segunda-feira, 21 de março de 2011
sexta-feira, 11 de março de 2011
Eu sigo o fundamentalismo do Papa
Nada melhor do que num dia de muita motivação entrar no site da Adital para saber das mais recentes notícias dos mais radicais grupos progressistas. Resolvi, então, ler um artigo de Eduardo Hoornaert, que se apresenta orgulhosamente como Padre casado, comentando o novo volume do livro do Santo Padre, "Jesus de Nazaré". Obviamente não esperava nada próximo de uma exposição ortodoxa, entretanto, assumo que superou as minhas expectativas.O autor desenvolve uma crítica dura ao que considera o fundamentalismo papal ao interpretar a passagem de Mt 16, 17-19 como uma confirmação do primado petrino. Para o Pe. Eduardo a confissão de São Pedro seguida da promessa feita por Nosso Senhor não pode ser compreendida de forma institucional. Ao contrário, afirma que nos primeiros séculos os cristãos entendiam essa passagem - apenas - como um elogio de Cristo diante da fé e segurança demonstrada pelo Príncipe dos Apóstolos. Para endossar essa visão cita, espantem, a posição da igreja ortodoxa - cismática.
O mais bizarro - sim, o artigo piora - é que o autor não só afirma categoricamente que essa leitura "institucional" não é tradicional como desenvolve o argumento centrado no que ele acredita ser a usurpação e corrupção da passagem evangélica pela Sé de Roma para minar, tolher e diminuir a autonomia das igrejas locais. Não só culpa o grande São Leão Magno pela difusão dessa visão "exclusivista" e sectária como relata a gênese do que consideraria as superestruturas históricas e triunfalistas da igreja romana, tais como a idéia da "cathedra Petri" e os "pretensos" sepulcros dos Santos Pedro e Paulo, a imagem da Igreja como barca tendo o Papa ao leme, os títulos dados ao Santo Padre e, até mesmo, a mensagem paulina da Igreja enquanto Corpo Místico com o Vigário de Cristo à frente. Roma, então, nessa leitura, fora a responsável pelo distanciamento dos patriarcados gregos, embriagada com a própria supremacia de caráter opressor e artificial. Assim, em nome do diálogo, o Sacerdote recomenda; "é melhor abandonar esse embasamento do primado romano.”
De fato, é assustador perceber como o relativismo e as teologias pluralistas de índole reinocêntricas em sua maioria, incidem em argumentações falaciosas e ilógicas quando levamos em consideração a própria incoerência do argumentador. Como um Sacerdote, que só o é pela autoridade dada por Cristo à Igreja, duvida de um dos pontos fundamentais da identidade católica? De um dogma definido solenemente em Concílio? Claro que o autor não coloca em discussão a infalibilidade, mas ao discutir a legitimidade da confissão de São Pedro entra numa reflexão que abarca os pontos basilares das definições do Concílio Vaticano I. Assim, toda a idéia do primado petrino seria conseqüência das superestruturas históricas que se desenvolveram ao longo de séculos.
Ao fim do artigo o Pe. Eduardo proclama: "Ninguém pode impedi-lo de seguir o fundamentalismo do papa." Graças a Deus! Quero ser um católico pleno, ainda que indignamente, amando a Cristo e seguindo a Sua Igreja. E se a isso é o que chamam de fundamentalista, que eu seja o mais radical destes!
quinta-feira, 3 de março de 2011
Balão Vermelho
Interessante vídeo que abarca a problemática do relativismo no mundo moderno. Ainda que o debate a respeito da Verdade sempre esteja em alta, o fato concreto é que desde a estruturação do espírito revolucionário, com o surgimento do homem enquanto indivíduo e com a formação de uma mentalidade racionalista e cada vez mais distante da reflexão metafísica, a Verdade tornou-se num ponto secundário no conhecimento filosófico.
A tentativa de desconstruir a Verdade por meio da imposição dos mais falaciosos paradigmas relativistas é reflexo do esvaziamento do homem moderno incapaz de refletir a respeito da própria existência e de, como dinâmica conseqüente, viver com o espírito.
quarta-feira, 2 de março de 2011
Reflexão Árabe-Islâmica

A crise nas nações do norte da África tem ampliado o debate a respeito da democratização nos países árabes. De fato, dentro da perspectiva ocidental o regime de governo adotado por muitos desses estados coloca-se na antípoda de qualquer noção de liberdade, justiça e democracia. Vale destacar, outrossim, que não necessariamente os modelos totalitários em questão se fundamentam em princípios islâmicos, como a sharia. Egito, Líbia, Tunísia, viram a ascensão de regimes duros seja por ingerência direta ou indireta das nações do Ocidente.
Os países árabes estiveram, por muito tempo, sob influência dos paradigmas pensados pelas nações ocidentais. A influência tanto do poderio econômico americano como da ideologia soviética salpicaram em meio aos governos uma onda de projetos revolucionários alinhados com todas as vertentes até então pensadas.
Entretanto, o que quero destacar é a crítica positiva aos atuais levantes populares. Claro que, se comparado com regimes totalitários, a famigerada democracia surge como a mais justa proposta política. Não obstante, o que deve ser levado em consideração é o forte teor ideológico que sustenta o edifício ocidental que, ao que tudo indica, será construído no coração de tais nações árabes. Vale destacar que seria um absurdo considerar, como foi dito, os estados então vigentes como particularidades semitas. Líbia, Egito, Tunísia, Bahrein etc, são países que estão inseridos no mercado mundial, com economias - mal ou bem - estruturadas e que também são cobertos pelo manto da globalização.
O grande perigo é idealizar o atual modelo de sociedade ocidental como o mais apropriado para o progresso humano, destacando aqui a técnica em seu estado mais pujante. Ademais, a crença de que na supervalorização democrática-republicana os princípios fundamentais da humanidade são concretizados. Essa discussão não deve abarcar a lógica interna da mentalidade islâmica, mas sim o perigo objetivo de que a onda secularizante formada no Ocidente estenda-se até as fronteiras dos países maometanos. De fato, as nações mais ocidentalizadas, como Turquia e Marrocos, já enfrentam situações paradoxais, como o Supremo Tribunal de Justiça turco que pretendera abolir o uso do hijab (o véu islâmico).
Outro ponto que deve ser alvo de reflexão é o perigo concreto do despertar do fundamentalismo islâmico, de origem wahabita. A implantação de modelos políticos externos com a ajuda direta das potências ocidentais constrói o contexto adequado para a escalada do discurso radical contrário ao espírito do decadente Ocidente. Como ocorrera no caso da Turquia, a liberalização das ações políticas alimentou o discurso extremista.
O movimento wahabita, surgido no séc XVIII, tem essa marca; o retorno radical às tradições dos tempos do Profeta Muhammad como pensada pelo reformador Mohammad ibn Abd-al-Wahhab. Assim, se auto-proclamam salafis, como eram chamado os primeiros companheiros de Maomé. O espírito do wahabismo é muito similar com a reforma protestante seja na deformação da tradição oral - muito forte no islã - como na corrupção da acertada hermenêutica corânica, vide, por exemplo, a ojeriza ao saber reflexivo filosófico e à estética, marcas bem características do islamismo medieval, e a liberação do takfir (julgamento objetivo da fé alheia). Da junção do radicalismo anti-tradicional wahabita com os projetos da família Saud nasceu, então, a Arábia Saudita com o poderio dos petrodólares.
Outro perigo considerável que incorremos é o de abraçar a utopia neoconservadora ao acreditar na missão profética do Ocidente - não o verdadeiro, mas aquilo que se tornou depois do alvorecer revolucionário -, e aqui surge a figura imponente dos EUA, como defensor da liberdade num mundo submerso nas sombras da religiosidade fideísta e do totalitarismo. Por mais honrosa que seja essa utopia é inegável que parte de um pressuposto ideológico: tanto a deformação do real sentido de liberdade como o taxativo repúdio a qualquer sentimento religioso.
Prefiro esperar o desenrolar dos acontecimentos a apostar na crença de que, através da estruturação do modelo ocidental, essas nações finalmente viverão sob um regime de concórdia.
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