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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Padre Alberto Hurtado




El hombre necesita pan, pero necesita también fe; necesita bienes materiales, pero más aún necesita el rayo de luz que viene de arriba y alienta y orienta nuestra peregrinación terrena: y esa fe esa luz, sólo Cristo y su Iglesia pueden darla.

Santo Alberto Hurtado

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Venerável Pierre Toussaint, do Haiti para o mundo!


Pierre Toussaint era conhecido como um homem exemplar na cidade de Nova York durante a primeira metade do século XIX. Mary Ann Schuyler, da rica família Schuyler , ecoou o sentimento popular quando o chamou de "Saint Pierre"

Pierre nasceu escravo no Haiti, por volta de 1778. O Haiti era, então, a mais rica colônia francesa no Caribe, graças às suas plantações numerosas. Pierre e sua família pertenciam ao Sr. Jean Berard. A maioria dos escravos trabalhava nos campos produtores de açúcar, café, anil, tabaco e frutas, mas Sr. Berard, que tinha grande apreço por Pierre, o designou para trabalhar em sua residência. Ali se ensinou a ler e a escrever. Sr. Berard cuidava para que os seus escravos praticassem a fé católica, e escolheu sua filha como madrinha de Pierre.

Em 1791, veio a grande revolta dos escravos no Haiti. Muitas atrocidades foram cometidas em ambos os lados até que as tropas francesas se retirarem, finalmente, em 1797. Jean Jacques Berard, que sucedeu a seu pai, decidiu ir para Nova York esperando que o clima na iha se acalmasse. Levou consigo a esposa, suas duas irmãs, cinco escravos, e fundos suficientes para manter a casa por um ano. Entre os escravos que foram estavam Pierre e sua irmã Rosalie, que nunca mais viram o resto de sua família.

Em Nova York, Berard conseguiu que Pierre se tornasse aprendiz do Sr. Merchant, um dos melhores barbeiros da cidade. Pierre progrediu rapidamente e revelou um grande talento para a elaboração dos penteados da época. Os clientes começaram a designá-lo pelo nome e rapidamente se tornou o estilista das damas famosas das famílias Schuylers, Hamiltons, La Farges, Binsses, Crugers, Hosacks e Livingtons. Pierre era muito estimado por sua discrição e comportamento.
Em 1801, o Sr. Berard queria voltar para a sua plantação tentando salvar o que podia do seu estado, mas logo percebeu que todos os seus bens se encontravam irremediavelmente perdidos. Acabou morrendo de pleurisia.

Os negócios dos Berard, em Nova Iorque, também fracassaram. A viúva, então, se viu em grande pobreza. Desesperada, implorou a Pierre que vendesse as suas jóias. Em vez disso, Pierre, discretamente, sem ninguém saber, assumiu todas as despesas da casa com o seu salário de cabeleireiro.

Em 1802, a viúva de Berard se casou com Gabriel Nicolas, um músico pobre, mas depois de alguns anos caiu enferma. Em seu leito de morte, em 2 de Julho de 1807, concedeu a Pierre a sua liberdade.

Em 1811, Pierre já tinha guardado dinheiro suficiente para pagar a Nicolas a liberdade de Roselie, sua irmã. Só então se sentiu capaz de propor casamento a Juliette Noel, uma mulher vinte anos mais jovem e cuja liberdade havia comprado para evitar que fosse vendida no sul. Eles se casaram em 5 agosto de 1811. Ocuparam, assim, o 3 º andar da casa de Nicolas, enquanto Pierre matinha economicamente todo a residência. Nicolas, posteriormente, foi transferido para o Sul e, alguns anos depois, Pierre comprou uma casa e transferiu a família para a Franklin Street.

Rosalie também se casou, mas o marido a abandonou deixando-a grávida e doente com tuberculose. Pierre e Julieta a receberam em casa, mas acabou morrendo em 1815, logo após o nascimento de sua filha, Eufémia. Os Toussaint adotaram a órfã. Apesar de sobrevier e de ter se tornado na alegria de seus tios, Eufémia também ficou doente com tuberculose e morreu em 1829. Sua morte fez com que Pierre mergulhasse numa grande tristeza. Somente a sua disciplina diária - que incluía Missa todos os dias – o ajudou a continuar.
Ao longo dos anos, Pierre assistiu silenciosamente a várias mulheres que se encontravam em necessidade. Os Toussaint também providenciaram asilo, alimentos e roupas para muitas crianças negras e ajudaram a encontrar treinamento e trabalho. Sua casa era também a casa para os sacerdotes pobres e diversos viajantes. Pierre arrecadava dinheiro para instituições civis de caridade, inclusive para um orfanato dirigido pelas Irmãs de Madre Seton. Ele também ajudou a arrecadar dinheiro para a construção da Catedral de St. Patrick.

Quando, no verão, a cidade de Nova York sofreu com as pragas da febre amarela e cólera, Pierre arriscou ser infectado para cuidar dos doentes. Os Toussaints apoiavam às Oblatas da Providência (ordem religiosa dedicada à educação de crianças negras nos EUA) e mais tarde tornaram-se benfeitores do Colégio de São Vicente de Paulo, a primeira escola católica para meninos afro-americanos em Nova Iorque.

Em 1851, Juliette morreu de câncer e Pierre sofreu muito com a sua partida. Acabou ficando doente, morrendo em 30 de junho de 1853. Esse homem humilde tocou os corações de tantos nova-iorquinos que seu funeral foi acompanhado por milhares de pessoas. Toussaint foi enterrado ao lado de Juliette e Eufémia, no cemitério de St. Patrick, em Mott Street.

Em 1990, seus restos mortais foram transferidos para a cripta da Catedral de St. Patrick. Em 17 de dezembro de 1996, Sua Santidade João Paulo II concedeu o título de "Venerável” a Pierre Toussaint, declarando, assim, que a vida deste notável homem é digna da nossa imitação.

Tradução: Pedro Ravazzano

http://www.corazones.org/santos/pierre_toussaint.htm

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Todos somos chamados à santidade

Por Harlei Mendes

Os Santos são cristãos que se despojaram e se abriram de tal forma à ação da graça divina que permitiram ao Espírito de Deus transformar profundamente suas vidas e as realidades da época. Foram (e são) pessoas que pela força do Espírito, passaram pela história deixando suas marcas e sinais visíveis da presença de Deus. Superaram de tal forma suas limitações e pecados atingindo virtudes heróicas que merecem ser chamados de Santos e por isso inseridos no Canon da Igreja.

Baseando-se em concepções erradas, alguns afirmam que os Santos são criaturas iluminadas e espírito evoluído, que através da caridade conseguiram atingir o mais alto grau da perfeição fraterna. Outros ainda, romantizando a personalidade do Santo, consideram que estes são pessoas predestinadas, nascidas com uma disposição interior à santidade, almas puras, dotadas de simplicidade angélica e bondade descomunal.

No entanto, o contato com as biografias dos Santos, nos possibilita constatar que o título que receberam não foi baseado em determinismos congênitos da personalidade. A vida de um Santo, diferentemente do que pensam e dizem alguns, foi profundamente marcada pelo combate não apenas espiritual, mas contra suas próprias tendências e disposições interiores.

Em 1914, Monsenhor Clementi, historiador em serviço no Vaticano, entregara ao Pe. Girolamo Moretti franciscano conventual e conceituado grafólogo, textos de cerca de cinqüenta santos canonizados para serem submetidos à análise grafológica. Monsenhor Clemente intentava desmistificar a ideia errada que havia por trás da imagem que fora construída ao longo da história acerca da figura dos Santos. Por um lado, a iconografia ajudara no surgimento de uma concepção angelical inerente à figura do Santo por ressaltar nas artes tão somente suas virtudes, no entanto, não podemos condenar a iconografia por apresentar a piedade e a seriedade cristãs nas imagens dos Santos. Por outro lado, os fatos extraordinários que acompanharam a vida de muitos santos, fizeram com que a sociedade e, sobretudo alguns cristãos piedosos supervalorizassem os milagres em detrimento das virtudes heróicas dos Santos.

Antes de nos determos nas conclusões do grafólogo Pe. Girolamo Moretti façamos algumas considerações acerca da grafologia.

A grafologia é uma ciência que estuda pontos característicos da personalidade através da letra. Por meio do estudo da letra cursiva, os especialistas podem detectar aptidões, limitações e manifestações de caráter, pois, afirmam que escrever é uma ação inconsciente, e por isto não passível de simulações.

A fundamentação filosófica da grafologia, de acordo com Dom Estevão Bittencourt - OSB está no fato desta técnica considerar o ser humano como um composto de corpo e alma, onde a alma é a parte determinante; o corpo a parte determinada. Apoiando-se na Filosofia Clássica, Dom Estevão destaca:
O ser humano, embora composto de corpo e alma, constitui uma unidade; nessa unidade, o corpo é o espelho da alma; o modo de ser do corpo é o espelho do modo de ser da alma. Donde se segue que a linguagem exterior e sensível de alguém é o espelho do modo como as idéias e os afetos são concebidos no íntimo dessa pessoa. Existem, pois, relações bem definidas entre as modalidades da linguagem exterior, gráfica, e o estilo íntimo ou o caráter próprio da mesma pessoa. Aliás, pode-se dizer que qualquer aspecto de uma personalidade é sempre marcado pelo estilo geral da mesma; o modo de agir corresponde ao modo de ser do sujeito. (DOM ESTEVÃO, 2006, pg. 203).
Outrossim, é preciso considerar, que a grafologia apresenta traços de caráter e não as atitudes de alguém diante dos fatos. Exatamente o que aconteceu na vida dos Santos, que conseguiram superar suas inclinações ao mal e por isso foram elevados aos “altares” das Igrejas para servirem de modelos a serem seguidos pelos cristãos.

Desta forma, através do estudo da grafologia, Pe. Girolamo pôde apresentar seu relatório á Igreja. Este relatório, posteriormente publicado em um livro intitulado “I Santi dalla Scrittura” apresenta as conclusões da análise grafológica das letras dos santos conforme podemos ver abaixo:

São João da Cruz (1541-1591) – O exame grafológico mostrou que São João da Cruz podia ter sido um homem sensual, requintado nas concessões à carne; teria dissimulado a sensualidade sob o verniz dos sofismas e do cumprimento do dever com esmero “artístico”. Visto que era sujeito a ser atormentado pelo remorso, teria procurado construir “sua” filosofia para sufocar a consciência, baseando-se em críticas extremadas, no ceticismo e no pessimismo.

Considerando sua biografia, podemos ver facilmente o quanto o grande Místico lutou para superar suas inclinações conforme este relato:

No tocante, à sensualidade, São João da Cruz soube ser inflexível, guardando absoluta fidelidade à sua Regra. Certa noite, estando absorvido em oração, a porta da sua cela abriu-se e uma jovem bela e ricamente vestida aproximou-se; o monge já a conhecia, pois era penitente dele; com palavras apaixonadas, ela lhe exprimiu a sua admiração e o seu amor. Disse-lhe que fugira da casa paterna, porque já não podia resistir à paixão que a devorava. O santo sentiu-se estremecer diante do perigo iminente. Certo de que não venceria sem a graça de Deus, voltou o coração para o Senhor em oração. E a sua prece foi atendida, pois não somente João da Cruz escapou á tentação, mas também conseguiu reconduzir a jovem á consciência dos seus deveres.

LETRA:

São Luís Maria Grignion de Montfort (1673-1716) – a sua escrita manifesta a tendência á exterioridade; teria gostado de impressionar os outros para ser admirado. Era também inclinado a dissimular os seus defeitos, o que o faria cair facilmente na hipocrisia. Não tendo grande talento filosófico, podia dar-se ao plágio, a fim de conquistar fama. Ainda no intuito de distinguir-se vaidosamente , era propenso á sátira requintada mediante palavras e sorrisos oportunos.

Os dados biográficos de São Luis mostram que sua tendência à exterioridade se concretizou no cultivo das artes, para as quais tinha habilidade. É considerado o mais prendado poeta religioso da sua época. Exerceu também a escultura, a fim de reproduzir com graça um pouco da beleza ideal de Jesus e Maria que, em sua mente, tinham forma viva e atraente. Além disso, São Luis gostava de viajar a pé e fazia de tudo para não ser reconhecido, ficava incógnito.

LETRA:

Santo Inácio de Loyola (1491 ou 1495-1556). Refere-se que Santo Inácio tinha caráter irredutível, propenso ao comando despótico. Não gostava que os subalternos se justificassem ou fizessem valer razões contrárias às suas. Tendia a se vingar de quem censurasse o seu comportamento inclinava-se à ambição e ao desejo de aparecer ostensivamente.

Sua biografia, narra que depois de eleito Preposto Geral da Companhia de Jesus, empenhou-se especialmente por duas linhas de programa: conservar sempre a simplicidade e a humildade, e só fazer uso da sua autoridade para a maior glória de Deus. A princípio, quis exercer as funções de cozinheiro, as quais ainda acrescentou os mais humildes serviços da casa.

LETRA:
São Felipe Néri (1515-1595) os estudos grafológicos demonstram que São Felipe Neri foi uma personalidade original. Apresentava um misto de autoridade e hilaridade, cuja dosagem dificilmente poderia ser analisada. À primeira vista, a hilaridade parecia prevalecer; mas percebia-se que a sua hilaridade estava a serviço de um plano de renovação da Igreja. Esta foi, sem dúvida, marcada pelo cunho que lhe deu S. Filipe Neri.

A sua alegria inata era muitas vezes o fator que equilibrava as suas emoções religiosas íntimas e profundas. Estas repercutiam fortemente em seu físico, que em conseqüência se agitava como se o santo já não pudesse permanecer no corpo. Sabia descobrir o ponto vulnerável dos outros. Mas, em vez de o explorar para a sátira e o sadismo, procurava dar-lhe o remédio oportuno; dissipava escrúpulos e dúvidas, levando os outros por caminhos estreitos a píncaros elevados.

LETRA:
Santo Afonso Maria de Ligório (1695-1787), que seguiu primeiramente a carreira jurídica além de revelar notável firmeza, manifesta forte propensão ao orgulho e à ambição. Tendia a adular os grandes ceder aos favoritos e a intrigar finoriamente. Em suma sabia tendia a ser hábil para atingir os fins almejados. Era simpático ao sexo feminino, e gozava do poder de sedução.

Sua biografia mostra que foi extremamente austero consigo mesmo, passando muitas vezes as noites deitado no chão quando não se entregava à oração até aurora na igreja ou no quarto. Receava levar vida cômoda!

LETRA:
O contato com as limitações de tantos personagens que constituem a história da piedade cristã Católica nos faz depreender através dos estudos da grafologia, que todos somos chamados à santidade e que os Santos não foram figuras de personalidade privilegiada que fosse favorável à Santidade. A grafologia exclui a possibilidade de que existam traços de personalidade ou humores que favoreçam a conquistas de virtudes heróicas. Haja vista que mesmo Santa Tereza do Menino Jesus, doutora da Igreja, cuja ortografia também foi submetida á análise grafológica, apresentara tendências à vaidades. O que não se observa em sua vida, pois seguiu fielmente o pequeno caminho da ‘infância espiritual’ se humilhando pela penitência.

Os Santos, autênticos modelos de perseverança e combate espiritual, nos ensinam conforme a vontade do Pai, que podemos e devemos chegar à Santidade, sem a qual não se entra na Jerusalém celeste. No entanto, a disciplina, a piedade e o despojamento são requisitos chaves para superar aquilo que em nós impede a ação da graça santificante.

Submetamos, pois as nossas limitações à ação do Espírito Santo e da piedade cristã para que o homem novo, nascido das águas do batismo, suplante as más inclinações do homem velho que insiste em bater as portas da nossa vida incitando fraqueza de caráter e desobediência aos mandamentos de Deus.

Referência bibliográfica:

BITTENCOURT, D. Estevão - OSB. Curso de Espiritualidade - Escola Mater Ecclesiae.2006.

BITTENCOURT, D. Estevão - OSB. Curso de Ocultismo - Escola Mater Ecclesiae.2003.