segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Breve reflexão: O Silogismo e a Crise Americana

Eu ainda me impressiono com a estupidez de algumas pessoas. Quanto mais eu leio a respeito da crise econômica mais eu fico perplexo com a falta de noções básicas de lógica. É o reino do mais ignorante silogismo. Já virou “consenso” que essa crise é a crise do “neoliberalismo”, é o fim do Livre-Mercado, é a constatação da necessidade do intervencionismo estatal.

Aí eu pergunto; quem foi que disse que o Governo Americano é liberal? Quem foi que disse que os banqueiros americanos são reais defensores do Livre-Mercado? Ninguém pode fazer essas constatações porque são mentirosas. Primeiro que, como já disse, essa é a crise da incompetência estatal. A economia americana é regulamentada, a presença do governo é total e completa;

Federal Reserve – O Banco Central, tem a incumbência de regular a taxa de juros, a oferta monetária, supervisionar e fiscalizar os Federal Reserve Banks (Bancos de Reserva Nacional,) manter a estabilidade do mercado financeiro, responder a necessidade de liquidez etc.

United States Department of the Treasury (Treasurer of the United States, United States Mint, Bureau of Engraving and Printing, Under Secretary for Domestic Finance, Assistant Secretary for Financial Institutions, Assistant Secretary for Financial Markets, Assistant Secretary for of Fiscal Service, Financial Management Service, Bureau of Public Debt, Under Secretary for International Affairs, Assistant Secretary for International Affairs, Under Secretary for Terrorism and Financial Intelligence, Assistant Secretary for Terrorist Financing, Assistant Secretary for Intelligence and Analysis, Financial Crimes Enforcement Network, Assistant Secretary for Economic Policy, Assistant Secretary for Legislative Affairs, Assistant Secretary for Management/Chief Financial Officer, Assistant Secretary for Public Affairs/Director of Policy Planning, Assistant Secretary for Tax Policy, Internal Revenue Service, Alcohol and Tobacco Tax and Trade Bureau, Inspector General for Tax Administration, General Counsel, Office of Thrift Supervision) – É o responsável por implementar a política econômica, fiscal e monetária, regular as exportações e importações, vigiar todas as instituições financeiras dos Estados Unidos.

Office of the Comptroller of the Currency – Assegura o sistema bancário nacional regulando todos os bancos dos EUA.

Securities and Exchange Commission – Regula todas as matérias referentes ao mercado de valores mobiliários.

Federal Deposit Insurance Corporation – É quem garante o seguro do depósito, assegura os depósitos feitos em bancos comerciais.

Federal Home Loan Bank Board – Agência que acompanha todos os empréstimos hipotecários dos EUA.

Ora, há liberalismo? Por acaso dizer que a política econômica americana é regulamentada é algum exagero? Em hipótese alguma!

Agora entra o silogismo. A esquerda foi muito eficiente ao criar no imaginário popular a idéia de que os EUA representam a encarnação do liberalismo mais selvagem e desumano possível. Na verdade bem sabemos que essa construção é típica de políticas populistas, aquelas que necessitam justificar seus métodos em cima de um clima de terror. Seria como um Bode Expiatório Girardiano às avessas, afinal a própria tensão que teria fim com o sacrifício é instaurada com a auto-vitimização, tendo o Estado o papel de provedor paternalista, acalmando os corações dos incautos.

Desse modo "Governo Americano" passa a ser sinônimo de liberalismo, banqueiros se tornam mais liberais que Hayek, von Mises, Kirzner etc. Como dizer a alguém com essa mentalidade que não vivenciamos a crise do “neoliberalismo” se para ele os EUA, suas instituições, seus empresários, vivem em plena sintonia com os princípios libertários?

Banqueiros são burgueses, burgueses são liberais, logo Banqueiros são liberais. Se o Governo é americano, e os EUA são liberais, logo o Governo americano é liberal!

Durma com um barulho desse?

Pouco me importa se banqueiros são burgueses ou não, o fato é que eles querem lucro com ou sem Estado. O Governo americano não é liberal, além dos argumentos expostos tanto aqui como no outro artigo, vale lembrar que os Institutos e políticos realmente libertários faziam e fazem críticas vorazes ao andamento da política econômica do país.

Ron Paul, Congressista Republicano pelo Texas, assessorado por Lew Rockwell, presidente do Instituto Von Mises, disse, em 2002, num grande artigo por ele publicado que: “O capitalismo não deve ser condenado simplesmente porque ainda não tivemos capitalismo [Falando dos EUA]. Um sistema capitalista pressupõe uma moeda forte, não um papel-moeda fiduciário e de curso forçado, manipulado por um banco central (instituição listada por Marx como indispensável para se criar um regime comunista). O capitalismo aprecia contratos voluntários e taxas de juros determinadas pela poupança, e não pela criação aleatória de moeda por um banco central. Não se trata de capitalismo quando temos um sistema que é flagelado por regras incompreensíveis sobre fusões, aquisições e vendas de ações, bem como controles salariais, controle de preços, protecionismo, controles burocráticos sobre o comércio internacional, subsídios corporativos, impostos corporativos complexos e punitivos (sim, o governo subsidia e ao mesmo tempo taxa as corporações), contratos governamentais privilegiados para o complexo industrial-militar, e uma política externa controlada pelos interesses das grandes corporações e dos grandes investidores internacionais. Adicione a tudo isso o (des)controle federal centralizado sobre a agricultura, a educação, a medicina, os seguros, o sistema bancário e todo o sistema assistencialista. Isso não é capitalismo!”

E comprovando a veracidade dos Ciclos Econômicos de von Mises, descreveu o que acontecia no seu tempo, que, não por menos, se encaixa com perfeição na atual crise “Quando a bolha está inflando, não há qualquer reclamação. Quando ela estoura, o jogo de culpas começa. Isso é especialmente válido nessa época de vitimização -- em que ninguém quer assumir responsabilidades --, e tudo é feito em grande escala. Rapidamente, tudo se transforma em uma questão filosófica, partidária, social, geracional e, até mesmo, racial. Além de não se atacar a verdadeira causa, toda essa delação e "jogo de empurra" torna mais difícil a resolução da crise e enfraquece ainda mais os princípios sobre os quais se sustentam a liberdade e a prosperidade.

(...)

Bolhas especulativas e tudo o que temos visto são a conseqüência de enormes quantias de crédito fácil, que é criado do nada pelo Federal Reserve. Praticamente não criamos poupança, mecanismo este que é uma das mais significativas forças motoras do capitalismo. A ilusão criada pelas baixas taxas de juros perpetua a bolha e tudo de ruim que lhe é inerente. E isso não é culpa do capitalismo. O problema é que estamos lidando com um sistema de inflacionismo e intervencionismo que sempre produz uma bolha econômica que necessariamente sempre acaba mal.”

Vejam como as coisas são, num dos artigos publicados no site Vermelho.Org se diz, entre outras coisas, que “O governo norte-americano estimulou empresas e consumidores a se endividar e a consumir para estimular, por sua vez, uma economia declinante. E o fez como se não houvesse risco algum." Essa é uma verdade, mas mesmo percebendo a intromissão do governo na economia e sua destrutiva conseqüência, eles “constatam” que vivenciamos a crise do liberalismo. Como há verdadeiro liberalismo com intervencionismo eu não sei!

Esse é o reinado do falso silogismo, "tempo do nosso bom e velho conhecido sofisma". Que argumentação que nada! O que vale é uma conclusão apaixonada e inflamada, recheada de marxismo, mesmo que inconscientemente, onde até mesmo as políticas estatólatras são vistas como liberais e, por sua vez, os lucros dos banqueiros graças ao intervencionismo como a constatação do capitalismo selvagem da burguesia norte-americana!

Pedro Ravazzano

Um comentário:

Vladimir Lachance disse...

Esse é o reinado do silogismo. Mas do falso silogismo. Tempo do nosso velho e conhecido sofisma. É um silogismo construido na base da má fé, para enganar os desavisados. É triste ver a falta de escrupulos com que jogam.