terça-feira, 18 de maio de 2010

Breve reflexão

Constatar a situação do mundo moderno é confirmar a sua vocação de cristão e arauto da Verdade. Um homem que busca vivenciar integralmente a mensagem de Nosso Senhor deve ter a obrigação de, ao enxergar a sociedade atual, constatar a decadência interna – que reflete na exterioridade – do homem. De fato, a crise atual é uma crise metafísica, espiritual, civilizacional.

Andar de metrô, ir ao sebo, comprar um remédio na farmácia, é uma verdadeira experiência antropológica. Não quero aqui parecer essencialmente pessimista – mesmo sabendo que o sou parcialmente. Concretamente, o homem é capaz de alçar vôos colossais e de, na sua grandiosidade, reduzir-se ao estado de animal. Nesse sentido, nós somos frutos das revoluções; o Renascimento absolutizou o homem, a Reforma deu a ele a autonomia espiritual e a “liberdade” definitiva e a Revolução Francesa - a Reforma no Estado, como dizia Dr. Plínio - exterminou as estruturas “medievais” e inaugurou, definitivamente, a nova sociedade do novo homem.

Lutero disse não à Igreja, Voltaire disse não a Cristo e Nietzsche, por fim, decretou a morte de Deus!

O homem está “livre”, mas na sua liberdade vive a mais profunda angústia! Inicia-se a sua auto-destruição!

sábado, 1 de maio de 2010

Lágrimas de crocodilo

A Igreja vem passando por um momento conturbado e preocupante, de ataques ferozes à instituição voltados, principalmente, à figura do Santo Padre. Tamanha violência - que me parece muito bem orquestrada - parte de um dado real e verídico; os escândalos sexuais. Entretanto, a cruzada, em sua real intenção, levantada contra a Esposa de Cristo, se origina numa motivação essencialmente revolucionária e anticlerical.

Nesse sentido, o não-crente, teoricamente, seria o primeiro, numa atitude compatível com a postura adotado por este, a pouco se interessar pelos assuntos que envolvem a Igreja Católica e a realidade religiosa. Não obstante, o empenho e esforço despendidos nas afrontas à hierarquia eclesiástica, à doutrina e aos princípios morais, refletem uma compreensão muito clara das bases civilizacionais. Sem dúvida alguma, podemos afirmar que o ataque ao Sumo Pontífice tem, como claro objetivo, macular aquele que, por direito e por tradição, tem autoridade e envergadura para falar em nome da ética, da moral e dos valores. A ânsia pela descontrução do respeito gozado pelo Papado é atestado da vontade do homem moderno de libertar a consciência da "opressão" moral tão bem representada e defendida no Trono Petrino.

Infelizmente, toda essa triste realidade reflete uma problemática mais profunda. A ascensão do liberalismo teológico, com sua terrível condescendência aos erros e a postura relativista diante da moral, fomentou o contexto no qual tomou forma um espírito diametralmente oposto ao necessário. O secularismo progressista, relativizando as estruturas formativas, assolou os seminários e a educação católica.

Ademais, não só o liberalismo propiciou o problema instaurado como também o inadequado discernimento vocacional. Jovens sem grandes expectativas de ascensão social, com problemas de índole moral e sozinhos diante do devido tratamento, buscam, infelizmente, na vida religiosa, a escapatória e o destino conveniente para os seus anseios.

Oxalá, a Igreja trata o problema de frente e busca, com sabedoria e prudência, contornar os erros que sancionam, mesmo que indiretamente, os escândalos que hoje enfrentamos!