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sexta-feira, 3 de junho de 2011

Sem a Igreja não há salvação

Pedro Ravazzano

A Igreja é o signo da mais clara salvação, edificada por Cristo não apenas como sinal de unidade mas como real e verdadeiro meio para se alcançar a plenitude da fé. Para os não-cristãos a Igreja tem a missão de ser intercessora, não apenas rezando, mas buscando o anúncio do Evangelho para que todos conheçam e reconheçam a Jesus como Salvador.

A visão pluralista nega a verdade da expressão ou anula o seu valor ao buscar analisar o contexto histórico no qual surgiu, desconstruindo a sua validade e justificando a sua permanência na Tradição da Igreja. Já a teologia cristocêntrica advoga uma reinterpretação do axioma fundamental, mantendo seu cerne a respeito da importância crucial da Igreja para a salvação.

Essa interpretação, partindo de uma ótica ortodoxa, destaca a necessidade da Igreja para a salvação. Cristo quis unir o seu mistério à Igreja. Todos os que crêem em Jesus necessariamente precisam pertencer ao Seu Corpo Místico, Sacramento Universal de Salvação.

Os teólogos dessa linha, buscando, inclusive, desviar-se dos ranços modernistas dos adeptos de pluralismo, propõem, então, “Sine ecclesia nula salus” – Sem a Igreja não há salvação. Deus quer que todos os homens se salvem, mas muitos estão impossibilitados de adentrar na Igreja com o anúncio evangélico. Ora, toda salvação passa por Cristo, ainda que de modo invisível.

Destarte, é o amor que move o anúncio dos missionários e não o temor da danação. Para os que não negam que a Igreja é instituída por Cristo, devem perseverar nela para conquistar a salvação. Para os que nunca tiveram contato com a Igreja, a salvação se dá por meios misteriosos que os encaminham para Cristo. Não obstante, não são vias paralelas à Igreja, mas parte integrantes desta. São Cipriano de Cartago já havia dito que não pode ter a Deus por Pai quem não tem a Igreja por mãe. O contexto não se refere aos não-cristãos, mas aos hereges e cismáticos que, conhecendo-a, a rejeitaram.

A graça salvífica, até para os não-cristãos, depende de uma adesão que está orientada para Cristo e Sua Igreja. Essa adesão à Igreja, como Corpo Místico de Cristo, aos que não receberam o anúncio do Evangelho, é ignorada. Ainda que as religiões possam exercer um impulso positivo, a ação essencial e salvífica vêm do Espírito Santo e encaminha para Cristo. Obviamente, ao considerar as facetas de verdade que estão contidas em outras crenças o Magistério, como coloca o documento Dominus Iesus, afirma que tudo provém do próprio Cristo e, portanto, é parte da Sua Igreja. Ademais, se faz mister destacar as questões ligadas à consciência e ao seguimento da lei natural como pontos crucias ao refletir a respeito da salvação entre os desconhecedores involuntários da Boa Nova. Assim, a Igreja é indispensável por estar ao serviço de Cristo e, desse modo, exerce um peso implícito na salvação dos não-cristãos.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

A contemplação Adquirida

Os grandes mestres da espiritualidade nos ensinam que o verdadeiro mestre interior é o Espírito de Deus, que guia a alma para a contemplação mística, ou seja, para a visão de Deus face-a-face. Esta contemplação mística pode ser adquirida ou infusa, sempre de acordo com o grau de abertura que o crente deposita à ação da Graça Santificante que o habilita a participar da natureza divina.

A contemplação adquirida é resultante da leitura e do estudo da Palavra de Deus, bem como dos artigos da fé. O estudo da Palavra de Deus, que supõe todo o aparato conferido pelo Batismo como a graça santificante, as virtudes infusas e os dons do Espírito Santo deve nos levar à contemplação daquele que É.

A contemplação infusa, diferentemente da contemplação adquirida, não supõe esmero de leitura e estudo, pois é um dom do Espírito Santo que por sua vez poderá conceder ao cristão que algumas verdades de fé se tornem patentes para a alma.

Os mesmos Mestres da espiritualidade Católica e os Padres da Igreja sempre nos exortaram da necessidade de unirmos à leitura, ou ao estudo sagrado o Espírito Santo, verdadeiro Mestre Interior. Existe sim, um perigo de cairmos numa contemplação intelectualizada, seca e sem frutos para a alma. Esta ausência de abertura à Graça Divina, do silêncio e da interiorização que antecedem o estudo das verdades da fé não levam o cristão à conversão sincera, mas o faz crescer intelectualmente acumulando conhecimentos, sem aquela reverência ao sagrado que toda alma piedosa deve conter.

Desta forma, dizia Santo Agostinho, “a exemplo do jardineiro que planta mas não é ele mesmo quem reveste os galhos com a sombra das plantas”, é o Espírito de Deus o responsável pela conversão interior daqueles que se deixam levar pelas exortações do Sagrado Magistério.

Continua Santo Agostinho:
“Não tendes necessidade de que alguém vos ensine: sua unção vos ensina sobre tudo” (1Jo 2,27).

Irmãos, então que estamos nós a fazer? Nós, que vos ensinamos? Se a sua unção é que vos ensina todas as coisas, nós com que trabalhamos sem necessidade! Para que havemos de falar tanto?...Pergunto, pois, a João, ele mesmo: tinham a unção aquelas pessoas a quem pregavas? Pois dizes: ‘A unção ensina sobre tudo’. Então, por que escreveste esta Epístola? Por qual razão? Por que edificas?

Vede aqui um grande mistério (magnum sacramentum). O som de nossas palavras chega a vossos ouvidos, mas o verdadeiro Mestre está dentro. Não penseis que alguém pode ser ensinado por outro homem. Podemos admoestar-vos pelo som de nossa voz, mas, se não está dentro de vós aquele que ensina, são vás as nossas palavras.

Quereis uma prova disso, irmãos? Não ouvistes todos vós este sermão? Quantos, contudo, vão sair daqui sem nada terem aprendido! Quanto dependeu de mim, dirigi-me a todos. Mas aqueles a quem esta unção não fala em seu interior, aqueles a quem o Espírito Santo não instrui no íntimo, esses retiram-se sem nada ter captado.

O ensino exterior é uma ajuda, uma exortação. Mas aquele que instruiu os corações esse possui sua cátedra no céu. E eis por que ele mesmo nos diz no Evangelho: ‘Quanto à vós, não permitais que vos chamem mestres, pois um só é o vosso Mestre, Cristo’(Mt 23, 8.9). Que ele fale pois, no interior.Lá onde nenhum homem penetra, pois, também se alguém está a teu lado ninguém está dentro de teu coração. Que cristo esteja no teu coração, ninguém mais. Que a sua unção esteja no teu coração, a fim de que esse seu coração não se encontre sedento no deserto, sem fonte onde possas saciar a sede. Está, portanto, no interior o Mestre que ensina. É Cristo que ensina. É a sua inspiração que ensina. A sua inspiração é a sua unção. É em vão que da parte de fora ressoam as palavras.

Assim, irmãos estas palavras que pronunciamos no exterior são o que o jardineiro é para a planta. Ele trabalha no exterior: rega, dedica-lhe todos os cuidados. Mas o que quer que faça no exterior, acaso é ele que reveste os galhos nus coma sombra das folhas? É ele que no interior faz algo de semelhante? Mas que o faz? Escutai o apostolo a se comparar a um jardineiro. Vede o que nós somos e ouvi o Mestre interior: ‘Eu plantei, Apolo regou; mas era Deu quem fazia crescer. Assim, pois, aquele que planta, nada é; aquele que rega, nada é; mas importa tão-somente Deus, que dá o crescimento’(1Cor 3,6.7)

Isso eu vos digo igualmente: quer plantemos, quer reguemos por nossas palavras, não somos nós que fazemos alguma coisa, mas aquele que dá o crescimento, Deus, isto é, a unção daquele que vos ensina todas as coisas.

Abandonai-vos à sua unção e ela vos ensinará”.
No entanto, há de se entender este mestre interior, o Espírito de Deus, como o verdadeiro responsável pela transformação da alma e não como argumento de que não há necessidade de uma autoridade para nos instruirmos na fé. Pensarmos assim, nos faria cair na heresia da Sola Escriptura que nega toda e qualquer autoridade religiosa para a verdadeira interpretação do texto sagrado.

Desta forma, atingiremos a contemplação adquirida, mediante a leitura contemplativa e abertura de coração à ação da Graça Santificante. Não permitamos que a recitação dos salmos, do Ofício Divino e tantas outras orações preciosas da Igreja de Deus não frutifiquem nos nossos corações por causa da dureza do nosso intelecto em se dobrar diante das inspirações do mestre interior. Sejamos dóceis e flexíveis.
“Ninguém creia que lhe baste a leitura sem a unção, a especulação sema devoção, a investigação sema admiração, a atenção sem a alegria, a atividade sema piedade, a ciência sema caridade, a inteligência sem a humildade, o estudo sema graça divina, a pesquisa humana sem a sabedoria inspirada por Deus”(São Boaventura – Itinerário da Mente para Deus)

domingo, 27 de setembro de 2009

O folheto "O Domingo" e suas heresias

Eu acho que os editores do folheto "O Domingo" pensam em como se superar a cada Missa, e conseguem. As semanas passam e as heresias pioram. Vou até iniciar uma campanha visando encontrar uma melhor utilidade para o semanário, porque sem sombra de dúvidas aquilo ali é qualquer coisa menos um folheto litúrgico.

No comentário aos ritos inicias se encontra:
"O Espírito de Deus sopra onde quer e não está preso a nenhuma instituição. Deus age livremente e pode se servir dos instrumentos que menos se esperam"
Obviamente, o que fundamenta essa afirmação é o mais genuíno relativismo religioso. Existe a clara pretensão de ensinar que a Igreja Católica, a instituição referida, não é, em concreto, a Esposa de Cristo, edificada pelo Senhor e governada pelo Espírito Santo. Que Deus pode agir onde quer, isso é fato, mas que Ele erigiu uma instituição visível e invisível responsável por guardar a fé, também é fato. Como Deus não se contradiz, seria absurdo pensar que Ele promove, revela e agracia crenças opostas e contrárias. Mas as coisas pioram, o comentário continua:
"A páscoa de Jesus se realiza nos grupos e pessoas que, independentemente de credos, se doam em favor dos pequenos e procuram realizar o bem em meio à sociedade."
Cristo foi o fundador de uma ONG e eu não sabia. Quer dizer que a páscoa de Jesus se faz num mero assistencialismo materialista? Ora, onde entra a conversão, a busca pela experiência em Deus, a necessidade de oração e vida espiritual? Não entra. O importante é enxergar a religião como ferramenta libertadora, isso justifica a visão rasa e herética da "páscoa de Jesus", como se a morte e ressurreição de Cristo se "realizassem" numa perspectiva material e mundana. Então a Encarnação e Crucificação do Senhor não visavam a salvação plena do homem, a abertura das portas do Céu, mas sim a transmissão de um simples projeto de cunho social? Isso que é redução do sobrenatural. Toda essa baboseira herética ainda é confirmada no comentário à Liturgia da Palavra:
"Pode haver profetismo ligado a uma instituição, mas existem outro não menos verdadeiros, reconhecidos por Moisés e por Jesus. A defesa dos pequenos e a vivência da justiça transcendem instituições e crenças"
Acha que acabou? Não, tem mais! Pe. Nilo Luza, SSP, coroou sua coluna com relativismo sangue puro. O Sacerdote diz:
"Ninguém tem o monopólio do bem, nem mesmo uma instituição religiosa. Fazê-lo está ao alcance de qualquer um, seja cristão ou não, seguidor de Jesus ou não. Onde houver alguém promovendo o bem, aí se encontra a mão de Deus agindo. "
Até podemos fazer uma leitura ortodoxa desse trecho, mas conhecendo bem a forte presença da Teologia da Libertação na Sociedade São Paulo seria inocência acreditar nas boas intenções. De fato, tal afirmação parte de uma compreensão relativista que ataca todo a eclesiologia tradicional e correta. Claro que o bem pode ser praticado tanto por crentes como infiéis, mas isso não desabona a certeza de que a Igreja "monopoliza" a Verdade por ter sido instituída pela própria Verdade. Em seguida o Pe. Nilo faz uma citação:
"A perene tentação dos que creem é a de sequestrar a Deus, monopolizá-lo para si, para seu uso e consumo, enquadrá-lo em suas certezas teológicas, exauri-lo em suas instituições eclesiásticas, esquecendo-se de que sua ação salvífica não se exaure entre as funções visíveis de sua Igreja e que sua graça transborda e chega até nós por muitos outros canais além dos sinais sacramentais tradicionais"
Isso poderia ter sido retirado de qualquer documento e texto protestante, afinal reproduz a típica mentalidade relativista dos adeptos da "Reforma" na forma de enxergar a estrutura da Igreja e sua existência concreta. Entretanto, esse trecho é original dos comentários ao Missal dominical, editado pela Paulus.

O relativismo se encontra firme e forte na Sociedade São Paulo e em todas as suas publicações.

Beato Tiago Alberione, rogai por nós!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Pensamentos de Santo Tomás de Aquino

"Ninguém pode nesta vida ter satisfeitas as suas aspirações, porque nunca um bem criado sacia as aspirações humanas de felicidade"

"A concórdia não é uniformidade de opiniões, mas concordância de vontades"

"Há homens cuja fraqueza de inteligência não lhes permitiu ir além das coisas corpóreas"

"Uma ofensa é tanto maior quanto maior é aquele contra quem é cometida"

"Rogo a Deus como se esperasse tudo dEle, mas trabalho como se esperasse tudo de mim"

"Maria pronunciou o seu "faça-se" em representação de toda a natureza humana"

"O crente transcende a verdade da sua própria inteligência"

"Aquele que crê adere ao dizer de alguém. Por isso o que parece ser o principal, e tendo de certo modo o valor do fim, em todo o assentimento é a pessoa a cujo dizer se dá assentimento. Assim, o que se concorda em crer apresenta-se como secundário"

"A paciência manifesta-se extraordinária de dois modos: quando alguém suporta grandes males pacientemente ou quando suporta aquilo que poderia ter evitado e não quis evitar"

"É tolice dizer que as criaturas são totalmente más, porque em algum aspecto são nocivas. Podem elas ser nocivas para uns, mas úteis para outros"

"Pela oração de muitos, às vezes, se alcança o que pela oração de um só não se obteria"

"A cobiça de qualquer bem temporal é o veneno da caridade; por ela o homem despreza o bem divino".

"A oração consiste na elevação da alma a Deus"

"Por ser mãe de Deus, Maria tem uma dignidade quase infinita".

"A humildade é o primeiro degrau para a sabedoria".

(Extraído do fórum: agostinho_bernardo_tomas@yahoogrupos.com.br)