segunda-feira, 27 de julho de 2009

Novo banner

É com grande prazer que lançamos o novo banner do Acarajé Conservador, tendo como destaque o Acarajé-Cruzado!

Agradecemos muito o trabalho do Emerson de Oliveira, meu amigo e irmão no Apostolado Veritatis Splendor, já conhecido pelas suas famosas charges apologéticas.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Alguém se importa com Honduras?

Chega a ser nauseante ver que muitos Bispos latino-americanos andam se pronunciando em defesa do chavista e anti-democrático ex-presidente Manuel Zelaya. O Bispo de El Alto, na Bolívia, Dom Jesús Júarez, disse que "que toda interrupção de um processo democrático é lamentável, e a democracia é o que caracteriza a pessoa humana, porque, ainda que com seus defeitos, se concebe que é o melhor sistema para a convivência humana". Já Dom Demétrio Valentini, Bispo de Jales e Presidente da Cáritas brasileira, disse que prestava solidariedade "a todos os que querem uma Honduras democrática, livre das consequências de golpes contra a ordem constitucional". Dom Pedro Casaldáliga, expressando seu anseio por uma América Latina "livre e unida", alertou que respeitar "a democracia ... é respeitar a vontade do povo".

Claro que esses Bispos desconhecem a realidade eclesiástica hondurenha e, obviamente, comungam das mais tresloucadas heresias da teologia da libertação. Vale lembrar, antes de qualquer coisa, que o dito golpe não passou de uma ação constitucionalmente legal. O Presidente Manuel Zelaya, um aspirante a Hugo Chavez sem petróleo, no ápice de sua prepotência ideológica projetou uma reforma constitucional visando a releição ad infinitum - o velho bê-a-bá da cartilha esquerdista latino-americana -, entretanto, "conforme ao contemplado no Artigo 239 da Constituição da República ‘Quem propõe a reforma’ deste Artigo, ‘cessa imediatamente no desempenho de seu cargo e fica inabilitado por dez anos para o exercício de toda função pública’." - assim lembrado pela Conferência Episcopal de Honduras. O Congresso e a Suprema Corte, fazendo valer o documento maior do país, impediu a consulta pública nos moldes planejados pelo Presidente, não obstante, fiel ao estilo bolivariano de governo, quis iniciar um jogo de poder com as instituições da nação, levantando a população e tentando fazer na marra um plebiscito.

A paixão ocidental pela democracia e a deformação do ideal do poder popular chegaram a níveis altíssimos. A crise atual em Honduras teve como estopim os atos de um Presidente, democraticamente eleito, mas que, desonrando a constituição que jurou seguir, pretendeu destruir as leis nacionais. O projeto de Zelaya não só sofreu com a oposição do Congresso e da Suprema Corte como sequer tinha respaldo constitucional. Assim, deposto pelas forças armadas, que convocadas pela justiça para fazer cumprir a ordem retiraram do poder o presidente - em Honduras não há impeachment. Em seguida o país viu empossado o presidente da câmara; não há um regime militar como a mídia quer pintar.

Pobre Honduras! Agora nem mesmo a sua constituição serve como lei para ordenar a nação! A OEA e os Bispos da Teologia da Libertação pressionam o país para que Manuel Zelaya volte para a presidência. Ora essa, reconduzir o pupilo chavista ao poder é rasgar a constituição nacional. Quer dizer que um presidente eleito democraticamente tem liberdade suficiente para destruir o equilíbrio entre as forças institucionais e reformar as leis do país no braço? Então podemos ser democraticamente anti-democráticos?

Um dos melhores frutos dessa história - além da própria derrubada do aspirante a ditador - foi descobrir que a Igreja de Honduras é séria e fiel ao verdadeiro espírito cristão. A Conferência Episcopal de Honduras, presidida pelo Cardeal Oscar Rodríguez Madariaga, se mostrou aliada do novo governo e contrária aos projetos anti-constitucionais de Zelaya. Inclusive pediu a OEA que prestasse "atenção a tudo o que vinha ocorrendo fora da legalidade na Honduras, e não somente ao acontecido a partir de 28 de junho recém passado." afirmando categoricamente que "os três poderes do Estado, Executivo, Legislativo e Judiciário, estão em vigor legal e democrático, de acordo com a Constituição da República de Honduras".

Mas não estranhemos a posição dos Bispos da Teologia da Libertação! O que esperar de pastores que incensam Hugo Chávez, Evo Morales e Lula mas que abrem a boca para condenar uma legítima deposição de um presidente traidor da constituição? O mais irônico é que, quase sempre, os países que vivem sob a cartilha bolivariana nutrem uma aberta oposição à Igreja; vide a situação do clero boliviano e venezuelano.

Honduras sofreu com um Presidente que queria deformar a constituição nacional e agora padece com uma comunidade internacional pouco interessada no parecer das legítimas instituições do país; o Congresso e a Suprema Corte. Os arautos do politicamente correto – com destaque para a ONU que censura o novo governo de Honduras enquanto se abstém de condenar o genocídio no Sudão – querem impedir a correta aplicação das leis constitucionais de uma nação! Isso é a soma do devaneio democrático – a democracia não como um meio, mas como um fim – com a ascensão de um governo mundial!

Se o Congresso e a Suprema Corte de Honduras não sabem e não podem interpretar e aplicar a constituição do país é melhor rasgá-la e deixar que o poder seja aplicado pela Nova Ordem Mundial!

domingo, 5 de julho de 2009

Honduras e o Paroxismo da Democracia

(Artigo publicado no Jornal Bahia Hoje, edição nº 07, em 04 de julho de 2009)
Por Edgard Freitas

*'*
Na manhã do último dia 28, tropas das forças armadas de Honduras, pequeno país da América Central, invadiram a residência do então presidente da República, prendendo-o e enviando-o em seguida para a Costa Rica. Mais uma quartelada numa república bananeira? Não. Por incrível que pareça.

Façamos um breve retrospecto. O ex-presidente Zelaya iniciou em Honduras o mesmo modus operandi bolivariano. Suscitou uma consulta popular de caráter plebiscitário para, declaradamente, mudar a Constituição, abrindo o espaço para reeleições sucessivas. Ocorre que as leis Hondurenhas não permitem tal procedimento na forma e no tempo, e com os objetivos, que Zelaya pretendia. O Congresso disse não. A Suprema Corte disse : “Pare”. Que fez Zelaya? Pregou abertamente a desobediência da ordem judicial, e tocou para frente o seu projeto.


Uma democracia de verdade se revela não somente pelo poder conferido à maioria, como pelas garantias conferidas à minoria, e, principalmente, o equilíbrio dos freios e contrapesos entre os poderes executivo, legislativo e judiciário. Os Bolivarianos, seguindo o exemplo de Hugo Chávez e a dica dada por Antônio Gramsci, descobriram que a melhor maneira de solapar a “democracia burguesa” é utilizando os seus próprios instrumentos, e testando, a todo momento, a tolerância dos freios e contrapesos. Por isso Zelaya ignorou o Congresso e a Justiça: Para afrontá-los, humilhá-los, e controlá-los. Ocorre que os hondurenhos, sabendo como termina esse filme (vide Venezuela, Bolívia, Equador...) não “comeram reggae” do presidente. E aí começa toda a diferença.


A ação dos militares, por incrível que pareça, ocorreu dentro da lei e da ordem, respaldados por uma ordem judicial. O poder não ficou, nem por um segundo, entregue a uma junta militar, passado para o segundo na linha sucessória, o presidente da câmara. O ponto de estranheza para a maior parte das nações civilizadas é o fato de o ex-presidente não ter sido processado. Mas não existe
impeachment nas leis hondurenhas. Presidente que avacalha é tratado como traidor, e existe como direito constitucional o direito de rebelião contra um presidente que usurpa o mandato recebido.
O mundo, entretanto, não se deu conta deste fato, e pressiona Honduras, quase à unanimidade, para que Zelaya seja reempossado, ignorando o fato de que a alternativa legal ao exílio é a prisão e o processo criminal. A menos, é claro, que eles acreditem piamente que o simples fato de o presidente ter sido eleito democraticamente lhe dá carta branca para fazer o que queira. Aparentemente, neste, todos passaram a acreditar na teoria “The president can do no wrong” (assistam, sobre isso, o filme Frost/Nixon, disponível em DVD).

E a reação internacional é risível. Hugo Chávez, que iniciou sua carreira num golpe de estado em 1992, que persegue opositores, enfeixa o poder em suas mãos e condena o intervencionismo nos assuntos internos da Venezuela, disse que o golpe é obra de “gorilas”, e que vai derrubá-lo; Cuba, uma cinqüentenária ditadura, cuja lista de mortes e torturas faria nossos milicos parecerem freiras carmelitas descalças, afirmou,
porca misera, que “a época das ditaduras militares na América Latina já passou”; A OEA, que recentemente abanou o rabinho para o reingresso de Cuba nos seus quadros, segrega Honduras; A ONU, que deixou de intervir no genocídio no Sudão por questões semânticas, idem. Até os EUA, demonstrando que Obama não aprendeu a lição de Carter no Irã em 1979, surge agora patrocinando, indiretamente, o projeto chavista.

A diplomacia brasileira, pra variar, também ficou do lado errado. Abraçado com o ditador e terrorista líbio Kaddafi, com o genocida sudanês Omar al-Bashir, com o teocrata maluquete iraniano Ahmadinejad, o nosso presidente condenou a suposta ruptura democrática em Honduras.

Honduras está numa crise, no sentido exato da palavra. Decidiu, num primeiro momento, que o presidente não pode fazer o que lhe der na telha, e que está sujeito às leis como qualquer outro. Resta agora decidir se vai transigir nesta conquista. Rezo pela vitória do Império da Lei em Honduras. Enquanto isso (ainda) não ocorre, entretanto, sigo com a divisa do filósofo Ortega y Gasset: “Em toda luta de idéias, sempre que vires que de um lado combatem muitos, e de outro poucos, suspeitai que a razão se encontra com os últimos, e nobremente lhes preste auxílio”.

sábado, 4 de julho de 2009

Frei Raniero Cantalamessa, OFMCap, no Brasil

Frei Raniero Cantalamessa, OFMCap, estará no Brasil, ao que tudo indica, em 2010. Para quem não sabe, esse frade capuchinho é o Pregador da Casa Pontifícia. Conhecido pelos seus piedosos sermões e decorosas homilias. Por seguir a espiritualidade carismática talvez seja o exemplo máximo de como de como a RCC pode sim viver seu carisma sem renegar os ensinamentos da Igreja, a reverência ao Sagrado e à Tradição.

Frei Raniero OFMCap poderá participar de um encontro organizado pela RCC de Porto Alegre; ministrando encontros com os leigos, seminaristas e sacerdotes! Vamos rezar nessa intenção; a vinda do Pregador da Casa Pontifícia!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Mosteiro de São Bento de Núrsia irá celebrar o rito romano nas suas duas formas

Como divulgado pelo New Liturgical Movement, o Mosteiro de São Bento de Núrsia, casa mãe da família beneditina, irá celebrar o rito romano nas suas duas formas. A relevância desse acontecimento é esplendorosa. Que bom seria se todos os Mosteiros beneditinos seguissem este exemplo:
7 de julho de 2009 irá marcar o 2 º aniversário do Motu proprio, do Papa Bento XVI, Summorum Pontificum. Para esta ocasião, os monges de Núrsia têm o prazer de anunciar um novo apostolado litúrgico, dado a nós pela Santa Sé. O Mosteiro de São Bento em Núrsia foi convidado a celebrar o Santo Sacrifício da Missa em utroque usu – de acordo com ambas as formas ordinária e extraordinária do rito romano. Por favor, consulte o boletim mais recente (em anexo) para obter mais informações sobre esta missão especial e uma entrevista com o nosso Prior, Pe. Cassiano Folsom, OSB.
Este comunicamo foi seguido de uma nota da Comissão Ecclesia Dei:
Muito Reverendo Padre Prior:

Sua Santidade, Papa Bento XVI, desde o início de seu pontificado deu a conhecer o seu desejo de promover a unidade da Igreja. Tal como no passado, assim também hoje, o cuidado na celebração dos Sagrados Mistérios é o instrumento mais eficaz para atingir esse objectivo.

Por esta razão, fiel às intenções do Motu proprio Summorum Pontificum, esta Pontifícia Comissão, em resposta ao seu pedido, confia ao Mosteiro de São Bento de Núrsia o especial apostolado para a celebração da Santíssima Eucaristia “em utroque usu”, que é, tanto na forma ordinária, bem como na forma extraordinária do Rito Romano, em colaboração com a Santa Sé e em comunhão com o bispo diocesano.

Estou confiante de que a sua jovem comunidade beneditina irá sempre apoiar a atividade pastoral do Sumo Pontífice com fiel oração,

Com os minhas saudações pascais,

Cardeal Dario Castrillón Hoyos, presidente
Pontifícia Comissão “Ecclesia Dei”

21 de abril de 2009

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Bento XVI e a fé adulta

Pedro Ravazzano
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O Santo Padre, na homília durante as primeiras vésperas da festa de São Pedro e São Paulo, nos presenteou com palavras de pura sabedoria e amor, mais uma vez mostrando como, de fato, escorre mel desse rochedo. Como ainda não saiu a tradução em português, tomo a liberdade de colocar o pequeno trecho traduzido pelo Marcelo Coelho para o seu blog Cooperador da Verdade:
Nas últimas décadas a expressão “fé adulta” se tornou um slogan difundido. Na maioria é usado em relação à atitude daqueles que não prestam mais atenção ao que a Igreja e seus Pastores dizem, em outras palavras, aqueles que escolhem por si mesmos em que crer e deixar de crer, numa espécie de “self-service da fé”. Expressar-se contra o Magistério da Igreja é mostrado como uma espécie de “coragem”, quando na verdade não é preciso muita coragem, porque quem faz isso pode estar certo de que receberá apoio público.

Ao contrário, é preciso coragem para aderir à fé da Igreja mesmo se ela contradiz a “ordem” do mundo contemporâneo. Paulo chama esse não-confirmismo de “fé adulta”. Para ele, seguir os ventos do momento e as correntes do tempo é um comportamento infantil.

Por isso, faz parte de uma fé adulta se dedicar à defesa da inviolabilidade da vida desde o seu início, consequentemente se opondo ao princípio da violência, principalmente na defesa dos mais indefesos. Faz parte de uma fé adulta reconhecer a indissolubilidade do casamento entre um homem e uma mulher, de acordo com o que foi ordenado pelo Criador e reestabelecido por Cristo. Uma fé adulta não segue qualquer corrente aqui e ali. Ela permanece firme contra os ventos da moda.
O Santo Padre consegue na sua homília fazer um alerta brilhante; primeiro, novamente, destaca o poder do relativismo, heresia que destrói as mentes, já que faz imperar paradoxos que não passariam em nenhum ambiente que fizesse valer a busca pela Verdade. Além disso, o Sumo Pontífice atenta para outro fato de extrema relevância; o progressismo doutrinário estipulou um politicamente correto religioso que pretende fazer uma antípoda entre a Igreja e Cristo, como se estivéssemos falando de duas realidades distintas e não essencialmente relacionadas. A dissociação da mensagem da Igreja e do Magistério dos ensinamentos de Jesus, como se a doutrina católica fosse secundária e diferente das primitivas heranças deixadas por Cristo, é fruto do relativismo.

Dentro desse politicamente correto religioso, ter uma “fé adulta” é, justamente, afrontar a Igreja e romper com os ensinamentos magisteriais. Primeiramente, vale frisar que um católico fiel tem por obrigação intelectual acreditar na instituição divina da Igreja, do papado, da Eucaristia etc. Reconhecendo a clareza dessas premissas, ou seja, que são ensinamentos deixados diretamente por Cristo, a oposição a elas é desleal e impossível para o crente; alguém, por acaso, poderia rechaçar a herança do Amado alegando amá-Lo? O relativismo entra nesse momento e “permite” que católicos se digam católicos mesmo não acatando ensinamentos da Igreja Católica.

O interessante do raciocínio do Vigário de Cristo sobre a fé adulta é que atinge em cheio o que vinha se tornando comum nas comunidades; desrespeito ao Magistério e à Igreja. O irônico de tudo isso, e que o Papa percebeu, é que no mundo atual a grande coragem não se encontra em se submeter aos ventos relativistas que corrompem os ensinamentos doutrinários moldando-os ao bel prazer; não, ao contrário, qual o mérito de deformar a Verdade com os pressupostos pessoais e individuais? A coragem se encontra em nadar contra a maré da crise, do modernismo, da imoralidade, abraçando por completo os ensinamentos de Cristo contidos na Sua Igreja. Enquanto o politicamente correto religioso adapta a Verdade aos homens, o politicamente incorreto religioso, ou seja, a fidelidade e honestidade, adapta os homens à Verdade.