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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Ser tolerante, ou não ser tolerante, eis a questão!

Pedro Ravazzano

Os “protestos” organizados quando da Jornada Mundial da Juventude trazem consigo uma pertinente reflexão sobre a mentalidade peculiar do militante das causas “modernas” e “arejadas”. Não só na Espanha, mas como também aqui no Brasil a lógica própria, que funda as ações ideológicas, destaca não apenas o caráter totalitário de tais movimentos como a sua essencial intransigência com tudo que, direta ou indiretamente, oponha-se ao objetivo ansiado.

O Movimento do Abecedário, isto é, LGBTT, impõe ao mundo a sua forma de pensar e orquestra um grande rede de poder que tem como fim tolher qualquer iniciativa que coloque-se na antípoda dos axiomas da modernidade. Anarquistas, socialistas cults, homossexuais engajados, ateus militantes, todos estes engrossam a fileira em prol da cartilha ideológica politicamente correta.

Por um lado, através do poder político governamental, fazem valer pela força leis que transgridem qualquer idéia de direito e criam verdadeiras constituições paralelas que privilegiam as minorias. Obviamente, e aqui não cabe nenhuma inocência, a causa dos grupos minoritários militantes concede ao estado poder de legislar sobre pontos cruciais da vida social; é o estado que define a vida, é o estado que distingue as raças, é o estado que marca a fronteira entre o moral e o imoral, é o estado que limita a religião etc. Sem embargo, o excesso poderio estatal, numa situação ordinária, cresce na proporção dos decibéis dos militantes que clamam pela proteção das leis contra a perversa e intolerante sociedade! Não sem propósito o governo brasileiro custeia e mantém um número invejável de ONGs ligadas às mais ricas e necessárias causas.

O pacto entre o governo - fortalecido pelas minorias – com as minorias - elevadas a um estado de tão grande prestígio que as leis para elas estão numa constante epokhé - finca as bases de toda a ação organizada contra a Igreja e a normalidade. O militante que se sente confortável para debochar de freiras e padres lançando vitupérios e os agredindo fisicamente, é o mesmo militante que, no dia seguinte, aparece com olhinhos tristes e lacrimosos no jornal da manhã alegando que neo-nazistas agrediram o seu companheiro. Qualquer indivíduo com bom senso consegue captar a barbaridade moral de ambos os atos. O militante, por sua vez, reclama quando é agredido mas na tarde seguinte já está liberando o seu trauma queimando retratos do Papa e ultrajando jovens de batina.

A soberba ideológica da noite e a vitimização da manhã são duas faces de uma mesma moeda; por um lado extravasam a sua ira totalitária e, por outro, apelam para o lado sensível que, quando maximizados pela grande mídia, atingem uma parte considerável da população.

Esse politicamente correto que abrange questões religiosas, raciais, sociais, afetivas, políticas, ainda alegando flexibilidade e tolerância, destaca-se pela intolerância contra tudo que, pelo simples fato de existir, já é visto como obstáculo vivo da própria intolerância. Um branco, heterossexual, católico, classe média e conservador, por ser branco, heterossexual, católico, classe média e conservador é um inimigo da causa e um potencial alvo das agressões dos militantes.

Ser tolerante, no axioma moderno, é ser delimitado pelas leis do estado e controlado pelos movimentos ideológicos que determinam onde começa e acaba o mundo cor-de-rosa paz e amor da tolerância que eles edificaram.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Os homens que viraram na'vis...

O sempre atuante Leonardo Boff, aquele conhecido kamarada eco-teólogo, fez um comentário muito pertinente no seu twitter acerca da proibição das belíssimas e tradicionais touradas na Catalunha; "Na medida em que cresce a consciência ecologica e a interdependencia entre todos os seres, nesta medida ficam impossíveis as touradas."

Eu quase me senti um na'vi no coração do planeta Pandora plugando os meus interruptores cerebrais à natureza e aos animais, figuras perfeitas da suprema divindade Eywa! E viva a cultura Nova Era. De certa forma fico até triste ao ver Leonardo Boff descambar para uma visão tão superficial, simplória e caricatural da realidade. Ok, é verdade que no auge da Teologia da Libertação o ex-frade era o primeiro a ostentar os falaciosos paradigmas marxistas dentro da teologia, numa visão dialética tão rasa quanto a febre verde da atualidade.

Entretanto, Boff evolui, ele coloca a natureza como sendo mais um alvo das estruturas de dominação e alienação. Diz ele que "A mesma lógica que leva a explorar as pessoas, as classes, os países, é também a que leva a explorar a natureza". Aplausos! Não sei se é apenas coincidência, mas o terror ambiental, fundamentado no mito do aquecimento global, perpetua uma indústria financiada por bilhões de doláres e que tem como objetivo difundir o espírito politicamente e ecologicamente correto. Boff atualmente anda pelo mundo, numa cruzada vegetariana, pregando em favor da santa biodiversidade e da beata natureza!

A sua obra "Ecologia: grito da Terra, grito dos pobres" inaugurou a Ecoteologia da Libertação; "Temos que nos convencer que a Terra é Gaia, isto é, tem um comportamento típico dos seres vivos. Somos mais filhos e filhas da Terra. A nossa singularidade é a de ser os cuidadores da Terra, os jardineiros do Éden terreno, e não o Satã da Terra." Aleluia! Até estou vendo Boff liderando um ritual sagrado, num santuário ecumênico, em torno de um cacho de banana, com fiéis cantando mantras e captando a energia vinda da Mãe Terra.

Como disse Lord Nigel Lawson, Ex-Ministro de Finanças e da Energia da Inglaterra, no documentário "A Grande Farsa do Aquecimento Global": "A esquerda ficou levemente desorientada depois do fracasso evidente do socialismo e, naturalmente, do comunismo-marxismo como foi testado, e ainda permanecem tão anticapitalistas quanto eram, mas eles têm de encontrar novos sujeitos para esse anticapitalismo." A causa verde e o ambientalismo caricatural surgem como as novas bandeiras que escondem os desejos mais revolucionários. Funcionam como máscaras que conseguem conquistar e renovar o séquito dos idiotas úteis e, ao mesmo tempo, ofuscar um intento extremamente subversivo e friamente planejado; a destruição da Civilização.

Welcome to Pandora, baby!

terça-feira, 20 de julho de 2010

A coerência dos incoerentes

Estamos em ano de eleição, um momento muito importante, quiçá crucial, para a definição do que será a sociedade brasileira nos próximos anos. Nós católicos temos não só o dever mas a obrigação de fundamentar o nosso voto na mais profunda consciência da fé que professamos. Não cabe a paixão ideológica ou o romantismo partidário entre aqueles que confessam a divindade de Nosso Senhor e que vivem na Igreja edificada por Ele.

O Brasil conta com três candidatos com maior destaque ao Palácio da Alvorada– Serra, Dilma e Marina. A senadora do PV, ainda que seja protestante e pessoalmente contrário ao aborto, adota uma posição muito escorregadia e diplomática, pouco enfática diria. Este posicionamento é, de certa forma, natural, afinal se formou nas bases esquerdistas do PT, das CEBs etc, e tem na militância socialista a sua origem política.

O candidato tucano, José Serra, governador do estado de São Paulo, cresceu politicamente dentro de uma perspectiva socializante, nos ambientes acadêmicos e intelectuais da esquerda das décadas de 60 e 70. Atualmente, ainda que carregue certo ranço estatólatra e progressista – defesa da união homossexual, por exemplo -, procura adotar bandeiras mais próximas à desejada tanto pelos conservadores morais quanto pelos liberais econômicos. Declarou-se publicamente contrário ao aborto; "Eu não sou a favor do aborto. Não sou a favor de mexer na legislação. Agora, qualquer deputado pode fazer isso. Como governo, eu não vou tomar essa iniciativa", comparando a sua legalização a uma “carnificina”. Partidos como PSDB, DEM e PP são considerados baluartes da direita reacionária pelos esquerdistas e sua patrulha. Essas categóricas afirmações fundamentam-se ou nas origens históricas das siglas ou na polarização política entre tucanos e petistas. De fato, nenhuma dessas bandeiras se destacava pela coerência no discurso, na defesa de valores e paradigmas “direitistas”. Nessa eleição, ao que me parece, surge em certos ambientes dos três partidos um alvorecer conservador, com a candidatura de nomes firmes e convictos das posições adotadas.

Ademais, se faz mister pontuar que o Partido dos Trabalhadores, além de ter um claro projeto revolucionário e subversivo, com a participação no Foro de São Paulo e no financiamento de grupos socialistas por toda a América Latina, reconhece a importância da promulgação da permissividade imoral como forma de instaurar a desconstrução da ordem cultural. Em sintonia com a mentalidade socialista, o PT sempre se destacou na defesa do aborto. Em 1989, por exemplo, a Prefeita petista Luiza Erudina, na cidade de São Paulo, instalou no município o primeiro “serviço” de aborto financiado com dinheiro público do país. A liderança do partido nessa questão sempre foi “admirável”. Em 2002, dos oito projetos de lei que tramitavam no Congresso que objetivavam ou a legalização do aborto ou o favorecimento de sua prática, seis eram de autoria de petistas. Com a eleição de Luís Inácio Lula da Silva a ação dos adeptos da cultura de morte tomou maiores proporções; além da publicação de cartilhas abortistas pelo Ministério da Saúde, foi entregue, em 2005, pela secretária especial de Políticas para Mulheres, Nilcéa Freire, um anteprojeto que reivindicava a “total liberação” do aborto por ser este “um direito inalienável de toda mulher”, e que mais tarde virou projeto de lei.Outro dado interessante é o número dos deputados que assinaram o recurso pela deliberação da PL 1.135/91 (descriminalização do aborto) em 2008; 49,20% dos parlamentares eram do PT, enquanto os outros 50% estavam divididos entre doze partidos, sendo que o segundo lugar, o PCdoB, encontrava-se muito distante dos petistas com apenas 11,11%.

Já em 2006, no 13º Encontro Nacional, o Partido dos Trabalhadores outorgou as “Diretrizes para a Elaboração do Programa de Governo do Partido dos Trabalhadores” que incluía a descriminalização do aborto e a criminalização da homofobia” (item 35). O Presidente Lula, então, acrescentou ao seu programa de governo a seguinte proposta; “criar mecanismos nos serviços de saúde que favoreçam a autonomia das mulheres sobre o seu corpo e sua sexualidade e contribuir na revisão da legislação” (Programa Setorial de Mulheres, p. 19). Com a eficaz ação dos deputados pró-vida e das ONGs contrárias à cultura de morte, o governo petista iniciou a repetição do mantra de que a legalização do aborto trata-se apenas de questão de saúde pública.

Ademais, no 3º Congresso do Partido dos Trabalhadores - instância máxima do PT -, em 2007, foi legitimada como parte integral do programa a seguinte definição; “defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público”. Interessante pontuar que esta resolução teve 70% de votos favoráveis. A minoria que se opunha, que alegava a liberdade de consciência, foi vaiada. Com razão a Dep. Fed. Iriny Lopes, do Espírito Santo, que juntamente com a ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, liderava a investida abortista, afirmou; "somos um partido socialista e laico”. Tão válida era esta definição que em 2008, no 10º Encontro Nacional das Mulheres do PT, foi aprovada a instalação da Comissão de Ética para investigar os parlamentares antiabortistas, tendo em vista a “orientação para expulsão daqueles que não acatarem e não respeitarem as resoluções partidárias relativas aos direitos e à autonomia das mulheres”. Os deputados Luís Bassuma, da Bahia, e Henrique Afonso, do Acre, foram punidos por infringirem “a ética-partidária ao ‘militarem’ contra resolução do 3º Congresso Nacional do PT a respeito da descriminalização do aborto.”

O PT e seus sequazes são militantes abortistas conscientes das consequências sociais do impacto de tamanha revolução. O Partido visa não a legitimação do direito das mulheres e todas aquelas falácias atuais, mas sim o rompimento com o padrão moral que considera reacionário e burguês. Assim, desfazendo as estruturas de dominação (sic) instala-se a perspectiva revolucionária que visa a total desconstrução da ordem cultural.

Quando um católico vota em Dilma Roussef ou até mesmo num candidato pró-vida filiado ao PT está compactuando diretamente com a cultura de morte. O Partido dos Trabalhadores carrega em sua essência um arraigado espírito na antípoda de qualquer princípio cristão. O processo contra o Dep. Bassuma é uma amostra da intransigência do Diretório Nacional quando se trata do não cumprimento das resoluções internas. De certa forma o PT é coerente com a sua bandeira ideológica! Incoerentes são os católicos defensores da vida que iludidos pelas falácias humanísticas e retóricas da esquerda votam numa sigla que busca a legitimação da morte.

A coerência com a ideologia está acima da coerência com a fé que professa?!


Forte pronunciamento do Dep. Bassuma explicando a sua situação no Partido dos Trabalhadores. Após ingressar com uma causa contra o PT no Supremo Tribunal Federal, com base no Artigo 5º, Inciso 8º, o deputado filiou-se ao Partido Verde e sairá candidato ao governo da Bahia.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A guerra e os seus valores antimodernos

O mundo moderno nutre uma verdadeira ojeriza ao conflito armado, à guerra. Não quero com essa breve reflexão abordar o sentido da guerra justa, mas sim acerca da mentalidade progressista que fundamenta o pacifismo caricato e a romantização da realidade. Obviamente, nenhum ser humano busca a violência como meio ordinário de alcançar a paz e a justiça, não obstante, a força pode e deve ser aplicada na defesa da verdade e da ordem afrontada pelos inimigos da Civilização.

Entretanto, para haver guerra é necessário que exista lados bem definidos, convicções firmes e certeza na posição adotada. A modernidade repudia mortalmente tudo isso! A perspectiva liberal rechaça qualquer posição que se considere verdadeira e suficiente, assim como anatemiza a integridade e a plenitude da coerência com aquilo que se crê. Ora, como relativizar a guerra? Impossível! Alguém está certo e alguém está errado! O desespero dos liberais ao estruturar opiniões em relação aos conflitos armados - Iraque, Afeganistão etc - chega a ser engraçado; ao mesmo tempo em que se colocam na radical oposição às ações dos Estados Unidos da América - aqui não interessa saber se são incursões lícitas ou não - procuram enlouquecidamente ponderar as afirmações para que não estejam pendentes à defesa dos ataques inimigos. Vivem, assim, num murismo assustador.

Ademais, a guerra necessita de valores que o mundo atual não aprecia; virilidade, hombridade, honra, respeito, convicção, radicalidade, patriotismo. É impossível pensar num conflito armado com a participação dos molengas homens modernos. O liberalismo pretende pintar o mundo de cor de rosa, ou seja, romantizá-lo. Esse paradigma se forma na mais profunda essência da filosofia típica da modernidade; o gnosticismo! A crença de que a sociedade pode ser perfeita, de que tudo depende da iniciativa e da propensão humana, destrói o discernimento do homem, impede a compreensão do real e abre as portas para as ideologias. A guerra, como constatação dos males do mundo, é o sinal vermelho que pisca diante de todos os indivíduos mostrando que a sociedade é sustentada sobre diferenças e que essas diferenças mantém a ordem cultural. Não há nada mais reacionário do que a guerra!

Típico reducionismo progressista que busca escarnecer da guerra ao escarnecer da honra militar.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Terreiros e Agulhas

Quando eu soube do caso do menino das agulhas na mesma hora me perguntei; será que o candomblé tem alguma coisa a ver com isso? A dúvida ficou! Não obstante, outro dia, vendo uma reportagem do caso, vi que se referia ao padrasto e duas mulheres envolvidos com "magia negra". Caríssimos leitores, desde já saibam que "magia negra" é a versão politicamente correta de chamar "religiões afro-brasileiras". Obviamente, descobriram que o ritual com as agulhas fora orquestrado por uma mãe-de-santo.

A glamourização das religiões afro-brasileiras é assustadora. Aqui na Bahia o candomblé já virou quase religião oficial. Claro que das três vertentes; candomblé, umbanda e quimbanda, a primeira é a mais “leve”, talvez por ser mais mitológica e tradicional, entretanto, não necessariamente menos obscura. Com a supervalorização do candomblé - aqui na Bahia quase não existe umbanda ou quimbanda - os terreiros se tornaram baluartes da cultura "afro". Justamente por isso, esta religião se tornou menos "religiosa" e mais "cultural". De forma prática podemos dizer que existe o candomblé para o povo reverenciar - e o governo financiar - e o candomblé de verdade, oculto, reservado aos iniciados, onde mata-se bodes e bebe-se sangue de galinha.

No meu bairro, que não tem terreiro de macumba, com uma população cristã, considerado de classe média, encontraram, certa vez, o corpo de uma criança recém nascida, sem as mãos, com marcas de esfaqueamento, ainda com o cordal umbilical, jogado numa lata de lixo e, perto dali, um carro com aparentes pais-de-santos. Salvador precisa de uma nova evangelização! Que Deus nos conceda um Arcebispo com espírito missionário!

Achei engraçado quando depois da reportagem, num jornal local, falando do envolvimento da mãe-de-santo no caso, passaram uma outra sobre certa exposição com fotos de várias matriarcas dos terreiros daqui de Salvador. Ou ninguém percebe o óbvio ou a ditadura do politicamente correto, com a intolerância dos tolerantes, impede uma análise sensata dos fatos.

OBS: Se fosse um Padre o autor desse terrível crime, vixe, já teria sido capa de não sei quantas revistas, com alguma montagem se referindo às agulhas e à Cruz na capa. Algum historiador iria aparecer falando da relação da Santa Inquisição com a técnica das agulhas e todos canais de televisão abordariam o caráter opressivo e abusivo do Catolicismo.

sábado, 21 de novembro de 2009

Celso Pitta para patrono do Movimento Negro!

Celso Pitta morreu no dia da Consciência Negra! O que aprendemos com isso? O esterótipo do negão, de cabelo trançado, tocador de timbal, militante do PT e iniciado no candomblé, como pinta o movimento negro, simplesmente não existe e, se passou a existir, foi conseqüência do lobby racialista financiado com muitos dólares da Fundação Ford.

Negros e mestiços - estes último sim são maioria no Brasil, mas o movimento negro quer transformá-los em estatisticamente pretos - são brasileiros, ou melhor, brasileiros são negros, mestiços e brancos. Portanto, estão propensos aos mesmos pecados dos homens-brancos-opressores-descendentes-de-senhores-de-escravos-e-que-se-perpetuam-no-poder-através-de-partidos-reacionários.

Iniciemos a campanha "Celso Pitta para patrono do movimento negro"; negão - ou "afro-descendente de grande porte", para ser politicamente correto - e corrupto! Isso que é brasilidade!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Welcome to Rwanda...

Pedro Ravazzano

Eu, um tútsi brasileiro, escrevo uma breve reflexão nesse dia da Consciência Hutu. O nosso país caminha para a edificação de uma sociedade bipolar, dividida entre brancos e negros. A começar, bem sabemos que o Brasil jamais foi um Estado racista, com uma política de discriminação oficial. Ademais, devemos pontuar que até mesmo a triste escravidão, com um estudo muito ideologizado hoje em dia diga-se de passagem, não teve motivação racial; brancos não escravizavam negros, dominadores escravizavam subjugados. Além disso, é importante frisar que o alvorecer do racismo cientifico se consolidou apenas no séc. XIX.


O mesmo racismo científico que favoreceu políticas oficiais de discriminação, plantou a semente do que veio a ser, no futuro, o caricato pan-africanismo. Inicialmente liderado por intelectuais americanos que sequer conheciam a África, a utopia da união do continente "negro" refletia, cruelmente, o simplismo assustador do racismo reverso. O pan-africanismo, fadado ao fracasso desde o seu nascimento, desconhecia, ou pretendia desconhecer, a incrível riqueza cultural da África. Os americanos negros, os primeiros pensadores do sonho africanista, formados sobre a ótica do racismo científico, simplificavam e sintetizavam as plurais caraterísticas africanas na cor de pele. A utopia não agüentou a realidade de um continente composto por culturas das mais variadas; foi o fim do pan-africanismo.

Entretanto, mesmo o sonho da unidade africana morrendo, persistiu o espírito racialista da pior forma possível. Na África do Sul, onde a discriminação era institucionalizada, os brancos africâneres impunham um regime de segregação oficial, uma realidade surreal em terras majoritariamente negras. Interessantemente, o delírio de uma nação branca se uniu à promoção do orgulho étnico. A política da África do Sul arquitetava um plano que passava pela independência dos bantustões, zonas tribais criadas pelo regime do apartheid. Entretanto, era essencial que a luta pela liberdade fosse alimentada através da criação do mito da etnia. Assim, etnólogos, geógrafos, historiadores etc, construíram identidades étnicas e raciais. Universidades passaram a ter centros de estudos de cultura africana e institutos foram fundados com o propósito de levantar o edifício do orgulho da raça negra. O projeto não foi eficiente, os bantustões não lutaram pela independência e os negros continuaram fascinados pelas grande metrópoles "brancas", mas conseguiu criar, em laboratório, um mito. Alguma semelhança com o Brasil?

O exemplo mais assustador dos péssimos frutos do pensamento racialista se encarna na triste história de Ruanda, um país encravado no coração da África. A nação, que tinha um reino centralizado, se dividia entre tútsis e hutus. Os primeiros compunham a elite nobiliárquica da nação. Os reis de Ruanda reinavam gloriosamente e, até hoje, perpetuam sua história na figura de Kigeli V que atua em defesa do seu povo e da tradição ruandense. Vale lembrar, por sua vez, que não havia identidade étnica encrustada no espírito social; tútsis pobres eram hutus e hutus ricos eram tútsis. Os belgas, que tomaram posse de Ruanda depois da derrota alemã na Primeira Guerra Mundial, perpetuaram o poder tútsi e a estrutura monárquica. Não obstante, para consolidar o domínio favoreceu e divulgou o orgulho étnico numa nação que o desconhecia. Pesquisas foram feitas com o propósito de comprovar a origem superior dos tútsis. Estes não eram mais irmãos dos hutus - como relatava o antigo mito de criação nacional - mas sim descendentes dos nobres etíopes. Uma origem tão elevada se confirmava na diferença de porte, estrutura facial etc, dos tútsis comparados aos hutus. Os primeiros eram mais altos, com narizes mais finos, elegantes e garbosos. Entretanto, as diferenças entre ambas as “etnias” simplesmente não existiam. E se, por acaso, tútsis eram maiores estruturalmente que os hutus, isso se devia a alimentação mais balanceada que estes tinham - o que podemos comprovar ao comparar coreanos do norte e do sul.

O mito foi criado pelos belgas e usado como a bandeira do levante hutu. Depois da queda da monarquia, com a morte de Mutara III Charles, e a ascensão da República, o governo, de maioria hutu, deu início às políticas de repressão (expulsão e morte) contra a população tútsi. Tudo era justificado como dentro da aceitada reparação histórica. Os choques entre Frente Patriótica Ruandesa (RPF), composta por tútsis refugiados, e o governo de Habyarimana, se converteram em conflitos com numerosos mortos. Não obstante, no Acordo de Arusha, assinado entre as duas forças, ficou acertado um cessar-fogo e a construção de um governo de transição, composto pelas dois “povos”. Todavia, num atentado que até hoje não se sabe ao certo quem promoveu, o presidente de Ruanda, Habyarimana, foi assassinado. Esse foi o estopim para que a Interahamwe, milícias armadas hutus, lideradas por George Rutaganda, treinadas pelo exército ruandense e estimulada por extremados membros do governo, desse início ao genocídio. Cerca de 800 mil pessoas foram assassinadas em 100 dias - o número é incerto, alguns falam de 1 milhão ou até 2 milhões - 11% da população e 4/5 dos tútsis - entre eles 300 clérigos e freiras. O genocídio só acabou com a ocupação do país pela RPF, dirigida por Paul Kagame, atual Presidente.

As rádios conclamavam a expulsão dos tútsis, alegando que, como ocupantes da nação, descendentes dos etíopes, deveriam ser exterminados; “matem as baratas!” Os corpos de centenas de milhares de tútsis eram jogados no rio Nyabarongo que flui até o Lago Vitória, na nascente do Nilo; os tútsis, supostamente imigrantes abissínios, deveriam voltar para o vale do Rio Nilo, vivos ou mortos.

O mito da raça foi criado em Ruanda e promoveu uma cadeia de ódio e rancor que refletiu no genocídio. Tanto a triste história ruandense como a edificação da dialética racial no Brasil partem da mesma ótica desatualizada. O que triunfa é a pré-destinação; o indivíduo é condicionado pela sua cor de pele, pela sua ascendência. Dentro dessa mentalidade a cultura é genética, um polilogismo racial digno do nazismo. O tútsi tinha que ser exterminado porque, sendo tútsi, e condicionado pela cultura "tútsi", era um artífice da prevaricação e opressão contra os hutus. Assim como o judeu deveria ser massacrado porque, sendo judeu, estava fadado a fabricar a usura. Do mesmo modo, no Brasil, alguém que é fenotipicamente negro, mestiço, é obrigado a carregar uma carga cultural pré-fabricada, com direito a cabelos trançados, iniciação no candomblé e engajamento em políticas raciais.

Triste mundo moderno. Estamos regredindo, decaindo. Triunfa a pré-destinação racial; o homem não é mais aquilo que ele quer ser, mas aquilo que o seu antepassado foi.

Tútsis brasileiros, corram que os hutus vem aí!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Gandalf e as páginas rasgadas da Bíblia

(FAITH AND REASON) Quando o ator e gay assumido Sir Ian McKellen (Gandalf em O Senhor dos Anéis, entre outros papéis memoráveis) ficou em um hotel com a tradicional Bíblia na gaveta do criado-mudo, rasgou as páginas que contêm uma certa passagem de Levítico, de acordo com a entrevista dada por ele a revista Details.

(A passagem diz: "Do not lie with a man as one lies with a woman; that is detestable," ("Não se deite com um homem, como se fosse mulher. Isso é abominação"), como traduzido pela Nova Versão Internacional, a King James Version usa a palavra "abominável".)

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Ele pode até rasgar as páginas, mas não pode mudar a Lei Natural, a ordem divina!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A Fundação Ford e o multiculturalismo

Edsel Bryant Ford, filho de Henry Ford, o fundador da Ford Motor Co., presidiu a gigante de Detroit entre 1919 e 1943. Em 1936, ele e seu pai, na tradição filantrópica americana, estabeleceram a FF e definiram como sua missão administrar fundos para o desenvolvimento científico e educacional e para a caridade. Após a morte dos dois fundadores, em 1947, a presidência passou a Henry Ford II, filho de Edsel, a FF recebeu uma fortuna em ações da Ford Motor. Em 1955, por decisão do conselho de curadores, a Fundação começou a vender suas ações da montadora automobilística e, em meados da década de 1970. já não mantinha nenhuma relação com a Ford Motor.

O ensaísta americano Dwight Macdonald descreveu, em 1956, a FF como “um grande corpo de dinheiro totalmente circundado por pessoas que querem algum”. O patrimônio financeiro legado pelos fundadores transformou a Fundação na maior entidade filantrópica do mundo, e sua missão foi redefinida em torno das metas de promover internacionalmente a liberdade, a democracia, a paz e a educação.

Nos anos da aurora da Guerra Fria, a FF funcionou como um tentáculo oculto da política externa americana. Paul Hoffman, um dos mais destacados arquitetos do Plano Marshall na Europa, deixou o governo americano para presidir a FF entre 1950 e 1953, quando ela iniciou a sua expansão no exterior. Richard M. Bissell Jr. Trabalhou como alto- executivo da Fundação logo depois de servir na administração do Plano Marshall e pouco antes de ingressar oficialmente na CIA. John J. McCloy foi secretário da Guerra entre 1941 e 1945 e depois, sucessivamente, presidente do Banco Mundial, alto-comissário dos EUA na Alemanha ocupada, CEO do Chase Manhattan Bank e CEO da FF. Nos sete anos que dirigiu a Fundação, a partir de 1958, manteve o hábito de definir, em visitas informais e conversas com membros do Conselho de Segurança Nacional, os projetos no exterior que seriam agraciados com os maiores financiamentos da FF.

McGeorge Bundy tinha apenas 30 anos quando participou, com Bissell, de um grupo de formuladores de política externa que procurava articular o Plano Marshall à ajuda da CIA a grupos anticomunistas na França e Itália. Ele chegou ao governo junto com a equipe de acadêmicos montada por John Kennedy e serviu como conselheiro de Segurança Nacional nos governos Kennedy e Johnson, até 1966, quando se tornou presidente da FF. Nos treze anos de presidência de Bundy, a Fundação descobriu as minorias, desempenhando um papel crucial na difusão das políticas de raça nos EUA e na arena internacional. A reorientação não podia ser mais radical: em 1960, o item “direitos das minorias” representava 2,5% dos financiamentos; em 1970, atingia 40%.

No fim da década de 1960, a FF estava diante de um cenário de crise política que se agravou ao longo do primeiro mandato de Nixon, quando as coalizões sociais articuladas no movimento pelos direitos civis voltavam-se para a luta contra a Guerra do Vietnã. O núcleo dirigente da Fundação interpretou a radicalização dos protestos como um sintoma de funcionamento defeituoso do pluralismo político e formulou o conceito de multiculturalismo como uma ferramenta para restabelecer a normalidade nas engrenagens da democracia. De acordo com a lógica do multiculturalismo, as amplas coalizões sociais deveriam dar lugar a organinazações e movimentos específicos, delineados em função dos interesses de cada minoria. A Fundação ajudaria a esculpir esses movimentos, oferecendo-lhes plataformas políticas e fundos capazes de sustentar grupos de pressão.

A introdução das “políticas da diferença” – ou da “diversidade”, na linguagem oficial da FF – teve um poderoso efeito de cooptação de lideranças e intelectuais. Investigando as fundações filantrópicas, o sociólogo Craig Jenkins registrou que elas funcionam como “porteiros”, financiando os movimentos e as iniciativas que, por essa via, conseguem converter suas bandeiras em políticas públicas. “No processo, elas também selecionaram as novas organizações que se tornaram traços permanentes da paisagem política.” É precisamente o que ocorreu nos EUA a partir da intervenção da FF.

A estratégia foi deflagrada por meio da advocacia de interesse público voltada para minorias. A FF financiou fundos para litigância em defesa dos mexicanos-americanos (Maldef), dos porto-riquenhos (PR-LDEF), dos povos indígenas (Native-American LDEF) e das mulheres (WLF). Essas organizações, que não têm uma base de associados, dependem inteiramente de doações oferecidas por empresas e fundações, em especial a FF. Como é natural, seus dirigentes são ativistas ligados à Fundação. Contudo, esses ativistas se apresentam na esfera pública como representantes dos interesses das respectivas “minorias” e, em virtude dos recursos financeiros de que dispõem, exercem significativa influência institucional. Previsivelmente, todas as organizações criadas nessas bases engajaram-se na promoção das políticas de discriminação reversa, funcionando como grupos de pressão profissionalizada.

O envolvimento da FF com os negros iniciou-se pelo financiamento de uma organização histórica, que desempenhou papéis relevantes nas lutas pelos direitos civis. A NAACP ganhou um fundo jurídico e educacional, mas perdeu sua independência. Apesar de manter mais de seiscentos mil filiados, passou a depender essencialmente das grandes entidades filantrópicas e engajou-se nas políticas de raça. O processo culminou em 1994, quando a venerável organização, que enfrentava situação falimentar, foi resgatada por duas contribuições da FF, num total de seiscentos mil dólares, depois de substituir seu diretor-executivo pelo pretendente indicado pela Fundação.

A FF não se limitou a financiar as organizações previamente existentes. Com o seu patrocínio, movimentos militantes de “chicanos” foram transformados numa organização étnica. O Conselho do Sudoeste de La Raza (SWCLR) nasceu em Phoenix, Arizona, em 1968, a partir da contratação de três lideranças comunitárias pela FF. Cinco anos depois. O SWCLR tornou-se uma organização nacional, mudou sua sede para Washington e seu nome para Conselho Nacional de La Raza (NCLR). Logo depois, a Fundação entrou em atrito com o sindicalista Henry Santiestevan, que presidia o NCLR, e exigiu a sua substituição, ameaçando suspender os financiamentos. Raul Yzaguirre assumiu a presidência, alinhou por completo a organização à agenda política do doador original e converteu-a numa poderosa instituição, financiada pelo governo federal, além de grandes empresas e diversas entidades filantrópicas.

O discurso da vitimização e os recursos financeiros da FF uniram-se para gerar o que o jornalista George Will caracterizou, apropriadamente, como “a proliferação de grupos acalentando mágoas e reinvidicando direitos”. Como registrou Joan Roelofs, um dos resultados do processo foi a cooptação em massa de lideranças independentes: “ativistas de movimentos sociais são desse modo transformados em pesquisadores, administradores e litigantes; e os movimentos são fragmentados em ‘políticas identitárias’.

Na sua origem, a FF já representava as tendências modernas da filantropia, que não pretende oferecer donativos aos pobres, mas fazer uso das ciências sociais para reformar as sociedades. Desde a revisão de sua missão, no pós-guerra, a Fundação havia se fixado na meta de influenciar as políticas públicas e promover reformas institucionais não só a partir do convencimento dos governos, mas, especialmente, pela mobilização de base. A aventura multiculturalista nas universidades americanas derivou da combinação dos dois paradigmas.

A abordagem básica da Fundação consistiu em incentivar a adoção de sistemas de admissão orientados por preferências para “grupos minoritários”. O instruumento pragmático utilizado foi oferecer vultosas doações, condicionando-as à implantação de cotas para minorias. Contudo, as ambições da FF ultrapassavam em muito a mera mudança dos sistemas de admissão. A finalidade era reformar de alto a baixo as perspectivas acadêmicas, as atitudes políticas, os currículos e as práticas nas universidades. Tratava-se, no fim das contas, de incutir o princípio do multiculturalismo no código genético do fazer acadêmico. Mais uma vez, a ferramenta de persuasão seria a oferta condicional de generosas doações.

Os relatórios anuais da FF descrevem, às vezes com minúcias, o modus operandi do assalto às universidades. Um único exemplo em 1989, duzentas universidades e faculdades foram convidadas a concorrer por doações de cem mil dólares “para revisar ou desenvolver programas acadêmicos voltados a dar uma máxima atenção à cultura e experiência de minorias étnicas e a fazer as perspectivas multiculturais pesarem em todos os aspectos do currículo”. Uma das 19 instituições agraciadas, a Universidade Brandeis, de Massachusetts, comprometeu-se a organizar um curso de verão sobre as tradições orais na África e na “diáspora africana” e, mais amplamente, a incorporar materiais africanos e “derivados da África” no núcleo de seu currículo.

O cientista político Harold Laski (1893-1950), com sua longa experiência em Harvard, Yale e na London School of Economics, conhecia o impacto das fundações sobre as universidades: “As fundações não controlam, simplesmente porque, no significado direto e simples da palavra, não há necessidade de fazerem isso. Elas têm apenas que indicar a inclinação momentânea de suas mentes para todo o mundo universitário descobrir o sentido apontado e tender rapidamente para aquele ângulo do compasso intelectual”. Entretanto, Laski não viveu o suficiente para apreciar a ousada operação da FF no mundo universitário americano. A Fundação não se limitou a distribuir doações institucionais condicionadas, mas criou vastos programas de bolsas de pesquisas, destinados a professores, e de especialização, destinados a pós-graduados e graduandos. Para ter mais mais chances de sucesso na conquista das bolsas, os pretendentes deviam formar “equipes multiculturais” e definir temas e abordagens multiculturalistas.

Do ponto de vista teórico , o multiculturalismo assenta-se sobre um primeiro pressuposto que não é dramaticamente distinto do artigo de fé do “racismo científico”. Esse pressuposto pode ser expresso como a noção de que a humanidade se divide em “famílias” discretas e bem definidas, denominadas etnias. O “racismo científico” fazia as suas “famílias” - as raças – derivarem da natureza. O multiculturalismo faz as etinias derivarem da cultura. O segundo pressuposto do multiculturalismo é que a cultura corresponde a um atributo essencial, imanente e ancestral de cada grupo étnico. Essa naturalização da cultura evidencia que o conceito de etnia, na narrativa multiculturalista, ocupa um nicho metodológico paralelo àquele do conceito de raça na narrativa do “racismo científico”.

Sob o influxo dos milionários financiamentos da FF, as universidades imitaram os padrões de segregação urbana e criaram seus próprios guetos, na forma de novos campos de estudo – Black Studies, depois African-American Studies, Mexican-American Studies, Native-American Studies, os estudos de race relations, os “estudos femininos” e incontáveis estudos étnicos específicos. Nos cinco anos iniciais, implantaram-se mais de quinhentos programas de Black Studies nos EUA. Desse modo, os pressupostos multiculturalistas adquiriam vida e realidade, como componentes do saber acadêmico consagrado. Mas, não satisfeita em produzir objetos de estudo, a “transformação curricular” injetou a raça, a etnia e o gênero em todos os departamentos e disciplinas, investigando, por exemplo, o “olhar afro-americano” das paisagens urbanas, os temas feministas na arte conteporânea e a misoginia inscrita na Nona Sinfonia de Beethoven.

Universidades em busca de dinheiro e acadêmicos em busca de prestígio definirtam suas prioridades acadêmicas nos termos sugeridos pelo doador. A Universidade de Chicago, seguindo as tendências gerais, implantou um Centro para o Estudo da Raça, Política e Cultura que, no início de 2005, recebeu da FF de de outras entidades filantrópicas mais de um milhão de dólares em doações. Cathy Cohen, diretora do Centro, explicou que o “recebimento das doações mostra que pesquisa inovadora está sendo realizada”, um raciocínio amparado na curiosa idéia de que os donos do dinheiro são os melhores avaliadores da pertinência de um saber.

A maior das doações recebidas naquele ano pelo Centro dirigido por Cohen, proveniente da FF, no valor de seiscentos mil dólares, destinava-se à linha de pesquisa “Os jovens afro-americanos e seu empoderamento sexual: sexo, política e cultura”. É claro que a linha de pesquisa não existiria sem a intervenção da Fundação. Mas há algo de maior relevância: a mera enunciação do programa acadêmico significa que, de acordo com o saber institucional adventício, “afro-americanos” constituem um grupo perfeitamente identificável e distinto dos demais por feições culturais relacionadas ao sexo e à política.

A marcha do multiculturalismo pelos campi universitários nem sempre contou com a adesão voluntária dos acadêmicos, mas a Fundação soube manejar com eficácia seus meios de persuasão. Robert Steele, professor de Psicologia na Universidade Wesleyan, de Connecticut, que cumpriu o papael de coordenador de uma das sessões da conferência “Intensificação da diversidade cultural”, patrocinada pela FF em Pasadena, Califórnia, em 2004, explicitou o receituário: “As pessoas não serão pacificamente assimiladas ao multiculturalismo por meio da verdade, através do diálogo. Você lhes dá assistentes de pesquisa, você oferece orientadores de pós-graduação.” A meta não é apenas inncutir idéias, mas colocar os acadêmicos ligados à Fundação nos postos de comando e, efetivamente, assumir o controle de departamentos e universidades inteiras: “Nós teremos mudado a universidade quando mulheres e pessoas de cor possam se ver dirigindo o lugar.”

Henry Ford II deixou a presidência da FF em 1950, mas permaneceu envolvido com a sua direção durante mais um quarto de século, como CEO e depois como curador. Contudo, ele experimentou uma desilusão crescente com os rumos da entidade filantrópica e, em 1977, renunciou à sua posição no conselho. “A Fundação é uma criatura do capitalismo”, observou, mas tornou-se difícil identificar algum traço de capitalismo “em qualquer coisa que ela faz. É ainda mais difícil encontrar uma compreensão disso em muitas das instituições, particularmente as universidades, que são beneficiárias do programa de subvenções da Fundação”.

O herdeiro dos fundadores era um conservador da velha estirpe e não entendia o sentido das políticas conduzidas pela FF desde o final da década de 1960. Mas, pela perspectiva de Bundy e de seus sucessores, o multiculturalismo era um remendo vital para o sistema político do capitalismo – e não apenas nos EUA.

(...)

A FF participou de todos os aspectos do empreendimento multiculturalista nos EUA. Mas, sobretudo, ela funcionou como o nó mais importante de articulação entre a universidade, as organizações de pressão e os órgãos da administração pública. Por intermédio da Fundação, acadêmicos encontraram os caminhos rumo a postos na direção das organizações de minorias e a cargos governamentais encarregados de programas de ação afirmativa. No sentido inverso, ativistas foram inseridos em programas universitários de pós-graduação, sob a orientação de professores financiados pela Fundação. Como consequência dessa “circulação de cérebros”, configurou-se uma rede multiculturalista tentacular, organicamente descentralizada, mas que compartilha a mesma visão de mundo.

Desde as origens, a FF viu-se a si mesma como um ator global. O poderio financeiro da Fundação conferia-lhe uma capacidade de projetar influência muito além das fronteiras americanas e ela organizou-se para atuar agressivamente no exterior. Em 1952, inaugurou seu primeiro escritório regional, em Nova Délhi, na Índia, logo seguido pelo de Jacarta (Indonésia) e, em 1957, pelo do Ciro (Egito). No início da década de 1960, surgiram os escritórios africanos de Lagos (Nigéria) e Nairóbi (Quênia) e os latino-americanos da Cidade do México, Rio de Janeiro e Santiago (Chile). Numa fase posterior, com a abertura chinesa, o encerramento da Guerra Fria e o colapso do apartheid, implantaram-se escritórios em Pequim (China), Moscou (Rússia), Hanói (Vietnã) e Johannesburgo (África do Sul). Em 2005-2006, as doações dos escritórios regionais representavam 30% dos desembolsos totais da Fundação.

A sede mundial, em Nova York, base do conselho de curadores de 13 membros, e os escritórios regionais do exterior empregam um corpo permanente de seis centenas de funcionários. Dinheiro nunca foi problema. No ano fiscal de 2007, a FF estava entre as cinco entidades filantrópicas mais ricas, com patrimônio total de 13,7 bilhões de dólares. Ao longo de sete décadas, ela distribuiu mais de 15 bilhões em doações para milhares de instituições e indivíduos. Em 2001, na maior subvenção singular de sua história, usou 280 milhões de dólares para criar um programa de bolsas de pós-graduação destinadas a “lideranças emergentes de comunidades marginalizadas fora dos EUA”. Trata-se, evidentemente, de uma ferramenta de cooptação de lideranças comunitárias em larga escala. Com cerca de 4,3 mil bolsistas espalhados pelo mundo, o programa recebeu, em 2006, 75 milhões adicionais e foi estendido até 2004.

O multiculturalismo organizou praticamente todos os aspectos da atuação da FF nos EUA a partir dos anos 1970. No exterior, o novo paradigma teve que ser adaptado aos variados cenários nacionais e a outras prioridades na agenda da Fundação. Na Índia, o escritório regional definiu a “diversidade” nos termos postos pelo antigo sistema de castas, que havia sido reativado pelas políticas coloniais britânicas, e dirigiu recursos para os defensores da ação afirmativa em benefício das “castas desfavorecidas”. No México e na América Central, a FF concentrou-se na promoção de identidades étnicas de grupos ameríndios, que foram classificados como minorias marginalizadas.

Na África, os escritórios de Lagos e Nairóbi subvencionaram organizações de proteção de direitos de minorias, o que em diversos casos, mas não sempre, significa a promoção de interesses exclusivistas de elites étnicas e regionais. Com o fim do apartheid, a política de black empowerment conduzida pelo governo sul-africano evidenciou-se mais de uma vez pela presença de “homens da Ford” em ministérios e na alta administração governamental. O caso mais notório é o da Nigéria, cujo ex-ditador Olusegun Obasanjo tornou-se membro do conselho de curadores da Fundação, dirigindo seu Comitê de Assuntos Internacionais, cargo do qual renunciou para se eleger presidente do seu país pelo voto popular, em 1999. Após a posse de Obasanjo, a FF ajudou a subvencionar a comissão oficial encarregada de redigir uma nova Cosntituição.

A difusão internacional do multiculturalismo, foi interpretada pelos sociólogos franceses Bourdieu e Wacquant como “uma verdadeira ‘globalização’ das problemáticas americanas”. A ação da FF no Brasil atesta a agudeza desse diagnóstico. As subvenções da Fundação replicaram nas universidades brasileiras os modelos de estudos étnicos e de “relações raciais” aplicados nos EUA e consolidaram uma rede de organizações racialistas que começaram a reproduzir os discursos e demandas das similares afro-americanas. Por essa via, a polaridade branco/preto, que se coagulou nos EUA com a regra da gota de sangue única, foi exportada para os ativistas no Brasil, um país atravessado por desigualdades sociais muito diferentes e cuja tradição identitária articulou-se em torno da idéia de mestiçagem.

Da inauguração do escritório brasileiro até 2001, a FF desembolsou em doações 347 milhões de dólares, em valores ajustados à inflação. Na década inicial, os valores anuais de subvenções giraram em torno de 11 milhões. A partir de 1975, as doações caíram dramaticamente, até 2,1 milhões em 1978 e, em 2001, o valor doado atingiu 16 milhões de dólares. No decênio iniciado em 1995, os valores médios alcançaram o patamar de 13 milhões.

O perfil dos financiamentos no Brasil conheceu uma mudança de outra natureza, expressa na nítida tendência histórica de aumento do número anual de doações, que saltou de menos de uma dezena nos anos iniciais para mais de uma centena desde o final dos anos 1990. a estratégia original de concentração das doações em grandes donatários institucionais, especialmente universidades, deu lugar a uma orientação de pulverização do dinheiro por inúmeras pequenas organizações não governamentais (ONGS). Os números atestam a escala da mudança de rota: as ONGS brasileiras, que receberam 4% das subvenções totais na primeira década, saltaram para 54% no início do século XXI.

O “giro popular” da Fundação acompanhou a sua “decisão de privilegiar uma definição mais instrumental das Ciências Sociais” e beneficiou, em especial, as “organizações de ativistas afro-brasileiros” engajadas nas políticas de raça e na demanda de iniciativas de discriminação reversa. Num movimento complementar, as doações destinadas a universidades, embora continuassem a fornecer recursos para os mais variados programas, passaram a privilegiar instituições que figuraram como modelos para a difusão dos sistemas de admissão por cotas raciais.*

No Brasil, não existiam organizações tradicionais como a NAACP, com uma ampla base social entre os negros. Inexistiam também organizações militantes de relevância, com exceção do Movimento Negro Unificado, que tendia a rejeitar o modelo americano do black capitalism. Por isso, o “giro popular” da FF resultou, basicamente, no surgimento de uma rede de ONGS racialistas constituídas ao redor de ativistas acadêmicos. As novas ONGS cultivaram as suas relações com a Fundação e importaram utilitariamente a linguagem multiculturalista elaborada nos EUA.

Entretanto, a doutrina multiculturalista incorporou-se ao código genético do escritório regional da FF e foi convertida num eixo transversal de articulação do conjunto das subvenções. O sociólogo Edward Telles, chefe do programa de Direitos Humanos da Fundação no Brasil entre 1996 e 2000, explicou a metodologia utilizada para a seleção de donatários desde o final dos anos 1990:

A Ford-Brasil requer uma”tabulação da diversidade” e uma explicação de todos os seus financiados em todos os campos de atuação. Isto inclui mais de cem apoios por ano, dos quais menos de vinte são, principalmente, sobre questões raciais. Esta tabulação enumera toda a equipe em diferentes níveis, de acordo com critérios de gênero (...), de raça (brancos/não brancos) , e a explicação induz os financiados e explicarem por que eles refletem, ou não, a diversidade local com respeito a gênero e cor e o que eles pretendem fazer para melhorar isto.
* A Universidade Estadual do Rio de Janeiro recebeu uma doação de US$1,3 milhão, que figura na lista das maiores da história do escritório, em 2001, quando implantou seu programa pioneiro de cotas raciais. A Universidade de Brasília implantou seu programa em 2004 e nos anos seguintes recebeu sucessivas doações. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul resistiu até 2007, quando instituiu cotas raciais e recebeu US$ 130 mil. A Universidade Federal de São Carlos, outra “retardatária”, foi contemplada com uma doação excepcional de U$S 1,5 milhão em 2007, ano em que aderiu ao sistema de cotas.

(Retirado do livro "Uma Gota de Sangue" de Demétrio Magnoli e transcrito por Graça Maria Ravazzano)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

A lei anti-fumo

Que no Brasil o Estado é absoluto todos sabem, mas as coisas ficam cada vez piores. Agora vigora em São Paulo a lei anti-fumo, que proíbe a fumaça em locais fechados. Isso é a total deformação da liberdade individual dos cidadãos. O eficiente Estado brasileiro passou a legislar até mesmo sobre a fumaça?

As conseqüências dessa lei são terríveis, o mais perigoso, sem dúvida, é a restrição da propriedade privada. Vejamos! Um dono de um estabelecimento comercial agora se encontra impedido de, livremente, definir o que bem entender dentro da sua propriedade. A ação coercitiva do Estado priva a liberdade de posse. A mesma coisa vale táxis; o motorista que fumar também poderá se multado.

A mentalidade que sustenta esse tipo de lei (lei anti-fumo, lei anti-coxinha etc) é o ápice do politicamente correto. O Estado, embriagado com o próprio poder, se dá ao direito de diminuir a liberdade e a subjetividade dos indivíduos, tolhendo a ação humana em toda a sua plenitude. Ora, o Mercado trata de definir a relação consumidores - fumo - baladas. Por exemplo, indivíduos que têm ojeriza ao cigarro, livremente optariam por não freqüentar bares onde este é permitido. Entretanto, o Estado, lançando mão desse espírito politicamente correto, busca o seu fortalecimento através da redução da individualidade dos cidadãos. Percebam que os anos passam e nossas vidas cada vez mais ficam atreladas à estatolatria.

Havia necessidade uma lei dessa? Claro que não! Os próprios consumidores tratariam de escolher os ambientes preferidos, livremente iriam selecionar os locais mais agradáveis dentro da perspectiva pessoal, subjetiva e intransponível, de prazer. Para uns a maximização do benefício se encontra em recintos onde há fumo, para outros em espaços sem fumaça. Ou seja, estamos falando de uma análise estritamente individual, que cabe, apenas, à consciência de cada cidadão.

Para piorar a situação, a lei engloba todo o tipo de fumaça, até mesmo incensos. Eu fiquei preocupado! Será que os fiscais da fumaça vão multar as Igrejas por que usam turíbulo?

sábado, 30 de maio de 2009

A ditadura do politicamente correto avança!

LONDRES, Inglaterra, 21 de maio de 2009 (LifeSiteNews.com) — As igrejas britânicas serão forçadas a aceitar homossexuais ou “transexuais” praticantes em posições de líderes de jovens e funções semelhantes, sob a lei de igualdade que está para vir, disse o governo. A Lei de Igualdade do governo trabalhista proibirá que as igrejas recusem empregar homossexuais ativos mesmo que a religião delas sustente que tal conduta é pecado, disse a vice-ministra Maria Eagle, do Ministério da Igualdade.

A lei entrará em vigor no próximo ano, e as igrejas temem que ela as force a agir contra suas convicções religiosas numa ampla extensão de áreas. Eagle indicou na conferência chamada “Fé, Homofobia, Transfobia & Direitos Humanos” em Londres, que a lei “cobrirá quase todos os que trabalham em igrejas”.

“As circunstâncias em que as instituições religiosas poderão praticar qualquer coisa sem plena igualdade são poucas e raras”, ela disse aos delegados. “Embora o Estado não intervirá em assuntos estritamente rituais e doutrinários dentro dos grupos religiosos, esses grupos não poderão afirmar que tudo o que administram está fora do alcance da lei anti-discriminação. Os membros dos grupos religiosos têm o papel de discutir em seu próprio meio a questão de maior aceitação dos LGBT, mas no meio tempo o Estado tem o dever de proteger as pessoas de tratamento injusto”.

A lei permite isenção religiosa para papéis considerados importantes “para os propósitos de uma religião organizada”, mas restringe essa definição para aqueles que conduzem celebrações litúrgicas ou passam seu tempo ensinando doutrina.

O jornal Daily Telegraph citou Neil Addison, advogado católico e especialista em lei de discriminação religiosa. Ele disse que a lei deixará as igrejas sem forças para defenderem a estrutura de suas organizações. “Essa é uma ameaça à identidade religiosa. O que estamos perdendo é o direito de as organizações fazerem escolhas livres”, disse ele.

Os membros do Ministério da Igualdade incluem o lobista homossexual Ben Summerskill, diretor do Stonewall, principal grupo homossexual britânico. Summerskill reivindicou que as igrejas sejam forçadas a empregar homossexuais e que a polícia detenha cristãos que protestam pacificamente contra as leis homossexuais do lado de fora do Parlamento.

Tony Grew, ativista homossexual e ex-editor do site PinkNews.co.uk, escreveu recentemente que a Lei de Igualdade “estabelecerá de forma muito forte direitos homossexuais em todos os aspectos da vida pública”. Grew escreveu no PinkNews que a lei abrirá oportunidades sem precedentes para os homossexuais.

A lei, disse ele, cobrirá os ministérios principais do governo, as autoridades locais, as agências de educação, saúde e segurança policial e um grande número de outras agências públicas e particulares, inclusive igrejas e instituições administradas por igrejas. A lei imporá o “Dever da Igualdade” em todas as organizações que dão serviços públicos, disse ele, tais como casas de repouso que “terão de considerar as necessidades de casais do mesmo sexo”.

Leia a cobertura relacionada de LifeSiteNews.com:

Enforced “Diversity” will make Britain “First Modern Soft Totalitarian State”
http://www.lifesitenews.com/ldn/2009/may/09050602.html

UK: Religious Schools May Not Teach Christian Sexual Morals “As if They Were Objectively True”
http://www.lifesitenews.com/ldn/2007/mar/07030504.html

Even an Openly Homosexual Actor has Condemned New UK Law Which Would Criminalize Criticizing Homosexuality
http://www.lifesitenews.com/ldn/2007/oct/07101101.html

“Climate of Fear” Growing in Britain for Christian Civil Marriage Registrars
http://www.lifesitenews.com/ldn/2008/may/08052204.html

Traduzido por Julio Severo

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Estamos sob a ditadura do politicamente correto. O Ocidente vive uma realidade totalmente absurda. A ascensão desta cartilha se deu com a invasão de comunistas e agentes socializantes nos movimentos sociais, ambientais, sexuais, raciais etc. A queda da URSS, o fracasso do tal "socialismo real", somado com a estruturação de uma nova leitura do processo revolucionário - Gramsci e Escola de Frankfurt - possibilitaram a estruturação de novas táticas, distantes daquela práxis ativista militante. Assim, norteados por arejados métodos, os marxistas e similares tomaram todas as grandes discussões que, de algum modo, poderiam abraçar um princípio dialético. Conseqüentemente, houve a ideologização das revindicações; o ambientalismo passou a lutar contra o capitalismo opressor, a questão racial adotou um discurso de classes, os homossexuais começaram a atacar a moral - não passava de ferramenta de domínio. Claro que o projeto revolucionário luta contra o espírito cristão, metafísico, sobrenatural e tradicional. Sobre tais entendimentos a Civilização Ocidental se ergueu. Assim, dentro da cartilha politicamente correta, não há espaço para honestidade intelectual, religião, discussão séria e pautada em sólidos argumentos. É o reino do relativismo! Entretanto, este relativismo não é tão relativo. Na verdade a afirmação de que tudo é relativo carrega uma contradição intrínseca - se tudo é relativo, logo "tudo é relativo" é relativo, ou seja, nem tudo é relativo. Mesmo afirmando que tudo é relativo, os apóstolos do modernismo sabem que não há espaço para defesas enfáticas da Verdade.

Aquele papo democrático de um mundo livre de grilhões, distante do fundamentalismo, se choca com a própria prática! Vejamos! Tais homens são os primeiros que se levantam na defesa do relativismo moral, intelectual, religioso. Usando um discurso açucarado e apaziguador, dizem que não há mais espaço para radicalismo. Dentro da idéia de "radicalismo" eles colocam até mesmo aqueles que, simplesmente, acreditam fielmente numa Verdade. Agora entra uma contradição; estes homens são os primeiros que, piamente, seguem uma doutrina, mesmo que tal doutrina combata doutrinas e diga que ter doutrinas é ultrapassado. Não adianta! Eles são adeptos de uma crença - sociológica e filosófica - extremamente radical, tão radical que luta contra outros pensamentos e persegue opositores. Não obstante, enquanto uma religião diz claramente o que é certo e o que é errado, a fé relativista instaura o patrulhamento em nome da democracia: "Não há mais lugar para um mundo de crenças religiosas e princípios metafísicos. Tudo é relativo, nós cremos nisto e vamos perseguir os que não crêem". Ou seja, democraticamente eles instauram uma perseguição em nome da democracia mesmo quando estão sendo antidemocráticos quando impedem a livre expressão.

É justamente o que ocorre na Inglaterra: o homossexual, protegido pela cartilha politicamente correta, vai participar da vida religiosa, em nome da democracia, mesmo quando a comunidade religiosa é impedida, numa atitude antidemocrática, de professar livremente a sua crença. O homossexual é um cidadão de primeiro escalão, já o crente é pária; o crente não pode sequer dizer no que crê; já o homossexual determina o que o crente deve dizer.

Pedro Ravazzano

terça-feira, 12 de maio de 2009

A Dialética das Raças

Pedro Ravazzano
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O nazismo é criminalizado no Brasil, mas por aqui triunfa uma análise sociológica genuinamente nacional-socialista; o polilogismo racial. Os nazistas, influenciados pelo polilogismo de classes dos marxistas, afirmavam que um não-ariano era condicionado, na sua essência, à produção de opressão e alienação, ou seja, o destino era determinado desde a infância, simplesmente pela “cor de pele”. Dentro da análise nazista não havia espaço para um política social; não importava se o judeu era rico ou pobre, se o eslavo era da elite alemã ou um miserável coitado do subúrbio de Berlim, qualquer raça ou cultura que não fosse “legitimamente” alemã trazia consigo a semente da dominação e da opressão – tinha que ser combatida.

No Brasil essa é a mentalidade difundida pelos movimentos e ONGs que discursam em defesa de cotas raciais – seguem piedosamente os ensinamentos de Stálin, que dizia que todos os conflitos de raça deveriam ser transformados em luta de classes. Obviamente, para qualquer pessoa sensata, o problema brasileiro é social em sua origem; 42% da população se diz parda, enquanto 7% se diz negra. Os populistas líderes “afro-brasileiros” acreditam que falam por uma comunidade preta, entretanto, vale frisar, essa identidade racial inexiste no país, e é isso que significa o fato da maioria da nação se considerar mestiça. Não obstante, chega a ser caricato ouvir militantes da causa negra construindo uma idéia de “povo negro” quando o dito “povo negro” sequer se entende como um povo distinto de todo a brasilidade e sequer elegeu seus porta-vozes raciais. Desse modo, hoje podemos refletir o questionamento lançado por Gilberto Freyre, ilustre sociólogo brasileiro: “A raça estará, então - raça, não no seu sentido justo mas como aquela super-realidade exaltada de modo mítico e místico pelos nazistas como a força física e mental com específica missão política e cultural - tomando o lugar de classe, como fator na política contemporânea?”

O cerne da argumentação do tais líderes raciais é que as políticas de afirmação negra surgem para reparar anos de escravidão. Pois bem, vamos relevar o fato de que a sociedade atual, com toda a sua complexidade, é totalmente diferente daquela do séc. XIX, o que eles pretendem é retomar uma percepção racial para dizer que o branco, no Brasil, representa o português escravista e que o negro brasileiro representa o africano escravizado. Primeiramente, é importante lembrar, ao longo da história nunca houve sucesso quando da adoção de parâmetros raciais por parte do Estado, seja quando o Estado nazista instaurou os campos de concentração, quando o Estado Sul-africano criou o apartheid ou quando o Estado americano estipulou a segregação e, posteriormente, obrigou a união forçada. O interessante do discurso dos populistas negros é que eles partem de um entendimento extremamente obtuso; a escravidão não foi construída sobre uma identidade racial, não havia a dicotomia de brancos X negros. Ora, os portugueses sequer capturavam os africanos, quase sempre compravam os escravos nas mãos dos grandes reinos e cidades negras que já nutriam uma cultura escravista. No próprio Brasil pré-abolicionista ex-escravos e mulatos tinham os seus escravos. Quem foi o maior traficante de escravos da nossa história? Francisco Félix de Sousa, um mulato que fez enorme fortuna, tornou-se extremamente poderoso e acabou morrendo em Uidá, no Benim, com o título de Chachá – possivelmente uma corruptela do seu próprio apelido – dado pelo Rei de Daomé. Hoje seus familiares africanos ainda gozam de prestígio político e cultural.

Existe uma crucial necessidade, por parte dos tresloucados líderes negros, de transformar a história brasileira numa história de raças. Obviamente, a maior facilidade de entendimento do processo dialético da luta de classes dentro de uma realidade dicotômica incentiva a deformação do conteúdo histórico do Brasil. Vamos supor que esse absurdo, esse pecado mortal intelectual, tem alguma validade, as tais políticas reparatórias iriam reparar o que? O negro que fenotipicamente parece descender do africano escravizado? Mas se esse jovem negro descende não de um negro escravizado, mas de um negro escravizador? E se, por acaso, o jovem branco carrega genotipicamente uma herança africana? Já que o modelo imposto parte da necessidade de uma reparação histórica, os beneficiados são os que descendem diretamente dos escravos, mas como saber quem são esses senão por uma profunda pesquisa historiográfica, documental e até genética? Afinal, se o jovem de pele clara carrega os genes do africano do Sudão escravizado ele tem os mesmo direitos do jovem de pele escura que, visivelmente, descende de negros – que não necessariamente eram escravos, vale frisar. Vamos deixar mais claro; os líderes dos movimentos e ONGs pretas afirmam, categoricamente, que as cotas, por exemplo, são justas por resgatarem a dignidade do negro em séculos de escravidão. Tudo bem! Agora vejamos, se o centro da discussão é a escravidão, de fato, apenas através de uma pesquisa profunda podemos reconhecer os herdeiros dos escravos do passado, e aqui, obviamente, serão colocados brancos e negros fenotipicamente. Se tal análise não é feita, a identidade negra escravizada é definida simplesmente por um concílio racial, embebido em ideologia, que constata a origem histórica da “raça” unicamente pelo tom de pele – pobre Mendel!

Claro que tais pesquisas não são feitas! Os chefes de ONGs e os caciques dos movimentos políticos estão pouco se importando se o jovem branco é geneticamente filho de um escravo do Golfo da Guiné ou se o jovem negro é geneticamente herdeiro de um senhor de escravos. A desonestidade aparece em dois pontos; primeiro quando criam uma falácia racial num país que não se identifica por etnias, é só perceber que nas grandes pesquisas a grande maioria dos brasileiros se diz parda. E, em segundo lugar, e não menos importante, se encontra esse absurdo de reparação; além de desconheceram a genética os hipócritas da raça criam uma nova história; os brancos de hoje são descendentes dos brancos do passado e os negros de hoje são descendentes dos negros do passado, além disso acreditam piamente – ou parecem acreditar – que predestinadamente os brancos do passado eram opressores e os negros do passado eram oprimidos. Querem “dar por implícito que todo branco é culpado pelos atos dos senhores de escravos, mesmo quando não tenha um só deles entre os seus antepassados e mesmo que tenha chegado ao Brasil, como imigrante, décadas depois do fim da escravidão.”(CARVALHO, Olavo de). Haja polilogismo, haja dialética – e Marx era racista, vamo que vamo!

Essa criação do mito da raça no Brasil, ainda mais quando pretendem que na mesma escola pública filhos de pais pobres sejam divididos entre negros e brancos, irá favorecer a consolidação do mais genuíno racismo. O Estado entrará nas escolas públicas e afirmará que os jovens de tez clara são descendentes de portugueses senhores de escravos e, por isso, não terão direitos às cotas, enquanto os seus colegas negros, por serem descendentes de africanos escravizados, gozarão de benefícios na entrada na Universidade. Detalhe a ser frisado, o jovem branco e o jovem negro não apenas dividem a mesma classe, mas o mesmo bairro e a mesma renda. Maldita história!

Um ponto que merece ser frisado; o Brasil se encontra no grupo dos poucos países que nunca aprovaram leis raciais, que nunca identificaram a cidadania com a etnia e a cor de pele. Esse fato é tão característico que a interferência do Estado na própria noção de raça, além de um grande contra-senso, se opõe ao processo de desenvolvimento do país. A nossa nação realmente não é racista, claro que com isso não quero dizer que ninguém tenha atitudes e pensamentos racistas, mas que inexiste uma estruturada rede discriminatória, com partidos, facções, ações populares etc, como em outras lugares do mundo. É fato que a instituição do papel social de brancos e negros é favorecida quando já existe uma dicotomia natural ou, então, quando já houve, na história nacional, um cultura de segregação pensada. Destarte, o estrago feito pelos líderes negros tem muito mais mérito, sejamos sinceros; eles conseguiram transformar – ou pretendem transformar – uma nação de pardos numa nação de brancos e negros. Claro que essa mudança de paradigma é feita com uma complexa e planejada tática a la terra arrasada; eles não deixam nada de pé. Qualquer um é acusado de racista, ultrapassado, opressor, desse modo instituem o patrulhamento ideológico - aquele mesmo, o do velho e embalsamado Lênin - que atinge desde as Universidades Federais até o Senado Federal. Tudo é muito bem financiado por grandes Fundações, como a Ford, que entra com milhões e milhões de dólares. A construção de uma identidade racial consolida um grupo político que se forma sobre essa comunidade que, a partir de então, se pensa de forma coesa e com interesses comuns. Os “novos líderes políticos na Ásia, África, América, (..) [demonstram] atualmente certa tendência, não para pôr a Raça a serviço de uma ideologia de Classe rígida, com ênfase total numa guerra de Classes, mas para por uma ideologia de Classe a serviço de uma mística racial revolucionária” (FREYRE, Gilberto)

Como bem frisou o sociólogo Demétrio Magnoli, as elites – negras e brancas – estão fora dessa realidade, elas têm renda para financiar uma educação internacional aos seus filhos. Essas políticas de cotas atingem a classe média e a classe pobre, aquelas que usam as Universidades e escolas públicas. A questão que não é levada em conta é a essência das leis. Pouco importa se na África do Sul o Estado definiu raças para segregar ou que no Brasil atual o Estado legisle sobre a cor de pele para agregar, as duas formas trazem intrinsecamente a idéia de uma “fronteira natural” entre negros e brancos e “Na hora em que os filhos dos trabalhadores não puderem mais olhar uns aos outros como irmãos e colegas, terá emergido um Brasil diferente daquele que conhecemos.”(MAGNOLI, Demetrio)

A América é um continente que, tirando os indígenas, foi construído por povos imigrantes; europeus e africanos. Entretanto, o grande diferencial, é que os fenotipicamente euro-descendentes não mais cantam saudades do Velho Continente, apenas mantém certos costumes culturais enquanto se identificam como brasileiros. Por outro lado, os tais “afro-brasileiros” choram a África e criam diversos entraves para a integração cultural no país. Hoje, qualquer um que experimente criticar alguma faceta da cultura africana - que não existe com essa unidade “africana” como pretendem certos líderes negros - será taxado de racista, no mínimo. Essa relação intrínseca que fazem entre raça e sociedade parte de uma identificação inseparável entre o homem e a cultura étnica, desse modo, cada raça tem um cultura específica, cada indivíduo, enquanto membro de uma raça, passa a ser destinado a viver atrelado ao arcabouço cultural da sua etnia. Esse estúpido determinismo é o tipico retrocesso sociológico que deságua no totalitarismo; um negro não pode personificar a cultura francesa, um judeu não pode representar a nação alemã, um polonês não pode encarnar o espírito americano?

Os movimentos negros têm conseguido transformar a questão racial em mais um tema da cartilha politicamente correta. Além disso, os seus militantes já se instalaram no poder, inclusive mantendo uma secretária federal só para tratar da temática. O triste dessa história é que o triunfo da ótica das raças estabelece uma sociedade que se enxerga por meio da cor de pele. Claro que existem brasileiros racistas, mas o país, como um todo, nas suas bases civilizacionais, jamais nutriu sentimentos discriminatórios organizados. Entretanto, com a ascensão do discurso vitimista, anti-histórico, hipócrita e simplório das causas raciais haverá, ao mesmo tempo, a transformação de uma sociedade mestiça numa sociedade bicolor – negros e brancos – mesmo quando sempre foi estranho ao povo brasileiro o sectarismo étnico. Hoje em dia a questão racial, com as tais “políticas públicas”, é discutida diariamente, além disso ganha força e poder dentro do sistema governamental. Agora mesmo o Senado já se prepara para votar a lei de cotas raciais nas universidades e escolas técnicas federais. Se aprovada será a primeira lei racial de segregação, com brancos e pretos separados pelo Direito.

O Brasil pode se tornar o primeiro país do mundo a realizar uma centrifugação racial, transformado uma nação de pardos na nação dos pretos e dos brancos, duas cores separadas pelo sentido da existência – os primeiros seriam oprimidos em essência e os segundos opressores em essência – e segregados pela legislação estatal. O movimento negro tenta fazer triunfar os seus paradigmas infantis de sociedade, partindo de um princípio determinista e polilógico que, em nada, se distancia das conclusões nazistas. Dessa modo, sobre essa base, constroem um discurso de vitimização e patrulhamento ideológico-racial, transformado um problema social em racial a partir do momento em que pensam que pretos são pobres porque brancos são burgueses. A balela de reparação histórica não faria sentido em nenhum país sério, mas por aqui não só é louvada como já se tornou ponto pacífico em qualquer discussão sociológica. Sendo sincero, eu vou achar engraçado quando daqui a dez ou vinte anos esses coitados do movimento negro estiverem protestando em oposição aos grupos realmente racistas, de identidade branca, engajados na luta contra a presença preta em seus bairros e escolas. Realmente, quem pariu Mateus que balance, quem criou as raças que agüente o racismo.

sábado, 29 de novembro de 2008

As origens do politicamente correto

por William S. Lind

Bill Lind é diretor do Centre for Cultural Conservatism for the Free Congress Foundation e fez discursos semelhantes a este por diversas vezes em nome da Accuracy in Academia. Em especial, este foi proferido na American University, em 2000. Sua importância é crucial na medida em que traça as raízes intelectuais do discurso politicamente correto. Em geral, as pessoas imaginam que as idéias são como o vento, cuja origem é incerta e desconhecida: ora sopra para um lado, ora para outro. Como dizia Ricard Weaver, idéias têm conseqüências, e encontrar suas origens é essencial para combater o mal que delas deriva.

De onde vêm todas essas coisas que se ouve falar – o feminismo, o movimento gay, as estatísticas inventadas, a história reescrita, as mentiras, os protestos e todo o resto? Pela primeira vez na história os americanos têm motivos para tomar cuidado com o que dizem, com o que escrevem, com o que pensam. Eles têm que ter medo de usar a palavra errada, a palavra tida como ofensiva, insensível, racista, machista ou homofóbica.

Tem-se observado, particularmente neste século, o mesmo cenário em outros países, e a sensação que se tem é de pena e, para falar a verdade, de diversão, além de soar muito estranho que as pessoas possam permitir-se viver numa situação onde elas tenham medo de usar as palavras que usam. E nós estamos vivendo essa situação aqui nos EUA. Primeiro aconteceu nas universidades, mas agora a coisa está se espalhando por toda a sociedade. Qual a origem disso?

Nós chamamos isso de discurso "politicamente correto". O nome originou-se como que uma piada, e nós ainda tendemos a pensar no assunto com metade da seriedade devida. Na verdade, é algo terrivelmente sério. É a grande doença do século, a mesma que fez dezenas de milhões de mortos na Europa, Rússia, China, em todo o mundo. É a doença da ideologia.

Se olharmos o problema de maneira analítica, de maneira histórica, rapidamente descobriremos sua natureza exata. Politicamente correto é igual a marxismo cultural. É marxismo traduzido de termos econômicos para termos culturais. É um esforço que começa não nos anos 1960, com os hippies e o movimento pacifista, mas sim na Primeira Guerra Mundial. Se nós compararmos os conceitos básicos do politicamente correto com o marxismo, o paralelo entre eles é bastante óbvio.

Em primeiro lugar, ambos são ideologias totalitárias. A natureza totalitária do politicamente correto não poderia ser revelada de maneira mais clara do que nos campi universitários, os quais muitos são hoje em dia pequenas Coréias do Norte com jardim, onde os estudantes e professores que ousam cruzar qualquer dos limites colocados por feministas, ou por ativistas pró-homossexuais, ou por grupos negros ou hispânicos locais, ou quaisquer outros grupos que o politicamente correto possa girar em torno, rapidamente se vêem em problemas judiciais. Dentro do pequeno sistema legal da universidade, eles enfrentam acusações formais – alguns procedimentos inquisitórios – e punição. Essa é uma pequena amostra do que o politicamente correto pretende para todo o país.

Na verdade, todas as ideologias são totalitárias porque a essência de uma ideologia (lembro que conservadorismo, corretamente entendido, não é uma ideologia) é afirmar, com base em uma filosofia, que certas coisas devem estar de acordo com ela – como, por exemplo, a idéia de que toda a história da nossa cultura resume-se à opressão das mulheres. Como a realidade contradiz essa filosofia, então a realidade mesma deve ser proibida. E é preciso tornar-se proibida para que reconheçamos a realidade da nossa história. As pessoas devem ser forçadas a viver uma mentira, e já que as pessoas são naturalmente relutantes em fazê-lo, elas naturalmente usam seus olhos e ouvidos e pensam: "Espere um minuto. Isto não é verdade. Eu posso ver que não é". Então o poder do Estado deve ser colocado por trás da exigência de se viver uma mentira. É por isso que ideologias invariavelmente dão origem a Estados totalitários.

Em segundo lugar, o marxismo cultural do politicamente correto, como a economia marxista, tem uma singular explicação da história. A economia marxista afirma que toda a história é determinada pela propriedade dos meios de produção. O marxismo cultural, ou politicamente correto, afirma que a história é determinada pelo poder, onde grupos são definidos em termos de raça, sexo, etc., e têm o poder sobre outros grupos. Nada mais importa. Na verdade, toda literatura é sobre isso. Todas as coisas passadas têm a ver com isso.

Em terceiro lugar, do mesmo modo que certos grupos na economia marxista clássica, i.e. trabalhadores e camponeses, são bons a priori, e outros grupos, i.e. burgueses e donos de capital, são maus, no marxismo cultural politicamente correto certos grupos também são bons – mulheres feministas (somente elas, mulheres não-feministas são tidas como inexistentes), negros, hispânicos, homossexuais. Esses grupos são escolhidos para serem "vítimas" e, por isso, são automaticamente bons, não importa o que façam. Similarmente, machos brancos são automaticamente determinados para serem maus, tornando-se assim o equivalente aos burgueses da economia marxista.

Em quarto lugar, ambos (marxismo econômico e cultural) baseiam-se na expropriação. Quando os marxistas clássicos – os comunistas – tomaram o poder na Rússia, eles expropriaram a burguesia tomando suas propriedades. Do mesmo modo, quando marxistas culturais tomam um campus universitário, eles expropriam por meio de quotas de admissão. Quando um estudante branco mais qualificado tem a sua admissão negada em favor de um negro ou de um hispânico não tão qualificado, o estudante branco é expropriado. Empresas de propriedade de brancos não conseguem um contrato porque este é reservado para uma empresa de propriedade de, digamos, hispânicos ou mulheres. Logo, expropriação é a principal ferramenta para ambas as formas de marxismo.

E, finalmente, ambos têm um método de análise que automaticamente dá a resposta que eles querem. Para o marxista clássico, o método é a economia marxista. Para o marxista cultural, o método é o desconstrucionismo. Essencialmente, o desconstrucionismo remove todo o sentido de um texto e reinsere qualquer sentido desejado. Então nós descobrimos, por exemplo, que toda a obra de Shakespeare é sobre a opressão das mulheres, ou a Bíblia é sobre raça e sexo. Todos esses textos tornaram-se úteis para provar que "toda a História é sobre quais grupos têm poder sobre os outros". Por isso os paralelos são tão evidentes entre o marxismo clássico - que nós conhecemos da antiga União Soviética - e o marxismo cultural - que nós vemos hoje como na forma do politicamente correto.

Mas os paralelos não são acidentais. Os paralelos não vieram do nada. O fato é que o politicamente correto tem uma história muito mais longa do que as pessoas pensam, exceto para um pequeno grupo de acadêmicos que têm estudado o assunto. E a história vai, como eu disse, de volta à Primeira Guerra Mundial, da mesma forma que tantas patologias que vêm destruindo nossa sociedade e, no fim, nossa cultura.

* * *

A teoria marxista dizia que quando a guerra generalizada na Europa chegasse (como aconteceu em 1914), a classe trabalhadora da Europa iria se levantar e derrubar seus respectivos governos – os governos burgueses – porque os trabalhadores tinham mais em comum com os seus pares de outros países do que com a burguesia e a classe dominante nos seus próprios países. Bem, 1914 chegou e isso não aconteceu. Por toda a Europa os trabalhadores agarraram-se às suas bandeiras nacionais e marcharam satisfeitos para lutar uns contra os outros. O Kaiser apertou as mãos dos social-democratas alemães e disse que naquele momento não havia partidos, só havia alemães. E isso aconteceu em cada país da Europa. Alguma coisa estava errada.

Os marxistas sabiam que, por definição, esse algo não poderia ser a teoria. E dois marxistas começaram a pensar nisso: Antonio Gramsci na Itália e Georg Lukacs na Hungria. Gramsci disse que os trabalhadores jamais iriam perceber os seus verdadeiros interesses de classe, como assim definidos pelo marxismo, até eles serem libertados da cultura ocidental, particularmente do Cristianismo, uma vez que todos eles estavam cegos pela religião e pela cultura aos seus reais interesses de classe. Lukacs, que foi considerado o teórico marxista mais brilhante desde o próprio Marx, perguntou-se, em 1919: "Quem irá nos salvar da cultura ocidental?" Ele também teorizou que o grande obstáculo à criação do paraíso marxista era a cultura e, por conseguinte, a própria civilização ocidental.

Lukacs teve a chance de pôr suas idéias em prática, porque quando o governo bolchevique Bela Kun tomou o poder na Hungria em 1919, ele tornou-se Comissário para a Cultura naquele país, sendo que seu primeiro ato foi introduzir a educação sexual nas escolas húngaras. A medida assegurou que os trabalhadores não apoiassem o governo, porque os húngaros a detestavam, tanto trabalhadores como qualquer um. Mas ele já tinha feito a conexão que hoje muitos de nós encaramos com surpresa, como uma coisa moderníssima.

* * *

Em 1923, na Alemanha, foi fundado um centro de estudos que tomou para si a tarefa de traduzir o marxismo de termos econômicos para culturais, o que criou o discurso politicamente correto que conhecemos hoje, tendo, portanto, suas bases assentadas essencialmente no fim da década de 1930. Isso foi possível por causa de Felix Weil, filho de um milionário comerciante alemão, que se tornou marxista e tinha um bocado de dinheiro para gastar. Contrariado com as divisões dentro das fileiras marxistas, Weil patrocinou a Primeira Semana de Trabalho Marxista, reunindo Lukacs e muitos outros importantes pensadores alemães para discutir sobre as diferenças do marxismo.

Então Weil decide que era preciso criar um think thank. Washington é cheia de think thanks, e nós pensamos que eles são novidades. Na verdade, eles existem há muito tempo. Weil subsidiou um instituto associado à Universidade de Frankfurt, fundado em 1923, que era originariamente para ser conhecido como o Instituto para o Marxismo. Mas as pessoas por trás dele decidiram logo no começo que não era do seu interesse serem identificados abertamente como marxistas. A última coisa que o politicamente correto quer é que as pessoas percebam que ele é uma forma de marxismo. Então eles decidiram chamá-lo de Instituto de Pesquisa Social.

Weil tinha muita clareza dos seus objetivos. Em 1971, quando o Instituto de Pesquisa Social rapidamente ficava conhecido informalmente, ele escreveu para Martin Jay - autor de um livro sobre os princípios da Escola de Frankfurt – dizendo: "Eu quero que o Instituto fique conhecido, talvez até famoso, em função de suas contribuições para o marxismo." Bem, ele teve o que queria. O primeiro diretor do Instituto, um economista austríaco chamado Carl Grunberg, finalizou seu discurso, de acordo com Martin Jay, "colocando de maneira clara sua convicção pessoal na metodologia científica do marxismo". Segundo ele, o marxismo seria o princípio norteador do Instituto, e isso jamais mudou.

Os trabalhos iniciais do Instituto eram convencionais, mas em 1930 assumiu um novo diretor chamado Marx Horkheimer, e as visões dele eram bem diferentes. Ele era definitivamente um marxista renegado. As pessoas que criaram e formaram a Escola de Frankfurt eram todos eles marxistas renegados. Eles eram ainda verdadeiramente marxistas no seu pensamento, mas tinham efetivamente saído do Partido. Moscou, observando o que eles faziam, diria algo como "Hei, isto não somos nós, não iremos apoiar uma coisa dessas."

A primeira heresia de Horkheimer é que ele era muito interessado em Freud, e a chave para que ele pudesse traduzir o marxismo de termos econômicos para termos culturais era essencialmente a sua combinação com o freudismo. Mais uma vez, Martin Jay escreve que "Se podemos afirmar que, no começo de sua história, o Instituto preocupava-se primeiramente com a subestrutura sócio-econômica da sociedade burguesa" – e eu observo que Jay é bastante simpático à Escola de Frankfurt, não estou citando um crítico a ela aqui –, "nos anos que se seguiram seus interesses iniciais eram por sua superestrutura cultural. De fato, a fórmula marxista tradicional, no que diz respeito à relação das duas, foi posta em questão pela Teoria Crítica."

Todas essas coisas da moda – feminismo radical, os departamentos de estudos das mulheres, dos gays, dos negros – todas elas são ramificações da Teoria Crítica. O que a Escola de Frankfurt faz essencialmente é usar tanto o marxismo quanto o freudismo nos anos 1930 para criar o que se conhece por Teoria Crítica. O termo é engenhoso porque você fica tentado a perguntar, "Do que se trata a teoria?" A teoria serve para criticar. A teoria é o caminho para destruir a cultura ocidental e não aceitar que o capitalismo seja uma alternativa. Seus teóricos explicitamente se recusam a aceitar essa hipótese. Eles afirmam que a alternativa capitalista não é válida, uma vez que não nos é dado imaginar como deve ser uma sociedade livre (a definição deles de sociedade livre). Dado que nós estamos sob repressão – a repressão da ordem capitalista que cria (na teoria deles) a patologia descrita por Freud da repressão individual – nós não podemos imaginá-la. A Teoria Crítica resume-se em simplesmente criticar. E isso pede a crítica mais destrutiva possível, em todas as possibilidades, projetada para destruir a ordem contemporânea. E, claro, quando ouvimos das feministas que toda a sociedade está contra as mulheres e assim por diante, esse tipo de crítica deriva da Teoria Crítica. Tudo vem dos anos 1930, não dos anos 1960.

Outros membros importantes que se juntaram ao time foi Teodoro Adorno e, especialmente, Erich Fromm e Herbert Marcuse. Fromm e Marcuse introduziram um elemento que é central no politicamente correto: o sexo; particularmente Marcuse, que em seus próprios escritos clamava por uma sociedade "polimorficamente perversa", a sua definição para a sociedade futura que desejava criar. Nos anos 1930, Marcuse escrevia coisas bastante extremadas sobre a necessidade de liberação sexual, mas essa acabou tornando-se uma bandeira de todo o Instituto. Mais uma vez, um dos principais temas do politicamente correto começou nos anos 1930. Na visão de Fromm, masculinidade e feminilidade não refletiam diferenças essenciais como os românticos tinham pensado. Na verdade, essas diferenças derivavam de funções da vida, que eram em parte socialmente determinadas. "Sexo é uma convenção; diferenças sexuais são convenções."

* * *

Outro exemplo é a ênfase que verificamos hoje no ecologismo. "Desde Hobbes, o materialismo levou a uma manipulação dominadora sobre a natureza". Este é Horkheimer escrevendo, em 1933, na obra Materialismus und Moral. "O tema da dominação do homem sobre a natureza", de acordo com Jay, "deveria tornar-se uma preocupação central da Escola de Frankfurt nos anos seguintes." "O antagonismo da fetichização do trabalho de Horkheimer (aqui ele está obviamente partindo da ortodoxia marxista) expressa outra dimensão do materialismo, da demanda pelo humano, pela felicidade sensual." Num dos seus mais profundos ensaios, Egoísmo e o Movimento para a Emancipação, escrito em 1936, Horkheimer "discute a hostilidade com relação à gratificação pessoal, inerente à cultura burguesa." E ele especificamente faz referência favorável ao Marquês de Sade, pelo seu "protesto... contra o ascetismo em nome de uma moral mais elevada."

Mas como as coisas chegaram nesse ponto? Como entraram nas nossas universidades e em nossas vidas? Os membros da Escola de Frankfurt são marxistas, mas também são judeus. Em 1933, os nazistas tomaram o poder na Alemanha e, naturalmente, fecharam o Instituto de Pesquisa Social. Os membros do Instituto deixaram o país. Eles foram para Nova York, onde o Instituto foi restabelecido com o suporte da Columbia University. E gradualmente os membros do Instituto, durante os anos 1930 – apesar de muitos deles ainda escreverem em alemão – mudaram o foco da Teoria Crítica sobre a sociedade alemã - o criticismo sobre cada aspecto daquela sociedade - para a sociedade americana. E houve outra importante transição quando chegou a guerra. Alguns deles foram trabalhar no governo, incluindo Herbert Marcuse, o qual se tornou figura chave na OSS (a precursora da CIA), e muitos outros, incluindo Horkheimer e Adorno, mudaram-se para Hollywood.

Essas origens do politicamente correto não significariam muito para nós hoje não fosse dois eventos subseqüentes. O primeiro foi a rebelião dos estudantes nos anos 1960, a qual se deu em grande parte pela resistência à convocação para as forças armadas e à Guerra do Vietnã. Mas os estudantes rebeldes precisavam de algum tipo de teoria. Eles não podiam simplesmente dizer: "Que se danem, nós não iremos"; eles precisavam de algum suporte teórico por trás disso. Poucos deles estavam interessados em se embrenhar na leitura de "O Capital". O marxismo econômico clássico não é nada leve, e a maioria dos radicais da década de ‘60 eram pouco profundos. Felizmente para eles, e infelizmente para nosso país como um todo – não só para a universidade – Herbert Marcuse permaneceu na América depois que a Escola de Frankfurt restabeleceu-se na Alemanha depois da Guerra. Na Alemanha, enquanto Adorno ficava estarrecido quando estourou a rebelião por lá – os estudantes invadiram a sala de aula de Adorno e ele chamou a polícia para prendê-los –, Herbert Marcuse, que permaneceu nos EUA, viu na revolta a grande chance. Ele percebeu a oportunidade de transformar os trabalhos da Escola de Frankfurt na teoria da New Left nos EUA.

Um dos livros de Marcuse foi essencial para o processo. Este livro transformou-se na bíblia do SDS (*) e dos estudantes rebeldes dos anos 1960. Em Eros e Civilização, Marcuse argumenta que sob a ordem capitalista (ele maquia fortemente o marxismo, o subtítulo é Uma Investigação Filosófica de Freud, mas o esqueleto é marxista) a repressão é a sua essência, e disso resulta na descrição freudiana: o indivíduo com todos os complexos e neuroses em função do desejo sexual reprimido. É possível enxergar um futuro - uma vez que se possa destruir a ordem repressiva vigente – no qual sendo Eros liberado, libera a libido, o que conduz ao mundo da "perversidade polimórfica" onde "cada um pode fazer o que quiser". Diga-se de passagem, nesse mundo não haverá mais trabalho, somente diversão. Que mensagem maravilhosa para os radicais dos anos 1960! Eles eram estudantes, eram baby-boomers, e estavam crescendo sem ter que se preocupar com nada, exceto em eventualmente arrumar um emprego. E aqui você tem um sujeito escrevendo umas coisas muito fáceis de serem seguidas. Ele não exige dos jovens densas leituras de marxismo e, principalmente, diz a eles as coisas que querem ouvir. "Faça o que quiser", "É gostoso fazer isso" e "Vocês nunca vão ter que trabalhar". Aliás, Marcuse foi o homem que inventou a frase "Faça amor, não faça a guerra." Voltando para o problema enfrentado nos campus, Marcuse define "tolerância libertadora" como intolerância para tudo que vem da direita e tolerância para qualquer coisa que venha da esquerda. Marcuse juntou-se à Escola de Frankfurt em 1932 (salvo engano). Mais uma vez, a coisa começou na década de ‘30.

Por fim, a América passa hoje pela maior e mais terrível transformação na sua história. Os EUA estão se transformando num Estado ideológico, num país com uma doutrina oficial apoiada pelo poder estatal. Há pessoas cumprindo pena por "crimes de ódio", ou seja, crimes políticos. E o Congresso movimenta-se no sentido de expandir essa categoria de crimes ainda mais. A ação afirmativa é parte disso. O terror contra qualquer um que discorde do ‘politicamente correto’ nas universidades é parte disso. Exatamente o que aconteceu na Rússia, na Alemanha, na Itália, na China, está ocorrendo aqui. E nós não percebemos porque nós chamamos isso de politicamente correto e nos rimos. Minha mensagem é que isso não tem graça nenhuma, está bem aqui, está crescendo, e eventualmente vai destruir – como deseja fazer, tudo o que nós sempre entendemos por nossa liberdade e nossa cultura.

Publicado por Academia.org

Tradução: Eduardo Ribeiro

(*) N. do T.: SDS é a Students for a Democratic Society, uma organização estudantil fundada em 1960 para promover a participação em assuntos governamentais (após o início da Guerra do Vietnã dedicou-se a protestar ativamente contra a guerra).