
O espírito do mundo moderno é extremamente destrutivo e assola todas as instituições e o plano divino da existência. Assim, é o grande responsável pela desordem e pela crise espiritual que vivemos. Os seus arautos, aqueles que promovem o liberalismo/secularismo/progressismo nas mais diversas frentes, agem na desconstrução da Tradição e na imposição de um novo paradigma ideológico. O ardor revolucionário é extremamente eficiente por ter um motor romântico e ser norteado por concepções falseadas da realidade.
A primeira realidade, que só é compreendida através da reflexão racional, a partir do entendimento da realidade concreta, é totalmente tolhida em nome da segunda realidade, ou seja, a alternativa forjada pela ideologia, concebida nas mentes insanas de homens tomados pela febre da paixão. Assim, por exemplo, Karl Marx concebe a sua falácia comunista partindo da deformação dos pressupostos filosóficos, históricos e econômicos, ou seja, falseia a primeira realidade tendo em vista o alcance da segunda. A complexidade da questão inicia-se quando toda a sociedade é tomada pela doença espiritual, esmagada pelo choque entre as duas realidades, como foi o caso da Alemanha nazista.
Entretanto, o que quero pontuar nessa breve reflexão não é a postura dos modernistas e seus sequazes. Em relação a eles já temos um amadurecimento suficiente. O perigo, muitas vezes, forma-se na busca pela remediação drástica e rápida dos problemas civilizacionais. De fato, é louvável a ânsia de muitos que buscam, apressadamente, reconstruir aquilo que foi destruído pela sorrateira ação revolucionária. Não obstante, a eficácia e eficiência não podem ser confundidas com rapidez e brutalidade. Ao contrário, quanto mais conhecemos a realidade da crise - a sua amplitude e complexidade - mais percebemos como as soluções devem ser equilibradas, ponderadas e frias. Isso mesmo; frias no sentido de não-passionais, afinal, infelizmente, constata-se a forte presença de um espírito romântico nas atitudes tomadas pelos mais ardorosos defensores da "Contra-revolução."
O maior perigo se faz na construção de uma "ideologia" tradicional, contra-revolucionária, na ereção da segunda realidade utópica. Como qualquer ideologia, incidirá no erro de falsear a realidade, ou enxergá-la de modo parcial e pontual, galgando a adequação ao projeto tão ansiado. Enquanto Marx deformava as teorias históricas mirando o encaixe com as suas pretensões comunistas, alguns tradicionalistas ideologizados restringem o entendimento da realidade buscando o fácil solucionamento da crise do mundo moderno com o alvorecer da sociedade tradicional.
Essa simplificação cria soluções caricaturais que incidem no imediatismo e na brutalidade, além disso, não só transforma questões acidentais em essenciais como sanciona a dinâmica do bode expiatório ao acreditar na vítima sacrificial que, quando exterminada, apazigua toda a sociedade. Destarte, o fundamento é a ideologia, a crença apaixonada que busca, por meio da deformação do real, a realização dos anseios mais profundos e obscuros. Ainda que a iniciativa carregue uma positiva e inocente percepção, outrossim, é obtusa e inadequada, já que incorre na ridicularização da causa. Ademais, a crescente adesão de jovens no mundo virtual ao projeto contra-revolucionário favorece ao rompimento profundo com a realidade. Com isso, encontramos com facilidade soluções pueris aos problemas do mundo moderno, com remédios que passam desde a anulação do Concílio Vaticano II até a retomada da Santa Inquisição.
A primeira realidade, que só é compreendida através da reflexão racional, a partir do entendimento da realidade concreta, é totalmente tolhida em nome da segunda realidade, ou seja, a alternativa forjada pela ideologia, concebida nas mentes insanas de homens tomados pela febre da paixão. Assim, por exemplo, Karl Marx concebe a sua falácia comunista partindo da deformação dos pressupostos filosóficos, históricos e econômicos, ou seja, falseia a primeira realidade tendo em vista o alcance da segunda. A complexidade da questão inicia-se quando toda a sociedade é tomada pela doença espiritual, esmagada pelo choque entre as duas realidades, como foi o caso da Alemanha nazista.
Entretanto, o que quero pontuar nessa breve reflexão não é a postura dos modernistas e seus sequazes. Em relação a eles já temos um amadurecimento suficiente. O perigo, muitas vezes, forma-se na busca pela remediação drástica e rápida dos problemas civilizacionais. De fato, é louvável a ânsia de muitos que buscam, apressadamente, reconstruir aquilo que foi destruído pela sorrateira ação revolucionária. Não obstante, a eficácia e eficiência não podem ser confundidas com rapidez e brutalidade. Ao contrário, quanto mais conhecemos a realidade da crise - a sua amplitude e complexidade - mais percebemos como as soluções devem ser equilibradas, ponderadas e frias. Isso mesmo; frias no sentido de não-passionais, afinal, infelizmente, constata-se a forte presença de um espírito romântico nas atitudes tomadas pelos mais ardorosos defensores da "Contra-revolução."
O maior perigo se faz na construção de uma "ideologia" tradicional, contra-revolucionária, na ereção da segunda realidade utópica. Como qualquer ideologia, incidirá no erro de falsear a realidade, ou enxergá-la de modo parcial e pontual, galgando a adequação ao projeto tão ansiado. Enquanto Marx deformava as teorias históricas mirando o encaixe com as suas pretensões comunistas, alguns tradicionalistas ideologizados restringem o entendimento da realidade buscando o fácil solucionamento da crise do mundo moderno com o alvorecer da sociedade tradicional.
Essa simplificação cria soluções caricaturais que incidem no imediatismo e na brutalidade, além disso, não só transforma questões acidentais em essenciais como sanciona a dinâmica do bode expiatório ao acreditar na vítima sacrificial que, quando exterminada, apazigua toda a sociedade. Destarte, o fundamento é a ideologia, a crença apaixonada que busca, por meio da deformação do real, a realização dos anseios mais profundos e obscuros. Ainda que a iniciativa carregue uma positiva e inocente percepção, outrossim, é obtusa e inadequada, já que incorre na ridicularização da causa. Ademais, a crescente adesão de jovens no mundo virtual ao projeto contra-revolucionário favorece ao rompimento profundo com a realidade. Com isso, encontramos com facilidade soluções pueris aos problemas do mundo moderno, com remédios que passam desde a anulação do Concílio Vaticano II até a retomada da Santa Inquisição.
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Podemos iniciar a campanha: Pela não banalização tradicional - contra a banalização do cachimbo, do tabaco, das abotoaduras, de Shakespeare, Dostoiévski, Mozart, Hildegard von Bingen, do latim, da filosofia clássica, da história medieval, do gótico, de Santo Tomás, Camões, Chesterton, Dante etc.
8 comentários:
Prezado amigo Ravazzano,
Tem certeza de que está mirando seus canhões contra o perigo mais importante?
Pelo pouco que eu vivi aqui em Salvador (5 anos), posso garantir que esse erro não existe... pelo menos aqui. E se existe, exatamente assim descrito, se restringe a um circulo muito pequeno.
Não consigo considerar que a população de Salvador, especialmente os católicos daqui, possuem um amadurecimento suficiente no que diz respeito ao modernismo.
Mesmo no mundo virtual - falo da internet - esse não é o mau da grande massa dos internautas. Isso se restringe a poucas pessoas - podem ser muito conhecidas para você, mas numericamente são insignificantes.
Para ver isso, basta pegar os sites dos grandes jornais e ler os comentários. Logo você verá que nosso grande inimigo no momento é outro. A desinformação de pontos básicos da doutrina católica entre os internautas é gritante. Suspeito que centenas de milhares nem sabem o que foi o Concilio Vaticano II, nem mesmo o que seja um concílio.
Se você conhece sites e blogs que fazem parte dessa caricatura, há milhões de outros que possuem o erro exatamente inverso, ou seja, a destruição do que resta em nossos dias da Civilização Cristã.
Uma sugestão apenas é um maior cuidado para que seus textos não acabem atrapalhando o pouco apostolado de quem não é essa caricatura descrita em seu artigo. Pareceu-me, a primeira vista, que você não teve essa preocupação.
Para tanto, acharia importante dar nomes aos bois; dizer quem propaga esses erros, em que livros eles são defendidos, em quais sites, em que medida isso faz mal a salvação das almas, a condenação da Igreja a isso, etc, etc, etc. Até por que essa expressão "Contra-revolução" que você usou, é pouco utilizada e levaria o leitor culto a pensar em pessoas que eu tenho certeza que você não teve a menor intenção em atacar.
In Iesu et Maria,
Edson Carlos de Oliveira
Sr. Edson,
De forma alguma faço referência àqueles que trabalham na Contra-Revolução de forma séria, equilibrada e ordenada. Não vejo como haver confusão quanto a isso. Ao contrário, o meu maior receio é que estes tenham o seu trabalho desmerecido pelo desserviço prestado pelos outros que, na tentativa de resolver a crise do mundo moderno, confundem e enganam.
Ademais, quando eu digo que nós já temos amadurecimento suficiente, obviamente não me refiro ao grande público, a Salvador, ao Brasil, mas aos homens que, alimentados pela leitura tradicional e pelo conhecimento da realidade, estão blindados.
Em Cristo,
Pedro
Entendo a preocupação do Pedro.
É a preocupação de que a luta pela restauração integral da Civilização Cristã, a Contra-Revolução, se transforme num mero tradicionalismo que, como tantos "ismos", tem feito muito mal.
A ideologização de que o Pedro fala é a que vejo em muitos tradicionalistas que, por exemplo, endeusam a década de 50 como se fosse a era áurea da humanidade, isenta de qualquer problema, como se a crise viesse se instalar misteriosamente a partir da década de 60.
É a ideologização que vemos em pessoas que acham que a Liturgia de séculos passados era o supra sumo do culto e a nossa época fosse particular em abusos, quando sabemos que cada século teve seu "abuso de estimação", como nas épocas em que Padres celebravam só de batina, sem paramentos, e usavam os textos da Missa dos Defuntos nas Missas feriais, porquer eram "mais rápidos".
Ideologizar épocas passadas, como se não tivessem problemas e querer julgar tudo que ocorre em nossa época - inclusive as iniciativas novas de restauração da Civilização Cristã - simplesmente por serem "diferentes do passado" não me parece uma boa alternativa. Cai numa visão romântica e ideológica que também prejudica.
Se não é o maior problema, é bastante grave: a Modernidade geme em seu leito de morte; o que sobrar poderá ser uma visão séria da realidade, sem ideologização, ou um tradicionalismo romântico que não deixa de ser ideologia.
Abraços
Muitas vezes as pessoas se preocupam com algo que nunca lhes acontecerá.
Preocupação não faz sentido, façamos a nossa parte e o mais, Deus proverá!
Acredito que as coisas acontecerão, no ritmo e do jeito que Deus desejar.
Tenhamos Fé e Esperança na Providência Divina.
Abraços
Quero participar pelo movimento contra a banalização tradicional.
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHHAHAHA
fantástica conclusão.
Prezado Pedro, Salve Maria,
Ponto 1:
Seu texto porderia ser reduzido a uma frase apenas:
"Eu, Pedro, determino e/ou conheço a forma e velocidade pelas quais os adeptos da Tradição devem cobrar soluções para a crise da Igreja."
Parabéns! É sua opinião, tem o direito de mantê-la.
Veja uma afirmação minha:
Penso que se não fosse a Tradição, só ouviríamos falar da Missa Tridentina daqui há uns 1.752 anos, e isto, com muita sorte.
A sua afirmação é tão subjetiva quanto a minha. Nem você, nem eu temos como determinar a forma de cobrar de Roma, as soluções para a Crise.
Pela sua lógica, Jesus jamais teria destruído o comércio que os vendilhões do templo realizavam. Pelo contrário, ele deveria se por a rezar e deixar isto por conta da hierarquia da época. Você acha que Jesus foi muito radical ou truculento?
Ponto 2:
Pedro, gostaria de expor uma pergunta que lancei em vários blogs, mas ainda não obtive reposta:
Veja o texto abaixo, da UR, do CV II:
“Por isso, as Igrejas (19) e Comunidades separadas, embora creiamos que tenham defeitos, de forma alguma estão despojadas de sentido e de significação no mistério da salvação. Pois o Espírito de Cristo não recusa servir-se delas como de meios de salvação cuja virtude deriva da própria plenitude de graça e verdade confiada à Igreja católica.”
O que significa “de forma alguma estão despojadas de sentido e de significação no mistério da salvação. Pois o Espírito de Cristo não recusa servir-se delas como de meios de salvação” ?
Eu entendo muito bem o que está escrito, ou seja: O Espírito de Cristo pode se utilizar delas como meio de salvação. ESTÁ ESCRITO.
E meio de salvação “meia-boca”, porque diz também: “embora creiamos que tenham defeitos”.
E qual era o ensinamento anterior: “Fora da Igreja não há salvação” (exceto por ignorância invencível, que não cabe a mim julgar). Entretanto, ao que parece, a partir do CV II já tornou-se possível um cristão não-católico salvar-se, mesmo não estando em ignorância invencível.
Você concorda com este trecho da UR, do CV II?
a) Se sim, você concorda, que a FSSPX (Tradição) também salva?
b) Se você não concorda, não acha que está se recusando a aceitar ensinamento do CV II?
Entretanto, se você se recusa a aceitar ensinamentos do CV II, estará curiosamente na mesma situação dos bispos da FSSPX, pois o que falta para eles estarem na chamada “plena comunhão” com Roma é justamente a aceitação do CV II.
PS: veja no link abaixo:
http://fratresinunum.com/2010/07/15/o-juizo-de-monsenhor-brunero-gherardini-sobre-o-debate-teologico-entre-tradicao-e-o-concilio-vaticano-ii/
Um abraço.
Atenciosamente.
Francisco.
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