Não sei vocês, mas eu sempre fico perplexo quando vejo, mesmo que seja pela TV, Missas que mais parecem ensaios de Carnaval. Infelizmente, o problema litúrgico atual é uma bola de neve; Sacerdotes mal formados - ou deformados - transmitem os seus erros aos fiéis. Obviamente, tudo começa numa mentalidade revolucionária, de origem relativista e individualista. Explico-me. O relativismo surge sempre que pretendem modificar e transformar a doutrina da Igreja tendo como propósito a adaptação ao mundo, num rebaixamento completo da Revelação; nada é perene e tudo é relativo. Do mesmo modo, a Tradição é atacada, vista como exageros medievais que impedem o acesso do povo aos modos mais comunitários da fé - usei aqui a novilíngua politicamente correta. Já o individualismo, que se une ao relativismo, incita a supervalorizarão do ego, dos prazeres individuais; a Missa tem que ser como EU gosto, a doutrina só é boa quando EU aceito, o Papa só é Papa se EU, assim, o considero.
Não precisa ser um grande gênio para concluir o resultado do individualismo-relativismo na Igreja; fiéis que não ligam para os ensinamentos Magisteriais, outros que pouco se importam com o significado mais profundo da Liturgia etc. Nesse ponto quero frisar a lastimosa contradição entre a fé e a sua prática junto aos muitos católicos que compactuam - direta ou indiretamente - com a revolução. A fé é confirmada e fortalecida através da correta externalização, por meio de atos de adoração, contemplação, piedade, reverência. Por exemplo, nós cremos na Presença Real e, por isso, a Eucaristia é adorada e honrada com grandes e gloriosos gestos. Entretanto, infelizmente, hoje configuramos um atrito muito maléfico que, de fato, destrói a fé. Teoricamente alguns católicos professam a crença na Eucaristia quando, na prática, a tratam como se fosse um simples pedaço de pão. Recordo-me da Missa de Primeira Comunhão que assisti; as crianças passaram dias tendo aulas de catequese onde o Santíssimo Sacramento era louvado e glorificado, não obstante, na Celebração Eucarística, no momento onde a teoria das aulas tomaria corpo, o testemunho dos catequistas e do Padre foi o oposto; descaso em toda Missa, barulho, conversa, músicas inapropriadas, desordem, mau gosto, o contrário de tudo aquilo que seria naturalmente lógico para os crentes da Eucaristia.
Infelizmente, esse choque não é apenas uma particularidade, é comum em muitas Missas pelo Brasil e pelo mundo. Até mesmo quando tais fiéis são confrontados com ensinos fidedignos e ortodoxos se colocam em franca oposição, defendendo vigorosamente a algazarra litúrgica e a falta de sobriedade, alegando ser a forma "moderna" de celebrar. Obviamente, estão infectados pela doença revolucionária que impõe falácias como verdades absolutas. Assim, confundem a alegria gloriosa da Santa Missa com a alegria escandalosa do mundo, com gestuais que mais se assemelham a uma festa de Carnaval do que, propriamente, a uma celebração religiosa.
Quero frisar que os argumentos usados na defesa da "aeróbica de Cristo" não tem qualquer fundamento magisterial, tradicional, patrístico, bíblico, histórico e até mesmo sociológico. Vejamos. A Igreja prima pelo desenvolvimento orgânico da Liturgia, isso é um fato inconteste. Entretanto, os arautos da carnavalização litúrgica alegam que as baterias, guitarras e palmas representam a forma jovem e moderna de ser católico. Grande falácia! A Igreja passou 1970 anos rezando com silêncio, sacralidade, piedade para, repentinamente, acordar com um novo olhar e uma nova visão de mundo e da fé?! Não existiu sequer um tempo de transição que justificasse a radical transformação. Muitíssimo ao contrário, passamos dos Padres de batina para os Padres de calça jeans e camisas baby-look, saímos das Missas decorosas para as Missas-afro-sertaneja-crioula-carismática, num processo visivelmente revolucionário, de rompimento integral, propositado e articulado.
O individualismo prático e a fé relativista fazem com que os fiéis, quando confrontados, sequer se sensibilizem. De nada adianta falar que a Missa é Sacrifício, fazer uma abordagem histórica e comparada, mostrando o espírito de sobriedade de outras famílias litúrgicas, citar textos Magisteriais ou fazer uma reflexão meramente lógica. Para eles tudo se resume a uma compressão hedonista e romanceada da fé; me faz bem, me é prazeroso, fico feliz, então pronto. Aqui entra um déficit abissal; a falta da mais básica catequese se une a uma postura mundana que, por não ser combatida por Sacerdotes também infectados, gera a dessacralização da Liturgia.
Não vou aqui me estender falando que a Santa Missa é Sacrifício, que a nossa postura deve ser de silêncio e contemplação, que os grande santos, desde São João Crisóstomo, passando por São Leonardo de Porto Maurício, até o recente São Pio de Pietrelcina, frisam o correto espírito litúrgico, e que dentro da Tradição milenar da Igreja não há precedentes para esse tipo de irreverência. Muita vezes nada disso adianta para despertar os fiéis que transformam a Santa Missa num celebração horizontal.
Quando da Reforma Protestante, as igrejas tomadas pelas propostas luteranas - onde ainda havia a celebração da "Ceia" - iniciaram a desconstrução do rito litúrgico. Com isso, naturalmente, cada paróquia criou uma forma própria e particular de celebrar, com variações diversas, dignas da liberdade descontrolada corada pelos reformistas. Hoje, assim como nas regiões protestantes do séc. XVI, muitas paróquias se tornaram verdadeiras ilhas, com dioceses tendo Missas de todos os gostos; tradicionais, carismáticas, afros, populares, ecumênicas etc, numa feira livre onde o freguês tem sempre razão. Tanto é verdade que, quando alguém critica a Liturgia paroquial, quase sempre é convidado a migrar para uma paróquia que tenha uma Missa que o "agrade" ou que, então, passe a assistir a Liturgia com o Padre Fulano, como se tudo fosse uma questão de escolha. Assim, o rito romano é totalmente descaracterizado e os fiéis se impregnam ainda mais com o seu hedonismo e com o absurdo antropocentrismo "litúrgico". A Celebração passa a ser horizontal, voltada para o povo e não para Deus, e tudo se resume ao prazer gerado, ao sentir-se bem.
De fato, a Igreja deve sim dialogar com o mundo moderno tendo consciência, obviamente, dos males que hoje, através da decadência espiritual, são entronizados como verdades absolutas. Entretanto, a própria modernização interna da Igreja, por meio das necessidades que se colocam e, principalmente, de forma natural, não tem como fim a adaptação da doutrina, sempre professada, ao mundo que, cada vez mais, se escandaliza com a mensagem cristã. Afinal, se a doutrina é verdadeira, no sentido de divina, é perene, já que reflete a imutabilidade de Deus, logo, se esta é modificada é porque quem a transmitiu, Deus, também se modificou, entretanto, Deus não muda, e se muda não é Deus.
Os defensores dos abusos litúrgicos, quer queiram quer não, estão ligados ao pensamento revolucionário, carregando uma alta dose de falácias relativistas e concepções individualistas da fé. A única forma de tratar e corrigir tamanhos erros é se colocando em humilde e devotada obediência a Cristo através da Sua Igreja, afinal foi a ela que Nosso Senhor deu o múnus de apascentar e guiar o Seu rebanho.
"Missa afro"Não precisa ser um grande gênio para concluir o resultado do individualismo-relativismo na Igreja; fiéis que não ligam para os ensinamentos Magisteriais, outros que pouco se importam com o significado mais profundo da Liturgia etc. Nesse ponto quero frisar a lastimosa contradição entre a fé e a sua prática junto aos muitos católicos que compactuam - direta ou indiretamente - com a revolução. A fé é confirmada e fortalecida através da correta externalização, por meio de atos de adoração, contemplação, piedade, reverência. Por exemplo, nós cremos na Presença Real e, por isso, a Eucaristia é adorada e honrada com grandes e gloriosos gestos. Entretanto, infelizmente, hoje configuramos um atrito muito maléfico que, de fato, destrói a fé. Teoricamente alguns católicos professam a crença na Eucaristia quando, na prática, a tratam como se fosse um simples pedaço de pão. Recordo-me da Missa de Primeira Comunhão que assisti; as crianças passaram dias tendo aulas de catequese onde o Santíssimo Sacramento era louvado e glorificado, não obstante, na Celebração Eucarística, no momento onde a teoria das aulas tomaria corpo, o testemunho dos catequistas e do Padre foi o oposto; descaso em toda Missa, barulho, conversa, músicas inapropriadas, desordem, mau gosto, o contrário de tudo aquilo que seria naturalmente lógico para os crentes da Eucaristia.
Infelizmente, esse choque não é apenas uma particularidade, é comum em muitas Missas pelo Brasil e pelo mundo. Até mesmo quando tais fiéis são confrontados com ensinos fidedignos e ortodoxos se colocam em franca oposição, defendendo vigorosamente a algazarra litúrgica e a falta de sobriedade, alegando ser a forma "moderna" de celebrar. Obviamente, estão infectados pela doença revolucionária que impõe falácias como verdades absolutas. Assim, confundem a alegria gloriosa da Santa Missa com a alegria escandalosa do mundo, com gestuais que mais se assemelham a uma festa de Carnaval do que, propriamente, a uma celebração religiosa.
Quero frisar que os argumentos usados na defesa da "aeróbica de Cristo" não tem qualquer fundamento magisterial, tradicional, patrístico, bíblico, histórico e até mesmo sociológico. Vejamos. A Igreja prima pelo desenvolvimento orgânico da Liturgia, isso é um fato inconteste. Entretanto, os arautos da carnavalização litúrgica alegam que as baterias, guitarras e palmas representam a forma jovem e moderna de ser católico. Grande falácia! A Igreja passou 1970 anos rezando com silêncio, sacralidade, piedade para, repentinamente, acordar com um novo olhar e uma nova visão de mundo e da fé?! Não existiu sequer um tempo de transição que justificasse a radical transformação. Muitíssimo ao contrário, passamos dos Padres de batina para os Padres de calça jeans e camisas baby-look, saímos das Missas decorosas para as Missas-afro-sertaneja-crioula-carismática, num processo visivelmente revolucionário, de rompimento integral, propositado e articulado.
O individualismo prático e a fé relativista fazem com que os fiéis, quando confrontados, sequer se sensibilizem. De nada adianta falar que a Missa é Sacrifício, fazer uma abordagem histórica e comparada, mostrando o espírito de sobriedade de outras famílias litúrgicas, citar textos Magisteriais ou fazer uma reflexão meramente lógica. Para eles tudo se resume a uma compressão hedonista e romanceada da fé; me faz bem, me é prazeroso, fico feliz, então pronto. Aqui entra um déficit abissal; a falta da mais básica catequese se une a uma postura mundana que, por não ser combatida por Sacerdotes também infectados, gera a dessacralização da Liturgia.
Não vou aqui me estender falando que a Santa Missa é Sacrifício, que a nossa postura deve ser de silêncio e contemplação, que os grande santos, desde São João Crisóstomo, passando por São Leonardo de Porto Maurício, até o recente São Pio de Pietrelcina, frisam o correto espírito litúrgico, e que dentro da Tradição milenar da Igreja não há precedentes para esse tipo de irreverência. Muita vezes nada disso adianta para despertar os fiéis que transformam a Santa Missa num celebração horizontal.
Quando da Reforma Protestante, as igrejas tomadas pelas propostas luteranas - onde ainda havia a celebração da "Ceia" - iniciaram a desconstrução do rito litúrgico. Com isso, naturalmente, cada paróquia criou uma forma própria e particular de celebrar, com variações diversas, dignas da liberdade descontrolada corada pelos reformistas. Hoje, assim como nas regiões protestantes do séc. XVI, muitas paróquias se tornaram verdadeiras ilhas, com dioceses tendo Missas de todos os gostos; tradicionais, carismáticas, afros, populares, ecumênicas etc, numa feira livre onde o freguês tem sempre razão. Tanto é verdade que, quando alguém critica a Liturgia paroquial, quase sempre é convidado a migrar para uma paróquia que tenha uma Missa que o "agrade" ou que, então, passe a assistir a Liturgia com o Padre Fulano, como se tudo fosse uma questão de escolha. Assim, o rito romano é totalmente descaracterizado e os fiéis se impregnam ainda mais com o seu hedonismo e com o absurdo antropocentrismo "litúrgico". A Celebração passa a ser horizontal, voltada para o povo e não para Deus, e tudo se resume ao prazer gerado, ao sentir-se bem.
De fato, a Igreja deve sim dialogar com o mundo moderno tendo consciência, obviamente, dos males que hoje, através da decadência espiritual, são entronizados como verdades absolutas. Entretanto, a própria modernização interna da Igreja, por meio das necessidades que se colocam e, principalmente, de forma natural, não tem como fim a adaptação da doutrina, sempre professada, ao mundo que, cada vez mais, se escandaliza com a mensagem cristã. Afinal, se a doutrina é verdadeira, no sentido de divina, é perene, já que reflete a imutabilidade de Deus, logo, se esta é modificada é porque quem a transmitiu, Deus, também se modificou, entretanto, Deus não muda, e se muda não é Deus.
Os defensores dos abusos litúrgicos, quer queiram quer não, estão ligados ao pensamento revolucionário, carregando uma alta dose de falácias relativistas e concepções individualistas da fé. A única forma de tratar e corrigir tamanhos erros é se colocando em humilde e devotada obediência a Cristo através da Sua Igreja, afinal foi a ela que Nosso Senhor deu o múnus de apascentar e guiar o Seu rebanho.
"Missa crioula"
"Missa sertaneja"
"Missa carismática"
"Missa libertadora"
"Missa missa ou rito romano celebrado corretamente"
3 comentários:
Pedro, você tocou nos pontos essenciais: relativisto, antropocentrismo, individualismo, egoísmo, modernismo e muitos outros "ismos" que invadiram as comunidades brasileiras nos últimos anos. Resta-nos rezar por uma mudança.
Sobre os vídeos: Missas centradas no homem versus Missa centrada em Deus!
Abraços e fiquem com Deus,
Léo
Em alguns pontos concordo com você, mas vejo que também deve levar em consideração o concílio vaticano segundo e a inculturação. Um forte abraço. Xoffé, rede celebra, núcleo Fortaleza.
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