Poucas vezes eu desbravei o terreno da política partidária brasileira. Além de ser uma temática que faz aflorar os mais bizarros sentimentos humanos, é uma discussão nada frutífera. Todos os debates sobre a realidade política nacional são sustentados sobre dezenas de dados estatísticos e análises de conjuntura, mas que em nada refletem sobre as bases conceituais daquilo que norteia as concepções da filosofia política. Por isso que todas essas discussões incidem num pragmatismo diabólico. Entretanto, com as prisões dos mensaleiros petistas eu me vi diante de reações bastante sintomáticas, refletindo de modo pujante a insanidade própria que marca a (i)lógica esquerdista.
No mesmo dia em que o Brasil recordava a Proclamação da República, os brasileiros assistiram as prisões dos mensaleiros. Enquanto isso, a Presidente Dilma estava muito ocupada discursando no congresso do PCdoB. José Dirceu e José Genoíno, lançando mão de toda a falaciosa "Novilíngua" petista, onde "democracia", "justiça" e "ordem" são conceitos esvaziados de sentido, revelam o teor obsceno da consciência da esquerda: eles são vítimas de um tribunal de exceção, eles são presos políticos. Os militantes petistas protestam nas redes sociais! O PT está sendo alvo de sistemática perseguição anti-democrática.
Até então nada de absurdamente anormal. É um tanto óbvio que o Partido dos Trabalhadores, que tão veementemente negou a existência do mensalão, continuasse a se comportar- imoralmente - da mesma forma. O que se destacou nas reações de protesto contra as prisões foi o modo explícito com o qual a esquerda revelou a sua verdadeira essência, isto é, um projeto de poder que se fundamenta em parâmetros totalitários.
Escondido sob uma aparente perplexidade democrática, os petistas alegavam que o Supremo Tribunal Federal era um tribunal de exceção, que o Estado Democrático de Direito não mais vigorava em nossa nação e que as liberdades foram tolhidas. Contudo, ao mesmo tempo, a Presidente Dilma, no congresso do PCdoB, discursava ao lado de uma imensa imagem de Lênin, o pai do bolchevismo genocida, e centenas de petistas, nas redes sociais, invocavam as imagens de Karl Marx e Che Guevara como intercessores morais para os seus companheiros agora presos.
Ora, reclamar da falta de democracia enquanto acende vela para bolcheviques? Espernear que o STF é tribunal de exceção enquanto a Presidente Dilma, sem nenhum pudor moral, discursa sob o olhar atento do pai da genocida URSS com a sua justiça dos Gulags? Alegar que não houve liberdade de defesa ao mesmo tempo em que se invoca as figuras horrendas da ditadura cubana que fizeram do paredão de fuzilamento a sua corte de apelação? A esquerda revela o quanto seriamente entende esses conceitos que são tão caros para a sustentação de um regime de paz.
Destarte, sob os protestos e chororôs, os petistas, ao mesmo tempo em que criticaram a democracia brasileira por não ser democrática, igualaram os seus heróis, Dirceus e Genoínos, aos mais cruéis genocidas totalitários da história da humanidade. Qualquer pessoa com um mínimo de decência moral reconhece a gravidade de tal feito, seja pela hipocrisia gramsciana, como também pelo fetichismo sado-masoquista de ter como santos de devoção assassinos, carniceiros e corruptos.

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