terça-feira, 12 de abril de 2011

Um hijab incomoda muita gente, um niqab incomoda muito mais!


Mais um episódio da epopéia moderna. O aparente paradoxo do novo ato é meramente ilusório. A França desde ontem começou a fazer valer a lei aprovada pelo Congresso que proíbe o uso do niqab – vestimenta que cobre todo o corpo da muçulmana – em lugares públicos. Algum “direitista” pode considerar essa ação do estado como uma vitória contra o terror “islâmico”, mas passa longe disso.

Obviamente essa postura dos “conservadores clichê” é totalmente criticável e, para agravar, inocente. O islamismo pode até ser alvo da simpatia da esquerda festiva, não obstante, a oposição que esta nutre ao Sagrado e à fé coloca não apenas o cristianismo mas como qualquer expressão religiosa no alvo do ódio relativista-secularizante da modernidade.

Essa proibição totalmente infundada parte de dois axiomas do mundo moderno: o ódio à fé e a deturpação do real sentido de liberdade. O niqab é proibido por ser um testemunho de coerência com a fé professada. Vale pontuar, por sua vez, que de acordo com a lei islâmica a mulher é obrigada a usar apenas o hijab – o véu que cobre os cabelos. No Irã, por exemplo, por mais condenável que seja a presença de uma polícia da moral, boa parte das mulheres opta pelo uso do niqab, que é facultativo. Ademais, ainda que o uso dessa veste completa seja expressão de uma imposição “machista”, não faz parte da responsabilidade do estado legislar sobre a vivência da religiosidade e dos sinais culturais. Claro que o poder estatal deve resguardar pelo bem comum, pela ordem, pela paz, pela manutenção dos valores e leis naturais, porém, quando se considera livre para intrometer-se numa perspectiva familiar e individual, é porque a sombra do totalitarismo já desponta no horizonte.

A França já havia proibido o uso do hijab nas escolas públicas por defini-lo como um símbolo religioso e, portanto, vetado no ambiente laico – assim como o crucifixo. O problema em questão, e se faz importante que os verdadeiros conservadores não incidam numa visão romântica da realidade, não é o islamismo ou o cristianismo, mas sim a mentalidade moderna e a guerra contra a religião. Não está em discussão a veracidade ou não desses sinais da fé, mas sim a sua expressão fenomenológica.

Com essa lei, que ainda tem como complemento, para as muçulmanas pegas em flagrante, a doutrinação com uma cartilha de civismo – leia-se formação politicamente correta e ateísta – a França não apenas corrompe qualquer noção de liberdade individual como conquista mais uma vitória na guerra que iniciou contra a religião.

O pior é saber que no meio desse caldeirão esta situação é seqüestrada por certos grupos da esquerda - a mesma esquerda que em outra frente de batalha sustenta todo o discurso secularizante - que a transforma, com a linguagem marxista, em mais uma apologia panfletária contra a "opressão" conservadora. O niqab será transmutado em proletário do novo milênio, em sinal não do Sagrado, mas da revolução.

2 comentários:

Unknown disse...

Pedro Você precisa,assim que ordenado,retorna a Salvador.

Thiago Benevides Barbosa disse...

O melhor é que, ao proibir que os indivíduos usem crucifíxo e outros adereços religiosos o estado faz claramente uma escolha. A de ser ateu e não laico.