terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O fenômeno da carnavalização da vida numa sociedade oca e deformada

Cultura e ordem social
As diferentes sociedades que existiram na história humana tiveram um importante ponto em comum: a demarcação entre a esfera cultural superior, ligada diretamente às elites e à classe sacerdotal, mas na qual participava toda a sociedade, e a esfera cultural inferior, mais popular (o que não quer dizer “ruim”, mas sim que se subordinava a uma hierarquia cultural, e que não raro é mais rica e bela até do que a “cultura superior” de nossos tempos); a primeira tinha o papel de ordenamento do cosmos social, é nela que se situa, por exemplo, os pensamentos agostiniano e tomista, e a elaboração da teoria das três ordens (clero, nobreza e servos) por um bispo medieval, enquanto que na segunda situava-se, por exemplo, o carnaval (na forma como José Rivair Macedo explica no livro “Riso, cultura e sociedade na Idade Média”, muito bom para quem quiser ler sobre a cultura popular do período e entender melhor sobre certos aspectos que procurarei comentar, com bem menor competência, nesse artigo) e determinados tipos de eventos sociais. A representação da subversão era encenada nessas celebrações, mas ela cumpria seu papel dentro da ordem, invertendo papéis temporariamente e mantendo incólume a estruturação cósmica “permanente”- pois essas sociedades conheceram a decadência, por motivos que já julguei serem materiais, depois materiais-culturais e que hoje comento com mais reduzida segurança. Era o caso de uma celebração na qual, por um dia, alguém do povo fazia o papel de rei, sendo executada no final – a explicação que conheci foi: saciava-se o desejo de subversão das pessoas, mas no fim tudo voltava a ser como era antes, conciliando aquele desejo com a necessidade de preservar o status quo.[1]

Nessas sociedades, havia espaço para o deboche, para a zombaria e o maldizer, e religiosos e reis não se julgavam tão superiores a ponto de pretender estar fora do alcance disso (hoje existe uma arrogância inconcebível para aquela época, e por parte de indivíduos muito mais medíocres). Mas existia um elemento concernente à seriedade muito mais poderoso e determinante que hoje. As coisas divinas “podiam” ser consideradas superiores, e ofensas a elas ofendiam as pessoas, que tinham o direito de se ofender, atitude que hoje é considerada “radicalismo” religioso, “intransigência”, “fanatismo” etc. etc. “Mas você não é ateu??”, alguém pode perguntar. Sim, mas isso não me tira a legitimidade para fazer essa crítica.[2] E outra coisa muito importante: eles realmente levavam a morte a sério.

A presença da morte, tratada como uma ausência, e o caráter de nossa época

A humanidade sofre um processo de escandalosa infantilização, alienação, mediocrização[3], aviltamento, rebaixamento, imbecilização e por aí vai. As pessoas evitam encarar a realidade, e criam um mundo de fantasia cor-de-rosa para viver nele. Isso acontece o tempo todo na vida cotidiana, e as pessoas não se dão conta e não se chocam. É o caso do desarmamento compulsivo e de sua restrição exacerbada o mais que se puder. Um adulto (isso, lembrem-se, adulto) de 21 anos não pode ter uma arma de fogo, nem uma pistolinha, nem um revólver; Alexandre Magno comandou legiões aos 15 anos! Isso, aos quin-ze!! E não era um caso excepcional, pois o sujeito era ensinado a ser homem o quanto antes, ao contrário de hoje, em que se é ensinado a o ser o mais tarde possível, ou, se possível, a não o ser até o fim da vida. Um adulto de hoje não vale uma criança de ontem, e é nisso que somos educados: na baixeza, na covardia (quem não aprende espontaneamente pela convivência, é forçado pela ditadura “politicamente correta” a aprender a se acovardar), na imaturidade crônica que toma conta de “adultos” cada vez mais idiotas e que não aprendem a crescer. O caso da morte é significativo.

A morte é uma intimação à responsabilidade, a uma vida com sentido, e os povos tradicionais sempre se pautaram por ela. Os antigos egípcios viviam em função da morte, e procuravam economizar seus recursos para custear uma mumificação – ao menos os que podiam fazê-lo, as classes mais altas, às quais se juntou, posteriormente, um conjunto maior de pessoas capazes de pagar. Era notoriamente uma civilização inspirada pela absorção da morte para a vida do dia a dia, o que não é o mesmo que dizer que eram infelizes. Uma vez teve uma exposição de coisas do Antigo Egito em São Paulo (infelizmente, esses eventos não costumam vir para as bandas de cá...) e li sobre ela numa revista. Eu estava no ginásio, na época, mas lembro de como o comentador destacava o fato de os egípcios serem um povo de mentalidade fúnebre, e festivos, alegres! Apesar do destaque dos egípcios, isso não era muito diferente em outros povos. Era o normal.[4]

Vou abordar mais o nível individual agora, já que acima comentei sobre a relação de uma sociedade com a morte. Assim, poderá ficar mais clara a ligação entre as duas coisas. No Livro I de “A República”, Platão conta sobre os jovens atenienses, que viviam em meio a vícios e diversões, mas que, ao chegarem a certa idade, tornavam-se temerosos, devido à morte que se aproximava. [5] Quando eu era pequeno (antes do período pelo qual eu iniciei aquele meu relato), cheguei a praticar Karatê pela Aiasatsu, e precisávamos estudar uma apostila também. Lá havia um ensinamento bastante intimidador: o karateca deveria pensar mais na morte do que na vida. Isso significa o oposto do estado psicológico que tomou conta de nossa época. Não, não estou querendo ficar neurótico nem deixar alguém nesse estado; apenas chamo a atenção para o fato gravíssimo de que não buscamos aprender a maneira correta de lidar com um dos poucos fatos que podemos dizer que é certo, perfeitamente universal e determinante para a nossa existência, “existência” entendida num sentido pleno e total.

Não se trata de exigir heroísmo de ninguém. Eu me amedronto de vez em quando com esse assunto e, há poucas semanas, quando perdi um ente querido, precisei ligar para Ricardo.[6]

Deve-se acrescentar algo importante. A Contemporaneidade, que não encara a morte como as outras épocas o faziam, é justamente o período que mais concedeu espaço para ideologias tresloucadas tornarem-se referência para o governo dos povos, dando lugar a morticínios sem concorrentes na história da humanidade. Hobsbawn narra, no começo de seu “A era dos extremos” que, no começo do século, a morte de dezenas era um fato chocante e de repercussão internacional, e que nem se imaginava em contabilizar as mortes de civis na escala das centenas. As informações que ele nos dá nessa interessante passagem mostram como a morte de poucos (“poucos”?! É porque estamos no século XXI!O leitor da época analisada por Hobsbawn se chocaria comigo, e com meu caro leitor que provavelmente não se espantou com a palavra) causava mais perplexidade que a morte de milhões (não se contente com o dado, junte dezenas, centenas e assim sucessivamente na sua cabeça até formar o milhão) causa hodiernamente, “em pleno século XXI”, como diz certas pessoas com orgulho, num hoje em que defensores do nacional-socialismo e do socialismo-comunismo procuram melhorar sua situação dizendo que seus regimes não mataram como se diz, que foram alguns milhões a menos... A nossa época é a do totalitarismo – que deixou sua marca indelevelmente até hoje, só a alienação de uma ingenuidade estúpida impede as pessoas de perceberem isso- um tipo de “ordem” que consiste no seguinte: a partir do “partido”-Estado, a vanguarda revolucionária conforma os vários aspectos da sociedade da maneira que lhe pareça conveniente. Hoje, no Ocidente (êpa, é aqui) sua semente tenta germinar da seguinte maneira: a vagabunguarda diz o seguinte:

“__Não se preocupe, Joãozinho (tem mais de 50 anos), vamos cuidar de você; se alguém usar uma palavra que te magoe, conte pra gente cuidar dele. Mas me dê essa arma aí, não, nada disso, quem cuida do bandido – não seja preconceituoso, não use essa expressão fascista, ele é só um excluído pela sociedade, por você também – é o governo (governo como conhecemos + intelectuais esquerdistas). Nós protegeremos você... quê, entrou ladrão aqui, não evitamos nada?, não é assim, você tem de cobrar, não fazer nosso trabalho, nós que temos de cuidar de você e da sua família., me dê essa arma que você pode fazer uma besteira, você pode se machucar... Joãozinho, Joãozinhooo!!! Dê cá essa arma, DÊ LOGO A SUA ARMA, JOÃOZINHO! Isso, assim, e não seja malcriado que a gente coloca você pra sentar no canto, de castigo! Saiba que só queremos seu bem.”

E dá sinais evidentes de que constrói-se progressivamente um estado de coisas no qual o Estado se intrometerá cada vez mais no âmbito particular. Não é só a importante questão da arma; trata-se até de querer controlar o exercício da religião e até da alimentação do sujeito.[7]

Ao mesmo tempo que se constrói essa ditadura sobre o indivíduo comum, movimentos sociais procuram colocar-se acima das leis, e, de fato, é a ideologia (da Esquerda politicamente correta) que vem moldando a aplicação destas; numa época totalitária, ou que se almeja a sê-la, o jurídico, intelectual, religioso etc precisa estar, necessariamente, subordinado ao político.
Apenas lembro que não há vida integral sem a compreensão sobre a morte, e não há civilização sem pessoas capazes de enfrentar essa tarefa. Devemos procurar ficar à altura dela, e não evitá-la. Mas, que faz nossa sociedade moderna, que se julga superior – que piada! – às “arcaicas civilizações antigas”? Só pensa em conforto, em lazer, na cura de doenças, no creme anti-rugas, em prolongar a juventude, no jogo de futebol... É uma sociedade de frivolidades, cada vez mais “politicamente correta”, viciada, burguesa (nada de coro com o vulgar discurso anti-burguês da Esquerda; condeno o aburguesamento que atinge todas as esferas da sociedade, quando a burguesia tem o seu papel correto ao se manter em seu lugar devido, sem pretender substituir o que há de superior a ela, sem pretender substituir o que é aristocrático e merece ter um lugar privilegiado na sociedade civilizada), imoral e tecnicista, que acha que o avanço (ah...o avanço!) da ciência e da técnica resolverá os desafios que se impõem à espécie humana, que são maiores do que a mente viciada e preguiçosa de telespectadores do BBB, Faustão e Fantástico podem imaginar.

Carnaval como mero evento circunstancial, e Carnaval como horizonte da existência, numa época infeliz e alegre

Depois dessa prolongada introdução, posso entrar propriamente no tema que intitula o artigo. O carnaval, festa cujas origens são apontadas na Velho Mundo de séculos atrás, tornou-se a festa brasileira por excelência, que atrai a cada ano muitos turistas, seduzidos também por propagandas libidinosas do nosso país (apesar das campanhas em sentido contrário que autoridades brasileiras procuram fazer há anos, segunda cita o Arcebispo do Rio, D. Eugênio Sales, numa Mensagem em 2004.) É apontada na mídia como a maior festa popular do mundo – esse ano, foram 2 milhões de pessoas no Salvador, onde domina o axé. No do Rio de Janeiro, provavelmente o mais famoso até hoje, mulheres nuas, em grau maior ou menor, requebram ao som do samba. Como eu acho questões morais muito difíceis de se responder, prefiro não julgar se o Carnaval é mau ou bom em si (claro que comemorações como a de Olinda não estão em questionamento aqui), isso é, no espaço reservado para ele. Mas, sem tomar como foco a análise particular e essencial do Carnaval, e, em vez disso, considerando a análise desse evento na manifestação circunstancial que ele tem na sociedade em que vivo, considero: ele cumpre, dentro de um contexto social maior, um firme papel na nossa degeneração moral.

Contarei um episódio para demonstrar um ponto. Uma vez, uma menina de pouca idade, criança, pediu a mãe uma camisinha, para ir ao Carnaval. Apesar do susto da mãe, a filha era inocente: ela viu as propagandas que diziam para ir com camisinhas para o Carnaval ( Pergunto: por quê? Precisa-se delas para pular, para ouvir o som?), e, como ela ia a um Carnaval - não lembro se era festa de escola ou essa coisa selvagem nas ruas mesmo - pediu à mãe a camisinha, pois como garota inteligente que aprende o que os mais velhos ensinam, aprendeu que precisava-se dela para sair nessa festa, como proclama a TV. Li essa história num módulo na época de escola. É uma demonstração de um dos aspectos mais grosseiros do Carnaval: a sexualização instigada, forçada e insuflada pela mídia, pelos artistas, por quem faz a imagem dessa festa. Atentem-se, nada nesses meios (in)culturais reflete simplesmente a demanda da população, antes procuram moldá-la atribuindo-lhe certos contornos e características desejados (por algum sociopata). A revista Catolicismo cita interessante estudo sobre a opinião do brasileiro sobre essa festa (“Maioria dos brasileiros rejeita imoralidade carnavalesca”- http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm/idmat/A279FFD8-D0B7-B67F-B1570335ABF2F3FF/mes/Abril2004 ), segundo a qual ela conta com uma rejeição de 57,4%, índice impressionante para algo tão alardeado aos quatro ventos como coisa maravilhosa e fascinante.










(Com esta, ainda é preciso ir com outra roupa para o Carnaval?)

(Não esqueçam, hein?!)

Nesse ano, o Correio da Bahia informou que a Secretaria da Saúde iria distribuir (a essa altura, está distribuindo) camisinhas e pílulas do dia seguinte durante o Carnaval. É profundamente revoltante esse tipo de notícia. Embora os grupos pró-aborto venham tentando legalizar a prática homicida com muita insistência, o fato é que nossa Justiça entendeu por bem não legalizá-la, entendendo que assim estaria protegendo o direito à vida de todos. Mas essa gente que ocupa os governos pouco se importam com as leis (possuem mentalidade revolucionária, e acham que as leis que não são feitas por eles não possuem nenhum valor), e as desobedecem flagrantemente. As tais pílulas são “substância abortiva”, vedada no juramento de quem se forma em Medicina, e eliminam um embrião, resultado da fecundação do óvulo pelo espermatozóide, que não é nem um nem outro, mas o ser particular que se origina da fecundação. Abusos como esse derivam do hedonismo que o jurista Ives Gandra Martins denuncia quando comenta a questão do aborto no Brasil. As pessoas querem prazer fácil, sem responsabilidade. Acrescento: são adultos infantilizados, que querem se divertir com suas genitálias como uma criança se diverte sem preocupação com seu brinquedo; aliás, essa é uma palavra muito comum nas campanhas da camisinha: se for “brincar”, use camisinha! Se brincar errado, é só eliminar o ser resultante. O Estado garante a sua diversão, a lei sobre vida vem depois.

Mas esse Carnaval é muito mais que uma mera festa que acontece numa semana de fevereiro. Permanece incompleto lembrar das micaretas e dos carnavais fora-de-época que acontecem durante o ano inteiro. O Carnaval tornou-se uma metáfora, algo que representa um sentido para as pessoas. Hoje, são privilegiados os que vivem cada dia, vendo um sentido nele próprio. Uma propaganda que está saindo nessa época é reveladora: mostra o desenho cinzento de uma policial, com expressão de desânimo, e uma frase do tipo: “Durante 364 dias do ano, Fulana é policial”. Ao lado, vem: “Na quarta de Carnaval, ela é Odalisca!”, com a imagem a cor da personagem fantasiada e com a maior expressão de felicidade. Há outras semelhantes, com outras profissões. O interessante de se notar é o seguinte: muitas pessoas suportam, cheias de insatisfação, uma semana de trabalho à espera do fim de semana. E esperam os meses com essa rotina passar para ter um tempo de férias – e tirar férias hoje, já não é algo certo, pois o sujeito pode ter de trabalhar nesse período. Em resumo, as pessoas vivem sem objetivos, esperando um momento de alegria extremamente transitório, ou procurando esse momento sempre que possível, na hora do programa de TV, p.ex, conformando assim, a um sofrimento na mediocridade, alegrias fúteis na mediocridade, que valem meramente como descanso para a próxima estação, mas que não desperta em ninguém a dimensão de sua vida por inteiro. O que o século passado trouxe foi o sabor amargo da tragédia, com o insosso da vida ordinária na sociedade de mercado cada vez mais separada dos elementos supra-temporais da civilização que são a fonte da alegria de existir nesse mundo.

Uma sociedade em que o carnavalesco – não em sentido estrito da festa pré-quaresma, mas no sentido amplo da atitude psicológica e cultural que está presente a todos os momentos em nosso meio – ocupou papel principal, é uma sociedade que realizou a subversão a que me refiro no primeiro parágrafo. Diante disso tudo, as pancadarias que acontecem na avenida são coisa pouca, um sintoma menor (E olhe que essas violências baixas não são pouco revoltantes!). O pior é que a isso se soma os caracteres peculiares do período em que vivemos. Fato muito significativo quanto a isso aconteceu há alguns anos, quando um carnavalesco quis colocar, no desfile de sua escola de samba, um carro alegórico representando o Holocausto, com bonecos representando os judeus mortos, a até com pessoas fantasiadas de nazistas e um Hitler.[8] Entendido simbolicamente, é o ponto de articulação entre os dois aspectos freqüentes de nossos dias de Kaly Yuga[9] que comentei aqui: é a tragédia carnavalizada, a representação da hecatombe humana ao som de samba. Quando não resta nada que se considere digno de veneração e respeito, a dignidade cabe a indivíduos fúteis do show business e às vaidades vãs desse meio, enquanto que a vida num ambiente de superficialidade vira Carnaval e, portanto, a morte também.

[1] Não sou a pessoa mais adequada para fazer essas considerações antropológicas, e lamento os erros que posso estar cometendo, e entendo que possa haver críticas ao esquematismo que uso e exemplos de comunidades que não se encaixam no modelo que apresento. Mas mesmo que seja esse o caso, creio que meu objetivo principal estará a salvo, que é o de defender que existe um tipo de hierarquia cultural que não pode ser invertida, ao menos no Ocidente. René Guénon, explicando o caso da Índia, aponta que essa foi a civilização na qual o pensamento metafísico foi mais estendido, e que, para se ligar à tradição, o hindu precisava dominar esse conhecimento em algum grau, a depender de suas capacidades intelectuais. Tenho esse caso em mente quando pressinto as possíveis limitações do esquema que apresento naquele parágrafo.
[2] Não vou comentar esse ponto aqui, porque é relativo ao assunto de outro artigo, que completará aquele que escrevi parcialmente; por enquanto, apenas veja se consegue enxergar um sentido nisso. Talvez você leia aquele artigo já em posse da resposta.
[3] Desculpem o possível neologismo.
[4] Desde a época de escola que eu tenho uma dificuldade tremenda de entender como alguém acredita de verdade no Carpe Diem no sentido de se esforçar por ser alegre o tempo todo; achava que eu não conseguia entender, hoje vejo que essa idéia é um equívoco, não a do Carpe Diem, que é valiosíssima caso entendida adequadamente, mas a da referida interpretação.
[5] Na verdade, Platão expõe as idéias em forma de diálogo, de forma que essa passagem deve constar da fala de algum interlocutor que participa da história. Mas não estou com o livro em mãos, então, perde-se os detalhes.
[6] Eis uma pessoa que se pode dizer que é fantástica, pois é na dor que se vê de que é capaz o bálsamo, e é na profunda dor que aflige o ser que se vê de que é capaz um bálsamo que se oferece para a alma humana.
A pessoa é minha avó materna; tomara que a morte, essa misteriosa, a tenha na verdade levado para algo bom.
[7] Lembra da listinha de alimentos que teriam a propaganda proibida na GB, incluindo catchup e amendoim, dentre inúmeros outros? Quem acompanha Olavo de Carvalho está familiarizado com essas coisas todas.
[8] (Essa nota eu escrevi para um outro artigo, no qual ataco a retórica dos que empunham a bandeira do Estado laico para defender qualquer barbaridade, mas vejo que ela interessa ao tema presente, por isso publico parte dela aqui, com algumas modificações.) Em janeiro, conheci um caso cuja absurdidade ultrapassou todos os limites que eu havia imaginado até o doloroso momento. Na sala de espera de uma clínica, eu lia uma meteria de uma “Época” velha sobre uma polêmica que aconteceu quando um carnavalesco quis colocar, no desfile de sua escola de samba, o supracitado carro alegórico; uma federação israelita conseguiu vetar esse carro na justiça, e houve quem condenasse isso como censura, e quem ficasse ofendido com a idéia do carnavalesco. Um psiquiatra entrevistado pela revista e um dos defensores de tal carro, comemorou algo equivalente a “no Brasil, o Estado é separado da religião”. Ou seja, numa grave questão envolvendo os sentimentos de tantos judeus, para os quais o Holocausto é fato de memória recente, havendo até no Brasil quem passou por Auschwitz, um super-imbecil consegue fazer um comentário completamente desvinculado do que se discutia, só pelo intuito de atacar gratuitamente a religião.
[9] Para os hindus, último ciclo que precederá a destruição do mundo, caracterizado por todo tipo de absurdidades.

Um comentário:

Edgard Freitas disse...

E não era um caso excepcional, pois o sujeito era ensinado a ser homem o quanto antes, ao contrário de hoje, em que se é ensinado a o ser o mais tarde possível, ou, se possível, a não o ser até o fim da vida.

Perfeito!