Mostrando postagens com marcador teologia da libertação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador teologia da libertação. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O Beato João Paulo II que poucos querem conhecer...

Com a beatificação de João Paulo II muitos foram os críticos que usaram como argumento o dito desleixo e descaso do Papa com a sã doutrina da Igreja. Seria ele, dizem, mais interessado no trabalho ad extra do que ad intra. Ademais, não satisfeitos em fazer tal afirmação, consideram que a falta de comprometimento seria fruto da proximidade do Santo Padre com as teologias imprecisas e com percepções da fé tipicamente progressistas.

Esse apanhado de fatos comprovam que o Papa não apenas estava engajado no anúncio externo do Evangelho como na proteção do Depósito da Fé. Não obstante, com discrição, cautela e caridade.

O que a imprensa nunca difundiu acerca do pontificado de João Paulo II - O trabalho de João Paulo II para a guarda do depósito da fé e a preservação da disciplina eclesiástica

Autor: Lucrecia Rego de Planas/ Fonte: Vatican.va/Vários

Tradução: Wagner Marchiori

Durante o pontificado de João Paulo II a imprensa fez uma grande difusão de suas viagens apostólicas e diplomáticas e de suas formosas fotografias com crianças, anciões. enfermos, governantes e pessoas com trajes folclóricos.

Mas, houve uma parte muito importante do pontificado de João Paulo II que os meios de divulgação deixaram na mais completa obscuridade. Não houve a mais mínima divulgação, não sei se por ignorância ou omissão voluntária. É o "lado obscuro" do pontificado de João Paulo II, não por ser tenebros, mas porque permaneceu apenas na escuridão dos arquivos vaticanos.

Por esta razão e porque há muitas pessoas convencidas que João Paulo II se dedicou a viajar e se descuidou do 'interior' da Igreja, quis fazer uma lista ( certamente não exaustiva) de algumas coisas que, ano após ano, foram feitas durante o pontificado de João Paulo II para defender a fé e a disciplina dentro da Igreja.

1979

- Janeiro - Puebla. João Paulo II (JPII) condena a "Teologia da Libertação", heresia de teor marxista que confunde a libertação política econômica e social com a salvação de Jesus Cristo.

- Fevereiro. A Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) admoesta o Pe. Bernard Haring, sacerdote redentorista, por sua aberta oposição aos ensinamentos da Humanae Vitae.

- A CDF admoesta o dominicano francês Jacques Pohier e proíbe-lhe presidir assembléias litúrgicas e ensinar publicamente por causa de sua visão ambígua e enganosa acerca de Deus e da Eucaristia.

- Nos EUA reitera à representante das religiosas americanas o ensinamento da Igreja o ensinamento da Igreja em relação ao sacerdócio feminino.

- Outubro. Lembra às religiosas a importância de manifestar sua consagração também externamente mediante o uso de um hábito religioso simples e adequado.

- Dezembro. A CDF admoesta o teólogo holandês Edward Schillebeekx por suas proposições ambíguas em matéria cristológica que ele se nega a ratificar.

- Em 15 de dezembro a CDF declara que "o professor Hans Kung (suíço-alemão) prejudicou em seus escritos a integridade da verdade da fé católica e, portanto, já não pode ser considerado um teólogo católico e não pode, como tal, levar a cabo a tarefa de ensinar".

1980

- Janeiro. O Papa corrige, na Holanda, algumas ambiguidades e exageros do chamado "Conselho Pastoral dos Países-Baixos" no tangente à Eucaristia, a confissão, o sacerdócio, a catequese e o ecumenismo.

- Outubro, 14. A CDF restabelece, e, uma Carta-Circular, as normas para a dispensa do celibato sacerdotal e a redução ao estado laical de sacerdotes que deixaram o Ministério.

- Novembro, 20. A CDF volta a admoestar o Pe. Edward Schillebeekx mostrando-lhe que não retificou suas ambiguidades cristológicas.

1981

- Fevereiro, 17. A CDF corrige os erros difundidos na "Declaração da Conferência dos Bispos da Alemanha" no que diz respeito à filiação de católicos em organizações maçônicas e ratificando a pena de excomunhão aos mesmos.

-Outubro, 6. O Cardeal Casaroli (Secretário de Estado) entrega uma carta do Papa ao Pe. Pedro Arrupe, Geral dos Jesuítas, que não foi aceita a nomeação do Pe.O'Keefe e que, em seu lugar, nomeia um delegado de sua confiança, o Pe. Paolo Dezza, S.J., para governar a Companhia de Jesus e socorrê-la no discernimento para que, deixando os desvios, regresse ao seguimento de seu carisma original. Os jesuítas franceses aceitaram bem a intervenção do Papa, mas, no resto do mundo, muitos jesuítas se rebelaram, ocasionando uma diminuição de 25% dos membros da Ordem.

- Novembro. Na exortação apostólica "Familiaris Consortio" confirma os ensinamentos da "Humanae Vitae" em relação à imoralidade da contracepção e ratifica que os divorciados que voltaram a se casar não podem ter acesso à Eucaristia, a menos que decidam viver como irmãos.

1982

- Março, 27. A CDF corrige ambiguidades e lacunas em matéria de ecumenismo que estavam no "Informe Final da Conferência Internacional Anglicana-Católica Romana".

- Junho, 29. O Papa escreve aos bispos da Nicarágua para condenar a chamada 'Igreja Popular', ligada às comunidades de base e fortemente impregnada pela Teologia da Libertação.

- Agosto, 23. É erigida a Prelazia Pessoal da Santa Cruz e Opus Dei.

1983

- Janeiro, 25. Promulga o novo Código de Direito Canônico impregnado de uma renovada misericórdia disciplinar.

- Março - Manágua. Reprova publicamente o Pe. Ernesto Cardenal que havia se filiado ao governo sandinista (feroz regime socialista). Resiste impávido aos gritos da "Mães da Revolução" durante a Missa e, valentemente, reitera sua firme condenação à 'Igreja Popular' e o falso ecumenismo dos cristãos que se compromenteram no processo revolucionário.

- A CDF consegue que a Sor Agnes Mary Mansour abandone a congregação das Irmãs da Misericórdia devido seu ativismo favorável ao aborto. Será o primeiro de uma longa série de abandonos da vida religiosa de freiras comprometidas com o espírito modernista.

- Envia ao Arcebispo de Washington, como seu representante, a fazer uma visita apostólica a Mons. Raymond Hunthausen, Arcebispo de Seattle, para verificar sua errônea posição ante o desarmamento e a evasão fiscal.

- Novembro, 26. A CDF , devido a algumas interpretações mal intencionadas do novo Código de Direito Canônico, que já não contém a palavra 'maçonaria', responde confirmando que a fé católica e a maçonaria são incompatíveis e que os cristãos que pertençam às Lojas maçônicas estão em pecado grave e excomungados.

1984

- A CDF revisa a aobra do teólog da libertação peruano Gustavo Gutierrez por estar fortemente influenciada pelo marxismo.

- Junho, 13. A CDF pede, uma vez mais, a Edward Shillebeekx sua adesão à doutrina católica do sacerdócio.

- Agosto, 6. Com a Instrução Pastoral "Libertatis Nuntius", a CDF condena uma vez mais a Teologia da Libertação de teor marxista.

- Setembro, 7. A CDF convoca o teólogo da libertação brasileiro, Leonardo Boff, para chamar-lhe a atenção por sua adesão à ideologia marxista.

- Os bispos peruanos são chamados a Roma para advertir-lhes dos danos da Teologia da Libertação.

- Dezembro. O Geral dos Jesuítas, Pe Peter Hans Kolvenbach, expulsa da Ordem o Pe. Fernando Cardenal (irmão de Ernesto Cardenal) por participar do governo socialista nicaraguense como ministro da educação.

- Dezembro, 2. Com a exortação apostólica "Reconciliatio et Paenitentia" o Papa recorda a práxis correta do sacramento da penitência e condena absolutamente o abuso da confissão comunitária como meio ordinário da confissão.

1985

- A CDF chama o Pe. Gyorgy Bulany, sacerdote hungáro, membro das comunidades de base, para repreender-lo por sua postura favorável à objeção de consciência ante o serviço militar, que ele considera mau em si. Os escritos do Pe. Bulany já haviam sido vetados pela CDF.

- Março, 11. A CDF publica uma notificação para afirmar que as opções do Pe. Leonardo Boff em seu livro "Igreja, Carisma e Poder" estão tão errados que podem por em perigo a sã doutrina da fé.

- Alguma congregações católicas, fiéis à ortodoxia cristã, reportam à CDF alguns desvios dos Carmelitas Descalços.

- O polêmico bispo brasileiro, D. Hélder Câmara, é substituido por Mons. Cardoso Sobrinho, que teve de fazer uma profunda reestruturação da diocese enfrentando rebeliões por parte de professores, sacerdotes e religiosas fortemente influenciados pela teologia da libertação.

- Abril, 9 a 13 - Congresso de Loreto da Igreja Italiana. A intervenção do Papa marca o início de um caminho de renovação profunda da Igreja da Itália para adequá-la às necessidades de uma nova evangelização.

(Continua...)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Os homens que viraram na'vis...

O sempre atuante Leonardo Boff, aquele conhecido kamarada eco-teólogo, fez um comentário muito pertinente no seu twitter acerca da proibição das belíssimas e tradicionais touradas na Catalunha; "Na medida em que cresce a consciência ecologica e a interdependencia entre todos os seres, nesta medida ficam impossíveis as touradas."

Eu quase me senti um na'vi no coração do planeta Pandora plugando os meus interruptores cerebrais à natureza e aos animais, figuras perfeitas da suprema divindade Eywa! E viva a cultura Nova Era. De certa forma fico até triste ao ver Leonardo Boff descambar para uma visão tão superficial, simplória e caricatural da realidade. Ok, é verdade que no auge da Teologia da Libertação o ex-frade era o primeiro a ostentar os falaciosos paradigmas marxistas dentro da teologia, numa visão dialética tão rasa quanto a febre verde da atualidade.

Entretanto, Boff evolui, ele coloca a natureza como sendo mais um alvo das estruturas de dominação e alienação. Diz ele que "A mesma lógica que leva a explorar as pessoas, as classes, os países, é também a que leva a explorar a natureza". Aplausos! Não sei se é apenas coincidência, mas o terror ambiental, fundamentado no mito do aquecimento global, perpetua uma indústria financiada por bilhões de doláres e que tem como objetivo difundir o espírito politicamente e ecologicamente correto. Boff atualmente anda pelo mundo, numa cruzada vegetariana, pregando em favor da santa biodiversidade e da beata natureza!

A sua obra "Ecologia: grito da Terra, grito dos pobres" inaugurou a Ecoteologia da Libertação; "Temos que nos convencer que a Terra é Gaia, isto é, tem um comportamento típico dos seres vivos. Somos mais filhos e filhas da Terra. A nossa singularidade é a de ser os cuidadores da Terra, os jardineiros do Éden terreno, e não o Satã da Terra." Aleluia! Até estou vendo Boff liderando um ritual sagrado, num santuário ecumênico, em torno de um cacho de banana, com fiéis cantando mantras e captando a energia vinda da Mãe Terra.

Como disse Lord Nigel Lawson, Ex-Ministro de Finanças e da Energia da Inglaterra, no documentário "A Grande Farsa do Aquecimento Global": "A esquerda ficou levemente desorientada depois do fracasso evidente do socialismo e, naturalmente, do comunismo-marxismo como foi testado, e ainda permanecem tão anticapitalistas quanto eram, mas eles têm de encontrar novos sujeitos para esse anticapitalismo." A causa verde e o ambientalismo caricatural surgem como as novas bandeiras que escondem os desejos mais revolucionários. Funcionam como máscaras que conseguem conquistar e renovar o séquito dos idiotas úteis e, ao mesmo tempo, ofuscar um intento extremamente subversivo e friamente planejado; a destruição da Civilização.

Welcome to Pandora, baby!

sábado, 9 de janeiro de 2010

A novilíngua da esquerda

A esquerda criou a sua novilíngua orwelliana e já tratou de implantá-la em todos os seguimentos da sociedade brasileira e mundial; esta vai desde as Universidades - e destaco as redações dos vestibulares - indo até aos documentos da Organizações das Nações Unidas.

Palavras como "opressão", "capital", "domínio", "poder", "alienação" são repetidas a exaustão. Além dessas, tantas outras - "democracia", "liberdade", "povo", "elite" - têm seus reais sentidos reformulados, com aplicações que sustentam a retórica vazia do discurso da esquerda.

Por exemplo; "A opressão do povo é reflexo do sistema de domínio das elites que aliena o trabalhador e impede a libertação" Frase esta que elaborei em menos de um minuto, apenas organizando as palavras-chaves do vocabulário da novilíngua esquerdista. É pertinente frisar que essas criações lingüísticas escondem um radical totalitarismo por debaixo de uma aparente linguagem "democrática". O poder da repetição e o esvaziamento de sentido criam a idéia de que essas frases são inofensivas e inocentes quando, na verdade, carregam uma proposta política mui clara.

Obviamente, a religião não ficou de fora do novo idioma da esquerda. A Teologia da Libertação, lançando mão do vocabulário clichê, propiciou a divulgação da ótica dialética da fé e de classes através das falácias revolucionárias:

Credo das CEBs

1. Nós cremos em Deus Criador, fonte dos universos,
Senhor de toda religião e Pai de todo ser.
Pra longe a Inquisição! Os credos são diversos...
Nós cremos no mistério do Amor que vai vencer!

E nós cremos na Igreja-Mãe que é comunidade
E tem sabor de CEBs para nós! (2x)

2. Nós cremos em Jesus que prometeu justiça aos pobres,
Que ensinou discípulos a não querer poder!
Não cremos nos pastores aliados com os nobres!
"Primeiros serão últimos..." - é preciso crer pra ver!

E nós cremos na Igreja-Mãe que é comunidade
E tem sabor de CEBs para nós! (2x)

3. Nós cremos no Espírito que incita com seu fogo
Os corações proféticos a levantar a voz
Contra toda exclusão: A vida está em jogo!
Entrar na luta é pra já! "Aleluia" é pra depois...

E nós cremos na Igreja-Mãe que é comunidade
E tem sabor de CEBs para nós! (2x)

4. Estamos com Maria e também com Madalena!
Queremos mais amor de mãe, carinho de mulher!
Tradições de homens só não valem mais a pena...
Nós cremos, sim, em Débora, em Sara e Ester!

A novilíngua esquerdista, ao adentrar na Igreja, criou uma mentalidade dialética totalmente estranha ao mundo eclesiástico. Começaram a surgir, então, as alas progressistas, conservadoras, com os liberais e tradicionais. Obviamente, os agentes revolucionários, se identificando como progressistas, apontavam para os outros, os opositores, os rotulando de acordo com os preconceitos que nutriam. Com isso, o não seguimento do Magistério, por exemplo, se tornou apenas particularidades de um grupo interno e não uma incongruência fundamental com a fé professada. Tais contradições começaram a se esconder, então, por detrás do relativismo e da dialética revolucionária.

Os opressores que se cuidem...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O verdadeiro sentido da missão

Pedro Ravazzano

A Teologia da Libertação é responsável direta pela destruição de séculos de trabalho missionário. A naturalização do sobrenatural, somada a uma análise materialista da fé, propicia a corrupção do sentido da conversão. Tamanho relativismo reduz todo o cristianismo a um mero assistencialismo onde não há necessidade de oração, penitência e mortificação. Cristo, dentro dessa leitura, não pediu a conversão e a crença evangélica, mas sim uma luta pelo bem e justiça social. Como disse o folheto “O Domingo”;
"A páscoa de Jesus se realiza nos grupos e pessoas que, independentemente de credos, se doam em favor dos pequenos e procuram realizar o bem em meio à sociedade."


O trabalho missionário parte de uma compreensão honesta da fé, um entendimento sensato dos ensinamentos de Cristo, do amor ao próximo e no cumprimento do pedido de Nosso Senhor; “Ide e anunciai o evangelho a toda criatura.” A Teologia da Libertação (TL) reduz o anuncio do evangelho a uma ótica materialista, enxergando na religião a ferramenta de libertação social, daí que a “justiça social” e “fazer o bem” sejam os dogmas absolutos da fé. Obviamente, para uma noção tão simplória da crença, Cristo não precisaria da Encarnação, Crucificação e Ressurreição, muito menos fundado uma Igreja. Ademais, toda a religião católica parte da premissa básica de que perpetua os ensinamentos de Nosso Senhor – seria estupidez máxima crer em algo que sabe não ser de Deus, mas dos homens. Assim, a Eucaristia, o Papa, a Virgem SS etc, não são simples realidades doutrinárias acidentais, mas frutos diretos da mensagem deixada por Jesus.

Em concreto, o amor de Deus é misericordioso, e essa misericórdia se encarna na doutrina, justamente por ser esta um caminho objetivo de salvação. Seguir Jesus é seguir tudo aquilo que Ele nos deixou, afinal, é no Seu legado que entendemos a Sua mensagem. Ora, se cremos que a doutrina católica veio de Cristo e reconhecemos a necessidade de seguir a Cristo nos Seus ensinamentos, como colocar em terceiro plano a importância da fé na Igreja Católica? Podemos ir além. A prática maior do amor ao próximo se faz na pregação da Verdade, já que é o gesto máximo de caridade ao homem; mostrá-lo a Cristo. Se reconhecemos os ensinamentos católicos como originados diretamente do coração de Jesus, e sabemos que a comprovação do nosso amor ao próximo se faz na apresentação da Verdade, como, então, desmerecer a necessidade da conversão? Ou nós não amamos, de fato, o próximo - portanto não queremos apresentá-lo a Cristo – ou, então, não cremos na doutrina católica como originada no Senhor – logo, como nos consideramos crentes?

A redução feita pela TL é total e absoluta. A Eucaristia, a Virgem SS, o Papado etc, são pontos secundários da fé se comparados com a necessidade de praticar a “justiça social”. Além da verdadeira justiça se originar em Cristo e na Sua mensagem, toda a doutrina não se contrapõe ao amor de Deus. Tamanha falácia parte de uma compreensão relativista onde doutrina - e até mesmo a simples palavra “doutrina” – é interpretada como uma imposição férrea e fundamentalista da fé. Ora, não seria, justamente, o contrário? A doutrina é fruto da caridade de Cristo, um guia prático de salvação, muito mais edificante do que a ótica subjetivista que impera, onde ninguém sabe ao certo como viver o Evangelho, onde cada indivíduo segue uma fé particular e pessoal, distante da universalidade pretendida por Deus.

Dom Edson Damian, bispo de São Gabriel da Cachoeira, afirmou, em reportagem ao Jornal Nacional, que “São os índios que estão vivendo como viviam os primeiros cristãos que tinham tudo em comum, nós é que temos que nos converter a eles”. Agora é a Cruz que deve ser submetida aos chocalhos e flautas de Tupã? Esse é o relativismo em grandes proporções, não mais a conversão é desnecessária como agora somos nós, cristãos, que devemos nos paganizar. Ademais, vale frisar que, como destacou Jorge Ferrar no Deus lo Vult!, “Para afastar os maus espíritos, Sua Excelência parece preferir o Yaigê às orações católicas; para ser coroado no dia de sua sagração, Sua Excelência parece preferir um cocar indígena a uma mitra católica. Parece preferir o paganismo ao Evangelho”

Obviamente, o Bispo tem pleno entendimento acerca do caráter relativista e herético de tais afirmações. De fato, a sua insistência no modernismo é consciente e intencional. Dom Edson, mui provavelmente, deve conhecer a brilhante explanação feita por S.S João Paulo II na encíclica Redemptoris Missio; “uma das razões mais graves para o escasso interesse pelo empenhamento missionário é a mentalidade do indiferentismo, hoje muito difundida, infelizmente também entre os cristãos, freqüentemente radicada em concepções teológicas incorretas, e geradora de um relativismo religioso, que leva a pensar que « tanto vale uma religião como outra »...”

Além dos graves problemas doutrinais oriundos dessa postura relativista, que, logicamente, subentende um demérito a toda a crença católica, ainda há o choque com a própria história da Igreja e a vida espiritual. Gostaria de pontuar, nesse tocante, o testemunho da Sociedade de São Francisco de Sales no empenho do trabalho missionário. A diocese de São Gabriel da Cachoeira, por exemplo, foi fundada e erigida por Sacerdotes filhos de Dom Bosco. Dom Edson, o Bispo do Cocar, é o primeiro não-salesiano feito Pastor daquelas terras. Desde cedo o Santo fundador alimentava o desejo de partir, para terras inóspitas, na pregação do Evangelho. Dom Bosco sonhava em poder caminhar com alguns missionários, apenas sustentados na fé em Cristo, mas a sua saúde e os enormes afazeres na Europa, com uma Congregação recém fundada, o impedia. Entretanto, logo tendo oportunidade enviou para a América aqueles que se tornariam peças fundamentais na propagação da fé nos países do Novo Mundo. Vejamos o relato feito por Dom Bosco do seu profético sonho:
"Pareceu-me, disse, encontrar-me numa região inóspita e totalmente desconhecida. Era uma imensa planície toda inculta, em que não se avistavam colinas nem montes. Mas nas extremidades, muitíssimo ao longe, perfilavam-se em toda a volta escarpadas montanhas. Vi nela multidões de homens que a percorriam. Andavam quase nus, eram muito altos, de aspecto feroz, de cabelo comprido e em desalinho, de cor bronzeada e escura, vestidos apenas com grandes mantos de peles de animais, que lhes desciam dos ombros. Andavam armados com uma espécie de lança comprida e com uma funda.
Estas multidões de homens, espalhados por todo o lado, ofereciam ao espectador cenas diversas: uns corriam à caça das feras; outros levavam na ponta das lanças pedaços de carne a deitar sangue. Outros ainda combatiam entre si, outros traziam presos soldados vestidos à europeia, e o terreno estava cheio de cadáveres. Eu tremia perante aquele espectáculo; e eis que despontam na extremidade da planície muitos personagens, que, pela forma de vestir e de se comportar, descobri que eram missionários de várias Ordens.
Estes aproximavam-se para pregar àqueles bárbaros a religião de Jesus Cristo. Fixei-os bem, mas não conheci nenhum deles. Foram para o meio daqueles selvagens; mas os bárbaros, mal os viram, com um furor diabólico, com uma alegria infernal, assaltavam-nos, matavam-nos, esquartejavam-nos com ferocidade, cortavam-nos aos pedaços e espetavam os pedaços daquelas carnes com a ponta das lanças.
Depois de observar aqueles horríveis massacres, disse para mim próprio:

− Como fazer para converter esta gente tão brutal?

Entretanto, vejo ao longe um grupo de outros missionários que se aproximavam dos selvagens de rosto muito alegre, precedidos por uma turba de jovenzinhos.

Eu tremia pensando:

− Vêm cá para ser mortos.

E aproximei-me deles: eram clérigos e padres. Fixei-os com atenção e vi que eram os nossos Salesianos. Os primeiros eram meus conhecidos, e embora não tenha podido conhecer pessoalmente muitos outros que seguiam os primeiros, dei-me conta de que eram também Missionários Salesianos, mesmo dos nossos.

− Como vai isso − exclamei.

Não queria deixá-los passar e pus-me à frente deles para os parar.

Receava que de um momento para o outro tivessem a mesma sorte dos antigos Missionários. Queria fazê-los voltar para trás, quando vi que a sua aparição encheu de alegria todas aquelas multidões de bárbaros, que baixaram as armas, puseram de parte a ferocidade e acolheram os nossos Missionários com todos os sinais de cortesia.

Maravilhado com isto, disse para mim próprio:

− Vamos ver como é que isto vai terminar!

E vi que os nossos Missionários avançavam em direcção àquelas hordas de selvagens; instruíam-nos e eles escutavam-nos de bom grado; ensinavam e eles punham em prática as suas instruções. Parei a observar, e dei-me conta que os Missionários rezavam o santo Terço, enquanto os selvagens, correndo de todos os lados, abriam alas à sua passagem e respondiam com gosto àquela oração.

Passado algum tempo, os salesianos dispersaram-se pelo meio daquela multidão que os rodeava e ajoelharam-se. Os selvagens, tendo deposto as armas por terra aos pés dos Missionários, ajoelharam também. E eis que um dos salesianos entoa: “Louvemos Maria…”, e todas aquelas turbas, a uma só voz, continuaram o cântico, tão em uníssono e com voz tão forte, que eu, quase assustado, acordei.
Este sonho fez-me muita impressão, pensando tratar-se de um aviso celeste"
Esse sonho confirmou aquela misteriosa vontade que o Santo já nutria no coração. Assim, depois de alguns acasos da Providência, os salesianos foram enviados para a Patagônia, inclusive o futuro Cardeal Cagliero, Vigário Apostólico da Patagônia, confessor da Beata Laura Vicuña e amigo de Beato Zeferino Namuncurá. Os filhos de Dom Bosco logo chegaram ao Brasil. No Mato Grosso evangelizaram a tribo dos Bororos e, mais tarde, constituíram uma prelazia, a Prelazia do Registro do Araguaia. Entraram corajosamente na floresta amazônica, construindo verdadeiros oásis da fé. Desde 1908, Dom Frederico Costa, Bispo do Amazonas, queria a presença dos salesianos na região do Rio Negro. Em 1910 a Prefeitura Apostólica do Rio Negro foi criada e, posteriormente, confiada aos filhos de Dom Bosco – atualmente Diocese de São Gabriel da Cachoeira. Na região trabalharam junto aos Tucanos e outros tribos, tudo para a glória de Deus.


Os sonhos de Dom Bosco profetizavam o esplendor da sua Congregação. Ademais, eram sinais claros da origem Divina dos anseios mais profundos da Sociedade de São Francisco de Sales. Afirmar, como é comum hoje em dia, que o trabalho missionário é desnecessário e inoportuno – falo de verdadeiro trabalho missionário que visa à conversão – se choca com a doutrina da Igreja e com a ação do Senhor na história. Os sonhos de Dom Bosco seriam falsas criações de mentes ultramontanas, refletindo apenas uma realidade temporal? Então a Virgem Santíssima se enganaria nas suas promessas feitas ao Santo?

Vejamos o teor de outro sonho, relatado por A. Auffray SDB na biografia de Dom Bosco, “A divina Pastora que aos nove anos lhe tinha feito ver com clareza a sua futura missão, mostrou-lhe nessa noite os pontos principais do caminho que iriam percorrer os seus missionários. Num instante sua fantasia foi transportada ao pé das Cordilheiras, a Santiago e a Valparaiso; de ai ao coração mesmo das matas da África; finalmente a Pequim, a capital do Celeste Império! Por mais robusta que fosse a fé de Dom Bosco, era difícil acreditar tais maravilhas. Evangelizar extensões tão grandes! Vencer tantos obstáculos! Percorrer espaços enormes! e com um exército tão exíguo e com meios tão. escassos! Não! Era um sonho apenas e nada mais! Porém a Dama misteriosa acalmou-lhe os receios: "Não temas disse-lhe ela. Não sómente os teus filhos, mas os filhos de teus filhos realizarão estes prodígios" Nesse sonho a Virgem mostra ao Santo os belíssimos frutos da sua Congregação; a conversão dos povos e das raças. Ainda promete que tais “prodígios” seriam perpetuados por todos os seus filhos.

Comparemos, nesse instante, a doutrina da Igreja e os sonhos de Dom Bosco com o posicionamento da Teologia da Libertação e o seu relativismo. Se somos católicos – e somos livremente – é porque cremos que a Igreja, enquanto instituição fundada por Cristo, reflete os ensinamentos deixados por Nosso Senhor. Entretanto, mesmo as revelações privadas não sendo de crença obrigatória, exprimem um caráter sobrenatural. Assim, se as experiências de Dom Bosco foram originadas em Cristo – e assim a Igreja acredita – reproduzem a imutabilidade inerente a Deus. Ou será que alguém crê que o Senhor transmite ensinamentos mutáveis e falíveis, escravos do tempo?

De um lado temos o Evangelho e a Igreja e, do outro, Bispos e religiosos relativistas. De um lado uma conversão sincera, com prática de oração e vida sacramental, do outro lado a práxis “evangélica” perpetuada na manutenção de crenças pagãs e no discurso assistencialista.

Quando Monsenhor Cagliero voltou da Patagônia, levou consigo uma jovem indígena convertida. No leito de morte, Dom Bosco experimentou uma sublime alegria. Não podendo ir até as terras de missão, o seu filho trouxe um fruto dos trabalhos salesianos em solo argentino. A jovenzinha, ajoelhada aos pés do Santo, falando um italiano carregado de sotaque, disse; "Pai, eu vos agradeço por terdes mandado vossos missionários para salvar a mim e a meus irmãos" Dom Bosco, extremamente comovido, verteu lágrimas de regozijo, lágrimas de caridade e de puro amor! Ele sabia que havia cumprido a sua tarefa na terra!

Infelizmente, essa é uma experiência que D. Edson Damian nunca vai passar! Afinal, para que converter?

sábado, 26 de setembro de 2009

Santos não roubam, assassinam e seqüestram

Link - http://veja.abril.com.br/300909/conversa-com-dom-luiz-flavio-cappio-p-058.shtml

Conversa com Dom Luiz Flávio Cappio

Essa Deus não perdoa

Em 2005, o bispo da diocese de Barra, na Bahia, dom Luiz Flávio Cappio, ganhou os holofotes ao fazer uma greve de fome em protesto contra a transposição do Rio São Francisco. Em 2007, repetiu a dose com o apoio de esquerdistas e artistas de TV. Agora, o bispo volta à cena: quer construir um santuário no local onde o terrorista Carlos Lamarca foi morto, no sertão baiano

Leonardo Coutinho
Marco Aurélio Martins/A Tarde/AE

Dom Cappio em defesa
de um terrorista assassi

O senhor vai erguer um templo para Lamarca?

Farei um santuário para todos os mártires da diocese. Considero mártir quem morre em defesa de uma causa justa e derrama seu sangue por valores evangélicos. O Lamarca é um mártir.

Lamarca optou pelo caminho da violência e matou gente. Isso é evangélico?

Não quero canonizar ninguém. Sei que o Lamarca teve culpas, e não podemos eximi-las, mas quero valorizar o que ele fez de bom.

O que ele fez de bom?

Lutou contra a ditadura. Estou na região há 35 anos e já ouvi histórias terríveis sobre ele. Diziam que comia gente e estrangulava crianças. Eram coisas que a ditadura colocava na cabeça do povo.

Como o senhor vai bancar a obra?

Com recursos de dois prêmios internacionais que recebi por defender o Rio São Francisco.

Quanto o senhor ganhou?

Um valor simbólico.

Mas quanto?

Só posso dizer que dá para começar.

O senhor não tinha nenhuma obra social com que gastar esse dinheiro?

Já fazemos isso. O santuário será um lugar onde gente que foi maltratada pela história poderá ter seus restos mortais depositados e descansar em paz.

Quem serão os outros mártires?

Trabalhadores rurais mortos em conflitos.

-

Que Dom Cappio queira criar o martirológio da Teologia da Libertação com assassinos, revolucionários, suicidas e similares, é problema dele, mas que faça isso em alguma denominação cismática. O esforço na desonestidade é gritante e surreal; ao mesmo tempo em que esses hereges ideologizados renegam a Igreja em diversos de seus ensinamentos, precisam dela para confirmar todo o resto que é crido. É uma relação de amor e ódio. Dom Cappio só é Bispo por causa da Igreja que ele desobedece, só é respeitado, reverenciado e coroado com premiações porque é a Igreja que com o peso e autoridade legitima o seu episcopado. Ademais, toda a doutrina, desde a Eucaristia até a divindade de Cristo, se consolida dentro da Igreja. É esta a instituição responsável pela perpetuação do cristianismo, até que chegasse no interior do Brasil, em Guaratinguetá, onde nasceu Sua Excelência Reverendíssima, sendo batizado e educado dentro da fé.

Valores evangélicos? Trair o juramento feito ao país e às Forças Armadas, articular uma revolução armada para submeter a nação a Moscou, sonhar com uma ditadura do proletariado que historicamente foi responsável pelos maiores genocídios da humanidade, assassinar, roubar, seqüestrar, tudo isso é valor evangélico? Mesmo na mais ideologizada das suposições, mesmo que os ideais de Lamarca fossem evangélicos, os meios utilizados passaram bem longe de qualquer mensagem bíblica. Isso é de puro maquiavelismo; os fins justificam os meios. A teologia moral ensina que atos negativos não podem ser praticados visando frutos positivos. Ademais, nem mesmo na perspectiva da "ação de duplo feito" - quando uma ação boa pode gerar efeitos bons, indiferentes e maus independentes dos anseios pessoais - as atrozes atitudes de Lamarca se encaixam, já que havia a clara intenção de promover o caos e o terror.

Dom Cappio reflete a mentalidade infantil e incoerente daqueles que crêem devotamente que os jovens da década de 70 que lutavam contra regime militar eram apenas libertários idealistas, promotores do espírito de liberdade, soldados na luta em favor da paz. Um engano tão estúpido só pode ser fruto ou da desonestidade congênita ou de uma comunhão ideológica. Na prática, sabemos muito bem que todas as células terroristas participavam de um grande projeto revolucionário internacional, dispendioso e financiado pelas mais monstruosas ditaduras da história; China, Cuba, Albânia, URSS etc.

Lamarca e os membros da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) foram responsáveis pelo assassinato do tenente Paulo Alberto Mendes, morto a coronhadas, que havia voluntariamente se rendido e se colocado na condição de refém. Vejamos esse breve relato;
"No dia 10 de maio de 1970, em meio à mata do vale da Ribeira, onde outro grupo de criminosos pretendia montar uma "zona liberada de guerrilha", um outro "tribunal" reuniu-se. O tenente da Polícia Militar de São Paulo, Alberto Mendes Júnior que se oferecera como refém em troca da vida de seus homens, tornara-se um estorvo para os bandidos em sua tentativa de furar o cerco policial-militar. Resolveram matá-lo e como o barulho de um tiro poderia denunciá-los, o fizeram a coronhadas que esfacelaram a cabeça do condenado. O presidente do "tribunal", também promotor, juiz e comandante do pelotão de execução, chamava-se Carlos Lamarca."
Claro que poderia citar diversos assassinatos e seqüestros, mas nada disso importa para aqueles que estão submersos na mentalidade revolucionária. Gente desse tipo já sofre com uma inversão completa de valores e moral. Vejam só, o assassinato, o roubo, o seqüestro, viraram "valores evangélicos"!!

domingo, 30 de agosto de 2009

Qual a função do folheto "O Domingo"?

Tá bom que aquele folheto litúrgico "O Domingo" presta um verdadeiro desserviço à Santa Missa, mas as coisas pioram sempre; o abismo é o limite. Normalmente a podridão ficava nas tais orações da assembléia..comunista ou então nas colunas dos paulinos que só defendem a Teologia da Libertação e a deformação do sentido sacrificial da Missa. Entretanto, nesse Domingo a pedrada começou já no comentário aos ritos iniciais:
"Irmãos e irmãs, neste domingo o Senhor nos convida à caridade, a verdadeira liturgia que agrada a Deus. Religião não é tanto realizar uma série de ritos de purificação, mas, sim, fazer a opção pelo seu projeto, que se concretiza na prática da solidariedade. Celebremos o dia do catequista, agradecendo a evangelização que esses generosos servidores realizam"
Alguém me explique o que é isso?! Primeiro, quando o texto fala que a caridade é a verdadeira liturgia, querendo ou não, faz alusão a uma falsa liturgia, e qual seria esta, por acaso? Não é necessário se esforçar para concluir que há, nesse primeiro comentário, uma subvalorização do esplendor litúrgico em contraste a uma excessiva glorificação do materialismo assistencialista - que não é a verdadeira caridade que não prima pelo reino da matéria.


A maior pérola, sem dúvida alguma, é o papo de que a religião se concretiza na prática de solidariedade. Ora, seria a Igreja uma ONG e eu não sabia? Onde aparece Deus na história? Não aparece, afinal para esse pessoal da pesada a religião tem um fim libertador, apenas uma ferramenta de transformação social. Pode até ser que o nome de Cristo esteja salpicado entre um discurso e outro, mas quase sempre embebido numa certa compreensão de cunho socializante que naturaliza a realidade sobrenatural da Revelação e de todo o cristianismo. Não por menos, quando a Teologia da Libertação foi condenada no documento "Libertatis Nuntius", este afirmou categoricamente que tal heresia "propõe uma interpretação inovadora do conteúdo da fé e da existência cristã, interpretação que se afasta gravemente da fé da Igreja, mais ainda, constitui uma negação prática dessa fé."

Deus nos livre do folheto "O Domingo" e das suas heresias! Temos que pensar numa função melhor para tanto papel! Já sei uma...