Mostrando postagens com marcador acarajé conservador. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador acarajé conservador. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Entrevista do Acarajé Conservador à Revista Lupa - Facom - Ufba

Segue a entrevista que o Grupo de Estudos do Pensamento Conservador deu à Revista Eletrônica Lupa, mantida pela Faculdade de Comunicação da Ufba, e que se encontra no link. A entrevista foi dada no dia 04 de setembro de 2009, no próprio campus da Universidade.

***

Por Rodrigo Aguiar em setembro 14th, 2009

A Lupa Digital entrevistou a quase totalidade dos integrantes do Grupo de Estudos do Pensamento Conservador. Há cerca de um ano, eles mantêm o blog Acarajé Conservador. Confira abaixo os trechos mais importantes do bate papo com Pedro Ravazzano, Ricardo Almeida, Fabrício Soares, Edson de Oliveira, Vinícius Mascarenhas e Vladimir Lachance.

LUPA -Afinal de contas, o que é ser um conservador?

Ricardo Almeida – Conservadorismo é, basicamente, uma vertente política que toma a existência da tradição como um dado positivo. Agora, você tem uma variabilidade muito grande: há conservadores de vertente monarquista, outros são conservadores “liberais”. Todas as vertentes partem da idéia de que se deve reportar a essa tradição, porque ela possui um conhecimento, uma sabedoria que transcende os indivíduos e pode ser acolhida como um cabedal de informações importantes.

L - No texto “Os Dez Princípios Conservadores”, do Russel Kirk, ele defende que o conservadorismo não é propriamente uma ideologia e sim uma tendência, uma disposição, um caráter. Faz sentido falar em uma ideologia conservadora?

Ricardo Almeida – O termo ideologia sugere idéias que são alheias ao conservadorismo. Quando Marx emprega o termo ideologia, ele o faz para designar um conjunto de proposições teóricas que encobrem um determinado interesse de classe, que está ligado a essas proposições. Os conservadores não partem dessa idéia, porque acreditam que, em primeiro lugar, uma teoria pode ser julgada apenas pelo seu próprio valor, independente de qualquer associação política, econômica ou social. Em segundo lugar, nem sempre, aliás muito frequentemente, um indivíduo que defende o conservadorismo não pertence às classes dominantes nem tem nenhum interesse econômico.

L - Frequentemente, os conservadores são acusados de serem intolerantes. Ainda nos “Dez Princípios”, o Russel Kirk fala no princípio da diversidade. Queria que algum de vocês comentasse sobre isso.

Vinícius Mascarenhas – Eu penso que as pessoas confundem muitas vezes o termo “conservador” com palavras que são utilizadas no senso comum. Por exemplo, as pessoas costumam dizer que é conservador qualquer coisa que seja intolerante. Então, o raciocínio é “se é intolerante, é conservador” e não “os conservadores são intolerantes”. Tudo que eles acham ruim chamam de “conservador” ou “de direita”, de maneira pejorativa. Agora, do ponto de vista que o Russel Kirk usa o termo “conservador”, é muito natural falar em diversidade, sobretudo partindo da tradição norte-americana, a qual ele é ligado. Pode-se falar também em pluralismo, que é uma abordagem do filósofo Michael Novak. Então, o conservadorismo não está fechado e o nosso grupo é uma prova disso. Temos pessoas da TFP [Tradição, Família e Propriedade], como é o caso do Sr. Edson. Temos pessoas que não são de religião alguma, tem outros que…
Pedro Ravazzano – São de todas. (risos)

*O grupo faz referência ao fato de Ricardo ser adepto da Filosofia Perene.

Edson de Oliveira – Muitas vezes, as pessoas criticam, por exemplo, que o Papa condene o preservativo e o chamam, num tom pejorativo, de “conservador”. Isso vai na linha de tentar tachar o Papa como um ditador, mas a meu ver o ditador é essa pessoa, porque ela não considera que alguém possa ter uma opinião diferente dela. Ela não quer que o Papa tenha a liberdade de expressar um pensamento da doutrina católica. No fundo, ela quer que o Papa fale o que ela quer ouvir.

L - A defesa de certos valores morais supremos está necessariamente ligada à religião?

Edson de Oliveira – Não, por causa do Direito natural. Através dele, qualquer pessoa (como Aristóteles, que não era católico nem nada) pode defender certos valores como supremos.
Fabrício Soares – Atualmente, isso é pouco comum, mas tradicionalmente muitos filósofos acreditavam na existência do universal, que é algo que transpõe o cultural. Platão, por exemplo, quando pensava em ética, não pensava a ação humana apenas para os gregos. Em diferentes sociedades humanas, é possível constatar comportamentos semelhantes como, por exemplo, a rejeição ao incesto. A existência desses pontos em comum mostra que certas coisas não são apenas convenções de uma dada cultura, mas sim coisas que precisam acompanhar o ser humano em qualquer lugar. Isso é uma prova da existência do Direito Natural, que precede a constituição mesma da sociedade.

L - Muitos críticos do conservadorismo apontam como seu “calcanhar de Aquiles” o fato dele não se constituir como uma ideologia.

Pedro Ravazzano – Eu não acho. Pelo contrário, acho que isso é um ponto positivo do conservadorismo. Existe uma base estrutural essencial pra qualquer pessoa que se considere conservadora, mas sobre ela cada um tem liberdade de pensamento. Veja o nosso grupo, por exemplo. Tem ateus, tem católicos, tinha protestantes…

L - Ateus no grupo?

Pedro Ravazzano – Fabrício é ateu. Tem Ricardo… (risos)
Ricardo Almeida – Deixa eu explicar. Em termos de religião, eu sigo uma vertente muito estranha pra maior parte das pessoas, que é o tradicionalismo, chefiado por René Guénon, Frithjof Schuon… Basicamente, o tradicionalismo é uma teoria de explicação das religiões que parte da ideia de que o que unifica todas as tradições é a base metafísica comum. Cada uma tem as suas particularidades dogmáticas, culturais e simbólicas, mas todas elas se referem a uma mesma estrutura metafísica da realidade e é esta estrutura que permite dizer que todas as religiões, se ortodoxas, conduzem ao mesmo lugar.

L - E dentro daquele espectro direita-esquerda, todo direitista é um conservador?

Ricardo Almeida – Não. A direita abriga pessoas das mais variadas formações. Liberais, anarco-capitalistas… Nem todo direitista é conservador, embora a direita abrigue o conservadorismo. Mas há um problema em definir alguém como de direita ou esquerda, porque esses termos não têm uma definição muito clara, são palavras usadas a esmo…

L - Mas vocês usam no blog. Esquerdismo, esquerdista….

Ricardo Almeida – O meu uso ainda é um pouco vago. Eu já li bons textos que tratam dessa dicotomia direita-esquerda, mas não cheguei a ter uma definição clara.
Fabrício Soares – O termo “esquerdismo” é muito mais definido do que “direitismo”. “Esquerda” é uma expressão cuja conotação foi atribuída principalmente pelos que se colocam dentro dessa denominação.

L - E a esquerda “inventou” a direita pra colocar tudo que era contrário a ela?

Fabrício Soares – De certa forma, sim.
Pedro Ravazzano – Como eu estava comentando com Ricardo, hoje a esmagadora maioria das pessoas que se auto-intitulam “de direita”, como se isso fosse um caráter de distinção, são defensores de um conservadorismo ou de um liberalismo infantil, que acha que votar no PSDB é ser de direita. É aquele direitismo que não tem nenhuma base. Além disso, esse esvaziamento do que é ser conservador ou ser de direita aqui no Brasil foi basicamente uma conseqüência do regime militar. Como a esquerda se auto-intitulava defensora da liberdade e do povo e o regime militar era visto como algo conservador, então o conservadorismo foi visto como esse monstro autoritário. Só que isso não existe, porque nós sabemos muito bem que os movimentos terroristas do regime militar não queriam derrubar a ditadura, queriam trocar uma ditadura por outra, muito mais cruel.

L - Existe partido de direita no Brasil?

Pedro Ravazzano – É uma pergunta complicada, porque no Brasil não existe uma fidelidade ideológica partidária. Os partidos de esquerda são muito mais ideologizados do que os partidos de “direita”, como o PSDB e o DEM. O PSDB é visto como o baluarte da direita conservadora no Brasil, mas, pelo amor de Deus, quem em sã consciência crê nisso? O próprio presidente Lula, em visita a Argentina, declarou que estava feliz porque todos os possíveis candidatos à presidência eram de esquerda. O único partido que talvez tenha uma sintonia a mais é o DEM, não o atual, mas o antigo PFL. Se você lesse a carta de apresentação do PFL, havia um viés liberal. Não um liberalismo convicto, mas mitigado. Depois que o PFL virou DEM e praticamente se tornou uma sucursal do PSDB, as coisas mudaram. O partido saiu da centro-direita e virou um partido de centro; centro que vai pela maré, de acordo com a situação.
Edson de Oliveira – No Brasil, existe político de direita, mas não partido. Por exemplo, o Lael Varella, do DEM. E tem também aquele da Polícia Militar de São Paulo, o Coronel Paes de Lira.
Pedro Ravazzano – Que entrou no lugar de Clodovil. E Clodovil, por incrível que pareça – pra você ver como o Brasil é uma caricatura – despontava como um conservador. (Risos). Foi vaiado pelo movimento gay. Era criticado pelo movimento negro.

L - Uma crítica muito comum da esquerda é a de que os meios de comunicação são dominados pela direita. Qual a visão que vocês têm do jornalismo, em particular o brasileiro?

Ricardo Almeida – Sobre essa questão, eu acho que deveria ser feito o que uma vez sugeriu o professor Olavo de Carvalho [filósofo brasileiro], faz uma centimetragem. Pega os arquivos dos principais jornais e mede o conteúdo escrito. Faça isso de maneira casual e você vai ver que a imensa maioria das matérias tem viés claramente esquerdista. Todo mundo diz que a mídia é de direita, mas eu peço que listem os jornalistas de direita.

L - Num balaio de gato, costumam citar Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi…

Pedro Ravazzano – Daqui a pouco, William Bonner é de direita.
Ricardo Almeida – Tudo bem, ainda vai. Mas Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi representam a imensa maioria?
Pedro RavazzanoJoão Pereira Coutinho.
Ricardo Almeida – Mas esses se destacam justamente porque fogem da regra. O foco incide sobre eles porque tem alguma coisa ali saindo do normal. Ora, se sai do normal, é porque o normal é o esquerdismo. Essa visão de que a mídia, o jornalismo é de direita se baseia no fato de que a esquerda parte da idéia de que existe uma classe que comanda os jornais e que esses donos dos jornais são de direita. Acontece o seguinte: embora você tenha essas famílias que comandam o jornalismo, como os Mesquita [Estadão], os Frias [Folha de S. Paulo], os Marinho [Globo], o que se escreve nos jornais não está de acordo com uma ideologia que porventura os donos desses jornais tivessem.

L - Que autores vocês lêem, discutem?

Vladimir Lachance – Edmund Burke, que é considerado o pai do conservadorismo moderno. Curiosamente, ele não era considerado um conservador porque fazia parte do Partido Liberal inglês. Mas o princípio das idéias dele é o que deu origem a teoria do conservadorismo moderno, retomada por Russel Kirk. Tem T.S.Elliot. No Brasil, Olavo de Carvalho. Chesterton é outro que lemos bastante. Hilaire Belloc, um católico que se dizia de esquerda, mas que tinha idéias que iam de encontro ao que a gente considera de esquerda hoje.
Pedro Ravazzano – Michael Oakeshott. O Roger Scruton, eu leio o blog dele. E tem algumas leituras complementares, que não são autores propriamente conservadores. Em economia, tem os economistas da Escola Austríaca: Hayek [Friedrich Hayek], von Mises [Ludwig von Mises]…
Vladimir Lachance – Mais ligado à tradição católica tem o Dr. Plínio [Plínio Corrêa de Oliveira, fundador da organização católica Tradição, Família e Propriedade (TFP)].
Fabrício Soares – Olavo de Carvalho, além da contribuição pessoal importante, nos apresenta vários autores que não ouvimos falar em sala de aula.

L - Por quê o nome do blog é Acarajé Conservador?

Edson de Oliveira – Na época em que estávamos discutindo o nome, surgiram várias sugestões, inclusive “Zero à direita”. Daí alguém sugeriu que fosse “Café Conservador”, mas café é coisa do Sul. Tinja que ser alguma coisa da terra, daí veio a idéia do acarajé.
Pedro Ravazzano – Tá vendo? Defendemos a tradição baiana. (risos).
***
Segue o link da apresentação da entrevista:

sábado, 29 de agosto de 2009

1 ano do Acarajé Conservador!!

Amigos: deixamos aqui registrado que hoje completamos 1 ano de Blog!

Nosso blog surgiu das reuniões do Grupo de Estudos do Pensamento Conservador (que tem 2 anos) e conta atualmente com 7 colaboradores: Pedro Ravazzano, Edson Carlos de Oliveira, Edgar Freitas, Vladimir Lachance, Luciana Lachance, Fabrício Oliveira e Ricardo Almeida.

Nesse período, ganhamos um novo logo, feito pelo Emerson, vimos nossas visitas crescerem bastante, graças à divulgação dos nossos amigos blogueiros, dos nossos leitores e desafetos. Obrigada a todos que nos visitam diariamente, que deixam as opiniões aqui, aos que voltam para acompanhar as discussões.

Não custa dizer: voltem sempre!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Novo banner

É com grande prazer que lançamos o novo banner do Acarajé Conservador, tendo como destaque o Acarajé-Cruzado!

Agradecemos muito o trabalho do Emerson de Oliveira, meu amigo e irmão no Apostolado Veritatis Splendor, já conhecido pelas suas famosas charges apologéticas.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Sobre a moderação de comentários

Algumas pessoas parecem extremamente preocupadas com o fato de que os comentários do Acarajé Conservador são moderados. Na tentativa de que suas mensagens sejam aceitas de qualquer maneira, muitos acrescentam os adendos "sei que isso não será aceito" ou "vocês não irão publicar isso porque penso diferente", etc; o que, de fato, não implica que publicaremos o comentário de quem quer que seja. No entanto, não há qualquer sentido em manter um blog, especialmente como este, se aceitássemos apenas os comentários que nos agradam. Vale ressaltar que na maioria das vezes postam comentários discordantes e razoavelmente ofensivos, que na medida do possível são respondidos na caixa de comentários - mas a pessoa não retorna ou não mais se interessa para ver a réplica. Em tese, todos os comentários serão aceitos, como ocorre até então, mesmo de anônimos ou fakes. O que se evita é que comentários direcionados exclusivamente para ofender os colaboradores do blog sejam publicados aqui - especialmente quando não têm qualquer relação com o texto que o colaborador tenha postado, e sejam apenas para lavar roupa suja sobre o pretenso caráter dos membros do AC, tais como: picuinhas de faculdade, inimigos de infância, familiares, testemunhas de algum crime que tenhamos cometido no passado*, ou desafetos em geral. Para isso temos o perfil do orkut, msn, etc. Esta não é uma regra delimitada - eventualmente mesmo isso irá ocorrer, já que somos muitos membros -, mas é senso comum que tomaremos a liberdade de rejeitar comentários que sejam como os descritos acima. Ao contrário do que ocorre em sites e blogs esquerdistas, estamos interessados na opinião que nos é contrária, pois como diria Corneille "Não me basta ir ao Céu, quero levar-vos".
.
Aproveitando o espaço, avisamos que:
.
- As fãs do Fábio Jr dos padres podem ficar tranquilas que terão seus comentários publicados;
.
- As pessoas que fizerem perguntas, questionamentos, críticas, etc., serão respondidas NA PRÓPRIA CAIXA DE COMENTÁRIOS DO AC, tendo em vista que a grande maioria não têm qualquer blog ou contato; além do fato de que as discussões interessam à todos. Aos que puderem, VOLTEM para acompanhar;
.
- Preto, Zulu, Amiga, Revolucionário, X, etc.: nós não somos a PF, podem colocar seus nomes. É meio chato ficar respondendo a uma entidade desconhecida, ao mesmo tempo em que somos apontados na rua facilmente.
.
.
*desconfio que seja ironia

sábado, 25 de outubro de 2008

Acarajé Conservador?

Eu ainda fico perplexo com a total falta de honestidade dessa gente “progressista” e “moderna” (Coloco entre aspas porque esse povo representa o que de mais torpe existe na modernidade, rechaçando os seus melhores frutos). O nome do nosso blog tem causado boa impressão em grande parte dos leitores. Todos acharam engraçado e pertinente, ainda mais por se tratar do Grupo de Estudos do Pensamento Conservador – BA.

De fato, acarajé é uma comida com origens religiosas, especificamente na adoração do orixá Iansã. Àkàrà quer dizer bola de fogo, adicionando o sufixo je, que quer dizer comer, nasce, por fim, o acarajé, ou “comer bola de fogo”.

Um conservador, enquanto tal, defende a Tradição, os antigos costumes que trazem com eles um legado e aprendizado, a continuidade das instituições sociais, assim como a defesa da mais genuína Liberdade e Democracia. O acarajé é um velho hábito alimentício herdado dos nossos antepassados, uma grande, e gostosa, herança deixada por um povo que, querendo ou não seus atuais descendentes, ajudou a formar o Brasil, é um elemento cultural que, junto com outras tradições, ajudava a desenvolver o ethos baiano, não essa caricatura atual, mas o espírito da Bahia quando ainda havia uma produção intelectual de grande destaque nacional, com heranças no movimento monárquico ou um republicanismo sincero e bem fundamentado, tudo arrematado por uma filosofia liberal ou pela teologia católica.

Em suma, o Acarajé é sim conservador, o Acarajé deve sim ser conservado. Não obstante, como a cultura negra foi seqüestrada pelos adeptos de movimentos sociais, o candomblé foi supervalorizado pelos descendentes dos africanos, essa herança negra, que já se encontrava em alto estágio de fusão com o legado europeu, passou a vivenciar um verdadeiro apartheid cultural.

Se nós fôssemos de Minas Gerais, provavelmente nosso blog se chamaria “Pãozinho de Queijo Conservador”, em São Paulo poderia se chamar “Pizza Conservadora” ou “Bauru Conservador”, mas somos baianos, estamos na Bahia, e nada melhor do que reverenciar nosso legado cultural.

Pouco nos importa se o Acarajé era, inicialmente, uma comida ritualística. Primeiramente não somos puritanos. Tenho certeza que muitos aqui até comeriam com gosto um delicioso prato de bozó (rsrsrs). Em segundo lugar, a Europa é rica nessas heranças pagãs que foram cristianizadas, a priori, ou perderam as bases religiosas sacrificiais. O fato de achar uma contradição um Acarajé Conservador mostra, mais uma vez, como esse pessoal apenas favorece o isolacionismo cultural negro, e, como de fato se comprova, o atraso e letargia do continente africano, que fica a mercê de ONGs socializantes, doações de Fundações abortistas e, principalmente, refém do (falso) Aquecimento Global.

Pedro Ravazzano

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

A MÁFIA VERDE, precedido por uma reflexão sobre o Acarajé Conservador

por Luciana Lachance
.
Este artigo é para atender ao pedido de alguns amigos meus, que me enviaram e-mails desde a segunda até ontem pela manhã, para que eu transcrevesse uma parte dos textos que denunciam A Máfia Verde, juntamente com algum comentário meu sobre estas questões. Uma segunda parte [Considerações sobre o veganismo] está postada abaixo e foi escrita por Vladimir Lachance. Quem acompanha o blog sabe o quanto tem sido de interesse o texto de Vladimir “I Congresso Mundial de Bioética e Direito Animal: A arte de desconhecer” - minha caixa de mensagens do hotmail está lotada com comentários a respeito, inclusive recebi um com o título “A arte de Deturpar”, da autoria de Túlio Xavier, e não conheço quem me mandou isso. O texto, aliás, tenta ser bem explicadinho, e isso é justificado logo no início pelo autor, que se dirige àqueles que ainda não se converteram à causa vegan ¹. O pregador se define como um “vegan ativista que só come acarajé de candomblé”, o que eu acho ótimo, uma vez que o candomblé sacrifica animais; imagino o cara comendo esse acarajé depois de, sei lá, ver uma galinha ou um bode sendo mutilado. Para alguém soi-disant ativista, encontramos aqui um paradoxo, pois certamente o autor virá em defesa do candomblé, arrumando rapidamente uma desculpa para o sacrifício animal dentro dele – não por se tratar de uma religião, mas por se tratar de uma religião afro-brasileira; nesse sentido, o militante de hoje tenta levantar as bandeiras, simultaneamente, de causas como o veganismo, o homossexualismo, feminismo e movimento negro. É precisamente por isso que encontramos esse tipo de problema no texto de Túlio (condenação brusca da violência contra os animais, seguida de vinculação com uma religião que os sacrificam): não existe nenhuma lealdade, e, portanto, ele nunca poderá ser verdadeiramente um revolucionário. E isso o atrapalha quando ele tenta fazer uma denúncia, pois procura conscientizar as pessoas do sofrimento desnecessário imposto aos pobres bichos, ao mesmo tempo em que se orgulha de compartilhar com o candomblé. Aí está o limite de seu ativismo vegan: ele termina quando o terreiro chega – mas conheço vegans que não têm esses limites, e continuam sofrendo pelo bode morto no ritual, da mesma maneira como choram pelos elefantes torturados no circo. O homem moderno em estado de revolta tornou-se praticamente inútil para qualquer propósito da revolta. Rebelando-se contra tudo, ele perdeu o direito de rebelar-se contra qualquer coisa específica.² Túlio quase se esquece de “responder” o texto sobre o congresso, com pedantismos do nível de "(...) o que mostra total falta de ignorância do [Vladimir Lachance] sobre o tema”.³ Foi a única coisa com a qual eu concordei: realmente, é muita falta de ignorância mesmo. Este blog tem causado muita polêmica, e eu atribuo isso ao fato de que tanto as pessoas conservadoras, quanto as não-conservadoras se interessam por ele; a situação é de certo modo tão glorificante para mim, que sou colaboradora, que as pessoas que lêem passam para os amigos, comentam, acham um absurdo, fingem que não lêem – e isso foi particularmente engraçado: ver uma pessoa dizer que “nem lê o Acarajé Conservador”, que só leu uma vez de nada, mas poder saber que esta é precisamente uma daquelas pessoas que lêem, repassam, copiam e colam trechos dos nossos posts. Isso é apenas uma amostra do nosso primeiro trimestre, e embora saibamos que este formato não é para sempre, como boa parte desses projetos não o é (sabe-se lá qual será a melhor ferramenta de comunicação daqui há 10 anos), levar uma pessoa a mentir de forma despretensiosa, apenas para não dar o braço a torcer que acompanha o Acarajé, é (depois de engraçadíssimo) uma daquelas máximas do egocentrismo humano: eu não me apaixono, eu não vejo novela, eu nunca votei no Lula, eu odeio Che Guevara, e eu não leio o Acarajé Conservador.

Para a minha surpresa, há mais pessoas interessadas no conservadorismo do que se imagina. A maioria das pessoas que luta contra uma posição conservadora ou tradicional não sabe muito bem o que atinge; essa “direita” é tão abstratamente diluída no discurso esquerdista que se torna o que o termo “neofascista” se tornou nos últimos tempos: algo completamente esvaziado, sem qualquer significado real, que pode representar tanto uma pessoa que, contemporaneamente, segue o pensamento de Mussolini, quanto [e mais frequentemente] qualquer um que discorde de uma posição ou não endosse o politicamente correto. O conservador é, nessa abstração, algo desconhecido, é o sujeito rico e de terno e gravata cujo objetivo é dominar todas as pessoas passíveis de exploração. Nesse contexto, tudo é arquétipo: para as feministas, o inimigo é o homem opressor ou a sociedade cujo falo gigante penetra os espaços abertos [perdoem a ambigüidade]; para um militante do movimento negro, em primeira instância, qualquer um é racista, e vemos frequentemente essa “feridinha” ser aberta, de maneira totalmente deslocada: quantos de vocês discutiam um tema (por exemplo, a exploração ou não exploração das baleias) e foram acusados, quase que amigavelmente, de não se preocuparem com a questão dos afro-descendentes? Como você pode simplesmente jogar xadrez com uma pessoa quando ela está usando as regras do Ludo? Como alguém quer ser levado a sério num debate quando se está falando de política e grita “Panquecas!”? Poderia Alice responder por que um corvo se parece com uma escrivaninha?

Vou dar um exemplo da tamanha abstração que muitas vezes acompanha as posições anti-conservadoras: qualquer pessoa que discuta politicamente e pretensamente de forma embasada a questão do aborto, sabe da existência do Dr. Nathanson e de sua luta pela legalização da prática nos Eua, e do depoimento do mesmo sobre como se deu esse processo, etc, etc. Uma pessoa leiga, e que certamente possui seu posicionamento quanto a isso, talvez não saiba, mas aqueles que de forma organizada discutem a questão, seja dentro de um movimento pró-vida, ou de uma organização feminista pró-aborto, devem conhecer esse depoimento. Não necessariamente devem concordar com ele, ou acreditar mesmo ser verdade que esse doutor, tão empenhado outrora em legalizar o aborto, hoje diga que manipulou os dados de pesquisa para que o projeto de lei passasse. Mas o que é inconcebível, na minha opinião, é que uma pessoa possua ou participe de um grupo pró-aborto e tenha um total desconhecimento sobre quem é Nathanson, e isto não apenas porquê a sua figura é essencial para compreender o processo de legalização do aborto no mundo, mas porque isso mostra, claramente, que pessoas estão tomando posicionamentos ferrenhos sobre uma questão que nem sequer estão por dentro; mostra que há toneladas de militantes prontos para nos convencer de que a legalização do aborto é uma questão de saúde pública, um direito da mulher e por aí vai, mas que não se deram nem ao trabalho de saber o que existe do lado de fora da caverna, estão olhando as sombras e nos apontando monstros.
.
Notas

¹ O aviso de Túlio no início do texto “A arte de Deturpar” é este: “Para alguns o veganismo soa como algo extremista, uma verdadeira pregação de pessoas radicais desesperadas por atenção. Para outras aparenta ter uma certa coerência, mas ainda assim se constitui em um discurso irreal e impraticável. É para essas pessoas que se destina o presente texto

² G. K. Chesterton no capítulo “O suicídio do pensamento” de seu livro Ortodoxia. O autor inspirou todo o parágrafo.

³ Citação do texto de Túlio: “Até porque o mínimo de conhecimento sobre o funcionamento da ALF descartaria essa possibilidade, o que mostra total falta de ignorância do autor sobre o tema, e pior ainda, a total indisposição (pra não dizer coisa pior) em pesquisar antes de escrever sobre o que não sabe”.

Agora sabemos, no entanto, que dá pra se dizer coisa pior.
.
Segue comentário meu, para os amigos já citados, assim como para todos, por extensão, sobre as questões ecológicas mundiais, que têm sido o foco de interesse de uma parcela das pessoas que visita o Acarajé Conservador. Em seguida, transcrevo algumas citações de links que já foram disponibilizados aqui.

A Máfia Verde

Estou convencida de que existe uma conspiração ecológica no mundo. Não é apenas o paroxismo da propaganda verde do século XX, onde as pessoas sensíveis vinham nos oferecer sementes de girassóis e se amarravam simbolicamente em árvores, mas trata-se de um verdadeiro culto á natureza, em que a velhinha de xale foi sinistramente substituída por uma garota andrógina de vinte e poucos anos e a árvore perdeu o lugar para o personal computer. O Greenpeace foi desmoralizado, a WWF Brasil censura livros que denunciam a indústria da ecologia (ver o livro A Máfia Verde, Lyndon La Rouche) e o aquecimento global está na moda, mas é igualmente uma farsa (veja o documentário A farsa do aquecimento global). Aos poucos essas ONGs e manifestos em favor da causa verde são desmascarados, a exemplo do Grupo PETA (Pessoas pelo tratamento ético com os animais), que hoje sabemos exercer a conduta ética de exterminar mais de 80% dos animais que acolheram nos últimos dez anos (Segundo o site Peta Kills Animals, dos 22.896 animais que o PETA acolheu entre os anos de 1998 e 2007, 19.215 foram assassinados pelo grupo). Há ainda a batalha travada entre o Greenpeace e Charles Lagrave: ele denuncia as mentiras contadas pelo grupo, a lavagem de dinheiro, e que embora no momento de sua fundação o Greenpeace fosse uma organização mais ou menos séria, após o enfraquecimento do comunismo no mundo a entidade passou a ser o alvo dos militantes, que se infiltraram e acentuaram cada vez mais o caráter polítco-ideológico do movimento. Há vinte anos, a militância juvenil era em sua maioria adepta do discurso comunista panfletário; hoje, não há mais sentido e é até mesmo ridículo ver alguém vestindo a camisa da foice e do martelo (é caricato demais), no entanto, a ideologia comunista se diluiu de tal maneira que permeia os campos de praticamente todos os chamados “discursos de minoria” (A revolução cultural de Gramsci já previa tudo isso, como ele escreve nos seus cadernos do cárcere). Os militantes de hoje são politicamente corretos, são cheios de boas intenções e querem salvar os bichos, as mulheres, os homossexuais e os negros; só não querem salvar as crianças porque são a favor do aborto. Os partidos comunistas do nosso país [PT, PCdoB e PSTU] querem combater “principalmente a homofobia capitalista”, enquanto em todos os países comunistas os homossexuais foram fuzilados, como ainda o são em Cuba, na China, na Coréia do Norte.
.
Comunismo, Ecologia e o Paraíso na Terra
.
As promessas do comunismo convergem para uma sociedade igualitária, em que a classe burguesa será extinta, a propriedade privada desaparecerá e será estabelecido o “paraíso na terra”. O presidente da Cruz Verde Internacional, Gorbatchev, afirma que a ecologia é um veículo revolucionário, e não por acaso esse mesmo Gorbatchev foi secretário geral do comitê central do partido comunista da URSS. Vou colocar aqui algumas citações de textos que ajudam a esclarecer as ligações entre o desaparecimento do comunismo, a militância ecológica e o socialismo sempre presente. As pessoas que nos escreveram parecem ignorar que existe um debate extenso sobre o assunto, e ficam até mesmo surpresas de ver alguém fazer tal analogia. Sugiro que estas pessoas, assim como eu fiz no passado, passem a investigar mais essas questões, para que não sejam simplesmente massa de manobra, acreditando na velha cartilha de que “ricos e doutores” não fazem parte da ideologia socialista, quando é exatamente o que ocorre. Muitas pessoas comentaram que não é possível uma ligação da ideologia vegan com o socialismo. Túlio, no seu texto A arte de deturpar, diz que qualquer um que afirma esta ligação é medíocre, apenas porque acha a questão extremamente nova, julgando que foi pela primeira vez formulada no Acarajé Conservador. Era de se esperar que ele pelo menos conhecesse os argumentos e dissesse não concordar com eles, mas ficou claro que ele se viu diante de uma novidade, resolvendo a questão dizendo que a ligação do veganismo com o socialismo seria improvável porque “Muitos dos próprios palestrantes são advogados ou professores e doutores universitários, e com certeza muitos deles não gostariam de voltar a um passado utópico de socialistas e comunistas” [sic]. De qualquer forma, ele mostrou também no texto que conhece o Google, de modo que poderá recorrer a ele para buscar novos horizontes [Duro vai ser se ele pretender dar outra resposta como se já soubesse da coisa toda]. O filósofo Olavo de Carvalho, em introdução à tradução da conferência de Pascal Bernardin [de 1999] sobre A Face Oculta do Mundialismo Verde, afirmou:

Desde o fim do comunismo, o socialismo bate em retirada ao conceder mais espaço aos mecanismos que deixam uma maior margem de liberdade aos comportamentos individuais. Contudo, a ameaça não desapareceu. Embora não se trate de grandes leis históricas que fariam do Proletariado o instrumento e o veículo do Progresso, trata-se da Ecologia – mais precisamente, das elites científicas e ecológicas que se autodenominaram os messias dos novos tempos – que pretendem impor seus objetivos como elementos reguladores da liberdade dos indivíduos”.¹

A conferência de Pascal Bernardin é uma síntese do seu trabalho minucioso sobre a ligação entre o socialismo e ativismo ecológico. Na transcrição da conferência, ele define a perestroika (termo que significa reestruturação), cujo mentor foi Antonio Gramsci: “A revolução ecológica formará a ossatura das revoluções — ideológica, religiosa, ética e cultural — veiculadas pela ditadura pedagógica. As idéias de Gramsci são portanto indispensáveis para toda compreensão do mundialismo e da perestroika”.

Confesso que apenas as citações não são suficientes para compreender toda a questão e a leitura dos textos sugeridos, e de outros textos mais, é importante. Estas citações são apenas para fins de demonstração, para instigar a curiosidade das pessoas. Ele termina a conferência dizendo que o objetivo de sua obra é “descrever a etapa atual da Revolução, que deve desembocar na edificação do Império ecológico, da Cidade terrestre; e mostrar como esta, querendo se elevar até o céu, busca realizar neste mundo a Cidade celeste”. ²

Notas

¹ O texto completo está em http://www.olavodecarvalho.org/convidados/bernardin2.htm

² Outras leituras e sites:
http://www.olavodecarvalho.org/convidados/empeco.htm
http://www.petakillsanimals.com/