terça-feira, 31 de maio de 2011

A fúria virtual

Pedro Ravazzano

Um dia desses eu me senti confrontado ao me deparar com um posicionamento muito duro em relação a Pe. Fábio de Melo. Todos que acompanham o Acarajé Conservador sabem que não sou nada conivente com os pronunciamentos e as posições problemáticas e difíceis que o referido Sacerdote insiste em colocar, entretanto, é essencial ter a o discernimento para saber o que falar, como falar e onde falar.

Não obstante, eu até considero um grande ironia as posições adotadas. Muitos são os católicos que virtualmente se arrogam o poder pontifical de decretar heresias formais e definir onde começam e acabam as punições canônicas. Citam trechos do Código, colocam passagens de documentos magisteriais, mas tudo numa grande salada que se baseia em impressões puramente pessoais e que não gozam de qualquer respaldo dentro da eclesiologia. Óbvio que não se discute os pressupostos sobre os quais se baseiam para fazer tal análise. O referido Padre – ou qualquer caso em que essa temática se encaixa – notoriamente adota percepções imprecisas, entretanto, além do fato de ser Sacerdote – use batina ou camisa baby look -, não cabe um julgamento que passe por cima do que seja lícito tanto dentro do Direito quanto da caridade e do bom senso.

Não é a primeira vez que me deparo com o mesmo ar pontifical tupiniquim. Jovens que, como um dia eu fui assumo, lançam mão de um ardor passional – muitas vezes sem ser acompanhado pela inteligência, portanto provindo do maligno – que ainda que tenha como intenção defender a Igreja de Cristo não só promove um círculo de ofensas gratuitas como parte de uma visão um tanto forçada do que seja lícito.

Alguns desses têm os olhos voltados para a Roma pré-conciliar, mas esquecem que antes do Concílio seria impensável imaginar um simples leigo citando normas canônicas para acusar de heresia quem quer que fosse, ainda mais um Sacerdote, por mais que tenha culpa no cartório.

Ainda que a intenção seja boa, esta parte de uma visão restrita do que é uma heresia formal, não leva em consideração os problemas de consciência que, querendo ou não, atenuam as posições adotadas e, para agravar, colocadas com um ar tão natural e espontâneo que beira ao desrespeito.

Não é a primeira vez que encontro esse tipo de colocação no facebook, Orkut ou blogs. O rigor contra a heterodoxia e os abusos em campo de doutrina, fé e liturgia não deve ser visto como autorização para sair gritando aos quatro ventos palavras de ordem puramente passionais. Saiamos do campo superficial! Vamos para a discussão que transcenda à simples repetição. Se as afirmações têm um pressuposto óbvio e cristalino o problema não é tê-las e colocá-las – contanto que haja prudência – mas sim expô-las inconseqüentemente.

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