Recomendo aos leitores que tenham calma. O fato de o novo PCB — Partido dos Comentaristas Brasileiros — cantarem a vitória do PT e a derrota do DEM não tem a menor importância. Não tem porque, como a gente vê, o povo, quando quer, insiste em fazer o contrário do que eles prevêem. Lutar contra os fatos é desmoralizar-se. Perguntem-lhes se não trocariam, caso fossem da direção do PT, as seis capitais em que o partido venceu no primeiro turno por uma única onde venceu o DEM. E não foi uma vitória qualquer: o desempenho de Gilberto Kassab na cidade é inédito. Já escrevi aqui e reitero: se mantiver a boa gestão, estamos falando de um novo líder no estado e no Brasil.
Mas o DEM não atrapalhou os planos do PT apenas em São Paulo. Também em Salvador, o apoio do partido foi fundamental para a reeleição do prefeito João Henrique, do PMDB. O ministro Geddel Vieira Lima é um dos vencedores na cidade? Claro que sim. É o coronel do partido no Estado e adversário histórico do chamado carlismo. Mas não viu empecilhos em fazer um acordo com o deputado ACM Neto (DEM-BA), derrotado no primeiro turno e dono de importantíssimo 28% dos votos. E eles foram, tudo indica, inteiramente transferidos para João Henrique: dos 30% que obteve no primeiro turno, saltou, no segundo, para 58,44%.
Parece que os votos do carlismo em Salvador, menores do que já foram — herdeiros de ACM se dividem hoje em várias legendas —, continuam, no entanto, fiéis à liderança. Quem, para variar, fez bobagem foi o PSDB do estado, que preferiu se juntar ao petista, agora derrotado, Walter Pinheiro (41,56%). O candidato tucano, Antonio Imbassahy (outra cria de ACM), e o dono da legenda no Estado, Jutahy Jr. escolheram o candidato que viria a ser derrotado. É...
O fato é que, circunstancialmente unidos, mas, de fato, adversários desde sempre, Geddel e ACM Neto, herdeiro político de ACM, deram uma tunda na terceira força que se tenta construir na Bahia. O governador Jaques Wagner tem hoje, dado o resultado das urnas, menos influência do que tinha ontem.
3 comentários:
Geddel "adversário histórico do carlismo" é um baita exagero.
Não vejo porque chará. Gedel não crescia aqui na Bahia justamente por causa da richa com ACM, bastou o veio morrer e ele agora desponta com uma grande força. Claro que o PT agora vai demonizar o Gedel, e não existiria melhor forma do que colar nele a imagem do novo ACM, o que é inviavel por Gedel ser sim um inimigo histórico do carlismo, sem nenhum exagero. pra desespero dos petistas os fatos contrariam seus ideais, mais uma vez.
Rapaz, Geddel não é adversário histórico do carlismo, basicamente por 2 motivos:
1- É cria do carlismo, sendo que seu pai, Afrísio, era brodaço de ACM, e foi até secretário de governo do véi;
2- Em 98 houve uma aliança do PMDB com o PFL (engendrada por Luís Eduardo), o que ajudou a consolidar o poder estadual do PFL nos anos 90 (era uma eleição em tese complicada, já que César Borges era um famoso quem), segundo Paulo Fábio, no seu "A Bahia e a oposição na Bahia pós-carlista".
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