo, que respeito e admiro, tentou me transformar em um jovem que, a procura de atenção, emite anátemas e realiza julgamentos que se encontrariam fora da minha capacidade. Primeiro que, jamais tive tamanho devaneio, nunca procurei a certeza através da minha auto-afirmação. Olavo, novamente, procura reduzir seus opositores a imbecis nonsense. Claro que não me considero mais capaz ou inteligente do que ele que, de fato, tem uma cultura invejável. Entretanto, isso não desmerece o meu conhecimento ou torna todas as minhas argumentações imbecis por eu ser um "mero garoto" de vinte e poucos anos. De todo o modo, sempre é pertinente frisar que, nessa confusão, que eu caí de pára-quedas – afinal não esperava que um simples comentário fechado tomasse grandes proporções – jamais ultrajei ou ofendi o Olavo e sua família, e queria ser tratado da mesma maneira.

Falando sobre o meu comentário, Olavo afirma:

“Neste mesmo momento, milhares de jovens católicos como esse estão sendo induzidos, por sacerdotes estúpidos ou maliciosos, a contentar-se com “ser anticomunistas em espírito”, na segurança dos seus lares e no doce ambiente da fraternidade cristã, sem arriscar o conforto de suas almas e o bem-estar de seus corpos no enfrentamento real com o inimigo, na agitação sangrenta do mundo.”

Pois bem, não sei quem seriam esses sacerdotes estúpidos ou maliciosos, até porque onde resido, na arquidiocese de Salvador, nunca ouvi um único Padre falando do anticomunismo, mesmo em espírito, o que o Olavo considera uma velha bobagem. A coisa por aqui é muito mais séria; o modernismo em sua plenitude. Convivo diariamente com profanações, heresias e desobediências e isso apenas fortalece minha luta em defesa da Verdade. Ainda vale frisar que de confortável isso não tem absolutamente nada. Ao contrário, discussões com adeptos da Teologia da Libertação, debates com modernistas, enfrentamento com comunistas, isso sim é uma agitação, e não o conforto de ficar em plena Virgínia escrevendo artigos enquanto no Brasil nós, "jovens católicos induzidos por sacerdotes estúpidos", nos batemos, não só teoricamente, com os abusos e as heterodoxias. Se defender o anticomunismo em espírito, que é quando se vive radicalmente a Religião, em pleno campo de guerra, é encontrar-se na segurança dos seus lares, eu não sei o que é quando alguém incita um levante escrevendo de tão longe.

Olavo compreende essa minha afirmação de maneira totalmente obtusa. Quem conhece o poder da oração e da penitência, quando guiadas pela fidelidade a Igreja, sabe como são vitais para a vivência sincera do cristianismo em sua plenitude. Não sei se ele faz referência ao Opus Dei, mas tomo a liberdade de pensar que sim, ainda mais quando faz pouco tempo que ofendeu os Sacerdotes da Obra por não serem enfaticamente "anticomunistas" a la Olavo. Pois bem, a Obra, como reflexo dos ensinamentos do Magistério, defende e estimula uma vida santa. Essa santidade pressupõe a fidelidade e honestidade para com a doutrina católica – que não é irrelevante, diga-se de passagem. Todo o arcabouço doutrinal da Mater Ecclesia parte de uma experiência em Deus, provém da própria Revelação. O anticomunismo em espírito, que eu defendi, é justamente originado quando o crente católico, fiel aos ensinamentos da Igreja, segue piedosamente e vive com devoção a Religião. Mesmo sem ouvir falar do projeto comunista e da Nova Ordem Mundial os fiéis que se entregam a Cristo através da Sua Igreja trazem consigo um forte espírito anticomunista, que é a conseqüência imediata da sincera e pura crença. Isso, na verdade, é o resultado do próprio antídoto católico que é injetado quando da adesão de Fé em sua grandeza e humildade. Claro que, obviamente, inserimos as condenações magisteriais ao comunismo – condenações que foram produtos de muita oração – como cruciais para o despertar da comunidade à realidade atual, entretanto, mesmo sem ter em conta essa anatemização, os católicos que abraçam o catolicismo integralmente, sem relativismo e disse-me-disse, tornam-se anticoletivistas automaticamente, justamente por perceberem, reflexo da adesão radical a mensagem Cristã, a contradição entre socialismo e cristianismo. “A oração é um combate. Contra quem? Contra nós mesmos e contra os embustes do Tentador, que tudo faz para desviar o homem da oração, da união com seu Deus. Reza-se como se vive, porque se vive como se reza. Se não quisermos habitualmente agir segundo o Espírito de Cristo, também não poderemos habitualmente rezar em seu Nome. O "combate espiritual" da vida nova do cristão é inseparável do combate da oração.” (Catecismo §2725)

Olavo tem uma postura muito ingrata, ele tenta dizer que a valorização que faço da vida interior seria uma obrigatória condenação a toda e qualquer postura anticomunista. Pois bem, ser um bom católico é muito mais importante do que ser um bom anticomunista. Vale frisar que todo bom católico é um bom anticomunista, mas o meu comentário, não sei se erroneamente entendido por conta de uma interpretação superficial ou falta de sensibilidade, apenas tenta mostrar que mesmo os fiéis que desconhecem as condenações ao socialismo entendem e compreendem a incongruência entre a cristandade e o pensamento revolucionário. Ainda vou além, a vida de oração e contrição também é mais importante que um anticomunismo militante; um dos grandes problemas do mundo atual, que é facilmente percebido por aqueles que vivem a realidade eclesial no seu dia-a-dia, é justamente a falta de mística, transcendência, reverência ao Sagrado e sentimento de contrição. A Teologia da Libertação ataca e diminui esse espírito católico, colocando em seu lugar uma postura materialista e terrivelmente mundana. Não por menos, os movimentos que mais crescem dentro da Igreja são aqueles que resgatam a ortodoxa postura de piedade e fidelidade que despertam no povo uma forte entrega a Deus e a Sua Providência.

Olavo coloca como se eu tivesse feito uma integral condenação do anticomunismo militante quando, na verdade, apenas afirmei que aqueles católicos que desconheciam as condenações da Igreja ao comunismo, mas viviam em entrega a Deus e seguiam piedosamente os princípios e preceitos cristãos, tornavam-se anticomunistas naturalmente, afinal, “A tradição da oração cristã é uma das formas de crescimento da Tradição da fé, sobretudo pela contemplação e pelo estudo dos difíceis, que guardam em seu coração os acontecimentos e as palavras da Economia da salvação, e pela penetração profunda das realidades espirituais que eles experimentam.” (Catecismo §2651) Outra interpretação que não essa é mera especulação, na verdade não é de estranhar, afinal o Olavo pegou um breve comentário que escrevi sem qualquer direcionamento a ele e sem a mínima pretensão – até por falta de profundidade - e o transformou no bode expiatório. Fico profundamente triste que essa questão tenha tomado tais proporções, na verdade me incomoda essa hierarquização e o tom que sou obrigado a usar nesse artigo, afinal, pode parecer, para os desavisados, que estou colocando de lado o anticomunismo quando, diferentemente, o defendo com radicalidade e total adesão, entretanto, sem desmerecer o grande e enorme bem originado da vida espiritual que gera uma graça na alma indescritivel. Olavo, por sua vez, ao supervalorizar o anticomunismo parece subvalorizar os que não aderem formalmente a essa missão dos cristãos. Combater o erro é dever moral de todos os homens batizados e, por motivos que não a falta de vocação a esse apostolado, aqueles que não se levantam por falta de coragem ou dúvida quanto à ilicitude do comunismo estão caindo em profunda heterodoxia. Ademais, não podemos nos esquecer que a presença comunista dentro da Igreja, que é fruto do modernismo, impede a correta formação dos fiéis católicos e, para piorar, incita a rebeldia doutrinal e a falta da piedade por meio do distanciamento do espírito devocional e das práticas cristãs – não por menos a Teologia da Libertação tem pavor a tudo que remete ao Sagrado. Acabar com a presença dos revolucionários dentro do clero é essencial para a reestruturação do catolicismo e a retomada da espírito cristão que, pouco a pouco, vem sendo substituído por princípios relativistas. Para tanto, precisamos nos aproximar cada vez mais do Santo Padre que, juntamente com os Cardeais, Bispos e Sacerdotes, procurar combater o erro, sempre com mais ênfase, e fazer triunfar a correta hermenêutica conciliar. Em suma, tudo está muito intimamente ligado, ainda mais quando vivemos uma época de verdadeira crise civilizacional, ou seja, o modernismo se encontra na raiz do problema, combater o modernismo, através da difusão da ortodoxia doutrinal e da piedade cotidiana, é desconstruir o arcabouço que os hereges usam para validar o discurso socializante dentro da Igreja.

Assim disse S.S Pio XI na Constituição Apostólica Umbratilem, dirigida à Ordem dos Curtuxos: "Facilmente se compreende que contribuem muito mais ao incremento da Igreja e à salvação do gênero humano os que assiduamente cumprem com seu ofício de orar e de mortificar-se, que os que com seus suores e fadigas cultivam o campo do Senhor". Será que o Santo Padre, que também condenou o comunismo, esqueceu que o perigo deve ser combatido necessariamente através de um enfrentamento real? Pensam assim os que desconhecem o poder da vida em oração. Não obstante, vale lembrar que, o anticomunismo é parte importante da Doutrina Social Católica e a luta contra esse regime totalitário e anticristão é um ponto relevante da missão do batizado, mesmo que que esse combate seja através de uma vivência da fé norteada pela pura e sincera devoção religiosa ou por meio de um enfático apostolado em constante alerta ao perigo marxista. O erro é quando transformam o anticomunismo no ensinamento primordial de toda a catequese e formação cristã. Como já foi dito ao longo do artigo, a condenação da Igreja ao comunismo foi fruto da vida espiritual, assim sendo, aqueles que seguem esse mesmo itinerário consolidam na alma um pavor ao marxismo revolucionário.

Depois disso, Olavo escancara. Quanto julgamento, quanta afirmação mentirosa. Ele quer dizer que sou um radical opositor do anticomunismo, como se não levasse em conta os ensinamentos da Igreja e as mensagens papais. Não aceito e acho profundamente asquerosa e baixa a tentativa que ele faz de me transformar num indigno devoto dos milhares de católicos santos que foram martirizados em todas as nações que sofreram com o totalitarismo comunista, o espírito da anti-civilização. Para mim essa foi a pior ofensa feita pelo Olavo. Além de ele ser mestre em julgar e desmerecer seus opositores, tentando transformá-los em estúpidos e caricatos, agora quer conhecer e lançar conclusões sobre as nossas consciências. O que ele sabe sobre mim? Absolutamente nada. Fiquei profundamente estarrecido com essa baixeza, esperava mais. O mais irônico é que Olavo cita Nossa Senhora de Fátima, será que ele não sabe que a Virgem pediu a conversão, a oração, a penitência? Por caso não sabe ele que a Santíssima Virgem receitou a piedade e fidelidade como os melhores remédios contra o terror anticomunista, tanto que pediu a consagração da Rússia ao Seu Imaculado Coração, afinal o sentimento de entrega ao Senhor cura todas as chagas e destrói todos os inimigos? Provavelmente, para o Olavo, a Ir. Lúcia deveria ter se tornado a fundadora de alguma associação internacional anticomunista, mas, para a sua tristeza e nossa alegria, a vidente portuguesa entrou para o Carmelo, onde foi concretizar a sua vocação através da oração e penitência, rezando pela conversão dos corações, já que “É pela oração que a alma se arma para toda espécie de combate. Em qualquer estado em que se encontre, a alma deve rezar.”, como disse Santa Faustina Kowalska em seu diário. O católico não é um homem que escolhe a oração em detrimento da ação, ou vice-versa, as duas estão intimamente ligadas dentro da realidade católica, o que as diferencia é a vocação, o chamado que cada batizado tem para viver a fé.

Posteriormente começou a ofender o Concílio. Concílio que é radicalmente defendido pelo Santo Padre, que o considera norte e farol do seu pontificado, convidando a todos a manterem “vivo o espírito do Concílio Vaticano II”. O pensador brasileiro ainda afirma que houve uma aliança do Vaticano com a URSS para que o comunismo não fosse citado nos documentos conciliares. Provavelmente faz ele referência ao Pacto de Metz. Já havia feito uma reflexão sobre isso, inclusive, se não me falha a memória, depois de certos comentários do Olavo.

Tudo isso até me lembra os conspiradores e judeus liberais que dizem que o grande Pio XII era o “Papa de Hitler”. O motivo? Não teria se levantado e lutado duramente contra o nacional-socialismo. Entretanto, sabemos muito bem que essa estratégia foi vital não só para a salvação de muitos crentes que viviam nas regiões ocupadas, mas, principalmente, para impedir que o Holocausto se tornasse mais desumano do que foi. Qual o motivo de S.S Pio XII não ter enfrentado de forma escancarada e explícita o Nazismo? Simplesmente temia pela vida do povo católico que vivia sob o jugo do regime nazista. Como disse Marcus Melchior, rabino chefe da Dinamarca, "se o Papa tivesse tomado explicitamente uma posição, Hitler provavelmente teria massacrado bem mais do que seis milhões de judeus e talvez dez vezes dez milhões de católicos, se tivesse oportunidade para isso".

A Igreja, mesmo sendo uma instituição, tem um fim claramente espiritual. Óbvio que a condenação ao comunismo sempre é oportuna e essencial, ainda mais no mundo de hoje, mas além da Mater Ecclesia já ter-lo condenado - o que não faz de extrema necessidade outra condenação - a vida eclesial no Leste Europeu, nos tempos comunistas, estava em risco. Quer dizer que o Vaticano deveria ter priorizado a REAFIRMAÇÃO daquilo que já tinha sido afirmado dezenas de vezes do que a salvação dos fiéis humilhados pelo regime comunista – apenas modernistas, que são hereges, desmerecem os ensinamentos passados da Igreja -? Isso me lembra a história do próprio Wojtyla. Em toda a sua vida apostólica na Polônia jamais proferiu críticas diretas ao comunismo institucionalizado, e por quê? Simplesmente acreditava que a derrubada do totalitarismo ateu se fazia pela conscientização do Amor de Deus aos homens, a defesa radical do cristianismo, o zelo eucarístico e doutrinário. Tudo isso, inevitavelmente, desaguava no claro entendimento da incongruência essencial entre o socialismo e a catolicidade, muito melhor do que a adoção de um caminho onde o anticomunismo seria apenas vivido enquanto política e não experimentado e entendido em sua raiz, ou seja, destruidor da fé cristã - o que se obtém através do conhecimento espiritual e contemplativo. Alguém chamaria João Paulo II de aliado dos comunistas, logo ele que fez da derrubada da Cortina de Ferro quase um apostolado pessoal? Esse exemplo apenas mostra que, diferentemente do que querem, a Igreja não é uma mera organização anticomunista e, mesmo parecendo absurdo para alguns, as atitudes da Esposa de Cristo sempre se fundamentam na Verdade! Se o Vaticano atacasse os comunistas, quem os comunistas atacariam em resposta ao Vaticano?

O Pacto de Metz teria sido um acordo, assinado em Metz, na França, entre a Igreja, representada pelo Cardeal Tisserant (que tinha junto consigo o então Cardeal Montini, futuro Paulo VI) e a URSS, através do Patriarca de Moscou, Nikodim, testa de ferro do regime comunista. Com a formalização desse pacto, ficaria acordado que a igreja cismática enviaria observadores ao Concílio e, em contrapartida, haveria total silêncio acerca do comunismo. Da mesma forma, com o mesmo espírito conspiratório, rumores afirmam que na verdade o Pacto de Metz não passou de uma invenção da KGB para denegrir a Igreja.

Dois pontos de grande relevância; o Concílio optou por utilizar um método positivo, sem anatemizar nem recondenar o que já havia sido condenado. Ora, com pacto ou sem pacto o Vaticano II não faria uma taxativa condenação ao comunismo - Até porque, como o tal pacto envolveria diretamente um Papa, João XXIII, o mesmo que proibiu católicos de se aliarem a partidos e políticos comunistas, e dois Cardeais, é legítimo concluir que eles sabiam que mesmo com a omissão do comunismo no Vaticano II, isso em nada modificaria os anátemas já feitos, não teriam a inocência de acreditar que esse silêncio revogaria anos de ensinamentos. Vale lembrar que milhares de instituições religiosas foram questionados sobre os assuntos que queriam que fossem abordados no Concílio; o comunismo nem apareceu na lista. Outra questão que não podemos nos esquecer; o Magistério da Igreja é contínuo, infalível nos seus ensinamentos, não se anula nem entra em contradição. O comunismo já havia sido condenado desde o Beato Pio IX. Logo, mesmo com o Concílio não relembrando a anatemização do materialismo dialético, este continuaria sendo inimigo mortal da Fé.

Fico triste com o acontecido, ainda mais quando vejo que o Olavo desenvolve toda uma argumentação centrada num comentário que escrevi sem a mínima pretensão e sem qualquer referência a sua pessoa. O pior é perceber que chegou a conclusões absurdas sobre mim, seguindo o seu velho método de desmerecer e transformar seus opositores – não que me considere um – em figuras caricatas e produtos da crise social e da decadência do pensamento ocidental. Quem me conhece sabe muito bem que, nem de longe, tenho uma postura antianticomunista, ao contrário, minha militância é constante, ainda mais quando convivo diariamente com marxistas na Faculdade de Economia. Todo esse julgamento – sim, é um julgamento - feito contra mim, tanto do Olavo quando dos seus seguidores, partiu de uma simples nota. O que era para ser um comentário corriqueiro se transformou no motivo do meu xingamento – que, por sinal, foi terrivelmente baixo – e da argumentação do Olavo. Claro que, naturalmente, muitas conclusões foram tiradas precipitadamente por ele, o que é óbvio, afinal usou como premissa as minhas poucas linhas que não tinham lá grande conteúdo. O que tenho achado graça é que quase estão me vendo como um adepto da Teologia da Libertação. Enfim, o que disse naquele breve post, o que quis dizer ao longo desse texto, é que o anticomunismo é sim terceiro ao lado de outras importâncias como o seguimento dos Mandamentos de Deus e da Igreja, do estudo do Catecismo, do conhecimento da doutrina, da adoração eucarística, do Rosário, da mortificação etc, entretanto, como tudo se encontra intrinsecamente ligado, quem vivencia de coração, com entrega e confiança os ensinamentos da Mater Ecclesia, torna-se anticomunista naturalmente, justamente pelo anticomunismo se formar através do conhecimento Magisterial e do entendimento da mensagem Cristã. Claro que, com plena certeza, não desmereço o apostolado anticomunista – até não poderia, eu o faço -, simplesmente não o absolutizo e entendo que os católicos que desconhecem as diretas condenações da Igreja ao comunismo, mas que aderem de corpo e alma e com radicalidade ao catolicismo, se transformam em verdadeiros militantes contra-revolucionários.