O fundamentalismo islâmico tem em sua origem histórica o wahhabismo de Muhammad ibn Abd al-Wahhab, e auto-proclamado salafismo. Entretanto, ao longo dos tempos, o radicalismo foi tomando uma feição mais em sintonia com os obstáculos apresentados pelo mundo moderno. O choque com a Civilização Ocidental e a crescente pressão pela adoção de parâmetros democráticos de governo geraram o fortalecimento de grupos fundamentalistas. Neste processo surgem figuras de destaque, como Abul Ala Maududi, fundador do Jamaat-e-Islami, com a sua nova leitura da jihad e do "estado islâmico".
Na sua luta contra o ethos secularizante que invadia a Índia Britânica - lembremos que a divisão do território com a criação do Paquistão ocorreu apenas em 1947 - Maududi buscou repensar o método islâmico de combater a extensão do domínio ocidental nas regiões muçulmanas. Na contestação ao inimigo ele acabara por desenvolver uma leitura da realidade muito similar ao que fora proposto pela "teologia da libertação" na América Latina. A percepção dialética favorecia ainda mais a supervalorização da práxis como método de transformação. O fundamentalismo, de tal modo, era consequência do reconhecimento da primazia na ação. A coroação deste método se deu com a transformação radical da compreensão da jihad na fé islâmica.
Maududi percebeu que os papéis do islamismo e do "estado islâmico" não estavam restritos às nações muçulmanas. Tal sensibilidade se aproximava, ainda que indiretamente, da concepção trotskista da revolução permanente e de caráter internacional. Ainda em sintonia com o pensamento comunista, o califado mundial pensado pelos fundamentalistas, por mais discussões que tivessem ocorrido nos primórdios da expansão islâmica sobre a incompatibilidade entre um califado de caráter monárquico e os ensinamentos de Maomé, assemelhava-se ao "estado proletário" concebido pelos teóricos marxistas.
Para uma transformação tão radical na mentalidade dos muçulmanos Maududi concebeu uma nova noção da jihad e um novo papel para o islamismo no cenário mundial:
O radicalismo islâmico, destarte, como a "teologia da libertação", leva consigo a transformação da realidade através da ação. Indiretamente se aproximam da percepção marxista, o que justifica a razão pela qual diversos partidos de esquerda desenvolveram um forte apreço pela causa dos fundamentalistas. Entretanto, o que se apresenta é um cenário polarizado onde radicais e secularistas muçulmanos vivem num ciclo de retroalimentação vital para o aumento de suas fileiras. Nesse jogo o islamismo, em sua mais natural e espontânea versão, corre o risco de ser esquecido ou ofuscado em meio ao enorme conflito no qual está inserido.
Na sua luta contra o ethos secularizante que invadia a Índia Britânica - lembremos que a divisão do território com a criação do Paquistão ocorreu apenas em 1947 - Maududi buscou repensar o método islâmico de combater a extensão do domínio ocidental nas regiões muçulmanas. Na contestação ao inimigo ele acabara por desenvolver uma leitura da realidade muito similar ao que fora proposto pela "teologia da libertação" na América Latina. A percepção dialética favorecia ainda mais a supervalorização da práxis como método de transformação. O fundamentalismo, de tal modo, era consequência do reconhecimento da primazia na ação. A coroação deste método se deu com a transformação radical da compreensão da jihad na fé islâmica.
Maududi percebeu que os papéis do islamismo e do "estado islâmico" não estavam restritos às nações muçulmanas. Tal sensibilidade se aproximava, ainda que indiretamente, da concepção trotskista da revolução permanente e de caráter internacional. Ainda em sintonia com o pensamento comunista, o califado mundial pensado pelos fundamentalistas, por mais discussões que tivessem ocorrido nos primórdios da expansão islâmica sobre a incompatibilidade entre um califado de caráter monárquico e os ensinamentos de Maomé, assemelhava-se ao "estado proletário" concebido pelos teóricos marxistas.
Para uma transformação tão radical na mentalidade dos muçulmanos Maududi concebeu uma nova noção da jihad e um novo papel para o islamismo no cenário mundial:
"Islam wishes to destroy all states and governments anywhere on the face of the earth which are opposed to the ideology and programme of Islam, regardless of the country or the nation which rules it. The purpose of Islam is to set up a state on the basis of its own ideology and programme, regardless of which nation assumes the role of the standard-bearer of Islam or the rule of which nation is undermined in the process of the establishment of an ideological Islamic State. Islam requires the earth—not just a portion, but the whole planet .... because the entire mankind should benefit from the ideology and welfare programme [of Islam] (...) Towards this end, Islam wishes to press into service all forces which can bring about a revolution and a composite term for the use of all these forces is ‘Jihad’. (...) the objective of the Islamic ‘ jihād’ is to eliminate the rule of an un-Islamic system and establish in its stead an Islamic system of state rule."Dentro deste cenário o fundamentalismo surge como o instrumento da práxis na transformação do Ocidente e na defesa dos padrões islâmicos. Não há, portanto, nenhuma grande diferença entre a lógica radical e a dinâmica concebida pelos comunistas. Contudo, foi o pensamento wahhabita que criou toda a estrutura de pensamento, como a fragmentação da comunidade islâmica entre bons e maus muçulmanos. O Ayatollah Khamenei, Líder Supremo da Revolução, consciente do longo atrito entre o Irã e a Arábia Saudita, lembrou que "if it [Salafism] is interpreted as prejudice, rigidity and violence among Islamic denominations and different faiths, it will not be compatible with the progressiveness and rationality that form the foundation of Islamic thought and civilization, and it will help promote secularism and irreligion."
O radicalismo islâmico, destarte, como a "teologia da libertação", leva consigo a transformação da realidade através da ação. Indiretamente se aproximam da percepção marxista, o que justifica a razão pela qual diversos partidos de esquerda desenvolveram um forte apreço pela causa dos fundamentalistas. Entretanto, o que se apresenta é um cenário polarizado onde radicais e secularistas muçulmanos vivem num ciclo de retroalimentação vital para o aumento de suas fileiras. Nesse jogo o islamismo, em sua mais natural e espontânea versão, corre o risco de ser esquecido ou ofuscado em meio ao enorme conflito no qual está inserido.


















