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quarta-feira, 14 de julho de 2010

Esperança do Brasil – Juventude católica e atuante


Os jovens católicos dos Fundadores estão em Caravana agora contra o Aborto e o PNDH-3, percorrendo em três vans várias cidades desse Brasil, sacrificando as suas férias para lutar contra esses males!


Eles irão alertar a população de cada cidade, batendo de porta em porta, fazendo atos públicos nas ruas - tudo em suma para contribuir para a informação que todos precisam para se defender e enfrentar os projetos do nosso terrível governo, para que as medidas anti-católicas não sejam implantadas no nosso país.

Ajude-os a ir mais longe! Clique aqui e saiba o que você pode fazer!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O mundo moderno e seus valores "ad aeternum"

Há uma mania da mentalidade do homem dos nossos dias de transformar em valores eternos invenções recentissimas, estabelecendo com estas invenções uma relação de necessidade forçosa, como se não fosse possível conceber uma humanidade, uma idéia de mundo, em que não houvessem tais coisas. Itens completamente desconhecidos por mais de vinte séculos de ocidente, são tomados como realidades que não só se aplicam aos dias correntes, mas servem para explicar porque nas épocas anteriores as pessoas se comportavam de determinada maneira. Um exemplo muito claro disto se dá com a televisão: item de primeira necessidade na maior parte dos lares brasileiros, ao qual se ainda não se prestam cultos públicos, parece não está muito distante o dia em que irá acontecer. Certos comentários, que costumamos encarar levianamente demonstram este vício do "ad aeternum".
Por certo, a maioria de nós já ouviu a explicação de que antes, as pessoas tinham muitos filhos por que não havia televisão para distraí-las; na falta do que fazer, elas procriavam... Sim, a explicação pode ser encarada como uma brincadeirinha, um dito que se repete para distender os animos; mas, não se pode deixar de notar a presença da tendência que descrevemos acima. Há uma projeção exagerada de uma realidade que não chega a ter nem 100 anos e que acaba sendo estendida para uma interpretação das realidades familiares de mais de 2000 anos. A singela análise sociológica que deveria ser utilizada num sentido inverso, é utilizada para absolutizar aquilo que é efêmero: no caso, a televisão. Ou seja, a explicação poderia relacionar o fato da brusca diminuição da prole com o fenômeno recente da televisão, e não o contrário: dizer que pela falta dele, as famílias eram numerosas. E mesmo esta relação entre tv e diminuição do número de filhos não poderia explicar-se simplesmente pela idéia de que surgiu uma "distração", como se a união dos conjuges só se desse como forma de entretenimento, idéia esta também que só ganha corpo nos nossos tempos - de onde se vê mais uma vez esta tendência de "ad aeternum" do homem moderno.

Outra reivindicação moderna nos leva ao assunto da moral e Igreja: o uso de preservativo. É costumeiro ouvir protestos do tipo: "É absurdo que a Igreja queira impor seus valores morais para o mundo, ainda mais impedindo que as pessoas usem preservativo, como se vivessemos no séc. XIX!". E o argumento se repete. O mundo desconheceu o preservativo por séculos e séculos; a Igreja nunca precisou condenar tal uso pois ele nem sequer existia. Ela limitou-se a condenar uma invenção que também não chega aos 100 anos, provando que o mundo passou muito bem sem os preservativos por um longo período. O que, para os indignados com a postura da Igreja, é absurdo ser imposto, na verdade é o que sempre existiu. Eles pensam: "é impossível viver sem eles (os preservativos)!", voltando a eternizar aquilo que só é caro e afeito à sua própria mentalidade.

É este homem moderno que não se apega a dogmas, é ele que não tem preconceitos, é ele que grita aos quatro cantos que não se pode impor nenhuma regra moral, cultura e religião; este homem não consegue entender a moral, cultura e religião que forjou a ele mesmo; não consegue respeitar a tradição da qual ele é fruto (maldito, mas não deixa de ser fruto). Pedindo para os outros (índios, africanos, etc.), tirando de si mesmo.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Padre Pio e as estratégias de Deus

Fonte: Tradición y Acción
Tradução Livre: Vladimir Lachance

Hoje a Igreja celebra o dia de São Pio de Pietrelcina, um grandioso santo do século XX. Em homenagem, traduzimos um texto do site Tradicíon y Acción que relata um grande milagre deste maravilhoso santo. Segue o texto:
***
Uma das múltiplas formas de intervenção divina nos acontecimentos humanos, para atrair as almas para o bem e apartá-las do mal, são os milagres.

Uma resposta de Deus à impiedade revolucionária

Em nossa época de impiedade e amoralidade avassaladoras, poderia supor-se que os feitos milagrosos fossem raros ou quase inexistentes. Mas, é justamente o contrário: desde que a Revolução Francesa fez do agnosticismo e do ateísmo uma verdadeira “religião do Estado”, vêm ocorrendo, a maneira de réplica divina à irreligiosidade revolucionária, os maiores milagres da história da Igreja. Vejamo-los:

1. As mais de 7.000 curas inexplicáveis em Lourdes, iniciadas em 1858 e que continuam até hoje, constituem, como dizia o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, um milagre “por assim dizer, em série e a título permanente”;

2. As imagens em negativo do Santo Sudário de Turim, captadas pelo fotógrafo turinês Secondo Pia em 1898, apontaram provas concludentes da veracidade da Paixão e morte de Jesus Cristo e do “milagre dos milagres”, sua Ressurreição. E desde então o precioso Sudário não deixa de surpreender com provas adicionais de sua autenticidade, obtidas através de novas especialidades da ciência;

3. Já no século XX o chamado “milagre do Sol”, ocorrido em Fátima aos 13 de outubro de 1917 para certificar a veracidade das aparições da Santíssima Virgem, foi visto por mais de 100 mil espectadores, o maior número de testemunhas diretas de um milagre em toda a História da Igreja. Foi, ademais, o único milagre da História anunciado com dia e hora;

4. Quando caiu a primeira bomba atômica sobre Hiroshima, aos 6 de agosto de 1945, vários sacerdotes jesuítas que se encontravam a menos de 1000 metros do centro da explosão, particularmente devotos à Virgem de Fátima, sobreviveram à hecatombe de maneira absolutamente milagrosa, sem ter sofrido o menor dano físico. Sua residência foi o único edifício que permaneceu em pé, numa área de 12 km2. [1]

Março de 2008: a grande surpresa do Padre Pio

Estes e outros memoráveis prodígios ocorreram nos séculos XIX e XX. Mas, poderão ocorrer feitos assim no nosso século XXI?

Respondemos: sim, definitivamente. Tanto as curas de Lourdes, como as obtidas por intercessão de santos ou fiéis defuntos em processo de beatificação ou canonização, prosseguem sem interrupção neste terceiro milênio.

Um exemplo estupendo desta ação sobrenatural ofereceu o Padre Pio de Pietrelcina, religioso capuchinho falecido em 1968 depois de uma vida sulcada de feitos prodigiosos, entre os quais ter recebido em seu corpo os estigmas da Paixão de Cristo. Canonizado pelo Papa João Paulo II em 2002, ao cumprir-se o 3 de março de 2008 (40 anos de sua morte) seu cadáver foi exumado, e, ante o assombro da multidão presente – entre eles o Arcebispo de São João Rotondo, Mons. Domenico D’Ambrosio e vários médicos forenses -, seu rosto e mãos apareceram maravilhosamente incorruptos, como os de um homem que acaba-se de adormecer poucos momentos antes.

O extraordinário feito se soma à larga lista de prodígios obrados pelo Padre Pio no século atual, um dos quais sobressai por seu especial significado.

Quando tudo parecia perdido...

Pesceana é um remoto povoado da Romênia, nos confins da Europa oriental. Seus habitantes são em sua maioria da religião greco-cismática, chamada “ortodoxa”. O sacerdote cismático local, Victor Tudor, ali residia com sua mãe setuagenária, Lucrecia, que no ano de 2002, sentindo-se mal de saúde, se submeteu a exames médicos. Foi-lhe diagnosticado um tumor canceroso no pulmão esquerdo, e anunciaram-lhe que teria poucos meses de vida.

O padre Victor comunicou o triste feito a seu irmão Mariano, pintor e restaurador de obras de arte residente em Roma, e este acudiu a um dos cirurgiões mais famosos do mundo (que operou - entre outras celebridades - Bill Gates). O médico lhe disse: “Manda vir a sua mãe a Roma e farei tudo para salvá-la”. Mas, ao examiná-la, considerou que seu mal não tinha cura. Desistiu de operá-la, e só pode indicar-lhe alguns remédios para mitigar as dores que a esperavam.

Mariano decidiu então reter em Roma a sua mãe pelo tempo que lhe restasse de vida. Ele trabalhava na restauração de mosaicos de uma igreja romana. Começou a levar Lucrecia a seu trabalho, para não deixá-la só em uma cidade que lhe era completamente estranha.

Na igreja há uma grande imagem do Padre Pio. A senhora se sentia misteriosamente atraída por aquele personagem do qual nada sabia, e Mariano foi lhe contando a história do franciscano, seus estigmas, seus milagres. Ela, impressionada, passava os dias sentada largas horas diante daquela imagem. Além disso, absorta, lhe falava a meia voz, como a uma pessoa real e concreta. Assim transcorreram várias semanas, até que Mariano a levou a um hospital para seus controles. E então veio a surpresa: para assombro dos médicos, o tumor havia desaparecido completamente. Lucrecia estava curada! Emocionada, não duvidou um instante em atribuir sua cura àquele frade barbado de olhar penetrante, a quem havia confiado suas penas.

Fruto do milagre: conversão coletiva dos cismáticos

Ao inteirar-se da súbita cura, o padre Victor não cabia em si de admiração e gratidão. “Comecei a ler a vida do santo italiano. Contei aos meus paroquianos o que havia sucedido”. Todos quiseram então saber mais deste santo católico tão poderoso. “Líamos tudo que encontrávamos sobre ele. Sua santidade nos conquistava”, diz o sacerdote. “Outros enfermos de minha paróquia receberam graças extraordinárias do Padre Pio... Entre minha gente se espalhou um grande entusiasmo, e pouco a pouco, decidimos fazer-nos católicos”. O passo da religião cismática à Igreja Católica não foi sem tropeços; mas o Pe. Victor e seus paroquianos estavam decididos, e foram até o fim. Agora estão empenhados em construir um templo católico no povoado, dedicado ao Padre Pio. No 27 de novembro passado (de 2008) o Arcebispo de Alba Julia, Mons. Lucian Muresan, presidente da Conferência Episcopal da Romênia, assistiu à colocação da primeira pedra, junto com a agradecida Lucrecia, completamente curada.

Que lições nos deixa este milagre? – Primeiro, se seu principal efeito tem sido a conversão à fé católica de uma paróquia cismática inteira com seu pároco encabeçando, com essa cura o Padre Pio nos da uma lição de verdadeiro ecumenismo. O qual não consiste em acercar-se dos membros de outras religiões buscando somente semelhanças com eles e ignorando – por sentimentalismo, respeito humano ou falsa prudência – os erros que os separam da verdadeira Fé, mas sim em fazer resplandecer com convicção, ufania e tato a divina superioridade da Igreja Católica, única Igreja verdadeira do único Deus verdadeiro; ou seja, em mostrar que só dela pode vir o sopro de vida que regenerará a Terra.

Mas também, o desenlace do maravilhoso feito deve-nos induzir a confiar em que, por maiores que sejam os perigos que ameaçam em nosso século à Barca de Pedro, Jesus Cristo não deixa de assistir a sua Igreja, conforme a promessa que Ele mesmo fez de protegê-la até o fim dos tempos (Mt. 28, 19-20); e, se necessário, cumprirá essa promessa de maneira milagrosa, até levá-la ao esplendoroso triunfo anunciado em Fátima.

[1] www.corazones.org/articulos/testimonios/rosario_bombaatomica.htm

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Entrevista do Acarajé Conservador à Revista Lupa - Facom - Ufba

Segue a entrevista que o Grupo de Estudos do Pensamento Conservador deu à Revista Eletrônica Lupa, mantida pela Faculdade de Comunicação da Ufba, e que se encontra no link. A entrevista foi dada no dia 04 de setembro de 2009, no próprio campus da Universidade.

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Por Rodrigo Aguiar em setembro 14th, 2009

A Lupa Digital entrevistou a quase totalidade dos integrantes do Grupo de Estudos do Pensamento Conservador. Há cerca de um ano, eles mantêm o blog Acarajé Conservador. Confira abaixo os trechos mais importantes do bate papo com Pedro Ravazzano, Ricardo Almeida, Fabrício Soares, Edson de Oliveira, Vinícius Mascarenhas e Vladimir Lachance.

LUPA -Afinal de contas, o que é ser um conservador?

Ricardo Almeida – Conservadorismo é, basicamente, uma vertente política que toma a existência da tradição como um dado positivo. Agora, você tem uma variabilidade muito grande: há conservadores de vertente monarquista, outros são conservadores “liberais”. Todas as vertentes partem da idéia de que se deve reportar a essa tradição, porque ela possui um conhecimento, uma sabedoria que transcende os indivíduos e pode ser acolhida como um cabedal de informações importantes.

L - No texto “Os Dez Princípios Conservadores”, do Russel Kirk, ele defende que o conservadorismo não é propriamente uma ideologia e sim uma tendência, uma disposição, um caráter. Faz sentido falar em uma ideologia conservadora?

Ricardo Almeida – O termo ideologia sugere idéias que são alheias ao conservadorismo. Quando Marx emprega o termo ideologia, ele o faz para designar um conjunto de proposições teóricas que encobrem um determinado interesse de classe, que está ligado a essas proposições. Os conservadores não partem dessa idéia, porque acreditam que, em primeiro lugar, uma teoria pode ser julgada apenas pelo seu próprio valor, independente de qualquer associação política, econômica ou social. Em segundo lugar, nem sempre, aliás muito frequentemente, um indivíduo que defende o conservadorismo não pertence às classes dominantes nem tem nenhum interesse econômico.

L - Frequentemente, os conservadores são acusados de serem intolerantes. Ainda nos “Dez Princípios”, o Russel Kirk fala no princípio da diversidade. Queria que algum de vocês comentasse sobre isso.

Vinícius Mascarenhas – Eu penso que as pessoas confundem muitas vezes o termo “conservador” com palavras que são utilizadas no senso comum. Por exemplo, as pessoas costumam dizer que é conservador qualquer coisa que seja intolerante. Então, o raciocínio é “se é intolerante, é conservador” e não “os conservadores são intolerantes”. Tudo que eles acham ruim chamam de “conservador” ou “de direita”, de maneira pejorativa. Agora, do ponto de vista que o Russel Kirk usa o termo “conservador”, é muito natural falar em diversidade, sobretudo partindo da tradição norte-americana, a qual ele é ligado. Pode-se falar também em pluralismo, que é uma abordagem do filósofo Michael Novak. Então, o conservadorismo não está fechado e o nosso grupo é uma prova disso. Temos pessoas da TFP [Tradição, Família e Propriedade], como é o caso do Sr. Edson. Temos pessoas que não são de religião alguma, tem outros que…
Pedro Ravazzano – São de todas. (risos)

*O grupo faz referência ao fato de Ricardo ser adepto da Filosofia Perene.

Edson de Oliveira – Muitas vezes, as pessoas criticam, por exemplo, que o Papa condene o preservativo e o chamam, num tom pejorativo, de “conservador”. Isso vai na linha de tentar tachar o Papa como um ditador, mas a meu ver o ditador é essa pessoa, porque ela não considera que alguém possa ter uma opinião diferente dela. Ela não quer que o Papa tenha a liberdade de expressar um pensamento da doutrina católica. No fundo, ela quer que o Papa fale o que ela quer ouvir.

L - A defesa de certos valores morais supremos está necessariamente ligada à religião?

Edson de Oliveira – Não, por causa do Direito natural. Através dele, qualquer pessoa (como Aristóteles, que não era católico nem nada) pode defender certos valores como supremos.
Fabrício Soares – Atualmente, isso é pouco comum, mas tradicionalmente muitos filósofos acreditavam na existência do universal, que é algo que transpõe o cultural. Platão, por exemplo, quando pensava em ética, não pensava a ação humana apenas para os gregos. Em diferentes sociedades humanas, é possível constatar comportamentos semelhantes como, por exemplo, a rejeição ao incesto. A existência desses pontos em comum mostra que certas coisas não são apenas convenções de uma dada cultura, mas sim coisas que precisam acompanhar o ser humano em qualquer lugar. Isso é uma prova da existência do Direito Natural, que precede a constituição mesma da sociedade.

L - Muitos críticos do conservadorismo apontam como seu “calcanhar de Aquiles” o fato dele não se constituir como uma ideologia.

Pedro Ravazzano – Eu não acho. Pelo contrário, acho que isso é um ponto positivo do conservadorismo. Existe uma base estrutural essencial pra qualquer pessoa que se considere conservadora, mas sobre ela cada um tem liberdade de pensamento. Veja o nosso grupo, por exemplo. Tem ateus, tem católicos, tinha protestantes…

L - Ateus no grupo?

Pedro Ravazzano – Fabrício é ateu. Tem Ricardo… (risos)
Ricardo Almeida – Deixa eu explicar. Em termos de religião, eu sigo uma vertente muito estranha pra maior parte das pessoas, que é o tradicionalismo, chefiado por René Guénon, Frithjof Schuon… Basicamente, o tradicionalismo é uma teoria de explicação das religiões que parte da ideia de que o que unifica todas as tradições é a base metafísica comum. Cada uma tem as suas particularidades dogmáticas, culturais e simbólicas, mas todas elas se referem a uma mesma estrutura metafísica da realidade e é esta estrutura que permite dizer que todas as religiões, se ortodoxas, conduzem ao mesmo lugar.

L - E dentro daquele espectro direita-esquerda, todo direitista é um conservador?

Ricardo Almeida – Não. A direita abriga pessoas das mais variadas formações. Liberais, anarco-capitalistas… Nem todo direitista é conservador, embora a direita abrigue o conservadorismo. Mas há um problema em definir alguém como de direita ou esquerda, porque esses termos não têm uma definição muito clara, são palavras usadas a esmo…

L - Mas vocês usam no blog. Esquerdismo, esquerdista….

Ricardo Almeida – O meu uso ainda é um pouco vago. Eu já li bons textos que tratam dessa dicotomia direita-esquerda, mas não cheguei a ter uma definição clara.
Fabrício Soares – O termo “esquerdismo” é muito mais definido do que “direitismo”. “Esquerda” é uma expressão cuja conotação foi atribuída principalmente pelos que se colocam dentro dessa denominação.

L - E a esquerda “inventou” a direita pra colocar tudo que era contrário a ela?

Fabrício Soares – De certa forma, sim.
Pedro Ravazzano – Como eu estava comentando com Ricardo, hoje a esmagadora maioria das pessoas que se auto-intitulam “de direita”, como se isso fosse um caráter de distinção, são defensores de um conservadorismo ou de um liberalismo infantil, que acha que votar no PSDB é ser de direita. É aquele direitismo que não tem nenhuma base. Além disso, esse esvaziamento do que é ser conservador ou ser de direita aqui no Brasil foi basicamente uma conseqüência do regime militar. Como a esquerda se auto-intitulava defensora da liberdade e do povo e o regime militar era visto como algo conservador, então o conservadorismo foi visto como esse monstro autoritário. Só que isso não existe, porque nós sabemos muito bem que os movimentos terroristas do regime militar não queriam derrubar a ditadura, queriam trocar uma ditadura por outra, muito mais cruel.

L - Existe partido de direita no Brasil?

Pedro Ravazzano – É uma pergunta complicada, porque no Brasil não existe uma fidelidade ideológica partidária. Os partidos de esquerda são muito mais ideologizados do que os partidos de “direita”, como o PSDB e o DEM. O PSDB é visto como o baluarte da direita conservadora no Brasil, mas, pelo amor de Deus, quem em sã consciência crê nisso? O próprio presidente Lula, em visita a Argentina, declarou que estava feliz porque todos os possíveis candidatos à presidência eram de esquerda. O único partido que talvez tenha uma sintonia a mais é o DEM, não o atual, mas o antigo PFL. Se você lesse a carta de apresentação do PFL, havia um viés liberal. Não um liberalismo convicto, mas mitigado. Depois que o PFL virou DEM e praticamente se tornou uma sucursal do PSDB, as coisas mudaram. O partido saiu da centro-direita e virou um partido de centro; centro que vai pela maré, de acordo com a situação.
Edson de Oliveira – No Brasil, existe político de direita, mas não partido. Por exemplo, o Lael Varella, do DEM. E tem também aquele da Polícia Militar de São Paulo, o Coronel Paes de Lira.
Pedro Ravazzano – Que entrou no lugar de Clodovil. E Clodovil, por incrível que pareça – pra você ver como o Brasil é uma caricatura – despontava como um conservador. (Risos). Foi vaiado pelo movimento gay. Era criticado pelo movimento negro.

L - Uma crítica muito comum da esquerda é a de que os meios de comunicação são dominados pela direita. Qual a visão que vocês têm do jornalismo, em particular o brasileiro?

Ricardo Almeida – Sobre essa questão, eu acho que deveria ser feito o que uma vez sugeriu o professor Olavo de Carvalho [filósofo brasileiro], faz uma centimetragem. Pega os arquivos dos principais jornais e mede o conteúdo escrito. Faça isso de maneira casual e você vai ver que a imensa maioria das matérias tem viés claramente esquerdista. Todo mundo diz que a mídia é de direita, mas eu peço que listem os jornalistas de direita.

L - Num balaio de gato, costumam citar Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi…

Pedro Ravazzano – Daqui a pouco, William Bonner é de direita.
Ricardo Almeida – Tudo bem, ainda vai. Mas Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi representam a imensa maioria?
Pedro RavazzanoJoão Pereira Coutinho.
Ricardo Almeida – Mas esses se destacam justamente porque fogem da regra. O foco incide sobre eles porque tem alguma coisa ali saindo do normal. Ora, se sai do normal, é porque o normal é o esquerdismo. Essa visão de que a mídia, o jornalismo é de direita se baseia no fato de que a esquerda parte da idéia de que existe uma classe que comanda os jornais e que esses donos dos jornais são de direita. Acontece o seguinte: embora você tenha essas famílias que comandam o jornalismo, como os Mesquita [Estadão], os Frias [Folha de S. Paulo], os Marinho [Globo], o que se escreve nos jornais não está de acordo com uma ideologia que porventura os donos desses jornais tivessem.

L - Que autores vocês lêem, discutem?

Vladimir Lachance – Edmund Burke, que é considerado o pai do conservadorismo moderno. Curiosamente, ele não era considerado um conservador porque fazia parte do Partido Liberal inglês. Mas o princípio das idéias dele é o que deu origem a teoria do conservadorismo moderno, retomada por Russel Kirk. Tem T.S.Elliot. No Brasil, Olavo de Carvalho. Chesterton é outro que lemos bastante. Hilaire Belloc, um católico que se dizia de esquerda, mas que tinha idéias que iam de encontro ao que a gente considera de esquerda hoje.
Pedro Ravazzano – Michael Oakeshott. O Roger Scruton, eu leio o blog dele. E tem algumas leituras complementares, que não são autores propriamente conservadores. Em economia, tem os economistas da Escola Austríaca: Hayek [Friedrich Hayek], von Mises [Ludwig von Mises]…
Vladimir Lachance – Mais ligado à tradição católica tem o Dr. Plínio [Plínio Corrêa de Oliveira, fundador da organização católica Tradição, Família e Propriedade (TFP)].
Fabrício Soares – Olavo de Carvalho, além da contribuição pessoal importante, nos apresenta vários autores que não ouvimos falar em sala de aula.

L - Por quê o nome do blog é Acarajé Conservador?

Edson de Oliveira – Na época em que estávamos discutindo o nome, surgiram várias sugestões, inclusive “Zero à direita”. Daí alguém sugeriu que fosse “Café Conservador”, mas café é coisa do Sul. Tinja que ser alguma coisa da terra, daí veio a idéia do acarajé.
Pedro Ravazzano – Tá vendo? Defendemos a tradição baiana. (risos).
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Segue o link da apresentação da entrevista:

domingo, 30 de agosto de 2009

Sou católico: posso apoiar o Criança Esperança?

Vladimir Lachance
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Aviso: Este texto leva em consideração a moral católica. Para muitos, os projetos apoiados pelo CE não representarão qualquer afronta à dignidade da pessoa humana, mas não é para estes que o texto se direciona.

Este texto é um esclarecimento sobre alguns fatos relacionados à campanha “Criança Esperança”. Depois de ver inúmeros católicos perguntando se esta campanha da Rede Globo seria uma boa iniciativa, se haveria problema em doar, etc., decidi pontuar algumas coisas que encontrei numa rápida pesquisa pela internet. Minha fonte foi o próprio site da campanha: http://criancaesperanca.globo.com/. A partir daí, simplesmente fui clicando e copiando algumas informações relevantes. Reproduzirei trechos do material colhido e farei breves comentários.

No site da campanha há uma seção chamada “Projetos Apoiados”; nesta área encontrei o Projeto Amazona, que é um projeto de Prevenção à AIDS. Vejamos alguns dos objetivos deste projeto:

1. Prevenção junto aos Profissionais do Sexo, seus Parceiros, Caminhoneiros e Portuários - contribui para a redução da transmissão do vírus HIV e das DST junto aos profissionais do sexo e seus parceiros na região metropolitana de João Pessoa e em Campina Grande. (1)

2. Adolescentes e jovens - Objetiva informar, sensibilizar e influenciar comportamentos preventivos em relação às DST/HIV/AIDS, promover atividades de formação humana e qualificação profissional para o primeiro emprego. (1)

Prostitutas, pervertidos, caminhoneiros(!), portuários(!!), adolescentes e jovens... E as crianças? Só consigo vê-las na seguinte situação: A) Abortadas pelas prostitutas, que, vez ou outra, acabam engravidando e logo tratam de tirar aquele “incomodo” do útero para voltar a “trabalhar”; B) Sendo elas mesmas as prostitutas, pois é coisa já muita noticiada que inúmeros caminhoneiros praticam pedofilia pelas estradas do Brasil, e não só eles, já que praticamente todas as pessoas envolvidas com prostituição costumam não se importar com o fato de ser uma criança, homem ou mulher, etc. Há duas coisas ainda a serem frisadas: “comportamentos preventivos em relação às DST/HIV/AIDS” entre adolescentes e jovens, vem a ser, de acordo com o projeto, a distribuição de camisinhas, que, entre outras coisas, “pode ser usada como método contraceptivo”. Ou seja, a ajuda que eles dão às crianças é impedi-las de nascer e também incentivá-las à iniciação sexual precoce.

Outro projeto apoiado pelo Criança Esperança é o Instituto Caruanas do Marajó. Trata-se de uma escola que ensina rituais tribais às crianças: pajeísmo! Leiam a citação:

O Pajeísmo, segundo Zeneida, é o encontro do homem com as energias da Natureza, os Encantados ou Caruanas. O Pajé nada mais é que um instrumento para a manifestação dos Caruanas, energias viventes sob as águas. É ele que propicia a vinda dos Encantados em Terra para auxiliar os viventes em suas doenças ou dificuldades.A iniciação de Zeneida no Pajeísmo se deu pelo Pajé Mestre Mundico do Maruacá, região do município de Salvaterra, na Ilha de Marajó, e durou um ano e 17 dias para que todos os rituais e preceitos antigos fossem cumpridos. Ela aprendeu sobre o Mundo Encantado e seus mistérios, como as Sete Cidades Encantadas que existe sob o mar e onde vivem os Caruanas. Disse-lhe Mestre Mundico que tais cidades são formadas por elementos mágicos que só os Pajés podem conhecer. Explicou que Zeneida seria conduzida para esse mundo pelo Peixe de Sete Asas Coloridas.” (2)

Zeneida Lima: A pajé educadora! A foto fala por si.
Para os que vivem de acordo com o mundo, pode ser que não haja problema algum no fato de uma escola ser dirigida por um pajé que professe este tipo de doutrina, mas para um católico isto é heresia, impossível de ser aceita em qualquer circunstância. Pobre Pedro Álvares Cabral! Pobres jesuítas! Tanto trabalho para converter os indígenas para agora estarmos nesta situação.

Ainda no site do Porjeto Amazona, clicando no tópico “Links”, encontramos a Sociedade Viva Cazuza, do Rio de Janeiro: no site desta sociedade há uma seção chamada “Fórum Científico”; cliquei nele. O texto em destaque é: “A SEXUALIDADE HUMANA - UMA QUESTÃO DE EDUCAÇÃO!“. Nele lemos:

O que é CAMISINHA? Usá-la ou não? O que é sexo oral? É pecado? Faz mal para a saúde? O que é masturbação? É certo ou é errado? É normal ou é um desvio? O que ato sexual? É proibido? É bom? É necessário? Quando? E a homossexualidade, o que vem a ser isso? É errado? É um direito de a pessoa escolher o seu sexo comportamental? (...) A sexualidade humana é uma fonte de energia psicossomática (alma e corpo), que integra a personalidade no seu sentido mais amplo de liberdade e capacidade de amar. Consegue-se a felicidade quando há uma unidade, uma integração do corpo e da alma, direcionada pela capacidade e pela liberdade de amar. (...)

O autor deste texto parte de uma série de perguntas, que em si já são tendenciosas, bombardeando o leitor com questões confusas, misturando moral, medicina, etc., terminando com uma definição de sexualidade humana que provavelmente foi tirada de algum livro de lunáticos como Wilhelm Reich. Seguindo esta definição, parece que o ser humano só se completa através do ato sexual: quanto mais ligado à sexualidade mais feliz o homem se torna! Agora o autor começa a responder as questões que formulou acima:

“- A masturbação - Sabe-se, e é normal, que o despertar sexual do adolescente, principalmente no menino, se faz sob a forma individual, egoísta, solitária. Isso, dentro de um limite, não é pecado, não está errado, não faz mal para a saúde. Não pode interferir nas outras atividades do adolescente. Faz parte da auto-descoberta.”

Primeiro: sabe-se? Quem sabe? Qual é a fonte desta informação? Imagino que a fonte seja a mente pervertida e viciada do próprio autor do texto. Segundo: e é normal? Desde quando é normal um adolescente pecar contra o sexto mandamento? Terceiro: não é pecado? Este tipo de resposta é dada exatamente para confundir os cristãos despreparados, que lendo qualquer coisa se convencem. Vendo aqui a palavra “pecado” o cristão inclinado a este tipo de perversão logo se força a aceitar a sentença como verdadeira para justificar o vício. Quarto: o que uma Sociedade com o nome de um homossexual praticante, promíscuo, nada cristão, tem haver com pecado? Fico somente nas perguntas, para não me estender demais. Quem ainda tem bom senso pode responder sozinho.
Continua o texto:

“· Virgindade - Há que se diferenciar a virgindade biológica (presença do hímem) e a virgindade moral (integridade mental e emocional da menina). Santo Agostinho já afirmava, no século IV, que a virgindade não é um estado físico e sim um fato moral.”

Quanta malícia utilizar as palavras de um Doutor da Igreja para justificar a promiscuidade. Pelo argumento deste texto: Santo Agostinho fez diferença entre as duas virgindades; a virgindade não é um estado físico, mas moral; logo, não é necessário manter o corpo na virgindade!!!

Bom, pensemos um minuto: a virgindade física só pode ser perdida se o indivíduo pratica o ato sexual; para praticá-lo é preciso desejá-lo; se o indivíduo desejou tal coisa, já não tem virgindade moral! (Subentende-se aqui que se fala do ato sexual fora do casamento) O que Santo Agostinho quis dizer foi que, para aquelas pessoas que pecaram contra a castidade e depois descobriram se tratar de um pecado gravíssimo, e realmente se arrependeram (e pretendem não mais pecar), já que não possuem mais a virgindade do corpo, resgataram a pureza no sentido da moral.

Continuando o texto da Sociedade Viva Cazuza:

“·Homossexualismo - Alguma relação HOMOSSEXUAL acidentais na adolescência não autoriza se concluir que se trata de uma pessoa HOMOSSEXUAL. A definição da "preferência" sexual do nosso filho pode passar por experimentações sem que isso exerça papel definitivo no seu futuro.” (3)

Incentivo à sodomia! Só não vê quem não quer. Não é necessário fazer comentários.

Para ver a ligação do Criança Esperança com o financiamento do aborto no mundo, ver o texto do prof. Felipe Aquino: http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2008/05/15/a-unicef-financia-o-aborto-de-meninas-na-africa/

Abaixo do texto do professor há um comentário que diz: “A reiterada participação da Unicef em programas de redução dos nascimentos levou a Santa Sé a retirar em 1996 a simbólica contribuição anual que efetuava e que pretendia alentar a generosidade dos católicos.

“O anúncio teve lugar depois de um comunicado de imprensa da Unicef ter anunciado que tinha distribuído substâncias abortivas no Ruanda e no Zaire.“

Aí está! Este é apenas um pequeno recorte dos grupos apoiados e de suas propostas. Para uma vista mais geral sugiro que os leitores vão diretamente ao site da campanha Criança Esperança que está no início do texto e façam a pesquisa vocês mesmos.

Mas, com o que pontuamos aqui, já podemos responder sem qualquer medo de errar:

Um bom católico não deve, em hipótese alguma, apoiar uma campanha como esta.

Vejam que estarrecedor: Prêmio Luiz Mott: http://www.vivacazuza.org.br/sec_noticias.php?page=1&id=37

(1) http://www.amazona.org.br/ppal.htm
(2) http://www.caruanasdomarajo.com.br/apajelanca.php
(3) http://www.vivacazuza.org.br/

domingo, 23 de agosto de 2009

A degeneração da música: um aspecto da crise do Ocidente

Vladimir Lachance
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Uma imagem da crise que assola o mundo ocidental é a degeneração dos princípios da estrutura musical, crise instaurada, sobretudo, pela Revolução Rock.

Dizemos Revolução Rock, pois é exatamente esta a principal característica deste gênero musical, que cria tendências desordenadas e análogas em todas as almas a ele submetidas. Dr. Plínio Corrêa de Oliveira, diz que “o processo revolucionário nas almas, (...), produziu nas gerações mais recentes, e especialmente nos adolescentes atuais que se hipnotizam com o “rock and roll”, um feitio de espírito que se caracteriza pela espontaneidade das reações primárias, sem o controle da inteligência nem a participação efetiva da vontade; pelo predomínio da fantasia e das “vivências” sobre a análise metódica da realidade: fruto, tudo, em larga medida, de uma pedagogia que reduz a quase nada o papel da lógica e da verdadeira formação da vontade”[1]. Desta afirmação podemos traçar um rápido perfil do jovem sob o domínio do rock: ele tende a uma maior liberalização nos costumes, num eterno estado de revolta, contestação, insubordinação. Mas, contra o quê? Contra a própria alma: é a luta pela inversão do papel da inteligência, da vontade, e da sensibilidade, sobre a alma do homem.

O rock procura agir diretamente sobre a sensibilidade, reduzindo o papel da vontade e da inteligência. O raciocínio lógico é execrado como limitador da espontaneidade, pois, de acordo com a juventude insurreta, a inteligência deve ser vista com olhos de desconfiança, pois crêem que esta é moldada por padrões autoritários e moralistas. Coisa incrível é esta unidade de pensamento entre os “roqueiros”, como que uma identificação quase instantânea com certos ideais e slogans. Mas isto não é gratuito, nem poderia ser: percebe-se certa uniformidade de idéia, de comportamento, até de gestual e de falar, entre estes jovens; diríamos uma tendência ao Tribalismo... um fã do Metallica que vive no Japão é idêntico ao fã que mora nos Estados Unidos.

O prof. Allan Bloom, em sua obra “O Declínio da Cultura Ocidental”, resumindo as idéias sobre música do filósofo grego, Platão, diz que o ritmo e a melodia, acompanhados pela dança, são a expressão bárbara do espírito. Embora não existisse no tempo em que o filósofo escreveu esta sentença, podemos afirmar que a música de que aí se fala, é o rock, a música bárbara por excelência. No rock quem dita as regras é o ritmo, e este, de tal modo atinge a alma do ouvinte comum, que é praticamente impossível imaginá-lo sem se mexer, requebrando ao som de uma melodia pobre, que ocupa praticamente o último lugar na composição. Uma boa composição clássica prima pela beleza da melodia, sendo a harmonia e o ritmo os seus acompanhamentos, funcionando como estruturas subjacentes. A harmonia funciona como a vestimenta da melodia, seu adorno, estando submetida a ela. O ritmo dá uma estrutura à melodia, impondo-lhe certos limites. Mas, enquanto um músico não cogita estrangular sua melodia por amor ao ritmo, com o artista do rock o processo se dá de maneira inversa: por amor ao ritmo, o artista molda a melodia para encaixar-se ao tempo dado pela bateria. O ritmo funciona como uma verdadeira camisa de força da melodia; daí a pobreza das músicas de rock: a melodia acaba se tornando uma infinita repetição (nas bandas de punk rock isto se percebe muito claramente: ouvir qualquer música do Ramones), a harmonia reduz-se a um conjunto de dois a quatro acordes, e o ritmo incessante vai atropelando tudo o que passa em sua frente. Uma ilustração do que isto venha a ser nos é dada pelo Pe. Bertrand Labouche: “É claro que um poema com um ritmo perfeito, mas composto por palavras quaisquer, sem uma idéia diretora, sem “melodia”, seria um poema medíocre ou nulo. Ao contrário, uma prosa rica pela profundidade, pela pertinácia, pelo poder, pela delicadeza de pensamento adornada por expressões bem pensadas seria um texto de valor apesar de não ter cadência.” [2]

A experiência mostra que é bastante improvável que alguém que ouça rock não seja adepto também do seu estilo de vida – e aqui vale a ressalva para o que estamos querendo dizer com “ouvir rock”, isto é, não a espécie de contaminação instantânea que certamente levaria nossos leitores a nos darem exemplos de pessoas razoáveis que escutam “More than words” e se orgulham de serem ecléticas (e que estão de fato contaminadas, mas de outro modo), mas sobretudo aqueles que consomem a Revolução Rock: as centenas e milhares de músicas, roupas, acessórios, a ideologia de seu artista ou grupo, a atitude, acima de tudo. As pessoas que ouvem essas bandas não se conformam com os discos e com as músicas, elas precisam dissecar o grupo, ver a imagem, ler o que eles fazem e o que comem (e, acredite, isso é uma das coisas que mais pesam), o que lhes define, qual seus valores e crenças. E são precisamente essas informações que fornecem ao ouvinte a participação naquele mundo: não o mundo de uma banda, mas antes um arremedo de muitas, diversos fragmentos de seus discursos – o que impede, sempre, a possibilidade do ouvinte definir a si mesmo. E nesse ponto, voltamos ao estado de revolta, que é sempre o mesmo para todos, muito embora eles reivindiquem ou o comunismo, ou a anarquia, ou a causa verde, etc. Essas causas realmente não importam, pois todas são as mesmas, e todas são a Revolução.

Este texto não pretende encerrar o assunto, nem responder a todas as objeções, mas com certeza voltaremos a ele, analisando-o a partir de outras perspectivas.
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[1] Revolução e Contra-Revolução, Dr. Plinio Corrêa de Oliveira

[2] Bach e Pink Floyd - Breve Estudo Comparativo Entre a Música Clássica e o Rock, Pe. Bertrand Labouche

quinta-feira, 9 de abril de 2009

PRÓ-CHOICE: Falsa 3ª Via na Era do Eufemismo

Luciana Lachance e Vladimir Lachance
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Muitos de vocês já devem ter ouvido esse termo – pró-choice – em discussões diversas, como em questões sobre o aborto, opção sexual, e mais recentemente, no discurso pedófilo de grupos como o NAMBLA, que tentam argumentar o relacionamento criminoso de homens com menores através da suposta escolha da criança no consentimento à violência. Neste último caso, não é necessário partilhar desta ideologia para reproduzir o discurso pró-escolha, uma vez que ele é intrínseco à mente criminosa de quem comete esse tipo específico de violência: praticamente todos os homens e mulheres que abusam sexualmente de crianças as acusam de “provocação”, consentimento e iniciativa. Da mesma maneira, ser pró-choice significa permitir ao outro o caminho da violência - onde a mutilação física e/ou psicológica é desprovida do sentimento de culpa que o indivíduo desenvolve por tomar tal escolha – o que, por extensão, determina que esta escolha jamais favorece duas ou mais vias, mas tem direção e sentido determinados. Isto significa dizer que o discurso sempre privilegia a mulher que faz o aborto, a pessoa que decide ser homossexual, ou a aceitação da sociedade para legalizar as drogas ou a pedofilia. A sociedade faz isso através de leis; o indivíduo relega ao próximo um livre-arbítrio deturpado, baseado na falsa premissa de que a escolha do outro não lhe atinge.

Numa época em que o aluno deficiente é chamado de “portador de necessidades especiais”, o negro de “afro-descendente” e o gay de “homo afetivo”, o termo “pró-choice” serve como eufemismo para suavizar posicionamentos tidos como violentos ou que apresentam resistência para serem assimilados. Tomemos como exemplo a questão do aborto. Embora seja óbvio que existam apenas dois posicionamentos – ou se é contra ou a favor dessa prática – os pró-choice se apresentam como uma terceira via na discussão, uma espécie de caminho conciliador entre as duas posições tradicionais. Reivindicam que cabe apenas às mulheres decidirem se abortam ou não – e embora para muitos a questão se encerre em descriminalizar o aborto, este é apenas o primeiro impulso discursivo – para os países, como o Brasil, em que o aborto é crime. Como a maior parte desse tipo de organização pró-choice abortista se encontra em países em que a prática é legalizada, o grande trabalho dessas pessoas consiste em exportar a ideologia para países de terceiro mundo (onde o argumento da mulher-pobre é sensibilizante e interessa à sociedade que vê na família numerosa das pessoas de baixa renda a maior causa das mazelas sociais) e em oferecer “suporte” para que mulheres de seus países se libertem da culpa ou do trauma que o aborto, invariavelmente, traz consigo.

Dessa forma, fica evidente que não existe um terceiro caminho, mas a adoção de um discurso gradual, que procura resolver por partes a resistência que as pessoas têm aos atos de violência propostos. Num primeiro momento, é primordial que se garanta à mulher o direito ao aborto, para retirá-la da “marginalidade”. No segundo, quando o Estado garante e toda a sociedade financia a prática, esta mulher é persuadida à interromper a gravidez - ou, nos países em que não há restrição alguma, a praticar o infanticídio e autorizar aos médicos que sufoquem ou estrangulem seus bebês (isto é bastante recorrente nos abortos praticados em gestações entre cinco e nove meses). Trata-se da mesma ideologia abortista desde o início - não existe qualquer movimento novo ou uma diferente perspectiva, embora o pró-choice possa ser visto em duas categorias: os moderados e os radicais. Os moderados defendem que a mulher possa escolher o aborto em casos de estupro, risco para a mãe ou para criança; os radicais defendem a escolha pelo aborto em qualquer situação. Uma vez cooptados, os moderados tendem ao radicalismo, pois todo e qualquer problema que a mulher alega torna-se relevante. A idéia não é fazer a sociedade aceitar que uma mulher aparentemente insensível e independente tire o filho por indisposição à maternidade, mas tornar qualquer indisposição à maternidade uma patologia amparada e solucionada pelo aborto.

O aborto, é claro, é apenas um dos pontos que interessam aos movimentos pró-choice dessa categoria. É o ponto principal, sem dúvida, pois é a violência extrema, quando dois corpos (o da mulher e da criança) são violentados; os restos fetais, o útero e o órgão sexual invadido resultam dessa escolha. A violência permitida ao outro – dada e oferecida ao outro como direito – se materializa e se transforma em cada feto abortado, em cada mulher mutilada, em cada criança entregue ao estupro nas discussões de teóricos queer sobre o consentimento do sexo para os inocentes, em cada momento onde o ser humano defeituoso é retirado do útero, com a desculpa de que se trata da saúde do feto. Os outros pontos de interesse envolvem a “saúde reprodutiva” da mulher – aulas de educação sexual para crianças, métodos contraceptivos – todos os que envolvem o controle de natalidade, que por definição é eugênico em sua natureza.

sábado, 7 de março de 2009

GRÁVIDA DE GÊMEOS EM ALAGOINHA - O lado que a imprensa deixou de contar

[Reproduzimos na íntegra o post do Pe. Edson, pároco de Alagoinha, que acompanhou o caso da menina de nove anos grávida de gêmeos. Leiam o relato, é impressionante: aconteceu de tudo neste caso para que o aborto ocorresse. A única voz a se levantar na defesa dos dois irmãos, o Arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso foi execrado pela mídia; vejamos se depois deste relato do Pe. Edson ela passará a execrar as feministas que participaram ativamente deste caso, manipulando informações.]

Por Pe. Edson

Há cerca de oito dias, nossa cidade foi tomada de surpresa por uma trágica notícia de um acontecimento que chocou o país: uma menina de 9 anos de idade, tendo sofrido violência sexual por parte de seu padrasto, engravidou de dois gêmeos. Além dela, também sua irmã, de 13 anos, com necessidade de cuidados especiais, foi vitima do mesmo crime. Aos olhos de muitos, o caso pareceu absurdo, como de fato assim também o entendemos, dada a gravidade e a forma como há três anos isso vinha acontecendo dentro da própria casa, onde moravam a mãe, as duas garotas e o acusado.

O Conselho Tutelar de Alagoinha, ciente do fato, tomou as devidas providências no sentido de apossar-se do caso para os devidos fins e encaminhamentos. Na sexta-feira, dia 27 de fevereiro, sob ordem judicial, levou as crianças ao IML de Caruaru-PE e depois ao IMIP (Instituto Médico Infantil de Pernambuco), de Recife a fim de serem submetidas a exames sexológicos e psicológicos. Chegando ao IMIP, em contato com a Assistente Social Karolina Rodrigues, a Conselheira Tutelar Maria José Gomes, foi convidada a assinar um termo em nome do Conselho Tutelar que autorizava o aborto. Frente à sua consciência cristã, a Conselheira negou-se diante da assistente a cometer tal ato. Foi então quando recebeu das mãos da assistente Karolina Rodrigues um pedido escrito de próprio punho da mesma que solicitava um “encaminhamento ao Conselho Tutelar de Alagoinha no sentido de mostrar-se favorável à interrupção gestatória da menina, com base no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e na gravidade do fato”. A Conselheira guardou o papel para ser apreciado pelos demais Conselheiros colegas em Alagoinha e darem um parecer sobre o mesmo com prazo até a segunda-feira dia 2 de março. Os cinco Conselheiros enviaram ao IMIP um parecer contrário ao aborto, assinado pelos mesmos. Uma cópia deste parecer foi entregue à assistente social Karolina Rodrigues que o recebeu na presença de mais duas psicólogas do IMIP, bem como do pai da criança e do Pe. Edson Rodrigues, Pároco da cidade de Alagoinha.

No sábado, dia 28, fui convidado a acompanhar o Conselho Tutelar até o IMIP em Recife, onde, junto à conselheira Maria José Gomes e mais dois membros de nossa Paróquia, fomos visitar a menina e sua mãe, sob pena de que se o Conselho não entregasse o parecer desfavorável até o dia 2 de março, prazo determinado pela assistente social, o caso se complicaria. Chegamos ao IMIP por volta das 15 horas. Subimos ao quarto andar onde estavam a menina e sua mãe em apartamento isolado. O acesso ao apartamento era restrito, necessitando de autorização especial. Ao apartamento apenas tinham acesso membros do Conselho Tutelar, e nem tidos. Além desses, pessoas ligadas ao hospital. Assim sendo, à área reservada tiveram acesso naquela tarde as conselheiras Jeanne Oliveira, de Recife, e Maria José Gomes, de nossa cidade.

Com a proibição de acesso ao apartamento onde menina estava, me encontrei com a mãe da criança ali mesmo no corredor. Profunda e visivelmente abalada com o fato, expôs para mim que tinha assinado “alguns papéis por lá”. A mãe é analfabeta e não assina sequer o nome, tendo sido chamada a pôr as suas impressões digitais nos citados documentos.

Perguntei a ela sobre o seu pensamento a respeito do aborto. Valendo-se se um sentimento materno marcado por preocupação extrema com a filha, ela me disse da sua posição desfavorável à realização do aborto. Essa palavra também foi ouvida por Robson José de Carvalho, membro de nosso Conselho Paroquial que nos acompanhou naquele dia até o hospital. Perguntei pelo estado da menina. A mãe me informou que ela estava bem e que brincava no apartamento com algumas bonecas que ganhara de pessoas lá no hospital. Mostrava-se também muito preocupada com a outra filha que estava em Alagoinha sob os cuidados de uma família. Enquanto isso, as duas conselheiras acompanhavam a menina no apartamento. Saímos, portanto do IMIP com a firme convicção de que a mãe da menina se mostrava totalmente desfavorável ao aborto dos seus netos, alegando inclusive que “ninguém tinha o direito de matar ninguém, só Deus”.

Na segunda-feira, retornamos ao hospital e a história ganhou novo rumo. Ao chegarmos, eu e mais dois conselheiros tutelares, fomos autorizados a subirmos ao quarto andar onde estava a menina. Tomamos o elevador e quando chegamos ao primeiro andar, um funcionário do IMIP interrompeu nossa subida e pediu que deixássemos o elevador e fôssemos à sala da Assistente Social em outro prédio. Chegando lá fomos recebidos por uma jovem assistente social chamada Karolina Rodrigues. Entramos em sua sala eu, Maria José Gomes e Hélio, Conselheiros de Alagoinha, Jeanne Oliveira, Conselheira de Recife e o pai da menina, o Sr. Erivaldo, que foi conosco para visitar a sua filha, com uma posição totalmente contrária à realização do aborto dos seus netos. Apresentamo-nos à Assistente e, ao saber que ali estava um padre, ela de imediato fez questão de alegar que não se tratava de uma questão religiosa e sim clínica, ainda que este padre acredite que se trata de uma questão moral.

Perguntamos sobre a situação da menina como estava. Ela nos afirmou que tudo já estava resolvido e que, com base no consentimento assinado pela mãe da criança em prol do aborto, os procedimentos médicos deveriam ser tomados pelo IMI dentro de poucos dias. Sem compreender bem do que se tratava, questionei a assistente no sentido de encontrar bases legais e fundamentos para isto. Ela, embora não sendo médica, nos apresentou um quadro clínico da criança bastante difícil, segundo ela, com base em pareceres médicos, ainda que nada tivesse sido nos apresentado por escrito.

Justificou-se com base em leis e disse que se tratava de salvar apenas uma criança, quando rebatemos a idéia alegando que se tratava de três vidas. Ela, desconsiderando totalmente a vida dos fetos, chegou a chamá-los em “embriões” e que aquilo teria que ser retirado para salvar a vida da criança. Até então ela não sabia que o pai da criança estava ali sentado ao seu lado. Quando o apresentamos, ela perguntou ao pai, o Sr. Erivaldo, se ele queria falar com ela. Ele assim aceitou. Então a assistente nos pediu que saíssemos todos de sua sala os deixassem a sós para a essa conversa. Depois de cerca de vinte e cinco minutos, saíram dois da sala para que o pai pudesse visitar a sua filha. No caminho entre a sala da assistente e o prédio onde estava o apartamento da menina, conversei com o pai e ele me afirmou que sua idéia desfavorável ao aborto agora seria diferente, porque “a moça me disse que minha filha vai morrer e, se é de ela morrer, é melhor tirar as crianças”, afirmou o pai quase que em surdina para mim, uma vez que, a partir da saída da sala, a assistente fez de tudo para que não nos aproximássemos do pai e conversássemos com ele. Ela subiu ao quarto andar sozinha com ele e pediu que eu e os Conselheiros esperássemos no térreo. Passou-se um bom tempo. Eles desceram e retornamos à sala da assistente social. O silêncio de que havia algo estranho no ar me incomodava bastante. Desta vez não tive acesso à sala. Porém, em conversa com os conselheiros e o pai, a assistente social Karolina Rodrigues, em dado momento da conversa, reclamou da Conselheira porque tinha me permitido ver a folha de papel na qual ela solicitara o parecer do Conselho Tutelar de Alagoinha favorável ao aborto e rasgou a folha na frente dos conselheiros e do pai da menina. A conversa se estendeu até o final da tarde quando, ao sair da sala, a assistente nos perguntava se tinha ainda alguma dúvida. Durante todo o tempo de permanência no IMIP não tivemos contato com nenhum médico. Tudo o que sabíamos a respeito do quadro da menina era apenas fruto de informações fornecidas pela assistente social. Despedimo-nos e voltamos para nossas casas. Aos nossos olhos, tudo estava consumado e nada mais havia a fazer.

Dada a repercussão do fato, surge um novo capítulo na história. O Arcebispo Metropolitano de Olinda e Recife, Dom José Cardoso, e o bispo de nossa Diocese de Pesqueira, Dom Francisco Biasin, sentiram-se impelidos a rever o fato, dada a forma como ele se fez. Dom José Cardoso convocou, portanto, uma equipe de médicos, advogados, psicólogos, juristas e profissionais ligados ao caso para estudar a legalidade ou não de tudo o que havia acontecido. Nessa reunião que se deu na terça-feira, pela manhã, no Palácio dos Manguinhos, residência do Arcebispo, estava presente o Sr. Antonio Figueiras, diretor do IMIP que, constatando o abuso das atitudes da assistente social frente a nós e especialmente com o pai, ligou ao hospital e mandou que fosse suspensa toda e qualquer iniciativa que favorecesse o aborto das crianças. E assim se fez.

Um outro encontro de grande importância aconteceu. Desta vez foi no Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco, na tarde da terça-feira. Para este, eu e mais dois Conselheiros, bem como o pai da menina formos convidados naquela tarde. Lá no Tribunal, o desembargador Jones Figueiredo, junto a demais magistrados presentes, se mostrou disposto a tomar as devidas providências para que as vidas das três crianças pudessem ser salvas. Neste encontro também estava presente o pai da criança. Depois de um bom tempo de encontro, deixamos o Tribunal esperançosos de que as vidas das crianças ainda poderiam ser salvas.

Já a caminho do Palácio dos Manguinhos, residência do Arcebispo, por volta das cinco e meia da tarde, Dom José Cardoso recebeu um telefonema do Diretor do IMIP no qual ele lhe comunicava que um grupo de uma entidade chamada Curumins, de mentalidade feminista pró-aborto, acompanhada de dois técnicos da Secretaria de Saúde de Pernambuco, teriam ido ao IMIP e convencido a mãe a assinar um pedido de transferência da criança para outro hospital, o que a mãe teria aceito. Sem saber do fato, cheguei ao IMIP por volta das 18 horas, acompanhado dos Conselheiros Tutelares de Alagoinha para visitar a criança. A Conselheira Maria José Gomes subiu ao quarto andar para ver a criança. Identificou-se e a atendente, sabendo que a criança não estava mais na unidade, pediu que a Conselheira sentasse e aguardasse um pouco, porque naquele momento “estava havendo troca de plantão de enfermagem”. A Conselheira sentiu um clima meio estranho, visto que todos faziam questão de manter um silêncio sigiloso no ambiente. Ninguém ousava tecer um comentário sequer sobre a menina.

No andar térreo, fui informado do que a criança e sua mãe não estavam mais lá, pois teriam sido levadas a um outro hospital há pouco tempo acompanhadas de uma senhora chamada Vilma Guimarães. Nenhum funcionário sabia dizer para qual hospital a criança teria sido levada. Tentamos entrar em contato com a Sra. Vilma Guimarães, visto que nos lembramos que em uma de nossas primeiras visitas ao hospital, quando do assédio de jornalistas querendo subir ao apartamento onde estava a menina, uma balconista chamada Sandra afirmou em alta voz que só seria permitida a entrada de jornalistas com a devida autorização do Sr. Antonio Figueiras ou da Sra. Vilma Guimarães, o que nos leva a crer que trata-se de alguém influente na casa. Ficamos a nos perguntar o seguinte: lá no IMIP nos foi afirmado que a criança estava correndo risco de morte e que, por isso, deveria ser submetida ao procedimentos abortivos. Como alguém correndo risco de morte pode ter alta de um hospital. A credibilidade do IMIP não estaria em jogo se liberasse um paciente que corre risco de morte? Como explicar isso? Como um quadro pode mudar tão repentinamente? O que teriam dito as militantes do Curumim à mãe para que ela mudasse de opinião? Seria semelhante ao que foi feito com o pai?

Voltamos ao Palácio dos Manguinhos sem saber muito que fazer, uma vez que nenhuma pista nós tínhamos. Convocamos órgãos de imprensa para fazer uma denúncia, frente ao apelo do pai que queria saber onde estava a sua filha.

Na manhã da quarta-feira, dia 4 de março, ficamos sabendo que a criança estava internada na CISAM, acompanhada de sua mãe. O Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (FUSAM) é um hospital especializado em gravidez de risco, localizado no bairro da Encruzilhada, Zona Norte do Recife. Lá, por volta das 9 horas da manhã, nosso sonho de ver duas crianças vivas se foi, a partir de ato de manipulação da consciência, extrema negligência e desrespeito à vida humana.Isto foi relatado para que se tenha clareza quanto aos fatos como verdadeiramente eles aconteceram. Nada mais que isso houve. Porém, lamentamos profundamente que as pessoas se deixem mover por uma mentalidade formada pela mídia que está a favor de uma cultura de morte. Espero que casos como este não se repitam mais.

Ao IMIP, temos que agradecer pela acolhida da criança lá dentro e até onde pode cuidar dela. Mas por outro lado não podemos deixar de lamentar a sua negligência e indiferença ao caso quando, sabendo do verdadeiro quadro clínico das crianças, permitiu a saída da menina de lá, mesmo com o consentimento da mãe, parecendo ato visível de quem quer se ver livre de um problema.

Aos que se solidarizaram conosco, nossa gratidão eterna em nome dos bebês que a esta hora, diante de Deus, rezam por nós. “Vinde a mim as crianças”, disse Jesus. E é com a palavra desde mesmo Jesus que continuaremos a soltar nossa voz em defesa da vida onde quer que ela esteja ameaçada. “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham plenamente” (Jo, 10,10). Nisso cremos, nisso apostamos, por isso haveremos de nos gastar sempre. Acima de tudo, a Vida!

Pe. Edson Rodrigues
Pároco de Alagoinha-PE

sábado, 21 de fevereiro de 2009

O Caminho da Conversão – Parte III: A mulher faz o homem

Por Vladimir Lachance

É sempre difícil começar um texto, ainda mais difícil quando se pretende escrever sobre um assunto que lhe é próximo. Parece que é o tipo de artigo mais fácil de escrever, mas a verdade é que é o contrário. Quanto mais próximo mais difícil de distinguir os contornos do que se quer tratar. Sinto que este texto pode ser considerado como parte de um conjunto, um fragmento que só encontra o sentido completo quando encaixado a outros fragmentos. Ainda não existe a parte II deste conjunto de textos, mas logo será escrito e completará o quadro. Por enquanto os leitores ficarão com este texto, que é uma homenagem à mulher que me fez. Não a que me gerou, ser humano, que me colocou no mundo, mas a que me fez filho adotivo de Deus, que me trouxe a luz de nosso Senhor Jesus Cristo, e deu verdadeiro sentido à minha vida.

Eu estava em tempos de relativismo quando a conheci, Luciana Lachance; vivia numa plena incerteza de tudo, numa perfeita ignorância que imaginava ser o caminho correto para conhecer o mundo. Achava que quanto mais duvidasse mais perto da verdade estaria, pois me parecia que por trás de todas as coisas tinha uma outra realidade que era suja e perversa, mas que não queria se revelar diretamente. Certas idéias para mim eram absolutas, como fórmulas universais que serviam para interpretar qualquer texto, filme, reportagem, etc. Nunca me considerei comunista, tinha certa ojeriza pela figura do velho Marx, aquele homem barbudo de cara enfezada, mas ainda assim tinha uma pequena simpatia por suas críticas da sociedade burguesa. Me sentia mais próximo das idéias anarquistas – hoje penso que não tanto por uma questão de afinidade pessoal, mas porque o comunismo vermelho mesmo, com foice, martelo e boina, já não convencia muito bem. As leituras mais comuns nessa época eram de textos de alguns autores menos conhecidos como Naomi Wolf e Hakim Bey. O que constava principalmente era a leitura dos zines: pequenas brochuras, que normalmente tem menos de cinqüenta páginas; os mais lidos eram textos de grupos ativistas, sobre veganismo, anarquismo, feminismo. Eram nesses textos que me baseava para entender o mundo, para fazer a minha “crítica” da sociedade. É engraçado lembrar que nesse período eu não duvidava em absolutamente nada desses textos – exatamente porque eles me pediam para duvidar de outros textos e idéias, desviando minha atenção para os sofismas absurdos que eles mesmos apresentavam (o relativismo só pode ser utilizado como mecanismo de análise em relação àquilo que você já desconfia, as outras coisas podem continuar absolutas). Era esta a atmosfera em que eu estava envolvido na época, numa confusão geral de idéias, e completando o quadro vivia uma mistura de ateísmo e panteísmo.

Luciana surgiu nesta época, e simplesmente, pela sua presença, me transformou. Certas idéias mudaram de maneira radical; não por ela dizer: “isso é errado”, ou “isso é certo”, mas pelo que trazia consigo, pelo tesouro acumulado no coração. Ela me perguntou: “o que você pensa em relação ao aborto?”. Eu acreditava que era um direito da mulher, que ninguém deveria se intrometer nisto. E foi mais ou menos isso que respondi. Foi quando ela, com apenas quatro palavras, me sacudiu por inteiro, e me mudou completamente. Ela disse: “eu ia ser abortada”. Não houve dúvida: eu passei a repugnar a idéia do aborto. Algumas pessoas podem alegar que essa foi uma decisão extremamente passional, e que eu a tomei para agradar a Luciana, mas a tomei não para meramente agradar, mas por amá-la – e só quem passou por isto pode entender do que se trata. Uma pessoa pode mudar a vida de alguém, ou mesmo o mundo. Quantas pessoas deixaram de existir, e fazer parte da sua vida, (ou precisamente aquelas que mudariam tudo), por terem sido abortadas? Essa é uma questão razoável a ser colocada, mas que muitos encaram com profundo desprezo. E a esses eu respondo, com toda a certeza: Luciana mudou a minha vida, e se ela não existisse eu poderia demorar muito para conhecer a verdade, o amor, Deus.

Ela agora é minha noiva, e foi o meu divisor de águas. Um dia eu fui um adolescente, arrogante, que não suportava os mais velhos e rechaçava os mais novos; agora eu volto a ser criança e começo a ser adulto. Um dia fui um ateu que entoava hinos anti-cristãos, inconformado com o sofrimento no mundo; hoje sou um recém convertido, um catecúmeno, um filho de Deus. Não meus amigos, eu não fui doutrinado como vocês imaginam. Eu fui amado. Éramos dois quando nos conhecemos, e agora estamos muito perto de ser um. Um só corpo e um só espírito. Ela não me trouxe cartilhas – como alguns podem pensar – de como ser um cristão, um conservador, um namorado; nada disso. Aprendemos tudo juntos. Ela me ensinou os primeiros passos do amor a Deus, mas depois continuamos a caminhada juntos.

O que escrevo hoje é difícil de explicar, pois o amor nunca precisou ser defendido. O mundo moderno perverteu as relações entre as pessoas, mesmo aquelas que se gostam, e por isso este texto pode não ser muito bem entendido. Hoje, é muito difícil conceber um relacionamento em que as pessoas realmente queiram se doar à outra, que queiram ser um com o outro. Elas imaginam que fazendo tal coisa estarão sendo submissas, subservientes: as mulheres, em grande parte, infectadas pela ideologia feminista, e os homens perdidos num misto de feminismo e permissividade. Mas eu me atrevo a dizer: não há nada melhor que querer ser um com quem se ama. Não no sentido de ter um pensamento idêntico, de gostar das mesmas comidas, de se vestir combinando. Não é nada disso. Mas de ser unido, da forma correta, como a Igreja Católica me ensinou: a unidade na diversidade. Nós não queremos ser radicalmente iguais, mas também abominamos a idéia de ser completamente diferentes. Há um equilíbrio, que não me cabe demonstrar por meio de palavras, que é exatamente o necessário para que um amor dê bons frutos, se tornando puro e sublime. É esse amor que devemos buscar, o amor que nos dá idéia do Eterno, que nos faz pensar como seria o amor no Reino dos Céus. Esse amor Luciana me deu.
Eu te amo meu amor. Este texto é para você. Fica com Deus e que nosso Senhor Jesus Cristo te dê muitas graças.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Uma nova proposta para 2009 - informe para quem ainda não participa do GEPC

Um caro membro da nossa comunidade nos orkut nos perguntou sobre a retomada das atividades nesse ano. Essa é parte da resposta, que prometi publicar aqui, embora o faça com certo atraso. Abaixo vai a sugestão que eu e Vladimir Lachance enviamos à lista de emails do grupo, conhecida portanto só pelos atuais membros, e que obteve unanimidade até o momento, adaptada para publicação neste blog.

Fabrício Soares, 8 de fevereiro


Consideramos precisa a formação de subdivisões que estudem mais algum aspecto específico relacionado ao assunto geral do "pensamento conservador". Nós continuaríamos com as reuniões de quinta-feira, 14 horas, mas formaríamos pequenos grupos (duplas ou trios) de estudo/pesquisa que focasse algum aspecto do conservadorismo, que poderia se encontrar outro dia da semana, ou que trabalhasse mais virtualmente mesmo (isso dependeria mais de cada grupo, que escolheria uma forma de trabalhar).

Não haveria uma quantidade limite de subgrupos em que cada um poderia contribuir; isto ficaria a cargo de cada pessoa, de acordo com sua possibilidade e afinidade com o tema de estudo. Mas a pessoa que assumir a responsabilidade com mais de uma equipe deve procurar honrar com os compromissos propostos por ela (a equipe), e não relaxar, pois do contrário as atividades não poderão ser realizadas com êxito. Que cada um participe de quantos grupos lhe agradar, mas sem "mangueação". Nas reuniões de quinta-feira, do "grupão", cada subgrupo – lembrem-se, não devemos nos fragmentar* ao adotarmos esse novo funcionamento, que esperamos que adotemos – coordenará a discussão de vez em quando, de forma que todos apresentem e debatam o resultado de seus estudos. Se não ficou bem explicado, por favor perguntem. E dêem sugestões também. Que façamos as emendas necessárias. Esperamos que não se recuse a proposta inteira. Também podemos explicar mais porque achamos necessário fazer isso. Enfim, nós estamos aqui para explicar melhor, pra justificar, pra discutir qualquer aspecto relativo ao que estamos lhes enviando.

* No sentido de encararmos as outras subdivisões como algo que não nos diz respeito, ou diminuirmos nosso intento de aproximarmos-nos uns dos outros. Pois o maior sentido deste grupo de estudos, para nós, é principalmente formar laços com os outros membros, podendo encontrar nas pessoas do grupo verdadeiros amigos a quem possamos recorrer.

Imaginamos alguns temas possíveis para servirem como exemplos:

A) Estudo geral sobre o que é conservadorismo – a que se refere "conservar", tendências e pensadores, sociologia (para saber como o "conservadorismo" se desenvolve na sociedade, comportamento e reação das classes, relação com as circunstâncias históricas – ou seja, não é estudar se as idéias são verdadeiras ou não, mas sim um estudo sociológico do conservadorismo ou conservantismo), grandes expoentes, obras e o que mais caiba neste tópico.

B) Economia e conservadorismo – pode-se estudar como os conservadores aderem às correntes econômicas, como conservadores-liberais, a Nova Direita, ou a condenação que outros conservadores fazem do capitalismo como inimigo das tradições e dos valores, ou um recorte que interesse mais, como o conservadorismo e o liberalismo econômico apenas.


C) As tradições no sentido perenialista, metafísica etc.


D) Conservadorismo x revolução – gnosticismo, messianismo, modernidade, Eric Voegelin


E) A Universidade e o pensamento de Esquerda.


F) Catolicismo e conservadorismo.


São algumas propostas, podemos criar outras, dependerá de nossos interesses.Bom, reunimos aí a maior parte do que pensamos até agora. Caso lembremos-nos de algo mais, acrescentaremos. (Acrescento algo evidente: quando estivermos executando a proposta, certamente aparecerá coisas que não pensamos ao formulá-la)
Abraço a todos, Fabrício e Vladimir.

Estamos à disposição!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O Caminho da Conversão - Parte I: Infância:Deísmo, Morte:Fé

Vladimir Lachance

Passei minha infância inteira como pagão. Meus pais haviam decidido não batizar nenhum dos seus filhos no Catolicismo, pois acreditavam não ser correto impor uma religião a qualquer pessoa que fosse. Em parte acho que isso ocorreu por influência do comunismo, que tanto meu pai quanto minha mãe apoiavam. Nessa época não era exatamente um ateísmo, mas um deísmo inocente – se assim podemos chamar – que vivia; que fazia aparecer de vez em quando um Deus comandante do mundo, mas que eu não fazia idéia de como descrever, nem sabia por que havia nos criado, ou criado o mundo e as demais coisas. Minha mãe foi criada no Catolicismo. Morava na cidade de Nazaré das Farinhas – na infância e começo da adolescência -, onde fazia parte do grupo de jovens da paróquia, participando do coral, dos grupos de evangelização; e quando vinha a Salvador passear ficava hospedada em um convento do qual não sei o nome. Por esse motivo tive algum conhecimento de quem era Nosso Senhor Jesus Cristo, a Santa Virgem Maria, e algumas figuras importantes do Cristianismo. Meu pai também foi chegou a freqüentar a Igreja Católica, mas me parece – não sei muito sobre essa época – que nunca foi muito assíduo, era um católico relaxado. Minha mãe se afastou do Catolicismo quando veio morar em Salvador, deixando a religião, mas como a maioria das pessoas continuando a crer num Deus Criador de todas as coisas, em alguns santos católicos, na Virgem Maria, etc. Não me lembro se tive contato com uma Igreja na minha infância: esforço-me para lembrar se quando pequeno, pelo menos até os 12 anos, entrei numa igreja. Acho que não. Minha avó, mãe da minha mãe, era uma mulher católica, que não perdia as missas de domingo. Ela morou em Nazaré das Farinhas quase a vida toda, mas depois se mudou para Salvador também. Mesmo morando num bairro afastado nunca perdia as Missas de Domingo. Ela praticamente atravessava a cidade para ir à Missa: não porque não houvesse igrejas próximas à sua casa, mas porque dava preferência a uma que era celebrada no Centro da cidade. Com o passar dos anos, quando a idade foi avançando ela deu para roubar imagens de santos das igrejas, mas acho que não chegou a se constituir um sacrilégio propriamente dito, visto que ela estava com a saúde mental um pouco abalada. Pouco tempo depois morreu.

* * *
Minha infância foi de deísmo inocente até os oito anos, quando meus pais conheceram uma religião de doutrina espírita que surgiu na Amazônia. Quando passamos a freqüentar esta religião as coisas mudaram um pouco de figura: o deísmo se tornou mais elaborado, e tive um pouco mais de contato com o cristianismo, pois esta religião segue alguns preceitos bíblicos, mas não só. Meus pais começaram a nos explicar – tenho quatro irmãos – as doutrinas desta religião, dentre elas a doutrina da reencarnação, da Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao mesmo tempo aceitando à doutrinas advindas de diversas outras crenças, como budismo, hinduísmo, teosofia, etc. Era uma espécie de: “todas as religiões estão certas, e o deus de todas elas é o mesmo”.

Participei desta crença por cerca de sete anos. Foi nesta época que minha avó, mãe de minha mãe, morreu. Em 2001, 2002, já não sei exatamente. Foi um momento de muita dor para mim e para toda a família. Contava treze ou catorze anos; creio que estava na aula quando soube. Ela esteve hospitalizada por um tempo, devido a uma espécie de derrame – achei que não seria nada demais, mas a situação dela piorou bruscamente e pouco tempo depois morreu. Tive uma sensação bem esquisita quando me contaram: um misto de incredulidade e medo, um medo tremendo. Uma mistura que nos faz sorrir sem saber por que, e logo depois apagar o sorriso, meio sem graça por tê-lo colocado no rosto - foi a primeira vez que senti isso: não sabia como me comportar. Não sabia se ficava sério, se demonstrava tristeza, ou se, como alguns adultos me recomendaram na época, tentava ficar o mais natural possível, pois segundo eles era algo comum e que deveríamos encarar com tranquilidade. Bom, foi um misto de tudo isso. Quando saí da aula e voltei pra casa fiquei bem sério, pensando na morte. Pensando onde estaria minha avó, o que acontecia quando alguém morria, se era certo cremar um corpo ou não (acho que minha tia tinha pensado na idéia, ou talvez eu mesmo tenha pensado). Depois quando soube que tinha que ir ao enterro – não imaginava que ia ter que estar lá -, a vontade de rir voltou, com toda força. Fiquei imaginando como seria, pois nunca havia ido a um enterro; achei que seria uma coisa bem soturna, num lugar escuro, do cheiro esquisito... Fiquei pensando em tudo isso enquanto aguardava as ordens de minha mãe para me arrumar.

* * *
O enterro foi no período da tarde. Quando chegamos lá havia poucas pessoas na sala do velório, no próprio cemitério (do Campo Santo). As idéias anteriores foram se adequando à realidade: vi que não era nada daquilo que pensava. Era um lugar silencioso, bem iluminado, tranqüilo e muito bonito, cheio de estátuas e imagens. Ficamos um tempo, só eu, minha família e poucos parentes. No começo agi “naturalmente” – como haviam me ensinado -, tentando levar aquilo como algo comum, sem demonstrar muita tristeza, bem sério. Mas, depois de um tempo, movido por um impulso de ver mais uma vez a minha avó decidi ir ao caixão, olhar o seu rosto. Me deparei com o seu rosto sereno, de olhos fechados, com as mãos cruzadas, e o corpo coberto de flores. Senti um estremecimento terrível e me afastei; sentei num dos bancos dentro da sala, e lá fiquei por um longo período, me sentindo com um pé no mundo e outro fora dele – onde exatamente, não sabia -, quando entrou o padre e começou uma cerimônia. Eu não fazia idéia do que era, mas imaginava que fosse algo para rezar pela alma da pessoa morta, para que ela pudesse ir para o céu. Foram rezadas muitas orações – eu não sabia nenhuma delas -, o Pai Nosso foi repetido várias vezes, mas eu não sabia rezá-lo. Nem imaginava que era a oração ensinada por Nosso Senhor Jesus Cristo! Fiquei bastante constrangido por não saber de nada que acontecia lá, e por não saber fazer uma oração. Até aí não havia caído uma lágrima de meus olhos: existiam tantas emoções se confundindo que não havia sequer tempo suficiente para entender cada uma delas. Só quando o caixão foi levado ao túmulo que a “ficha começou a cair”: minha avó estava indo embora deste mundo, nunca mais a veria aqui; só ficaria a lembrança, misturada a tantas outras lembranças que carregamos na vida... foi um peso monstruoso que senti. Minha avó, que me chamava de “passarinho” quando ia à minha casa. Que carregava um cesto na cabeça com biscoito, mortadela, frutas, para levar à nossa casa, dizendo: “meus netos não vão passar fome não” (não lembro se na época passávamos por uma situação financeira difícil ou se era só mania de avó de achar que os netos estão mal alimentados). Ela não estaria mais aqui, entre nós. Que terrível! Ela, que fazia uma verdadeira festa quando os quatro netos iam visitá-la: ela tinha uma dessas barraquinhas azuis “tipo lanchonete” em frente à casa. Quando íamos lá ela comprova vários pacotes de bala, pirulitos, doces variados e colocava em potes e nos dava, para arrumarmos na barraquinha e ficar vendendo. O nosso próprio negócio! Era bem especial. Na casa tinha um quintal bem grande (para meus olhos de criança) com um pé de acerola enorme; às vezes passávamos horas arrancando acerolas: meus irmãos para comer, e eu mais pelo prazer de participar – sempre achei acerola bem azeda, ruim mesmo. No fundo da casa tinha outra área aberta, onde minha avó criava galinhas. Lembro que tinha medo delas, assim como tinha medo dos cachorros... Era nessa casa que tinha um contato um pouco mais próximo com o Catolicismo, mesmo sem o saber. Minha avó tinha imagens de santos, mas não era exatamente isso que fazia do lugar um lugar cristão. Era outra coisa, que na verdade até hoje não sei explicar muito bem. Tentarei aqui, mas tenho plena certeza de que não vou muito longe; e não vou por que se trata de um mistério, algo que por mais que expliquemos vai ficar sem explicação em algum ponto. Era como se alguma coisa fizesse a casa cheirar diferente – ainda consigo reconhecê-lo -, deixando um clima agradável, com uma paz única. Não sabia exatamente o que era isso, mas hoje tenho plena certeza que era o amor Cristão guardando a casa.

Minha avó foi para mim o primeiro contato com o Catolicismo, com a fé, mesmo que eu só viesse a perceber isso depois de sua morte. Primeiro com a sua presença, com a sua pessoa – em corpo e alma; e depois com a sua ausência, quando sua alma deixou este mundo: quando vi a cerimônia no seu velório, pois foi quando vi pela primeira vez uma celebração católica.

* * *
Algum tempo depois da morte de minha avó, estava passeando com minha mãe e um de meus irmãos pelo centro de Salvador (nós morávamos em Lauro de Freitas, uma cidade da região metropolitana de Salvador), quando de repente senti uma vontade, e disse a minha mãe: “Quero um terço!”. Minha mãe me olhou meio espantada e perguntou: “Pra que você quer um terço?”, e eu simplesmente respondi: “Pra rezar.”. Depois dessa resposta ela riu e não perguntou mais nada; disse que poderíamos comprar nas Paulinas – uma loja católica. Quando chegamos lá escolhi um terço de madeira bem bonito e a moça que estava nos atendendo recomendou que comprássemos também um guia de orações. Compramos. Ao voltarmos pra casa fui tentar rezar: peguei meu terço, meu guia de orações e li uma oração que havia lá. Li a mesma oração algumas vezes e depois fui dormir. Fiz isso por alguns dias, mas depois me senti desestimulado a fazer de novo: não tinha ligação alguma com a Igreja Católica, nunca havia ido a uma missa (só na cerimônia que ocorreu no velório – que não foi uma missa), não entendia nada daquilo tudo. Simplesmente me pareceu que não tinha sentido algum, e ninguém em minha família falou nada, nem quando comecei e nem quando parei – era algo indiferente a eles. Lembro bem que após rezar me sentia bem, aliviado, mas não sabia porque, e logo isso parou de acontecer. Nas últimas vezes que fiz essas orações já não me sentia bem, mas me forçando a fazê-las por que achava que já que tinha começado devia continuar. Mas pouco tempo depois parei sem me dá conta.

A igreja, a loja, o pedido

Olhando para este fato agora, percebo que o pedido não foi tão repentino assim: foi bem perto da morte de minha avó. É provável que a proximidade de sua morte tenha me deixado mais perto da fé sem que na época me desse conta disso. Lembro mais: a loja ficava bem perto da igreja em que ela ia assistir missa todos os domingos do ano; e foi perto bem dessa igreja que fiz o pedido. Descobri isso há cerca de dois meses, quando encontrei minha tia na praça onde fica essa igreja, e ela me contou. Na hora em que ela contava não liguei o pedido à igreja e à loja. Só agora percebo a ligação de todos esses pontos, e estou aqui rindo. Que alegria sinto em perceber que todos estes fatos estão ligados à figura de minha querida avó: a igreja, a loja, o pedido.

Conclusão da Parte I

Assim termina a primeira parte deste relato: estava com catorze anos, participando da crença espírita junto com minha família, pensando na morte de minha querida avó, procurando minha fé, procurando Deus.

Tinha chegado à porta da Igreja, mas no momento de entrar desisti.

Continua...

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

A MÁFIA VERDE, precedido por uma reflexão sobre o Acarajé Conservador

por Luciana Lachance
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Este artigo é para atender ao pedido de alguns amigos meus, que me enviaram e-mails desde a segunda até ontem pela manhã, para que eu transcrevesse uma parte dos textos que denunciam A Máfia Verde, juntamente com algum comentário meu sobre estas questões. Uma segunda parte [Considerações sobre o veganismo] está postada abaixo e foi escrita por Vladimir Lachance. Quem acompanha o blog sabe o quanto tem sido de interesse o texto de Vladimir “I Congresso Mundial de Bioética e Direito Animal: A arte de desconhecer” - minha caixa de mensagens do hotmail está lotada com comentários a respeito, inclusive recebi um com o título “A arte de Deturpar”, da autoria de Túlio Xavier, e não conheço quem me mandou isso. O texto, aliás, tenta ser bem explicadinho, e isso é justificado logo no início pelo autor, que se dirige àqueles que ainda não se converteram à causa vegan ¹. O pregador se define como um “vegan ativista que só come acarajé de candomblé”, o que eu acho ótimo, uma vez que o candomblé sacrifica animais; imagino o cara comendo esse acarajé depois de, sei lá, ver uma galinha ou um bode sendo mutilado. Para alguém soi-disant ativista, encontramos aqui um paradoxo, pois certamente o autor virá em defesa do candomblé, arrumando rapidamente uma desculpa para o sacrifício animal dentro dele – não por se tratar de uma religião, mas por se tratar de uma religião afro-brasileira; nesse sentido, o militante de hoje tenta levantar as bandeiras, simultaneamente, de causas como o veganismo, o homossexualismo, feminismo e movimento negro. É precisamente por isso que encontramos esse tipo de problema no texto de Túlio (condenação brusca da violência contra os animais, seguida de vinculação com uma religião que os sacrificam): não existe nenhuma lealdade, e, portanto, ele nunca poderá ser verdadeiramente um revolucionário. E isso o atrapalha quando ele tenta fazer uma denúncia, pois procura conscientizar as pessoas do sofrimento desnecessário imposto aos pobres bichos, ao mesmo tempo em que se orgulha de compartilhar com o candomblé. Aí está o limite de seu ativismo vegan: ele termina quando o terreiro chega – mas conheço vegans que não têm esses limites, e continuam sofrendo pelo bode morto no ritual, da mesma maneira como choram pelos elefantes torturados no circo. O homem moderno em estado de revolta tornou-se praticamente inútil para qualquer propósito da revolta. Rebelando-se contra tudo, ele perdeu o direito de rebelar-se contra qualquer coisa específica.² Túlio quase se esquece de “responder” o texto sobre o congresso, com pedantismos do nível de "(...) o que mostra total falta de ignorância do [Vladimir Lachance] sobre o tema”.³ Foi a única coisa com a qual eu concordei: realmente, é muita falta de ignorância mesmo. Este blog tem causado muita polêmica, e eu atribuo isso ao fato de que tanto as pessoas conservadoras, quanto as não-conservadoras se interessam por ele; a situação é de certo modo tão glorificante para mim, que sou colaboradora, que as pessoas que lêem passam para os amigos, comentam, acham um absurdo, fingem que não lêem – e isso foi particularmente engraçado: ver uma pessoa dizer que “nem lê o Acarajé Conservador”, que só leu uma vez de nada, mas poder saber que esta é precisamente uma daquelas pessoas que lêem, repassam, copiam e colam trechos dos nossos posts. Isso é apenas uma amostra do nosso primeiro trimestre, e embora saibamos que este formato não é para sempre, como boa parte desses projetos não o é (sabe-se lá qual será a melhor ferramenta de comunicação daqui há 10 anos), levar uma pessoa a mentir de forma despretensiosa, apenas para não dar o braço a torcer que acompanha o Acarajé, é (depois de engraçadíssimo) uma daquelas máximas do egocentrismo humano: eu não me apaixono, eu não vejo novela, eu nunca votei no Lula, eu odeio Che Guevara, e eu não leio o Acarajé Conservador.

Para a minha surpresa, há mais pessoas interessadas no conservadorismo do que se imagina. A maioria das pessoas que luta contra uma posição conservadora ou tradicional não sabe muito bem o que atinge; essa “direita” é tão abstratamente diluída no discurso esquerdista que se torna o que o termo “neofascista” se tornou nos últimos tempos: algo completamente esvaziado, sem qualquer significado real, que pode representar tanto uma pessoa que, contemporaneamente, segue o pensamento de Mussolini, quanto [e mais frequentemente] qualquer um que discorde de uma posição ou não endosse o politicamente correto. O conservador é, nessa abstração, algo desconhecido, é o sujeito rico e de terno e gravata cujo objetivo é dominar todas as pessoas passíveis de exploração. Nesse contexto, tudo é arquétipo: para as feministas, o inimigo é o homem opressor ou a sociedade cujo falo gigante penetra os espaços abertos [perdoem a ambigüidade]; para um militante do movimento negro, em primeira instância, qualquer um é racista, e vemos frequentemente essa “feridinha” ser aberta, de maneira totalmente deslocada: quantos de vocês discutiam um tema (por exemplo, a exploração ou não exploração das baleias) e foram acusados, quase que amigavelmente, de não se preocuparem com a questão dos afro-descendentes? Como você pode simplesmente jogar xadrez com uma pessoa quando ela está usando as regras do Ludo? Como alguém quer ser levado a sério num debate quando se está falando de política e grita “Panquecas!”? Poderia Alice responder por que um corvo se parece com uma escrivaninha?

Vou dar um exemplo da tamanha abstração que muitas vezes acompanha as posições anti-conservadoras: qualquer pessoa que discuta politicamente e pretensamente de forma embasada a questão do aborto, sabe da existência do Dr. Nathanson e de sua luta pela legalização da prática nos Eua, e do depoimento do mesmo sobre como se deu esse processo, etc, etc. Uma pessoa leiga, e que certamente possui seu posicionamento quanto a isso, talvez não saiba, mas aqueles que de forma organizada discutem a questão, seja dentro de um movimento pró-vida, ou de uma organização feminista pró-aborto, devem conhecer esse depoimento. Não necessariamente devem concordar com ele, ou acreditar mesmo ser verdade que esse doutor, tão empenhado outrora em legalizar o aborto, hoje diga que manipulou os dados de pesquisa para que o projeto de lei passasse. Mas o que é inconcebível, na minha opinião, é que uma pessoa possua ou participe de um grupo pró-aborto e tenha um total desconhecimento sobre quem é Nathanson, e isto não apenas porquê a sua figura é essencial para compreender o processo de legalização do aborto no mundo, mas porque isso mostra, claramente, que pessoas estão tomando posicionamentos ferrenhos sobre uma questão que nem sequer estão por dentro; mostra que há toneladas de militantes prontos para nos convencer de que a legalização do aborto é uma questão de saúde pública, um direito da mulher e por aí vai, mas que não se deram nem ao trabalho de saber o que existe do lado de fora da caverna, estão olhando as sombras e nos apontando monstros.
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Notas

¹ O aviso de Túlio no início do texto “A arte de Deturpar” é este: “Para alguns o veganismo soa como algo extremista, uma verdadeira pregação de pessoas radicais desesperadas por atenção. Para outras aparenta ter uma certa coerência, mas ainda assim se constitui em um discurso irreal e impraticável. É para essas pessoas que se destina o presente texto

² G. K. Chesterton no capítulo “O suicídio do pensamento” de seu livro Ortodoxia. O autor inspirou todo o parágrafo.

³ Citação do texto de Túlio: “Até porque o mínimo de conhecimento sobre o funcionamento da ALF descartaria essa possibilidade, o que mostra total falta de ignorância do autor sobre o tema, e pior ainda, a total indisposição (pra não dizer coisa pior) em pesquisar antes de escrever sobre o que não sabe”.

Agora sabemos, no entanto, que dá pra se dizer coisa pior.
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Segue comentário meu, para os amigos já citados, assim como para todos, por extensão, sobre as questões ecológicas mundiais, que têm sido o foco de interesse de uma parcela das pessoas que visita o Acarajé Conservador. Em seguida, transcrevo algumas citações de links que já foram disponibilizados aqui.

A Máfia Verde

Estou convencida de que existe uma conspiração ecológica no mundo. Não é apenas o paroxismo da propaganda verde do século XX, onde as pessoas sensíveis vinham nos oferecer sementes de girassóis e se amarravam simbolicamente em árvores, mas trata-se de um verdadeiro culto á natureza, em que a velhinha de xale foi sinistramente substituída por uma garota andrógina de vinte e poucos anos e a árvore perdeu o lugar para o personal computer. O Greenpeace foi desmoralizado, a WWF Brasil censura livros que denunciam a indústria da ecologia (ver o livro A Máfia Verde, Lyndon La Rouche) e o aquecimento global está na moda, mas é igualmente uma farsa (veja o documentário A farsa do aquecimento global). Aos poucos essas ONGs e manifestos em favor da causa verde são desmascarados, a exemplo do Grupo PETA (Pessoas pelo tratamento ético com os animais), que hoje sabemos exercer a conduta ética de exterminar mais de 80% dos animais que acolheram nos últimos dez anos (Segundo o site Peta Kills Animals, dos 22.896 animais que o PETA acolheu entre os anos de 1998 e 2007, 19.215 foram assassinados pelo grupo). Há ainda a batalha travada entre o Greenpeace e Charles Lagrave: ele denuncia as mentiras contadas pelo grupo, a lavagem de dinheiro, e que embora no momento de sua fundação o Greenpeace fosse uma organização mais ou menos séria, após o enfraquecimento do comunismo no mundo a entidade passou a ser o alvo dos militantes, que se infiltraram e acentuaram cada vez mais o caráter polítco-ideológico do movimento. Há vinte anos, a militância juvenil era em sua maioria adepta do discurso comunista panfletário; hoje, não há mais sentido e é até mesmo ridículo ver alguém vestindo a camisa da foice e do martelo (é caricato demais), no entanto, a ideologia comunista se diluiu de tal maneira que permeia os campos de praticamente todos os chamados “discursos de minoria” (A revolução cultural de Gramsci já previa tudo isso, como ele escreve nos seus cadernos do cárcere). Os militantes de hoje são politicamente corretos, são cheios de boas intenções e querem salvar os bichos, as mulheres, os homossexuais e os negros; só não querem salvar as crianças porque são a favor do aborto. Os partidos comunistas do nosso país [PT, PCdoB e PSTU] querem combater “principalmente a homofobia capitalista”, enquanto em todos os países comunistas os homossexuais foram fuzilados, como ainda o são em Cuba, na China, na Coréia do Norte.
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Comunismo, Ecologia e o Paraíso na Terra
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As promessas do comunismo convergem para uma sociedade igualitária, em que a classe burguesa será extinta, a propriedade privada desaparecerá e será estabelecido o “paraíso na terra”. O presidente da Cruz Verde Internacional, Gorbatchev, afirma que a ecologia é um veículo revolucionário, e não por acaso esse mesmo Gorbatchev foi secretário geral do comitê central do partido comunista da URSS. Vou colocar aqui algumas citações de textos que ajudam a esclarecer as ligações entre o desaparecimento do comunismo, a militância ecológica e o socialismo sempre presente. As pessoas que nos escreveram parecem ignorar que existe um debate extenso sobre o assunto, e ficam até mesmo surpresas de ver alguém fazer tal analogia. Sugiro que estas pessoas, assim como eu fiz no passado, passem a investigar mais essas questões, para que não sejam simplesmente massa de manobra, acreditando na velha cartilha de que “ricos e doutores” não fazem parte da ideologia socialista, quando é exatamente o que ocorre. Muitas pessoas comentaram que não é possível uma ligação da ideologia vegan com o socialismo. Túlio, no seu texto A arte de deturpar, diz que qualquer um que afirma esta ligação é medíocre, apenas porque acha a questão extremamente nova, julgando que foi pela primeira vez formulada no Acarajé Conservador. Era de se esperar que ele pelo menos conhecesse os argumentos e dissesse não concordar com eles, mas ficou claro que ele se viu diante de uma novidade, resolvendo a questão dizendo que a ligação do veganismo com o socialismo seria improvável porque “Muitos dos próprios palestrantes são advogados ou professores e doutores universitários, e com certeza muitos deles não gostariam de voltar a um passado utópico de socialistas e comunistas” [sic]. De qualquer forma, ele mostrou também no texto que conhece o Google, de modo que poderá recorrer a ele para buscar novos horizontes [Duro vai ser se ele pretender dar outra resposta como se já soubesse da coisa toda]. O filósofo Olavo de Carvalho, em introdução à tradução da conferência de Pascal Bernardin [de 1999] sobre A Face Oculta do Mundialismo Verde, afirmou:

Desde o fim do comunismo, o socialismo bate em retirada ao conceder mais espaço aos mecanismos que deixam uma maior margem de liberdade aos comportamentos individuais. Contudo, a ameaça não desapareceu. Embora não se trate de grandes leis históricas que fariam do Proletariado o instrumento e o veículo do Progresso, trata-se da Ecologia – mais precisamente, das elites científicas e ecológicas que se autodenominaram os messias dos novos tempos – que pretendem impor seus objetivos como elementos reguladores da liberdade dos indivíduos”.¹

A conferência de Pascal Bernardin é uma síntese do seu trabalho minucioso sobre a ligação entre o socialismo e ativismo ecológico. Na transcrição da conferência, ele define a perestroika (termo que significa reestruturação), cujo mentor foi Antonio Gramsci: “A revolução ecológica formará a ossatura das revoluções — ideológica, religiosa, ética e cultural — veiculadas pela ditadura pedagógica. As idéias de Gramsci são portanto indispensáveis para toda compreensão do mundialismo e da perestroika”.

Confesso que apenas as citações não são suficientes para compreender toda a questão e a leitura dos textos sugeridos, e de outros textos mais, é importante. Estas citações são apenas para fins de demonstração, para instigar a curiosidade das pessoas. Ele termina a conferência dizendo que o objetivo de sua obra é “descrever a etapa atual da Revolução, que deve desembocar na edificação do Império ecológico, da Cidade terrestre; e mostrar como esta, querendo se elevar até o céu, busca realizar neste mundo a Cidade celeste”. ²

Notas

¹ O texto completo está em http://www.olavodecarvalho.org/convidados/bernardin2.htm

² Outras leituras e sites:
http://www.olavodecarvalho.org/convidados/empeco.htm
http://www.petakillsanimals.com/