sábado, 21 de fevereiro de 2009

O Caminho da Conversão – Parte III: A mulher faz o homem

Por Vladimir Lachance

É sempre difícil começar um texto, ainda mais difícil quando se pretende escrever sobre um assunto que lhe é próximo. Parece que é o tipo de artigo mais fácil de escrever, mas a verdade é que é o contrário. Quanto mais próximo mais difícil de distinguir os contornos do que se quer tratar. Sinto que este texto pode ser considerado como parte de um conjunto, um fragmento que só encontra o sentido completo quando encaixado a outros fragmentos. Ainda não existe a parte II deste conjunto de textos, mas logo será escrito e completará o quadro. Por enquanto os leitores ficarão com este texto, que é uma homenagem à mulher que me fez. Não a que me gerou, ser humano, que me colocou no mundo, mas a que me fez filho adotivo de Deus, que me trouxe a luz de nosso Senhor Jesus Cristo, e deu verdadeiro sentido à minha vida.

Eu estava em tempos de relativismo quando a conheci, Luciana Lachance; vivia numa plena incerteza de tudo, numa perfeita ignorância que imaginava ser o caminho correto para conhecer o mundo. Achava que quanto mais duvidasse mais perto da verdade estaria, pois me parecia que por trás de todas as coisas tinha uma outra realidade que era suja e perversa, mas que não queria se revelar diretamente. Certas idéias para mim eram absolutas, como fórmulas universais que serviam para interpretar qualquer texto, filme, reportagem, etc. Nunca me considerei comunista, tinha certa ojeriza pela figura do velho Marx, aquele homem barbudo de cara enfezada, mas ainda assim tinha uma pequena simpatia por suas críticas da sociedade burguesa. Me sentia mais próximo das idéias anarquistas – hoje penso que não tanto por uma questão de afinidade pessoal, mas porque o comunismo vermelho mesmo, com foice, martelo e boina, já não convencia muito bem. As leituras mais comuns nessa época eram de textos de alguns autores menos conhecidos como Naomi Wolf e Hakim Bey. O que constava principalmente era a leitura dos zines: pequenas brochuras, que normalmente tem menos de cinqüenta páginas; os mais lidos eram textos de grupos ativistas, sobre veganismo, anarquismo, feminismo. Eram nesses textos que me baseava para entender o mundo, para fazer a minha “crítica” da sociedade. É engraçado lembrar que nesse período eu não duvidava em absolutamente nada desses textos – exatamente porque eles me pediam para duvidar de outros textos e idéias, desviando minha atenção para os sofismas absurdos que eles mesmos apresentavam (o relativismo só pode ser utilizado como mecanismo de análise em relação àquilo que você já desconfia, as outras coisas podem continuar absolutas). Era esta a atmosfera em que eu estava envolvido na época, numa confusão geral de idéias, e completando o quadro vivia uma mistura de ateísmo e panteísmo.

Luciana surgiu nesta época, e simplesmente, pela sua presença, me transformou. Certas idéias mudaram de maneira radical; não por ela dizer: “isso é errado”, ou “isso é certo”, mas pelo que trazia consigo, pelo tesouro acumulado no coração. Ela me perguntou: “o que você pensa em relação ao aborto?”. Eu acreditava que era um direito da mulher, que ninguém deveria se intrometer nisto. E foi mais ou menos isso que respondi. Foi quando ela, com apenas quatro palavras, me sacudiu por inteiro, e me mudou completamente. Ela disse: “eu ia ser abortada”. Não houve dúvida: eu passei a repugnar a idéia do aborto. Algumas pessoas podem alegar que essa foi uma decisão extremamente passional, e que eu a tomei para agradar a Luciana, mas a tomei não para meramente agradar, mas por amá-la – e só quem passou por isto pode entender do que se trata. Uma pessoa pode mudar a vida de alguém, ou mesmo o mundo. Quantas pessoas deixaram de existir, e fazer parte da sua vida, (ou precisamente aquelas que mudariam tudo), por terem sido abortadas? Essa é uma questão razoável a ser colocada, mas que muitos encaram com profundo desprezo. E a esses eu respondo, com toda a certeza: Luciana mudou a minha vida, e se ela não existisse eu poderia demorar muito para conhecer a verdade, o amor, Deus.

Ela agora é minha noiva, e foi o meu divisor de águas. Um dia eu fui um adolescente, arrogante, que não suportava os mais velhos e rechaçava os mais novos; agora eu volto a ser criança e começo a ser adulto. Um dia fui um ateu que entoava hinos anti-cristãos, inconformado com o sofrimento no mundo; hoje sou um recém convertido, um catecúmeno, um filho de Deus. Não meus amigos, eu não fui doutrinado como vocês imaginam. Eu fui amado. Éramos dois quando nos conhecemos, e agora estamos muito perto de ser um. Um só corpo e um só espírito. Ela não me trouxe cartilhas – como alguns podem pensar – de como ser um cristão, um conservador, um namorado; nada disso. Aprendemos tudo juntos. Ela me ensinou os primeiros passos do amor a Deus, mas depois continuamos a caminhada juntos.

O que escrevo hoje é difícil de explicar, pois o amor nunca precisou ser defendido. O mundo moderno perverteu as relações entre as pessoas, mesmo aquelas que se gostam, e por isso este texto pode não ser muito bem entendido. Hoje, é muito difícil conceber um relacionamento em que as pessoas realmente queiram se doar à outra, que queiram ser um com o outro. Elas imaginam que fazendo tal coisa estarão sendo submissas, subservientes: as mulheres, em grande parte, infectadas pela ideologia feminista, e os homens perdidos num misto de feminismo e permissividade. Mas eu me atrevo a dizer: não há nada melhor que querer ser um com quem se ama. Não no sentido de ter um pensamento idêntico, de gostar das mesmas comidas, de se vestir combinando. Não é nada disso. Mas de ser unido, da forma correta, como a Igreja Católica me ensinou: a unidade na diversidade. Nós não queremos ser radicalmente iguais, mas também abominamos a idéia de ser completamente diferentes. Há um equilíbrio, que não me cabe demonstrar por meio de palavras, que é exatamente o necessário para que um amor dê bons frutos, se tornando puro e sublime. É esse amor que devemos buscar, o amor que nos dá idéia do Eterno, que nos faz pensar como seria o amor no Reino dos Céus. Esse amor Luciana me deu.
Eu te amo meu amor. Este texto é para você. Fica com Deus e que nosso Senhor Jesus Cristo te dê muitas graças.

7 comentários:

R. B. Canônico disse...

Amigos, voês foram contemplados com o selo Blog de Ouro: http://minhavereda.blogspot.com/2009/02/blog-de-ouro.html

Um grande abraço!

Fabrício Oliveira Soares disse...

Vladimir, é muito bonito o seu depoimento, gostei muito! Eu quase sofri um aborto espontâneo, também tenho sorte de estar aqui. Muitas felicidades pra vc e Luciana, que tiveram a grande sorte de poder se encontrar! E realmente escrever é às vezes bem difícil, mas estou no aguardo de sua conclusão, e procurarei publicar logo meus artigos!
Olá, R.B. Canônico, obrigado, é uma honra para nós!
Abraços

Luciana Lachance disse...

TE AMO.
Sem mais.

e é para sempre!!!!!!!

Andrea disse...

Que lindo! :)))

Que Nosso Senhor Jesus Cristo abençoe a união de vocês!

Vladimir Lachance disse...

Obrigado a todos pelos comentários!
Fabrício, Andrea, Rodolfo, e eu amor, Luciana!

Que Nosso Senhor Jesus Cristo salve-nos a nós todos!

Eduardo Araújo disse...

Caro Vladimir,

Está meio extemporâneo, mas aindo estou "galgando" neste fantástico blog de você e somente agora atentei para este seu depoimento. Emocionei-me ao lê-lo e não poderia deixar passar tal sensação em branco, por isso aqui estou , extemporâneo, mas parabenizando-o pelo belíssimo exemplo de vida que você e a Luciana ilustram, nos seus textos e nos dos demais que escrevem neste espaço.

Abraços!

Eduardo Araújo disse...

Opa! Pequena correção:

"... neste fantástico blog de vocêS ..."

Desculpem-me o erro.

Abraços