terça-feira, 12 de março de 2013

Uma Igreja amada e odiada pela mídia

A mass media, com o seu afã anticlerical, busca com toda força atacar a Igreja nesses dias que se aproximam. Em algumas situações os casos são mais óbvios, como o da Rede Record e sua instrumentalizada programação ligada à IURD, outros nem tanto, como o da Rede Globo que parece ser uma síntese entre a ignorância, má fé e até boa vontade. Contudo, é patente a preguiça em se aprofundar em temas ligados à Igreja e o uso indiscriminado de uma lógica extremamente obscura para julgar o clero católico.

No processo lógico de conhecimento nem toda a conclusão do método indutivo é verdadeira.  No caso atual parte-se de uma afirmação particular, a respeito dos escândalos de pedofilia envolvendo alguns sacerdotes, e se chega à “conclusão” de que a Igreja é pedófila. Isso é tão absurdo como dizer que já que existem algumas mulheres que praticam a prostituição, todas as mulheres são prostitutas, quase como se a lascívia moral fosse uma condição sine qua non da própria feminilidade. 

Obviamente nem é necessário afirmar que ambos os argumentos são absurdos. Contudo, aceitar o primeiro é ratificar uma “lógica” que torna o segundo também válido. Entretanto, quando o assunto é a Igreja muitas vezes padrões de pensamentos preconceituosos e irracionais são adotados. Ainda é possível dizer que por mais que os maiores índices de pedofilia se encontrem entre pais/parentes isso não transforma a instituição familiar em uma instituição pedófila. É necessária tal compreensão para se livrar da tendência ordinária a absorver indiscriminadamente qualquer conteúdo vinculado pela mass media.

Existe, contudo, uma crise? Certamente, mas que não se compara com outros eventos pelos quais a Igreja já passou, tais como o arianismo, as invasões bárbaras, a reforma protestante, a revolução francesa, as invasões napoleônicas etc. Querer transformar o contexto atual no grande desafio do catolicismo é desconhecer completamente a história. Porém, e aí entram os meios de comunicação, a famigerada crise atual foi sequestrada pela modernidade. Explico-me. A Igreja é atualmente a única voz que destoa da massificação cultural contemporânea. Isso engloba a adoção das demandas liberais, como aborto, eutanásia, casamento homossexual etc. Destarte, a mass media pretende, por um lado, escancarar uma pretensa hipocrisia por parte da instituição eclesiástica e, por outro lado, reforçar, com o apoio popular, o coro em defesa da adaptação da Igreja aos tempos atuais.

Entretanto, não faz o mínimo sentido o mesmo mundo que se regozija com o seu laicismo e secularismo gastar horas comentando, veiculando, refletindo, criticando e odiando a renúncia de um ancião e o encontro de cento e quinze homens vestidos de vermelho para eleger um líder. Isso, na lógica “moderna”, soaria muito mais como um conto dos Irmãos Grimm. Contudo, essa atenção quase doentia pelos atos da Igreja demonstra, primeiramente, o reconhecimento da força do catolicismo na defesa de princípios e valores universais, e, em segundo lugar, mas não por último, o fascínio que a Igreja Católica causa em todos os homens, quase como se fossem as ovelhas perdidas que, já muito longe, ouvem o grito do Pastor que as procura.