De vez em quando eu apelo para mortificação pesada; fico vendo os debates que passam na TVE. O negócio ali é duríssimo. Acho que só para entrar no estúdio você precisa mostrar carteira de filiação sindical/partidária e/ou aparecer vestido como iorubá do séc. XIX. Ontem, passeando pela TV, me deparei com uma discussão aparentemente inocente; a pesca com bomba. Mas não é que tive uma grata surpresa?A novilíngua esquerdista estava presente firme e forte. Um senhor começou a fazer referência aos "povos tradicionais", numa clara - e velha - visão dialética, alegando que estes mantinham os costumes e formas pacíficas de pesca pois estavam em sintonia com o Meio Ambiente, enfim, aquela divinização já costumeira. Depois, obviamente, começou a alegar que os invasores, estes sim, trouxeram a pesca com bomba. Que os portugueses faziam isso nos rios, na Baía de Todos os Santos e não sei lá mais onde. Eu tive um ataque de risos! Meu Deus! Nem mesma pesca com bomba - que eu também me oponho - passa ilesa? Ideologizam absolutamente tudo.
O mesmo senhor apareceu com uma proposta de criação de zonas especiais pelo Estado, sempre o Estado, para zelar pelos povos tradicionais e pesca artesanal. Não entendi nada muito bem, e talvez tenha sido essa intenção desse senhor.
Mas fiquei curioso; os pescadores que vivem na Ilha de Itaparica, que eu sempre via praticando pesca com bomba, se enquadram onde? Seriam eles membros dos povos tradicionais - o que seriam povos tradicionais? Se portugueses são "estrangeiros" os negros também devem ser, espero - ou herdeiros dos opressores e destruidores da vida marinha dominada por estruturas de alienação?
Um comentário:
Pobres peixinhos! Espero que defendam também o direito de trabalho dos bonecos birutas e dos manequins de loja!
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