Quem assiste ao filme "O Impossível" faz uma
experiência fabulosa daquilo que de mais profundo e belo há no homem. A história
real nos leva a compreender a grandeza da humanidade: a sua capacidade de
abnegação, a sua resiliência diante das adversidades, a força com a qual a
pessoa sai de si mesma e contempla o outro, o reconhecendo como irmão. Ademais,
infelizmente, não podemos negar a existência de homens incapazes de alçar esse
voo, não porque haja alguma imperfeição intrínseca na sua composição, mas
porque não foram educados na formação do olhar diante da realidade.
A sala de cinema estava cheia, muitos olhos vidrados naquela
história real. Entretanto, não sei quantos conseguiram captar a grandeza da
experiência da família. Algums assistiam ao filme como se não passasse de uma aventura ou ação digna dos blockbusters de Hollywood. Outros, não
satisfeitos, davam risadas em cenas dramáticas e que refletiam acontecimentos verídicos. De fato, é motivo de perplexidade perceber como existem homens diante
dos quais os sentimentos do outro são totalmente estranhos. Estes espectadores
não percebiam a respectividade entre as personagens e eles próprios. Os
sentimentos ali representados, experiências reais, eram tão esquisitos e
exóticos como o enredo de um filme de ficção. O homem que não se enxerga no
outro de certa forma perde a sua humanidade: torna-se como o animal incapaz de
se ver no reflexo do espelho.
Entretanto, curiosamente, "O Impossível", com toda
a dramaticidade dos fatos reais, é uma ode ao completo oposto dessa inércia. O nome já é sugestivo. Se levarmos em consideração os
paradigmas modernos de relacionamento, onde a pessoa humana é substituída pelo
indivíduo e suas escolhas, como justificar o total desprendimento e essa
grandeza de espírito que leva alguém a abrir mão da própria segurança em benefício
de desconhecidos? O que leva o homem a atos tão maiores que ele próprio? O
filme nos motiva a identificar a maravilha desse atributo que é o seu modo de
ir além dos limites humanos. De certa forma "O Impossível" nos
induz a reconhecer que tais gestos tornam os homens deuses, na medida em que
experimentam um pouco da forma com que Deus se revela a nós de forma
misericordiosa, compassiva e amorosa.
"As estrelas mortas brilham tanto quanto as estrelas
vivas", e "é impossível saber qual brilho pertence a cada uma
delas", diz uma cena do filme. Os mortos e os vivos nos iluminam da mesma
forma. Para alguns isso seria a "comunidade de almas", isto é, a
tradição moral que é transmitida ao longo dos tempos, a democracia dos mortos.
Entretanto, é mais belo e completo conceber essa fala na linha da comunhão dos
santos, ou seja, a experiência de eternidade na qual estão inseridos os homens
que na terra se sacrificaram pelo próximo e permitiram que aflorasse a maior
vocação dada por Deus.

Um comentário:
Pedro Apóstolo (1Pedro 1.16), na Bíblia, estimula que sejamos santos como o próprio Deus é santo. Isso é maravilhoso, porque não há limites simplesmente mundanos que possam impedir que a resiliência divinamente graciosa ajude o homem a escalar a montanha que conduz os verdadeiros cristãos ao caráter do Criador.
Parabéns pelo artigo e pelo Blog, caro irmão.
Que Deus o abençoe e um feliz 2013 só para a glória de Deus.
JOÃO EMILIANO MARTINS NETO
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