domingo, 10 de junho de 2012

A UFBA e a sua eterna paixão pela esquerda


A UFBA, como boa parte das UFs, já se tornou num circo anárquico onde não há mais uso da racionalidade. Tive a curiosidade de ler a carta aberta escrita pelos estudantes reunidos em Assembleia Geral. Tirando o fato de me perder diversas vezes por conta da multiplicidade de palavras dignas da novilíngua orweliana e das construções frasais inclusivistas - pelos/pelas, dos/das etc, o fato é que o pandemônio está mais do que estabelecido. Se uma educação livre, como pensava o poeta T.S Eliot, era destinada a responder às perguntas últimas do homem, a educação moderna tem como grande pretensão a reformulação da própria humanidade.

A UFBA, esta que um dia foi a minha Universidade, vive uma relação fetichista com o que de mesquinho há na mentalidade esquerdista. Não só as diversas facções socialistas combatem entre si, desde petistas das não sei quantas tendências até marxianos sociais-democratas, como pretendem construir o cenário dialético como se realmente existissem forças obscuras do capitalismo-burguês-conservador na espreita. Entretanto, não só vivemos num estado que segue a cartilha petista, mas estudamos numa Universidade onde o princípio da educação liberal é totalmente preterido pelos ditames da educação de inclusão ou da educação para todos.

A carta escrita pelos estudantes em Assembleia, isto é, alguns poucos militantes engajados e mais preocupados com a politicagem do que com a reflexão, é uma amostra do alto grau da doença esquerdista que assola as mentes da juventude brasileira. Os paradigmas estão tão tomados de totalitarismo e delírios de poder que eles sequer sabem diferenciar reivindicações honestas de motivações partidárias. Obviamente a Universidade deve ser um espaço de discussão e é mais do que saudável que haja posições destoantes. Não obstante, o pensamento socialista não concebe a possibilidade de conviver com posições diversas, nem mesmo diversas dentro do espectro socialista. O ódio, o argumentum ad hominem e a agressão se tornam nas pontas da lança da incursão pelo poder.

A carta é a síntese do delírio. Vai desde a abertura para o uso dos "nomes sociais" dos/das/de/ travestis e transformistas - afinal Samanthas e Kymberlhys têm seus direitos - até as velhas críticas contra a privatização da Universidade, em oposição às fundações privadas parceiras de algumas faculdades - não ironicamente são estas as mais eficientes e capazes na formação dos seus estudantes. Todavia, como a Universidade moderna é tudo menos lugar de produção de saber, é compreensível que esta instituição se encontre totalmente tolhida em sua real vocação.

O nosso estado totalitário - porque começar com letra maiúscula só Deus! - tem como grande projeto o controle da educação, pela qual poderia criar uma cultura de massa pensada e mantida pelo governo. Entretanto, a educação na concepção clássica é muito mais um “treino da mente” e uma “disciplina intelectual” do que um mero projeto estatal de finalidade utilitarista. O utilitarismo educacional destrói a verdadeira cultura, reduz a reflexão ao aspecto prático, material e com o sonho igualitarista arrasa com a diversidade tão fundamental para a nossa civilização.

O maior perigo dessa modelo de Universidade é a onipotência do coletivo em total oposição à liberdade individual. A padronização da educação só se torna possível através do reconhecimento da capacidade do governo de gerir o grande pressuposto que alicerça este paradigma; a igualdade de oportunidade. Tendo como chave a “consciência social”, o estado transfere para si a responsabilidade, até então própria do sujeito, de responder à vocação de cada homem. Assim, em nome de um ideal de sociedade abstrato e rarefeito, justifica-se a transformação da educação na mais ineficiente fábrica de tediosos cidadãos.

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