domingo, 16 de outubro de 2011

O cristianismo hoje

Pedro Ravazzano

O mundo atual vive a grave crise do espírito, uma decadência que impossibilita o homem de exprimir aquilo que, de fato, é. Obviamente, a religião é afetada justamente por ser o ápice da vocação transcendental da humanidade, entretanto, todas as marcas características da sua condição também são atingidas. Nesse sentido, o acontecimento cristão, isto é, o conhecimento do homem da sua natureza mais profunda, é o meio pelo qual ele pode alçar os altos vôos do espírito.

A gênese da crise remonta ao Renascimento, passando pela Reforma Protestante e pela luta anti-metafísica da filosofia moderna. A desconstrução da capacidade de conhecimento do homem, atrelado às querelas ontológicas e ao triunfo do indivíduo saído do protestantismo forjaram aquilo que deu forma a muitos dos axiomas da modernidade. Assim, na realidade atual, encontramos homens indiferentes ao transcendente, fechados em si e incapacitados de conhecer. A solidão contemporânea é, então, fruto do vazio interior, do desconhecimento do eu e da impossibilidade de considerar a sua condição radical, totalmente oposta ao amor que fundamenta a relação trinitária e a vivência cristã. Bento XVI, na celebração ecumênica em Erfurt, disse; "A unidade suprema não é solidão duma mónada, mas unidade através do amor. Acreditamos em Deus, no Deus concreto. Acreditamos no facto que Deus nos falou e Se fez um de nós. Dar testemunho deste Deus vivo é a nossa tarefa comum no momento actual."

Nesse sentido, é importante se afastar de dois pólos diametralmente opostos. Por um lado corre-se o risco de cair num certo saudosismo tradicionalista, onde o passado deixa de ser a memória da qual o homem no presente se inspira para se transformar na realidade almejada no hoje. Justamente por se fundamentar no passado, os que assim pensam vivem num constante pessimismo e melancolia já que o pretérito nunca se tornará atual. E, por outro lado, existem os entusiastas do futuro, onde o presente é apenas a ante-sala do que poderá vir a ser e o passado um rascunho mal feito da tão almejada utopia.

Entretanto, o homem deve, partindo da experiência do passado – não só pessoal, mas enquanto homem inserido na história, na cultura, na Civilização – realizar o presente, através da realidade na qual está submergido e, assim, edificar o futuro. Não obstante, encontramos na modernidade “indivíduos” que, omitindo a sua condição vertical, vivem numa constante indiferença e alienação. O cristianismo e a sua perene atualidade e atualização, afinal o mistério de Jesus Cristo se coloca aos homens de todas as eras, abre, justamente, essa dinâmica interna do nosso estado. Assim, possibilita a intimidade com Deus e, como resultado imediato dessa experiência, a relação transformada na história. Como disse o Santo Padre no encontro com os representantes do conselho da Igreja Evangélica da Alemanha; "Naturalmente, a fé deve ser repensada e sobretudo vivida hoje de um modo novo, para se tornar uma realidade que pertença ao presente." Destarte, o cristianismo, nos tempos modernos, fulgura como o único meio pelo qual pode o homem reconhecer o seu reflexo e compreender a mais profunda vocação da sua natureza.

2 comentários:

Anônimo disse...

O Capitão América,
Essa filosofia de "butiquim", que mistura Monfort com Canção Nova, Heidegger com Maritain, top less com maiô-calça, e assim quer encontrar um ponto de "quilíbrio" consegue distinguir com clareza conhaque de alcatrão da catraca de canhão, está de parabéns ... (KaKaKaKaKaKa!!!)

Anônimo disse...

Sinceramente, para ser cristão é preciso ler a bíblia, orar, jejuar e ter ações de graça. Infelizmente, essa cultura do axé, do abadá e do tal do sincretismo aliena as pessoas do verdadeiro cristianismo, fazendo um exército de religiosos que não serve para nada. A religiosidade não tem poder, mas o Espirito Santo nos dá poder!