terça-feira, 5 de abril de 2011
“Deus abençoe os húngaros!”
Segundo o site alemão Kath.net (30/3/2011), a apresentação do projeto de reforma constitucional deixou a oposição esquerdista preocupada – o que em geral é bom sinal -, pois o novo texto dará proteção à vida desde sua concepção e definirá o matrimônio como uma instituição composta entre um homem e uma mulher.
As intenções do governo húngaro não agradaram também a União Europeia, cuja agenda laicista e imoral visa impor o oposto em todos os países integrantes.
“Somos orgulhosos pelo fato de nosso rei Santo Estevão ter criado o Estado húngaro e colocado nossa pátria como parte da Europa Cristã”, lê-se na redação do preâmbulo.
Além de professar diversas vezes sua adesão à Cristandade, a Constituição se refere à “Santa Coroa” (foto acima), que pertenceu a Santo Estevão e com a qual cerca de outros 55 reis foram coroados, como símbolo da nacionalidade.
Com uma maioria de dois terços no Parlamento, o governo pretende implementar a nova constituição a partir da próxima Páscoa.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Nova e verdadeira oposição?
O Brasil, muito diferente de outras nações, não tem um forte setor político definido como conservador e/ou liberal. Ainda que a esquerda aponte partidos PSDB, DEM como baluartes da direita, é fato que não há nenhum posicionamento oficial em sintonia com o "direitismo" por parte da cúpula das siglas, no máximo algumas facções internas. Entretanto, essas eleições talvez tenham despertado a oposição para uma realidade muito factual. A falta do discurso conservador e/ou liberal e a semelhança entre a perspectiva política do Partido dos Trabalhadores e do PSDB no tocante às medidas econômicas, sociais e públicas, tiram qualquer crédito por parte dos tucanos em sua incursão contra a febre petista do país. Justamente quando os discursos se distanciaram e se opuseram, como, por exemplo, na discussão sobre o aborto, José Serra viu a sua candidatura tomar um novo fôlego e uma nova esperança.
Ainda que Dilma Roussef, a nossa nova Presidente, tenha sido eleita, essa campanha serviu para despertar as lideranças partidárias de que a concepção socializante e estatista de FHC e companhia em nada difere dos instrumentos utilizados pelo próprio PT, portanto desfavorece qualquer proposta tucana. No discurso conservador, na defesa das privatizações, na valorização da vida, exemplificando, a oposição mostra a sua diferença em relação aos petistas e se aproxima da própria visão de mundo que é compartida por grande parte da população brasileira. Não obstante, a paixão ideológica impede a percepção do real. Para que o PSDB, DEM e PP adotem a bandeira conservadora é necessário o surgimento de lideranças internas que encarnem os valores da nova oposição. Ainda que já existam nomes como Kátia Abreu, no DEM, Geraldo Alckmin, no PSDB, e o PP gaúcho, romper com a mentalidade ideológica e a ânsia estatista é difícil, entretanto, confiamos que a radicalização do governo petista e a crescente reação dos setores atacados, como imprensa e Igreja, obrigarão numa reavaliação das estratégias políticas.quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Um Bispo incomoda muita gente, dois Bispos incomodam muito mais...
O brasileiro tem total liberdade para exercer a cidadania na forma que mais convém, entretanto, essas eleições têm mostrado o maniqueísmo caricatural da política nacional e se faz necessária uma breve reflexão. As polêmicas acerca do aborto e das posições religiosas da Sra. Dilma foram formadas no âmago da Igreja, preocupada, isto sim, com a crescente ascensão do espírito da cultura de morte no nosso país. Essa observação é crucial para o correto entendimento de todo o cenário. Entretanto, é fato que o forte discurso ideológico, polarizado das eleições quer acusar a Igreja de ser um simples instrumento de manipulação que, no caso, estaria ligado às lideranças tucanas.
Por muitas décadas a Igreja Católica no Brasil esteve amordaçada pelas alas progressistas da Teologia da Libertação que, numa perspectiva totalmente horizontal da fé, embebida na concepção materialista do marxismo, boicotavam qualquer ação que não fosse as diretrizes “sociais”. Infelizmente, a comprovação da ineficiência de tal modelo é perceptível na incapacidade dessa visão de movimentar a juventude rumo à vocação religiosa. Com a inversão das prioridades da fé e a adesão a uma ótica extremamente distante da experiência pessoal e interior com Cristo obstrui-se a via do sagrado.
A preocupação da Igreja é no tocante à ascensão da cultura de morte claramente presente nos programas do PT. A omissão também configura uma ofensa grave, portanto os católicos têm a obrigação de anunciar os ensinamentos do Evangelho, ainda que seja motivo de revolta e contenda. Ademais, a leitura de que exista alguma relação partidária da ação clerical é muito impertinente e temerária. Durante anos Bispos defenderam o Partido dos Trabalhadores e respaldaram as ações intransigentes de células esquerdistas. Agora que o progressismo "libertador" vive o seu crepúsculo querem taxar de “politicagem” a movimentação da Igreja em defesa não do partido A ou B, mas da vida e da moralidade. Muito irônico! A Igreja, como Mãe e Mestra, tem o dever de se levantar quando a verdade é alvo de ataques pelos arautos da cultura de morte. Vale frisar que "cultura de morte" é um termo cunhado por S.S João Paulo II – muito citado, mas pouco seguido - representando todos os anti-valores da modernidade encarnados no aborto, eutanásia, "casamento" homossexual etc. Sem dúvida alguma o aborto é o tema fundamental, pois a sua defesa representa uma deformação em toda a consciência e quem o defende já coloca a premissa que sanciona, indiretamente, todas as aberrações morais.
Não podemos incidir numa visão maniqueísta da política. Serra não representa o bem e nem Dilma o mal em si. Ademais, é leviano afirmar e acreditar que ao se posicionar contra as objetivas relações do PT com a cultura de morte a Igreja esteja aliando-se aos tucanos. Recomendar aos católicos a não votarem em partidos contra a vida faz parte da missão de educadora da Igreja. Se faz mister pontuar que tal posicionamento se baseia na realidade concreta e factual de que o PT legitima em seu programa oficial posições abertamente opostas aos princípios e valores cristãos. Resumidamente, a Igreja Católica, diferente de certas seitas protestantes, não declara apoio a políticos - ainda que outrora, não tão outrora assim, as alas libertadoras defendessem publicamente o PT sem qualquer receio e agora acusam, temerariamente, irmãos no episcopado de uma aliança com o PSDB - mas tem o dever de combater as ideologias que carregam um projeto na clara oposição aos valores e virtudes.
Enquanto os petistas pedem “Por um Brasil de mulheres e homens livres e iguais”, que inclui a “defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público", como definido pelo último Congresso do PT, a Igreja ensina que "§ 2270 A vida humana deve ser respeitada e protegida de maneira absoluta a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento de sua existência, o ser humano deve ver reconhecidos os seus direitos de pessoa, entre os quais o direito inviolável de todo ser inocente à vida." e que " "Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae" "pelo próprio fato de cometer o delito" e nas condições previstas pelo Direito. Com isso, a Igreja não quer restringir o campo da misericórdia. Manifesta, sim, a gravidade do crime cometido, o prejuízo irreparável causado ao 'inocente morto, a seus pais e a toda a sociedade."
Os católicos não negociam a vida! Como acreditar em políticos que ostentam bandeiras de programas sociais enquanto buscam sorrateiramente legitimar leis que autorizam o aborto? Quais os princípios que norteiam uma consciência tão relaxada? Quem luta pela vida luta em todas as esferas e em todos os campos, tendo apenas em vista a construção de uma sociedade onde o ser humano é respeitado desde a sua concepção até a morte natural. A vida no sertão da Bahia que o programa social “do PT” salva é a vida no útero da mãe que o mesmo PT quer assassinar. Ademais, por mais que a Sra. Dilma se esforce para não parecer aliada da cultura de morte – e de forma totalmente caricatural – o fato é que o seu partido não apenas se engaja nessa bandeira como nutre uma concepção totalmente totalitária no que se refere a tais temas. Além disso, o PT não criou a corrupção, de fato, mas vivendo plenamente as diretrizes definidas por Antonio Gramsci, utilizou-a como instrumento para a consolidação do seu projeto de poder, vide o mensalão. Vale frisar, outrossim, que em Dilma nada é original; seu discurso, sua defesa da “vida” e da “família”, nem sua aparência é original.
Acusam a Igreja de estar aliada ao PSDB, de que a gráfica na qual a Diocese de Garulhos encomendou os polêmicos panfletos seja de um tucano – ainda que o mesmo estabelecimento tenha imprimido material de campanha de candidatos petistas e de revistas de organizações trabalhistas pró-PT -, de que o posicionamento do Regional Sul 1 da CNBB foi intransigente – apenas os sindicatos podem fazer apologia à candidatura da Sra. Dilma, usando verba do Estado, sem qualquer crítica por parte dos petistas – e de que o nosso país é uma nação laica – todos podem se pronunciar; do MST até a CUT, menos a Igreja, por mais que a religião seja fator determinante em um dos sistemas que sustenta a sociedade; ético-moral-cultural – e por isso a moralidade deveria estar fora da agenda das eleições.
De fato, a Boa Nova sempre será motivo de escândalo! A Igreja não mudou seu posicionamento em 2000 anos e não mudará. É preferível morrer sendo taxado de alienado e discriminatório do que abdicar de uma vírgula dos ensinamentos do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo como anunciado pela Sua Esposa. Vivemos o que o Papa Bento XVI anunciou em sua visita à Inglaterra: "Em nosso tempo, o preço a ser pago pela fidelidade ao Evangelho pode não ser o enforcamento, afogamento ou esquartejamento, mas muitas vezes implica ser considerado irrelevante, ridículo ou ridicularizado. No entanto, a Igreja não pode se esquivar do dever de proclamar Cristo e o seu Evangelho como a verdade salvífica, fonte de nossa felicidade definitiva como indivíduos e base para uma sociedade justa e humana".
A caridade jamais deve tolher a verdade! O contrário, deformar a verdade tendo em vista a caridade, é contra-testemunhar a Misericórdia!
terça-feira, 20 de julho de 2010
A coerência dos incoerentes
Estamos em ano de eleição, um momento muito importante, quiçá crucial, para a definição do que será a sociedade brasileira nos próximos anos. Nós católicos temos não só o dever mas a obrigação de fundamentar o nosso voto na mais profunda consciência da fé que professamos. Não cabe a paixão ideológica ou o romantismo partidário entre aqueles que confessam a divindade de Nosso Senhor e que vivem na Igreja edificada por Ele.O Brasil conta com três candidatos com maior destaque ao Palácio da Alvorada– Serra, Dilma e Marina. A senadora do PV, ainda que seja protestante e pessoalmente contrário ao aborto, adota uma posição muito escorregadia e diplomática, pouco enfática diria. Este posicionamento é, de certa forma, natural, afinal se formou nas bases esquerdistas do PT, das CEBs etc, e tem na militância socialista a sua origem política.
O candidato tucano, José Serra, governador do estado de São Paulo, cresceu politicamente dentro de uma perspectiva socializante, nos ambientes acadêmicos e intelectuais da esquerda das décadas de 60 e 70. Atualmente, ainda que carregue certo ranço estatólatra e progressista – defesa da união homossexual, por exemplo -, procura adotar bandeiras mais próximas à desejada tanto pelos conservadores morais quanto pelos liberais econômicos. Declarou-se publicamente contrário ao aborto; "Eu não sou a favor do aborto. Não sou a favor de mexer na legislação. Agora, qualquer deputado pode fazer isso. Como governo, eu não vou tomar essa iniciativa", comparando a sua legalização a uma “carnificina”. Partidos como PSDB, DEM e PP são considerados baluartes da direita reacionária pelos esquerdistas e sua patrulha. Essas categóricas afirmações fundamentam-se ou nas origens históricas das siglas ou na polarização política entre tucanos e petistas. De fato, nenhuma dessas bandeiras se destacava pela coerência no discurso, na defesa de valores e paradigmas “direitistas”. Nessa eleição, ao que me parece, surge em certos ambientes dos três partidos um alvorecer conservador, com a candidatura de nomes firmes e convictos das posições adotadas.
Ademais, se faz mister pontuar que o Partido dos Trabalhadores, além de ter um claro projeto revolucionário e subversivo, com a participação no Foro de São Paulo e no financiamento de grupos socialistas por toda a América Latina, reconhece a importância da promulgação da permissividade imoral como forma de instaurar a desconstrução da ordem cultural. Em sintonia com a mentalidade socialista, o PT sempre se destacou na defesa do aborto. Em 1989, por exemplo, a Prefeita petista Luiza Erudina, na cidade de São Paulo, instalou no município o primeiro “serviço” de aborto financiado com dinheiro público do país. A liderança do partido nessa questão sempre foi “admirável”. Em 2002, dos oito projetos de lei que tramitavam no Congresso que objetivavam ou a legalização do aborto ou o favorecimento de sua prática, seis eram de autoria de petistas. Com a eleição de Luís Inácio Lula da Silva a ação dos adeptos da cultura de morte tomou maiores proporções; além da publicação de cartilhas abortistas pelo Ministério da Saúde, foi entregue, em 2005, pela secretária especial de Políticas para Mulheres, Nilcéa Freire, um anteprojeto que reivindicava a “total liberação” do aborto por ser este “um direito inalienável de toda mulher”, e que mais tarde virou projeto de lei.Outro dado interessante é o número dos deputados que assinaram o recurso pela deliberação da PL 1.135/91 (descriminalização do aborto) em 2008; 49,20% dos parlamentares eram do PT, enquanto os outros 50% estavam divididos entre doze partidos, sendo que o segundo lugar, o PCdoB, encontrava-se muito distante dos petistas com apenas 11,11%.
Já em 2006, no 13º Encontro Nacional, o Partido dos Trabalhadores outorgou as “Diretrizes para a Elaboração do Programa de Governo do Partido dos Trabalhadores” que incluía a “descriminalização do aborto e a criminalização da homofobia” (item 35). O Presidente Lula, então, acrescentou ao seu programa de governo a seguinte proposta; “criar mecanismos nos serviços de saúde que favoreçam a autonomia das mulheres sobre o seu corpo e sua sexualidade e contribuir na revisão da legislação” (Programa Setorial de Mulheres, p. 19). Com a eficaz ação dos deputados pró-vida e das ONGs contrárias à cultura de morte, o governo petista iniciou a repetição do mantra de que a legalização do aborto trata-se apenas de questão de saúde pública.
Ademais, no 3º Congresso do Partido dos Trabalhadores - instância máxima do PT -, em 2007, foi legitimada como parte integral do programa a seguinte definição; “defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público”. Interessante pontuar que esta resolução teve 70% de votos favoráveis. A minoria que se opunha, que alegava a liberdade de consciência, foi vaiada. Com razão a Dep. Fed. Iriny Lopes, do Espírito Santo, que juntamente com a ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, liderava a investida abortista, afirmou; "somos um partido socialista e laico”. Tão válida era esta definição que em 2008, no 10º Encontro Nacional das Mulheres do PT, foi aprovada a instalação da Comissão de Ética para investigar os parlamentares antiabortistas, tendo em vista a “orientação para expulsão daqueles que não acatarem e não respeitarem as resoluções partidárias relativas aos direitos e à autonomia das mulheres”. Os deputados Luís Bassuma, da Bahia, e Henrique Afonso, do Acre, foram punidos por infringirem “a ética-partidária ao ‘militarem’ contra resolução do 3º Congresso Nacional do PT a respeito da descriminalização do aborto.”
O PT e seus sequazes são militantes abortistas conscientes das consequências sociais do impacto de tamanha revolução. O Partido visa não a legitimação do direito das mulheres e todas aquelas falácias atuais, mas sim o rompimento com o padrão moral que considera reacionário e burguês. Assim, desfazendo as estruturas de dominação (sic) instala-se a perspectiva revolucionária que visa a total desconstrução da ordem cultural.
Quando um católico vota em Dilma Roussef ou até mesmo num candidato pró-vida filiado ao PT está compactuando diretamente com a cultura de morte. O Partido dos Trabalhadores carrega em sua essência um arraigado espírito na antípoda de qualquer princípio cristão. O processo contra o Dep. Bassuma é uma amostra da intransigência do Diretório Nacional quando se trata do não cumprimento das resoluções internas. De certa forma o PT é coerente com a sua bandeira ideológica! Incoerentes são os católicos defensores da vida que iludidos pelas falácias humanísticas e retóricas da esquerda votam numa sigla que busca a legitimação da morte.
A coerência com a ideologia está acima da coerência com a fé que professa?!
Forte pronunciamento do Dep. Bassuma explicando a sua situação no Partido dos Trabalhadores. Após ingressar com uma causa contra o PT no Supremo Tribunal Federal, com base no Artigo 5º, Inciso 8º, o deputado filiou-se ao Partido Verde e sairá candidato ao governo da Bahia.
sábado, 2 de janeiro de 2010
Em defesa das Forças Armadas
O Reinaldo Azevedo fez uma análise muito sensata e equilibrada da atual crise militar. Entretanto, gostaria de reforçar dois pontos desse lastimoso evento; a safadeza da esquerda e a inocência - ou seria algum complexo de culpa? - dos militares. Dilma, Martins e Vanucchi têm em comum o passado e o presente; ex-terroristas e membros da alta cúpula republicana. De fato, a esquerda continua fazendo o seu papel revolucionário, inclusive na massificação da criminalização prática do período do regime militar. Sinceramente, não entendo a inocência dos militares, negociar com a esquerda é como negociar com bandido; não segue os padrões morais mais básicos. Entretanto, a dita Comissão Nacional da Verdade - nessas horas adoram falar da "Verdade"- se formou já bem antes, desde o sucateamento e desmoralização das Forças Armadas. Quanto mais fracas e submissas as Forças Armadas forem mais fácil irão se colocar em estado de letargia em relação ao poderio do Executivo - leia-se PT. Dentro dessa perspectiva se encontra, obviamente, a supervalorização das ações terroristas, vistas então como democráticas e libertárias, e o repúdio a todo e qualquer bom fruto do regime militar - vejam que uma das propostas da dita Comissão é revogar todas as leis aprovadas entre 1964 e 1985.
Que o povo brasileiro, doutrinado pela cartilha do politicamente correto, tenha engolido esse papo, "tudo bem", mas até militares estão caindo na lábia da esquerda? Comandantes militares estão sofrendo do complexo de culpa forjado pelos ex-terroristas-hoje-ministros e por isso estão negociando e abrindo concessões aos petistas e socialistas?
As Forças Armadas precisam ser mais valorizadas, honradas e respeitadas por tudo o que fizeram e fazem pela nação!
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Dep. Bassuma, o Aborto e o PT
O Diretório Nacional do PT decidiu ontem, por unanimidade, suspender os deputados Luiz Bassuma (BA) e Henrique Afonso (AC), que se manifestam contra a legalização do aborto. Os integrantes do diretório entenderam que os deputados infringiram a ética partidária ao "militarem" contra resolução do 3º Congresso Nacional do PT, a favor da descriminalização do aborto. Bassuma teve seus direitos suspensos por 1 ano e Henrique Afonso por 90 dias.
A notícia é do jornal O Estado de S. Paulo, 18-09-2009.
O relatório da Comissão de Ética petista, segundo antecipou o Estado anteontem, recomendava punição mais severa a Bassuma, sob o argumento de que o parlamentar demonstrara intolerância em relação a quem se posiciona a favor do aborto. Já Afonso, pastor da Igreja Presbiteriana Brasileira, é visto pelos petistas como "mais equilibrado" na questão.
Na véspera da punição, Bassuma dizia que não aceitaria "punição intermediária". "O PT vai ter de escolher se me absolve ou se me expulsa. Eu sou reincidente e vou continuar reincidente", declarou o deputado, que é espírita, preside a Frente Parlamentar pela Defesa da Vida e apoiou a Terceira Marcha Nacional da Cidadania pela Vida, em Brasília, no mês passado, contra o aborto. "Eles dizem que sou radical. Mas não tem meia vida, meio aborto. Então, não aceito a meia punição."
Afonso também criticou o PT. "Num assunto como este, que está relacionado à vida, o PT não pode simplesmente determinar que se trata de uma questão fechada. O PT virou um grande partido justamente por dar espaço à pluralidade."
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Amigos e amigas Pró-Vida do Brasil,
Aconteceu hoje, dia 17 de setembro de 2009, a histórica reunião do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores cujo principal ponto da pauta foi o JULGAMENTO dos Deputados Federais Luiz Bassuma-PT/BA e Henrique Afonso-PT/AC em razão de suas posições públicas contra o aborto e a sua legalização.
A Comissão Nacional de Ética propôs punições deferenciadas para um para outro. No caso Bassuma a proposta da Comissão de Ética foi pela expulsão,
mas essa proposta não obteve os 38 votos necessários para ser aprovada. O que então foi acabou sendo aprovado foi a SUSPENSÃO POR UM ANO dos direitos
políticos partidários acrescido de uma emenda da deputada Cida Diogo do Rio de Janeiro também aprovada de que Bassuma e também Henrique Afonso terão que retirar de tramitação todas as proposições que tramitam na Câmara dos Deputados que tratam da questão da defesa da vida.
A punição para o deputado Henrique Afonso foi a SUSPENSÃO por 90 dias. Tanto para um como para outro a suspensão dos direitos políticos partidários inclui que não podem ser votados ou votar nas instâncias partidárias (bancada, diretórios, etc) e não poderão participar de nenhuma comissão na Câmara dos Deputados.
O clima da reunião era extremamente tenso e logo, no início, eu, Jaime Ferreira Lopes, fui literalmente expulso do recinto pelo Presidente do Partido, Deputado Federal Ricardo Berzoini, que, aos gritos, pedia que eu me retirasse do auditório. Motivo: eu estava portando uma filmadora portátil cuja autorização de uso me foi dada por quem cuidava do credenciamento da reunião. Para não tornar mais tenso ainda a reunião, me retirei, em silêncio do ambiente. Ao final do dia, protocolei, na secretaria da presidência, na sede nacional do Partido, uma carta dirigida ao Senhor Berzoini, em que manifesto minha indignação pela atitude destemperada e arrogante do Presidente Nacional do PT.
Minha análise é de que o PT hipocritamente não quis enfrentar a opinião pública expulsando o Deputado Federal Luiz Bassuma por uma única razão: as eleições de 2010. Mas o deputado Luiz Bassuma e Henrique Afonso deixaram claro, em suas intervenções, que não aceitam uma meia punição. Mas, mesmo assim o diretório decidiu por não expulsá-los por temor da repercussão política dessa decisão. E as decisões tomadas significam uma verdadeira AMORÇADA ao direito de pensamento dos dois deputados, além de imobilizá-los politicamente no exercício de seus mandatos.
Anexa, a carta que dirigi ao Presidente Nacional do PT.
Jaime Ferreira Lopes
Chefe de Gabinete do
Deputado Federal Luiz Bassuma-PT/BA
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Como falta essa atitude em católicos do PT que continuam em silêncio enquanto o partido defende a cultura de morte e levanta a bandeira do assassinato de crianças!
Continue firme e forte, Dep. Bassuma. Se ser um radical é defender a vida e ser coerente com aquilo que se acredita, que todos sejam radicais, que todos defendam seus posicionamentos com nexo, honestidade e total integridade!
Espero, realmente, que Dep. Bassuma seja expulso do PT - ao menos ele fica com o mandato. Um Partido que, oficialmente defende o aborto, não pode ter dentro das suas fileiras um honrado soldado da vida!! Que o Partido dos Trabalhadores, que faz valer a cor vermelha da sua bandeira - o vermelho do sangue das crianças mortas, oferecido ao deus dos totalitários -, continue com a sua DECRÉPITA bandeira! Que Bettos, Boffs, Gebaras, defensores do aborto - mesmo de forma implícita e mitigada - continuem dançando a música da Dona Morte...
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Ou seja, tudo "farinha do mesmo saco"
Em sua visita à Argentina, Lula da Silva disse ao jornal "La Nacion" que para o Brasil "será um privilégio" um pleito eleitoral cujos adversários sejam Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB), Ciro Gomes (PSB) ou mesmo Aécio Neves (PSDB).E a razão disso é que Lula não vê "nada de direita nesses candidatos. Vejo colegas de esquerda, de centro-esquerda e progressistas. Isso é um avanço extraordinário para o Brasil" (La Nación, 19-4-2009).
Isso me lembra - e corrobora - a frase de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ex-presidente do Brasil, em entrevista para o mesmo jornal durante a disputa eleitoral entre Lula e Alckmin: “O programa político em jogo é mais ou menos o mesmo. O que os brasileiros estão elegendo é um estilo de condução." (La Nación, 6-10-2006)
Ou seja, como se costuma dizer, tudo "farinha do mesmo saco". E ainda dizem que há democracia no Brasil.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Conflito na Palestina; Sangue, Fé e Ideologia
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Eu não sei se sou eu que ando me impressionando com facilidade, ou se é o mundo que não mais se impressiona com nada. Acho que é a segunda opção! É engraçado como em todas as marchas em protesto contra a ofensiva israelense a Gaza sempre encontramos, tremulando com força, bandeiras com a Foice e Martelo, a flor socialista, até mesmo a bandeira do movimento homossexual. Isso, desde já, atesta o fato de que essa causa, dita humanitária, já se inebriou com a passional ideologia. Ou seja, não há fidelidade para com a verdade, não há a mínima sintonia ou concordância. Vejamos!
Em países como o Irã, tradicionalmente islâmico – diferentemente de nações moderninhas como Jordânia e Turquia -, os grupos comunistas locais são perseguidos, não tem participação no cenário político nacional. A pouco tempo houve uma comemoração, na Universidade de Teerã, onde foi celebrado o 40º aniversário da morte de Che Guevara, além do "brinde" pelo aumento das relações entre o regime iraniano e o socialismo bolivariano de Chavez. O mais engraçado desse irônico festejo foi o discurso de Hajj Saeed Qassemi, coordenador da Associação dos Voluntários Mártires-Suicidas, que afirmou que Ernesto Guevara era um homem religioso, submerso no sublime amor de Deus. Os filhos do Carniceiro de La Cabaña, que estavam presentes, imediatamente se opuseram a essa, mentirosa, afirmação; “Ele nunca conheceu Deus”, protestou Aleida Guevara com razão, onde já se viu um revolucionário comunista teísta? Resultado? Rapidamente foram deixados de lado pela organização do encontro, saindo do estrelato para o total anonimato em pleno evento dedicado ao seu pai.
Até mesmo nas nações islâmicas modernas, para não dizer modernistas, como a Turquia, os grupos esquerdistas locais sofrem com entraves, não gozam de uma total autonomia política. Inclusive Atatürk, o fundador da República Turca, aquele que proibiu os trajes típicos e perseguiu as mulheres que usavam véu, o responsável pela mudança do alfabeto de caracteres árabes para latinos, o promotor da aproximação da Turquia com a política e cultura européia, até mesmo ele passou a rechaçar os comunistas depois do florescimento da progressista nação turca.
A amistosa relação entre o esquerdismo e a causa Palestina, no Ocidente, nasce de uma identificação de Israel com os EUA e com o capitalismo, além do mais, com muita força, o desenvolvimento do conflito na região criou um cenário muito propício para análises desde socialistas panfletárias até marxistas mais puras. De todo o modo essa aliança não se fundamenta apenas numa experiência ocidental. Muitos palestinos, líderes das causas nacionais, eram comunistas e lançavam mão de um discurso dialético para identificar em Israel a personificação não só da opressão religiosa e cultural, mas também econômica e política. O Fatah, a maior facção da OLP, sempre nutriu características seculares, nacionalistas e centro-esquerdistas; é membro consultor da Internacional Socialista. Gozou de amplo apoio das frentes comunistas, recebendo armas e treinamento da URSS e dos países do Leste europeu. Ademais, vale frisar, dentro da Organização pela Libertação da Palestina, que tem o Fatah como maior denominação, se encontram diversos grupos de clara formação marxista e socialista, inclusive alguns com um histórico de terrorismo; Frente Popular pela Libertação da Palestina (segunda maior facção da OLP) – assassinou o Ministro do Turismo de Israel, em 2001, além de reivindicar três atentados -, Frente Democrática para a Libertação da Palestina (terceira maior facção da OLP) – responsável pelo Massacre de Ma'alot onde crianças e professores secundaristas foram seqüestrados e assassinados -, Partido do Povo Palestino – antigo Partido Comunista Palestino, comparsa da URSS no financiamento armado de militantes na região -, União Democrática Palestina, Frente de Luta Popular Palestina, Frente de Libertação da Palestina – responsável pelo ataque ao cruzeiro Achille Lauro e as praias israelenses de Nitzanim e Eliat. Além dessas ainda existem facções que faziam parte da OLP e que, como as outras sobreditas, partem dos mesmos princípios; Frente Popular pela Libertação da Palestina-Comando Geral – responsável por ataques suicidas contra civis e militares, ainda coopera com o Hezbollah em ataques a Israel, no sul do Líbano -, Frente Revolucionária Popular pela Libertação da Palestina – formada pela ala mais esquerdista da Frente Popular pela Libertação da Palestina. Hoje é insignificante.
O mais perigoso é que esse ethos socializante, com uma tradicional presença em certos núcleos judaicos liberais – os judeus ateus foram peças fundamentais na revolução bolchevique -, atinge de forma direta a identidade do Estado de Israel. Se Karl Marx concebia o Estado como reflexo da sociedade civil, ou seja, da contradição de classes, sendo um poder opressor da classe dominante, o Estado de Israel vai além, ele é a identificação imediata de um povo, ao menos surgiu com esse destacado objetivo; era o representante dos israelitas fugidos da Europa pós-guerra, a esmagadora maioria formada por judeus errantes, sem propriedade e espoliados pelos nazistas, não haviam, a priori, interesses de classe – por isso muitos judeus marxistas eram sionistas. O Estado de Israel surgiu, assim, com uma clara função paternalista, para não dizer salvífica; a esperança de liberdade para os judeus de todo o mundo.
Judeus embriagados com o discurso esquerdista, ao difundir essa argumentação, colocam em questão a existência do Estado de Israel porque, até então, sua nação esteve atrelada aos interesses do povo judaico. Desse modo, separado do seu objetivo basilar, com a deformação do sentido histórico da nação israelense, se possibilita uma nova leitura; Israel seria apenas mais um Estado onde os interesses da burguesia, classe economicamente privilegiada, reinam de forma absoluta. Ou seja, dentro de uma ótica marxista, se instaura uma hermenêutica dialética; a burguesia, representada nos judeus israelenses, e o proletariado, com a função revolucionária, na figura do palestino oprimido. Vamos além, essa interpretação se encaixa como uma luva dentro da análise histórica marxista, não necessariamente ortodoxa. A existência do Estado de Israel estimulou o crescimento dos meios de produção, o aprimoramento das forças produtivas – É só ver os índices de crescimento de Israel, além do mais, a Terra Santa se tornou um pólo de diversas indústrias, como a de informática e de tecnologia -, os conflitos e as guerras travadas acentuaram as contradições; a riqueza e progresso de um lado, a miséria e pobreza do outro. Os palestinos estavam privados de tudo; terra, bens, identidade, nacionalidade, estavam e estão alienados. Desse modo, se pensando como etnia explorada, se organizando enquanto tal, se pensa com vontade revolucionária, assim, por um processo dialético, os que estavam privados de tudo, de tudo poderão se apropriar; Israel e sua riqueza. Nessa inversão, a classe despojada de toda a humanidade particular, destruída pela alienação, carrega a missão de, através da revolução, resgatar a humanidade da humanidade, perdida às custas do progresso do capitalismo. Claro que Marx identificava o proletariado como apátridas, cidadãos do mundo, e aqui falamos de uma causa étnica, nacional. Para tanto, dentro de uma ótica heterodoxa, seguindo uma linha marxiana, é possível fazer essa leitura do conflito Israel-Palestino.
Entretanto, é importante lembrar, a ofensiva israelense contra Gaza se fundamenta nos contínuos ataques do Hamas contra as cidades do sul do país, mesmo durante o período de trégua. Nada justifica a morte de civis, palestinos e israelenses, mas devemos constatar que a incursão israelense é legítima e justa. O Estado de Israel tem o direito de existir, assim como os palestinos tem o direito de construir uma nação sólida e institucionalmente estruturada. A Palestina é uma realidade histórica, mesmo que certos pró-Israel insistam em sustentar uma argumentação falaciosa pautada em critérios políticos e econômicos – quando na verdade deve-se usar bases antropológicas -, como se a falta de uma moeda ou capital palestina, no período anterior a criação da Israel – um Estado, de fato, artificial -, atestasse a inexistência de identidade entre os Philistines.
Os palestinos estão sufocados no próprio sangue; em Gaza são governados pelo Hamas, uma organização que conseguiu desbancar a supremacia da OLP, com suas diversas facções internas, tomando a frente num espaço que era controlado por denominações politicamente ativas e ideologicamente formadas. Os grupos terroristas islâmicos ficavam a margem, servindo apenas para incitar o terror psicológico. Já o Fatah, que governa a Cisjordânia, experiente no cenário diplomático e político, se vê enfraquecido com a ascensão do Hamas, sem sustentação na população palestina, apenas servindo como um braço mais capacitado para negociações e acordos. Ademais, ambas as regiões se encontram isoladas e esquecidas; o bloqueio de segurança israelense, ao mesmo tempo que impede o acesso de armas e explosivos, assim como a entrada de palestinos em Israel (essas políticas, de fato, diminuíram radicalmente os atentados no país), impossibilita a entrada de alimentos, medicamentos, nas regiões. Alem disso, tanto a Cisjordânia quanto a Faixa de Gaza, sofrem com a falta de um Estado organizado, o que prejudica mortalmente o desenvolvimento do serviço público; é a barbárie instaurada, não há ordem. Entretanto, o que diferencia as ofensivas israelenses e os ataques do Hamas é que no primeiro caso existe o sincero interesse de minar a organização terrorista e suas bases, enquanto que os foguetes palestinos se dirigem propositalmente aos centros urbanos, alvos civis.
Israel, quer queira quer não, tem um nome a zelar se quiser o respeito internacional, ainda mais quando percebe a expansão do espírito pró-palestino.
Israel precisa se justificar perante todos os países da ONU, o Hamas não...
domingo, 7 de dezembro de 2008
A Festa na Sefaz
De forma sucinta, o Secretário Estadual da Fazenda, Carlos Martins, aquele que foi tesoureiro da campanha de Wagner, defende uma proposta que desconstrói a função de Auditor Fiscal, dando poderes e incumbências próprias para os Agentes de Tributos de nível médio. Dessa forma esse projeto se coloca em total oposição àquilo que foi recomendado formalmente pelo Ministério Público Estadual.
Os Auditores Fiscais se uniram em defesa dos seus cargos e funções. Não é para menos. Estamos quase vivendo um conto de fadas. Aqui na Bahia 1.224 pessoas vão dormir Agentes de Tributos ou Auxiliares de Fiscalização de Auditores Fiscais e vão acordar Auditores Fiscais. Na verdade não vão se tornar Auditores Fiscais essencialmente, já que não passaram pelo único método legal e lícito de aprovação; o concurso, entretanto, de fato, em terras petistas o poder do Estado e a necessidade basilar de absolutizar um projeto ideológico de governo se colocam a frente de leis, normas, éditos, funções.
A tentativa do PT de partidarizar a Sefaz é clara. Na verdade esse projeto do governo Wagner não é nada assustador para aqueles que já conhecem os métodos do atual Partidão. A invasão das estruturais estatais, a partidarização do serviço público, a criação de um exército de devedores ao PT, entre outras estratégias, massificam um projeto ideológico, possibilitam uma soberania política. Quem precisa da maioria na Assembléia, por exemplo, se justamente os órgãos, secretarias, os braços do Estado estão tomados por agentes petistas?
Com esse projeto sorrateiro o PT instaurou um clima de tensão na Sefaz. Onde antes havia eficiência, rapidez, serviço de qualidade, hoje reina a discussão política, picuinha partidária, divisão, retrocesso. Uma Divisão de Classes? Não, uma "Divisão de Cargos", entretanto, pelo jeito, o PT, relembrando seu passado escancaradamente socialista, ainda sabe a eficiência da ideologização e disseminação da "paixão panfletária". Se a Divisão de Classes era associada à divisão do trabalho, com a burguesia representando seus interesses no modo de produção por ela criado, hoje já se ouve nas ruas o discurso de que os Auditores Fiscais são ricos-esbanjadores-egoístas que querem impedir o acesso dos Agentes de Tributos a melhores cargos e salários. Esse embate não é um choque de classes, não se trata de um problema social, mas, para o PT, é interessante estimular o fogo politiqueiro já que desse modo inflama as massas por ele controladas; os bons e velhos “idiotas úteis”. Não por menos (ironia do destino?) o sindicato dos Agentes de Tributos é coordenado pelo PC do B, aliado do PT na eleição de Wagner.
Que eles estudem, façam concurso e ganhem um salário proporcional ao esforço que tiveram. Entretanto, como estamos falando de um governo petista, nada melhor do que coroá-los com prerrogativas, sem motivo algum, com uma simples alteração de lei.
Mostre sua indignação:
http://www.lutepeloseudireito.com.br/
Pedro Ravazzano
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Como a Fundação Ford criou os estudos da mulher
Como a Fundação Ford criou os estudos da mulher
por Kimberly Schuld em 08 de fevereiro de 2006
[Artigo originalmente publicado no FrontPage Magazine]
Susan M. Hartmann, professora de estudos da mulher e autora feminista, considera a FF como sendo uma força substancial que criou o movimento feminista. Na verdade, o apoio da FF a estudos da mulher e causas feministas é tão extenso que não pode ser resumido em um artigo dessa extensão. É seguro dizer que, sem a FF, o feminismo não teria tido sucesso em ganhar um apoio tão grande nas universidades e, por extensão, na política.
A FF não apenas apóia a esquerda e derrama dinheiro para os seus seguidores. Ela tem se engajado ativamente desde os anos de 1960 em criar inteiramente novas áreas de pesquisa e ativismo político. Quando perguntada como ela media o sucesso dos apoios, a presidente da FF, Susan Berresford, respondeu que há três medidas utilizadas por ela e “a principal é quando a FF auxilia pessoas a construir um campo inteiro do conhecimento – demografia no passado, estudos da mulher mais recentemente”.
Em 1971, um grupo de feministas abordou o então presidente da FF, McGeorge Bundy, pedindo que ele se envolvesse no movimento feminista da mesma maneira que havia se comprometido no movimento de direitos civis, de modo totalmente fictício. O resultado dessas discussões foi um projeto completo para financiar um pequeno número de organizações de advocacia para mulher, e também para criar um campo inteiramente novo dentro da academia conhecido com “Estudos da Mulher”. Em 1972, a FF anunciou o primeiro $1 milhão em um programa para “dissertação de pesquisa sobre o papel da mulher na sociedade e estudos da mulher em sentido amplo”. Um artigo de Heather MacDonald noticiou que esses programas receberam $36 milhões entre 1972-1992 da FF e de outras.
Nos anos de 1980, sob a direção do presidente Franklin Thomas, o foco de gênero foi colocado em todos os apoios e os analistas dos programas foram instruídos a examinar cada uma das propostas a partir de sua componente de gênero. Isso guiou o financiamento de estudos da mulher e outros empreendimentos feministas, partindo de uma categoria de apoio específica da mulher, para todas outras categorias de auxílio. Em 1985, a FF estabeleceu o Women’s Program Forum, um consórcio de doadores e executivos da FF com a tarefa de acompanhar de perto as decisões feitas mundialmente em benefício dos assuntos da mulher.
A criação da Campus Diversity Initiative em 1990 colocou a FF na direção da mudança curricular. Os financiamentos dados a essa categoria são direcionados a programas e departamentos sexualmente específicos em adição a outros grupos identificados como vítimas. Obviamente, “sexualmente específico” realmente significa estudos da mulher – nenhum executivo da FF jamais consideraria que estudantes homens brancos necessitem de algo além de “treinamento da sensibilidade”. A FF busca ativamente transformar os currículos para impor a ideologia feminista sobre todas as áreas de estudo, incluindo as hard sciences. Não somente a FF criou os estudos Afro-Americanos (inicialmente Black studies) e estudos da mulher, mas também liderou um movimento seguido por todas as fundações denominado “transformação curricular”. Este movimento busca injetar raça, gênero e consciência sexual em toda disciplina acadêmica e departamento. Ele deu origem a cursos que, por exemplo, estudaram a misoginia na Nona Sinfonia de Beethoven e os modos femininos de analisar o metabolismo celular. O conceito é de que toda disciplina, toda função administrativa e toda pedagogia foi projetada por um patriarcado opressivo e deve ser reformada.
É complicado o rastreamento dos financiamentos de estudos da mulher porque os cheques são direcionados às universidades e não aos programas individuais. A FF é a maior doadora da National Women’s Studies Association sediada na Universidade de Maryland; A Universidade de Rutgers é donatária freqüente do dinheiro da FF para estudos da mulher; O Smith College recebeu $259.000 em 2003 para preservação do arquivo dos trabalhos reunidos de Gloria Steinem e para um projeto de história oral sobre feminismo e posterior desenvolvimento de uma coleção sobre o assunto; Outras favoritas em estudos da mulher de 2003 foram a Universidade do Arizona, de Michigan, de Wisconsin em Madison, de Minnesota, Wellesley, Radcliffe (que possui três centros de estudos da mulher) e Harvard. Mais recentemente, a FF foi instrumental em estabelecer um programa desse tipo em universidades historicamente negras, Spelman e Edgar Mevers guiando o caminho. Combinar estudos da mulher com estudos étnicos é uma tentativa de solidificar sua posição no âmbito da diversidade. Em 1995, a FF doou $250.000 à Universidade de Maryland para um seminário de três anos abordando “Os significados e representações da mulher negra e o trabalho” que foi co-guiado pelo diretor do programa de estudos da mulher e diretor do programa de estudos Afro-Americanos.
Por que se preocupar?
“Chiliques e terapia coletiva são mais a regra do que exceção no feminismo acadêmico. No ano passado, em um encontro de diretores dos programas de estudos da mulher, todos se deram as mãos para formar um ‘círculo de cura’. Eles também assumem a pose de árvores experimentando enraizamento e tranqüilidade. Testemunhos de vítimas e rituais de cura New Age rotineiramente tumultuam as leituras de artigos acadêmicos nas conferências da NWSA. De aproximadamente 100 workshops e palestras nos encontros em Austin, contei não mais de 16 que podem muito generosamente serem chamados de eruditos”.
Cursos de estudos da mulher são projetados para compelir estudantes a adquirir novas revelações e colocá-las a serviço da política. Daphne Patai, outrora professora de assuntos da mulher, enfatizou a evidência convincente de que a batalha para retomar nossas universidades deve ser empenhada e vencida. Ela escreve em seu livro Heterophobia:
“minhas próprias observações de estudantes em aulas de estudos da mulher levaram-me a acreditar que anos de exposição às táticas de amedrontamento promovidas pelas feministas tiveram sucesso em imbuir muitas mulheres jovens do pressentimento de estar sob constante ameaça de homens predadores”.
A FF tem assim triturado não somente a Academia, mas vidas de mulheres jovens vítimas da esperteza de professoras feministas. Por causa de seus recursos imensos, não podemos contar com sua reforma ou mudanças nas direções políticas em resposta à opinião pública americana. O foco de luz deve ser apontado para ela de modo que todos os contribuintes que financiam as universidades públicas e pais que pagam instrução possam tomar decisões informados sobre a cultura a que eles querem que seus estudantes se submetam. O capitalismo que erigiu a fortuna da Ford e agora é tão desprezado por ela deveria ser utilizado para afastá-la de nossas escolas.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Obama; Yes, We (Americans) Can!
Alguém por aqui não está enebriado com a obamania? Eu estou impressionado como as pessoas no mundo andam se iludindo, acreditando que Obama será um novo messias, um grande líder mundial, o homem que irá resgatar a paz e a esperança! Gente, acorda! Obama foi eleito Presidente dos Estados Unidos, ele irá governar para os Estados Unidos, ele irá priorizar os Estados Unidos. E se preparem, os democratas são protecionistas e interventores. Obama irá burocratizar a entrada de produtos estrangeiros nos EUA, em defesa do emprego do trabalhador americano e da economia nacional, irá revolucionar o sistema educacional, endossando a doutrinação, além de adotar políticas severamente distributivistas que irão alavancar os gastos do Estado, o que refletirá no aumento dos tributos, continuará a fortalecer os subsídios que tanto incomodam o Brasil, dará uma banana a OMC e as ações contra seu país devido aos programas que favorecem o produtor americano, destruindo a competição internacional e, diferentemente do que falam, poderá fortalecer a presença militar americana na Ásia e na África. Outra coisa interessante é que os EUA, vistos por muitos como o antro do arqueologismo, antiquarismo, retrocesso etc, elegeu um presidente negro. Vale frisar que quase 90% da população preta e 70% da latina votaram em Obama, enquanto apenas 50% dos brancos votaram em McCain, ou seja, quem de fato valoriza a raça? Quem acha que a cor da pele é determinante na formação do caráter humano? No Brasil, onde reina o politicamente correto, que tem um movimento negro totalmente ideologizado, não se elege nem Governador da Bahia negro, enquanto os EUA tem um futuro presidente negro, de família muçulmana e etnicamente um genuíno africano. Cadê o racismo? Não existe no país da Liberdade (não a "liberdade" neoconservadora, mas a essencialmente americana, a mesma que incitou a revolução e a independência das Colônias)
Obama foi eleito, só pôde ser eleito, porque se lançou candidato em um país onde a Liberdade é defendida radicalmente. Em qualquer outra nação possivelmente, inclusive no Brasil, Barack Hussein Obama seria apenas mais um nome, uma estrela apagada. A sua explosão, o seu sucesso, só foi possível porque ele estava protegido, estava sob o manto dos Pais Fundadores, gozava da sua independência porque os Republicanos lutaram no passado pela abolição da escravatura (diferentemente dos Democratas que defendiam a escravidão e até pouco tempo eram racistas, como o Democrata Ku Klux Klan).
Não obstante, esse espírito obamista foi deveras passional, pouco racional e politicamente fundamentado. Obama carregava na sua cútis uma novidade, afinal era o primeiro negro com possibilidades concretas de vitória. Barack Hussein, em seus discursos, exalava carisma e paixão, além do mais transformava o politicamente correto do dia-a-dia em norte de suas críticas e projetos. Para se ter uma noção, Obama ganhou com larga vantagem na Califórnia, que tem um número cavalar de delegados, entretanto, no referendo feito sobre o casamento homossexual, a proposta perdeu. Ou seja, os mesmos californianos que elegeram um candidato defensor da união entre os gays foram os mesmos que rechaçaram a proposta no estado. Isso mostra a não-fundamentação do voto que, por sua vez, se baseou apenas no espírito inovador e esperançoso trazido por Obama, trabalhado pela mídia, estimulado por líderes mundiais; desde a União Européia até Ahmadinejad, Osama bin Laden e Hugo Chávez.
A obamania é passional e, como Obama, não é nada mais que vento, não existe nenhuma certeza da sua eficiência, é apenas discurso, retórica, e uma dita esperança que se sustenta no nada, no máximo na cor de pele do presidente eleito (argumento que nem ele usou), no seu sorriso e na sua capacidade de conquistar as massas.
Pedro Ravazzano
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
DEM ajuda a derrotar PT em Salvador
Recomendo aos leitores que tenham calma. O fato de o novo PCB — Partido dos Comentaristas Brasileiros — cantarem a vitória do PT e a derrota do DEM não tem a menor importância. Não tem porque, como a gente vê, o povo, quando quer, insiste em fazer o contrário do que eles prevêem. Lutar contra os fatos é desmoralizar-se. Perguntem-lhes se não trocariam, caso fossem da direção do PT, as seis capitais em que o partido venceu no primeiro turno por uma única onde venceu o DEM. E não foi uma vitória qualquer: o desempenho de Gilberto Kassab na cidade é inédito. Já escrevi aqui e reitero: se mantiver a boa gestão, estamos falando de um novo líder no estado e no Brasil.
Mas o DEM não atrapalhou os planos do PT apenas em São Paulo. Também em Salvador, o apoio do partido foi fundamental para a reeleição do prefeito João Henrique, do PMDB. O ministro Geddel Vieira Lima é um dos vencedores na cidade? Claro que sim. É o coronel do partido no Estado e adversário histórico do chamado carlismo. Mas não viu empecilhos em fazer um acordo com o deputado ACM Neto (DEM-BA), derrotado no primeiro turno e dono de importantíssimo 28% dos votos. E eles foram, tudo indica, inteiramente transferidos para João Henrique: dos 30% que obteve no primeiro turno, saltou, no segundo, para 58,44%.
Parece que os votos do carlismo em Salvador, menores do que já foram — herdeiros de ACM se dividem hoje em várias legendas —, continuam, no entanto, fiéis à liderança. Quem, para variar, fez bobagem foi o PSDB do estado, que preferiu se juntar ao petista, agora derrotado, Walter Pinheiro (41,56%). O candidato tucano, Antonio Imbassahy (outra cria de ACM), e o dono da legenda no Estado, Jutahy Jr. escolheram o candidato que viria a ser derrotado. É...
O fato é que, circunstancialmente unidos, mas, de fato, adversários desde sempre, Geddel e ACM Neto, herdeiro político de ACM, deram uma tunda na terceira força que se tenta construir na Bahia. O governador Jaques Wagner tem hoje, dado o resultado das urnas, menos influência do que tinha ontem.
Perdeu de novo.

por Luciana Lachance
O problema com o PT de Salvador é pessoal. Na eleição anterior para prefeito, tínhamos César Borges [antigo PFL], Pelegrino [PT] e um improvável João Henrique do PDT na disputa. Ninguém queria César Borges, pois ele representava demais ACM (e nisso Imbassahy terminou mais ileso). Parecia que o que estava em jogo era a aversão a César Borges – ACM, ou seja, era o momento em que Pelegrino teria a vitória certa, já que era o nome mais forte dentre os concorrentes. Se, por um lado, as pessoas não estavam muito certas sobre o que queriam, sabiam muito bem que não iriam votar no homem que largou o Senado pelo município por ordem de Antônio Carlos Magalhães. E por que Pelegrino não assumiu a disputa? Por que ele simplesmente não aproveitou a situação e ganhou a liderança? Por que um vereador apagado como João Henrique, com um discurso de fantasia [vale-transporte para desempregados], e cara de ressaca saiu na frente e ganhou a eleição de lavada? O que esse cara tinha feito além de encher o saco na Câmara de Vereadores com aquela história de estacionamento gratuito nos shoppings? Ora, João Henrique ganhou porque ninguém ia com a cara de Pelegrino. E essa aversão aos candidatos do PT que concorrem à prefeitura foi comprovada na eleição 2008. Pois Pinheiro [PT] só entrou na briga porque teve a grande sacada de isolar-se numa arena com João Henrique [que mudou para o PMDB no meio do mandato]: os dois se engalfinharam desde o início, tornando a disputa só deles, restando para o eleitor tomar partido de algum lado. E quando tudo o que o PT tinha que enfrentar era uma administração duvidosa, o que acontece? Perde de novo. Alguns perguntam: por que? Por que se os comícios estavam lotados, se as estrelas do partido estavam coladas em carros, camisas e testas das pessoas da rua? E eu respondo: porque Pinheiro é igualmente antipático, eis a explicação. Sei que pessoas irão desenvolver teorias muito melhores, a partir de pesquisas e estudos realmente sérios e que irão mencionar o “racha” do PT municipal nessa eleição; que alguns dirão que é porque Lula não veio, que a culpa é do ministro Geddel, que os camelôs é que deram a vitória a João Henrique, mas eu discordo. A única explicação possível para Pelegrino ter perdido a eleição de 2004 e Pinheiro ter perdido esta, é que suas respectivas caras combinadas com a moldura vermelha do PT são igualmente intragáveis. Talvez essa hipótese não possa ser confirmada com números, mas todas as vezes em que eu olho para os panfletos de Pinheiro, ou quando eu vejo as propagandas em que ele está fazendo seu discurso, eu penso: não dá com essa cara.
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Tomei a liberdade de publicar o comentário de Pedro Ravazzano deste texto, quase um outro texto, um complemento:
Exatamente! Pinheiro tinha um ranço muito forte. Sua figura não era carismática, não agregava. Ao contrário, João com sua cara de bobo-irônico gerava mais confiança do que os olhos esbugalhados e a fala minuciosamente construída do candidato petista.O mais engraçado foi que Pinheiro teve o apoio da maioria da classe média e dos cidadãos com ensino superior, enquanto João era soberano em Cajazeiras e no Subúrbio Ferroviário, ou seja, o Partido das massas só movimentava a burguesia. Isso não é de estranhar! A classe média proletarizada vota no PT acreditando no discurso popular que nem o povo carente, que seria o mais beneficiado, acredita.O PT de Salvador queria ganhar pelo susto. Para isso colocava nas ruas seu exército de idiotas úteis, os doutrinados e iludidos, assim como ligou o ON dos movimentos sociais controlados direta e indiretamente pelo Partido. Agora, depois da eleição, o Governador que só anda sóbrio veio dizer que a vitória de João também é a vitória da base governista. Que o fato do PMDB e do PT terem ido juntos ao segundo turno comprovava o poder do lulismo. Ora, me bata um abacate. Só na cabeça alcoolizada de alguém que acompanhou a campanha para isso ser verdade. O PT e o PMDB vão nutrir seqüelas até 2010. Essa campanha foi desgastante, dura, muito agressiva. Não tem como a vitória de João ser a vitória do governo. Ao contrário, nas atuais circunstâncias a vitória de João é o início da derrota de Wagner em 2010, o início do período do geddelismo (bem melhor que o wagnerismo), o início da doce, e venenosa, aliança PMDB - Democratas!
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
I Congresso Mundial de Bioética e Direito Animal: A arte de desconhecer
Vladimir Lachance
“A revolução ecológica formará a ossatura das revoluções — ideológica, religiosa, ética e cultural — veiculadas pela ditadura pedagógica”. [Pascal Bernardin]
Não sei se damos a devida atenção às questões ambientais, referentes à chamada ética ecológica e ao ativismo animal. Assistimos a uma intensa manifestação desses supostos valores, integrantes do discurso politicamente correto, a uma defesa exacerbada e aparentemente inocente de protetores dos bichos indefesos. O veganismo é um problema central nesse debate – e eu voltarei a ele em outros artigos onde isto será colocado em evidência –, eu mesmo tendo feito parte dele. Basta pontuarmos que enquanto ativismo político é uma ideologia a serviço de um socialismo absoluto e universal.
Para melhor compreensão da relação entre ecologia/ideologia/religião/política, recomendo a leitura:
A Face Oculta do Mundialismo Verde: http://www.olavodecarvalho.org/convidados/bernardin2.htm
O Império Ecológico e o Totalitarismo Planetário: http://www.olavodecarvalho.org/convidados/empeco.htm
O relato abaixo é apenas um comentário acerca do evento ocorrido na Ufba (entre os dias 8 e 10 de outubro de 2008), I Congresso Mundial de Bioética e Direito Animal. Como era de se esperar, esteve presente o costumeiro amadorismo que permeia as pesquisas acadêmicas relacionadas aos temas da Escola do Ressentimento. Trata-se da política do “feriu o meu bucho”: questionamentos encarados como ofensas pessoais e, principalmente, intimidação dos palestrantes devido à própria falta de conteúdo – resultando numa má vontade ad infinitum.
Não era minha pretensão participar deste evento. Mas, na quinta-feira, após a reunião do Grupo de Estudos Conservadores, na Biblioteca da Ufba, resolvi dar uma olhada rápida no que estava sendo debatido no congresso.
Parte I: Incentivo ao Terrorismo.
Assim que entrei no auditório em que estava ocorrendo as palestras, me deparei com uma diversidade enorme de slogans estampados em camisas e tatuagens. A maioria das pessoas parecia já participar de algum grupo ativista ou coisa parecida, com algumas raríssimas exceções.
Sentei na última cadeira e tentei me concentrar no que o primeiro palestrante dizia. Do que pude decifrar de suas falas consegui concluir que este fazia parte da Animal Liberation Front, um grupo de “ativismo animal” – leia-se terrorismo –, e sua fala ia nesse sentido: incentivando aos defensores dos animais a praticar “ecoterrorismo”.
Isso mesmo, terrorismo. Uma das falas mais distinguíveis foi: “se você puder colocar um bilhete na mochila do filho do vivissector*, dizendo que se ele não mudar de emprego vai seqüestrar a criança, será maravilhoso”. Outra: “Não podemos praticar ações que causem danos a animais humanos e não-humanos. Por exemplo, destruir os laboratórios durante a noite, quando não houver ninguém no local é uma boa opção, afinal a propriedade não sente dor”. Esquece-se que os seguranças destes locais trabalham durante a noite, e num provável incêndio que venham a praticar seriam estes as possíveis vítimas. Esquece-se também que ainda é crime no Brasil violar a propriedade alheia – falando disso de forma tão banal que parece que já vivemos numa espécie de coletivismo onde violar a propriedade não constitui nenhum tipo de dano. Ainda comentou uma ação terrorista em que os ativistas envenenaram grandes quantidades de um remédio para impotência, fazendo a ressalva de que a ação tinha sido amplamente divulgada e ninguém corria risco. Vocês acreditam mesmo que não havia risco nenhum?
Comentou também, indignado, sobre algumas ações terroristas “mal-feitas” em que bombas foram colocadas em áreas residenciais. Mas, quando se tratou destas ações o palestrante disse defender a tese de que foram “plantadas pela própria indústria para nos incriminar”. Um fato curioso foi o argumento que o palestrante usou para defender a libertação de animais que vivem em cativeiro. Foi o seguinte: “É melhor que esses animais tenham a oportunidade de viver a liberdade, mesmo que eles possam, por acaso, ser atropelados e morrer”. Digo curioso porque no mesmo congresso havia quase que consenso em favor da legalização do aborto, e o argumento usado pelo palestrante foi muito parecido com o das pessoas contrarias a legalização. A apresentação deste palestrante fechou com “chave de ouro”, mostrando um vídeo de uma ação terrorista em que não se dava para enxergar nada. A única coisa perceptível era que alguém estava tremendo muito com uma câmera na mão e num local muito escuro. Assim, encerrou-se o primeiro ato.
A segunda palestra foi dada por uma integrante do grupo Gato Negro**, de Minas Gerais. Esta conseguia ser mais radical que o nosso primeiro companheiro. A garota passou boa parte da apresentação mostrando slides com frases de efeito do tipo: “Você gostaria que fosse com você?” ou “Todos são contra a escravidão humana. E quanto a escravidão animal?”. Quando não era isso, as frases eram polêmicas, mas a palestrante fazia questão de passar rapidamente dizendo que não entraria em discussão (um simples botão “delete” enquanto organizava a própria apresentação teria nos poupado). No tema “animais domésticos”, a palestrante deu um show nos dizendo que era preciso castrar todos eles o quanto antes, pois eram fruto de um “erro histórico” [sic]. Ao contrário do nosso primeiro palestrante, ela não defendia que era melhor que esses animais tivessem oportunidade de viver, mas sim de morrer, o quanto antes, pois haviam sidos criados para fins humanos, e por isso nem deveriam existir. Foi realmente um espetáculo!
Ademais as palestras foram pura propaganda do veganismo. “Seja vegan você também” e coisas do gênero.
Parte II: Mudança de Hábito.
Depois das duas apresentações abriu-se espaço para “debate” e “questionamentos”. Interessante que os palestrantes possuíam posições antagônicas em relação aos animais domésticos e de cativeiro, mas nenhum dos dois fez questão de defender seu posicionamento. Depois de alguns segundos de silêncio, um rapaz, fardado com uma roupa camuflada, aparentando ser agente do Ibama - junto com muitos outros vestidos da mesma forma - levantou a mão para fazer uma pergunta. Dirigiu-se à integrante do Gato Negro: “Você realmente está dizendo que devemos extinguir os animais domésticos?”. A resposta monossilábica foi: “Sim”. O rapaz prosseguiu: “Existem animais em nossa fauna, atualmente, que não faziam parte da fauna nativa, mas que foram inseridos aqui por humanos, o que podemos caracterizar também como erro histórico, pois deveriam estar num habitat mais apropriado à sua espécie. Sendo assim, você acha que devemos matar esses animais também?”. A garota ficou desconcertada, dizendo que essa medida seria um “mal necessário”, pois a situação não poderia se perpetuar eternamente. O rapaz ficou bastante espantado com o tipo de argumentação que a palestrante usava, achando, ingenuamente, que ele é que estava ouvindo errado ou que tinha feito a pergunta de maneira incorreta, e a repetia. E de novo a resposta hedionda. O rapaz se cansou, mas então um senhor próximo a ele disparou uma metralhadora de palavras contra os palestrantes, chamando-os de radicais, dizendo que tudo aquilo era absurdo, que não fazia sentido, e pedia maiores esclarecimentos da parte deles. Ao que o primeiro palestrante, disse, não percebendo que estava se contradizendo: “É necessário que esses animais deixem de existir”. O senhor perguntou novamente: “E não existe outro jeito?”. Réplica: “Não, não existe”. E de repente, o palestrante diz que as perguntas estão encerradas e coloca um vídeo para passar sem que o debate se conclua. E foi assim que, em menos de meia hora, mais um ativista “pró-animais” resolveu que era certo matá-los.
Mas no campus, eles bem sabiam com o que estavam lidando; eles, os comerciantes, que encheram as barracas com camisas de Lula, de grandes ícones da Revolução Sexual dos anos 60 e bottons do PT; produtos alimentícios caros destinados aos rebentos da classe média alta que insistem em posar de oprimidos (os herdeiros legítimos do proletariado); e tudo o que puder ser confeccionado com a imagem de Che Guevara – e olha que o cara nem de hispânicos gostava, que dirá de animais!
*Vivissector - No jargão vegan significa: indivíduo que trabalha nos laboratórios que testam diversos produtos em animais.
**Gato Negro – Grupo pró-vegan de Minas Gerais.
domingo, 5 de outubro de 2008
O que é radicalismo?
Só não vê quem não quer! O PT tem uma massa de manobra apenas a espera da primeira ordem, esses são os agentes da ideologização. Aqueles que corrompem as “superestruturas” com o objetivo de preparar o terreno para a ação revolucionária. Aqui vale um comentário, para alguns a ascensão de um governo socialista se dará pela ação popular armada, para outros por meio da própria ação democrática. Enfim, o Partido tem um séqüito de idiotas úteis, depois os filhos ideológicos, aqui colocamos os intelectuais, líderes sindicais, líderes sociais, todos aqueles que seguem a cartilha ideológica do PT. Ora, tendo na mão quase todos os movimentos sociais, financiando uma grande leva de ONGs e alimentando militantes que agem nas Universidades, Escolas, Instituições Públicas etc, fica fácil perceber quão eficaz é a propagação do ideário petista na sociedade. O PT ganha pela massificação. Vejam o caso do desarmamento. O governo não precisou se mostrar a favor, apenas sustentava uma grande leva de Organizações (Não) Governamentais que serviam como canais para o discurso preparado pelo partido/Estado (Os dois se confundem atualmente). A mesma coisa em São Paulo. Existem três ONGs para cada menino de rua. Qual o objetivo então? Simples, estimular e propagar o discurso vitimista e socializante, aquele que coloca a culpa dos males do mundo no capitalismo, na produção, no crescimento econômico, coloca a culpa do assassinato de Fulaninha pela bala perdida no carro importado que Cicraninho comprou.
Além de tudo isso existe a ideologização dos movimentos sociais, esses carregam a semente de um marxismo com ares de modernidade. Não estou falando que são ortodoxos no seguimento dos ideais do velho Marx, até porque o barbudo era racista e anti-semita. Acontece que essas ações homossexuais/feministas/negras servem como massa de manobra a causa partidária. Através delas o PT pode fortalecer o Estado e sedimentar o controle social por meio dessas movimentações. Além do mais essas políticas são recheadas de discriminação e patrulhamento ideológico-racial-sexual-religioso. Ser heterossexual, branco, classe média e cristão é quase uma doença no Brasil.
Agora vá somando; massa de filiados + filhos ideológicos + movimentos sociais + ONGs. Agora imagine que esses agentes estão presentes em todos, digo TODOS, os setores da sociedade brasileira; do campo aos centros urbanos, das Universidades aos centros de bairros, de Alto de Coutos ao Corredor da Vitória, do movimento negro até as mesas de conversa no Trapiche Adelaide. O PT monopoliza os movimentos de massa.
Onde se encontra a esquerda então? Como bem sabemos, o projeto revolucionário não passa mais por um processo violento armado, ao contrário, é parte integral do discurso esquerdista o total distanciamento daquilo que, pela história, reconhecemos como comunismo. O ideal comunista, tanto com Gramsci, aquele que percebeu a necessidade da destruição dos pilares do Ocidente, e com destaque para as noções tradicionais de justiça, defendendo a "função pedagógica do direito", ou seja, o assimilamento das massas, uma educação que induz o povo a acreditar em novos paradigmas de produção e relação humana, quanto com a Escola de Frankfurt, muito feliz na adaptação do polilogismo marxista ao pensamento freudiano, se distanciou completamente da revolução como imaginamos. Para desgosto de alguns, a revolução seria silenciosa, seria uma “revolução cultural”, ou seja, a corrupção dos valores, a transformação no imaginário, o que possibilitaria uma transição comunista sem choques. Para isso era imprescindível formar um exército de idiotas úteis; movimento negro, homossexual, feminista, sem-terra, sem-teto etc. A ideologização e infiltração nas grandes instituições também se tornou parte integral da nova cartilha, afinal se essas superestruturas são as mantenedoras do sistema capitalista, nada melhor do que tomá-las, não? As massas de manobra já são as responsáveis pela sustentação popular de leis que restringem as liberdades individuais e, conseqüentemente, fortalecem o poder do Estado (vide a lei anti-homofobia.)
O PT adotou um vocabulário burocrático para o grande público brasileiro, e outro que é utilizado dentro do próprio partido. No primeiro se ouve falar em “democracia”, “justiça social”, “liberdade”, no segundo só tem “luta de classes”, “proletariado”, “revolução”, “tomada de poder” etc. Com uma linguagem o PT transmite uma imagem populista, nacionalista, distributivista, com a outra ele mostra sua fidelidade aos velhos ideais ao lançar mão do jargão marxista, jargão esse totalmente omitido no dia-a-dia político. Nada, absolutamente nada, pode identificar o PT como um partido neocomunista.
O PT é sim radical em sua essência, entretanto, desde Gramsci, depois com a Escola de Frankfurt, o marxismo percebeu que muitas vezes o melhor arranjo é adotar o discurso democrático e popular, uma aparência conciliatória com o capitalismo. Na verdade é tudo farsa. Em sua raiz anda pulsa um coração revolucionário e marxista, mas não necessariamente com a fiel ortodoxia aos métodos do barbudo. Ora, são anos de revolução cultural, são anos de ação para criar na sociedade um ethos socializante, um esforço para que critérios comunistas sejam adotados pelo povo. Desse modo, com esses valores se tornando parte do senso comum, um eleitor não sabe quem é comunista, desconhece a ação comunista, não percebe a presença comunista.
O Partido dos Trabalhadores foi, juntamente com o Partido Comunista de Cuba, em 1990, fundador do Foro de São Paulo, que tem como objetivo "reconstruir na América Latina o que foi perdido no Leste Europeu". Nele se encontram, além de muitos partidos esquerdistas do continente, grupos terroristas como as FARC, Zapatistas, Tupamaros. Inclusive consideram as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia os reais representantes do povo colombiano. Os seus participantes tem a "vontade comum de renovar o pensamento de esquerda e o socialismo, de reafirmar seu caráter emancipador, corrigir concepções errôneas, superar toda expressão de burocratismo e toda ausência de uma verdadeira democracia social e de massas." Os encontros são de dois em dois anos, o último em 2005 em São Paulo. O Foro surgiu para alimentar e fortalecer a esquerda americana, desde lá já conseguiu conquistar o poder na Venezuela, Equador, Bolívia, Brasil, Uruguai, Paraguai etc. Lula é seu presidente de honra, Emir Sader o diretor da revista America Libre, a revista do Foro. Vale lembrar que Frei Betto, que já editou a revista do FSP e era assessor da presidência da República, era próximo de Raul Reyes, o segundo nome da narcoguerrilha colombiana, morto no ano passado.
Tudo isso faz parte de uma compreensão muito sábia da necessidade de adaptar a metodologia marxista aos novos tempos. A esquerda lança mão de meios escusos, mas já coroados no desenrolar da história marxista. Antonio Gramsci, novamente ele, concluira que para haver o triunfo revolucionário no Ocidente era necessária a implantação de novas estruturas que substituiriam as “velhas” e “antigas”: a filosofia grega, o direito romano, e, por fim, a moral cristã. As armas, os golpes e as tomadas de poder, tornaram-se cenas do passado. A esquerda se converteu piedosamente a cartilha do “guru marxista”, a palavra de ordem passou a ser aborto, desarmamento civil, feminismo, gayzismo, criminalização da moral religiosa, meio-ambiente. Em relação ao aborto vale lembrar que o PT definiu, no seu III Congresso, a legalização como proposta partidária. Todo o Partido vota junto pela descriminalização, coisa que nem o PSOL faz, ou seja, um candidato que se diz anti-abortista e é petista vive numa realidade antitética. Enfim, essas bandeiras sociais só servem para instaurar o relativismo, corroer o centro de valores.
De fato, a esquerda largou o discurso antiguado das armas revolucionárias para adotar uma linguagem moderna, onde além de ideologizar setores da sociedade, deturpa o próprio vocabulário; democracia popular é nada mais nada menos do que a nova roupagem das velhas idéias marxistas.
Pedro Ravazzano
sábado, 20 de setembro de 2008
Estado mínimo?
A UNE não nos representa
Sergio Colle
Professor na UFSC - Florianópolis
Pedro Ravazzano
sábado, 13 de setembro de 2008
Lula-Morales-Chávez no lugar de Marx-Engels-Lenine
Agência Boa Imprensa - Na Bolívia, o encontro entre os presidentes Lula, Evo Morales e Hugo Chávez em Riveralta, na opinião do jornal “Zero Hora” de Porto Alegre, evocou o “culto à personalidade” típico do império soviético.Tropas desfilaram com bandeiras estampando fotos dos três presidentes. As imagens dos três enchiam um enorme cartaz (foto ao lado), semelhante às enormes pinturas de Marx, Engels e Lenine — sinistros artífices do comunismo — como as que presidiam os desfiles do exército soviético na Praça Vermelha de Moscou (foto abaixo).
“Trocando-se Lula, Morales e Chávez por Marx, Engels e Lenine — e substituindo-se o calor amazônico pelo outono russo —, a solenidade de Riveralta e o Dia do Trabalho moscovita guardam semelhanças”, concluiu “Zero Hora”.(Fonte: Agência Boa Imprensa)
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Como o plano de Mao conduz a China
http://pesadelochines.blogspot.com/
Fonte: Jung Chang e Jon Halliday, “Mao”, Gallimard, Paris, 2005, 843 p.
- O plano da China “superpotência”
“Mao esteve em condições de lançar, em 15 de junho [de 1953] seu plano de industrialização (...). O que Mao cuidava bem de não esclarecer era a natureza essencialmente militar desse plano, a qual iria ficar escondida, e ainda é muito pouco conhecida na China de hoje. A prioridade era dada à indústria das armas, e todos os recursos do país deviam ser consagrados para essa realização. O objetivo de Mao era que a China se tornasse uma superpotência para que quando ele falasse o mundo inteiro ouvisse”. (p. 414)
- Mao: China centro tecnológico e militar da revolução mundial
Mao:“Nós não devemos nos contentar com sermos o centro da revolução mundial, nós devemos nos transformar também no centro militar e tecnológico. Nós devemos armar os outros com armas chinesas, onde estará gravado nosso nome (...). Nós devemos nos tornar o arsenal da revolução mundial”. (p. 610-611)
- Mao e os empresários “úteis” para a Revolução Mundial
“A coletivização da agricultura tornou o regime ainda mais totalitário. Na mesma época, Mao ordenou a nacionalização da indústria e do comércio nas zonas urbanas, a fim de concentrar a integralidade dos recursos para a realização de seu programa. Entretanto, os homens de negócios e os chefes de empresa não foram perseguidos como foram os proprietários agrícolas (...) ‘A burguesia, explicou Mao, é muito mais útil de que os proprietários de terras. Os burgueses possuem savoir-faire e qualidades de administradores’.” (p. 431)
- Plano: China substituindo Rússia na revolução mundial
“Mao previa uma situação na qual, dizia ele, ‘os Partidos Comunistas do mundo inteiro não acreditarão mais na Rússia, mas acreditarão em nós’. A China então poderia se apresentar como ‘centro da revolução mundial’. (...)
A idéia de erigir a experiência chinesa como modelo, enquanto milhões de chineses morriam de fome, poderia parecer uma gagueira.
Mao, entretanto não tinha preocupação alguma, pois confiava nos filtros através dos quais os estrangeiros estavam autorizados a ver e ouvir a China. (...) Quando Mao, em plena fome, se espraiava em mentiras desavergonhadas diante de François Mitterrand ‒ “eu repito, para ser ouvido: não há fome na China” ‒ este engoliu tudo e chegou a escrever a que Mao “não era um ditador”, mas um “humanista”.” (p. 500-501).
- Ambição suprema: dominar o mundo e unificá-lo sob sua bota
“A ambição suprema de Mao era dominar o mundo. Em novembro de 1968, ele confidenciava a Edward Hill, chefe do partido maoísta australiano:
“’No meu ponto de vista, seria preciso unificar o mundo (...). No passado, muitas pessoas, especialmente, os mongóis, os romanos, (...) Alexandre Magno, Napoleão e o império britânico tentaram fazê-lo. Nos nossos dias, os Estados Unidos e a União Soviética quereriam os dois consegui-lo. Hitler queria unificar o mundo (...). Mas, todos fracassaram. Entretanto, me parece que há uma possibilidade que não desapareceu (...). No meu ponto de vista, podemos ainda unificar o mundo’. (...)
“Os argumentos que ele apresentava repousavam unicamente no tamanho da população chinesa (...)”.
“Para açular esta ambição planetária, Mao lançou-se em 1953 no seu programa de industrialização e de armamento, queimando etapas e assumindo riscos consideráveis no domínio nuclear. Neste sentido, o episodio mais assombroso aconteceu quando, o 27 de outubro de 1966, um míssil balístico munido de uma ogiva nuclear foi disparado por cima do noroeste da China e percorreu oito centos quilômetros sobrevoando várias cidades bastante importantes. Era a primeira vez que um país ousava uma experiência desta natureza, com o acréscimo de que o foguete era conhecido pela falta de fiabilidade, o que pôs em perigo de morte todas as populações que se encontravam na sua trajetória. Três dias antes, Mao em pessoa disse ao responsável de proceder ao lançamento, e que em caso de fracasso ele assumiria a responsabilidade.
“Quase todas as pessoas engajadas no projeto esperavam uma catástrofe, e o pessoal da sala de controle achou que tinha chegado sua última hora. (...) Nesse caso, o ensaio foi um sucesso, e apressou-se em atribuí-lo ao ‘pensamento’ de Mao (...). Na realidade, foi um puro golpe de sorte. Todos os ensaios posteriores fracassaram pois o míssil se pôs a girar furiosamente sobre si próprio logo após ter decolado. (p. 609-610)”
- Mao: prazer com a bomba atômica
“Mao foi o único chefe de Estado do mundo que saudou com festividades a nascença desta arma de destruição massiva. Em privado, ele compôs dois versos de má qualidade: Bomba atômica explode quando lhe é dito de explodir. Ah, que alegria inefável! (p. 526)
- Genocídio para forçar a industrialização e o triunfo da revolução mundial
“Perto de trinta e oito milhões de pessoas morreram de fome ou de exaustão no curso dos quatro anos que durou o ‘Grande Salto avante’. Esta cifra, Liu Shao-Chi ele próprio, número dois de Mao, a confirmou (...)
“Esta fome foi a pior do século XX ‒ e até de toda a História. Mao causou conscientemente a morte de essas dezenas de milhões de pessoas esfomeando-as e as esgotando pelo trabalho. (...)
“Para dizer tudo, Mao previra um número de vítimas mais considerável ainda. Ainda que o 'Grande Salto' não tivesse por outro objetivo que eliminar chineses, Mao estava pronto para que houvesse hecatombes e fez entender aos dirigentes que eles não deveriam se mostrar chocados se aconteciam.
“No Congresso de 1958, no qual foi dada a partida do ‘Grande Salto’, ele explicou a seu auditório que se pessoas morriam em conseqüência da política do Partido, não seria preciso se assustar, mas de se regozijar. (...)
“A morte é verdadeiramente uma causa de regozijo (...). Dado que nos acreditamos na dialética, nos não podemos não ver nela senão um benefício”.
“Esta filosofia, ao mesmo tempo despachada e macabra foi transmitida de degrau em degrau até os dirigentes de base. (...)
“Nós estamos dispostos a sacrificar 300 milhões de chineses pela vitória da revolução mundial” declarou em Moscou em 1957, ou seja, a metade da população de então. Ele o confirmou diante do Congresso do Partido, o 17 de maio de 1958: “Não façam, pois, tantas histórias a propósito de uma guerra mundial. Na pior das hipóteses, ela causará mortes (...) a metade da população desapareceria (...) a melhor das hipóteses é que uma metade da população fique com vida, se não pelo menos um terço...”
“Mao não pensava somente na guerra. Em 21 de novembro de 1958, evocando diante de seus conselheiros mais próximos, os projetos que exigiriam mão de obra enorme, como as campanhas de irrigação e o fabrico de aço, ele declarou, reconhecendo de modo implícito e quase boçal que os camponeses que não tinham o quê comer deviam se matar no trabalho: “Trabalhando desse modo, em todos esses projetos, a metade dos chineses deverão tal vez morrer. Se não é a metade, será tal vez um terço, ou um décimo ‒ digamos 50 milhões de pessoas”. (p. 478-479)
- A Revolução Cultural e a extinção da milenar cultura chinesa
“No fim de maio de 1966, Mao montou um novo organismo, o “Grupo restrito da Revolução cultural”, encarregado de organizar a purga. (...)
“Em junho, Mao estendeu o terror ao conjunto da sociedade, fazendo dos jovens que freqüentavam escolas e universidades seus instrumentos primeiros.
“Os estudantes foram encorajados a atacarem os professores e a todas as pessoas encarregadas de sua educação, com o pretexto de que uns e outros lhes tinham deformado o espírito com suas “idéias burguesas” (...) as primeiras vítimas foram os mestres e o pessoal administrativo dos estabelecimentos escolares porque eram eles que instilavam a cultura...
“Em 2 de junho, colegiais de Pequim afixaram um cartaz assinado por um nome impactante: “os guardas vermelhos” ...
“A prosa estava salpicada de fórmulas agressivas “A baixo os ‘bons sentimentos’!”, “Nós seremos brutais!”, “Nós vos derrubaremos e vos esmagaremos aos nossos pés!”. Mao tinha semeado o ódio e ia recolher os frutos desencadeando os piores instintos dos adolescentes que constituíam o elemento mais maleável e mais violento da sociedade”. (p. 556-557)
- Desprezo da vida de milhões para lograr seus objetivos
“A fome que grassou em toda a China de 1958 até 1961 [N.R.: “Grande Salto avante”] atingiu seu ponto culminante em 1960. Naquele ano, as próprias estatísticas do regime indicam que o consumo médio de calorias por dia caíra a 1.534,8.
“Segundo um dos grandes apologistas do regime comunista, Han Suyin, as donas de casa nas aldeias tinham direito, no máximo, a 1.200 calorias por dia em 1960.
“A título de comparação: em Auschwitz, os deportados condenados a trabalhos forçados recebiam diariamente entre 1.300 e 1.700 calorias; eles trabalhavam por volta de onze horas por dia, e a maioria dos que não conseguiam achar um pouco mais de alimento morriam no espaço de alguns meses.
“Durante a fome, o canibalismo fez sua aparição. (...) Durante esse tempo, havia de sobra para comer nos armazéns do Estado, sob custodia do Exército. Deixava-se mesmo apodrecer certos produtos. (...) Uma ordem vinda do alto dizia: “Proibição de abrir a porta do armazém, ainda que a população esteja morrendo de fome” (p. 477)
- Extinguir a cultura e preparar a futura geração de líderes da China
“Depois das escolas, Mao ordenou aos guardas vermelhos espalhar o terror na própria sociedade (...). Em 18 de agosto, Lin Biao, do alto da porta Tienanmen, com Mao a seu lado, exortou os guardas vermelhos de todo o país a “acalcarem as quatro velharias ... o velho pensamento, a velha cultura, as velhas vestimentas e os velhos costumes”. Os jovens atacaram antes de tudo as lojas ... Tudo isso não era ainda suficiente para Mao. ‘Pequim não afundou suficientemente no caos (...) Pequim é civilizado de mais’, declarou ele o 23 de agosto. ...
“A fim de espalhar o medo no mais fundo do país, Mao encorajou os jovens predadores a lançar operações punitivas contra pessoas cujo nome e endereço eram fornecidos pelas autoridades (p. 561)
“Durante o verão de 1966, os guardas vermelhos devastaram todas as cidades sem exceção, grandes e pequenas, e algumas zonas rurais. Possuir livros ou o que quer que fosse que pudesse ser associado com a cultura era perigoso (...)
“Mao conseguiu assim limpar os lares de todo sinal de civilização. Quanto ao aspecto das cidades, ele atingiu seu objetivo de longa data, que era tirar da vista de seus súbditos os vestígios do passado. Um grande número de monumentos históricos que tinham sobrevivido até lá à aversão geral, foram destruídos. Em Pequim, dos 6.843 que ainda estavam em pé em 1958, 4.922 foram reduzidos a pó.” (p. 563).
- O crime de massa ensinado às bandas de facínoras exaltados
“As autoridades organizaram “demonstrações de chacinas modelo”, a fim de explicar às pessoas como dar a morte com um máximo de crueldade e, por vezes, a polícia supervisionava a carnificina. Nesse clima de horror, uma forma política de canibalismo fez aparição em numerosas partes do interior, particularmente no condado de Wuxuan, onde um inquérito oficial, diligenciado após a morte de Mao, contou 76 vítimas.
“Tudo começava geralmente numa manifestação de denúncias, esse grande clássico da era maoísta. A seguir, as vítimas eram massacradas e os pedaços seletos de sua anatomia ‒ coração, fígado, e às vezes, o órgão sexual ‒ lhes eram tirados, por vezes, antes mesmo de os infelizes entregarem a alma, e cozidos no local para serem comidos no curso de ágapes batizados ‘banquetes de carne humana’” (p. 587).


