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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Catarina Paraguaçu, Matriarca do Brasil e Protetora da Igreja


Em 1535, Catharina Paraguasú, em sonho, teve a visão de uma mulher branca com uma criança no colo, solicitando-lhe ajuda e dizendo encontrar-se numa embarcação que naufragara perto. Realizadas diversas buscas pelo litoral, inclusive no Rio Vermelho, nada foi encontrado. Catharina voltou a ter o mesmo sonho e Caramuru saiu para novas exploracões, dessa vez no litoral sul. Na Ilha de Boipeba, deparou-se com 17 sobreviventes da nau Madre de Dios, que afundou em maio de 1535, nas proximidades de um local que ficou conhecido como Ponta dos Castelhanos. Mas os náufragos informaram-lhe que na embarcação não viajava nenhuma mulher.

Retornando para casa a esposa pediu-lhe que voltasse ao local do naufrágio novamente. Entre os destroços, foi achada uma imagem de madeira – de Nossa Senhora com o Menino Jesus nos braços -, que, levada à Catharina, foi imediatamente reconhecida por ela como a mulher vista nos sonhos. Uma segunda versão diz que Caramuru teria encontrado a imagem numa oca, depois de ter sido recolhida na praia por um índio.

Atendendo a mais um pedido da esposa, Caramuru construiu uma capela de taipa, com cobertura de palha, para abrigar a imagem da Virgem Maria. Estava assim, em 1535, erguida a primeira igreja do Brasil, onde foi oficiada, em 31 de maro de 1549, pelos padres jesuítas da comitiva de Thomé de Souza, uma festa religiosa que contou com a presença do governado-geral.

Mantendo-se fiel ao tupi, Catharina Paraguassú não se comunicava em português. Nunca demonstrou interesse pela língua dos dominadores das terras do seu povo. Na França aprendeu o francês bretão e assimilou dois hábitos dos brancos, a religião católica e o vestuário. Andava recatadamente vestida, ao contrário de muitas índias que continuavam adeptas da nudez total. Vivia cercada pelas mordomias proporcionadas por Caramuru.

Na verdade, Catharina constituía-se numa tupinambá muito especial, tanto que, após o regresso da França, o marido não teria tido mais nenhum evolvimento amoroso com outras indígenas. É quase certo que Caramuru realmente cumpriu os votos de fidelidade proferidos na França, onde se casou com Catherine du Brésil no ritual católico, em solenidade realizada possivelmente em Paris e com a presença do franciscano Pero Fernandes Sardinha, que viria implantar a primeira Diocese do Brasil. O primeiro bispo foi muito bem recebido por Caramuru e Catharina. Todavia, quando se declarou favorável à escravização dos índios, o casal afastou-se dele.

Doação da Igreja da Graça

Catharina Paraguassú, protagonista do primeiro milagre no Novo Mundo e pioneira na difusão da fé católica, também se tornou conhecida pela generosidade, pois dedicou boa parte da vida a praticar caridades. O maior dos gestos, numa demonstração de desprendimento e devoção, ocorreu quando transferiu à Ordem de São Bento a Ermida de Nossa Senhora da Graça e terras vizinhas, que lhes pertenciam por herança do marido. A escritura foi lavrada em 16 de julho de 1586, na casa da doadora, localizada no atual Largo da Graça, estando presentes o padre jesuíta Luís de Gran – confessor e intérprete de Catharina, que não dominava o português [apenas o francês] – e a parte beneficiada, representada pelo frei Antônio Ventura, primeiro abade do Mosteiro de São Bento.

A Matriarca da Bahia morreu em 26 de janeiro de 1589. Como provavelmente teria nascido em 1509, ano da chegada de Caramuru ao Rio Vermelho – local onde ela certamente nunca esteve -, Catharina viveu em torno de 80 anos, dos quais 61 como católica e 54 como devota de Maria Santíssima, a quem rendia tributo na ermida construída pelo marido após o profético sonho. Por dizerem que continuava a sentir o milagre da divina graça, a capela se transformou num centro de romaria dos colonos. Na viuvez, com o santuário já bastante ampliado, gostava de sentar-se numa cadeira junto à nave, onde os católicos lhe beijavam a mãe, em sinal de veneração.

Catharina foi enterrada na igreja que mandou construir após o achamento da imagem da Virgem Maria. A sepultura permanece até hoje no piso da nave, tendo sido preservada nas ampliações e reforma do templo. Em 1797, colocada pela Casa da Torre de Garcia D'Ávila [que após o casamento da filha de Garcia D'Ávila, Isabel D'Ávila, com o neto de Catharina, Diogo Dias, se tornara uma Casa onde também corria seu sangue], foi afixada na parede, à direita do túmulo, uma lápide brasonada com os seguintes dizeres, na grafia da época:
Sepultura de D. Catharina Álvares Paraguassú, Senhora desta Capitania da Bahia, a qual ella e seu marido, Diogo Álvares Corrêa, natural de Vianna, derão aos Senhores Reis de Portugal. Edificou esta Capella de Nossa Senhora da Graça e a deu com as terras annexas ao Patriarca S. Bento, em o anno de 1582.

(…)
Em reconhecimento à sua importância, na propagação do catolicismo, e pelas benemerências praticadas, uma imagem caracterizando Catharina Paraguassú passou a figurar – juntamente com a da Virgem Maria com o Menino Jesus – no Brasão do Mosteiro de São Bento.

Retirado do livro "Diogo Álvares, o Caramuru" de Ubaldo Marques Porto Filho

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Os peixes oprimidos

De vez em quando eu apelo para mortificação pesada; fico vendo os debates que passam na TVE. O negócio ali é duríssimo. Acho que só para entrar no estúdio você precisa mostrar carteira de filiação sindical/partidária e/ou aparecer vestido como iorubá do séc. XIX. Ontem, passeando pela TV, me deparei com uma discussão aparentemente inocente; a pesca com bomba. Mas não é que tive uma grata surpresa?

A novilíngua esquerdista estava presente firme e forte. Um senhor começou a fazer referência aos "povos tradicionais", numa clara - e velha - visão dialética, alegando que estes mantinham os costumes e formas pacíficas de pesca pois estavam em sintonia com o Meio Ambiente, enfim, aquela divinização já costumeira. Depois, obviamente, começou a alegar que os invasores, estes sim, trouxeram a pesca com bomba. Que os portugueses faziam isso nos rios, na Baía de Todos os Santos e não sei lá mais onde. Eu tive um ataque de risos! Meu Deus! Nem mesma pesca com bomba - que eu também me oponho - passa ilesa? Ideologizam absolutamente tudo.

O mesmo senhor apareceu com uma proposta de criação de zonas especiais pelo Estado, sempre o Estado, para zelar pelos povos tradicionais e pesca artesanal. Não entendi nada muito bem, e talvez tenha sido essa intenção desse senhor.

Mas fiquei curioso; os pescadores que vivem na Ilha de Itaparica, que eu sempre via praticando pesca com bomba, se enquadram onde? Seriam eles membros dos povos tradicionais - o que seriam povos tradicionais? Se portugueses são "estrangeiros" os negros também devem ser, espero - ou herdeiros dos opressores e destruidores da vida marinha dominada por estruturas de alienação?

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Terreiros e Agulhas

Quando eu soube do caso do menino das agulhas na mesma hora me perguntei; será que o candomblé tem alguma coisa a ver com isso? A dúvida ficou! Não obstante, outro dia, vendo uma reportagem do caso, vi que se referia ao padrasto e duas mulheres envolvidos com "magia negra". Caríssimos leitores, desde já saibam que "magia negra" é a versão politicamente correta de chamar "religiões afro-brasileiras". Obviamente, descobriram que o ritual com as agulhas fora orquestrado por uma mãe-de-santo.

A glamourização das religiões afro-brasileiras é assustadora. Aqui na Bahia o candomblé já virou quase religião oficial. Claro que das três vertentes; candomblé, umbanda e quimbanda, a primeira é a mais “leve”, talvez por ser mais mitológica e tradicional, entretanto, não necessariamente menos obscura. Com a supervalorização do candomblé - aqui na Bahia quase não existe umbanda ou quimbanda - os terreiros se tornaram baluartes da cultura "afro". Justamente por isso, esta religião se tornou menos "religiosa" e mais "cultural". De forma prática podemos dizer que existe o candomblé para o povo reverenciar - e o governo financiar - e o candomblé de verdade, oculto, reservado aos iniciados, onde mata-se bodes e bebe-se sangue de galinha.

No meu bairro, que não tem terreiro de macumba, com uma população cristã, considerado de classe média, encontraram, certa vez, o corpo de uma criança recém nascida, sem as mãos, com marcas de esfaqueamento, ainda com o cordal umbilical, jogado numa lata de lixo e, perto dali, um carro com aparentes pais-de-santos. Salvador precisa de uma nova evangelização! Que Deus nos conceda um Arcebispo com espírito missionário!

Achei engraçado quando depois da reportagem, num jornal local, falando do envolvimento da mãe-de-santo no caso, passaram uma outra sobre certa exposição com fotos de várias matriarcas dos terreiros daqui de Salvador. Ou ninguém percebe o óbvio ou a ditadura do politicamente correto, com a intolerância dos tolerantes, impede uma análise sensata dos fatos.

OBS: Se fosse um Padre o autor desse terrível crime, vixe, já teria sido capa de não sei quantas revistas, com alguma montagem se referindo às agulhas e à Cruz na capa. Algum historiador iria aparecer falando da relação da Santa Inquisição com a técnica das agulhas e todos canais de televisão abordariam o caráter opressivo e abusivo do Catolicismo.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O Padre e Lúcifer

Um Padre X, numa paróquia Y, na cidade de Salvador, lançou uma pedrada teológica extrema. Já é sabido que esse Sacerdote tem uma capacidade incomparável de enrolação, com uma retórica vazia e embebida num subjetivismo tão acentuado que ninguém sabe como praticar o que ele prega. Obviamente, parte da mentalidade açucarada da fé. Falar de oração, mortificação, penitência, sacrifício, assusta os fiéis, portanto é melhor se abster desses assuntos desinteressantes. A sua oratória é completamente rarefeita.

O Sacerdote comumente ensina que demônios não existem, que na verdade são metáforas para tudo aquilo que aliena o projeto de Deus (sic) - o que isso representa de fato eu não sei, mui provavelmente nem ele. A descrença na existência das forças demoníacas é não acatar uma verdade de fé, uma posição que tem conseqüências gravíssimas; anjos e demônios são substancialmente iguais, se demônios não existem, logo anjos também não. Se anjos não existem a devoção aos Santos Arcanjos é ilusória e a própria Anunciação mentirosa. Tamanho absurdo não encontra respaldo em textos patrísticos e magisteriais, inclusive S.S Paulo VI, numa alocução na década de 60, frisou a existência do demônio numa sociedade descentre.

Na Liturgia da Palavra do 33º Domingo do Tempo Comum Ano B se aludiu ao Arcanjo São Miguel, numa passagem do Livro de Daniel. O Padre X, comprovando infalivelmente o déficit de conhecimento bíblico, teológico, doutrinário, centralizou a homilia e reflexão Evangélica na idéia de que todos devem ser como Miguel; "como Deus". Exatamente, meu caro! Esse Sacerdote não se tocou para o fato de que o nome do Príncipe da Milícia Celeste não era uma afirmação - o que seria um absurdo -, mas sim um questionamento, feito a Lúcifer, este sim que quis ser "como Deus".

Como ensinou Santo Tomás, "O anjo pecou querendo ser como Deus". "Não servirei! Subirei até o Céu, estabelecerei o meu trono acima dos astros de Deus, sentar-me-ei sobre o monte da aliança! Serei semelhante ao Altíssimo!" ( Is 14,13-14) Em resposta ao "Non serviam!" de Lúcifer veio o "Quis ut Deus?" de Miguel. O questionamento do Arcanjo se dirigia a soberba diabólica do "Portador do Luz" que queria ser como o Senhor. Entretanto, o Padre X, confirmando a sua falta de conhecimento básico, atestando a sua capacidade de enrolação subjetivista, com uma homilia enfadonha, fraca, açucarada e pouco sensata, convidou o povo a ser como Lúcifer, que procurasse ser "como Deus".

domingo, 4 de outubro de 2009

Marketing profano‏

por Adilson Boson

Divina Gula - Comércio

Divina Salada – Caminho das Árvores

Divino Pecado Cafeteria – Pituba

Divino Bar - Itaigara

Botequim São Jorge – Rio Vermelho

Gula Santa (restaurante português) – Itapoan e Salvador shopping

Santíssima Bahia Bar e Restaurante – Piatã

Santa Pizza – Rio Vermelho

Santo Antônio Botequim – Jardim dos Namorados

Convento – Jardim dos Namorados (este têm decoração inspirada em catedrais, e traz, sobre o logotipo, uma cruz e o slogan “A Nova Doutrina da Diversão”)

Santo Estilo – botique de luxo na Av Papa Paulo VI

San Sebastian – boate GLS no rio Vermelho (slogan: “suas preces foram atendidas”, nome das festas de sábado: Blessed Nights)

Esses são apenas alguns dos nomes que passaram a ser lidos nos letreiros de estabelecimentos comerciais no último ano em Salvador.

O que aconteceu?

Um surto de desejo de santidade oculto no empresariado baiano?

Uma tentativa de profanação e de banalização de todo o vocabulário que possa remeter a coisas santas e católicas?

Por enquanto, fica a observação.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Mãe Stella de Oxóssi e o Sincretismo

A mais famosa iyalorixá do candomblé, na atualidade, Mãe Stella de Oxóssi, tem se levantado em combate ao sincretismo religioso. Mesmo reconhecendo a falsidade essencial da crença afro-brasileira, que não só é mentirosa como de dimensão teológica diminuta, a postura de Mãe Stella é muito pertinente na realidade atual, onde o relativismo força uma comunhão entre religiões que são opostas em suas bases doutrinais. A senhora do candomblé entende que o sincretismo favorece o enfraquecimento das crenças envolvidas, estimulando a formação de uma fé instável e sem qualquer fundamentação.

Que mundo é esse?! Eu assumo que preferia ter publicado uma nota falando que o Cardeal de Salvador havia não só condenado o sincretismo de maneira clara e objetiva - o que ele já fez, mas não com o afinco necessário - como punido e distanciado os Sacerdotes que abriam as portas das Igreja para o candomblé - e todos sabem onde estão essas igrejas.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Quem tem orgulho disso?

Tirando os fatores culturais e lingüísticos, quem em sã consciência acha, de fato, motivo de orgulho se comportar de maneira tão caricata e retardada? Esse baiano crianção que é descrito não passa do próprio rabisco feito pelos sulistas. Chega a ser engraçado, o texto coloca mais lenha na fogueira daqueles que acham que todos os habitantes da Bahia são preguiçosos, desprovidos de seriedade e festeiros em essência!

A Bahia não é essa caricatura que fizeram dela! Prefiro lembrar que nosso estado foi, no passado, um dos maiores forjadores de intelectuais do país!

domingo, 7 de dezembro de 2008

A Festa na Sefaz

Quem mora em Salvador possivelmente tem acompanhado, mesmo que por alto, o embate que anda ocorrendo entre os Agentes de Tributos e os Auditores Fiscais. Muitas pessoas não sabem, mas não é apenas um projeto, inconstitucional vale frisar, de reestruturação da carreira do fisco, mas sim uma minuciosa estratégia de ideologização do governo e partidarização das estruturais estatais.

De forma sucinta, o Secretário Estadual da Fazenda, Carlos Martins, aquele que foi tesoureiro da campanha de Wagner, defende uma proposta que desconstrói a função de Auditor Fiscal, dando poderes e incumbências próprias para os Agentes de Tributos de nível médio. Dessa forma esse projeto se coloca em total oposição àquilo que foi recomendado formalmente pelo Ministério Público Estadual.

Os Auditores Fiscais se uniram em defesa dos seus cargos e funções. Não é para menos. Estamos quase vivendo um conto de fadas. Aqui na Bahia 1.224 pessoas vão dormir Agentes de Tributos ou Auxiliares de Fiscalização de Auditores Fiscais e vão acordar Auditores Fiscais. Na verdade não vão se tornar Auditores Fiscais essencialmente, já que não passaram pelo único método legal e lícito de aprovação; o concurso, entretanto, de fato, em terras petistas o poder do Estado e a necessidade basilar de absolutizar um projeto ideológico de governo se colocam a frente de leis, normas, éditos, funções.

A tentativa do PT de partidarizar a Sefaz é clara. Na verdade esse projeto do governo Wagner não é nada assustador para aqueles que já conhecem os métodos do atual Partidão. A invasão das estruturais estatais, a partidarização do serviço público, a criação de um exército de devedores ao PT, entre outras estratégias, massificam um projeto ideológico, possibilitam uma soberania política. Quem precisa da maioria na Assembléia, por exemplo, se justamente os órgãos, secretarias, os braços do Estado estão tomados por agentes petistas?

Com esse projeto sorrateiro o PT instaurou um clima de tensão na Sefaz. Onde antes havia eficiência, rapidez, serviço de qualidade, hoje reina a discussão política, picuinha partidária, divisão, retrocesso. Uma Divisão de Classes? Não, uma "Divisão de Cargos", entretanto, pelo jeito, o PT, relembrando seu passado escancaradamente socialista, ainda sabe a eficiência da ideologização e disseminação da "paixão panfletária". Se a Divisão de Classes era associada à divisão do trabalho, com a burguesia representando seus interesses no modo de produção por ela criado, hoje já se ouve nas ruas o discurso de que os Auditores Fiscais são ricos-esbanjadores-egoístas que querem impedir o acesso dos Agentes de Tributos a melhores cargos e salários. Esse embate não é um choque de classes, não se trata de um problema social, mas, para o PT, é interessante estimular o fogo politiqueiro já que desse modo inflama as massas por ele controladas; os bons e velhos “idiotas úteis”. Não por menos (ironia do destino?) o sindicato dos Agentes de Tributos é coordenado pelo PC do B, aliado do PT na eleição de Wagner.

Que eles estudem, façam concurso e ganhem um salário proporcional ao esforço que tiveram. Entretanto, como estamos falando de um governo petista, nada melhor do que coroá-los com prerrogativas, sem motivo algum, com uma simples alteração de lei.

Mostre sua indignação:

http://www.lutepeloseudireito.com.br/

Pedro Ravazzano

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

DEM ajuda a derrotar PT em Salvador

Por Reinaldo Azevedo

Recomendo aos leitores que tenham calma. O fato de o novo PCB — Partido dos Comentaristas Brasileiros — cantarem a vitória do PT e a derrota do DEM não tem a menor importância. Não tem porque, como a gente vê, o povo, quando quer, insiste em fazer o contrário do que eles prevêem. Lutar contra os fatos é desmoralizar-se. Perguntem-lhes se não trocariam, caso fossem da direção do PT, as seis capitais em que o partido venceu no primeiro turno por uma única onde venceu o DEM. E não foi uma vitória qualquer: o desempenho de Gilberto Kassab na cidade é inédito. Já escrevi aqui e reitero: se mantiver a boa gestão, estamos falando de um novo líder no estado e no Brasil.

Mas o DEM não atrapalhou os planos do PT apenas em São Paulo. Também em Salvador, o apoio do partido foi fundamental para a reeleição do prefeito João Henrique, do PMDB. O ministro Geddel Vieira Lima é um dos vencedores na cidade? Claro que sim. É o coronel do partido no Estado e adversário histórico do chamado carlismo. Mas não viu empecilhos em fazer um acordo com o deputado ACM Neto (DEM-BA), derrotado no primeiro turno e dono de importantíssimo 28% dos votos. E eles foram, tudo indica, inteiramente transferidos para João Henrique: dos 30% que obteve no primeiro turno, saltou, no segundo, para 58,44%.

Parece que os votos do carlismo em Salvador, menores do que já foram — herdeiros de ACM se dividem hoje em várias legendas —, continuam, no entanto, fiéis à liderança. Quem, para variar, fez bobagem foi o PSDB do estado, que preferiu se juntar ao petista, agora derrotado, Walter Pinheiro (41,56%). O candidato tucano, Antonio Imbassahy (outra cria de ACM), e o dono da legenda no Estado, Jutahy Jr. escolheram o candidato que viria a ser derrotado. É...

O fato é que, circunstancialmente unidos, mas, de fato, adversários desde sempre, Geddel e ACM Neto, herdeiro político de ACM, deram uma tunda na terceira força que se tenta construir na Bahia. O governador Jaques Wagner tem hoje, dado o resultado das urnas, menos influência do que tinha ontem.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Os Prédios dos Maristas

Em Salvador não se fala de outra coisa. A antiga casa do Colégio Marista foi vendida para uma construtora, tudo será derrubado e três torres irão subir. Fico consternado, mas além da minha preocupação com a bela história que ali pulsa de forma vibrante, percebo esse desleixo e falta de caridade como conseqüência de uma crise espiritual contida no seio da Congregação.

A Congregação dos Irmãos Maristas, Fratres Maristae Scholarum, é sem dúvida uma das mais belas da Igreja, carregando um grande carisma e uma espiritualidade muito particular. A Congregação foi fundada em La Vallà-em-Gier, em La Loire, na França, por São Marcelino Champagnat. Os Irmãozinhos de Maria, Petits Fréres de Marie, tendo Marcelino a frente, surgiram para suprir uma carência na França revolucionária e pós-revolucionária. Champagnat percebia a crise no sistema educacional francês, era sensível aos horrores que a juventude passava ao ser educada por fanfarrões que semeavam o ateísmo e o anti-clericalismo. O seu chamado a ser Fundador nasceu da indignação e, principalmente, do amor aos jovens, amor que seria simbolizado através da construção de uma casa espiritual na qual as crianças pudessem receber uma educação íntegra, humanística, cristã e devota.

Foi com esse espírito fundacional que a Congregação Marista se estabeleceu. Daí ganhou o mundo, indo aos países e criando dignos colégios e institutos de ensino. Tanta caridade instigava o ódio nos inimigos. Os Maristas foram expulsos da França e lutaram na Primeira Guerra forçosamente. Na Guerra Civil Espanhola os irmãos maristas foram assassinados, martirizados por não compactuarem com a barbárie comunista. É até bom refletir as palavras de Ir. Laurentino, um dos quarenta e sete mártires da Espanha; “Agora, mais do que nunca, nós devemos afastar tudo o que é política de nossas casas, como tudo o que pode fomentar divisões e grupos. Que triste espetáculo faria o religioso que se declarasse simpatizante de algum setor político... O religioso, pelo menos um irmão Marista, não deve ter outra política que a de Cristo!” Ah se todo religioso seguisse essa máxima, ah se todo Irmão não corrompesse os ensinamentos bíblicos para encaixar um discurso materialista histórico-dialético. Na China o sangue marista também foi derramado, destaco Ir. Joche Albert, santo missionário que era engajado no combate ao ateísmo dos marxistas chineses, pregando o Evangelho e distinguindo a Verdade do erro.

Eu vejo essa venda do Colégio Marista de Salvador como um retrato muito claro da triste situação na qual se encontra não só a Congregação, mas como boa parte da sociedade. Existe uma invasão maciça do relativismo, do simplismo, do mais genuíno indiferentismo. Se São Marcelino sonhava com instituições que formariam “bons cristãos e honrados cidadãos”, cairia para trás se assistisse uma aula num colégio de sua Congregação. Os inimigos que combateram Champagnat nos primórdios do seu chamado, os inimigos que mataram seus filhos na Espanha, os inimigos que mataram seus filhos na China, são os mesmos que invadem as escolas e ensinam as mais ultrapassadas idéias socializantes (Temo que chegue o dia em que ser Professor e ser Petista seja redundância), que difundem um cristianismo água com açúcar.

Ora, eu não estou pedindo que o Colégio Marista pare no tempo, mas que seja fiel ao espírito do seu fundador, que seja íntegro e siga os ensinamentos milenares da Igreja que pertence, ensinamentos que perpassam por homens que formaram as bases da Civilização Ocidental; Agostinho de Hipona, Tomás de Aquino, Teresa de Ávila, Antônio de Lisboa, Francisco Suarez etc. A modernidade, cada vez mais, clama os ensinamentos passados, aqueles conhecimentos que caminharam por todas as gerações, carregando consigo grande maturidade, até chegar nos tempos atuais. O Colégio de São Bento, do Rio de Janeiro, que só é masculino, é a prova viva da eficácia de uma educação clássica; estudantes que tem uma genuína formação, com ensinamentos que passam longe de uma mera norma curricular com o objetivo de aprovação em vestibulares. Mesmo sem esse foco, que é o que movimento as instituições de ensino atualmente, o Colégio é um dos maiores aprovadores. Um estudante de São Bento é conhecido por sua cultura e bela retórica.

O prédio visível dos Maristas foi vendido, mas antes dele o prédio invisível já se encontrava invadido pelos erros que São Marcelino tão ardorosamente combateu!

São Marcelino Champagnat, rogais por nós!

Ad Jesum per Mariam!

Pedro Ravazzano

sábado, 30 de agosto de 2008

Todo mundo quer o Lula

A corrida pela prefeitura de Salvador tem gerado uma Lulofilia nos candidatos. Todo mundo quer o Presidente, todo mundo quer ser compadre do homem. João Henrique, do PMDB, e Walter Pinheiro, do PT, praticamente concentram a campanha em repetir como mantra o nome do Presidente, reafirmar que o Governo Federal e a futura prefeitura serão mais do que aliados (No caso do petista Pinheiro você até acredita que Lula vai governar Salvador). Até mesmo Imbassahy, o candidato do PSDB, entra na folia. Talvez para não escadalizar, afinal é necessária manter a aparência (os tucanos devem parecer que são oposicionistas, direitistas conscientes, defensores do Livre-Mercado ("neoliberalismo"), do conservadorismo moral etc) o ex-prefeito Antonio Imbassahy só dispute a imagem do Governador. Também pudera, Jaques Wagner subiu em todos os palanques dizendo que ficaria muito feliz com a eleição de Pinheiro/João/Imbassahy. De todo modo isso reflete a inteligência do PT; sabe que Pinheiro não é forte e reconhece que ACM Neto, do DEM, já se encontra no segundo turno, ou seja, precisam trabalhar as futuras alianças. Acho que só não esperavam que a tônica da disputa por um lugar ao sol fosse tão enfaticamente lulista.

Enquanto isso todo mundo canta: "Eu quero Hilton 50! Na capital da resistência! Salvador!"

Pedro Ravazzano