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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Um Bispo incomoda muita gente, dois Bispos incomodam muito mais...

Por Pedro Ravazzano

O brasileiro tem total liberdade para exercer a cidadania na forma que mais convém, entretanto, essas eleições têm mostrado o maniqueísmo caricatural da política nacional e se faz necessária uma breve reflexão. As polêmicas acerca do aborto e das posições religiosas da Sra. Dilma foram formadas no âmago da Igreja, preocupada, isto sim, com a crescente ascensão do espírito da cultura de morte no nosso país. Essa observação é crucial para o correto entendimento de todo o cenário. Entretanto, é fato que o forte discurso ideológico, polarizado das eleições quer acusar a Igreja de ser um simples instrumento de manipulação que, no caso, estaria ligado às lideranças tucanas.


Por muitas décadas a Igreja Católica no Brasil esteve amordaçada pelas alas progressistas da Teologia da Libertação que, numa perspectiva totalmente horizontal da fé, embebida na concepção materialista do marxismo, boicotavam qualquer ação que não fosse as diretrizes “sociais”. Infelizmente, a comprovação da ineficiência de tal modelo é perceptível na incapacidade dessa visão de movimentar a juventude rumo à vocação religiosa. Com a inversão das prioridades da fé e a adesão a uma ótica extremamente distante da experiência pessoal e interior com Cristo obstrui-se a via do sagrado.

A preocupação da Igreja é no tocante à ascensão da cultura de morte claramente presente nos programas do PT. A omissão também configura uma ofensa grave, portanto os católicos têm a obrigação de anunciar os ensinamentos do Evangelho, ainda que seja motivo de revolta e contenda. Ademais, a leitura de que exista alguma relação partidária da ação clerical é muito impertinente e temerária. Durante anos Bispos defenderam o Partido dos Trabalhadores e respaldaram as ações intransigentes de células esquerdistas. Agora que o progressismo "libertador" vive o seu crepúsculo querem taxar de “politicagem” a movimentação da Igreja em defesa não do partido A ou B, mas da vida e da moralidade. Muito irônico! A Igreja, como Mãe e Mestra, tem o dever de se levantar quando a verdade é alvo de ataques pelos arautos da cultura de morte. Vale frisar que "cultura de morte" é um termo cunhado por S.S João Paulo II – muito citado, mas pouco seguido - representando todos os anti-valores da modernidade encarnados no aborto, eutanásia, "casamento" homossexual etc. Sem dúvida alguma o aborto é o tema fundamental, pois a sua defesa representa uma deformação em toda a consciência e quem o defende já coloca a premissa que sanciona, indiretamente, todas as aberrações morais.

Não podemos incidir numa visão maniqueísta da política. Serra não representa o bem e nem Dilma o mal em si. Ademais, é leviano afirmar e acreditar que ao se posicionar contra as objetivas relações do PT com a cultura de morte a Igreja esteja aliando-se aos tucanos. Recomendar aos católicos a não votarem em partidos contra a vida faz parte da missão de educadora da Igreja. Se faz mister pontuar que tal posicionamento se baseia na realidade concreta e factual de que o PT legitima em seu programa oficial posições abertamente opostas aos princípios e valores cristãos. Resumidamente, a Igreja Católica, diferente de certas seitas protestantes, não declara apoio a políticos - ainda que outrora, não tão outrora assim, as alas libertadoras defendessem publicamente o PT sem qualquer receio e agora acusam, temerariamente, irmãos no episcopado de uma aliança com o PSDB - mas tem o dever de combater as ideologias que carregam um projeto na clara oposição aos valores e virtudes.

Enquanto os petistas pedem “Por um Brasil de mulheres e homens livres e iguais”, que inclui a “defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público", como definido pelo último Congresso do PT, a Igreja ensina que "§ 2270 A vida humana deve ser respeitada e protegida de maneira absoluta a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento de sua existência, o ser humano deve ver reconhecidos os seus direitos de pessoa, entre os quais o direito inviolável de todo ser inocente à vida." e que " "Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae" "pelo próprio fato de cometer o delito" e nas condições previstas pelo Direito. Com isso, a Igreja não quer restringir o campo da misericórdia. Manifesta, sim, a gravidade do crime cometido, o prejuízo irreparável causado ao 'inocente morto, a seus pais e a toda a sociedade."

Os católicos não negociam a vida! Como acreditar em políticos que ostentam bandeiras de programas sociais enquanto buscam sorrateiramente legitimar leis que autorizam o aborto? Quais os princípios que norteiam uma consciência tão relaxada? Quem luta pela vida luta em todas as esferas e em todos os campos, tendo apenas em vista a construção de uma sociedade onde o ser humano é respeitado desde a sua concepção até a morte natural. A vida no sertão da Bahia que o programa social “do PT” salva é a vida no útero da mãe que o mesmo PT quer assassinar. Ademais, por mais que a Sra. Dilma se esforce para não parecer aliada da cultura de morte – e de forma totalmente caricatural – o fato é que o seu partido não apenas se engaja nessa bandeira como nutre uma concepção totalmente totalitária no que se refere a tais temas. Além disso, o PT não criou a corrupção, de fato, mas vivendo plenamente as diretrizes definidas por Antonio Gramsci, utilizou-a como instrumento para a consolidação do seu projeto de poder, vide o mensalão. Vale frisar, outrossim, que em Dilma nada é original; seu discurso, sua defesa da “vida” e da “família”, nem sua aparência é original.

Acusam a Igreja de estar aliada ao PSDB, de que a gráfica na qual a Diocese de Garulhos encomendou os polêmicos panfletos seja de um tucano – ainda que o mesmo estabelecimento tenha imprimido material de campanha de candidatos petistas e de revistas de organizações trabalhistas pró-PT -, de que o posicionamento do Regional Sul 1 da CNBB foi intransigente – apenas os sindicatos podem fazer apologia à candidatura da Sra. Dilma, usando verba do Estado, sem qualquer crítica por parte dos petistas – e de que o nosso país é uma nação laica – todos podem se pronunciar; do MST até a CUT, menos a Igreja, por mais que a religião seja fator determinante em um dos sistemas que sustenta a sociedade; ético-moral-cultural – e por isso a moralidade deveria estar fora da agenda das eleições.

De fato, a Boa Nova sempre será motivo de escândalo! A Igreja não mudou seu posicionamento em 2000 anos e não mudará. É preferível morrer sendo taxado de alienado e discriminatório do que abdicar de uma vírgula dos ensinamentos do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo como anunciado pela Sua Esposa. Vivemos o que o Papa Bento XVI anunciou em sua visita à Inglaterra: "Em nosso tempo, o preço a ser pago pela fidelidade ao Evangelho pode não ser o enforcamento, afogamento ou esquartejamento, mas muitas vezes implica ser considerado irrelevante, ridículo ou ridicularizado. No entanto, a Igreja não pode se esquivar do dever de proclamar Cristo e o seu Evangelho como a verdade salvífica, fonte de nossa felicidade definitiva como indivíduos e base para uma sociedade justa e humana".

A caridade jamais deve tolher a verdade! O contrário, deformar a verdade tendo em vista a caridade, é contra-testemunhar a Misericórdia!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Grey's Anatomy e as bandeiras liberais

A série Grey's Anatomy se destaca por ostentar, orgulhosamente, as bandeiras do politicamente correto liberal. A trama conta com as temáticas mais freqüentes da esfera progressista; homossexualismo, adoção homossexual, aborto, eutanásia, religião, sentimentalismo, relativismo. E não estou exagerando quando digo que a abordagem é direta e objetiva, com discursos açucarados que defendem de forma contundente um modelo de vida fabricado nas mentes insanas dos arautos da "modernidade".

Entretanto, no episódio derradeiro da última temporada americana a doutrinação liberal se superou, e muito. Todo o enredo do episódio se centrou no drama de um senhor que tomado de fúria pela morte da sua esposa, que havia falecido depois que alguns médicos desligaram o aparelho, entra no hospital Seattle Greace com o claro e simples propósito de assassinar os cirurgiões responsáveis pelo óbito de sua senhora. Não obstante, até a conclusão do macabro objetivo acaba matando não sei quantos e ferindo gravemente outros mais.


Qualquer telespectador minimamente precavido já entende a clara intenção dos autores; não só defender a eutanásia como menosprezar o trabalho dos defensores da vida. O senhor desesperado, antes de atirar no cirurgião chefe, afirma que não era certo ele brincar de Deus, que ele não era Deus! De fato, se tratava de uma ironia muito bem armada - o mesmo senhor havia manchado as suas mãos com o sangue de médicos, policiais e enfermeiros assassinados, tudo para fazer valer a vingança. Matou para honrar a vida! Ademais, além de defender a eutanásia, a série ainda critica ferozmente o comércio de armas nos EUA, outro corriqueiro alvo dos políticos liberais americanos. O viúvo, no auge do desespero, próximo de se suicidar, comenta com boas risadas como era fácil adquirir armas e munição em qualquer loja de departamento! Ora, ao colocar um assassino em série, responsável por uma chacina, tocando em tal tema, a direção constrói uma natural e óbvia contra-argumentação ao livre comércio.


Eutanásia e comércio de armas, falta mais alguma coisa? Sim! No episódio ainda teve espaço para a defesa da adoção homossexual - Grey's Anatomy é marcada pelo número relevante de personagens gays e de temáticas relativas ao mundo gls - e do velho discurso sentimentalista que marca toda a série, romantismo que endossa a promiscuidade freqüente nas tramas.

E essa série ainda é extremamente popular!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A guerra e os seus valores antimodernos

O mundo moderno nutre uma verdadeira ojeriza ao conflito armado, à guerra. Não quero com essa breve reflexão abordar o sentido da guerra justa, mas sim acerca da mentalidade progressista que fundamenta o pacifismo caricato e a romantização da realidade. Obviamente, nenhum ser humano busca a violência como meio ordinário de alcançar a paz e a justiça, não obstante, a força pode e deve ser aplicada na defesa da verdade e da ordem afrontada pelos inimigos da Civilização.

Entretanto, para haver guerra é necessário que exista lados bem definidos, convicções firmes e certeza na posição adotada. A modernidade repudia mortalmente tudo isso! A perspectiva liberal rechaça qualquer posição que se considere verdadeira e suficiente, assim como anatemiza a integridade e a plenitude da coerência com aquilo que se crê. Ora, como relativizar a guerra? Impossível! Alguém está certo e alguém está errado! O desespero dos liberais ao estruturar opiniões em relação aos conflitos armados - Iraque, Afeganistão etc - chega a ser engraçado; ao mesmo tempo em que se colocam na radical oposição às ações dos Estados Unidos da América - aqui não interessa saber se são incursões lícitas ou não - procuram enlouquecidamente ponderar as afirmações para que não estejam pendentes à defesa dos ataques inimigos. Vivem, assim, num murismo assustador.

Ademais, a guerra necessita de valores que o mundo atual não aprecia; virilidade, hombridade, honra, respeito, convicção, radicalidade, patriotismo. É impossível pensar num conflito armado com a participação dos molengas homens modernos. O liberalismo pretende pintar o mundo de cor de rosa, ou seja, romantizá-lo. Esse paradigma se forma na mais profunda essência da filosofia típica da modernidade; o gnosticismo! A crença de que a sociedade pode ser perfeita, de que tudo depende da iniciativa e da propensão humana, destrói o discernimento do homem, impede a compreensão do real e abre as portas para as ideologias. A guerra, como constatação dos males do mundo, é o sinal vermelho que pisca diante de todos os indivíduos mostrando que a sociedade é sustentada sobre diferenças e que essas diferenças mantém a ordem cultural. Não há nada mais reacionário do que a guerra!

Típico reducionismo progressista que busca escarnecer da guerra ao escarnecer da honra militar.

terça-feira, 13 de julho de 2010

E Kardec inventou a novela...

O "Nosso Lar" kardecista; "Prédio da Governadoria ao centro, e os seis (6) Ministérios; os Ministérios de Regeneração, Auxílio, Comunicação e Esclarecimento que estão ligadas às atividades da esfera terrestre e os Ministérios de União Divina e Elevação estão ligadas ás Hierarquias Planetárias Superiores."

A enxurrada espírita na televisão e no cinema brasileiro é assustadora! Não é de hoje que a Globo promove novelas que vão desde uma escancarada doutrinação espírita até a defesa implícita das doutrinas kardecistas. Ademais, propaga ou o anticlericalismo ou, como ocorre comumente, uma percepção relativista, adotando o discurso conciliatório que busca a "harmonia" entre o catolicismo e o espiritismo.

Além das novelas "A Viagem", "O Profeta", "Alma Gêmea", "Páginas da Vida", "Mulheres Apaixonadas", que tinham uma clara temática kardecista, contando com exposições doutrinais e apologia escancarada, diversos outros folhetins gozaram da presença de "fantasminhas kamaradas"; "Sinhá Moça", "Prova de Amor", "A Casa das Sete Mulheres" etc. Atualmente a Rede Globo transmite "Escrito nas Estrelas", que tem o mesmo enredo reencarnacionista, até mesmo com direito a núcleo totalmente fantasmagórico - buuu! Ademais, em breve estreará uma série tendo como corpo central a história de um médico que realiza cirurgias espirituais.

Entretanto, além dessa clara abordagem kardecista na televisão, convivemos com a doutrinação na tela dos Cinemas. Não satisfeitos com o filme "Bezerra de Menezes" e "Chico Xavier", ambos retratando a vida de médiuns, será lançado o filme "Nosso Lar", inspirado na obra do "psicografista" mineiro , que conta os dilemas espirituais dos espíritos - tão peculiar essa redundância - numa cidade mítica em que todos vivem fraternalmente esperando a reencarnação! Belíssimo!

Por muito menos em relação ao catolicismo tem protesto e acusações de favorecimento! O máximo que as novelas fazem em relação à Igreja é colocar um Padre bonachão e malandro. Não obstante, é muito mais fácil encontramos Sacerdotes escrupulosos, freiras complexadas, beatas rancorosas, católicos relativistas e que fazem apologia ao espiritismo.

A mass media faz a doutrinação espírita e o mundo cult aplaude as superstições e a "mística" kardecista - todo o esoterismo barato vem juntamente no pacote. Nós católicos devemos não só atuar no combate a essa influência em nossos meios - por isso a crucial importância da formação catequética, doutrinal e apologética - como agir no mundo para conquistar para Cristo os homens perdidos nas falsas doutrinas.

Se o gnosticismo é a filosofia do mundo moderno politicamente correto, o espiritismo, com toda a sua retórica açucarada e relativista, é a religião!

Carta de um Padre


Carta escrita pelo Padre Martín Lasarte, salesiano do Uruguai, em resposta aos ataques do The NY Times à Igreja.

Querido irmão e irmã jornalista: sou um simples sacerdote católico. Sinto-me orgulhoso e feliz com a minha vocação. Há vinte anos vivo em Angola como missionário. Sinto grande dor pelo profundo mal que pessoas, que deveriam ser sinais do amor de Deus, sejam um punhal na vida de inocentes. Não há palavras que justifiquem estes atos. Não há dúvida de que a Igreja só pode estar do lado dos mais frágeis, dos mais indefesos. Portanto, todas as medidas que sejam tomadas para a proteção e prevenção da dignidade das crianças será sempre uma prioridade absoluta.

Vejo em muitos meios de informação, sobretudo em vosso jornal, a ampliação do tema de forma excitante, investigando detalhadamente a vida de algum sacerdote pedófilo. Assim aparece um de uma cidade dos Estados Unidos, da década de 70, outro na Austrália dos anos 80 e assim por diante, outros casos mais recentes...

Certamente, tudo condenável! Algumas matérias jornalísticas são ponderadas e equilibradas, outras exageradas, cheias de preconceitos e até ódio.

É curiosa a pouca notícia e desinteresse por milhares de sacerdotes que consomem a sua vida no serviço de milhões de crianças, de adolescentes e dos mais desfavorecidos pelos quatro cantos do mundo!

Penso que ao vosso meio de informação não interessa que eu precisei transportar, por caminhos minados, em 2002, muitas crianças desnutridas de Cangumbe a Lwena (Angola), pois nem o governo se dispunha a isso e as ONGs não estavam autorizadas; que tive que enterrar dezenas de pequenos mortos entre os deslocados de guerra e os que retornaram; que tenhamos salvo a vida de milhares de pessoas no Moxico com apenas um único posto médico em 90.000 km2, assim como com a distribuição de alimentos e sementes; que tenhamos dado a oportunidade de educação nestes 10 anos e escolas para mais de 110.000 crianças...

Não é do interesse que, com outros sacerdotes, tivemos que socorrer a crise humanitária de cerca de 15.000 pessoas nos aquartelamentos da guerrilha, depois de sua rendição, porque os alimentos do Governo e da ONU não estavam chegando ao seu destino.

Não é notícia que um sacerdote de 75 anos, o padre Roberto, percorra, à noite, a cidade de Luanda curando os meninos de rua, levando-os a uma casa de acolhida, para que se desintoxiquem da gasolina, que alfabetize centenas de presos; que outros sacerdotes, como o padre Stefano, tenham casas de passagem para os menores que sofrem maus tratos e até violências e que procuram um refúgio.

Tampouco que Frei Maiato com seus 80 anos, passe casa por casa confortando os doentes e desesperados.

Não é notícia que mais de 60.000 dos 400.000 sacerdotes e religiosos tenham deixado sua terra natal e sua família para servir os seus irmãos em um leprosário, em hospitais, campos de refugiados, orfanatos para crianças acusadas de feiticeiros ou órfãos de pais que morreram de Aids, em escolas para os mais pobres, em centros de formação profissional, em centros de atenção a soropositivos... ou, sobretudo, em paróquias e missões dando motivações às pessoas para viver e amar.

Não é notícia que meu amigo, o padre Marcos Aurelio, por salvar jovens durante a guerra de Angola, os tenha transportado de Kalulo a Dondo, e ao voltar à sua missão tenha sido metralhado no caminho; que o irmão Francisco, com cinco senhoras catequistas, tenham morrido em um acidente na estrada quando iam prestar ajuda nas áreas rurais mais recônditas; que dezenas de missionários em Angola tenham morrido de uma simples malária por falta de atendimento médico; que outros tenham saltado pelos ares por causa de uma mina, ao visitarem o seu pessoal. No cemitério de Kalulo estão os túmulos dos primeiros sacerdotes que chegaram à região... Nenhum passa dos 40 anos.

Não é notícia acompanhar a vida de um Sacerdote “normal” em seu dia a dia, em suas dificuldades e alegrias consumindo sem barulho a sua vida a favor da comunidade que serve. A verdade é que não procuramos ser notícia, mas simplesmente levar a Boa-Notícia, essa notícia que sem estardalhaço começou na noite da Páscoa. Uma árvore que cai faz mais barulho do que uma floresta que cresce.

Não pretendo fazer uma apologia da Igreja e dos sacerdotes. O sacerdote não é nem um herói nem um neurótico. É um homem simples, que com sua humanidade busca seguir Jesus e servir os seus irmãos. Há misérias, pobrezas e fragilidades como em cada ser humano; e também beleza e bondade como em cada criatura...

Insistir de forma obsessiva e perseguidora em um tema perdendo a visão de conjunto cria verdadeiramente caricaturas ofensivas do sacerdócio católico na qual me sinto ofendido.

Só lhe peço, amigo jornalista, que busque a Verdade, o Bem e a Beleza.

Isso o fará nobre em sua profissão.

Em Cristo,
Pe. Martín Lasarte, SDB

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A Ideologia "Tradicional"


O espírito do mundo moderno é extremamente destrutivo e assola todas as instituições e o plano divino da existência. Assim, é o grande responsável pela desordem e pela crise espiritual que vivemos. Os seus arautos, aqueles que promovem o liberalismo/secularismo/progressismo nas mais diversas frentes, agem na desconstrução da Tradição e na imposição de um novo paradigma ideológico. O ardor revolucionário é extremamente eficiente por ter um motor romântico e ser norteado por concepções falseadas da realidade.

A primeira realidade, que só é compreendida através da reflexão racional, a partir do entendimento da realidade concreta, é totalmente tolhida em nome da segunda realidade, ou seja, a alternativa forjada pela ideologia, concebida nas mentes insanas de homens tomados pela febre da paixão. Assim, por exemplo, Karl Marx concebe a sua falácia comunista partindo da deformação dos pressupostos filosóficos, históricos e econômicos, ou seja, falseia a primeira realidade tendo em vista o alcance da segunda. A complexidade da questão inicia-se quando toda a sociedade é tomada pela doença espiritual, esmagada pelo choque entre as duas realidades, como foi o caso da Alemanha nazista.

Entretanto, o que quero pontuar nessa breve reflexão não é a postura dos modernistas e seus sequazes. Em relação a eles já temos um amadurecimento suficiente. O perigo, muitas vezes, forma-se na busca pela remediação drástica e rápida dos problemas civilizacionais. De fato, é louvável a ânsia de muitos que buscam, apressadamente, reconstruir aquilo que foi destruído pela sorrateira ação revolucionária. Não obstante, a eficácia e eficiência não podem ser confundidas com rapidez e brutalidade. Ao contrário, quanto mais conhecemos a realidade da crise - a sua amplitude e complexidade - mais percebemos como as soluções devem ser equilibradas, ponderadas e frias. Isso mesmo; frias no sentido de não-passionais, afinal, infelizmente, constata-se a forte presença de um espírito romântico nas atitudes tomadas pelos mais ardorosos defensores da "Contra-revolução."

O maior perigo se faz na construção de uma "ideologia" tradicional, contra-revolucionária, na ereção da segunda realidade utópica. Como qualquer ideologia, incidirá no erro de falsear a realidade, ou enxergá-la de modo parcial e pontual, galgando a adequação ao projeto tão ansiado. Enquanto Marx deformava as teorias históricas mirando o encaixe com as suas pretensões comunistas, alguns tradicionalistas ideologizados restringem o entendimento da realidade buscando o fácil solucionamento da crise do mundo moderno com o alvorecer da sociedade tradicional.

Essa simplificação cria soluções caricaturais que incidem no imediatismo e na brutalidade, além disso, não só transforma questões acidentais em essenciais como sanciona a dinâmica do bode expiatório ao acreditar na vítima sacrificial que, quando exterminada, apazigua toda a sociedade. Destarte, o fundamento é a ideologia, a crença apaixonada que busca, por meio da deformação do real, a realização dos anseios mais profundos e obscuros. Ainda que a iniciativa carregue uma positiva e inocente percepção, outrossim, é obtusa e inadequada, já que incorre na ridicularização da causa. Ademais, a crescente adesão de jovens no mundo virtual ao projeto contra-revolucionário favorece ao rompimento profundo com a realidade. Com isso, encontramos com facilidade soluções pueris aos problemas do mundo moderno, com remédios que passam desde a anulação do Concílio Vaticano II até a retomada da Santa Inquisição.
***
Podemos iniciar a campanha: Pela não banalização tradicional - contra a banalização do cachimbo, do tabaco, das abotoaduras, de Shakespeare, Dostoiévski, Mozart, Hildegard von Bingen, do latim, da filosofia clássica, da história medieval, do gótico, de Santo Tomás, Camões, Chesterton, Dante etc.

sábado, 10 de julho de 2010

A politicamente incorreta Copa do Mundo


A Copa do Mundo tem como uma de suas mais importantes características o patriotismo, ainda que levemente caricatural. Dentro do mundo moderno, altamente globalizado, onde o politicamente correto incita a estruturação do governo mundial e da mentalidade internacionalista, esse ardor é altamente surreal. Com o torneio as nações se organizam, ostentam seus símbolos maiores, cantam seus hinos e exaltam o passado de glórias. Até mesmo a progressista Europa é assolada por essa onda; países que sofrem com a desconstrução da própria identidade tiram as poeiras de seus pavilhões e ostentam orgulhosamente a nacionalidade.
O laranja real defendido com devoção por todo o povo da liberal Holanda chega a ser engraçado, mas na Copa do Mundo torna-se natural

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Eu sou pós-industrial-punk-emo porque estou revoltado com a sociedade! Yah!

Fazia tempo que eu não me divertia tanto como ontem, vendo o programa "A Liga", na Bandeirantes, que tratava das "tribos urbanas". Quanta mediocridade e vulgaridade intelectual e estética. Uma imensidão de jovens que se auto-definiam "punks", "emos", "diamonds", "cosplayers", "metaleiros", "alternativos", "hip-hop", "pós-punks" etc, numa gama de siglas, definições e codinomes que escondiam a total e completa superficialidade e incapacidade intelectiva daqueles que os ostentavam.

Diversas coisas chamaram a minha atenção; a falta de eloqüência e de retórica até mesmo na defesa dessa revolta estética, jovens que alegavam uma grande convicção mas que sequer conseguiam articular idéias num português claro. Outro ponto muito interessante foi a constante reclamação do preconceito! Ora, os membros das diversas "tribos" tinham em comum a incansável afirmação de que buscavam romper com os padrões sociais e todos aqueles clichês que sociólogos e antropólogos liberais utilizam para respaldar tais faniquitos. Nesse sentido, o preconceito é a consequência mais natural e acertada, e deveria ser bem quista, afinal, do que adiantaria se vestir como um dos "Ursinhos Carinhosos" se a sociedade não mostrasse a mínima repulsa? A ojeriza é o que alimenta o ego desses jovens descompensados.

Outra característica marcante é a freqüente afetação! Até minha irmã de sapato alto, cabelo escovado e maquiada é mais viril do que muitos dos jovens de sexo masculino que ali apareceram. Isso é fruto da forte pressão estética que invade a sociedade, que se forma na cultura gay e torna-se padrão quando conquista a mass media. Vale pontuar que ao mesmo tempo em que buscam a distinção da sociedade, o espírito anarquista, a violência visual e todo aquele blá blá blá, incidem, como ninguém, na reprodução de um padrão cultural superficial que vem se tornando a bandeira do séc. XXI.

Dei boas gargalhadas quando uma moça, que disse gastar quase um salário na compra de seus vestidos pretos, afirmou que os "góticos" são sombrios em luto pela humanidade que não sabe viver, ou algo assim. Meu Deus! Quanta superficialidade e mediocridade. Agora a revolta de jovens - muitas vezes de famílias desestruturadas, sem amigos, nerds, excluídos pela aparência (esteticamente desarmônicos) - é respaldada numa compreensão totalmente vulgarizada da realidade.

O homem-massa, ao menos, tinha uma proposta consciente de sublevação. Atualmente convivemos com o homem-estrume!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Welcome to my little world...

A internet tem se tornado na válvula de escape do idealismo romântico de muitos católicos inconformados. A constatação é muito clara; cada vez mais pessoas - em especial os jovens - aderem a uma postura social que tem como fundamento a agressividade e brutalidade diante do real. Esse fenômeno pode ser compreendido partindo até da dinâmica mimética girardiana de distinção e imitação, na construção de pequenos mundos livres dos erros das "massas" corrompidas.

O que me espanta é a crescente adesão de jovens em seus orkuts e blogues a essa mentalidade de seita - sociologicamente falando - e muito longe do conhecimento concreto das complexidades da realidade. Entender como se forma essa atitude é muito difícil, vai desde o jovem deslumbrado ou perplexo diante da grave crise do mundo moderno e que tende a mais conveniente leitura e solução até aquele rapaz estático e inerte que no ambiente virtual cria uma sucursal da Congregação para a Doutrina da Fé enquanto deixa de ir a Missa "nova" e de viver o dia-a-dia da fé.

A falta de noção do que ocorre no mundo real impossibilita qualquer leitura sensata e eficiente dos problemas e das soluções. Seria como pedir para Robinson Crusoé descrever a Londres do séc. XVIII. Ainda que a motivação seja verdadeira e louvável, a distância do real e das suas mais profundas variantes e interferências impede a equilibrada ponderação. Para alguém que vive num pequeno mundo - quase sempre virtual, em redes sociais e páginas na internet - o grande mundo será sempre indecifrável. Deste modo, incapacitado de fazer a correta leitura, torna-se incapaz de dar a mais confiável solução.

Soluções para a crise da Civilização Ocidental, para os problemas litúrgicos, para os erros doutrinais, para o liberalismo, para o laicismo, para o secularismo, para o neoateísmo, encontram-se aos milhares em muitos blogues espalhados pela internet. Quase sempre são soluções tão claras e rápidas que até mesmo um jovem conhecedor de teologia via web sites e um filósofo de Wikipédia encontram. Mas o maior perigo não se reduz nessa aparente soberba, mas sim no crescente ar autoritário e agressivo daqueles que a adotam. Afinal, se o remédio é tão óbvio, por que ninguém o prescreve?! Essa postura de convicção plena se forma, então, antecipadamente, na construção de uma certeza sobre bases de areia, sobre um conhecimento raso e uma leitura de mundo pueril. Ademais, para agravar o cenário, ainda existe a formação de um verdadeiro séquito e pupilos, outros jovens que, já numa linha de transmissão terceira, se educam nas "pérolas" lançadas pelos sábios!

Sem dúvida alguma estamos tratando de mais um dos frutos da nossa sociedade e da grave crise civilizacional.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O abençoado Sneijder

O carrasco do Brasil, Wesley Sneijder, jogador da Holanda, tem uma belíssima história de conversão e testemunho da fé. A sua noiva, Yolanthe Cabau van Kasbergen, uma bem sucedida modelo alemã, foi a responsável pela apresentação da Religião a ele. Depois de uma caminhada de busca e questionamentos Sneijder converte-seu; "Eu fui batizado recentemente na Itália."

Além da evangelização da noiva, a mudança para o Internazionale, vivendo em meio a uma cultura fundamentalmente católica, despertou no jogador algum interesse; "Eu sempre fui um crente, mas não católico. Falei com muitos jogadores sobre isso e com o sacerdote do clube e decidi tornar-me católico"


A influência da noiva foi essencial, o que mostra a importância da evangelização do mundo de forma eficiente, eficaz e corpo-a-corpo; “Ela é totalmente católica, foi batizada, fez a comunhão e todas essas coisas. Eu decidi ler mais sobre e conversei muito sobre isso com ela.”
“Nós queremos nos casar numa igreja na Itália, então você precisa ser católico e batizado. Nós visitamos a igreja todas as semanas, às vezes mais de uma vez... Eu amo aquelas Missas. Nós moramos a 100 metros do Domo de Milão e passo muito tempo lá.”
“Yolanthe deu-me um rosário. Foi abençoado por um Padre na Itália. Nós o rezamos todas as manhãs. Hoje, estando aqui, nós rezamos por telefone.”
"Eu rezo no meu quarto de hotel antes do jogo, faço uma pequena oração no vestiário, mas quando estou em campo eu não estou pensando sobre isso. Mas, estou bastante sério e comprometido sobre e tenho que dizer, a vida é muito mais fácil para mim agora ... Para mim funciona ... "
Um católico conseguiu acabar com a seleção de protestantes, rsrsrs.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A riqueza da Copa do Mundo

Em tempos de Copa do Mundo a mediocridade do homem moderno de tão atuante torna-se extracorpórea. Não sei o que é pior! Campanhas como "Cala Boca Galvão" e a movimentação de todo o país onde até mesmo médicos deixam de atender em dias do jogo do Brasil, ou a revolta cultural das "grandes" mentes pensantes que, em resposta à alienação futebolística, só faltam tocar fogo no mascote do evento esportivo.

Não vejo nenhuma grande diferença entre os dois comportamentos. Ambos são padrões e frutos de um processo de descontrução da essência do homem em sua riqueza singular. Seja o médico vidrado nos jogos ou o "marxiano" que em protesto desliga a televisão, os dois respondem a um modelo pré-concebido pela sociedade moderna, ambos encarnam uma vertente do mercado de consumo e da mentalidade reducionista da contemporaneidade.

Ademais, aqueles que pretendem realizar um Auto da Fé, queimando jabulanis, em resposta à paixão brasileira aos jogos da Copa do Mundo conseguem ser mais alienados quando, na tentativa de se distinguir da "massa" dominada, tendem para uma visão de mundo extremamente artificial quando fabricada e forjada pela sociedade moderna em sua vertente cult.

Enquanto isso eu assisto meus jogos tranqüilamente e me divirto enxergando as duas reações...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A sombria Lady Gaga

Lady Gaga continua dando o que falar! No seu novo clipe "Alejandro" a nova estrela da cultura pop encarna toda a bestialidade da bandeira que representa com tanta maestria; cenários horripilantes, cenas eróticas, profanação da cruz e de símbolos religiosos em doses dignas de um ritual satânico. Não obstante, gostaria de frisar que, diferentemente do que muitos pensam, a tal Lady não segue a linha de Madonna, me parece muito mais próxima ao estilo do grotesco Marylin Manson, conhecido pela sua androgenia, posições abertamente imorais, culto ao bizarro.

A atmosfera sombria do clipe é extremamente assustadora. Contando com alusões à morte, sadomasoquismo e dominação, a música, como disse a cantora, foi feita em homenagem aos gays e às mulheres que se apaixonam por eles (sic!!). Os soldados efeminados oprimidos são as vítimas da cultura machista e repressiva. Tudo pensado por aquela que é considerada o "novo fenômeno do pop", a "nova cara da década".

O que mais me impressiona na sua estética é o grotesco, o ambiente sombrio, bestial, decante, exalando erotismo sexual e putrefação moral. Lady Gaga aparecer engolindo um terço ou usando uma cruz invertida de forma sacrílega é consequência de algo muito maior, algo este que pode ser percebido em toda a contextualização musical e estética usada. A cantora sintetiza o espírito do mundo atual, a sua pequenez, irracionalidade, incapacidade de refletir e de discernir, a cultura de morte no seu sentido mais fidedigno e profundo.

A música de Lady Gaga, com toda a sua pobreza poética e excesso de compassos e ritmos, é sinal da mediocridade do homem moderno; um homem norteado pelas paixões, subjugado pela ignorância invencível, uma carcaça morta incapaz de raciocinar verdadeiramente. Não me espanta que em pleno séc. XXI uma porcaria como essa faça sucesso - estranho seria que o Santo Padre fosse aplaudido ao condenar o aborto, por exemplo. O espanto é saber que católicos e homens de reta intenção se deixam levar por toda essa experiência sensual que carrega no seu âmago um claro projeto revolucionário.

Lady Gaga não esconde que defende a cultura gay. Faço questão de frisar o termo "cultura" já que, infelizmente, os militantes homossexuais forjaram um estilo de vida próprio que, através de ferramentas variadas - em especial a música, filmes e novelas - foi divulgado e imposto como o estilo ordinário de qualquer ser humano na face da terra. Destarte, a globalização transporta em sua essência a crise da Civilização Ocidental a todos os cantos, assim, tanto um jovem americano, quanto um brasileiro da favela, como um rico japonês cibernético ou então um marroquino de Casablanca se vestem, se comportam, ouvem e apreciam quase as mesmas coisas, seguindo o mesmo padrão.

Se não tomarmos uma atitude concreta, eficaz e profunda veremos os nossos filhos e netos crescendo numa sociedade onde o anormal é ser homem e mulher!

sábado, 10 de outubro de 2009

Pais responsáveis e crianças piedosas*


*Obviamente esse título é uma ironia!

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Até me envergonho de colocar esse vídeo aqui, mas é necessário. Que o mundo olhe os frutos da decadência moral e espiritual da Civilização Ocidental. (O vídeo havia sido retirado do ar, como muita gente me cobrou, aí está)

As crianças estão dançando "reggaeton", um ritmo comum na América Latina hispânica que mistura músicas típicas latinas com o hip hop americano. O "estilo" da dança se chama "perreo" e imita a posição sexual dos cachorros.

domingo, 20 de setembro de 2009

Lady GaGa e Dostoievski

Lady GaGa - conhecida pelas suas excentricidades - ganhou o prêmio de "artista revelação" no Video Music Awards, a premiação dada pela MTV aos músicos do ano. A MTV é o ápice do politicamente correto liberal, reproduz os típicos clichês defendidos por uma casta ideológica essencialmente revolucionária. Assim, é comum encontrar as simplórias e rasas críticas ao conservadorismo e à religião. Do mesmo modo, reina absoluta a obamania e o relativismo moral. Lady GaGa, ícone atual da cultura pop - leia-se cultura gay -, ao ganhar o prêmio de "artista revelação" o dedicou a Deus - provavelmente a típica crença nova era de uma "energia superior" estática - e aos gays. De fato, o que essa "cantora" representa é o genuíno padrão cultural saído dos guetos homossexuais. Os gays a muito deixaram de lutar por "diretos iguais", existe, concretamente, um projeto de imposição da mentalidade "homoafetiva" - para usar um termo dentro da cartilha do politicamente correto. Além de fazer triunfar os seus gostos em todos os cantos do Ocidente - reflexo da abertura dada pela mídia, tomada por um pensamento de sabor liberal - , a ditadura gay pretende descontruir a própria base familiar e entronizar o relativismo moral nas estruturas sociais. Nada impede, então, que a pedofilia e o pansexualismo sejam vistos como estilos sexuais normais num futuro não muito distante. A abertura dada ao homossexualismo já incapacita todo o arcabouço moral e invalida qualquer oposição que parte de um raciocínio natural das relações humanas. Se o homossexualismo é socialmente aceito e louvável, por que não a zoofilia?

Se Lady GaGa se encontrasse com Dostoievski e este a questionasse; "
Se não há Deus, tudo é permitido?", o fenomenal autor russo ouviria um sonoro "SIM"

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Viva a decadência!

O Ministro Carlos Minc encarna, com louvor, o espírito do brasileiro moderno. A decadência atual é gritante e aberrante. A desconstrução da identidade nacional se encontra intimamente ligada à crise moral e civilizacional. Não por menos, o grande motor dessa caricatura de país é o pensamento de cunho socializante; consciência ecológica, legalização da maconha, militantes petistas, festas homossexuais, descriminalização do aborto, discurso racial, luta de classes, relativismo moral, MST, clichês sociais, tudo vem do mesmo buraco podre!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Brasil conservador reclama da baixaria na TV

De acordo com a Agência Câmara (2/10/2007), a desvalorização da família, a banalização dos valores morais, a exibição de pornografia, entre outros, estão na lista das principais reclamações das pessoas em relação aos programas de TV. Isso comprova como o mundo da mídia se divorciou do Brasil real.

Segue a tabela fornecida pela agência:

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Considerações sobre o caso do sequestro e assassinato no ABC

Mudei o assunto do artigo que ia publicar hoje: as circunstâncias podem maximizar o desejo de abordar tal ou qual tema, e o artigo que eu vinha escrevendo, que não é o que eu queria redigir agora, ficará para depois, apesar de ser relacionado não apenas a idéias, mas também a um fato, que inclusive antecede os que abordo agora. Mas me marcou bastante o desfecho do seqüestro das meninas Eloá Cristina e Nayara; a primeira ficou 101 horas nas mãos de um louco imbecil, Lindenberg Alves, que, conforme ameaçava, disparou contra a garota, que morreu no hospital e cujos órgãos estão, se não me engano, sendo retirados nesse momento para doação.

Confesso que não andei acompanhando muito o caso durante os dias de seqüestro e, embora tenha ficado apreensivo com o que acontecia – ou melhor, com o que não acontecia, que era a tão desejada libertação das reféns – apenas aguardava o desfecho para ficar aliviado, pois este haveria de ser bom. Que infortúnio... pois terminou em final triste.

Se é que é necessário justificar o porquê de se comentar esse episódio neste blog, eu explico: ele é revelador de ânimos e tendências de nossas épocas, e os fatos diretamente ligados a ele são muito relevantes por este mesmo motivo. Analisarei diversas reações observadas no suceder da última sexta-feira em diante. Referirei ao que ocorreu, e ao que se fez, se diz, se pensou e se sentiu em relação a isso.

Ontem, na TV - estive ouvindo trechos de programas que falavam sobre o seqüestro, bastava eu perceber sobre o que se tratava que eu ia para frente da televisão – um psicólogo dizia o seguinte sobre o assunto: em casos como esse, o sujeito rejeitado é tomado de um grande impulso, um sentimento que o tornava imediatista e incapaz de pensar no futuro de suas ações, e ele age sob arrebatamento. Embora ele possa ter lido isso nos manuais de psicologia, não me parece de forma alguma uma observação inteligente sobre o que aconteceu. Embora seja evidente que um indivíduo que cometeu um crime destes esteve sob efeito de paixões – no sentido negativo, conforme o uso por filósofos e religiosos – há outros aspectos fundamentais que precisam ser considerados. Durante o longo tempo em que se desenrolou a ação, Lindenberg alternou entre momentos de frieza e de aparente descontrole; levou um ou dois revólveres e um saco de mun
ição, demonstrando sua preparação para o que fazia; procurou em vários momentos demonstrar controle da situação, e fez questão de desmentir explicitamente a idéia de que ele estava nervoso; sim, podia estar também, mas sabia bem o que fazia. A sua ação não se deveu apenas a um estado anormal de sua mente, como dão a entender certas explicações psicológicas que parecem servir apenas para “aliviar o lado” do criminoso estúpido, sugerindo que ele estava “confuso” ou coisa parecida; e, nesse ponto, ponho em questão um mito que aparece nos depoimentos de entrevistados que conheciam o rapaz, e que se repete a todo o momento na TV quando se fala sobre o “adolescente” assassino de 22 anos: o de que ele “era uma boa pessoa” que nunca teve antecedente criminal antes e que, portanto, não dava a menor pinta de que chegaria a fazer algo como o que fez, tão surpreendente em se tratando de alguém como ele, um jovem que trabalhava. Não: ao ver alguém fazer o que ele fez nos mais de quatro dias, pode procurar conhecer a sua vida pregressa que você vai encontrar sinais de seu mau-caráter.

Depoimentos de amigas da vítima – não o Lindenberg, dessa vez me refiro a Eloá, (não se assuste se você for uma pessoa normal, é que hoje há pessoas que aparentam não saber distinguir entre criminoso e vítima)– falaram que ele era um ciumento possessivo e que BATIA NA GAROTA. Isso, o cretino era um machista demente, que se sentia o proprietário da menina e não suportou que sua propriedade o desapropriasse, julgando a propriedade pertencer a si mesma e não a seu verdadeiro dono, o ex-namorado sete anos mais velho que ela. O idiota que batia na ex-namorada refém – pois é, ela apanhou lá dentro nos seus últimos dias (http://oglobo.globo.com/sp/mat/2008/10/19/em_depoimento_policia_nayara_conta_que_lindemberg_bateu_em_eloa-586017124.asp ) - batera nela tempos antes. Mas, disseram as amigas, a família de Eloá não acreditou quando esta contou que apanhava de Lindenberg. Aí vemos porque o vagabundo era tido como um bom sujeito! Porque estava rodeado por cegos, e por surdos que não escutavam a própria filha. Sei que nesse momento a dor da família é enorme, e não tenho o desejo de ficar fustigando ninguém ( a não ser o próprio Lindenberg, que eu gostaria de humilhar e espancar), mas é preciso chamar a atenção para certas coisas, para que certos comportamentos sejam corrigidos. Eu tive uma amargura que não vou conseguir esquecer por não ter conseguido, em casa, dar a minha versão sobre o que professores e outros “profissionais da educação” falaram sobre mim em reuniões de pais e professores. Para poder proteger alguém, é preciso prestar atenção. Sim, prestar atenção no que ela tenta dizer, e prestar atenção nas pessoas que nos rodeiam, que podem não ser as pessoas que muitos dizem ser. No caso de Lindenberg, a violência era um traço mesmo da sua personalidade, e foi muito lindo acontecer um fato inusitado: o seu advogado o abandonou. Isso porque o delinqüente não cumpriu com o que prometeu, não fez sua parte para que tudo terminasse bem. Perfeito seria ver esse cara ser abandonado por todos os que tem qualquer coisa a ver com ele. Ele tem de terminar sozinho: é um louco homicida, uma ameaça às outras pessoas, à sociedade.

Outro aspecto muito importante relacionado ao ocorrido é a questão da “cobertura da imprensa”, criticada por Reinaldo Azevedo no seu blog, no post “A TRAGÉDIA DE SANTO ANDRÉ: E NÓS COM ISSO?”. O jornalista questiona sobre que postura a imprensa deve adotar nessas ocasiões, que seja mais séria que a atual. Ele escreve: “Será que não é hora de a imprensa rever o seu papel em casos como este? Não sou especialista em comportamento — nada além de algum bom senso. Mas indago: o que será que alguém como Lindebergue pretende? Durante cinco dias, este rapaz ligou a televisão e se viu como a estrela de um filme longuíssimo, de um drama que mobilizou o país, que levou especialistas em comportamento à televisão para aquelas digressões entre irresponsáveis e irrelevantes sobre o comportamento humano. Um rapaz pobre, da periferia, que decide se vingar da ex-namorada, vê-se, subitamente, no centro de uma verdadeira comoção nacional.” Interessantíssimo notar que, de sexta para sábado, mais dois casos de seqüestros por motivos passionais aconteceram, um em Mato Grosso do Sul (http://www.midiamax.com/view.php?mat_id=346500 ) e outro em São Paulo, noticiado na TV. Contento-me em apenas mencionar esse relevante debate aqui, pois se nem o “Tio Rei” tem idéias bem definidas de como se pode resolver esse problema, não sou eu quem o fará. Mas faço questão de subscrever a crítica à Sonia Abrão por seu programa, da rede TV, ter entrevistado o seqüestrador. Que competência ela se atribui para fazer isso? Ninguém de cabeça no lugar poderia se intrometer sem consultar o GATE, que cuidava da operação. O pior é que, segunda Datena, um homem da polícia falou que essa interferência atrapalhou o trabalho policial. Procurem os vídeos relacionados a essa confusão no youtube e vejam. Que coisa...

Quanto aos erros e acertos da polícia, as perícias, investigações e, sobretudo, o depoimento de Nayara, que estava na cena do crime quando tudo terminou, vão trazer esclarecimentos que nos permitirão ter uma visão mais consistente sobre a ação da polícia. Não pretendo comentar essa questão aqui, sobre a qual muito se está sendo pronunciado – espero que não por causa de um certo sentimento anti-policial que existe no Brasil, difundido por pessoas de mentalidade “progressista”. Reinaldo Azevedo demonstra bastante esse temor, e vale citar o seu post “O NOME DO CRIMINOSO”

para que se lembre bem de algo: o bandido é Lindenberg. Outros podem ter errado, mas ele é o delinqüente. O que eu quero avisar a vocês, para concluir esse artigo, é um certo aspecto relativo à repercussão do caso, que não poderia ser pequena. Sim, muita gente está abalada com o que aconteceu, e a tristeza e a revolta são os sentimentos normais que as pessoas podem ter em circunstâncias como essa. Não é sobre isso que eu queria escrever: quero registrar a lamentável atitude de pessoas sociopáticas que procuram calcar a dor, a tristeza e a revolta daqueles que são seres humanos e por isso estão chocados com tudo o que houve.

Antes de Eloá morrer, foram criadas comunidades no orkut onde se manifestava solidariedade pelas vítimas, e se pedia a Deus por elas, e se escrevia coisas comovidas. A comunidade mais importante foi infestada por gente postando coisas odiosas e agressivas em relação à garota que morria, tornando o seu ambiente insuportável. É visível que os que freqüentam a comunidade em peso são os adolescentes, como aquelas garotas, e são sumamente desrespeitados. Visitar o perfil de Eloá e Nayara é impactante – principalmente quanto à primeira, por seu destino; vejo um estilo de se escrever, cheio de emoticons e apelidos, vejo expressões de carinho entre amigas (de amizade sincera, de quem não consegue deixar a amiga sozinha num momento desesperador), iguais a como se vê no orkut de qualquer menina adolescente; é a mesma coisa de se visitar o profile de uma colega de escola de minha irmã; vejo comunidades das quais minha irmã participa. É muito diferente de se ver a notícia na TV, onde também se transmite novelas, filmes, onde a realidade e a ficção parecem misturar-se; é sentir a própria realidade da tragédia junto a você, é ver que morreu uma menina como nossas irmãs. Aquelas atitudes doentias dos que substituem a reverência pelo deboche e pela ofensa são sinais onde vivemos. Onde vivemos? Onde as pessoas não se preocupam umas com as outras e não sofrem com o mal impingido ao próximo, não há sociedade, há um conjunto de pessoas que são obrigadas a morar em tal lugar, mas não uma sociedade verdadeira, coesa, unida por laços de comprometimento e de apoio mútuo; sociedade requer solidariedade.

Que sejamos capazes de existir como humanos!


Fotos: no alto, sendo levado pela polícia o egocêntrico assassino: "Eu sou o cara"; "Eu não tenho nada a perder"; depois, o monstro chora na cadeia: "Eu quero Eloá"

Na de baixo, as duas grandes amigas separadas por aquele degenerado: união até no perigo e nos maus-tratos impostos a ambas no cativeiro

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Viva os Clichês!

Eu não sei vocês, mas eu já perdi a paciência com esse pessoal dito politizado que só faz repetir chavões politicamente corretos. Nessas horas eu bato palma para a esquerda e o globalismo. De fato, a manipulação das massas, a ideologização de movimentos sociais, a maciça infiltração nas “superestruturas”, criaram uma sólida base na qual se ergueu o idiota útil. É chato e muito repetitivo esse discurso, o mais assustador é que faz sucesso. Tente você mesmo, faça um sermão que tenha as palavras; “opressor”, “oprimido”, “burguesia”, “elite”, “capitalismo selvagem”, “capital”, “alienação” etc, pronto, você vai passar a ser admirado e possivelmente visto como exemplo de “consciência social”. Foi com esse bela articulação que eu tirei uma excelente nota na redação do vestibular. Ah, não podemos nos esquecer da também forte presença do clichê anti-religioso. É cômico ouvir alguém dizer que religiosos são ignorantes, os inteligentes são ateus, aqueles que se livraram das “amarras” da crença. Realmente. Tomás de Aquino, Agostinho de Hipona, Leonel Franca, Jacob Boehme etc, todos exemplos de uma humanidade subdesenvolvida, longe do esplendor da liberdade, liberdade esse fincada no ateísmo e agnosticismo. Enfim, o clichê politicamente correto bebe no triunfo do pensamento socializante, do lobby feminista, ecochato, politicamente correto, se fundamenta na aparente vitória do relativismo frente a defesa da Verdade.

Pedro Ravazzano

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Elogio da ilusão

Nas conversas de bar, de elevador, nos “debates” das “universidades”, nas reuniões de igrejas, etc, sempre há aquela conversa na qual se expõe a “condição brasileira”, mazelas que geralmente são finalizadas por um discurso pretensamente desmistificador no qual se apresentam vantagens, qualidades, dotes de pessoas e ou instituições brasileiras.

O desmistificador - do tipo “eu sou brasileiro e não desisto nunca”- apresenta fatos, casos, ou seja lá o que for, com o objetivo de demonstrar a capacidade, a potência da majestosa, mas republicana nação brasileira.

O que para mim é curioso é que na maioria das vezes, não digo sempre, tais alocuções não passam de elogios à ilusão.

No ano passado o Brasil inteiro viu pela televisão a publicidade em torno do petróleo. Trata-se do “petróleo auto sustentável”. Muitos estatolatras vibraram com a empresa pública que garantiu a independência brasileira em relação ao petróleo estrangeiro.

O que a maioria deles não sabe é que o Brasil alcançou tal “triunfo” pelo simples fato de que a economia brasileira não cresceu. Na verdade não cresceu o quanto poderia, e como conseqüência consumiu menos energia. Enfim, estavam a comemorar a falta de crescimento da economia brasileira

Outro exemplo clássico é o dos acadêmicos: cientistas, sociólogos entre outros que estudaram ou estudam em grandes universidades: Oxford, Harvard, Sorbonne e etc. Para eles deve ser ótimo, mas o fato é que não se pode considerar tais exemplos como símbolos da arrancada tupiniquim rumo ao primeiro mundo.

Em primeiro lugar o fato de alguns acadêmicos estudarem nas maiores universidades do mundo revela que as “melhores” universidades do mundo, como é óbvio, não situam-se no Brasil. Em segundo lugar: a presença destes no mundo acadêmico da elite internacional é prova de que nos EUA, na Europa Ocidental, no Japão se estuda o Brasil, a América Latina; se estuda o Terceiro Mundo e seus problemas, por isso aquelas pessoas são peças indispensáveis. Enquanto no Brasil nós estudamos o que?

Não quero dizer que só temos problemas, mas quando elogiarmos algo, que elogiemos uma coisa que mereça sê-lo. Não devemos criar odes às ilusões.

Vinícius Mascarenhas

domingo, 7 de setembro de 2008

O povo que não aprende a ser povo

Exatamente como fiz nos últimos 23 anos, fui assistir ao desfile militar do 7 de Setembro. Como moro no interior, aqui a parada não tem a pujância de unidades militares e viaturas que vemos em Salvador, mas o Tiro-de-Guerra e o Batalhão da Polícia Militar dão para o gasto.

Me lembrei de todas as aulas de Sociologia e Criminologia. As forças armadas e policiais são aparelhos do Estado para oprimir o povo; a violência urbana era um aspecto da luta de classes, com a polícia firmemente sustentando o lado dos ricos, dos opressores.

Esse ano, entretanto, observei mais a público que assistia ao desfile que aqueles que desfilavam. Homens, mulheres, velhos, novos, crianças. A vasta maioria vinda das camadas mais humildes da população, que vieram dos bairros distantes com bicicletas, a pé, de ônibus.

Aquelas pessoas não foram forçadas estar ali. Sequer convidadas, pois a atual administração municipal (uma porcaria) nada fez para convidar o povo para o desfile (na certa o prefeito teme as vaias cada vez mais constantes).

Mas estavam ali. E, incrível, aplaudiam os militares. Com entusiasmo! Vestiam as criancinhas de camuflado, agitavam bandeirinhas do brasil e cataventos verde-amarelos. Mas como podiam aplaudir? Meu professor, meus colegas, os autores que estudávamos não diziam que a polícia só serve para evitar que o povo mude o status quo? Elas não existem contra o povo? A polícia, pelos ricos, não estaria, contrariu sensu, contra o povo? O povo não deveria estar na rabeira do desfile, no grito dos excluídos, junto a turma da foice e martelo e da CNB do B?

Sorri, com meu saquinho de pipocas. Aquele povo não sabia nada sobre ser povo. Me lembrei de Bertoldt Brecht, sobre o levante de Berlim de 1953. "O povo traiu o governo". Por isso nossos gramscistas se esforçam em ensinar o povo a ser povo. E o povo que não trate de aprender, pois a história mostra que os revolucionários nunca se acanharam em tentar dissolver o povo e formar outro.

Viva o 7 de setembro!

Por Edgard Freitas
Itabuna - BA