
Pedro Ravazzano
As Ordens e Congregações religiosas vêm sofrendo com uma grave crise não apenas vocacional, mas estrutural. O número de religiosos é cada vez mais escasso e os conventos e mosteiros cada vez mais se aproximam da falência. Nessa problemática se destaca, contudo, a desconstrução da figura dos fundadores, quase sempre esquecidos ou ofuscados em meio a uma radical contextualização das suas vidas e ensinamentos.
Os carismas apresentados por Deus aos fundadores são vivos e dinâmicos no seio da Igreja. Obviamente não estão fechados dentro dos limites históricos e culturais próprios da época da fundação. Não obstante, na essência de qualquer família religiosa deve haver a vivência sincera da espiritualidade apontada pelo Espírito Santo. Os fundadores, assim, são exemplos claros e objetivos do modo de experimentar o carisma. Ademais, os seus ditames apontam o norte da vida comunitária reunida na proposta fundacional e “precisamente nessa fidelidade à inspiração dos fundadores e fundadoras, dom do Espírito Santo, se descobrem mais facilmente e se revivem com maior fervor os elementos essenciais da vida consagrada.” (Vita Consecrata)
Infelizmente, com a crise pós-Vaticano II, fruto da errônea compreensão dos documentos conciliares, as Congregações e Ordens buscaram, num grande afã, a atualização diante das necessidades do mundo moderno. Nesse processo, além de hábitos arrancados, de devoções mutiladas e de apostolados deformados, também se encontraram os fundadores renegados. A famigerada contextualização, partindo de leituras imprecisas, os transformaram em idéias vagas, sem qualquer objetividade concreta. As suas vidas exemplares e os seus ensinamentos tornaram-se escravos do tempo, presos ao momento histórico preciso e sem qualquer influência na existência real dos seus filhos “modernos”. Portanto, opõem-se claramente ao que fora dito na exortação apostólica pós-sinodal Vita Consecrata, que diz que são os fundadores “exemplos a que as pessoas consagradas devem constantemente fazer referência, para resistirem aos impulsos centrífugos e desagregadores, hoje particularmente activos.”
A relativização mesma do legado dos fundadores é reflexo da anterior entrada de princípios estranhos na mentalidade cristã. A Igreja, até como herdeira do humanismo clássico, sempre compreendeu o saber como transmissão e expansão fundamentado na tradição recebida e comunicada, algo totalmente diverso da razão utilitarista e técnica atual. Contudo, nesse processo crítico os carismas e todo o legado fundacional padeceram com a obrigatoriedade de adesão às “necessidades dos tempos”, convertidos numa práxis difusa ostentada esta, por sua vez, através de uma leitura horizontal da realidade cristã e da linguagem vazia e desespiritualizada muito similar à novilíngua orwelliana.
A Vita Consecrata diz que “nos fundadores e fundadoras, aparece sempre vivo o sentido da Igreja, que se manifesta na sua participação plena da vida eclesial em todas as suas dimensões e na pronta obediência aos Pastores, especialmente ao Romano Pontífice”. Entretanto a atualizada vida religiosa, influenciada por teologias estranhas que pretendem polarizar, através da dialética moderna, a Igreja institucional e hierárquica do povo de Deus romanticamente idealizado, nivela todos os carismas a uma práxis “libertadora”, desprovidos de identidade e relação direta com a experiência íntima do fundador. Não obstante, ainda em meio a esse cenário, devemos ter em mente a importância fundamental da vida religiosa na manutenção e expansão da fé não só no passado, mas como no presente e no futuro. Desse modo, repetindo as palavras do Beato João Paulo II, sabemos que “a vida consagrada, profundamente arreigada nos exemplos e ensinamentos de Cristo Senhor, é um dom de Deus Pai à sua Igreja, por meio do Espírito.”
2 comentários:
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A paz do Senhor.
Com tristeza, digo que tenho a impressão de que os piores sacerdotes que conheço são ligados a ordens religiosas. Apesar de tudo o que foi muito bem explicado neste post, não consigo mesmo entender como os membros de muitas ordens religiosas se afastaram de forma tão radical dos ideias e do modo de vida de seus fundadores. Com certeza, o Senhor, que jamais abandona a Sua Igreja, fará algo para reverter esta tragédia.
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