sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Anônimo de estimação

Eu assumo que não tenho paciência com os arautos do mundo cor-de-rosa. Numa das minhas publicações aqui no Acarajé eu comentara a respeito da posição de Mãe Stella de Oxóssi contrária ao sincretismo. De fato, é uma postura muito equilibrada e justa. Ademais, o que fundamenta essa crítica da "iyalorixá" é o espírito relativista que nivela e iguala crenças LOGICAMENTE incongruentes. O fato de um protestante me considerar idólatra, de um judeu me chamar de goy ou de um muçulmano acreditar que sou infiel não interfere na certeza da minha fé. Não obstante, no mundo moderno, com todas as suas inseguranças e desesperos hedonistas, é muito mais conveniente criar uma ciranda sentimentalista por mais absurda que seja. Torna-se, então, deveras atrativo negociar a salvação entre todos do que considerar que a Verdade encontra-se numa só religião.

Um Anônimo emitiu um comentário, criticando a minha afirmação a respeito do candomblé - "falsidade essencial da crença afro-brasileira, que não só é mentirosa como de dimensão teológica diminuta"- dizendo:

VC ME DÁ PENA PEDRO...VÁ APRENDER A AMAR MENINO!!!!

Vejamos como se porta o homem moderno; não aceita uma crítica sustentada numa posição coerente e lógica em si. Obviamente, um adepto do candomblé não irá concordar com a minha afirmação, mas ele deve sim concordar com o meu direito em tê-la assim como ele tem o mesmo direito de considerar-me um incrédulo em relação a sua crença, por exemplo. Dizer que eu dou "pena" e que devo aprender a "amar" é o típico apelo sentimentalista que comumente encontramos por aí. Não importa a verdade, os argumentos, a coesão, nada disso, mas sim uma visão pueril da realidade.

É a geração Hello Kitty!

4 comentários:

Menina disse...

PQ vc não diz os motivos pelos quais acha q crença afro-brasileira é falsa, mentirosa e de dimensão teológica diminuta?Talvez assim o anônimo até entenda suas razões...

Pedro Ravazzano disse...

Menina,

Mas isso não entra na questão. Eu tenho os meus motivos para assim acreditar assim como um protestante pode chamar-me de herege e um judeu considerar-me goy. A discussão da publicação na qual o "Anônimo" realizou a "crítica" não tratava de um comentário teológico-apologético, mas sim da sensata posição de Mãe Stella a respeito do sincretismo.

Por mais que um adepto do candomblé não concorde com a minha posição, ele deve sim concordar com a minha liberdade de fazê-la e com a minha coerência ao defendê-la. A questão não é o teor da afirmação, mas sim o princípio que a legitima.

Menina disse...

"Por mais que um adepto do candomblé não concorde com a minha posição, ele deve sim concordar com a minha liberdade de fazê-la e com a minha coerência ao defendê-la. A questão não é o teor da afirmação, mas sim o princípio que a legitima"

E o anônimo tb não tem direito de discordar da sua opnião sobre o candomblé?
Vc deveria estudar melhor as religiões afrodescendentes, elas são refinadissimas..
Além disso vc não argumentou muito sobre a opnião de stella...o principio legitimador do seu argumento nao foi devidamente explorado, deixando margem para tais comentários, portanto.

Pedro Ravazzano disse...

Anônimo 2,

Claro que o Anônimo 1 pode discordar da minha opinião, mas a questão da publicação não foi a abordagem da problemática teológica do candomblé - não use o termo "afrodescendente" porque é um desrespeito com a diversidade cultural de um vasto continente chamado África.

O interessante dessa situação é justamente o espírito relativista. Eu não concordo com o sincretismo e a equiparação de crenças, e ao que tudo parece Mãe Stella também. E assim como respaldado sobre todo esse arcabouço posso considerar o candomblé, que é o caso em questão, como uma falsa crença, o inverso também é legítimo e, justamente por isso, não posso me dar o direito de incomodar-me. Não obstante, o nosso Anônimo 1, relativisticamente revoltado, me acusou de "não-amor" apenas por ter feito um comentário que, por coerência comigo mesmo, deveria fazer.