quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A nossa irmã Dona Calça



Pedro Ravazzano

Hoje, infelizmente, vem ganhando força certo tradicionalismo de sabor ideológico, isto é, que idealiza a ‘segunda realidade’ e que, conseqüentemente, deforma o mundo real. Obviamente não entra na discussão a validade de algumas posições adotadas. O ‘arqueologismo’, outrossim, forma-se como reflexo dessa dinâmica confusa, abstrata e idealizada – quiçá gnóstica - do tempo passado.

O pacote do tradicionalismo-ideológico abarca a totalidade do homem que nele se insere. As posições políticas, religiosas, os gostos literários, artísticos e, inclusive, a forma de se vestir. Friso, e é sempre bom pontuar, que aqui não cabe a condenação de tais posições, até porque seria um verdadeiro contra-senso de minha parte tendo em vista que comungo de algumas dessas colocações. Sem embargo, o ponto fundamental da questão não é se esta visão de mundo é, em si mesma, maléfica. O problema é quando a adesão a esta é conseqüência não do resultado de uma reflexão pessoal ou do progressivo aprimoramento do espírito humano, mas sim da simples adesão a um grupo.

O tradicionalismo-ideológico não apenas idealiza os tempos passados, especificamente pré-conciliares, como advoga o retorno a este “in illo tempore”, mítico. Nesse sentido a forma de se vestir é parte essencial das ações em busca da revitalização da tradição – e aqui entra a confusão entre Tradição e tradição. De fato, mulheres que usam calças certamente não são boas pessoas ou, no mínimo, comungam dos ideais feministas! Isto é tão falso como acreditar que fenomenólogos não podem ser católicos praticantes ou que todo (neo)tomista é sempre um primor de fidelidade. A ideologia, isto sim, atrofia a acertada e equilibrada ótica. Constatar a crise do mundo moderno não é muito difícil; Heidegger, frankfurtianos, etc, também chegaram a este resultado. Entretanto, a diferença está na prática adotada para, no mundo real, combater essa época desligada ou, se preferirem, convocar a cruzada da contra-revolução.

Creio, realmente, que queimar calças na fogueira – com todas as desculpas à Inquisição pelo trocadilho – não irá ajudar na revitalização dos valores morais e espirituais da Civilização Ocidental. Ainda que a pobre calça jeans tenha um passado obscuro, nada nos impede de recebê-la no seio da Igreja como a prostituta arrependida. Ora, se é para retornar aos tempos áureos, eu me recuso a usar trajes modernos como terno e gravata! Quero o direito de sair pelas ruas usando trajes rococós – sim, o ideal seria uma honrosa armadura do medievo, mas gosto é gosto! Mas se eu reivindico o direito de vestir-me com tecidos contendo representações de paisagens, por que alguém não poderia clamar pela legitimidade do sonho de paramentar-se com a mais genuína toga romana?

Os tempos mudam! Sim, eu afirmei isso, mas peço a boa vontade para que não me entendam mal. Dentro da normalidade e da moralidade acompanhar os tempos não apenas é legítimo como aconselhável. Uma saia não é mais digna do que uma calça pelo simples fato de ser saia. A mente humana é tão potente que nós vamos da mini-saia até os “conservadores” trajes puritanos. Não é diferente com a pobre da calça!

No mundo real, esse mundo que se transformou quando da vinda do Verbo Encarnado, iniciar uma evangelização não pelas aulas de catecismo mas com um passeio pelas lojas para a elaboração de um novo ‘guarda-roupas’ não só é estranho como surreal. Ademais, colocar a forma de vestir – não vamos confundir gostos com moralidade. Uma coisa é uma calça/saia, outra é uma calça/saia imoral – como parte importante do processo de conversão é um total retrocesso. Vale destacar, além disso, que na visão ideológica a questão muitas vezes sequer entra na moralidade ou imoralidade da calça, mas se concentra no fato de ter uma origem revolucionária, feminista, antiestética, etc. Tudo isso pode ser verdade, mas não torna o uso desaconselhável simplesmente porque – tirando as horrorosas militantes feministas (redundância?) – ninguém usa uma calça como sinal de afronta aos valores cristãos e à Sagrada Tradição!

A coitada da calça busca um refúgio para se esconder de senhoritas que, com paus e pedras, querem linchá-la publicamente.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Ser tolerante, ou não ser tolerante, eis a questão!

Pedro Ravazzano

Os “protestos” organizados quando da Jornada Mundial da Juventude trazem consigo uma pertinente reflexão sobre a mentalidade peculiar do militante das causas “modernas” e “arejadas”. Não só na Espanha, mas como também aqui no Brasil a lógica própria, que funda as ações ideológicas, destaca não apenas o caráter totalitário de tais movimentos como a sua essencial intransigência com tudo que, direta ou indiretamente, oponha-se ao objetivo ansiado.

O Movimento do Abecedário, isto é, LGBTT, impõe ao mundo a sua forma de pensar e orquestra um grande rede de poder que tem como fim tolher qualquer iniciativa que coloque-se na antípoda dos axiomas da modernidade. Anarquistas, socialistas cults, homossexuais engajados, ateus militantes, todos estes engrossam a fileira em prol da cartilha ideológica politicamente correta.

Por um lado, através do poder político governamental, fazem valer pela força leis que transgridem qualquer idéia de direito e criam verdadeiras constituições paralelas que privilegiam as minorias. Obviamente, e aqui não cabe nenhuma inocência, a causa dos grupos minoritários militantes concede ao estado poder de legislar sobre pontos cruciais da vida social; é o estado que define a vida, é o estado que distingue as raças, é o estado que marca a fronteira entre o moral e o imoral, é o estado que limita a religião etc. Sem embargo, o excesso poderio estatal, numa situação ordinária, cresce na proporção dos decibéis dos militantes que clamam pela proteção das leis contra a perversa e intolerante sociedade! Não sem propósito o governo brasileiro custeia e mantém um número invejável de ONGs ligadas às mais ricas e necessárias causas.

O pacto entre o governo - fortalecido pelas minorias – com as minorias - elevadas a um estado de tão grande prestígio que as leis para elas estão numa constante epokhé - finca as bases de toda a ação organizada contra a Igreja e a normalidade. O militante que se sente confortável para debochar de freiras e padres lançando vitupérios e os agredindo fisicamente, é o mesmo militante que, no dia seguinte, aparece com olhinhos tristes e lacrimosos no jornal da manhã alegando que neo-nazistas agrediram o seu companheiro. Qualquer indivíduo com bom senso consegue captar a barbaridade moral de ambos os atos. O militante, por sua vez, reclama quando é agredido mas na tarde seguinte já está liberando o seu trauma queimando retratos do Papa e ultrajando jovens de batina.

A soberba ideológica da noite e a vitimização da manhã são duas faces de uma mesma moeda; por um lado extravasam a sua ira totalitária e, por outro, apelam para o lado sensível que, quando maximizados pela grande mídia, atingem uma parte considerável da população.

Esse politicamente correto que abrange questões religiosas, raciais, sociais, afetivas, políticas, ainda alegando flexibilidade e tolerância, destaca-se pela intolerância contra tudo que, pelo simples fato de existir, já é visto como obstáculo vivo da própria intolerância. Um branco, heterossexual, católico, classe média e conservador, por ser branco, heterossexual, católico, classe média e conservador é um inimigo da causa e um potencial alvo das agressões dos militantes.

Ser tolerante, no axioma moderno, é ser delimitado pelas leis do estado e controlado pelos movimentos ideológicos que determinam onde começa e acaba o mundo cor-de-rosa paz e amor da tolerância que eles edificaram.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Enquete: Na Itália, desagregação familiar se soma a crise econômica

O portal de notícias IG reproduziu em 7 de agosto um artigo da agência EFE sobre o importante papel que a família, na Itália, teria neste momento de crise financeira, não fossem os fatores de decadência que nela penetraram.

"A família é o amortecedor secreto da crise social", disse Marco Ferraroti, sociólogo e professor da Universidade La Sapienza de Roma. Ferraroti observa que, pela influência da Igreja Católica, a Itália ainda "é muito mais familiar do que qualquer outro país da Europa” e que “a crise da sociedade enfatizou o papel da família”. “Quando nada funciona em uma sociedade, a família é que resolve os problemas", explicou.

Para Giussepe Roma, diretor-geral do Centro de Sociologia Censis, a família italiana "é o grande motor do país", mas constata que a instituição já não é mais como outrora. A baixa natalidade fez com que no país a metade da população seja constituída atualmente por idosos. Além disso, os divórcios e a falta de casamentos entre pessoas abaixo de 35 anos tornou a família menor e mais fraca. “Nos encontramos diante de uma forte crise de valores e, portanto, a família como pilar da sociedade corre sério risco”, afirmou Giussepe Roma.

Para o leitor, quais dos fatores abaixo contribuem mais para aumentar a crise e a decadência da família?