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segunda-feira, 16 de maio de 2011

A salvação e a opção pela racionalidade no cristianismo

Pedro Ravazzano

O homem é, verdadeiramente, religioso, não só afirma a realidade do que não vê como considera aquilo que não vê como mais real do que o que se vê. Ademais, fundamentado a sua crença naquilo que não é ratificado pela empiria, o homem religioso tornou-se alvo da crítica moderna que se levanta contra a religião numa multiplicidade de argumentos.

L. Feurbach considera a religião como conseqüência da ignorância e da alienação, nada mais do que a projeção do homem em Deus como plenitude dos anseios humanos – homo hominis Deus. Destarte, a derrocada de “Deus” é o meio para o rompimento dos grilhões que aprisionam a capacidade do homem. K. Marx já relaciona a religião com a opressão, o ópio do povo que anestesia a consciência da classe explorada, assim, criação burguesa. S. Freud, por sua vez, referencia a crença religiosa com a neurose coletiva. Entretanto, ainda que exista a possibilidade da demonstração racional da existência de Deus – cinco vias de Santo Tomás – o fundamento filosófico da experiência religiosa vem apenas depois da crença.

O ordo ad Deum – orientado até Deus – do homem é reflexo da sua condição de ser espiritual. Não obstante, a religião é muito contextual, tem todos os condicionamentos da natureza humana e a imagem que temos de Deus é dependente das nossas experiências.

A sociedade religiosa, composta por pessoas unidas por um fim que supera as capacidades individuais, é composta pelos atos religiosos, objetos religiosos – com um valor atribuído pela comunidade e separado do uso profano – e, fundamentalmente, a consciência religiosa. A experiência fenomenológica, religiosa, que gera o sentimento religioso, leva em conta a dimensão histórica, psicológica, interpessoal, material, da religião.

Ainda que, por natureza, o homem busque a Verdade, não necessariamente a conhece. A religião pode, então, ser compreendida como a disposição da vontade na qual é dado livremente culto e honra a Deus, ainda que a ordenação natural do homem a Deus nem sempre seja reconhecida pelo próprio homem. Desse modo, a negação da religião é conseqüência do rechaço moral. Ao ter a disposição de render culto a Deus o homem exerce a virtude da “Religião”. Destarte, a religião ajuda o homem na medida em que fomenta a sua liberdade, um influxo que respeita a liberdade e encaminha para a Verdade.

Entretanto, o cristianismo ainda que parta dessa visão geral do fenômeno religioso tem em suas notas fundamentais uma radical distinção com todas as manifestações religiosas, do Deus que rompe o seu isolamento transcendental e fala aos homens como homem. Para a fé cristã todos os seres humanos são chamados à salvação – desde já se destaca o contra-senso da heresia da predestinação negativa dos calvinistas. Não obstante, existe a necessidade da conciliação entre essa vontade universal salvífica de Deus e a necessidade da Igreja.

Pontuamos, outrossim, a importância de diferenciar o cristianismo, em sua real compreensão, do cristianismo débil, isto é, uma crença que não tem noção forte da Verdade, que nega a objetividade da Revelação, fundamentado numa experiência sem conteúdo - o reino da experiência em detrimento da objetividade da fé. A heresia do bem-estar rechaça a exatidão dogmática substituindo-a pelo subjetivismo radical da experiência individual. Não se deve, em hipótese alguma, confundir a vida espiritual com a psicologia, afinal o estado de graça não necessariamente está unido ao bem estar que é de caráter emocional.

O cristianismo tornou-se catalisador de realidades culturais diferentes, dando origem a uma nova cultura – "Majestosa, a princesa real vem chegando, vestida de ricos brocados de ouro". O concílio Vaticano II inaugurou uma leitura teológica que, ainda que não rompa com a Tradição, mudou a perspectiva em relação à teologia das religiões.

Antes de tudo devemos partir de algumas premissas fundamentais: o reconhecimento da capacidade do intelecto humano de conhecer a Verdade, a Revelação de Deus como critério último de verificação, e recursos para compreender a Verdade revelada. Ademais, tanto a vontade salvífica universal e a necessidade da Igreja na salvação devem também ser entendidas como verdade.

No tocante à reflexão da teologia das religiões o Magistério – que não faz teologia, mas testemunha a fé e a defende – impõe os limites. O documento Dominus Iesus, por exemplo, coloca alguns pontos basilares nessa análise: a plenitude e definitividade da verdade de Nosso Senhor Jesus Cristo, a unidade indissolúvel entre a economia do Logos e do Espírito Santo, a unidade e universalidade do mistério salvífico de Cristo, a unidade e unicidade da Igreja de Cristo, prolongação da ação de Cristo no mundo.

Apenas o cristianismo realiza de modo completo e definitivo a relação do homem com Deus. A definitividade absoluta da fé cristã vem da sua opção pela racionalidade, por isso a crise da verdade leva à crise do cristianismo. Do mesmo modo, a crise da metafísica – "A crise do mundo moderno é uma crise metafísica" Pe. Leonel Franca – também problematiza a realidade da Civilização Ocidental atual.

O cristianismo rompe com o mito do eterno retorno fundamental nas religiões tradicionais. O in illo tempore não é mais o tempo mítico, mas sim o hoje já que Cristo é manifestação de Deus na história que se prolonga no tempo nos sacramentos e na Igreja. O cristianismo fez a opção preferencial pela racionalidade, confiança na capacidade do homem de alcançar a Verdade por meio do pensamento, harmonia entre fé e razão rompida por Guilherme de Ockham.

Santo Tomás coloca que só na Igreja há os sacramentos e a fé necessárias para a salvação. Esta, por sua vez, pode ser conquistada por duas vias: a fé explícita; confessar a fé em Cristo, e a fé implícita; a salvação pelos méritos dos sacramentos, confiança na Providência de Deus e indiretamente confiança no amor encarnado e de sua ação na história. Ademais, a infidelidade se configura junto àqueles que se obstinam em ir contra a fé previamente anunciada e aos que nunca ouviram, que vivem em ignorância. Os primeiros são passíveis de culpa enquanto os segundos são inculpáveis e, caso sejam fiéis à sua consciência, seguindo a lei natural, gozam da fé implícita.

Francisco de Vitória dissera que os pagãos eram condenados pelos seus pecados mortais e pela idolatria, mas seguindo a lei natural eram iluminados por Cristo. Domingo de Soto afirmara o mesmo em relação aos judeus e muçulmanos. A Revelação final é Cristo, mas ainda que o seu anúncio dependa, obviamente, da linguagem, dos símbolos e da forma, não se pode aceitar o pluralismo de iure, como vias alternativas à fé cristã queridas por Deus. Ainda que os confins visíveis da Igreja não sejam sinônimos dos confins espirituais, como colocara Joseph Ratzinger.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Balão Vermelho

Interessante vídeo que abarca a problemática do relativismo no mundo moderno. Ainda que o debate a respeito da Verdade sempre esteja em alta, o fato concreto é que desde a estruturação do espírito revolucionário, com o surgimento do homem enquanto indivíduo e com a formação de uma mentalidade racionalista e cada vez mais distante da reflexão metafísica, a Verdade tornou-se num ponto secundário no conhecimento filosófico.

A tentativa de desconstruir a Verdade por meio da imposição dos mais falaciosos paradigmas relativistas é reflexo do esvaziamento do homem moderno incapaz de refletir a respeito da própria existência e de, como dinâmica conseqüente, viver com o espírito.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O mito da crise de vocações

Por Pedro Ravazzano

Na atualidade tornou-se deveras comum o discurso que se fundamenta na análise da pobreza e das estruturas de opressão. Com uma clara motivação ideológica, tais estudos são quase sempre superficiais e essencialmente desti
nados ao fracasso devido aos próprios intentos desejados. Dentro da Igreja, infelizmente, existem alas fortíssimas onde essa leitura não só se faz presente como ocupa importantes espaços em diversos campos eclesiásticos.
Cônegos Premonstratenses da Abadia de São Miguel, nos EUA. Fundada na década de 60 já conta com quase 50 Sacerdotes e 20 seminaristas.
Desde o fim do Concílio Vaticano II, certas Congregações, embebidas numa visão segmentada e imperfeita dos documentos conciliares, abriram mão das próprias tradições internas – hábito, devoções, ritos – e, inclusive, da correta visão do carisma e da espiritualidade. O amor aos pobres, aos idosos, às crianças, aos enfermos etc, transformou-se num assistencialismo ideologizado muito distante da correta compreensão da mensagem evangélica. Enquanto outrora irmãos iam pelas ruas à procura dos excluídos, dando a eles o amor de Cristo, os Sacramentos e, em seguida, o auxílio ao corpo, se em outros tempos frades andavam pelo corredor dos colégios educando os jovens, dando a eles formação cristã e humana, hoje encontramos portentosas obras “sociais” administradas pelas Congregações, mas comandadas por um enorme séquito de leigos e com religiosos muito ocupados fazendo análises econômicas e sociológicas sobre a pobreza e a concentração de renda no país.

Claro que o estudo intelectual dos problem
as que assolam o mundo moderno é importante e pertinente. Entretanto, existe uma total diferença entre adentrar no campo do estudo e preterir a vida espiritual e a própria doutrina tendo em vista uma compreensão totalmente ideologizada do que seja a pobreza e o pobre. Não ironicamente muitas dessas Congregações vivem uma triste realidade de poucas vocações. De fato, o que motiva a identificação do chamado com o carisma é a vivência plena – numa sadia radicalidade – do espírito inaugurado pelo Fundador inspirado por Deus. Não obstante, na atualidade encontramos não só o esvaziamento dessa riqueza espiritual como, influenciado pela ideologia marxista-libertadora, o rebaixamento e equiparação dos carismas. Por exemplo, viver a Paixão de Cristo tornou-se cuidar dos “crucificados” pelo capitalismo, amar os pobres e a pobreza transformou-se em engajamento de cunho político e motivação revolucionária, educar a juventude reduziu-se a infantilizar a fé e livrar-se de qualquer “arcaísmo” etc.
Arautos do Evangelho: não existe a idéia de crise vocacional nas suas fileiras
O que difere o camiliano que funda o hospital, o capuchinho que está nas ruas, o lassalista que abre instituições de ensino, da ONG e grupos de apoio aos mais necessitados é a motivação real e concreta; o amor a Jesus Cristo. Entretanto, essa experiência pessoal com Nosso Senhor, o motor que impulsiona os corações apaixonados, realiza-se através da vida espiritual e sacramental. Sem o equilíbrio necessário entre a relação vertical – Deus e homem – e horizontal – homem e homem – o ardor apostólico transforma-se em mero assistencialismo ordinário. O amor aos pobres inicia-se de joelhos diante do Sacrário!

A falta de percepção a respeito dessa r
ealidade tão natural na vida religiosa foi causada pela má compreensão do Concílio Vaticano II. Entretanto, foi através da crescente influência da mentalidade marxista dentro das casas de formação que a ótica materialista galgou degraus nas comunidades religiosas. A Teologia da Libertação minou o espaço da oração, da vida sacramental, da ortodoxia doutrinária, e destacou a importância da “pastoral” e da práxis. Não obstante, o apostolado só é frutífero quando brota antecipadamente do espírito de piedade e contemplação. Ora, se não há vida interior a ação apostólica vai esvaziar-se de sentido e passará a se fundamentar na iniciativa meramente material de buscar a transformação social, a famigerada “libertação”.
Beneditinas, em Kansas City: nove monjas fazendo profissão de votos solene e com número crescente de vocações
As Congregações mais envoltas na perspectiva da Teologia da Libertação sofrem com uma grave crise de vocações. Ou não conseguem atrair os jovens ou só encontram espaço junto aos rapazes que procuram a vida religiosa como forma de ascensão e/ou esconderijo. Entretanto, falar de “crise vocacional” é uma afirmação temerária. Devemos, outrossim, analisar o quadro em sua amplitude. Diversas Congregações, Ordens e Institutos vivem um grande alvorecer de chamados; Monjas Carmelitas, Legionários de Cristo, Arautos do Evangelho, Toca de Assis, Arca de Maria, alguns conventos de Clarissas, Dominicanas, mosteiros Beneditinos, Cistercienses etc. O que há em comum entre todos eles? Podem ser considerados como religiosos que levam com radicalidade o carisma ao qual Deus os chamou, são coerentes com a vocação e trilham plenamente o chamado feito pelo Senhor. Logicamente, no testemunho da própria espiritualidade, o religioso é o chamariz da beleza do carisma por ele abraçado.

As Dominicanas de Nashville, as Carmelitas de Cotia, os Beneditinos de Núrsia, os Premonstratense de Oragen Country etc, não têm a mínima idéia do que seja “crise vocacional”; grande número de postulantes, noviços e simplesmente interessados. Para eles crise vocacional é, no máximo, falta de espaço. Cenário muito distinto de certas Congregações onde não há devoção eucarística, testemunho do carisma, oração, piedade e coerência com a espiritualidade e a vida do Fundador. A Conferência dos Bispos dos Estados Unidos realizou uma profunda pesquisa a respeito das vocações à vida religiosa, efetuada pelo Center for Applied Research on the Apostolate da Georgetown University. A análise disse, entre outras coisas, que “As instituições de maior sucesso em termos de atrair e reter novos membros são, no momento, aquelas que seguem um estilo mais tradicional de vida religiosa, em que os membros vivem juntos em comunidade, participam da Comunhão diária, recitam o Ofício Divino, fazem práticas devocionais, usam hábito religioso, trabalham juntos no apostolado comum e mostram ostensivamente a sua fidelidade à Igreja e aos ensinamentos do Magistério. Todas estas características são particularmente atraentes para os jovens que ingressam hoje na vida religiosa.”
Franciscanos da Imaculada: 9 frades ordenados diáconos numa mesma cerimônia e com cada vez mais casas espalhas pelo mundo
Em sintonia com esse crescente aumento de vocações, a Inglaterra e o País de Gales têm visto o constante incremento do número de jovens que buscam concretizar o chamado de Deus no Sacerdócio. Obviamente, os frutos que hoje são colhidos refletem um trabalho muito bem articulado pelas dioceses da região. Em 2005, por exemplo, a Conferência da Inglaterra iniciou uma campanha ostensiva, com presença nas ruas e nos metrôs, com o slogan “Get Collared for the Challenge of a Lifetime”

O jovem que procura a vocação, inspirado por Deus, está sedento da identidade a qual o Senhor o chama. Assim, as Congregações que buscam apresentar um carisma distorcido, algo distante da cruz e do próprio testemunho estão fadadas a presenciar o próprio fim. Quão triste é olhar para a vida do Fundador e ao contemplar a sua fundação na atualidade não enxergar a continuidade e a vivência integral da novidade por ele trazida.
Dominicanas em Nashville, EUA: já são mais de 100 Irmãs e a média de idade não passa dos 26 anos
A crise de vocações é uma falácia e desconhecida para muitas Ordens, conventos e mosteiros. Os que mais divulgam a sua existência são os religiosos que abraçam - com a devoção que não têm à Igreja - as suas percepções distorcidas do que seja a fé e a experiência com Cristo. Afastam as vocações enquanto gritam que estão no caminho certo. É como o barco que afunda em alto mar enquanto o timoneiro grita “terra à vista”!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O Movimento de Dessacralização

O movimento de dessacralização do mundo moderno, com a natural perda do sentido do sagrado, deve ser compreendido dentro da gênese da derrocada do espírito cristão. O humanismo renascentista, o espírito revolucionário da Reforma Protestante e a queda da ordem cultural vigente com a Revolução Francesa, são os responsáveis pela crise da Civilização Ocidental e pela desconstrução do sentido mais profundo da humanidade.

A Civilização Ocidental, forjada com a assistência atuante da Igreja, foi formada tendo em vista uma compreensão vertical das próprias estruturas sociais. Os estratos e a ordem refletiam a relação de Deus com o homem e os homens compreendiam as distinções naturais entre eles. Entretanto, desde o alvorecer dos princípios revolucionários consolidados na Reforma e na Revolução Francesa, o radical humanismo, com a emancipação do indivíduo de sua essência e sentido mais profundo, deu margem a um movimento de desconstrução do ideal cristão.

O movimento da dessacralização que hoje assola a sociedade ocidental para ser compreendido se faz mister levar em consideração os fortes fatores históricos. Como nos disse Pe. Julio Meneville, sacerdote argentino, “três fortes golpes de marreta hão derrubado este sólido edifício: o protestantismo que acertou golpes contra a Igreja de Roma, depositária da ordem sobrenatural da graça; a revolução francesa que acertou os seus contra a reta ordem da natureza humana; e a revolução comunista que acertado o último golpe contra toda a ordem.”

Hoje em dia o liberalismo moral e a cultura materialista induzem a elaboração de uma humanidade sustentada no relativismo e na total desconstrução da consciência. O mundo moderno forma homens em nada comprometidos com a verdade, mas sim esforçados na obtenção do prazer e da felicidade terrena. Nesse sentido, ideologias como o marxismo revolucionário e o existencialismo ateu brotam do âmago do vazio interior do indivíduo embriagado pelos dogmas da modernidade.

A Igreja, como Mãe e Mestra da Verdade, não tem apenas a função de defender e ostentar o caminho único da salvação como chamar o mundo para que desperte do seu torpor espiritual. A crise que vivemos, como nos diz o grande jesuíta brasileiro Pe. Leonel Franca, é uma crise metafísica, isto é, perda de sentido e total desconhecimento da essência da realidade que nos permeia. A Igreja, nesse sentido, como portadora da Sabedoria, tem a obrigação de, na atualidade, ser mais do que nunca um farol radiante que norteia a Civilização rumo à plenitude da suas potencialidades.

Infelizmente, por outro lado, é sabido que os fiéis, como homens inseridos no seu tempo, são homens e mulheres que carregam os seus pecados e fraquezas. Entretanto, com a crise profunda do mundo moderno, encontramos cada vez mais consciências relaxadas e deformadas, até incapacitadas de entender o espírito de ordem, justiça e paz que a fé cristã vive e prega. Assim, há um choque muito preocupante entre a verdade da doutrina de Nosso Senhor e o espírito moderno que nutre verdadeira ojeriza à obediência, convicção, princípios e entrega absoluta. O relativismo moderno é intransigente e totalitário.

Destarte, o movimento de dessacralização forma-se quando nos omitimos diante da ascensão desse espírito destrutivo dos males modernos, junto aos ambientes eclesiásticos e religiosos, que corroem e enfraquecem os símbolos que dialogam com a alma. Necessitamos, outrossim, resgatar as tradições esquecidas, convidar os homens para a vida de oração e alimentar um amor filial à Igreja, afinal é por meio do seu anúncio que conhecemos a Cristo.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Chesterton neles!

Não sei até que ponto seria leviano dizer que o homem moderno não é comprometido com a Verdade. Alguém poderia alegar dizendo que eu, sendo um homem moderno, também estaria abarcado nessa generalização. Entretanto, quero fazer uma distinção entre homem moderno e homem na modernidade.

Ora, a expressão "homem moderno", em sua gênese conceitual, como usada pela intelectualidade atual, pressupõe não apenas uma questão temporal mas sim - e principalmente - a redefinição da humanidade e do sentido da própria existência. Dentro dessa perspectiva progressista o homem não é mais tomado pela coerência do ser, mas pela vontade do ter. Ainda que os arautos da sociedade igualitária advoguem que o materialismo capitalista é o responsável pelos males do mundo, o fato concreto é que as teses marxistas se fundamentam num materialismo muito mais profundo - ainda que essencialmente contraditório, mas isso é tema para outro artigo.

Gosto muito das inteligentes e irônicas intervenções chestertonianas. O grande autor inglês, que comentara a respeito da "explosão" de vícios e virtudes depois da Reforma, afirmou que o homem fora concebido para duvidar de si mesmo, não no sentido de depreciar a própria existência, mas de fiar-se na Verdade objetiva. Não obstante, o homem moderno é aquele que não só crê em si mesmo e no seu caráter absoluto como duvida da razão divina. Nessa dupla dinâmica, de soerguimento do homem e do repúdio ao conhecimento verdadeiro, surge o reino do relativismo.

"Estamos em vias de produzir uma raça de homens mentalmente modestos demais para acreditar na tabuada. "
A filosofia do "acreditar em si mesmo", como relatada por Chesterton, em nada se diferencia do "seguir a consciência" - verdadeiro veneno para a consciência como mostra a teologia moral - tão em voga na atualidade. Sem dúvida, uma crença deveras supersticiosa como esta é "uma das marcas mais comuns de um patife", até porque "Os homens que realmente acreditam em si mesmos estão todos em asilos de lunáticos."

Se continuarmos assim iremos conviver com homens que sequer se reconhecem diante do espelho!

terça-feira, 15 de junho de 2010

O senso comum tradicionalista e o Concílio Vaticano II

O Concílio Vaticano II.
O Concílio Vaticano II talvez seja um dos temas mais debatidos no cenário eclesiástico atual. De fato, a realidade espiritual que vivemos é fruto, direta ou indiretamente, desse grande acontecimento. Não obstante, o Concílio é alvo de severas críticas por parte de alas radicais-tradicionalistas que enxergam nele o rompimento formal com 1960 anos de Igreja, de doutrina, de Tradição. Destarte, vale pontuar desde já que tradicionais e progressistas vivem uma relação de mútua dependência; os primeiros necessitam das teorias dos liberais para respaldar o seu radicalismo enquanto os segundos urgem pela mentalidade obscurantista dos “medievais” para justificar a mudança de postura por parte da Igreja.

Dentro desse cenário falar que a virtude está no meio não é clichê. Certamente, as duas posições têm um certo sentido, não obstante erram na forma e no meio. Os radicais-tradicionalistas tomam uma atitude legítima ao defender a Tradição da Igreja e os legados milenares que sempre subsistiram no seio da Esposa de Cristo. Por outro lado, os progressistas acertam quando destacam a importância de modernizar a ação pastoral e a linguagem. Entretanto, tanto uns como os outros se perdem na radicalidade das posições que abraçam com tanta paixão.
Tipo de argumento visual usado pelos "radicais-tradicionalistas"; terrivelmente falacioso e simplista.
No meio desse verdadeiro caos surge a sólida e coesa postura do Santo Padre Bento XVI que enxergando a realidade de forma universal, não pontual como fazem muitos católicos, leva em consideração as reivindicações dos radicais-tradicionalistas e dos progressistas enquanto atesta, categoricamente, que o Concílio Vaticano II jamais aderiu às heresias apontadas pelos “rad-trads” e defendidas pelos modernistas. Assim, o Sumo Pontífice destaca a relevância crucial da “hermenêutica” no entendimento pleno dos documentos conciliares. Trazendo à tona a questão da interpretação do Vaticano II o Papa põe em discussão os anseios do homem capaz, até mesmo, de deformar a sã doutrina exposta no Concílio visando, apenas, a realização dos próprios devaneios teológicos em claro rompimento com o espírito de fidelidade e obediência.

Antes que alguém alegue que a dita “hermenêutica da continuidade” é invenção de S.S Bento XVI se faz mister destacar que, mesmo que não houvesse uma unidade em torno dessa questão, já havia por parte de muitos teólogos, Cardeais, Bispos, a clara noção da problemática pós-conciliar fundamentada na indevida interpretação do Concílio. Nesse sentido, friso a obra do Mons. Francisco Bastos “Abusos e Erros sobre a fé à sombra do Vaticano II” a qual o ilustre sacerdote paulistano de feliz memória aborda toda a complexidade das discussões conciliares, destacando, com sabedoria, a ação orquestrada de ala progressista, centralizada na “Aliança Européia”, na sua apaixonada tentativa de fazer aprovar as insanidades pensadas nas mentes modernistas dos teológicos que a dava assistência. Além do relato histórico de grande valor – Mons. Francisco Bastos participou como observador do Concílio a pedido do Cardeal Motta – é interessante como o autor jamais coloca em questão a legitimidade do Vaticano II e a autoridade do Beato João XXIII e de S.S Paulo VI ao longo das sessões. Concretamente, ao presenciar cenas lamentáveis e deprimentes, como a do Cardeal Ottaviani, o mais poderoso Cardeal da Cúria romana, ser boicotado ao ter o seu microfone desligado pelo Cardeal Alfrink, a pedido do Cardeal Tisserant, deão dos presidentes do Concílio, debaixo dos aplausos e gargalhadas de muitos dos Padres Conciliares, depois de intervir em oposição às propostas de total descaracterização do rito romano, Mons. Francisco Bastos teria todos os motivos e razões para desacreditar no Concílio e nas suas definições.
O que foi o Concílio para os progressistas.
Não obstante, em oposição a atitude “esperada” o autor mostra o espírito de amor à Igreja e obediência ao Sumo Pontífice. Ademais, destaca que, mesmo com as mais ferozes iniciativas modernistas, os documentos do Concílio, ainda que deixando algumas janelas abertas, jamais romperam com a doutrina da Igreja e nem sancionaram as teorias progressistas com a autoridade conciliar. O autor, assim, pontua a sapiência dos Papas – João XXIII e Paulo VI – ao longo das sessões e das aulas conciliares.

Além de Mons. Francisco Bastos recordo-me da posição do grande salesiano Cardeal Stickler, de feliz memória, que mesmo fazendo críticas à reforma litúrgica pós-conciliar, de S.S Paulo VI, defendia o Concílio Vaticano II alegando que este não rompeu com a Tradição milenar da Igreja; “O Concílio solicitou repetidas vezes que a reforma aderisse à tradição.”

As duas atitudes citadas nos são modelos de amor filial à Igreja e de respeito ao Vigário de Cristo. Infelizmente, muitos são os católicos – leigos, consagrados, seminaristas, sacerdotes etc – que embriagados com o discurso envolvente do radical-tradicionalismo incidem numa desobediência formal, quando não num sedevacantismo prático. Não podemos cair em leituras simplistas da realidade, quase sempre norteadas pela paixão. Dessa ação surgem os casos esdrúxulos de católicos que pretendem viver a “verdadeira” catolicidade no fundo de seus quartos, nos blogues, orkuts da vida, no máximo em algum grupo que se considera mais fiel e tradicional do que a Santa Sé, com líderes que alegam amar o Santo Padre mas rasgam o seu Magistério sempre que se recusam a obedecê-lo.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Breve reflexão

Constatar a situação do mundo moderno é confirmar a sua vocação de cristão e arauto da Verdade. Um homem que busca vivenciar integralmente a mensagem de Nosso Senhor deve ter a obrigação de, ao enxergar a sociedade atual, constatar a decadência interna – que reflete na exterioridade – do homem. De fato, a crise atual é uma crise metafísica, espiritual, civilizacional.

Andar de metrô, ir ao sebo, comprar um remédio na farmácia, é uma verdadeira experiência antropológica. Não quero aqui parecer essencialmente pessimista – mesmo sabendo que o sou parcialmente. Concretamente, o homem é capaz de alçar vôos colossais e de, na sua grandiosidade, reduzir-se ao estado de animal. Nesse sentido, nós somos frutos das revoluções; o Renascimento absolutizou o homem, a Reforma deu a ele a autonomia espiritual e a “liberdade” definitiva e a Revolução Francesa - a Reforma no Estado, como dizia Dr. Plínio - exterminou as estruturas “medievais” e inaugurou, definitivamente, a nova sociedade do novo homem.

Lutero disse não à Igreja, Voltaire disse não a Cristo e Nietzsche, por fim, decretou a morte de Deus!

O homem está “livre”, mas na sua liberdade vive a mais profunda angústia! Inicia-se a sua auto-destruição!

domingo, 18 de abril de 2010

Mudanças em Los Angeles

O sucessor de Cardeal Mahony, Arcebispo de Los Angeles, nos Estados Unidos, já foi definido; o então Arcebispo de San Antonio, no Texas, José Horacio Gómez. Ironicamente, mesmo depois de um episcopado turbulento, com queda esmagadora no número de vocações, proliferação de escândalos sexuais envolvendo Sacerdotes, o Cardeal se engajou para fazer triunfar um nome tão progressista quanto ele na sucessão. Ora, seria para colocar a última pá de terra na Igreja de Los Angeles terrivelmente doente?

José Horacio Gómez é um Bispo conhecido pela suas posições claras e coesas; combate o lobby homossexual no país, não permite que vozes rebeldes ganhem espaço junto ao povo de Deus - como na vez que proibiu uma freira de discursar em favor da ordenação feminina na St. Mary's University - e de extrema fidelidade ao Papa recebendo, por exemplo, com grande estima o Summorum Pontificum, afirmando que preserva uma "rica herança e legado da Igreja". Ademais, é ligado ao Opus Dei.

Cardeal Mahony se preocupa com o quê? A Igreja de Los Angeles vive uma verdadeira crise, com escândalos no clero, números irrisórios de vida sacramental, índices baixos de vocações, mas ainda defende o modelo que destinou a sua diocese ao fracasso espiritual?

A Catedral de Los Angeles, com um custo de 250 milhões de doláres, sintetiza esse espírito! Ao lado dela a Catedral de Brasília é uma igreja gótica.

A reação de Cardeal Mahony quando soube da sucessão:

http://www.youtube.com/watch?v=fCJPmvfU4Ow

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Hedonismo, Relativismo e Liturgia

Não sei vocês, mas eu sempre fico perplexo quando vejo, mesmo que seja pela TV, Missas que mais parecem ensaios de Carnaval. Infelizmente, o problema litúrgico atual é uma bola de neve; Sacerdotes mal formados - ou deformados - transmitem os seus erros aos fiéis. Obviamente, tudo começa numa mentalidade revolucionária, de origem relativista e individualista. Explico-me. O relativismo surge sempre que pretendem modificar e transformar a doutrina da Igreja tendo como propósito a adaptação ao mundo, num rebaixamento completo da Revelação; nada é perene e tudo é relativo. Do mesmo modo, a Tradição é atacada, vista como exageros medievais que impedem o acesso do povo aos modos mais comunitários da fé - usei aqui a novilíngua politicamente correta. Já o individualismo, que se une ao relativismo, incita a supervalorizarão do ego, dos prazeres individuais; a Missa tem que ser como EU gosto, a doutrina só é boa quando EU aceito, o Papa só é Papa se EU, assim, o considero.

Não precisa ser um grande gênio para concluir o resultado do individualismo-relativismo na Igreja; fiéis que não ligam para os ensinamentos Magisteriais, outros que pouco se importam com o significado mais profundo da Liturgia etc. Nesse ponto quero frisar a lastimosa contradição entre a fé e a sua prática junto aos muitos católicos que compactuam - direta ou indiretamente - com a revolução. A fé é confirmada e fortalecida através da correta externalização, por meio de atos de adoração, contemplação, piedade, reverência. Por exemplo, nós cremos na Presença Real e, por isso, a Eucaristia é adorada e honrada com grandes e gloriosos gestos. Entretanto, infelizmente, hoje configuramos um atrito muito maléfico que, de fato, destrói a fé. Teoricamente alguns católicos professam a crença na Eucaristia quando, na prática, a tratam como se fosse um simples pedaço de pão. Recordo-me da Missa de Primeira Comunhão que assisti; as crianças passaram dias tendo aulas de catequese onde o Santíssimo Sacramento era louvado e glorificado, não obstante, na Celebração Eucarística, no momento onde a teoria das aulas tomaria corpo, o testemunho dos catequistas e do Padre foi o oposto; descaso em toda Missa, barulho, conversa, músicas inapropriadas, desordem, mau gosto, o contrário de tudo aquilo que seria naturalmente lógico para os crentes da Eucaristia.

Infelizmente, esse choque não é apenas uma particularidade, é comum em muitas Missas pelo Brasil e pelo mundo. Até mesmo quando tais fiéis são confrontados com ensinos fidedignos e ortodoxos se colocam em franca oposição, defendendo vigorosamente a algazarra litúrgica e a falta de sobriedade, alegando ser a forma "moderna" de celebrar. Obviamente, estão infectados pela doença revolucionária que impõe falácias como verdades absolutas. Assim, confundem a alegria gloriosa da Santa Missa com a alegria escandalosa do mundo, com gestuais que mais se assemelham a uma festa de Carnaval do que, propriamente, a uma celebração religiosa.

Quero frisar que os argumentos usados na defesa da "aeróbica de Cristo" não tem qualquer fundamento magisterial, tradicional, patrístico, bíblico, histórico e até mesmo sociológico. Vejamos. A Igreja prima pelo desenvolvimento orgânico da Liturgia, isso é um fato inconteste. Entretanto, os arautos da carnavalização litúrgica alegam que as baterias, guitarras e palmas representam a forma jovem e moderna de ser católico. Grande falácia! A Igreja passou 1970 anos rezando com silêncio, sacralidade, piedade para, repentinamente, acordar com um novo olhar e uma nova visão de mundo e da fé?! Não existiu sequer um tempo de transição que justificasse a radical transformação. Muitíssimo ao contrário, passamos dos Padres de batina para os Padres de calça jeans e camisas baby-look, saímos das Missas decorosas para as Missas-afro-sertaneja-crioula-carismática, num processo visivelmente revolucionário, de rompimento integral, propositado e articulado.

O individualismo prático e a fé relativista fazem com que os fiéis, quando confrontados, sequer se sensibilizem. De nada adianta falar que a Missa é Sacrifício, fazer uma abordagem histórica e comparada, mostrando o espírito de sobriedade de outras famílias litúrgicas, citar textos Magisteriais ou fazer uma reflexão meramente lógica. Para eles tudo se resume a uma compressão hedonista e romanceada da fé; me faz bem, me é prazeroso, fico feliz, então pronto. Aqui entra um déficit abissal; a falta da mais básica catequese se une a uma postura mundana que, por não ser combatida por Sacerdotes também infectados, gera a dessacralização da Liturgia.

Não vou aqui me estender falando que a Santa Missa é Sacrifício, que a nossa postura deve ser de silêncio e contemplação, que os grande santos, desde São João Crisóstomo, passando por São Leonardo de Porto Maurício, até o recente São Pio de Pietrelcina, frisam o correto espírito litúrgico, e que dentro da Tradição milenar da Igreja não há precedentes para esse tipo de irreverência. Muita vezes nada disso adianta para despertar os fiéis que transformam a Santa Missa num celebração horizontal.

Quando da Reforma Protestante, as igrejas tomadas pelas propostas luteranas - onde ainda havia a celebração da "Ceia" - iniciaram a desconstrução do rito litúrgico. Com isso, naturalmente, cada paróquia criou uma forma própria e particular de celebrar, com variações diversas, dignas da liberdade descontrolada corada pelos reformistas. Hoje, assim como nas regiões protestantes do séc. XVI, muitas paróquias se tornaram verdadeiras ilhas, com dioceses tendo Missas de todos os gostos; tradicionais, carismáticas, afros, populares, ecumênicas etc, numa feira livre onde o freguês tem sempre razão. Tanto é verdade que, quando alguém critica a Liturgia paroquial, quase sempre é convidado a migrar para uma paróquia que tenha uma Missa que o "agrade" ou que, então, passe a assistir a Liturgia com o Padre Fulano, como se tudo fosse uma questão de escolha. Assim, o rito romano é totalmente descaracterizado e os fiéis se impregnam ainda mais com o seu hedonismo e com o absurdo antropocentrismo "litúrgico". A Celebração passa a ser horizontal, voltada para o povo e não para Deus, e tudo se resume ao prazer gerado, ao sentir-se bem.

De fato, a Igreja deve sim dialogar com o mundo moderno tendo consciência, obviamente, dos males que hoje, através da decadência espiritual, são entronizados como verdades absolutas. Entretanto, a própria modernização interna da Igreja, por meio das necessidades que se colocam e, principalmente, de forma natural, não tem como fim a adaptação da doutrina, sempre professada, ao mundo que, cada vez mais, se escandaliza com a mensagem cristã. Afinal, se a doutrina é verdadeira, no sentido de divina, é perene, já que reflete a imutabilidade de Deus, logo, se esta é modificada é porque quem a transmitiu, Deus, também se modificou, entretanto, Deus não muda, e se muda não é Deus.

Os defensores dos abusos litúrgicos, quer queiram quer não, estão ligados ao pensamento revolucionário, carregando uma alta dose de falácias relativistas e concepções individualistas da fé. A única forma de tratar e corrigir tamanhos erros é se colocando em humilde e devotada obediência a Cristo através da Sua Igreja, afinal foi a ela que Nosso Senhor deu o múnus de apascentar e guiar o Seu rebanho.
"Missa afro"

"Missa crioula"

"Missa sertaneja"

"Missa carismática"

"Missa libertadora"

"Missa missa ou rito romano celebrado corretamente"

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A caríssima Catedral de Los Angeles

Visão externa
A Catedral de Nossa Senhora dos Anjos, em Los Angeles, EUA, é o que chamamos de monstruosidade. A Igreja, além de ser naturalmente feia, foi construída para inflamar o ego dos hierarcas que, a todo o custo, querem ostentar o crachá de religiosos modernos. Mui possivelmente, se o Arcebispo de Los Angeles resolvesse construir uma Igreja neogótica, neoclássica, enfim, qualquer coisa com aparência de Igreja, seria chamado de farisaico, retrógrado e defensor de um catolicismo medieval.
Nave e Altar
A Catedral dos Anjos foi construída depois que a Catedral de Santa Bibiana - essa sim com cara de igreja - foi seriamente danificada no terremoto de 1994. A resolução de edificar um novo templo veio após ser revelado o orçamento da reforma; 180 milhões de doláres. Entretanto, a nova Catedral, que foi estimada em 150 milhões, ultrapassou os 250 milhões de doláres! Exatamente, meu caros. Essa coisa que parece que saiu de uma obra de Picasso custou uma verdadeira fortuna. Ainda contrataram para tal trabalho o renomado arquiteto pós-moderno Rafael Moneo. A Catedral foi dedicada em 2 de setembro de 2002

Imagem da Virgem Maria
A arquitetura moderna, além de não prestigiar a beleza, é extremamente antropocêntrica, tanto que uma obra como essa só é "bela" no tempo em que se insere. Quem viaja para Brasília, por exemplo, já considera a cidade envelhecida e parada no tempo. Por outro lado, uma Catedral de Colônia, milenar, sempre será um espetáculo de beleza, contemplada desde sempre.

Pior do que a aparência da Catedral é o espírito relativista que a sustenta...

sábado, 9 de janeiro de 2010

A novilíngua da esquerda

A esquerda criou a sua novilíngua orwelliana e já tratou de implantá-la em todos os seguimentos da sociedade brasileira e mundial; esta vai desde as Universidades - e destaco as redações dos vestibulares - indo até aos documentos da Organizações das Nações Unidas.

Palavras como "opressão", "capital", "domínio", "poder", "alienação" são repetidas a exaustão. Além dessas, tantas outras - "democracia", "liberdade", "povo", "elite" - têm seus reais sentidos reformulados, com aplicações que sustentam a retórica vazia do discurso da esquerda.

Por exemplo; "A opressão do povo é reflexo do sistema de domínio das elites que aliena o trabalhador e impede a libertação" Frase esta que elaborei em menos de um minuto, apenas organizando as palavras-chaves do vocabulário da novilíngua esquerdista. É pertinente frisar que essas criações lingüísticas escondem um radical totalitarismo por debaixo de uma aparente linguagem "democrática". O poder da repetição e o esvaziamento de sentido criam a idéia de que essas frases são inofensivas e inocentes quando, na verdade, carregam uma proposta política mui clara.

Obviamente, a religião não ficou de fora do novo idioma da esquerda. A Teologia da Libertação, lançando mão do vocabulário clichê, propiciou a divulgação da ótica dialética da fé e de classes através das falácias revolucionárias:

Credo das CEBs

1. Nós cremos em Deus Criador, fonte dos universos,
Senhor de toda religião e Pai de todo ser.
Pra longe a Inquisição! Os credos são diversos...
Nós cremos no mistério do Amor que vai vencer!

E nós cremos na Igreja-Mãe que é comunidade
E tem sabor de CEBs para nós! (2x)

2. Nós cremos em Jesus que prometeu justiça aos pobres,
Que ensinou discípulos a não querer poder!
Não cremos nos pastores aliados com os nobres!
"Primeiros serão últimos..." - é preciso crer pra ver!

E nós cremos na Igreja-Mãe que é comunidade
E tem sabor de CEBs para nós! (2x)

3. Nós cremos no Espírito que incita com seu fogo
Os corações proféticos a levantar a voz
Contra toda exclusão: A vida está em jogo!
Entrar na luta é pra já! "Aleluia" é pra depois...

E nós cremos na Igreja-Mãe que é comunidade
E tem sabor de CEBs para nós! (2x)

4. Estamos com Maria e também com Madalena!
Queremos mais amor de mãe, carinho de mulher!
Tradições de homens só não valem mais a pena...
Nós cremos, sim, em Débora, em Sara e Ester!

A novilíngua esquerdista, ao adentrar na Igreja, criou uma mentalidade dialética totalmente estranha ao mundo eclesiástico. Começaram a surgir, então, as alas progressistas, conservadoras, com os liberais e tradicionais. Obviamente, os agentes revolucionários, se identificando como progressistas, apontavam para os outros, os opositores, os rotulando de acordo com os preconceitos que nutriam. Com isso, o não seguimento do Magistério, por exemplo, se tornou apenas particularidades de um grupo interno e não uma incongruência fundamental com a fé professada. Tais contradições começaram a se esconder, então, por detrás do relativismo e da dialética revolucionária.

Os opressores que se cuidem...

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Cismáticos do mundo todo, uni-vos!

Foto extremamente interessante!

Tikhon de Moscou e João Kochurov - santos da Igreja Ortodoxa -, e um outro sacerdote ortodoxo russo, foram convidados para uma sagração da Igreja Episciopal, em Fond du Lac, Wisconsin, em 1900. Além dos Bispos ortodoxos e episcopais estavam pastores da Igreja Católica Nacional Polonesa, um cisma católico nos EUA. Esse evento causou muita polêmica na comunidade protestante episcopal. Os membros da baixa igreja acusaram os bispos da alta igreja de papismo, por conta dos paramentos e da pompa litúrgica. O acontecimento passou a ser chamado, ironicamente, de o "Circo de Fond du Lac".

A foto foi tirada em 18 de novembro de 1900, na Catedral Episcopal de São Pedro, em Fond du Lac, na sagração de Reginald Weller como Bispo Coadjutor da Diocese de Fond du Lac.

Sentados: Isaac Lea Nicholson, Bispo Episcopal de Milwaukee; Charles Chapman Grafton, Bispo Episcopal de Fond du Lac; e Charles P. Anderson, Bispo Episcopal Auxiliar de Chicago.

Em pé: Anthony Kozlowski, da Igreja Católica Nacional Polonesa; G. M. Williams, Bispo Episcopal de Marquette; Bispo Weller, Joseph M. Francis, Bispo Episcopal de Indianapolis, William E. McLaren, Bispo Episcopal de Chicago; Arthur L. Williams, Bispo Episcopal Auxiliar de Nebraska; São João Kochurov, Bispo ortodoxo de Chicago e hieromártir da Revolução Bolchevique; Pe. Sebastian Dabitovich, capelão dos Bispos russos; São Tikhon, Bispo ortodoxo do Alasca e das Ilhas Aleutas.

O que os unia? O cisma, a heresia, mas além disso, a aversão à Igreja Católica!

domingo, 3 de janeiro de 2010

Procura-se a solenidade!

Até agora estou procurando a tal solenidade. Explico-me, hoje, na Missa da Epifania, o Sacerdote celebrante sequer usava casula - nem vou comentar do cíngulo, amito - mas sim aquela túnica horrorosa - esse povo não tem nem mesmo bom gosto estético? - com uma estola tão feia quanto. Os cânticos foram os mesmos de sempre. Engraçado como reclamam do canto gregoriano mas não percebem que as músicas adocicadas e repetitivas são mais longas do que este.

O mais irônco era que o Padre, a todo momento, se referia a dita "solenidade da Epifania", "Missa solene". Eu fiquei procurando mais não encontrei nenhuma solenidade, não só na falta de fidelidade ao missal e às normas como, até mesmo, no espírito de pouca piedade, no limítrofe com a impiedade e profanação.


Duas reflexões podemos tirar; até mesmo a estética foi atacada e deformada pela heresia; o feio se torna "belo" e o belo se torna alienígena. Além disso, mais importante do que qualquer catequesese é a prática de reverência e o espírito de mística. Do que adianta falar durantes horas da Eucaristia quando, na hora da Missa, tratam o Corpo de Cristo como um pedaço de pão?


Ah, quem achar a solenidade, por favor, me avise...

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

O Brasil continua o mesmo...

A festa de Ano Novo não tem lá muito sentido; você bebe, pula, grita, para acordar no outro dia de ressaca e todo quebrado. Dentro da lógica desse povo, que se veste de branco e acredita que na virada de 11h59min à 00h00min uma nova "energia" paira sobre a terra, acordar no primeiro dia do ano com dor de cabeça e o corpo moído não deve ser lá bom "augúrio".

Mudando um pouco de assunto, além das crendices ridículas e infantis do brasileiro - o que seria do meu sucesso em 2010 se eu não pulasse sete ondinhas?! - me impressiona a "devoção" tão exuberante àquela que chamo de Iemanjada - Iemanjá + manjada. É flor branca, é banho de folha, é barca, é perfume barato. Se Iemanjá existisse uma das suas primeiras atitudes seria varrer as praias com mares revoltos, livrando das quinquilharias que jogam no oceano.

Eu tenho certeza absoluta que de toda essa penca de gente que faz oferendas ao mar sequer conhece um terreiro de candomblé ou centro de umbanda. A Iemanjá que eles veneram é a Iemanjá Cult, a deusa do politicamente correto. Recordo-me que na abertura do Pan-Americano, no Rio, a música oficial invocava a orixá dos mares. Um desavisado poderia acreditar que os jogos eram em algum país africano do Golfo da Guiné e não na maior nação católica do mundo. Nossa Senhora Aparecida que nada, o espírito relativista só deixa que a entidade de uma crença que não engloba nem mesmo 1% dos brasileiros seja honrada publicamente.

Como disse, os que ontem jogaram flores e perfumes baratos no mar nunca viram uma cerimônia sagrada das crenças de origem africana. Tais pessoas estão influenciadas pela versão mercadológica do candomblé/umbanda, aquela que aparece nas reportagens, que é financiada pelo governo e que é mais cultural/mitológica do que propriamente religiosa. Os terreiros e centros se tornaram, desse modo, faróis da dita cultura "afro". Isso tem sua origem no espírito relativista, que faz com que cristãos batizados não achem incompatível a sua fé com as crenças pagãs, e com o racismo reverso que propõe certa predestinação racial; você é condicionado pela sua cor, logo, o negro deve ser do candomblé e usar cabelo trançado.

Ontem, dia 31 de dezembro de 2009, eu vi a caricatura que se tornou o Brasil. Nem mesmo os fogos de artifício que pipocaram no Rio, São Paulo, Salvador etc, conseguiram despertar o brasileiro para a realidade!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Tá chovendo freira! Aleluia!

Não tem como não dar boas risadas vendo essa paródia de Pe. Fábio feita pelo programa "Hermes e Renato". O mais interessante é que a imagem do Sacerdote ideal - no confessionário, de batina preta e homem de oração - se encontra tão fortemente presente no imaginário popular que até na hora de ironizar um Padre que se destaca pela vaidade e aparência, que sequer usa o traje eclesiástico, colocam um comediante de colarinho romano e batina.

Para piorar, vazou a notícia do cachê cobrado por Pe. Fábio para fazer um show em Natal no dia 25 de dezembro; R$ 221 mil reais, com direito a jatinho particular e tudo. Para termos uma idéia, Ivete Sangalo, o segundo mais caro cachê do país, cobra em média R$ 350 mil, já a dupla Zezé di Camargo e Luciano fica na casa dos R$ 150 mil. Nem com toda a maior boa vontade do mundo se justifica um valor tão alto. Que Pe. Fábio virou estrela, com direito a música na novela "Caras e Bocas", todo mundo já sabe, mas agora quer ter uma vida de luxo e exagero despropositado?! As suas roupas de marca que o digam...

(Pe. Fábio deixou a Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, afinal as obrigações religiosas empatavam a carreira musical. Portanto, nada melhor do que abandonar o voto de pobreza se esbaldando nas futilidades.)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O Circo de Westminster

O anglicanismo ligado à Cantuária não passa de uma grande caricatura do que um dia foi a Igreja da Inglaterra. Isso, sem dúvida alguma, é uma prova inconteste das terríveis conseqüências oriundas do cisma e da heresia. A Abadia de Westminster, que já foi o lar dos beneditinos, se tornou a encarnação do espírito da reforma anglicana. Atualmente, essa belíssima construção sintetiza o ethos modernista fortemente presente na Igreja da Inglaterra. Num dos pórticos de entrada foram colocadas imagens dos mártires do séc. XX. Até então nada demais, se não fosse o fato de que cristãos não-anglicanos foram homenageados e honrados.

Dos 10 "mártires" apenas 3 são anglicanos.
Grã-Duquesa Elisabete da Rússia, piedosa cristã "ortodoxa" convertida, renegou o protestantismo. Sem dúvida alguma acharia demoníaco esse relativismo eclesiológico.

Manche Masemola, catecumeno anglicano da África do Sul.

Maximilian Kolbe, santo católico, martirizado pelos nazistas, fidelíssimo ao Santo Padre e aos ensinamentos da Igreja. Assim, considerava o anglicanismo como um cisma propagador de falsas doutrinas.

Lucian Tapiede, anglicano de Papua Nova Guiné.

Dietrich Bonhoeffer, pastor luterano assassinado pelos nazistas. O fato de ser protestante não quer dizer absolutamente nada, afinal, dentro de uma perspectiva teológica, não há comunhão entre luteranos e anglicanos.

Esther John, evangelizador presbiteriano. Vale lembrar que a teologia calvinista foi um dos grandes problemas internos da confissão anglicana. Os prebisterianos foram perseguidos pela Igreja da Inglaterra.

Martin Luther King, pastor batista, de uma confissão cristã que, partindo de uma honesta postura teológica, condenaria muitas das doutrinas anglicanas.

Wang Zhiming, pastor.

Janani Luwum, Arcebispo da Igreja de Uganda, de confissão anglicana.

Oscar Romero, Arcebispo católico de San Salvador. Mesmo tendo sua memória "sequestrada" pelos adeptos da Teologia da Libertação, era conhecido pelo seu conservadorismo.

Como colocar imagens de "santos" que, mui provavelmente, se estivessem vivos, jamais compactuariam com tamanho absurdo relativista? O ecumenismo - não o falso ecumenismo irenista - deve ter como norte a fidelidade à Verdade. Como invocar como santo alguém que renegou e condenou, por exemplo, crenças basilares da confissão anglicana? Enfim, a Comunhão da Cantuária se tornou o circo dos horrores de qualquer cristão sensato...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O verdadeiro sentido da missão

Pedro Ravazzano

A Teologia da Libertação é responsável direta pela destruição de séculos de trabalho missionário. A naturalização do sobrenatural, somada a uma análise materialista da fé, propicia a corrupção do sentido da conversão. Tamanho relativismo reduz todo o cristianismo a um mero assistencialismo onde não há necessidade de oração, penitência e mortificação. Cristo, dentro dessa leitura, não pediu a conversão e a crença evangélica, mas sim uma luta pelo bem e justiça social. Como disse o folheto “O Domingo”;
"A páscoa de Jesus se realiza nos grupos e pessoas que, independentemente de credos, se doam em favor dos pequenos e procuram realizar o bem em meio à sociedade."


O trabalho missionário parte de uma compreensão honesta da fé, um entendimento sensato dos ensinamentos de Cristo, do amor ao próximo e no cumprimento do pedido de Nosso Senhor; “Ide e anunciai o evangelho a toda criatura.” A Teologia da Libertação (TL) reduz o anuncio do evangelho a uma ótica materialista, enxergando na religião a ferramenta de libertação social, daí que a “justiça social” e “fazer o bem” sejam os dogmas absolutos da fé. Obviamente, para uma noção tão simplória da crença, Cristo não precisaria da Encarnação, Crucificação e Ressurreição, muito menos fundado uma Igreja. Ademais, toda a religião católica parte da premissa básica de que perpetua os ensinamentos de Nosso Senhor – seria estupidez máxima crer em algo que sabe não ser de Deus, mas dos homens. Assim, a Eucaristia, o Papa, a Virgem SS etc, não são simples realidades doutrinárias acidentais, mas frutos diretos da mensagem deixada por Jesus.

Em concreto, o amor de Deus é misericordioso, e essa misericórdia se encarna na doutrina, justamente por ser esta um caminho objetivo de salvação. Seguir Jesus é seguir tudo aquilo que Ele nos deixou, afinal, é no Seu legado que entendemos a Sua mensagem. Ora, se cremos que a doutrina católica veio de Cristo e reconhecemos a necessidade de seguir a Cristo nos Seus ensinamentos, como colocar em terceiro plano a importância da fé na Igreja Católica? Podemos ir além. A prática maior do amor ao próximo se faz na pregação da Verdade, já que é o gesto máximo de caridade ao homem; mostrá-lo a Cristo. Se reconhecemos os ensinamentos católicos como originados diretamente do coração de Jesus, e sabemos que a comprovação do nosso amor ao próximo se faz na apresentação da Verdade, como, então, desmerecer a necessidade da conversão? Ou nós não amamos, de fato, o próximo - portanto não queremos apresentá-lo a Cristo – ou, então, não cremos na doutrina católica como originada no Senhor – logo, como nos consideramos crentes?

A redução feita pela TL é total e absoluta. A Eucaristia, a Virgem SS, o Papado etc, são pontos secundários da fé se comparados com a necessidade de praticar a “justiça social”. Além da verdadeira justiça se originar em Cristo e na Sua mensagem, toda a doutrina não se contrapõe ao amor de Deus. Tamanha falácia parte de uma compreensão relativista onde doutrina - e até mesmo a simples palavra “doutrina” – é interpretada como uma imposição férrea e fundamentalista da fé. Ora, não seria, justamente, o contrário? A doutrina é fruto da caridade de Cristo, um guia prático de salvação, muito mais edificante do que a ótica subjetivista que impera, onde ninguém sabe ao certo como viver o Evangelho, onde cada indivíduo segue uma fé particular e pessoal, distante da universalidade pretendida por Deus.

Dom Edson Damian, bispo de São Gabriel da Cachoeira, afirmou, em reportagem ao Jornal Nacional, que “São os índios que estão vivendo como viviam os primeiros cristãos que tinham tudo em comum, nós é que temos que nos converter a eles”. Agora é a Cruz que deve ser submetida aos chocalhos e flautas de Tupã? Esse é o relativismo em grandes proporções, não mais a conversão é desnecessária como agora somos nós, cristãos, que devemos nos paganizar. Ademais, vale frisar que, como destacou Jorge Ferrar no Deus lo Vult!, “Para afastar os maus espíritos, Sua Excelência parece preferir o Yaigê às orações católicas; para ser coroado no dia de sua sagração, Sua Excelência parece preferir um cocar indígena a uma mitra católica. Parece preferir o paganismo ao Evangelho”

Obviamente, o Bispo tem pleno entendimento acerca do caráter relativista e herético de tais afirmações. De fato, a sua insistência no modernismo é consciente e intencional. Dom Edson, mui provavelmente, deve conhecer a brilhante explanação feita por S.S João Paulo II na encíclica Redemptoris Missio; “uma das razões mais graves para o escasso interesse pelo empenhamento missionário é a mentalidade do indiferentismo, hoje muito difundida, infelizmente também entre os cristãos, freqüentemente radicada em concepções teológicas incorretas, e geradora de um relativismo religioso, que leva a pensar que « tanto vale uma religião como outra »...”

Além dos graves problemas doutrinais oriundos dessa postura relativista, que, logicamente, subentende um demérito a toda a crença católica, ainda há o choque com a própria história da Igreja e a vida espiritual. Gostaria de pontuar, nesse tocante, o testemunho da Sociedade de São Francisco de Sales no empenho do trabalho missionário. A diocese de São Gabriel da Cachoeira, por exemplo, foi fundada e erigida por Sacerdotes filhos de Dom Bosco. Dom Edson, o Bispo do Cocar, é o primeiro não-salesiano feito Pastor daquelas terras. Desde cedo o Santo fundador alimentava o desejo de partir, para terras inóspitas, na pregação do Evangelho. Dom Bosco sonhava em poder caminhar com alguns missionários, apenas sustentados na fé em Cristo, mas a sua saúde e os enormes afazeres na Europa, com uma Congregação recém fundada, o impedia. Entretanto, logo tendo oportunidade enviou para a América aqueles que se tornariam peças fundamentais na propagação da fé nos países do Novo Mundo. Vejamos o relato feito por Dom Bosco do seu profético sonho:
"Pareceu-me, disse, encontrar-me numa região inóspita e totalmente desconhecida. Era uma imensa planície toda inculta, em que não se avistavam colinas nem montes. Mas nas extremidades, muitíssimo ao longe, perfilavam-se em toda a volta escarpadas montanhas. Vi nela multidões de homens que a percorriam. Andavam quase nus, eram muito altos, de aspecto feroz, de cabelo comprido e em desalinho, de cor bronzeada e escura, vestidos apenas com grandes mantos de peles de animais, que lhes desciam dos ombros. Andavam armados com uma espécie de lança comprida e com uma funda.
Estas multidões de homens, espalhados por todo o lado, ofereciam ao espectador cenas diversas: uns corriam à caça das feras; outros levavam na ponta das lanças pedaços de carne a deitar sangue. Outros ainda combatiam entre si, outros traziam presos soldados vestidos à europeia, e o terreno estava cheio de cadáveres. Eu tremia perante aquele espectáculo; e eis que despontam na extremidade da planície muitos personagens, que, pela forma de vestir e de se comportar, descobri que eram missionários de várias Ordens.
Estes aproximavam-se para pregar àqueles bárbaros a religião de Jesus Cristo. Fixei-os bem, mas não conheci nenhum deles. Foram para o meio daqueles selvagens; mas os bárbaros, mal os viram, com um furor diabólico, com uma alegria infernal, assaltavam-nos, matavam-nos, esquartejavam-nos com ferocidade, cortavam-nos aos pedaços e espetavam os pedaços daquelas carnes com a ponta das lanças.
Depois de observar aqueles horríveis massacres, disse para mim próprio:

− Como fazer para converter esta gente tão brutal?

Entretanto, vejo ao longe um grupo de outros missionários que se aproximavam dos selvagens de rosto muito alegre, precedidos por uma turba de jovenzinhos.

Eu tremia pensando:

− Vêm cá para ser mortos.

E aproximei-me deles: eram clérigos e padres. Fixei-os com atenção e vi que eram os nossos Salesianos. Os primeiros eram meus conhecidos, e embora não tenha podido conhecer pessoalmente muitos outros que seguiam os primeiros, dei-me conta de que eram também Missionários Salesianos, mesmo dos nossos.

− Como vai isso − exclamei.

Não queria deixá-los passar e pus-me à frente deles para os parar.

Receava que de um momento para o outro tivessem a mesma sorte dos antigos Missionários. Queria fazê-los voltar para trás, quando vi que a sua aparição encheu de alegria todas aquelas multidões de bárbaros, que baixaram as armas, puseram de parte a ferocidade e acolheram os nossos Missionários com todos os sinais de cortesia.

Maravilhado com isto, disse para mim próprio:

− Vamos ver como é que isto vai terminar!

E vi que os nossos Missionários avançavam em direcção àquelas hordas de selvagens; instruíam-nos e eles escutavam-nos de bom grado; ensinavam e eles punham em prática as suas instruções. Parei a observar, e dei-me conta que os Missionários rezavam o santo Terço, enquanto os selvagens, correndo de todos os lados, abriam alas à sua passagem e respondiam com gosto àquela oração.

Passado algum tempo, os salesianos dispersaram-se pelo meio daquela multidão que os rodeava e ajoelharam-se. Os selvagens, tendo deposto as armas por terra aos pés dos Missionários, ajoelharam também. E eis que um dos salesianos entoa: “Louvemos Maria…”, e todas aquelas turbas, a uma só voz, continuaram o cântico, tão em uníssono e com voz tão forte, que eu, quase assustado, acordei.
Este sonho fez-me muita impressão, pensando tratar-se de um aviso celeste"
Esse sonho confirmou aquela misteriosa vontade que o Santo já nutria no coração. Assim, depois de alguns acasos da Providência, os salesianos foram enviados para a Patagônia, inclusive o futuro Cardeal Cagliero, Vigário Apostólico da Patagônia, confessor da Beata Laura Vicuña e amigo de Beato Zeferino Namuncurá. Os filhos de Dom Bosco logo chegaram ao Brasil. No Mato Grosso evangelizaram a tribo dos Bororos e, mais tarde, constituíram uma prelazia, a Prelazia do Registro do Araguaia. Entraram corajosamente na floresta amazônica, construindo verdadeiros oásis da fé. Desde 1908, Dom Frederico Costa, Bispo do Amazonas, queria a presença dos salesianos na região do Rio Negro. Em 1910 a Prefeitura Apostólica do Rio Negro foi criada e, posteriormente, confiada aos filhos de Dom Bosco – atualmente Diocese de São Gabriel da Cachoeira. Na região trabalharam junto aos Tucanos e outros tribos, tudo para a glória de Deus.


Os sonhos de Dom Bosco profetizavam o esplendor da sua Congregação. Ademais, eram sinais claros da origem Divina dos anseios mais profundos da Sociedade de São Francisco de Sales. Afirmar, como é comum hoje em dia, que o trabalho missionário é desnecessário e inoportuno – falo de verdadeiro trabalho missionário que visa à conversão – se choca com a doutrina da Igreja e com a ação do Senhor na história. Os sonhos de Dom Bosco seriam falsas criações de mentes ultramontanas, refletindo apenas uma realidade temporal? Então a Virgem Santíssima se enganaria nas suas promessas feitas ao Santo?

Vejamos o teor de outro sonho, relatado por A. Auffray SDB na biografia de Dom Bosco, “A divina Pastora que aos nove anos lhe tinha feito ver com clareza a sua futura missão, mostrou-lhe nessa noite os pontos principais do caminho que iriam percorrer os seus missionários. Num instante sua fantasia foi transportada ao pé das Cordilheiras, a Santiago e a Valparaiso; de ai ao coração mesmo das matas da África; finalmente a Pequim, a capital do Celeste Império! Por mais robusta que fosse a fé de Dom Bosco, era difícil acreditar tais maravilhas. Evangelizar extensões tão grandes! Vencer tantos obstáculos! Percorrer espaços enormes! e com um exército tão exíguo e com meios tão. escassos! Não! Era um sonho apenas e nada mais! Porém a Dama misteriosa acalmou-lhe os receios: "Não temas disse-lhe ela. Não sómente os teus filhos, mas os filhos de teus filhos realizarão estes prodígios" Nesse sonho a Virgem mostra ao Santo os belíssimos frutos da sua Congregação; a conversão dos povos e das raças. Ainda promete que tais “prodígios” seriam perpetuados por todos os seus filhos.

Comparemos, nesse instante, a doutrina da Igreja e os sonhos de Dom Bosco com o posicionamento da Teologia da Libertação e o seu relativismo. Se somos católicos – e somos livremente – é porque cremos que a Igreja, enquanto instituição fundada por Cristo, reflete os ensinamentos deixados por Nosso Senhor. Entretanto, mesmo as revelações privadas não sendo de crença obrigatória, exprimem um caráter sobrenatural. Assim, se as experiências de Dom Bosco foram originadas em Cristo – e assim a Igreja acredita – reproduzem a imutabilidade inerente a Deus. Ou será que alguém crê que o Senhor transmite ensinamentos mutáveis e falíveis, escravos do tempo?

De um lado temos o Evangelho e a Igreja e, do outro, Bispos e religiosos relativistas. De um lado uma conversão sincera, com prática de oração e vida sacramental, do outro lado a práxis “evangélica” perpetuada na manutenção de crenças pagãs e no discurso assistencialista.

Quando Monsenhor Cagliero voltou da Patagônia, levou consigo uma jovem indígena convertida. No leito de morte, Dom Bosco experimentou uma sublime alegria. Não podendo ir até as terras de missão, o seu filho trouxe um fruto dos trabalhos salesianos em solo argentino. A jovenzinha, ajoelhada aos pés do Santo, falando um italiano carregado de sotaque, disse; "Pai, eu vos agradeço por terdes mandado vossos missionários para salvar a mim e a meus irmãos" Dom Bosco, extremamente comovido, verteu lágrimas de regozijo, lágrimas de caridade e de puro amor! Ele sabia que havia cumprido a sua tarefa na terra!

Infelizmente, essa é uma experiência que D. Edson Damian nunca vai passar! Afinal, para que converter?

domingo, 18 de outubro de 2009

Casulas, estolas, dalmáticas e...veste afro?!

Creio que não seja surpresa para ninguém que a Família Paulina está impregnada de Teologia da Libertação. Tamanho relativismo se faz não só nos livros publicados pelas suas editoras - desde obras de teólogos condenados, como Boff, até manuais de ecologismo-xamânico-esquerdista. Preciosos livros de espiritualidade, teologia dogmática, hagiografias fabulosas etc, foram substituídos por outros bem opostos aos ensinamentos da Igreja e da mensagem cristã. Ademais, não satisfeitas em promover erros doutrinais, as Pias Discípulas do Divino Mestre, também fundadas pelo Beato Tiago Alberione, no seu "Apostolado Litúrgico", incitam a desobediência litúrgica.

No site do "Apostolado Litúrgico" podemos encontrar:

Cálices e patenas de cerâmica
http://www.apostoladoliturgico.com.br/detalhamento.php?id=69
http://www.apostoladoliturgico.com.br/detalhamento.php?id=70
http://www.apostoladoliturgico.com.br/detalhamento.php?id=68

Sacrários de madeira
http://www.apostoladoliturgico.com.br/busca.php?tipo_busca=1&id_subcat=20
http://www.apostoladoliturgico.com.br/busca.php?tipo_busca=1&id_subcat=28
http://www.apostoladoliturgico.com.br/busca.php?tipo_busca=1&id_subcat=29
http://www.apostoladoliturgico.com.br/busca.php?tipo_busca=1&id_subcat=31
http://www.apostoladoliturgico.com.br/busca.php?tipo_busca=1&id_subcat=24
http://www.apostoladoliturgico.com.br/busca.php?tipo_busca=1&id_subcat=30

Veste afro
http://www.apostoladoliturgico.com.br/busca.php?tipo_busca=1&id_subcat=62

Qualquer católico com o mínimo de conhecimento litúrgico sabe que todos os vasos sagrados e o Sacrário devem ser feitos de material nobre - ouro e prata. Tamanho simbolismo parte da compreensão de que nós, homens, entregamos ao Senhor os mais sublimes e luxuosos frutos que nossas mãos podem produzir. Claro que, obviamente, Deus não precisa de metais preciosos e pedrarias, mas, não obstante, é através dessa ostentação, da via pulchritudinis, que reverenciamos a grandeza do Senhor e honramos a Sua dignidade. O homem não produz cálices e cibórios de ouro para si, mas para Deus.

Entretanto, não satisfeitas em vender vasos sagrados de cerâmica e Sacrários de madeira - o que não é lícito, vale frisar - inventaram um novo paramento litúrgico; a tal veste afro. O que seria isso eu não sei. Mui provavelmente é fruto dos devaneios sincréticos dos religiosos que, no ápice do relativismo caricatural, criam não um novo rito, como pretendem, mas um rascunho de uma nova crença, fundamentada sobre o modernismo.

Apostolado Litúrgico?! Já passou da hora de refletir se é apostolado de fato e se é litúrgico de verdade!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Senhor, livrai-nos das "Missas-Axé"!


Essa Missa foi celebrada por Pe.
João de Campos Júnior, SDB, na Igreja de Santo Agostinho, Diocese de São Miguel Paulista, em Itaquera - SP.

O Celebrante é da mesma Congregação - Salesianos de Dom Bosco - do falecido Cardeal Stickler e do Arcebispo Emérito de Hong Kong Cardeal Zen.

São João Bosco, que dizia que a missão de um salesiano era defender o Sumo Pontífice onde quer que estivesse, deve estar em lágrimas vendo seus filhos rasgando o Missal e desobedecendo a Igreja.