sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Breve História da Moda na França: 1900-2000



É interessante ver como a mulher termina com um vestido que é muito menor do que a roupa íntima (!!) do vestido inicial.
No quesito moda a Revolução avançou a passos largos neste século.

Comparem o vídeo com a sequência de fotos abaixo. As fotos mostram as mudanças ocorridas na vestimenta feminina da Idade Média até o século XIX.

É assustadora a velocidade com que a moda mudou no último século. Mesmo aqueles espíritos que vêem nisto apenas uma mudança natural de costumes - como sempre ocorreu -, têm dificuldade em explicar porque no sec. XX esta mudança foi tão rápida e porque houveram mudanças tão radicais.

6 comentários:

Anônimo disse...

A explicação obviamente não é simples, não será esgotada nem em 10 blogs, que dirá num comentário, mas também não é assim tão impossível. No século XX não foram só as roupas que se transformaram abruptamente, foi tudo. A humanidade viveu milênios 'no escuro'; num segundo tudo mudou e em poucos anos saimos do 'escuro', passamos pela eletricidade e chegamos na era digital. Essa é uma pergunta mil vezes repetida, mas quem imaginaria no início do século XX, que no início do XXI nós teríamos blogs, que poderíamos ver todo o planeta de uma telinha através do google maps e saber do Japão, qual é o ponto final de um ônibus em Barueri?

Estranho seria se tudo mudasse tanto, mas nós continuássemos usando as roupas do século XVIII.

Se a mudança rápida da indumentária é fruto de alguma 'conspiração maçônica', como querem muitos católicos 'tradicionalistas' (entre muitas aspas) pelo simples fato de ter sido rápida, então temos que concluir que o avanço da informática também é fruto de alguma conspiração.

Muitos especialistas, historiadores sérios e consagrados, falam literalmente em 'aceleração da história'. Mas se quiser se manter num 'nicho' de autores mais especificamente conservadores, acho que o início de "A Rebelião da Massas", do Ortega, dá boas dicas quando fala sobre o 'boom' da técnica ainda em meados do século XIX.

Guilherme disse...

A humanidade viveu milênios 'no escuro'; num segundo tudo mudou e em poucos anos saimos do 'escuro', passamos pela eletricidade e chegamos na era digital.

Bem o oposto. A humanidade andava de cabeça erguida e sabia onde queria ir.
Agora ela está de quatro, às apalpeladas, sem rumo. Atira pra todo lado, por isso a moda vive em convulsão. O brega de repente vira chique, e vira brega de novo, e vira chique, etc...

Guilherme disse...

Olhando as ilustrações das roupas desde a Idade da Luz até o século XIX é fácil ver a continuidade. Mas chegando no século XX a linha começa a ficar mais frágil até que se perde, e a moda desde então vive de convulsões.

A perda dessa continuidade é como se um campo do conhecimento humano(Biologia, História, Arquitetura, Física, etc...) simplesmente desaparecesse, "de repente".
É uma perda horrível, mas os liberais comemoram ela, como revolucionários que são.

Anônimo disse...

A humanidade viveu milênios 'no escuro'

O 'no escuro' não foi nenhuma referência às trevas do passado, ou coisa que o valha. Foi uma referência à falta de lâmpadas e de energia elétrica mesmo.

Vladimir Lachance disse...

Sr. Anônimo "Kramer",
não sei se já leu outros textos que estão armazenados neste blog; neles tratamos dos outros aspectos que se "transformaram abruptamente". A autora fez um recorte de uma dessas coisas: a moda. Como já mostrado por inúmeros autores, conservadores e mesmo revolucionários, há uma crise no ocidente, que é moral, intelectual, religiosa, etc. O dr. Plinio Correa de Oliveira frisa bem isto no livro Revolução e Contra-Revolução quando diz que a Revolução é total, ou seja, se expande por todos os âmbitos da sociedade. Huizinga, T.S. Eliot, F.R. Leavis, Allan Bloom, apontam para a crise na literatura e nas ciências em geral. Pe. Leonel Franca, dr. Plinio, Jackson de Figueiredo, apontam para a crise religiosa e moral, e também no ambito da sociedade temporal (política, costumes, ambientes).
Se o senhor se prende somente ao avanço técnico, creio que é da sua parte que vem o equívoco. Pois, considerar que porque existe um avanço técnico (no sentido de beneficio) tem que existir também um avanço benefico na moda, é, no mínimo, péssima capacidade de análise. Se o senhor realmente considera que um vestido micro, que não cobre nada do corpo da mulher, e que pelo contrário, marca todo o corpo, é um benefício, então sua cabeça é muito torta.

Ricardo Almeida disse...

Anônimo,

É claro que não se trata de separar o universo da moda dos outros aspectos da cultura e pretender levantar exclusivamente para aquela uma causa conspiratória.

O que existe - e isso vale para a cultura inteira - é a modificação profunda (e proposital) na cultura do século XX, promovida por toda sorte de movimentos progressistas: futurismo, surrealismo, fauvismo, dadaísmo, e tantos outros ismos de malfadada memória, caem sob o mesmo rótulo e recebem igual consideração.

Não ousaria recusar o que há de interessante nas mudanças culturais, e nas vogas artísticas que as instauram. Mas, independente do julgamento que se lhes dê, a aceleração das mudanças constitui um processo de transvaloração, no qual o escandaloso de ontem se transforma no costumeiro de hoje.

Finalmente, devo dizer que nem sempre os grandes modistas são a favor das mudanças. O maior de todos eles, Cristóbal Balenciaga, não o era: recusou a minissaia horrorizado, já que sua inspiração criadora provinha dos quadros de Velasquez e da antiga nobreza. Imagine tamanho contraste!

Abraços