segunda-feira, 26 de março de 2012

A carismática opção preferencial pelos pobres


Qual é a atualidade da opção preferencial pelos pobres? Eu a vi extremamente dinâmica e real na Missa de Pe. Marcelo Rossi. Obviamente que do ponto de vista litúrgico a Celebração é marcadamente abusiva. Não obstante, me permito um certo conforto fenomenológico para me distanciar desses erros visando olhar para algo mais fundamental e profundo.

O “Santuário da Mãe de Deus”, ou seja, o galpão até então abandonado na Zona Sul de São Paulo, é, para muitos freqüentadores, o oásis espiritual e a única forma concreta de vivenciar a fé católica em suas vidas. A esmagadora maioria dos fiéis que para lá vão são pobres, homens e mulheres esmagados pelo dia-a-dia da capital paulista e que, em sua maior parte, são confrontados com as recorrentes incursões protestantes. Enquanto que em seus bairros pululam a quantidade de seitas pentecostais, eles optam por peregrinar do subúrbio paulistano até a “Missa de Pe. Marcelo”.

A grandeza da iniciativa do Sacerdote, sem esquecer dos objetivos erros litúrgicos que são freqüentes nas celebrações, está na sua consciência de que sem o uso de uma linguagem popular – sem ser populesca – e acessível – sem ser menos verdadeira – uma parte considerável dos católicos de classes baixas não poderiam ter a experiência real de Cristo em sua existência. O que de belo há na Teologia da Libertação, por exemplo, é o reconhecimento de que Jesus não é apenas uma idéia e que a intimidade com Ele não se faz unicamente de modo ritualístico. A experiência com Cristo muda concretamente a vida do cristão que nEle crê.

Pe. Marcelo, contudo, se afasta da Teologia da Libertação quando propõe não apenas a intimidade com Jesus na realidade do fiel, mas sim que essa transformação se faz mediante a vida de oração, sacramental e devocional. A transformação causada por Cristo é reflexo da caminhada espiritual, transcendente, que volta os olhos para os céus.

Assim, pois, no galpão abandonado eu vi uma vivacidade da experiência religiosa e da abertura de homens e mulheres a Cristo. Pobres que caminham até a Missa levando para o altar os sofrimentos e desesperos de uma vida marcada pelo falta de sentido. Ali, em meio a cantos e banhos de água benta, eles enxergam uma brecha do esplendor que os espera na morada celeste.

3 comentários:

Anônimo disse...

Interessante ponto de vista.

Anônimo disse...

Gostei especialmente quando você disse que se permitia "um certo conforto fenomenológico" (sabe lá Deus o que isto significa).

Viviane disse...

Gosto muito do Pe. Marcelo Rossi. Vejo que ele tem muitas limitações, como qualquer bom católico pode ter, mas nenhuma delas parece esbarrar em pecados graves. Ele parece ter um desejo sincero de ser fiel ao Papa, e parece amar as pessoas de verdade, desejando que todos encontrem e amem Jesus.

Gostei da sensibilidade do artigo. De fato, é muito difícil pra um católico intelectualizado de classe média compreender o quanto o trabalho desse padre é relevante para a Igreja.