As revoltas estão pululando pelo Brasil. Em todas as regiões grupos de jovens se reúnem para protestar contra o transporte público. As marchas, teoricamente pacíficas, deixam rastros de vandalismo e, para agravar, também são recebidas com violência pela PM despreparada. O movimento pode se fortalecer com o tempo, inclusive conquistando o apoio de grupos não-politizados. A verdade é que nunca vi tanta gente boazinha reunida numa mesma causa.
O motivo principal pelo qual me oponho a estes protestos é que não têm como verdadeira motivação a mudança do Brasil. Bem, na verdade falar em "mudança do Brasil" já é um amostra da generalidade que permeia o discurso retórico e utópico dos jovens que lá estão. Os protestos começaram com uma clara conotação ideológica, orquestrado pelo PSTU, PSOL, PCdoB et caterva. Agora, inflado com uma quantidade generosa de idiotas úteis, a revolta cresce e torna-se "apartidária", certo? Os partidos de esquerdas continuam gerenciando toda a movimentação e cabe a eles, inclusive, as negociações com o governo. Se ilude quem acha que tudo não passa de uma explosão de anseio popular. A cartilha ideológica está sendo o norte de todo o gerenciamento das ações.
Amanhã mesmo os líderes em SP irão se encontrar com o governo estadual. Quem serão tais responsáveis? Seu Zé e Dna. Joana? Não! Estudantes ligados às bandeiras socialistas, mentores ideológicos das incursões pela cidade e discípulos de uma elite intelectual de esquerda que fomenta a "revolução" no alto dos seus delírios em Higienópolis. Além desta claríssima conotação política, que não há como ser negada, estas revoltas se destacam pelo seu caráter rarefeito, escorregadio. Iniciada como protesto pelo aumento das tarifas de ônibus, agora já se impulsionam com palavras de ordem bastantes amplas, como "pela saúde", "pela educação", "pelo social". Tamanho cabedal de reivindicações faz com que se atinja um número tão extenso de revoltosos que não se sabe ao certo o porque de ali estar. O fato é que estes protestos já nasceram profundamente marcados pelo imaginário de esquerda. Reclama-se do estado ao mesmo tempo em que se reivindica maior intervenção do estado na economia e na sociedade.
Entretanto, assumo, o que mais me incomoda é outra coisa, é aquela idéia, típica da esquerda, de que toda a carga de bondade se encarna em suas fileiras. Naquelas revoltas estão os brasileiros que se importam com o "social", com a "mudança do país", enquanto o resto, bem, o resto é resto, ainda que seja maioria. É a típica ditadura dos bons, dos verdadeiros engajados na transformação, daqueles que ainda não sendo povo querem ensinar ao povo a sê-lo. Ainda tenho total estranheza com movimentos de massa. Acho que numa confusão de pessoas marchando a probabilidade de isto seja apenas uma expressão passional de ideais desordenadas é altíssima. A marcha é antireflexiva, é puramente politizada - não política - no sentindo de que se encontra incapaz de reconhecer, de modo profundo, as raízes das suas ações. Se defende um ideário de sociedade totalmente difuso, respaldado em bons sentimentos, mas deformado pela prática política.
É, provavelmente sou ruim demais, mas não consigo acreditar em movimentos com tantas pessoas boas, justas e bem intencionadas reunidas num só lugar.

