terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A crise da Universidade e a crise do espírito

Pedro Ravazzano

Como bem disse Otto Maria Carpeaux “das universidades depende a vida espiritual das nações”. Infelizmente vivemos uma grave crise da Academia, crise esta que vai muito além de conteúdos normativos. A união do pensamento iluminista com a idéia do progresso material positivista transformou as Universidades numa fábrica do pensamento técnico, “útil”. Assim, dentro do espaço acadêmico onde outrora havia uma densa reflexão e a produção de uma cultura espiritual, resta apenas certo ranço utilitarista e desprovido de qualquer convicção profunda.

As Universidades têm uma função basilar na construção e constituição das nações. No ambiente acadêmico as gerações atuais alcançam a maturidade necessária para refletir acerca da realidade e pensar nas veredas que guiarão os seus filhos e netos. Contudo, a partir do alvorecer iluminista, com a estruturação do repúdio formal a qualquer pensamento tradicional – tradição aqui entendida num contexto muito particular -, a Universidade perdera o sentido histórico mais profundo, isto é, a responsável por perpetuar aos novos o mundo interior legado pelos seus antigos.

O filósofo Alasdair MacIntyre afirmou a necessidade de recuperar “uma concepção de pesquisa racional incorporada numa tradição; uma concepção de acordo com a qual os próprios padrões da justificação racional avultem e façam parte de uma história na qual eles sejam exigidos pelo modo como transcendem as limitações e fornecem soluções para as insuficiências de seus predecessores, dentro da história dessa mesma tradição.” Entretanto, os ouvidos modernos tremem quando ouvem falar de tradição. A pedagogia humanística entra, então, em decadência quando morre no homem a sua união espiritual com o passado, com a herança recebida de seus pais. O homem sem espírito, sem o nous metafísico, limita a sua própria capacidade racional. Assim, na mentalidade materialista e utilitarista engendrada desde o iluminismo, resta apenas o espaço para a produção de um saber meramente técnico, sem qualquer pretensão que não seja a melhoria imediata e sensível da sociedade. Vivemos, desse modo, a ditadura do progresso onde, logicamente, o passado é necessariamente visto como o reduto da obscuridade e atraso.

Se a Universidade não deve ser compreendida como nostalgia, não tem muito menos como finalidade a educação para um conteúdo útil e profissional. Na sua constituição mesma está como destino último o cultivo do intelecto. O “hábito filosófico da mente”, como colocara John Henry Newman, era fruto justamente do refinamento e enriquecimento das capacidades intelectuais. Assim, a ansiada busca da verdade, sentido da reflexão e da discussão, encontra-se integrada ao amplo conhecimento cultural transmitido e recebido por meio da tradição, da família e da religião.

No prefácio do seu livro “The Idea of a University”, o Cardeal Newman, definindo a noção de Universidade, diz; “That it is a place of teaching universal knowledge. This implies that its object is, on the one hand, intellectual, not moral; and, on the other, that it is the diffusion and extension of knowledge rather than the advancement. If its object were scientific and philosophical discovery, I do not see why a University should have students; if religious training, I do not see how it can be the seat of literature and science.” Ora, se o iluminismo tirou da racionalidade o seu natural espaço tradicional, o positivismo a trancafiou dentro da mentalidade material e técnica, subtraindo da razão a sua capacidade de, através de um olhar atento, contemplar a realidade de modo universal.

A gênese moderna da Academia tende a reduzi-la a uma instituição profissional e, na esteira de tal transformação, num centro altamente politizado onde o conhecimento encontra-se assimilado aos ditames ideológicos. Não obstante, a Universidade tem como função a preservação e ampliação do conhecimento, a constituição de um centro de saber e reflexão. Isso precisa ser redescoberto para que o homem possa, no futuro, reconhecer-se como tal e integrado numa cultura espiritual que o torna apto a compreender a sua existência de forma ampla, além dos limites estipulados pelo momento presente.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Quão profunda é a universidade brasileira!

Vejamos como a lógica de neutralização dos protestos populares, que reflete a nossa condição de filhos da escravidão, confirma o fato de que não somos um país democrático e onde não há cidadania. Há apenas discursos cosméticos e vazios, um povo prostrado com a vontade definida pelas classes dominantes. Este compromisso perverso entre o dominado e o denominador marca profundamente uma psico-patologia da nossa cultura!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Quem é Rick Santorum?


Quem é Rick Santorum? Até então parecia que nos ambientes conservadores e liberais dois nomes Republicanos transitavam, o de Mitt Romney e o de Ron Paul, entretanto eis que aparece o senador pela Pensilvânia.

Santarum e sua família assistem regularmente a Santa Missa na forma extraordinária numa paróquia na diocese de Arlington. Juntamente com a sua esposa são Cavaleiro e Dama da Graça Magistral da Ordem de Malta. Foi ele o autor da Santorum Amendment que promove o ensino do design inteligente nas escolas públicas dos EUA ao mesmo tempo que questiona o status dogmático da teoria da evolução. A emenda, acima de tudo, incita a liberdade intelectual. Dizem que o Senador teve um papel atuante na conversão ao catolicismo do também então Senador Sam Brownback, atual governador do Kansas, que largou o protestantismo por meio do apostolado do Pe. C. John McCloskey, da Prelazia do Opus Dei. Além de um constante testemunho de fé, Santorum viajou em 2002 a Roma para discursar no centenário da celebração do nascimento de São Josemaria Escrivá. Disse, nessa oportunidade, que admirava o fundador do Opus Dei e mostrou não concordar com a separação entre religião no âmbito privado e responsabilidades públicas, chegando a criticar a famosa afirmação de Kennedy. Disse:

“All of us have heard people say, ‘I privately am against abortion, homosexual marriage, stem cell research, cloning. But who am I to decide that it’s not right for somebody else?’ It sounds good,” Santourm said. “But it is the corruption of freedom of conscience.”

Como nem tudo são flores, Santorum tem um discurso muito forte quando o assunto é política externa. Advoga a democratização do Irã como solução para a pacificação do Oriente Médio e a proteção de Israel. Foi um dos defensores do Iran Freedom and Support Act, que não apenas autorizou sanções econômicas e bloqueios, como destinou 100 milhões de dólares a grupos pró-democracia iranianos. O perigo é saber até que ponto custa a "liberdade" persa para as consciências americanas. O esboço de uma futura guerra parece se formar nas entrelinhas do discurso do Senador.

Santorum, ainda combatendo hoje a Sarbanes-Oxley - “We must repeal the burdensome Sarbanes-Oxley law that not only did not prevent the financial crisis, but chased capital overseas.” - foi um dos defensores da lei que regulou ainda mais os mercados financeiros. Convenhamos que no afã da crise econômica todo o Senado se uniu na sua aprovação. Parece, contudo, que se redimiu ao propor um plano de trabalho que inclui a redução do tamanho do governo, a reforma tributária, a reforma regulatória e energética. Não defende, como Ron Paul, a extinção do FED, porém considera de crucial importância a sua despolitização. Ainda afirmando que o Banco Central deverá ter como incumbência apenas o cuidado com a inflação, na prática pode ser acusado de dar uma resolução tímida aos problemas econômicos. Esta execução ainda pode continuar causando a mesma artificial euforia nos mercados por meio do controle da moeda e dos juros. Dentre as suas políticas econômicas se encontram:

Reduce the Size of Governmentrn
Return size of government to historical norm of 18%
Cap future spending
Pass a balanced budget amendment
Tax Reformrn
Cut the corporate tax rate in half
Cut the tax rate to zero for all manufacturers
Permanently extend the Bush tax cuts rates for Capital Gains and Dividend Tax rates
Repeal the Death Tax
Repatriate taxable income outside the United States at a rate of 5%
Reduce the tax code for all by making the system flatter, fairer, and simpler
Regulatory Reformrn
Repeal ObamaCare
Remove CO2 regulations of the EPA
Reign in the National Labor Relations Board (NLRB)
Streamline the patent process
Reform the transparency of the Food and Drug Administration's approval process
Repeal the burdensome Sarbanes-Oxley law
Repeal Dodd-Frank
End "too big to fail"
Energy Reformrn
Put aside our dreams of "green jobs," and focus on the great domestic resources at our disposal
Utilize oil, natural gas, coal, and nuclear energy
Eliminate the Obama Administration's roadblocks to oil exploration in the Gulf of Mexico, along the Outer Continental Shelf, and onshore - including in ANWR
Ensure that no new natural gas regulations are enacted

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O equilíbrio real

Pedro Ravazzano

As diferenças profundas e marcadas entre os homens refletem a carga subjetiva e íntima que forja a identidade de cada ser humano. Por mais que todos estejam fundamentados na realidade, o olhar particular é o responsável pela estruturação de percepções muito próprias. Contudo, hoje em dia em especial, parece que as posições adotadas nas diversas áreas, com destaque para o cenário eclesiástico, são defendidas num campo de trincheiras. Ademais, devemos fugir do tão comum e recorrente equilíbrio diplomático que, certamente, mais parece um arranjo mal feito do que o sensato posicionamento perante o real.

Nos diversos campos do saber as posições contrárias favorecem a reflexão que provém da saudável dialética. Não obstante, é importante destacar que desde a derrocada da metafísica os parâmetros fundamentais que endossavam o discurso filosófico ruíram. Assim, a discussão racional sequer parte, hoje em dia, de bases comuns, sendo, muitas vezes, reflexão que antecede a reflexão mesma. Entretanto, no campo eclesiástico o cenário é totalmente distinto. Obviamente há espaço para divergências, mas que se fazem dentro dos limites naturais da crença, ou melhor, a fé como a plena realização do espírito.

Logicamente, em todos os variados espectros – progressismo, modernismo, tradicionalismo etc – há uma tenra fidelidade ao que é proposto. Isso é algo louvável quando entendemos como a consequência óbvia da adesão racional a alguma coisa. Contudo, a impressão que fica é que na atualidade cada vez mais a experiência religiosa fica dividida dentro de tais segmentos, não só inexistindo equilíbrio como até mesmo reflexão entre as alas citadas.

O equilíbrio, entretanto, é também alvo de certa incompreensão. Este não é um remendo de posições contrárias que abrem mão de algumas particularidades em busca da unidade. O equilíbrio tem relação direta com a realidade e não com política. Quanto mais equilibrada a posição mais abrangente, mais universal, menos subjetiva. Um dos males do mundo moderno é o individualismo, sendo o responsável pela doença que parece perverter o real em nome do que de mais subjetivo há no homem. Óbvio que, como disse, a carga subjetiva sempre haverá, mas hoje ela pretere a realidade mesma e, consequentemente, se fecha numa infalível convicção de uma pessoa.

Almejar o equilíbrio é se esforçar para enxergar a realidade por mais subjetivo que seja o olhar. Falar de visão é falar daquilo que a antecede, o ser humano. Assim, na leitura do real sempre existirá o homem. Os variados espectros se esforçam para dissertar sobre o mundo que as mentes construíram, num debate rarefeito que não reflete aquilo que de concreto existe. Por isso, buscar o equilíbrio na adversidade é, simplesmente, buscar a serenidade do olhar perante o real.