Em que medida somos influenciaveis? Quando estudamos o comportamento humano e suas relações com o grupo, essa é uma pergunta que elicia muitos debates. De um lado a noção de que somos senhores plenos de nós mesmos, capazes de medir com precisão cada ação externa que nos desafia e agir diante dela com serenidade e firmeza tal qual nos ensina Aristoteles na sua justa medida. Na outra mão do debate, encontramos a idéia de que somos altamente influenciaveis, e que somos manipulados a todo o tempo ou pelo ambiente (reducionismo externo do behaviorismo) ou por processos inconscientes formatados na nossa primeira infância (reducionismo interno da psicanálise). Sem querer entrar neste debate, ou propor o clichê básico das ciências humanas como solução, qual seja, "é uma relação dialética onde temos certa dose de controle mas somos também influenciáveis", quero apenas refletir sobre umas poucas evidências científicas a luz de alguns acontecimentos recentes. Passado o caso Lindemberg começam agora a surgir casos similares de crimes passionais. A primeira pergunta que surge é: esses casos estão surgindo agora ou a mídia está cavando esses casos, que sempre ocorreram, e aproveitando a onda do caso famoso para fazer reportagens? É possível que assim seja. E, então, me vem a memória as crianças que cairam da janela após o caso Isabela, a série de crianças abandonadas em rios e lagoas anos atrás. Ainda mais recente foi o caso de policiais matando pessoas inocentes em seus carros, foram bem uns três casos em todo Brasil, numa mesma semana... A lista é grande, e pode ser que seja um viés da mídia, adimitamos até, uma coincidência. Mas existe um entrave nesta argumentação. Quando um avião cai, não há como não ser noticiado, a mídia não pode "esconder", nem manipular a divulgação dessas tragédias. E podem reparar que um avião nunca cai sozinho. Um grande tragédia de avião é sempre seguida de outras tragédias, como no caso recente do avião espanhol em Madrid, que foi seguido de outras quedas ao redor do globo. Como explicar? A divulgação de acidentes de avião pode influênciar o desempenho dos pilotos? Em que medida somos senhores absolutos de nossas ações? Existe uma série de estudos em psicologia social, mostrando que nós somos muito mais influenciaveis do que supomos ou gostariamos de ser, como nas famosas estratégias de manipulação utilizadas por vendedores e profissionais da retórica. No entanto ainda sobram muitas interrogações acerca da medida exata das diversas influências á que uma pessoa esta sujeita, sobretudo da mídia. Não estou certificando que divulgação de tragédias pela mídia é pressuposto para tragédias subsequentes, mas a mera possibilidade de que seja, é condição suficiente para que exista uma cobertura mais discreta. Que eufemismo. Essas tragédias são trasmitidas como verdadeiras novelas, jornalismo tornou-se fofoca globalizada. Qual a importância dessas reportagens? E eu com isso?
2 comentários:
Engraçado que eu me fiz essa pergunta quando começaram a surgir esses casos de sequestros passionais, depois de Lindemberg. Muito bom o seu texto. E um desastre de avião nunca vem sozinho... pior é que é.
Realmente é uma questão muito interessante, já parei pra pensar nisso, para alguns casos considero que algumas noticias são evidenciadas mais do que outras, pois coisas parecidas ocorrem o tempo todo, mas a mídia quando decide" valorizar" uma, todas as demais vem a tona, mas para o caso dos aviões, como foi colocado, são fatos que não tem como esconder , é impressionante que quando ocorre um acidente vários outros começam a ocorrer também.
Em alguns casos acredito sim que as pessoas possam ser influenciadas a cometer certos erros já em outros c como acidentes de aviões realmente não sei o q ocorre.....
Sei que eu não suporto mais as manchetes desses jornais que transforma tudo em novela, esse tipo "supervalorização" de tais noticias mexe com certeza com o psicológico de qualquer um...
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