quinta-feira, 29 de julho de 2010

Quão católico era Shakespeare? Quão católicas foram suas obras?

PAUL J. VOSS

Tradução: Sem. Diego Ferracini

Shakespeare permanece como uma maravilhosa anomalia. Isso pode ser provado pelo fato de que nenhum artista na história do Ocidente alcançou a estima dos críticos e do povo como Shakespeare. Seus poemas e peças continuam a encantar gerações após gerações; sua rica linguagem supera a fala moderna – queiramos ou não. O que acontece para tão longa fascinação? Como podemos explicar a beleza de seus escritos e o poder de sua imaginação?

Talvez jamais respondamos. Deveríamos permanecer em silêncio diante deste gênio, simplesmente aceitando este precioso presente. Mesmo que isso não satisfaça estudiosos e críticos. Queremos mais – isso é, após tudo, nossa pergunta. Queremos fazer perguntas desafiadoras, e esperamos respostas convincentes.

Recentemente, um número de estudiosos revisitou as questões religiosas de Shakespeare. Os estudiosos há tempos aceitam, talvez relutantemente, que a crença religiosa pode servir como impulso para o processo criativo. A piedade religiosa contribui para a arte, para a música, literatura e diversas outras áreas. No entanto, a recente atenção para o possível catolicismo de Shakespeare não é algo normal na comunidade acadêmica. As vozes dominantes desta comunidade, os ídolos do pós-modernismo, geralmente ignoram a dimensão religiosa da arte concentrando-se sobre a Trindade da raça, classe e gênero.

Por que perguntar?

Muitos shakespearianos ignoram o perfil religioso de suas obras. Eles acreditam que ele era de alguma forma alheio ao mundo religioso. O famoso critico Harold Bloom, autor do best-seller “Shakespeare: A Invenção do Humano” (Riverhead Books, 1999), considera toda a questão de posturas religiosas em Shakespeare ridiculamente irrelevantes. Bloom afirma que “Shakespeare era muito sensato para acreditar em algo” politicamente ou religiosamente falando. Ele acrescenta “Fico perplexo quando os críticos argumentam se ele era protestante ou católico, uma vez que as peças nada afirmam”. Segundo Bloom, Shakespeare não poderia professar um credo religiosos e ainda ser Shakespeare.

Stephen Greenblatt, o influente fundador do Novo Historicismo, tem sido criticado por sua incapacidade de reconhecer a importância das crenças religiosas na literatura elisabetana. O Novo Historicismo, ao contrário da cultura inglesa renascentista presente em outros críticos, tende a ter uma perspectiva radicalmente secular. Curiosamente, o seu livro mais recente “Hamlet no purgatório” (2001) tenta explorar questões religiosas, mas não de forma compreensiva. Greenblatt concentra sua considerável inteligência em combater a fé católica ao invés de explorá-la.

A procura por um “Shakespeare católico” evidentemente incomoda alguns professores de universidades católicas. Michael A. Mikolajczak, professor de literatura na Universidade St. Thomas, considera a questão como de mau gosto: “Em minha opinião, está pergunta não é objetiva e muito menos interessante, penso que podemos pecar estereotipando-o por orgulho próprio” Enquanto a teologia obscura do professor Michael cria sua própria confusão (pecado do estereótipo?). Mais preocupante é sua afirmação sem fundamento de que os estudiosos da questão religiosa em Shakespeare são de alguma forma pecadores. Sua postura reflete uma falta de curiosidade e certa preguiça intelectual: ele considera a questão de pouco interesse, logo os outros devem considerar assim também. Parece ter a esperança de que ignorando a questão ela simplesmente desapareça.

No entanto, estudiosos e críticos de todos os estilos há muito reconhecem a importância da fé na produção artística, na literatura e no teatro. Mikolajczak pode ser perdoado por sua postura hostil diante da pergunta - ele não é, afinal, estudioso de Shakespeare -, mas descartar, em primeira mão, a relação entre fé e criação literária cheira a preconceito.

Existem acusações mais sensatas. Por exemplo, Pe. Paul Murray O.P, observa: “Não seria, creio eu, útil caracterizar formalmente Shakespeare como dramaturgo religioso. O fato é que ele preferiu, de modo geral, deixar a religião em paz.” Esta é uma meia-verdade: Shakespeare não foi um escritor religioso. Mas o padre Murray assume que ele não escolheu tratar a questão religiosa de forma clara, visível. Na verdade, tal escolha não era do próprio Shakespeare.

Rigorosas leis proibiam expressamente qualquer manifestação religiosa ou política de serem apresentadas no palco. Nenhum dramaturgo que escreveu para o povo durante o Renascimento Inglês pode ser considerado como religioso. Os reformadores protestantes terminaram com séculos de tradição do teatro religioso, incluindo a encenação de milagres e peças sobre os mistérios da fé. No entanto, questões fundamentais permanecem sem resposta. Por que Shakespeare fez repetidas referências ao catolicismo em suas obras? Por que arriscou sua liberdade retratando de maneira simpática a fé católica?

Claro, a ênfase demasiada sobre a religião (política, sexo ou filosofia) em Shakespeare irá reduzir sua obra. Ele, obviamente, não escreveu homilias para o teatro. Ainda assim, seria igualmente desaconselhável ignorar ou negligenciar a linguagem claramente religiosa, os temas e personagens de suas peças. Alguns afirmam que ele incorporou tais atributos religiosos de forma puramente universal, livre de qualquer significado ou simbolismo. Mas esta posição requer que se ignore as numerosas referências e as repetidas práticas especificamente católicas, como os rituais.

A teoria que afirma sua catolicidade se fundamenta em dois tipos de evidência: registros/arquivos históricos e as percepções colhidas de suas obras. Ambas possuem suas limitações. Os registros e arquivos do período elisabetano e jacobino estão longe de ser abrangentes, e atribuir convicções pessoais de um artista partindo de seu trabalho é algo complicado. Logo, as duas fontes de informação não tem sido úteis.

O que a História nos conta

Os arquivos e evidências históricas da catolicidade de Shakespeare são circunstanciais, mas significativos. Não possuímos um testemunho sob juramento assinado por Shakespeare declarando sua fé. Mas temos indicações menos diretas. Poderíamos citar, por exemplo, a religião da família de sua mãe, os católicos Ardenas, e o testamente espiritual de seu pai John Shakespeare que segue o formulário do “Último Desejo da Alma” de São Carlos Borromeu, fazendo assim uma profissão formal de sua fé católica. Os pais de Shakespeare parecem ter aderido ao Catolicismo, mesmo com o risco de perder a riqueza pessoal, a liberdade ou até mesmo a vida. A ruptura entre a Inglaterra e Roma ainda estava viva na memória, e mesmo assim o governo elisabetano esperava uma conformidade exterior em todos os assuntos. Professar a fé católica durante este período exigia grandes doses de fé e coragem.

Outro ponto a ser levado em consideração é que todos os professores de Shakespeare na escola de gramática Stratford tiveram contato com a “Antiga Fé”. Simon Hunt, seu primeiro mestre, 1571-1575, deixou Stratford para se matricular na Universidade de Douai, no verão de 1575, e mais tarde tornou-se jesuíta. Um dos colegas de Shakespeare no mesmo colégio, Robert Dibdale, deixou abruptamente as atividades junto com Hunt, foi ordenado sacerdote e martirizado em 1586.

Os próximos dois mestre em Stratford foram Thomas Jenkins e John Cottom. Segundo Park Honan, biógrafo mais recente de Shakespeare, estes homens “tinham fortes ligações católicas”. Jenkins, se não ele próprio fosse católico, tinha muitos amigos que o eram; Cottom irmão mais novo de Thomas, foi martirizado em 1582 , quando era reitor do seminário. Surpreendentemente, todos os professores de Shakespeare no liceu de gramática (se ele de fato frequentou a escola de gramática de Stratford, como é geralmente aceito) eram católicos ativos ou tiveram relações estreitas com a “Antiga Fé”.

Os últimos desejos de Shakespeare e seu testamento fornecem um vislumbre de sua vida e de sua fé. Mesmo que a fórmula utilizada por ele, como era costume na maioria dos testamentos elaborados na Inglaterra jacobina, fosse protestante (sem citar, por exemplo, a Mãe de Deus ou a comunhão dos santos), o documento revela um padrão intrigante de amizades com católicos conhecidos.

Dos dez nomes citados em seu testamento e que não pertencem a sua família, a religião de três não são conhecidas (Hamnet Sadler, Francis Collins e Richard Burbage), dois eram anglicanos (John Hemminges e Henry Condell) e cinco eram católicos, ou ao menos simpatizantes (Thomas Combe II, William Reynolds, Anthony Nash, John Nash e Thomas Russell). Obviamente Shakespeare continuou a ter amizade com católicos não-conformistas (os católicos citados), prejudicados ou presos por sua fé.

A teoria mais recente de apoio à formação católica de Shakespeare vem de Richard Wilson. Segundo sua tese, pela primeira vez revisada em 1937 e ocasionalmente revista durante 50 anos subsequentes, o “William Shakeshafte” que viveu com a família católica Houghton em Lancashire é o mesmo jovem Shakespeare de Stratford. Essa teoria ganhou novo impulso com a descoberta de que John Cottom era aristocrata de Lancashire, e parente próximo dos Houghtons. Esta possível ligação criou um choque significativo entre os estudiosos de Shakespeare, ocasionando uma grande conferência internacional em julho de 1999, na qual participaram mais de 200 estudiosos e críticos.

Seria errado tirar conclusões absolutas sobre a fé de Shakespeare baseando-se em seus professores, colegas, amigos e familiares. Seria igualmente equivocado, no entanto, ignorar estes arquivos e ricos registros da relação extraordinária de amigos católicos de Shakespeare. O arquivo/registro histórico torna claro que ele queria e gostava da convivência com católicos. “A Antiga Fé” não tinha desaparecido de sua vida.

Sua visão dramática

A forma mais produtiva de apreciar os focos religiosos da sensibilidade de Shakespeare são os elementos claramente católicos incluídos em suas obras. O que essas alusões à fé nos contam sobre seu drama?

Podemos apreciar o universo imaginativo de Shakespeare de forma mais clara, olhando para o imaginário católico em geral. Em um recente livro intitulado “O imaginário católico” (2000), Pe. Andrew Greeley explora as diferenças entre o imaginário católico (ou, como ele denomina, a imaginação metafórica) e a imaginação protestante (de acordo com o autor, imaginação dialética). Apesar das notáveis evidências de Greeley alguns católicos ortodoxos discordam de suas conclusões. Ele levanta algumas questões cruciais: O agir dos católicos, baseado em uma perspectiva principalmente sacramental, entende a realidade de um modo diferente dos não-católicos? Se assim o for, há como provar e identificar isso?

Greeley acredita que qualquer prova empírica justifica sua afirmação, a imaginação católica permite aos poetas, artistas, pais, padres, fazendeiros e outros uma oportunidade de ver Deus em toda a criação, em todos os prazeres, no amor humano e mesmo na doença. Esta metáfora, a perspectiva sacramental, pode ter contribuído para a visão dramática de Shakespeare. Pois mesmo ele não professando a fé, seus pais, avós e bisavós eram católicos praticantes.

O papel crucial do Clero

Considere, por exemplo, a representação do clero católico em suas peças. Na Inglaterra elisabetana, padres católicos encontrados em solo inglês eram considerados culpados de traição e mortos. O governo de Elisabete I executou dezenas de sacerdotes por tal “crime”. Protestantes ingleses viam todos os padres católicos como culpados, ipso facto, sem abrandamento ou nuances. Muitas peças escritas pelos contemporâneos de Shakespeare, incluindo Cristopher Marlowe, John Webster e Francis Beaumont, faziam essa caracterização redutora quando descreviam o clero católico, ou os leigos, eram todos vilões unidimensionais.

Shakespeare apresenta o clero de forma mais complicada. Frei Lourenço de “Romeu e Julieta” desempenha um papel crucial no desenrolar da trama. Embora prolixo, às vezes, ele oferece conselhos morais e uma amizade fiel, finalmente concordando em casar os jovens amantes esperando que “esta aliança possa fazer feliz esta prova / transformando o rancor das famílias em amor puro”. Apesar de o frade admitir a cumplicidade na tragédia e aceitar livremente a punição, o príncipe o desculpa descrevendo-o “nós ainda (sempre) te consideramos como um homem santo”. Frei Lourenço é um personagem complexo, mas não é um vilão.

Frei Francisco desempenha um papel menor em “Much Ado About Nothing” (Muito barulho por nada) – ele fala menos de 85 linhas. Mas ele pode ser visto como a figura central que move a tragédia em potencial para uma resolução cômica. Na peça, Hero está prestes a se casar com Cláudio, no entanto, ele falsamente acreditando na infidelidade de Hero a deixa no altar. Hero entra em síncope, por seu temperamento quente, solta ameaças. A cena paira próxima da beira do caos. Em seguida, Frei Francisco interrompe a bagunça com uma defesa da inocência de Hero. Ele só defende a moça tendo como base sua experiência como confessor e confidente. Termina seu discurso apelando para a reputação de Hero e sua capacidade de escolha entre o certo e o errado:

“Dizei que estou variando, se o quiserdes; não confieis mais no meu saber, na minha observação, que o
selo da experiência tem sempre confirmado, e recusai-me crédito à idade, à dignidade própria, ao
ministério sacro, se esta moça, tão gentil, não se achar, sem ser culpada, vítima de algum erro clamoroso.”

(Ato IV – cena I)

Frei Francisco oferece a legitimidade de sua vocação como potencial para o resgate de Hero. Finalmente Hero é provada inocente, ela se casa com Cláudio arrependido. O voto de Frei Francisco é justificado com Hero: Shakespeare aprova o papel do sacerdote junto à comunidade.

Não podemos ignorar a singularidade da representação. Caso surgisse um verdadeiro Frei Francisco, se saísse do palco do “Globe Theater” e praticasse sua fé em público, imediatamente seria detido e, finalmente, executado. Essa ironia frequentemente escapa aos críticos que não querem aceitar este afastamento radical da ortodoxia protestante.

Doutrina e Sacramentos

Shakespeare também menciona os sacramentos católicos de maneira profunda. Durante a discussão entre Hamlet e o fantasma de seu pai morto, o fantasma descreve os horrores de sua situação atual, elementos que se assemelham a doutrina católica do purgatório. Circunstâncias desconhecidas impedem o fantasma de contar sobre sua situação, mas se ele fosse autorizado “a dizer os segredos da minha prisão”, “arrancaria as raízes da tua alma, E gelaria o sangue da tua juventude, Fazendo teus dois olhos abandonarem as órbitas como estrelas perdidas”. Claramente a idéia de purgatório continuou a interessar Shakespeare.

O fantasma então conta o aspecto mais doloroso do assassinato: Ele foi morto antes que tivesse oportunidade de confessar os seus pecados, não pôde receber a Eucaristia, sem preparação espiritual ou unção dos enfermos.

“Assim, dormindo, pela mão de um irmão, perdi, ao mesmo tempo,
A coroa, a rainha e a vida.
Abatido em plena floração de meus pecados,
Sem confissão, comunhão ou extrema- unção,
Fui enviado para o ajuste final,
Com todas minhas imperfeições pesando na alma.
Oh, terrível! Terrível! Tão terrível!”

A linguagem arcaica não deve obscurecer o sentido da passagem. O fantasma reclama de sua morte “unhous’led” (sem a Eucaristia) e “unanel’ed” (sem a unção dos enfermos). Além disso, ele morreu “no reck’ning made” (sem confissão). De repente, a enormidade do crime se torna mais evidente. Não foi só o rei Hamlet privado de suas alegrias terrenas, sua falta de preparação espiritual comprometeu a felicidade celeste da mesma forma. Embora seja apenas algumas linhas do diálogo, um debate alargado, esta passagem dá energia e vitalidade para todo o discurso. Se o fantasma simplesmente perdesse o conforto terreno de cama e comida, o seu desânimo perderia uma dimensão importante. Shakespeare aumenta consideravelmente os riscos. Ele faz disso uma questão de vida eterna ou morte. A privação dos Sacramentos – da presença de Deus em nossas vidas – ressalta a injustiça do assassinato, impelindo Hamlet a procurar vingança, sua consciência da eternidade motiva a ação e intensifica o drama da história.

Embora não seja um religioso, por si só é dramaturgo, Shakespeare polvilha suas peças com miríades de referências aos Sacramentos. Quando usa a palavra “Sacramento”, somente oito vezes, ele quer dizer o Santo Sacramento da Eucaristia, Shakespeare também menciona a confissão e a penitência (confissão e absolvição) e a unção (como na unção com óleo). Individualmente, as palavras podem parecer em casos isolados de uma piedade fossilizada, coletivamente, elas sugerem num sentido mais dinâmico e vivo do Sagrado.

A natureza sacramental do matrimônio

Consideremos também a apresentação do casamento em suas peças. Durante este período turbulento, as práticas católicas e protestantes eram diferentes. Depois de 1558 e da adesão de Elisabete I, a igreja da Inglaterra deixou de considerar o casamento como sacramento. A Rainha Elisabete, filha de um segundo casamento ilegítimo, obviamente, tinha um grande interesse em desacramentalizar o matrimônio. Para a igreja inglesa, os costumes do casamento ficaram mais simples. Apesar das variações existentes, o casal só tinha que fazer uma promessa de casamento ou a intenção de se casar na frente de algumas testemunhas e consumar a união. Obviamente, os eclesiásticos com sua supervisão limitada se viram diante de vários problemas. De acordo com a jurista A.G. Harmon, esta situação “poderia causar todo tipo de caos, como promessas em segredo, apertos de mão e trocas de anéis.”

No Concílio de Trento, encerrado em 1563, um ano antes do nascimento de Shakespeare, a Igreja Católica insistiu na sacramentalidade do matrimônio. Embora o Concílio tivesse sublinhado o papel da noiva e do noivo que conferem o sacramento entre si, o Concílio determinou também que todos os casamentos católicos fossem assistidos por um sacerdote.

Shakespeare, motivado por razões desconhecidas, opta pela prática católica do casamento em suas peças. Quer em tempos pagãos ou cristãos, países católicos ou não, o casamento é geralmente descrito como “sacramental na natureza”. Consideremos “Twelfth Night” (Noite de Reis), uma peça sobre a confusão de identidades na Ilíria. Durante a peça, senhora Olívia se apaixona por Cesário (na verdade Viola disfarçada de homem). Olívia se oferece para o recém-chegado Sebastian (irmão gêmeo de Viola, o qual se acreditava morto) e, pensando que Sebastian é realmente Cesário, pede ao atordoado Sebastian sua mão em casamento. Apesar da rapidez do pedido ele concorda em se casar com a bela Olívia. Ela orienta a ação:

“A culpa não está presa a mim. Se você quer dizer assim,
Agora vá comigo e com este santo homem
Na capela por ali, diante dele,
E sob esse teto consagrado,
Dê-me as garantias completas de vossa fé;
Para que o meu maior ciúmes e minha mais duvidosa alma
Possam viver em paz.”

De acordo com o Dicionário Oxford de Inglês, a palavra capela, associada ao altar, ou parte de uma igreja, é onde um ou mais sacerdotes rezam a Missa diariamente para as almas dos fundadores e outras intenções especificas. É específica dos institutos católicos.

Em “Julius Caesar” uma obra que se desenrola nos tempos pagãos, Portia confronta Brutus, pedindo-lhe para revelar a fonte de sua ansiedade. Brutus tenta repetidamente afastar as perguntas, referindo-se a fadiga ou problemas de saúde. Portia exige a verdade, e ela apela para a validade e transcendência dos votos emitidos no casamento:

“Dizei-me, Bruto, se constava cláusula no
contrato do nosso casamento, segundo a qual eu nunca deveria tomar conhecimento dos assuntos que vos
tocam de perto. Eu sou vós próprio, mas, por assim dizer, com toda sorte de restrições? Apenas para o
leito vos partilhar, estar convosco à mesa, e conversar por vezes? Moro apenas no subúrbio de vossa
inclinação? Se for assim, esposa não é Pórcia de Bruto, mas apenas concubina.”

Portia torna claro que os votos trocados entre eles transformaram a própria natureza – dois em um. Como resultado, Brutus deve respeitar Portia acima de um mero arranjo contratual. A diferença entre essa união e um contrato ajuda a explicar a ligação profunda com sua esposa, e o “pathos” sentido por Brutus quando fica sabendo da morte dela, mais tarde na peça.

Em “Romeu e Julieta”, Shakespeare novamente enfatiza a sacramentalidade do matrimônio. Antes de seu casamento, Romeu e Julieta recebem o sacramento da reconciliação. Frei Lourenço não vai deixar os dois amantes juntos sozinhos “até que a Santa Igreja os una em um só”. Mais tarde, quando a enfermeira audaciosamente recomenda a bigamia para Julieta, ela fica horrorizada e opta por matar ao invés de quebrar seu juramento conjugal com Romeu. O poder e a transcendência de sua união vem, em parte, da natureza transcendente do voto. Se os dois tivessem considerado o casamento como simples contrato, não morreriam um pelo outro, e teriam menos razão a serem movidos ao sacrifício.

Shakespeare continuou a insistir na natureza sacramental do casamento por muito tempo após sua rainha, seu país e a igreja inglesa terem desistido. Como alguém da comunidade compreendendo o valor da vida, continua a insistir na “santidade” do sagrado, uma vez que se pode ser rotulado como extremista, excessivo, ou até mesmo intolerante. Em sua descrição simpática dos Sacramentos, da doutrina católica e do clero, Shakespeare era radical.

A imaginação de um católico

A imaginação católica - a imaginação que permitiu a Shakespeare regar suas obras com referencias a fé católica e praticas de forma significativa – também o permitiu criar mundo fictícios na Dinamarca, Roma, Verona, Veneza e Ilíria. A imaginação que o fez católico também o ajudou a ser o maior escritor do mundo anglófono.

A questão das sensibilidades religiosas de Shakespeare não é uma questão de luta acadêmica. Muito está em jogo para os leitores de suas peças. Não só para a arte, música e literatura floresce a imaginação católica, ela permite que hoje os católicos usem as verdades transcendentes de sua fé de modo mais profundo. Nós, como católicos, não precisamos observar o mundo com as viseiras do fundamentalismo, rejeitando tudo que não cabe em uma visão estreita. Além disso, o imaginário católico atenua o relativismo irrestrito que é cético em relação a qualquer verdade, não importa o quão óbvia seja. O imaginário católico, ancorado na beleza da verdade e na verdadeira beleza, procura conexões com Deus e com sua criação, entre Sua Verdade e a nossa compreensão, as obras de Shakespeare revelam um vislumbre do que é essa imaginação em ação.

Paul J. Voss. "Assurances of Faith: How Catholic was Shakespeare? How Catholic are his Plays?" Crisis 20, no. 7 (July/August 2002): 34-39.

VOSS. Paul J. Professor de Inglês e vice-presidente dos assuntos acadêmicos do Southern Catholic College in Dawsonville, Georgia

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Os homens que viraram na'vis...

O sempre atuante Leonardo Boff, aquele conhecido kamarada eco-teólogo, fez um comentário muito pertinente no seu twitter acerca da proibição das belíssimas e tradicionais touradas na Catalunha; "Na medida em que cresce a consciência ecologica e a interdependencia entre todos os seres, nesta medida ficam impossíveis as touradas."

Eu quase me senti um na'vi no coração do planeta Pandora plugando os meus interruptores cerebrais à natureza e aos animais, figuras perfeitas da suprema divindade Eywa! E viva a cultura Nova Era. De certa forma fico até triste ao ver Leonardo Boff descambar para uma visão tão superficial, simplória e caricatural da realidade. Ok, é verdade que no auge da Teologia da Libertação o ex-frade era o primeiro a ostentar os falaciosos paradigmas marxistas dentro da teologia, numa visão dialética tão rasa quanto a febre verde da atualidade.

Entretanto, Boff evolui, ele coloca a natureza como sendo mais um alvo das estruturas de dominação e alienação. Diz ele que "A mesma lógica que leva a explorar as pessoas, as classes, os países, é também a que leva a explorar a natureza". Aplausos! Não sei se é apenas coincidência, mas o terror ambiental, fundamentado no mito do aquecimento global, perpetua uma indústria financiada por bilhões de doláres e que tem como objetivo difundir o espírito politicamente e ecologicamente correto. Boff atualmente anda pelo mundo, numa cruzada vegetariana, pregando em favor da santa biodiversidade e da beata natureza!

A sua obra "Ecologia: grito da Terra, grito dos pobres" inaugurou a Ecoteologia da Libertação; "Temos que nos convencer que a Terra é Gaia, isto é, tem um comportamento típico dos seres vivos. Somos mais filhos e filhas da Terra. A nossa singularidade é a de ser os cuidadores da Terra, os jardineiros do Éden terreno, e não o Satã da Terra." Aleluia! Até estou vendo Boff liderando um ritual sagrado, num santuário ecumênico, em torno de um cacho de banana, com fiéis cantando mantras e captando a energia vinda da Mãe Terra.

Como disse Lord Nigel Lawson, Ex-Ministro de Finanças e da Energia da Inglaterra, no documentário "A Grande Farsa do Aquecimento Global": "A esquerda ficou levemente desorientada depois do fracasso evidente do socialismo e, naturalmente, do comunismo-marxismo como foi testado, e ainda permanecem tão anticapitalistas quanto eram, mas eles têm de encontrar novos sujeitos para esse anticapitalismo." A causa verde e o ambientalismo caricatural surgem como as novas bandeiras que escondem os desejos mais revolucionários. Funcionam como máscaras que conseguem conquistar e renovar o séquito dos idiotas úteis e, ao mesmo tempo, ofuscar um intento extremamente subversivo e friamente planejado; a destruição da Civilização.

Welcome to Pandora, baby!

terça-feira, 27 de julho de 2010

Livre Mercado explicado em 47 segundos


E os consumidores são aqueles que mais ganham com isso...

Sacerdotes segundo o Coração de Jesus

(ZENIT) A diocese de Roma emitiu uma nota comentando o artigo publicado no semanário italiano Panorama, chamado “As noites loucas dos padres homossexuais”. Como noticiado, o comunicado da Igreja foi duro e taxativo na condenação da "vida dupla", sem esquecer das motivações mais obscuras do interessa da mass media em tal temática; difamar o clero e enfraquecer a autoridade eclesiástica.

Entretanto, o que considero mais pertinente é o clamor da diocese de Roma para que os Sacerdotes com duplicidade - homossexualismo - abandonem o exercício de seu ministério. Sem dúvida alguma é um pedido forte e radical. Não obstante, devemos entender, ou ao menos questionar, o funcionamento da mentalidade de um homem com tamanha capacidade de manter uma mentira imensamente bizarra durante toda a vida. Trata-se de um tema digno de um estudo sociológico profundo.


A origem de todo o problema está na formação da consciência. Vamos imaginar o cenário ordinário; jovens que largam tudo para seguir apenas a Cristo, deixam o conforto de seus lares, a possibilidade da constituição familiar, para viver pela Igreja. As consciências mal formadas já dão os seus sintomas desde a maturação da caminhada sacerdotal; homens escolhem a vida presbiteral tendo em vista a projeção social, a ascensão, o poder, o dinheiro. Podemos regredir mais ainda e chegar em famílias desestruturadas, com problemas de relacionamento profundos e com pouca ou nenhuma probabilidade de mudança da realidade financeira. O sacerdócio, então, surge como a grande chance de transformação da própria história.


Entretanto, os casos mais aberrantes são aqueles de homens que procuram no seminário e no presbitério os locais oportunos para esconder os desvios sexuais que carregam. Claro que tal motivação tende, naturalmente, para a completa destruição da consciência. A vida dupla quebra todos os paradigmas morais. O sacerdócio é um chamado de Deus, é consagrar a sua existência ao serviço de Cristo. Viver de amor e pregar o amor! Se não existe esse ardor no peito inevitavelmente o homem consagrado destina-se para a total pertubação, numa vida falseada, hipócrita e mentirosa, surgindo, daí, os escândalos sexuais.


O homem moderno, de forma geral, tem um sério problema de consciência, com uma perspectiva relativista da realidade, fundamentado em opiniões e crente da fé sentimental típica da atualidade. Quando esse mesmo homem destina-se para a vida sacerdotal, quando não há o chamado que capacita e transforma o mais profundo da natureza decaída, a hipocrisia assola e torna-se extremamente sintomática. A vida dupla é apenas a conseqüência dessa incapacidade de enxergar tanto o sentido mais profundo do sacerdócio como do déficit de honestidade consigo mesmo.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Causas religiosas da Revolução Francesa - II

O galicanismo e o jansenismo como causas da Revolução Francesa

O galicanismo pode ser definido como a busca pela submissão da Igreja ao poder civil, tolhida em sua liberdade e impedida burocraticamente de praticar a sua missão apostólica. Desde o rompimento da igreja da Inglaterra, iniciada com Henrique VIII e estruturada com Izabel I, surgiram em certas nações européias movimentos que partiram do mesmo ideal, alguns com fundamentações teológicas e outros com simples intentos políticos.

O galicanismo nasceu da convergência de fatores como, por exemplo, o conciliarismo que, debilitando o papado e fortalecendo os episcopados nacionais, deu margem para o desenvolvimento de teses nacionalistas. Além disso, a complexa situação canônica, com problemas jurisdicionais, somada a questões doutrinais e morais, deram margem ao desenvolvimento de tais teses. Nem mesmo a condenação ao conciliarismo por Pio II e pelo Concílio Lateralense V - não reconhecido como ecumênico pela França - deu fim ao movimento galicano.

O galicanismo eclesiástico, com seus matizes episcopais ou presbiterianos, segundo os tempos, possibilitou um ataque frontal à Igreja, o que enfraqueceu e deteriorou a vida espiritual dos franceses. Obviamente, os princípios galicanos foram utilizados por entusiastas do absolutismo como forma de neutralizar a influência papal na nação. Richelieu, por exemplo, grande promotor do ideal do Estado forte e centralizado, defendeu a ereção de um patriarcado francês aos moldes das igrejas autocéfalas cismáticas; “em algumas ocasiões não resultava fácil distinguir movimento político do eclesiástico” (LABOA, 2001). Ademais, é com Luiz XIV, o Rei Sol, que se inicia intensivamente o conflito entre Roma e as aspirações galicanas.

Pierre Pithou, influente inspirador das doutrinas galicanas no ambiente parlamentário, elencou em 83 artigos os direitos e privilégios do rei francês sobre a Igreja. Do mesmo modo, Edmond Richer defendeu uma igreja democrática onde os sacerdotes seriam soberanos e a estrutura do poder estaria subordinada a uma legislação sinodal e conciliar tendo, o Papa, um poder meramente executivo – propostas apropriadas e remodeladas mais tarde pelos revolucionários. Baseado, do mesmo modo, no direito divino dos reis, Richer restringe o poder da igreja a uma ordem estritamente espiritual e, em contrapartida, gozando o poder civil de toda a ordem material, assim, a Igreja torna-se refém da coroa: “A infalibilidade pertence a toda a Igreja ou ao concílio geral, que a representa; é sobre o concílio geral sobre quem recai todas as controvérsias, como o último e infalível tribunal, tendo toda a plenitude de poder” (LABOA apud RICHER, 2001). Destarte, os seus bispos têm jurisdição plena, independente e livre exercício de sua autoridade. Logo se restringe a plena autoridade papal.

A problemática das regalias e o intento político de alguns parlamentaristas franceses deram forma a essa mecânica de poder, tendo em vista a redução da autonomia da Igreja. Visando o alvorecer de uma igreja nacional, Luiz XIV convocou a assembléia do clero francês em reação aos pronunciamentos papais opostos aos projetos de cunho cismático, ou próximo disso, orquestrados pelo rei e influenciado por seus conselheiros, como o arcebispo de Paris. Os quatro artigos galicanos promulgados nesta assembléia, aprovados pelos 34 bispos participantes, deram forma às doutrinas de emancipação da igreja francesa.

O grande orador Bossuet, membro atuante da assembléia convocada, buscava convergir uma fidedigna adesão ao primado pontifício juntamente ao receio da extrapolação do poder papal como defendido por autores ultramontanos. A linha adotada por esse ilustre bispo francês partia do entendimento do “direito” que a Igreja tinha de ser protegida pelo rei. Como exposto pelo historiador Juan Maria Laboa, Bossuet acreditava não na infalibilidade do pontífice romano, mas sim na da Santa Sé.

Os quatro artigos podem ser sintetizados de tal modo:

1. Cristo concedeu a Pedro e seus sucessores apenas poder e autoridade sobre as coisas espirituais e concernentes à salvação. A ordem temporal e os estados são livres e independentes de qualquer interferência e ação eclesiástica. Os reis não se submetem a nenhuma potência da Igreja. Assim, o Papa não tem nenhum respaldo para depor ou desligar os súditos.

2. Os poderes que Cristo deixou à Santa Sé estão limitados pelo Concílio de Constança (conciliarismo).

3. As leis do reino e os estatutos da igreja da França gozam de estabilidade e não podem ser alterados pela Sede Apostólica por estarem em consonância com a autoridade instituída por Cristo.

4. O juízo do Santo Padre não é irreformável senão com o consentimento de toda a Igreja.

Claramente os artigos propostos trazem um arraigado espírito de desobediência e revolta diante da autoridade da Igreja. “A Igreja Constitucional que ela [França], antes de naufragar no deísmo e no ateísmo, tentou fundar, era uma adaptação da igreja da França ao espírito do protestantismo” (DE OLIVEIRA, 1998).

Toda a problemática galicana acarretou o choque entre a França e Roma. Luiz XIV, mesmo recebendo a condenação de Inocêncio XI aos quatro artigos que, além disso, se negou a conceder as bulas de instituição dos novos bispos nomeados pelo rei, manteve a sua cruzada em prol da emancipação da igreja francesa. Entretanto, temendo a concretização de um cisma formal, não procurou a sagração episcopal dos sacerdotes indicados por ele para o pastoreio das dioceses sabendo que configuraria um ato canônico de rompimento à autoridade do Papa.

Toda a gênese do galicanismo termina, ou ao menos perde a força de outrora, com a publicação da bula inter multiplicis do Papa Alexandre VIII, na qual condenou os quatro artigos, as regalias, declarando nulos, inválidos e sem consequências. Luiz XIV, constatando o desgaste de sua política e entrando em diálogo fraterno com o Papa Inocêncio XII, não mais exigiu o ensino do edito da assembléia galicana ainda que conservasse a declaração.

Obviamente o galicanismo não se finda por meio de um decreto. Ainda que não mais houvesse uma política oficial do Estado em busca da independência da igreja francesa, o espírito proposto se manteve e repercutiu na mentalidade do homem. De certo modo, como colocado pelo Pe. Leonel Franca, o jansenismo nasceu ao pé das iniciativas galicanas.

[...]

sábado, 24 de julho de 2010

Causas religiosas da Revolução Francesa

[Abaixo se encontra a introdução do trabalho apresentado por mim e pelo Sem. Cleyton Torres Reis, diocese de Anápolis - GO, na matéria de História do Prof. Valter de Oliveira, no Seminário Maria Mater Ecclesiae do Brasil. O trabalho é relativamente extenso, portanto a sua publicação será dividida. Todos os artigos tocavam em algum ponto da Reforma Protestante. Já o nosso tema introduzia o espírito reformado no alvorecer do terror revolucionário; "Causas religiosas da Revolução Francesa; o Galicanismo e o Jansenismo"]

A Revolução Francesa reflete em sua essência mais profunda o novo espírito e o novo paradigma proposto pela Reforma Protestante. De fato, o acontecido de 1789 “foi senão a transposição, para o âmbito do Estado, da ‘Reforma’ que as seitas protestantes mais radicais adotaram em matéria de organização eclesiástica” (DE OLIVEIRA, 1998). O ethos reformista fomentou em terras francesas o contexto que propiciou a explosão de um movimento revolucionário, anticlerical e totalitário. O jansenismo e o galicanismo, frutos desta árvore, sancionaram, mesmo que indiretamente, a ascensão do horror e da utopia.

A Revolução não pode ser compreendida como um evento a parte da sua história precedente. Sem dúvida alguma, a compreensão sincera e genuína das consequências civilizacionais do Renascimento e da Reforma são partes fundamentais no estudo deste marco do mundo contemporâneo. Todo o processo revolucionário abarca em seu âmago o homem, por isso se faz mister levar em consideração a desconstrução do paradigma medieval, movimento este iniciado pelo humanismo renascentista e consolidado na coroação do homem absoluto com os princípios protestantes.

O homem moderno, com as aspirações revolucionárias, distante da compreensão cristã da realidade – entenda-se cristã não como a percepção religiosa, mas como a visão profunda e completa do mundo –, deu início a um processo de absolutização de si mesmo, com o triunfalismo das suas capacidades e a vanglória dos seus ponteciais. A Revolução Francesa concretiza e inaugura, com a sua prática, uma época de rompimento formal com a mentalidade do medievo.
A Reforma foi a primeira explosão do individualismo destruidor e da sentimentalidade republicana, as grandes questões intelectuais e sociais, em vez de serem resolvidas em comum e pelas vias tradicionais, começaram a ser interpretadas no segredo dos corações e no isolamento das consciências. As incertas aspirações de cada indivíduo tornaram-se, para ele, uma verdade e um deus. A atividade harmônica dos agrupamentos naturais, os seus hábitos de disciplina religiosa e estética desvaneceram-se perante as iniciativas particulares de cada um dos seus membros. E chamou-se a isto ‘libertação’. Por toda a parte onde a Reforma triunfou sob a sua forma pura, a forma luterana, não houve, na realidade, senão anarquia e, quando findou o período da fermentação ficou a existir um fracionamento territorial quase infinito e uma desagregação moral quase irremediável. A unidade francesa foi salva e o rei salvou-se com ela. Triunfando o classicismo, Pascal, Descartes, Bousuet e La Bruyère vão buscar à monarquia a sua concepção do direito e do governo. Parece que nada virá perturbar este equilíbrio e este acordo. No entanto, a mística revolucionária não está morta. É ela que inspira as tiradas dos libertinos contra a memória e contra a razão, tiradas essas que corromperam a natureza e tiraram ao homem o gosto e a arte do prazer puro. (GAXOTE, 1945)
Em concreto, “a característica da idade moderna da Igreja é a desintegração do universalismo e o trânsito ao particularismo” (LABOA, 2001). A Europa, então, se vê afetada pelos reflexos da Reforma Protestante; não só uma crise espiritual, mas sim, como consequência desta, a derrocada da unidade relativamente estável; “a Reforma engendra como fruto maduro as igrejas nacionais” (LABOA, 2001). O galicanismo e, em seu pé, o jansenismo surgem, na França, na esteira dessa mentalidade. Nesse sentido, “a revolução é filha legítima da Reforma.” (FRANCA, 1958).

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O demônio não deve gostar de cinema...

Não é de hoje que o catholic way of life exerce fascínio em Hollywood. De fato, é comum produções cinematográficas que tratam de temas referentes à Igreja, desde possessões demoníacas, passando por guerras celestiais e chegando até às fajutas conspirações eclesiásticas. Ironicamente, quase sempre os filmes enaltecem algumas das nossas belas tradições. Será muito difícil encontrar nas telas dos cinemas, por exemplo, Padres sem distintivo, pregando que o demônio é a alienação social, desconhecedores da mística cristã. O oposto é bem verdadeiro; Sacerdotes de batina, orações em latim, exorcismo, possessão demoníaca, rosário etc. Nesse sentido, os filmes frisam muito bem não só a identidade católica como a forma característica que dota de personalidade e singularidade, com seus símbolos, a Igreja.

Ao que tudo indica será lançado em 2011 um filme deveras interessante; The Rite: The Making of a Modern Day Exorcist. (mais link.) A produção contará com os atores Anthony Hopkins e Colin O'Donoghue. Aparentemente seria mais uma obra com demônios, gritos e rituais de exorcismo. Entretanto, o filme é uma adaptação do livro do jornalista Matt Baglio (pode ser comprado aqui), de mesmo título, que conta a história real de um Padre chamado Gary Thomas, do estado da Califórnia, que foi mandando para Roma, pelo seu Bispo, estudar o exorcismo num curso aberto pelos Legionários de Cristo no Ateneo Pontificio Regina Apostolorum. O autor teve livre acesso ao Sacerdote e o acompanhava. Assim, o livro destaca todo o processo de formação, a distinção entre possessão verdadeira e doença mental, contando com o relato de experiências que o próprio escritor vivenciou.

A obra por si só parece ser muito interessante, inclusive o autor deixou de ser um católico nominal para se tornar um praticante da fé. Além disso, contar com a sétima arte reproduzindo em larga escala uma história verídica e, ao que tudo indica, transmitida com honestidade, sem dúvida alguma é um importantíssimo serviço na demonstração da existência do demônio e suas obras num mundo descrente.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Qual a ligação entre o movimento homossexual e o MST?



Quer saber que ligação há entre o movimento homossexual e o MST?

Então pergunte para a presidente do conselho do movimento homossexual de Ribeirão Preto. Pois foi a ajuda deles que ela clamou - quando percebeu a insuficiência numérica de seus colegas sodomitas - para fazer "uma revolução" contra a caravana Terra de Santa Cruz que estava no centro da cidade alertando a população contra os malefícios do PNDH 3.

Clique aqui e veja a foto que o site da UOL divulgou sobre o ocorrido, na frente, aparecem três homossexuais que atrapalharam a campanha. Na verdade, ajudaram, pois o radicalismo e a intolerância deles despertaram os transeuntes para a verdadeira perseguição que haverá no Brasil com a aprovação de leis que favoreçam essa minoria.

Nota-se que o site da UOL destacou na foto os homossexuais, como se eles tivessem prevalecido perante a campanha dos jovens caravanistas.

Mas bem outra foi a realidade.

Para confirmar isto, assista ao vídeo em que coordenador da caravana, Daniel Martins, explica com detalhes e imagens a luta vitoriosa, pela Opinião Pública, dos caravanistas em Ribeirão Preto.


Leia a reportagem da Agência Bom Dia (Transcrita no Diário de São Paulo):

http://bomdiasorocaba.com.br/Noticias/Dia-a-dia/25315/Religiosos+contra+o+casamento+gay

Grey's Anatomy e as bandeiras liberais

A série Grey's Anatomy se destaca por ostentar, orgulhosamente, as bandeiras do politicamente correto liberal. A trama conta com as temáticas mais freqüentes da esfera progressista; homossexualismo, adoção homossexual, aborto, eutanásia, religião, sentimentalismo, relativismo. E não estou exagerando quando digo que a abordagem é direta e objetiva, com discursos açucarados que defendem de forma contundente um modelo de vida fabricado nas mentes insanas dos arautos da "modernidade".

Entretanto, no episódio derradeiro da última temporada americana a doutrinação liberal se superou, e muito. Todo o enredo do episódio se centrou no drama de um senhor que tomado de fúria pela morte da sua esposa, que havia falecido depois que alguns médicos desligaram o aparelho, entra no hospital Seattle Greace com o claro e simples propósito de assassinar os cirurgiões responsáveis pelo óbito de sua senhora. Não obstante, até a conclusão do macabro objetivo acaba matando não sei quantos e ferindo gravemente outros mais.


Qualquer telespectador minimamente precavido já entende a clara intenção dos autores; não só defender a eutanásia como menosprezar o trabalho dos defensores da vida. O senhor desesperado, antes de atirar no cirurgião chefe, afirma que não era certo ele brincar de Deus, que ele não era Deus! De fato, se tratava de uma ironia muito bem armada - o mesmo senhor havia manchado as suas mãos com o sangue de médicos, policiais e enfermeiros assassinados, tudo para fazer valer a vingança. Matou para honrar a vida! Ademais, além de defender a eutanásia, a série ainda critica ferozmente o comércio de armas nos EUA, outro corriqueiro alvo dos políticos liberais americanos. O viúvo, no auge do desespero, próximo de se suicidar, comenta com boas risadas como era fácil adquirir armas e munição em qualquer loja de departamento! Ora, ao colocar um assassino em série, responsável por uma chacina, tocando em tal tema, a direção constrói uma natural e óbvia contra-argumentação ao livre comércio.


Eutanásia e comércio de armas, falta mais alguma coisa? Sim! No episódio ainda teve espaço para a defesa da adoção homossexual - Grey's Anatomy é marcada pelo número relevante de personagens gays e de temáticas relativas ao mundo gls - e do velho discurso sentimentalista que marca toda a série, romantismo que endossa a promiscuidade freqüente nas tramas.

E essa série ainda é extremamente popular!

O site da CNBB é da CNBB?

O Bispo de Garulhos, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, escreveu um fabuloso artigo abordando com seriedade, objetividade e espírito cristão a postura dos católicos diante de uma eleição importantíssima para o futuro do país e decisiva na defesa da vida. Além de ser categórico; "Já afirmamos muitas vezes e agora repetimos: não temos partido político, mas não podemos deixar de condenar a legalização do aborto." foi muito corajoso ao pedir a "a todos verdadeiros cristãos e verdadeiros católicos a que não dêem seu voto à Senhora Dilma Rousseff e demais candidatos que aprovam tais “liberações”, independentemente do partido a que pertençam."

Tudo muito bem! Fiquei contente e até confortado ao perceber que nas eleições 2010 os Bispos se movimentavam na defesa da Igreja e acordavam diante do forte lobby da cultura de morte no ambiente político-partidário nacional. Ademais, para aumentar a nossa felicidade, Dom Cristiano Krapf, Bispo de Jequié, aqui na Bahia, fez uma pertinente reflexão acerca do revolucionário plebiscito que pretende limitar a posse da propriedade de terra, que conta com o apoio de algumas pastorais sociais da CNBB (tenha medo!)

O site da CNBB, não satisfeito com tamanho reacionarismo resolve, então, retirar da página o artigo de D. Luiz Gonzaga Bergonzini, sendo que nem mesmo publicou o texto de Dom Cristiano Krap. Muito bem! Já por outro lado:
Reunidas em Brasília, nos dias 14, 15 e 16 de Junho, as coordenações regionais e nacionais das Pastorais Sociais e Organismos da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da CNBB, assumem o compromisso de participar do 16⁰ Grito dos Excluídos e da organização do Plebiscito Popular por um Limite da Propriedade da Terra no Brasil. (link)
A página da CNBB agora é patrulhada?! Pelo jeito os sequazes libertadores estão afiadíssimos nas estratégias pensadas por Lênin, o Genocida! E o nome da Conferência virou refém das ditas pastorais sociais e de assessores embebidos na perspectiva socializante?! Os grandes Bispos desse país têm suas palavras boicotadas pelos arautos da revolução no próprio ambiente!

Chega!


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O artigo do Bispo de Garulhos está sendo muito comentado pela mídia. Saiu no Portal G1 uma reportagem de tamanho considerável a respeito. Dom Luiz reforça o seu posicionamento e diz que mandará "uma circular para os padres da diocese pedindo que eles façam o pedido na missa, para que os nossos fiéis não votem na candidata do PT e em nenhum outro candidato que defenda o aborto." Entretanto, o Subsecretário-geral adjunto da CNBB, o padre Antônio da Paixão, afirma que "A CNBB não entra nessas questões políticas” e que "E isso pode não refletir um posicionamento da CNBB".

Sinceramente, as vezes eu acho que esses assessores "cnbbistas" crêem que a Conferência é uma entidade metafísica. A CNBB é composta pelos...Bispos, portanto são os Bispos os responsáveis, em teoria, pelos pronunciamentos desta. Além de não ser parte da hierarquia da Igreja mesmo quando, constantemente, pretendem colocar a CNBB como autoridade contrária aos Bispos falastrões (reacionários), esses assessores têm a audácia de publicamente mostrar a inconformidade com o episcopado corajoso e coerente do país.

terça-feira, 20 de julho de 2010

A coerência dos incoerentes

Estamos em ano de eleição, um momento muito importante, quiçá crucial, para a definição do que será a sociedade brasileira nos próximos anos. Nós católicos temos não só o dever mas a obrigação de fundamentar o nosso voto na mais profunda consciência da fé que professamos. Não cabe a paixão ideológica ou o romantismo partidário entre aqueles que confessam a divindade de Nosso Senhor e que vivem na Igreja edificada por Ele.

O Brasil conta com três candidatos com maior destaque ao Palácio da Alvorada– Serra, Dilma e Marina. A senadora do PV, ainda que seja protestante e pessoalmente contrário ao aborto, adota uma posição muito escorregadia e diplomática, pouco enfática diria. Este posicionamento é, de certa forma, natural, afinal se formou nas bases esquerdistas do PT, das CEBs etc, e tem na militância socialista a sua origem política.

O candidato tucano, José Serra, governador do estado de São Paulo, cresceu politicamente dentro de uma perspectiva socializante, nos ambientes acadêmicos e intelectuais da esquerda das décadas de 60 e 70. Atualmente, ainda que carregue certo ranço estatólatra e progressista – defesa da união homossexual, por exemplo -, procura adotar bandeiras mais próximas à desejada tanto pelos conservadores morais quanto pelos liberais econômicos. Declarou-se publicamente contrário ao aborto; "Eu não sou a favor do aborto. Não sou a favor de mexer na legislação. Agora, qualquer deputado pode fazer isso. Como governo, eu não vou tomar essa iniciativa", comparando a sua legalização a uma “carnificina”. Partidos como PSDB, DEM e PP são considerados baluartes da direita reacionária pelos esquerdistas e sua patrulha. Essas categóricas afirmações fundamentam-se ou nas origens históricas das siglas ou na polarização política entre tucanos e petistas. De fato, nenhuma dessas bandeiras se destacava pela coerência no discurso, na defesa de valores e paradigmas “direitistas”. Nessa eleição, ao que me parece, surge em certos ambientes dos três partidos um alvorecer conservador, com a candidatura de nomes firmes e convictos das posições adotadas.

Ademais, se faz mister pontuar que o Partido dos Trabalhadores, além de ter um claro projeto revolucionário e subversivo, com a participação no Foro de São Paulo e no financiamento de grupos socialistas por toda a América Latina, reconhece a importância da promulgação da permissividade imoral como forma de instaurar a desconstrução da ordem cultural. Em sintonia com a mentalidade socialista, o PT sempre se destacou na defesa do aborto. Em 1989, por exemplo, a Prefeita petista Luiza Erudina, na cidade de São Paulo, instalou no município o primeiro “serviço” de aborto financiado com dinheiro público do país. A liderança do partido nessa questão sempre foi “admirável”. Em 2002, dos oito projetos de lei que tramitavam no Congresso que objetivavam ou a legalização do aborto ou o favorecimento de sua prática, seis eram de autoria de petistas. Com a eleição de Luís Inácio Lula da Silva a ação dos adeptos da cultura de morte tomou maiores proporções; além da publicação de cartilhas abortistas pelo Ministério da Saúde, foi entregue, em 2005, pela secretária especial de Políticas para Mulheres, Nilcéa Freire, um anteprojeto que reivindicava a “total liberação” do aborto por ser este “um direito inalienável de toda mulher”, e que mais tarde virou projeto de lei.Outro dado interessante é o número dos deputados que assinaram o recurso pela deliberação da PL 1.135/91 (descriminalização do aborto) em 2008; 49,20% dos parlamentares eram do PT, enquanto os outros 50% estavam divididos entre doze partidos, sendo que o segundo lugar, o PCdoB, encontrava-se muito distante dos petistas com apenas 11,11%.

Já em 2006, no 13º Encontro Nacional, o Partido dos Trabalhadores outorgou as “Diretrizes para a Elaboração do Programa de Governo do Partido dos Trabalhadores” que incluía a descriminalização do aborto e a criminalização da homofobia” (item 35). O Presidente Lula, então, acrescentou ao seu programa de governo a seguinte proposta; “criar mecanismos nos serviços de saúde que favoreçam a autonomia das mulheres sobre o seu corpo e sua sexualidade e contribuir na revisão da legislação” (Programa Setorial de Mulheres, p. 19). Com a eficaz ação dos deputados pró-vida e das ONGs contrárias à cultura de morte, o governo petista iniciou a repetição do mantra de que a legalização do aborto trata-se apenas de questão de saúde pública.

Ademais, no 3º Congresso do Partido dos Trabalhadores - instância máxima do PT -, em 2007, foi legitimada como parte integral do programa a seguinte definição; “defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público”. Interessante pontuar que esta resolução teve 70% de votos favoráveis. A minoria que se opunha, que alegava a liberdade de consciência, foi vaiada. Com razão a Dep. Fed. Iriny Lopes, do Espírito Santo, que juntamente com a ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, liderava a investida abortista, afirmou; "somos um partido socialista e laico”. Tão válida era esta definição que em 2008, no 10º Encontro Nacional das Mulheres do PT, foi aprovada a instalação da Comissão de Ética para investigar os parlamentares antiabortistas, tendo em vista a “orientação para expulsão daqueles que não acatarem e não respeitarem as resoluções partidárias relativas aos direitos e à autonomia das mulheres”. Os deputados Luís Bassuma, da Bahia, e Henrique Afonso, do Acre, foram punidos por infringirem “a ética-partidária ao ‘militarem’ contra resolução do 3º Congresso Nacional do PT a respeito da descriminalização do aborto.”

O PT e seus sequazes são militantes abortistas conscientes das consequências sociais do impacto de tamanha revolução. O Partido visa não a legitimação do direito das mulheres e todas aquelas falácias atuais, mas sim o rompimento com o padrão moral que considera reacionário e burguês. Assim, desfazendo as estruturas de dominação (sic) instala-se a perspectiva revolucionária que visa a total desconstrução da ordem cultural.

Quando um católico vota em Dilma Roussef ou até mesmo num candidato pró-vida filiado ao PT está compactuando diretamente com a cultura de morte. O Partido dos Trabalhadores carrega em sua essência um arraigado espírito na antípoda de qualquer princípio cristão. O processo contra o Dep. Bassuma é uma amostra da intransigência do Diretório Nacional quando se trata do não cumprimento das resoluções internas. De certa forma o PT é coerente com a sua bandeira ideológica! Incoerentes são os católicos defensores da vida que iludidos pelas falácias humanísticas e retóricas da esquerda votam numa sigla que busca a legitimação da morte.

A coerência com a ideologia está acima da coerência com a fé que professa?!


Forte pronunciamento do Dep. Bassuma explicando a sua situação no Partido dos Trabalhadores. Após ingressar com uma causa contra o PT no Supremo Tribunal Federal, com base no Artigo 5º, Inciso 8º, o deputado filiou-se ao Partido Verde e sairá candidato ao governo da Bahia.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A guerra e os seus valores antimodernos

O mundo moderno nutre uma verdadeira ojeriza ao conflito armado, à guerra. Não quero com essa breve reflexão abordar o sentido da guerra justa, mas sim acerca da mentalidade progressista que fundamenta o pacifismo caricato e a romantização da realidade. Obviamente, nenhum ser humano busca a violência como meio ordinário de alcançar a paz e a justiça, não obstante, a força pode e deve ser aplicada na defesa da verdade e da ordem afrontada pelos inimigos da Civilização.

Entretanto, para haver guerra é necessário que exista lados bem definidos, convicções firmes e certeza na posição adotada. A modernidade repudia mortalmente tudo isso! A perspectiva liberal rechaça qualquer posição que se considere verdadeira e suficiente, assim como anatemiza a integridade e a plenitude da coerência com aquilo que se crê. Ora, como relativizar a guerra? Impossível! Alguém está certo e alguém está errado! O desespero dos liberais ao estruturar opiniões em relação aos conflitos armados - Iraque, Afeganistão etc - chega a ser engraçado; ao mesmo tempo em que se colocam na radical oposição às ações dos Estados Unidos da América - aqui não interessa saber se são incursões lícitas ou não - procuram enlouquecidamente ponderar as afirmações para que não estejam pendentes à defesa dos ataques inimigos. Vivem, assim, num murismo assustador.

Ademais, a guerra necessita de valores que o mundo atual não aprecia; virilidade, hombridade, honra, respeito, convicção, radicalidade, patriotismo. É impossível pensar num conflito armado com a participação dos molengas homens modernos. O liberalismo pretende pintar o mundo de cor de rosa, ou seja, romantizá-lo. Esse paradigma se forma na mais profunda essência da filosofia típica da modernidade; o gnosticismo! A crença de que a sociedade pode ser perfeita, de que tudo depende da iniciativa e da propensão humana, destrói o discernimento do homem, impede a compreensão do real e abre as portas para as ideologias. A guerra, como constatação dos males do mundo, é o sinal vermelho que pisca diante de todos os indivíduos mostrando que a sociedade é sustentada sobre diferenças e que essas diferenças mantém a ordem cultural. Não há nada mais reacionário do que a guerra!

Típico reducionismo progressista que busca escarnecer da guerra ao escarnecer da honra militar.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

O povo argentino disse NÂO ao "casamento" homossexual

A mídia anunciou que a Argentina se tornou o primeiro país na América Latina a aprovar a união civil entre pessoas do mesmo sexo - mas esqueceu de esclarecer que esta decisão não foi de forma alguma aprovada pelo povo. Da maneira como é colocada, parece ser a Argentina um país mais liberal que os outros, como se por lá é que andasse a falsa maior parada gay do mundo, como se os torcedores brasileiros tivessem razão nas suas ofensas contra os hermanos. Mas ao contrário disso, o povo argentino foi apenas ignorado, enquanto uns poucos atropelam a democracia para fazer valer suas vontades, não respeitam sequer quem os elegeram.

Milhares de argentinos foram protestar na frente do Congresso, e dizer não à essa aprovação absurda, como se uma lei pudesse igualar o matrimônio (que só pode existir entre um homem e uma mulher) e a estéril união homossexual.


A união homossexual não pode ser reconhecida pela lei civil

Nada há de mais contraditório em aceitar a união homossexual: os militantes defendem que os casais gays podem levar uma vida estável, e por isso poderiam gozar dos mesmos direitos civis que os casais heterossexuais. Em primeiro lugar, não se pode acreditar nesta opinião do movimento gay, ao mesmo tempo que este mesmo movimento ridiculariza e destrói a instituição familiar, publicando toda espécie de cartilhas contra a "heteronormatividade" e o chamado "modelo patriarcal"´. Em segundo, não se pode chamar de união estável duas pessoas que praticam o amor livre, e dizem morar sobre o mesmo teto. A relação homossexual é transgressora de todos os padrões estabelecidos, e pela mesma razão não pode oferecer aos filhos da sociedade uma educação que continue a existência da mesma. O estado está legitimando a própria ruína quando reconhece que casais gays podem reclamar os direitos matrimoniais ou adotar crianças.

A sociedade deve a sua sobrevivência à família fundada sobre o matrimônio.¹ A união homossexual não produz fruto algum, pois é estéril por sua própria concepção, e como apontou o Pe.Paulo Ricardo na sua homilia contra o PNDH-3, só produz excrementos. Todo indivíduo homossexual deve sua existência à uma relação heterossexual - a existência gay no mundo é solitária, sem continuidade nas gerações vindouras, interrompe a árvore genealógica e não pode construir nada que sua própria descendência possa dar continuidade. Não se trata, portanto, de reclamar apenas a anti-naturalidade da relação homossexual, mas é preciso também chamar atenção para o fato de que toda a sociedade perde, em patrimônio, reconhecendo civilmente a união gay.

Quando o Estado se propõe a oferecer ao casal homossexual os mesmos direitos civis, está também se propondo a pagar muito caro por estes direitos. O divórcio já trouxe em si prejuízos irreparáveis para a sociedade, mas nada se compara a custear uma relação que já nasce fadada ao fracasso, que já anuncia que nenhum retorno será possível para a sociedade. Até mesmo os resultados de quaisquer esforços profissionais dos indíviduos homossexuais dependem dos frutos alheios, uma vez que sendo homossexual a pessoa nega a si mesma o direito de propagar a vida, e todo o investimento que por ventura tenha feito para os bens sociais, morre com ela. Se atualmente a sociedade pode contar com sólidos investimentos comerciais e empresariais, tudo isso depende e dependerá sempre da instituição familiar, que de geração em geração garante a continuidade dos mesmos. Reconhecer a união homossexual é uma atitude tipicamente esquerdista e liberal, pois sua ideologia busca justamente suprimir a família e o direito a propriedade privada - eles querem acabar definitivamente com estes valores porque sabem que somente assim poderão implantar a cruel ditadura comunista. Atualmente, a maneira mais rápida de acabar com a família é favorecer em tudo os interesses homossexuais e o aborto.

Nota

¹ Considerações sobre os projetos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais - Congregação para a doutrina da fé. 03 de junho de 2003

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Esperança do Brasil – Juventude católica e atuante


Os jovens católicos dos Fundadores estão em Caravana agora contra o Aborto e o PNDH-3, percorrendo em três vans várias cidades desse Brasil, sacrificando as suas férias para lutar contra esses males!


Eles irão alertar a população de cada cidade, batendo de porta em porta, fazendo atos públicos nas ruas - tudo em suma para contribuir para a informação que todos precisam para se defender e enfrentar os projetos do nosso terrível governo, para que as medidas anti-católicas não sejam implantadas no nosso país.

Ajude-os a ir mais longe! Clique aqui e saiba o que você pode fazer!

terça-feira, 13 de julho de 2010

E Kardec inventou a novela...

O "Nosso Lar" kardecista; "Prédio da Governadoria ao centro, e os seis (6) Ministérios; os Ministérios de Regeneração, Auxílio, Comunicação e Esclarecimento que estão ligadas às atividades da esfera terrestre e os Ministérios de União Divina e Elevação estão ligadas ás Hierarquias Planetárias Superiores."

A enxurrada espírita na televisão e no cinema brasileiro é assustadora! Não é de hoje que a Globo promove novelas que vão desde uma escancarada doutrinação espírita até a defesa implícita das doutrinas kardecistas. Ademais, propaga ou o anticlericalismo ou, como ocorre comumente, uma percepção relativista, adotando o discurso conciliatório que busca a "harmonia" entre o catolicismo e o espiritismo.

Além das novelas "A Viagem", "O Profeta", "Alma Gêmea", "Páginas da Vida", "Mulheres Apaixonadas", que tinham uma clara temática kardecista, contando com exposições doutrinais e apologia escancarada, diversos outros folhetins gozaram da presença de "fantasminhas kamaradas"; "Sinhá Moça", "Prova de Amor", "A Casa das Sete Mulheres" etc. Atualmente a Rede Globo transmite "Escrito nas Estrelas", que tem o mesmo enredo reencarnacionista, até mesmo com direito a núcleo totalmente fantasmagórico - buuu! Ademais, em breve estreará uma série tendo como corpo central a história de um médico que realiza cirurgias espirituais.

Entretanto, além dessa clara abordagem kardecista na televisão, convivemos com a doutrinação na tela dos Cinemas. Não satisfeitos com o filme "Bezerra de Menezes" e "Chico Xavier", ambos retratando a vida de médiuns, será lançado o filme "Nosso Lar", inspirado na obra do "psicografista" mineiro , que conta os dilemas espirituais dos espíritos - tão peculiar essa redundância - numa cidade mítica em que todos vivem fraternalmente esperando a reencarnação! Belíssimo!

Por muito menos em relação ao catolicismo tem protesto e acusações de favorecimento! O máximo que as novelas fazem em relação à Igreja é colocar um Padre bonachão e malandro. Não obstante, é muito mais fácil encontramos Sacerdotes escrupulosos, freiras complexadas, beatas rancorosas, católicos relativistas e que fazem apologia ao espiritismo.

A mass media faz a doutrinação espírita e o mundo cult aplaude as superstições e a "mística" kardecista - todo o esoterismo barato vem juntamente no pacote. Nós católicos devemos não só atuar no combate a essa influência em nossos meios - por isso a crucial importância da formação catequética, doutrinal e apologética - como agir no mundo para conquistar para Cristo os homens perdidos nas falsas doutrinas.

Se o gnosticismo é a filosofia do mundo moderno politicamente correto, o espiritismo, com toda a sua retórica açucarada e relativista, é a religião!

Carta de um Padre


Carta escrita pelo Padre Martín Lasarte, salesiano do Uruguai, em resposta aos ataques do The NY Times à Igreja.

Querido irmão e irmã jornalista: sou um simples sacerdote católico. Sinto-me orgulhoso e feliz com a minha vocação. Há vinte anos vivo em Angola como missionário. Sinto grande dor pelo profundo mal que pessoas, que deveriam ser sinais do amor de Deus, sejam um punhal na vida de inocentes. Não há palavras que justifiquem estes atos. Não há dúvida de que a Igreja só pode estar do lado dos mais frágeis, dos mais indefesos. Portanto, todas as medidas que sejam tomadas para a proteção e prevenção da dignidade das crianças será sempre uma prioridade absoluta.

Vejo em muitos meios de informação, sobretudo em vosso jornal, a ampliação do tema de forma excitante, investigando detalhadamente a vida de algum sacerdote pedófilo. Assim aparece um de uma cidade dos Estados Unidos, da década de 70, outro na Austrália dos anos 80 e assim por diante, outros casos mais recentes...

Certamente, tudo condenável! Algumas matérias jornalísticas são ponderadas e equilibradas, outras exageradas, cheias de preconceitos e até ódio.

É curiosa a pouca notícia e desinteresse por milhares de sacerdotes que consomem a sua vida no serviço de milhões de crianças, de adolescentes e dos mais desfavorecidos pelos quatro cantos do mundo!

Penso que ao vosso meio de informação não interessa que eu precisei transportar, por caminhos minados, em 2002, muitas crianças desnutridas de Cangumbe a Lwena (Angola), pois nem o governo se dispunha a isso e as ONGs não estavam autorizadas; que tive que enterrar dezenas de pequenos mortos entre os deslocados de guerra e os que retornaram; que tenhamos salvo a vida de milhares de pessoas no Moxico com apenas um único posto médico em 90.000 km2, assim como com a distribuição de alimentos e sementes; que tenhamos dado a oportunidade de educação nestes 10 anos e escolas para mais de 110.000 crianças...

Não é do interesse que, com outros sacerdotes, tivemos que socorrer a crise humanitária de cerca de 15.000 pessoas nos aquartelamentos da guerrilha, depois de sua rendição, porque os alimentos do Governo e da ONU não estavam chegando ao seu destino.

Não é notícia que um sacerdote de 75 anos, o padre Roberto, percorra, à noite, a cidade de Luanda curando os meninos de rua, levando-os a uma casa de acolhida, para que se desintoxiquem da gasolina, que alfabetize centenas de presos; que outros sacerdotes, como o padre Stefano, tenham casas de passagem para os menores que sofrem maus tratos e até violências e que procuram um refúgio.

Tampouco que Frei Maiato com seus 80 anos, passe casa por casa confortando os doentes e desesperados.

Não é notícia que mais de 60.000 dos 400.000 sacerdotes e religiosos tenham deixado sua terra natal e sua família para servir os seus irmãos em um leprosário, em hospitais, campos de refugiados, orfanatos para crianças acusadas de feiticeiros ou órfãos de pais que morreram de Aids, em escolas para os mais pobres, em centros de formação profissional, em centros de atenção a soropositivos... ou, sobretudo, em paróquias e missões dando motivações às pessoas para viver e amar.

Não é notícia que meu amigo, o padre Marcos Aurelio, por salvar jovens durante a guerra de Angola, os tenha transportado de Kalulo a Dondo, e ao voltar à sua missão tenha sido metralhado no caminho; que o irmão Francisco, com cinco senhoras catequistas, tenham morrido em um acidente na estrada quando iam prestar ajuda nas áreas rurais mais recônditas; que dezenas de missionários em Angola tenham morrido de uma simples malária por falta de atendimento médico; que outros tenham saltado pelos ares por causa de uma mina, ao visitarem o seu pessoal. No cemitério de Kalulo estão os túmulos dos primeiros sacerdotes que chegaram à região... Nenhum passa dos 40 anos.

Não é notícia acompanhar a vida de um Sacerdote “normal” em seu dia a dia, em suas dificuldades e alegrias consumindo sem barulho a sua vida a favor da comunidade que serve. A verdade é que não procuramos ser notícia, mas simplesmente levar a Boa-Notícia, essa notícia que sem estardalhaço começou na noite da Páscoa. Uma árvore que cai faz mais barulho do que uma floresta que cresce.

Não pretendo fazer uma apologia da Igreja e dos sacerdotes. O sacerdote não é nem um herói nem um neurótico. É um homem simples, que com sua humanidade busca seguir Jesus e servir os seus irmãos. Há misérias, pobrezas e fragilidades como em cada ser humano; e também beleza e bondade como em cada criatura...

Insistir de forma obsessiva e perseguidora em um tema perdendo a visão de conjunto cria verdadeiramente caricaturas ofensivas do sacerdócio católico na qual me sinto ofendido.

Só lhe peço, amigo jornalista, que busque a Verdade, o Bem e a Beleza.

Isso o fará nobre em sua profissão.

Em Cristo,
Pe. Martín Lasarte, SDB

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A Ideologia "Tradicional"


O espírito do mundo moderno é extremamente destrutivo e assola todas as instituições e o plano divino da existência. Assim, é o grande responsável pela desordem e pela crise espiritual que vivemos. Os seus arautos, aqueles que promovem o liberalismo/secularismo/progressismo nas mais diversas frentes, agem na desconstrução da Tradição e na imposição de um novo paradigma ideológico. O ardor revolucionário é extremamente eficiente por ter um motor romântico e ser norteado por concepções falseadas da realidade.

A primeira realidade, que só é compreendida através da reflexão racional, a partir do entendimento da realidade concreta, é totalmente tolhida em nome da segunda realidade, ou seja, a alternativa forjada pela ideologia, concebida nas mentes insanas de homens tomados pela febre da paixão. Assim, por exemplo, Karl Marx concebe a sua falácia comunista partindo da deformação dos pressupostos filosóficos, históricos e econômicos, ou seja, falseia a primeira realidade tendo em vista o alcance da segunda. A complexidade da questão inicia-se quando toda a sociedade é tomada pela doença espiritual, esmagada pelo choque entre as duas realidades, como foi o caso da Alemanha nazista.

Entretanto, o que quero pontuar nessa breve reflexão não é a postura dos modernistas e seus sequazes. Em relação a eles já temos um amadurecimento suficiente. O perigo, muitas vezes, forma-se na busca pela remediação drástica e rápida dos problemas civilizacionais. De fato, é louvável a ânsia de muitos que buscam, apressadamente, reconstruir aquilo que foi destruído pela sorrateira ação revolucionária. Não obstante, a eficácia e eficiência não podem ser confundidas com rapidez e brutalidade. Ao contrário, quanto mais conhecemos a realidade da crise - a sua amplitude e complexidade - mais percebemos como as soluções devem ser equilibradas, ponderadas e frias. Isso mesmo; frias no sentido de não-passionais, afinal, infelizmente, constata-se a forte presença de um espírito romântico nas atitudes tomadas pelos mais ardorosos defensores da "Contra-revolução."

O maior perigo se faz na construção de uma "ideologia" tradicional, contra-revolucionária, na ereção da segunda realidade utópica. Como qualquer ideologia, incidirá no erro de falsear a realidade, ou enxergá-la de modo parcial e pontual, galgando a adequação ao projeto tão ansiado. Enquanto Marx deformava as teorias históricas mirando o encaixe com as suas pretensões comunistas, alguns tradicionalistas ideologizados restringem o entendimento da realidade buscando o fácil solucionamento da crise do mundo moderno com o alvorecer da sociedade tradicional.

Essa simplificação cria soluções caricaturais que incidem no imediatismo e na brutalidade, além disso, não só transforma questões acidentais em essenciais como sanciona a dinâmica do bode expiatório ao acreditar na vítima sacrificial que, quando exterminada, apazigua toda a sociedade. Destarte, o fundamento é a ideologia, a crença apaixonada que busca, por meio da deformação do real, a realização dos anseios mais profundos e obscuros. Ainda que a iniciativa carregue uma positiva e inocente percepção, outrossim, é obtusa e inadequada, já que incorre na ridicularização da causa. Ademais, a crescente adesão de jovens no mundo virtual ao projeto contra-revolucionário favorece ao rompimento profundo com a realidade. Com isso, encontramos com facilidade soluções pueris aos problemas do mundo moderno, com remédios que passam desde a anulação do Concílio Vaticano II até a retomada da Santa Inquisição.
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Podemos iniciar a campanha: Pela não banalização tradicional - contra a banalização do cachimbo, do tabaco, das abotoaduras, de Shakespeare, Dostoiévski, Mozart, Hildegard von Bingen, do latim, da filosofia clássica, da história medieval, do gótico, de Santo Tomás, Camões, Chesterton, Dante etc.

sábado, 10 de julho de 2010

A politicamente incorreta Copa do Mundo


A Copa do Mundo tem como uma de suas mais importantes características o patriotismo, ainda que levemente caricatural. Dentro do mundo moderno, altamente globalizado, onde o politicamente correto incita a estruturação do governo mundial e da mentalidade internacionalista, esse ardor é altamente surreal. Com o torneio as nações se organizam, ostentam seus símbolos maiores, cantam seus hinos e exaltam o passado de glórias. Até mesmo a progressista Europa é assolada por essa onda; países que sofrem com a desconstrução da própria identidade tiram as poeiras de seus pavilhões e ostentam orgulhosamente a nacionalidade.
O laranja real defendido com devoção por todo o povo da liberal Holanda chega a ser engraçado, mas na Copa do Mundo torna-se natural

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Eu sou pós-industrial-punk-emo porque estou revoltado com a sociedade! Yah!

Fazia tempo que eu não me divertia tanto como ontem, vendo o programa "A Liga", na Bandeirantes, que tratava das "tribos urbanas". Quanta mediocridade e vulgaridade intelectual e estética. Uma imensidão de jovens que se auto-definiam "punks", "emos", "diamonds", "cosplayers", "metaleiros", "alternativos", "hip-hop", "pós-punks" etc, numa gama de siglas, definições e codinomes que escondiam a total e completa superficialidade e incapacidade intelectiva daqueles que os ostentavam.

Diversas coisas chamaram a minha atenção; a falta de eloqüência e de retórica até mesmo na defesa dessa revolta estética, jovens que alegavam uma grande convicção mas que sequer conseguiam articular idéias num português claro. Outro ponto muito interessante foi a constante reclamação do preconceito! Ora, os membros das diversas "tribos" tinham em comum a incansável afirmação de que buscavam romper com os padrões sociais e todos aqueles clichês que sociólogos e antropólogos liberais utilizam para respaldar tais faniquitos. Nesse sentido, o preconceito é a consequência mais natural e acertada, e deveria ser bem quista, afinal, do que adiantaria se vestir como um dos "Ursinhos Carinhosos" se a sociedade não mostrasse a mínima repulsa? A ojeriza é o que alimenta o ego desses jovens descompensados.

Outra característica marcante é a freqüente afetação! Até minha irmã de sapato alto, cabelo escovado e maquiada é mais viril do que muitos dos jovens de sexo masculino que ali apareceram. Isso é fruto da forte pressão estética que invade a sociedade, que se forma na cultura gay e torna-se padrão quando conquista a mass media. Vale pontuar que ao mesmo tempo em que buscam a distinção da sociedade, o espírito anarquista, a violência visual e todo aquele blá blá blá, incidem, como ninguém, na reprodução de um padrão cultural superficial que vem se tornando a bandeira do séc. XXI.

Dei boas gargalhadas quando uma moça, que disse gastar quase um salário na compra de seus vestidos pretos, afirmou que os "góticos" são sombrios em luto pela humanidade que não sabe viver, ou algo assim. Meu Deus! Quanta superficialidade e mediocridade. Agora a revolta de jovens - muitas vezes de famílias desestruturadas, sem amigos, nerds, excluídos pela aparência (esteticamente desarmônicos) - é respaldada numa compreensão totalmente vulgarizada da realidade.

O homem-massa, ao menos, tinha uma proposta consciente de sublevação. Atualmente convivemos com o homem-estrume!