Diego Ferracini e Pedro Ravazzano
Todo ser humano que embarca no desafio da fé
terá que, diversas vezes, decidir por qual direção caminhar tendo que escolher não entre
algo bom e ruim, mas, isto sim, entre algo bom e algo melhor ainda. A
existência humana, quando iluminada pela luz da fé, passa a ter horizontes mais
largos, sente a realidade divina palpitante entre cada nova decisão, o pulsar celeste
de um "Non praevalebunt!".
A decisão de Joseph Ratzinger que calou o
mundo de forma singela é um exemplo claro disso. Este homem que na plena posse
de si não abandona a Barca de Pedro, mas a lança mais adiante com seu exemplo.
Bento XVI no Annus Fidei, proclamado de forma jubilosa por ele mesmo, dá na mais
radical concretude da fé um exemplo que acaba de entrar para a história. O
exemplo de que o Papa não confia em si mesmo, mas no dono da Barca.
Bento XVI, como um Cooperador da Verdade, foi
– e é – um homem atento aos desafios apresentados pela modernidade. Em meio a
um mundo dominado pela dúvida e cada vez mais distante do seu Criador, o Papa
teve a coragem, e porque não dizer audácia, de reafirmar a força da crença, da
fé. Talvez a sua posição incomodasse aos sequazes do espírito liberal. Bento
XVI enfrentava as dificuldades da realidade moderna com a mesma serenidade com
que portava um turíbulo durante a liturgia.
A Verdade impõe a si mesmo. Bento XVI sabia
disso e, portanto, jamais precisou apelar para a paixão retórica. Os seus
discursos, pronunciamentos e homilias sempre foram marcados pela clareza lógica
e profundidade de conteúdo. Este foi Papa que como
nunca antes na história debateu e dialogou frontalmente com todas as questões apresentadas pelo mundo moderno. Mas, obviamente, sem incidir em concepções
relativistas. Sendo um amante da Verdade, um verdadeiro pensador, foi fiel
àquilo que, como católico, acreditava. Avançou no diálogo com judeus e
muçulmanos, mas sem cair no subjetivismo nada produtivo, ao contrário, fomentou
discussões sérias, encorpadas. O seu pontificado é, simplesmente, o pontificado
da coerência. Pode-se não concordar com o que defendera, mas não se pode negar
a sua fidelidade a tudo que compõe a unidade da fé católica.
O amor à Verdade, o
amor à Igreja - a qual abraçou como esposo fiel e humilde - conduziram Sua
Santidade a esta atitude. Na contemplação deste último ato soberano como
Sucessor de Pedro reconhecemos nossa incapacidade de compreensão. Por mais que
se façam especulações - algumas com reta intenção - o mistério sobre o qual se
funda esta atitude jamais será conhecido.
Um certo santo sentenciou em forma de oração:
Omnes cum Petro ad Jesum per Mariam - Todos com Pedro a Jesus por Maria.
Peçamos ao Divino Espírito Santo que nos conceda a unidade de fé e afeto ao
Sucessor de Pedro, para irmos até o Cristo Ressuscitado pelas mãos maternas de
Maria. A Virgem Santíssima, a quem tantas vezes Bento XVI demonstrou seu amor
filial, seja o porto seguro e de descanso a este Exemplar trabalhador da Vinha
do Senhor.

Um comentário:
Obriado pelo, texto. É realmente muito bom, parabéns!
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