quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Novo Ano e Novo Homem

Pedro Ravazzano

A comemoração do Ano Novo sempre me pareceu emblemática. De fato é interessante tirar um momento para avaliar os frutos colhidos durante o tempo que passou, contudo o que parece é que o homem se esforça para nutrir a crença gnóstica de que o novo ano representa um novo tempo. O cristianismo, por sua vez, rompeu com qualquer noção cíclica das eras, inaugurou, isto sim, o tempo enquanto realidade progressiva e contínua. O homem é chamado a contemplar a realidade e transformar-se além dos marcos que são colocados.

A crença popular, ainda que não tenha um objetivo pressuposto gnóstico, parece que reflete certa mentalidade obscura e ultrapassada. O novo ano é um novo tempo, ou melhor, o tempo das mudanças e das reformulações. Obviamente não há nenhuma imoralidade em usar tais festejos como saudáveis pretextos para refazer as prioridades e repensar os sonhos. Entretanto, o preocupante é saber que o homem, esmagado pela complexidade do mundo materialista atual, se encontra impossibilitado de refazer-se conscientemente no hoje. A grande sacada do Réveillon é o tempo universal que a sociedade concede a si mesma para festejar o ano que nasce.

Não obstante, o então 2012 não difere em nada do velho 2011. Trata-se do mesmo mundo com os mesmos problemas e do mesmo homem inserido na mesma realidade. Infelizmente o Novo Ano se transforma em Ano Novo e, nessa crença quase gnóstica de um tempo zerado, o homem sequer consegue confrontar-se com si mesmo. Sustenta-se, contudo, na vã confiança de que os tempos que se iniciam carregam o vigor do renascimento. Não! Se algo deveria ser comemorado não seria o tempo, mas sim o homem, entretanto este não precisa dos limites do calendário para refletir sobre o sentido da existência.

domingo, 18 de dezembro de 2011

O nosso lado humano e o yorkshire


A morte do pequeno yorkshire foi tema de muitas publicações no facebook. O que me causou interesse foram as posições radicais e opostas. Infelizmente parece que o equilíbrio está cada vez mais distante da estrutura mesma do homem. Entretanto, vale destacar que o equilíbrio como aqui coloco não é um simples remendo diplomático entre pareceres opostos, mas sim reflexo da constatação serena da realidade.

Muitos transformaram a morte do yorkshire num crime comparável apenas às grandes barbaridades realizadas pelos homens. Claro que aqui partimos dos pressupostos eco-chatos e, ao mesmo tempo, do radical rompimento com as mais fundamentais noções de natureza. Contudo, os que se colocaram do outro lado, isto é, pasmos com os clamores desesperados, pareciam que no protesto contra tão grande perplexidade transformavam a gravidade do acontecimento em uma simples história do cotidiano.

O interessante em ambos os lados é a banalização e a perda da consciência do homem em relação à realidade. Obviamente existe um abismo moral instransponível, por exemplo, entre o aborto e o assassinato de cães, contudo, o segundo é sim um ato assustador ainda mais quando conseqüência dessa cultura de morte onde o ódio e a violência tornam-se banais e ordinários, a tal ponto de, num “mau dia”, um pequeno cachorrinho ser bizarramente espancado.

Sejamos equilibrados, simplesmente! Que a morte de um yorkshire não se transforme em crime contra a humanidade, mas que também não seja vista como um mero evento da vida da gente. O que é infeliz é saber como a violência vem tornando-se gratuita e corriqueira e como, por outro lado, o homem moderno se encontra tão anestesiado pela morte da humanidade que apenas um cachorro consegue despertar o seu lado...humano.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A experiência de Deus em Edith Stein


Por Diego dos Anjos

Seminarista estudante de filosofia no Mater Ecclesiae

A jovem estudante Srta. Stein, que buscava sinceramente a verdade na filosofia, fez dessa sinceridade o diferencial nas suas discussões nos mais diversos campos, entre eles, a dignidade da mulher, “a estrutura da pessoa humana”, o sentido religioso do homem e a contemplação mística, e é desse último um dos que mais tratou uma vez convertida ao cristianismo.

Católica, e mais tarde carmelita, Edith preocupou-se em disseminar nos escritos filosóficos a experiência com Deus, utilizando de sua bagagem husserliana-fenomenológica, tomista e também carmelita – baseada nos doutores da Igreja São João da Cruz e Teresa D’Ávila.

Para ela, essa experiência não se trata de nada parecido às experiências com as quais o homem está acostumado. Trata-se de algo que se dá acima da inteligência humana, algo puro, delicado e espiritual: trata-se de uma “contemplação mística”.

O caminho para essa contemplação é traçado por ela no exemplo do Amado cumpridor da vontade do Pai: o Abandono. Nele, o homem cede ao uso pretensioso da razão para “entrar nas trevas da fé”, onde o conhecimento humano já não será o mesmo, mas será obscuro, ainda que certo, já que quem vive a experiência tem certeza a respeito dela.

A partir disso se dará a definição que a filósofa carmelita dá à “contemplação mística” como “sabedoria secreta de Deus, conhecimento obscuro e geral”; “obscuro porque oposto às atividades naturais do entendimento e geral porque nesse conhecimento não há mais lugar para distinções e particularidades”.

Quem possibilita essa experiência, segundo Stein, não é uma escalada arrogante da razão, mas sim Deus, que age diretamente tocando a alma humana. Uma fez vivida essa experiência, o homem entra nessa absoluta escuridão da fé. Nesse momento, porém, o homem faz uso da razão para conhecer a fé, mas não abarcá-la, reconhecer-la como mistério e reconhecer também os “lampejos da escuridão” – metáfora de Pseudo-Dionísio usada por Stein – no qual Deus tem experiência com o homem e vice-e-versa, sem, porém, iluminar a totalidade da escuridão.

Portanto, a contemplação mística que caracteriza a experiência de Deus para Edith Stein, longe de se tratar de experiências pietistas tomadas de movimentos extraordinários nos quais a razão é menosprezada, é um estado no qual todo o crente se encontra, fazendo uso da razão sem tirar da fé a soberania de caminhar nas trevas. Trata-se da metáfora citada em que, ainda que haja lampejos de luz, a escuridão do abandono é maior.

A credibilidade que uma doutora em filosofia pela Universidade de Göttingen dá ao falar da experiência de Deus é grande e digna de ser seguida porque é dupla: fala do sentido religioso ao qual todo o homem tende naturalmente e trata dele exprimindo racionalmente sua experiência e apontando a razão como sensível à fé, ainda que tendo que reconhecer-se limitada diante de sua meta.

REFERÊNCIAS:

FILHO, J.S.. O toque do inefável: Apontamentos sobre a experiência de Deus em Edith Stein. Bauru, SP: EDUSC, 2000.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Encontro com Annette Kirk

Edson Carlos de Oliveira 
Na noite de ontem, tive a honra de conhecer pessoalmente a Sra. Annette Kirk (foto ao lado), viúva do filósofo Russell Kirk (1918-1994) e presidente daRussell Kirk Center for Cultural Renewal.

Estando em São Paulo para o lançamento, pela editora É Realizações, de quatro livros de autoria de seu falecido esposo - um dos maître à penser do conservadorismo americano -, Annette Kirk visitou a sede do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira (IPCO) acompanhada de sua filha e do pesquisador Alex Catharino.

A pequena comitiva americana foi recebida pelo príncipe Dom Bertrand, Dr. Adolpho Lindenber, presidente do IPCO, Mário Navarro da Costa, dirigente do Bureau-TFP de Washington, Daniel Martins, coordenador de campanhas do IPCO e por mim.

Daniel Martins apresentou a Sra. Annette Kirk os trabalhos que o Instituto desenvolve com as caravanas de jovens que percorrem o Brasil em defesa da família. Em contato frente a frente com o público, os jovens sacrificam suas férias escolares de início e meio de ano para combater ideologicamente o aborto, "casamento" homossexual, invasões de terras, PNDH-3, etc.

Através da Sra. Kirk, fiquei sabendo de um xará. Quando me apresentei como "Edson Oliveira, ela me disse em seguida: "It's the same name of the publisher!". Só então soube que o editor da É Realizações chama-se Edson Manoel de Oliveira Filho e que este deveria ter-se apresentado a ela também como "Edson Oliveira".

E por incrível que pareça, a sede da É Realizações fica apenas a algumas quadras de onde resido. Que coisa, precisou a Sra. Kirk vir ao Brasil para eu ficar sabendo disso. O mundo gira mesmo.