
Eu até entendo como "natural" a tendência que certas pessoas têm de abraçar com radicalidade posições quando sabem que esta é minoritária e polêmica - numa busca pela distinção - e quando se percebem confrontados. Entretanto, fico embasbacado sempre que me deparo com umas figuras escatológicas no mundo virtual.
Podemos considerar comum aos jovens a tendência a abraçar com paixão e ardor suas idéias. Ainda que seja uma fase, a empolgação inicial é importante na absorção de conhecimento e experiência. Porém, o que tenho visto é um número considerável de pessoas - e não tão jovens assim - que persistem no radicalismo quase ideológico e totalmente passional. Certos tradicionalistas, aqueles que rejeitam o Concílio Vaticano II mas que já gostam de um debate teológico tipicamente pós-conciliar, ao adotarem posturas pueris, como crianças chiliquentas, escancaram o teor sentimental da posição defendida. Criam sua própria lógica e não abrem mão da certeza, por mais balançada que esteja, já que é sobre esta que levantam a torre de marfim na qual apontam para o mundo e fazem afirmações debochadas e penosas. Nesse sentido parecem com meninos birrentos que por mais que reclamemos persistem propositalmente na pirraça.
Não estou aqui fazendo nenhuma reflexão sobre a essência da postura tradicionalista - isso é tema para outra postagem - mas sim a respeito do comportamento de certos seguidores que se arrogam o direito de fazer afirmações totalmente infundadas e absurdamente impensáveis, que entram numa esfera interna, espiritual e pessoal. Esse cenário cria uma figura caricatural que ao deparar-se com críticas ao Santo Ofício passa a reverenciar os instrumentos de tortura medievais, que tenta escrever num aparente português arcaico, que se veste como na década de 50 e chama metade dos amigos de hereges e a outra metade de apóstatas.
O engraçado é saber que esse "mundo mágico tradicionalista" se difunde em milhares de comunidades virtuais compostas por não sei quantos jovens com álbuns com não sei quantas fotos de tudo aquilo que se tornou o símbolo comum do mimetismo "tradicional".
4 comentários:
Caro Pedro,
Seu diagnóstico é triste, mas perfeito. Parabéns. Que Deus tenha piedade de todos nós.
Abraços,
Marcos Grillo
Caríssimo Pedro,
O título do seu post foi certeiro.
Parabéns !
lucas
Prezado Pedro,
Concordo em partes com seu texto. Creio sim, que há um "super-tradicionalismo" permeando a Igreja, e que a maneira como se impõem, nos reapresentam figuras não muito bem lembradas pela nossa Igreja. Porém, em algo temos que concordar com nossos irmãos; Em muitos e muitos lugares, nossa liturgia tornou-se uma bagunça! É fato, relatado (não com estas palavras) pelo próprio Sumo Pontífice. Não se tem mais respeito pelo sagrado. Os altares, tornaram-se rodas de bate-papo antes da missa; as missas, tornaram-se shows; estamos indo para a comunhão com o Senhor, esbaforidos e suados, por um "caloroso" abraço da Paz, quando este momento deveria ser de inteira introspecção e meditação para preparar nosso corpo para receber o Senhor... Tenho trabalhado em alguns pontios para tentar abrir os olhos de algumas pessoas pela instrução amorosa e não pela violência da imposição.
Creio que seja este o erro dos "super-tradicionalistas". Pois se é para voltar " totalmente" às origens da Igreja, que larguem suas vidas, seus computadores e iphones, e vão para o deserto, viver uma vida ascética e eremítica ( o que não seria mal todos fazermos)
caríssimos, creio que o erro não está na questão, mas na maneira com é abordada.
Pax Christi
Concordo plenamente com o Doutrina Católica.
Só quero fazer duas perguntas; Se aquele tempo(idade média) foi tão negativo, porque foi também o tempo dos santos?
Se a igreja daquele tempo era perversa e retrógrada, porque então surgiram tantos santos?
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