Eu fiz o propósito de não assistir às análises feitas pela TV sobre a renúncia de Bento XVI, e estou sendo bem fiel. Entretanto, não posso negar que já presumo todas as baboseiras que são ditas e repetidas exaustivamente. Começa que, repentinamente, todos que até ontem sabiam absolutamente tudo de engenharia e ordenamento urbano - caso da boate Kiss - viraram especialistas em assuntos eclesiásticos. Pululam os pretensos vaticanistas e vaticanólogos que não se dão nem ao trabalho de procurar no google ou no yahoo as respostas para as dúvidas mais pueris a respeito da fé e da dinâmica interna da Igreja.
Temos alguns analistas que acreditam que a renúncia papal afeta o dogma da infalibilidade, outros que fazem o já usual discurso antitético entre o pontificado de João Paulo II e Bento XVI, e aqueles que se juntam ao coro dos defensores de um Papa latino-americano, um Papa moreno, preto, do povo, pensam. 1. Qualquer zapeada pela wikipedia já desmente a total credibilidade das análises que pretenderam diminuir a coesão lógica do dogma da infalibilidade com a saída do Santo Padre. Já no binômio Ratzinger-Wojtyla sobra boa intenção e falta honestidade: 2. João Paulo II, além de não ser o anjo de candura que os progressistas tanto aclamam - até Jean Wyllis o fez sem saber que o Sumo Pontífice polonês chamara o homossexualismo de "um comportamento intrinsecamente mau do ponto de vista moral" - foi o responsável pela ascensão do jovem Cardeal alemão no Vaticano. Ademais, esse papo de papa colorido, representante das nações pobres, esconde, de forma não tão velada, o anseio por um representante da cartilha moderna. Um Papa negro eles pedem, mas não querem os Cardeais africanos como Turkson ou Arinze. Vamos ter que mandar nossos teólogos brancos, latino-americanos e inculturados até a Mama África para ensinar aos negros o que é ser preto.
Além disso, veja como são as coisas, nos deparamos com jornalistas preocupados e profundamente perplexos com a perda de fiéis por parte da Igreja Católica. Nessas horas Globo News vira Canção Nova. A solução para tal queda só se encontraria, miraculosamente, na superação dos desafios apresentados pela modernidade: aborto, uniões homossexuais, eutanásia, política de gênero etc. A aceitação de tais demandas faria com que a Igreja estivesse, primeiramente, em consonância com a sua época e, em seguida, resolveria as dificuldades com a debandada de fiéis. Ora, a Igreja Episcopal, a Igreja Anglicana e as Igrejas Luteranas Nacionais já se abriram aos tempos, adaptadas e adaptando-se ao mundo contemporâneo, em total sintonia como a nova ordem mundial; ordenam periquito e papagaio e só faltam discutir a validade das relações pan-sexuais. Infelizmente, para a tristeza dos nossos sinceros vaticanistas, estão fechando as portas, reduzidas a um mero assistencialismo pragmático, em profunda crise institucional por falta de perspectiva de futuro.
Se a Igreja fosse tão mesquinha como pintam os seus críticos, e caso estivesse desesperadamente atrás de fiéis e caso fizesse algum sentido a associação de causa-efeito entre políticas liberais e aumento de membros, não vejo porque os Papas desde antes não permitiriam o relaxamento moral e sexual. Ora, algo está errado nessa equação! Qual o sentido lógico de se defender princípios que acarretam a diminuição do número de crentes, na leitura dos vaticanistas, ainda mais feita por uma instituição corrupta, ainda na visão dos vaticanálogos? Com uma Igreja tão tomada pela ânsia de poder e com líderes tão permissivos, a promiscuiedade já deveria ter se tornado em dogma faz tempo.
Entretanto, para o escândalo de muitos, e dos bem intencionados vaticanistas, a Igreja está aí, sozinha, na defesa de princípios, valores e verdade que não são agradáveis ao mundo moderno, já tão acostumado com a lascívia moral e lógica. Não faz sentido que existam homens, como Bento XVI, mais comprometidos com aquilo que é eterno do que com as demandas temporais que passam e passarão. No fundo o que eles querem é o óbvio, tornar a Igreja de Cristo como mais uma instituição em frangalhos, sem credibilidade para falar de si e do outro, sem autoridade no anúncio de Jesus Cristo, como a sombra do que um dia foi. Para eles, apenas, "não prevalecerão".

2 comentários:
Finalmente achei a análise adequada para um católico! Isso aqui sim "É Fantástico!". Esse site está cada vez melhor! Parabéns!
Muito bom o texto.
Postar um comentário