Traduzido do francês por Diego Ferracini
Nascido em 10 de junho de 1874 (um ano e meio depois de Santa Teresinha), filho de Alphonse e Marie Bellière. Sua mãe morreu uma semana após o parto. Maurice foi confiado aos cuidados de sua tia por decisão do pai. Após tal atitude jamais se terá notícias do paradeiro de Alphonse. Antoinette Barthélemy será a responsável por Maurice. Casada com Louis, ela não tem filhos. Sem ser formalmente adotado, Maurice cresceu acreditando ser seu filho. Ela contou a verdade ao menino quando ele completou onze anos. Isso marcou profundamente a personalidade do garoto.
Entrou para o Seminário Maior em 1894, com vinte e um anos e meio, quando começara a se corresponder com o Carmelo. As onze cartas escritas por ele revelam um homem: simples, alegre, aberto e criativo, mas também um tanto inseguro de si mesmo, impetuoso e ingênuo
No Seminário teve como diretor espiritual o Pe. Charles Barry, sulpiciano – reitor do mesmo Seminário. O sacerdote admirava a energia e grande generosidade do seminarista, qualidades igualmente descobertas e admiradas por Teresa. As provações não são capazes de destruir sua confiança em Deus. No verão de 1896 os superiores do Seminário Maior negam seu pedido de tonsura, na época o primeiro passo para o estado religioso. O pedido de ingresso nas Missões Estrangeiras de Paris é igualmente negado. Maurice jamais comentou essa triste sequência de fatos em suas cartas para Teresa, mas é na carmelita que ele encontra uma voz amiga que incentiva e apóia seu desejo de seguir servindo ao Senhor em sua Igreja.
“O Senhor vos fará seguir pelo mesmo caminho que eu”, ela escreve em 21 de junho de 1897. Em 1 de outubro de 1897 é tanto o primeiro dia de Teresa no céu como o primeiro dia de Maurice na África.
Um ano depois da morte de Teresa chega até Maurice “História de uma Alma”, o livro contém as cartas trocadas entre ele e a carmelita, ele transborda de alegria: “Acabei de ler a primeira parte e terminei entre lágrimas, perplexo. Deus está entre aquelas páginas. Eu chorei. Os dois missionários que imploraram aos Céus com orações e lágrimas... Eu era o primeiro dentre eles. Que benção para mim!”
Maurice reza constantemente para Teresa e leva consigo a fotografia que ela lhe enviara como presente: “Eu sei que ela está perto de mim, eu me acostumei a consultá-la antes de tomar uma decisão. Eu digo: Mostre-me o que devo fazer! Seu retrato está sempre diante de mim e muitas vezes me encontro ajoelhado diante dele em oração com fé e confiança.”
Em agosto de 1898 deixou o noviciado de Argel e foi para o Seminário de Cartago.
Recebeu a ordenação sacerdotal e 29 de junho de 1901. Após quatro anos longe de casa, voltou de férias, reencontrou a mãe e passou pelo Carmelo de Lisieux antes de receber sua primeira missão como sacerdote. Primeiramente foi designado como secretário do bispo de Argel, o seu conhecimento do inglês facilitava o contanto com o governo britânico. Entre as atividades do secretariado conheceu Dom Livianhac e Charles de Foucauld – o eremita do Saara. Após um breve tempo na França, Maurice embarca em Marselha no dia 29 de julho de 1902 com 10 companheiros para um uma longa viagem de 67 dias até Dar-es-Salaam às margens da Tanzânia. Marcham durante quinze dias levados de Nyassa até Chiwamba, ponto de encontro de todos os caminhos próximos. Maurice, felizmente, consegue encontrar outros três sacerdotes missionários, mas logo depois é enviado ao norte, para Likuni, com um irmão missionário. Ele fica gravemente doente e é salvo por pouco de uma febre biliosa, como escreverá em novembro de 1903 a um padre amigo: “Não se pergunte de um dia para o outro se receberá um telegrama informando que vosso irmão passou para a outra vida. Eu vivo cada dia somente.” O clima é terrível e os missionários morrem jovens, aproximadamente após seis anos de missão.
Em 22 de outubro de 1905, Maurice deixa Likuni, oito anos após ter chegado na África, enfraquecido pela doença e desanimado pelas incompreensões a seu respeito por parte de um idoso bispo missionário, Dom Dupont que voltara a Likuni em 1904. Voltou para sua pátria sem a autorização dos superiores os quais ordenam que volte para sua missão. A doença o impede. Pediu então exclaustração da Sociedade dos Padres Brancos, voltando para a diocese de Bayeux. Sua saúde física e mental declinou rapidamente. Sofria insônia como conseqüência do tsé-tsé (epidemia grave entre o período de 1896-1906). Esta doença provocava diversos distúrbios neurológicos: agitação, confusão mental, insônia. Em 08 de junho de 1907 é hospitalizado no Bom Salvador de Caen, mesmo hospital onde estivera o pai de Teresa algumas décadas antes. Morreu em 14 de julho de 1907. Acabava de completar 33 anos.

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