Luciana Lachance e Vladimir Lachance
***
***
Muitos de vocês já devem ter ouvido esse termo – pró-choice – em discussões diversas, como em questões sobre o aborto, opção sexual, e mais recentemente, no discurso pedófilo de grupos como o NAMBLA, que tentam argumentar o relacionamento criminoso de homens com menores através da suposta escolha da criança no consentimento à violência. Neste último caso, não é necessário partilhar desta ideologia para reproduzir o discurso pró-escolha, uma vez que ele é intrínseco à mente criminosa de quem comete esse tipo específico de violência: praticamente todos os homens e mulheres que abusam sexualmente de crianças as acusam de “provocação”, consentimento e iniciativa. Da mesma maneira, ser pró-choice significa permitir ao outro o caminho da violência - onde a mutilação física e/ou psicológica é desprovida do sentimento de culpa que o indivíduo desenvolve por tomar tal escolha – o que, por extensão, determina que esta escolha jamais favorece duas ou mais vias, mas tem direção e sentido determinados. Isto significa dizer que o discurso sempre privilegia a mulher que faz o aborto, a pessoa que decide ser homossexual, ou a aceitação da sociedade para legalizar as drogas ou a pedofilia. A sociedade faz isso através de leis; o indivíduo relega ao próximo um livre-arbítrio deturpado, baseado na falsa premissa de que a escolha do outro não lhe atinge.
Numa época em que o aluno deficiente é chamado de “portador de necessidades especiais”, o negro de “afro-descendente” e o gay de “homo afetivo”, o termo “pró-choice” serve como eufemismo para suavizar posicionamentos tidos como violentos ou que apresentam resistência para serem assimilados. Tomemos como exemplo a questão do aborto. Embora seja óbvio que existam apenas dois posicionamentos – ou se é contra ou a favor dessa prática – os pró-choice se apresentam como uma terceira via na discussão, uma espécie de caminho conciliador entre as duas posições tradicionais. Reivindicam que cabe apenas às mulheres decidirem se abortam ou não – e embora para muitos a questão se encerre em descriminalizar o aborto, este é apenas o primeiro impulso discursivo – para os países, como o Brasil, em que o aborto é crime. Como a maior parte desse tipo de organização pró-choice abortista se encontra em países em que a prática é legalizada, o grande trabalho dessas pessoas consiste em exportar a ideologia para países de terceiro mundo (onde o argumento da mulher-pobre é sensibilizante e interessa à sociedade que vê na família numerosa das pessoas de baixa renda a maior causa das mazelas sociais) e em oferecer “suporte” para que mulheres de seus países se libertem da culpa ou do trauma que o aborto, invariavelmente, traz consigo.
Dessa forma, fica evidente que não existe um terceiro caminho, mas a adoção de um discurso gradual, que procura resolver por partes a resistência que as pessoas têm aos atos de violência propostos. Num primeiro momento, é primordial que se garanta à mulher o direito ao aborto, para retirá-la da “marginalidade”. No segundo, quando o Estado garante e toda a sociedade financia a prática, esta mulher é persuadida à interromper a gravidez - ou, nos países em que não há restrição alguma, a praticar o infanticídio e autorizar aos médicos que sufoquem ou estrangulem seus bebês (isto é bastante recorrente nos abortos praticados em gestações entre cinco e nove meses). Trata-se da mesma ideologia abortista desde o início - não existe qualquer movimento novo ou uma diferente perspectiva, embora o pró-choice possa ser visto em duas categorias: os moderados e os radicais. Os moderados defendem que a mulher possa escolher o aborto em casos de estupro, risco para a mãe ou para criança; os radicais defendem a escolha pelo aborto em qualquer situação. Uma vez cooptados, os moderados tendem ao radicalismo, pois todo e qualquer problema que a mulher alega torna-se relevante. A idéia não é fazer a sociedade aceitar que uma mulher aparentemente insensível e independente tire o filho por indisposição à maternidade, mas tornar qualquer indisposição à maternidade uma patologia amparada e solucionada pelo aborto.
O aborto, é claro, é apenas um dos pontos que interessam aos movimentos pró-choice dessa categoria. É o ponto principal, sem dúvida, pois é a violência extrema, quando dois corpos (o da mulher e da criança) são violentados; os restos fetais, o útero e o órgão sexual invadido resultam dessa escolha. A violência permitida ao outro – dada e oferecida ao outro como direito – se materializa e se transforma em cada feto abortado, em cada mulher mutilada, em cada criança entregue ao estupro nas discussões de teóricos queer sobre o consentimento do sexo para os inocentes, em cada momento onde o ser humano defeituoso é retirado do útero, com a desculpa de que se trata da saúde do feto. Os outros pontos de interesse envolvem a “saúde reprodutiva” da mulher – aulas de educação sexual para crianças, métodos contraceptivos – todos os que envolvem o controle de natalidade, que por definição é eugênico em sua natureza.
Numa época em que o aluno deficiente é chamado de “portador de necessidades especiais”, o negro de “afro-descendente” e o gay de “homo afetivo”, o termo “pró-choice” serve como eufemismo para suavizar posicionamentos tidos como violentos ou que apresentam resistência para serem assimilados. Tomemos como exemplo a questão do aborto. Embora seja óbvio que existam apenas dois posicionamentos – ou se é contra ou a favor dessa prática – os pró-choice se apresentam como uma terceira via na discussão, uma espécie de caminho conciliador entre as duas posições tradicionais. Reivindicam que cabe apenas às mulheres decidirem se abortam ou não – e embora para muitos a questão se encerre em descriminalizar o aborto, este é apenas o primeiro impulso discursivo – para os países, como o Brasil, em que o aborto é crime. Como a maior parte desse tipo de organização pró-choice abortista se encontra em países em que a prática é legalizada, o grande trabalho dessas pessoas consiste em exportar a ideologia para países de terceiro mundo (onde o argumento da mulher-pobre é sensibilizante e interessa à sociedade que vê na família numerosa das pessoas de baixa renda a maior causa das mazelas sociais) e em oferecer “suporte” para que mulheres de seus países se libertem da culpa ou do trauma que o aborto, invariavelmente, traz consigo.
Dessa forma, fica evidente que não existe um terceiro caminho, mas a adoção de um discurso gradual, que procura resolver por partes a resistência que as pessoas têm aos atos de violência propostos. Num primeiro momento, é primordial que se garanta à mulher o direito ao aborto, para retirá-la da “marginalidade”. No segundo, quando o Estado garante e toda a sociedade financia a prática, esta mulher é persuadida à interromper a gravidez - ou, nos países em que não há restrição alguma, a praticar o infanticídio e autorizar aos médicos que sufoquem ou estrangulem seus bebês (isto é bastante recorrente nos abortos praticados em gestações entre cinco e nove meses). Trata-se da mesma ideologia abortista desde o início - não existe qualquer movimento novo ou uma diferente perspectiva, embora o pró-choice possa ser visto em duas categorias: os moderados e os radicais. Os moderados defendem que a mulher possa escolher o aborto em casos de estupro, risco para a mãe ou para criança; os radicais defendem a escolha pelo aborto em qualquer situação. Uma vez cooptados, os moderados tendem ao radicalismo, pois todo e qualquer problema que a mulher alega torna-se relevante. A idéia não é fazer a sociedade aceitar que uma mulher aparentemente insensível e independente tire o filho por indisposição à maternidade, mas tornar qualquer indisposição à maternidade uma patologia amparada e solucionada pelo aborto.
O aborto, é claro, é apenas um dos pontos que interessam aos movimentos pró-choice dessa categoria. É o ponto principal, sem dúvida, pois é a violência extrema, quando dois corpos (o da mulher e da criança) são violentados; os restos fetais, o útero e o órgão sexual invadido resultam dessa escolha. A violência permitida ao outro – dada e oferecida ao outro como direito – se materializa e se transforma em cada feto abortado, em cada mulher mutilada, em cada criança entregue ao estupro nas discussões de teóricos queer sobre o consentimento do sexo para os inocentes, em cada momento onde o ser humano defeituoso é retirado do útero, com a desculpa de que se trata da saúde do feto. Os outros pontos de interesse envolvem a “saúde reprodutiva” da mulher – aulas de educação sexual para crianças, métodos contraceptivos – todos os que envolvem o controle de natalidade, que por definição é eugênico em sua natureza.
Um comentário:
Olá, Luciana e Vladimir (ôpa, sem nem perceber, fui politicamente correto agora! Hehehe!), eu já tinha lido esse artigo antes, acho que no dia mesmo em que vocês publicaram, mas eu achei necessário relê-lo depois com mais calma, e, de fato, a matéria dele não é tão fácil. Faz mesmo sentido dizer que os "pró-escolha" são na verdade favoráveis ao aborto; há outros pontos interessantes para discussão, nesse pequeno texto que na verdade trata de vários assuntos sob o título "pró-choice", mas por ora eu apenas vos parabenizo por ter tratado deste importante assunto, com a elegância que vocês tiveram.
Abraços
Postar um comentário