Com a elevação da Palestina de órgão observador para "Estado observador não-membro" se complicou as discussões sobre o conflito no Oriente Médio. A posição tomada por Israel e pelos EUA foi uma ação de desespero diante da movimentação da comunidade internacional e da possibilidade concreta da Palestina entrar com ações no Tribunal Penal Internacional contra as incursões israelenses na Cisjordânia e em Gaza. Entretanto, infelizmente, a causa da Palestina foi sequestrada pelos partidos de esquerda que, desde o início do conflito armado, lançaram suas influências nos braços seculares com a OLP e as diversas siglas que a compunham.
Historicamente o Oriente Médio sempre foi uma região de trânsito entre diversos povos. De fato, faz parte do processo de amadurecimento cultural a dinâmica migratória. Se olharmos com todo o rigor nenhuma nação é natural da sua localidade, mas, isto sim, foi formada ao longo da construção da identidade pelo tempo. Judeus são migrantes, assim como os árabes se lançaram para além dos limites do deserto da península arábica. Até mesmo os milenares persas (iranianos) migraram para o Grande Irã por volta de 2000 a.C. O caso dos turcos, hoje estabelecidos por toda a Anatólia, é ainda mais enigmático: saíram da Ásia Central, o local natural de todos os povos turcomanos, e entraram no Império Seljúcida (também com laços étnicos com os turcos) galgando altos postos na estrutura hierárquica. Com a decadência e a derrota do império só restou o Sultanato de Rum, que foi minado internamente através da ascensão do principado encabeçado pelos Osmanoglu, ou seja, Otomanos.
O Oriente Médio, portanto, foi o local do choque entre diversos povos, culturas e religiões. Isso é fundamental para reconhecer que a reivindicação de algum direito natural sobre as terras palestinas, como é feito corriqueiramente pelos israelenses, é um absurdo histórico sem precedentes. Assim como é prejudicial esse tipo de argumentação, não há mais espaço para a crítica feita por facções radicais que protestam contra a existência do estado de Israel por ter sido criado através da ingerência da ONU já no séc. XX. As duas nações, portanto, devem aprender a conviver pacificamente dentro de dois estados distintos que estão inseridos em fronteiras historicamente conturbadas.
Entretanto, o que se destacou com a elevação da Palestina ao status de "Estado observador" foi a reação do Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Para ele isso "terá consequências", usando de um claro tom ameaçador contra o povo palestino. Que o governo israelense tenha medo dos ataques do Hamas contra as cidades do país, é um sentimento lícito. Contudo, o que temos visto é a intromissão completa de Israel nas decisões internas da Palestina. Israel, inclusive, ameça bloquear os impostos que recolhe para a Autoridade Palestina na Cisjordânia.
Israel, diante da nova categoria internacional da Palestina, não terá a mesma liberdade com que sempre tratou o povo palestino em suas ações. De fato, diante dessa lógica a paz se torna ainda mais distante já que Israel não teria o completo poder de barganha como sempre ocorreu. A tensão se complica quando as duas nações passam a ser vistas pelas ideologias vigentes como os reinos do capitalismo ou da resistência coletivista. Que os dois estados se consolidem, entretanto, que não seja por meio da polarização entre povos e culturas, mas através da conscientização do direito de auto-determinação.

